Os Quatro Vínculos

Autor(es): David E. Zimerman
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O autor, um dos principais nomes da psicanálise brasileira e reconhecido internacionalmente, desvenda os quatro vínculos que permeiam nossas vidas do ponto de vista da psicanálise, criando um espaço potencial no qual o leitor pode emergir como pensador em seus referenciais teóricos despertados pelo conteúdo e pelos movimentos do fio condutor da escrita.

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Capítulo 1. Vínculos e Configurações Vinculares

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Vínculos e

Configurações Vinculares

Vínculos

Etimologia e conceituação

O termo vínculo tem sua origem no étimo latino “vinculum”, o qual significa uma união, com as características de uma ligadura, uma atadura de características duradouras. Da mesma forma, vínculo provém da mesma raiz que a palavra “vinco” (com o mesmo significado que aparece, por exemplo, em ‘vinco’ das calças, ou de rugas, etc.), ou seja, este termo alude a alguma forma de ligação entre as partes que estão unidas e inseparáveis, embora elas permaneçam claramente delimitadas entre si.

Assim, cabe a afirmativa de que “vínculo” também significa um estado mental que pode ser expresso através de distintos modelos e com variados vértices de abordagem.

A noção de “vínculo” é de fundamental importância no desenvolvimento da personalidade da criança, sendo que essa afirmativa está baseada na inquestionável sentença de que “o ser humano constitui-se sempre a partir de um outro”. Isso não impede que, conforme a qualidade do vínculo, todo sujeito possa voltar toda sua libido para o seu próprio eu

 

Capítulo 2. O Vínculo do Amor

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O Vínculo do Amor

Etimologia e conceituação

Gosto de iniciar a feitura de algum texto importante declinando a etimologia da palavra-chave do assunto em pauta. No entanto, confesso que, não obstante eu tenha consultado uma grande quantidade de dicionários e de outras fontes etimológicas, nenhuma preencheu o meu desejo de conhecer a evolução histórica, através da etimologia, da palavra “amor”, designadora deste sentimento universal, presente em todas as épocas e latitudes. Assim, o máximo que consegui em todas minhas pesquisas é que praticamente a totalidade das minhas fontes de consulta se limitavam a dizer que a palavra “amor” vem do latim amore o que, dito assim, isoladamente, não me acrescentava em nada.

Assim, peço permissão ao leitor para que – sem o rigor de uma confirmação linguística amparada por uma totalidade de pesquisa séria – eu arrisque uma cogitação pessoal, de que o termo “amor” – pelo menos no vernáculo português e demais idiomas latinos – possa proceder do prefixo latino a (ausência, ou exclusão de...) e de mors que, em latim, tem um significado ligado à “morte” (o genitivo de mors é mortis, e daí, creio, derivam as palavras “morte”, “morgue”, “mortalha”, “mórbido”, “moribundo”, “mortuária” (câmara), “mortal” ou “imortal”), “mortífero”, “mortandade”...

 

Capítulo 3. O Vínculo do Ódio

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O Vínculo do Ódio

Etimologia e Conceituação

O vocábulo “ódio” se origina do latim odium (Alencar, 1944), com o significado de ira, raiva, estado colérico. A versão inglesa desta palavra

é hate, cuja inicial “H” é a que aparece em todos os textos que o psicanalista Bion utiliza quando quer fazer comentários e explanações sobre este sentimento e vínculo.

O sentimento de ódio, com os respectivos vínculos, é presente desde a existência da história da humanidade, com evidências na mitologia, na bíblia, na historiografia das guerras, em certas ideologias políticas (nazismo, por exemplo), nos relatos ocorridos na Idade Média, na violência urbana, etc. As causas responsáveis pelas guerras são variáveis: religiosas, sociais, perseguição contra minorias, atos de vingança, uma justificada defesa da honra, volúpia pelo poder, abusos do poder legislativo, interesses econômicos (cartéis de petróleo, por exemplo), etc.

No entanto, em todas elas se reúnem poderosas forças de comando, que fazem coalisões, às vezes muito estranhas, sob o velho argumento de que “os fins justificam os meios”. As guerras, muitas vezes alimentadas por um trabalho de doutrinação, não se resumem a indivíduos, porque se propagam à população que, mobilizada pelo ódio latente, que existe em cada um, pode provocar, num macrocampo de dinâmica grupal, um verdadeiro estado de “psicose da massa”.

 

Capítulo 4. O Vínculo do Conhecimento (K)

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O Vínculo do

Conhecimento (K)

Uma Introdução

Além dos clássicos vínculos do amor (fortemente inspirados nas teorias centradas na libido, de Freud) e do vínculo do ódio (fundamentadas em M. Klein, que em sua obra deu uma ênfase especial à agressão sádicodestrutiva), Bion sentiu que algo faltava nesses dois vínculos, e isso o motivou a aprofundar-se nos estudos acerca do conhecimento, ou seja, da importância da verdade, ou o contrário, as falsificações, mentiras, distorções, etc. que exercem uma influência capital em toda e qualquer espécie de vínculo.

Para tanto, Bion mergulhou nos conhecimentos da evolução da humanidade (a origem dos fenômenos, o pensamento, a linguagem, o conhecimento, as descobertas, os inter-relacionamentos, etc.) e da filosofia, em busca de onde está a essência da verdade e das transformações. Dessa forma, pode-se dizer que Bion fez uma importantíssima inovação na prática psicanalítica cotidiana porque, no lugar da clássica atitude de o analista se julgar o detentor das verdades sobre a pessoa do paciente, a psicanálise contemporânea prefere fugir do “princípio da certeza” e, pelo contrário, enaltecer o “princípio da incerteza”. Essa tomada de posição tem o respaldo de filósofos e de cientistas que ensinam que a verdade

 

Capítulo 5. O Vínculo do Reconhecimento (R)

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O Vínculo do Reconhecimento(R)

Além dos três vínculos – o do Amor, do Ódio e o do Conhecimento – estudados e postulados por Bion e já abordados neste livro, entendo ser de grande utilidade acrescentar mais uma modalidade de vínculo que caracterize mais especificamente as vicissitudes que estão radicadas desde a primordial relação mãe-bebê, e que influenciam fortemente a qualidade de todos os vínculos nas sucessivas fases do desenvolvimento de todo e qualquer ser humano. A este quarto elo de ligação, o qual considero intimamente ligado às primitivas etapas narcisistas da organização e evolução da personalidade, proponho denominar Vínculo do Reconhecimento

(muitas vezes usarei a letra “R”, inicial de “reconhecimento”, ou de “recognizing”).

As Quatro Concepções do Vínculo do Reconhecimento

É consensual que a psicanálise contemporânea inclina-se, cada vez mais, para o paradigma da vincularidade, isto é, para o fato de que o processo psicanalítico consiste sempre em uma interação entre duas ou mais pessoas, como a do analisando e seu analista. Isso se processa em moldes parecidos como é a do bebê com a mãe, do marido com a esposa, do patrão e o empregado, do professor e o aluno, etc., a partir dos vínculos que se estabelecem entre ambos e que constituem o campo psicanalítico, nesse caso, a interação entre psicanalista e paciente.

Por outro lado, o universal sentimento de uma necessidade de reconhecimento, por parte da criatura humana, aparece na literatura psicanalítica desde os seus primórdios até a atualidade, em diversos autores de

 

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