Orientação para Aposentadoria nas Organizações de Trabalho: Construção de Projetos para o Pós-Carreira

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Traz conceitos em base teórico-metodológica coerentes com a prática, planejamento e implantação de programas de orientação para aposentadoria, procedimentos e técnicas que podem ser aplicadas para auxiliar as pessoas nesse processo de transição, além de meios para a construção de projetos de vida como uma intervenção integrada para o pós-carreira

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Capítulo 1 - Significados do Trabalho

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SIGNIFICADOS DO TRABALHO

A palavra trabalho, em sua origem, como é bastante conhecida, está relacionada a alguma forma de tortura, sofrimento ou esforço doloroso. Assim interpretada, para muitos, tem o significado de um pesado fardo, que nos impede de viver. Esse tipo de conotação conferida ao trabalho está associado à compreensão da atividade laborativa como fonte de alienação econômica, política e de aflição para aqueles que a realizam. Tal concepção se relaciona ao trabalho como fonte de exploração e de deterioração da qualidade de vida do ser humano, ao despender esforço físico e psíquico que resulta em desgastes e significados pouco relevantes (Zanelli, Cazaretta, García, Lipp e Chambel,

2010). O rebaixamento dos padrões de qualidade de vida no trabalho, entre outros fatores decorrentes, implica sofrimento, que pode ser compreendido como o tédio experimentado em situações que resultam na sensação de cansaço, desânimo e descontentamento dos seres humanos com os trabalhos que realizam (Mendes e Tamayo, 2001).

 

Capítulo 2 - Significados da Aposentadoria

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SIGNIFICADOS DA APOSENTADORIA

Revela-se oportuno, para a compreensão dos significados da aposentadoria e outros conceitos aqui apresentados, considerarmos as implicações da interação continuada das pessoas em seus contextos socioculturais.

Na síntese de Martin-Baró (1985), reforçada por muitos outros autores

(entre eles: Borges e Albuquerque, 2004; Zanelli e Silva, 2008), a socialização é um processo de desenvolvimento histórico – seu caráter é definido pelas circunstâncias próprias de cada situação concreta. É um processo de desenvolvimento da identidade pessoal – o modo pelo qual o indivíduo vai se configurando como pessoa e firmando-se perante a sociedade como ser único.

É um processo de desenvolvimento da identidade social – a existência de uma pessoa supõe necessariamente a existência de uma sociedade que a influenciou em sua formação. O que também significa que esta pessoa influenciará o contexto social onde vive ao longo da sua existência.

De um modo simples, a identidade pessoal diz respeito à percepção de si mesmo (quem sou e o que me diferencia). Diz-se que a identidade está enraizada em um mundo de significações e em uma rede social. É, portanto, de natureza social e se afirma nas relações interpessoais, o mundo de relações significativas. A identidade constitui a busca do entendimento do conceito de si mesmo, resultante de etapas sucessivas e históricas de construção psicológica. Caracteriza-se como um processo permanente, em construção, definido pela intermediação constante das identidades assumidas e das identidades desejadas (Dubar, 1996). Essa distância existente entre tais tipos de identidades é exatamente o espaço de conformação do eu, ou seja, da construção da identidade. É sob esse espaço que vão se processar as interações sociais e ocorrerá a participação dos outros considerados significativos na construção da própria identidade (Machado, 2003).

 

Capítulo 3 - Aposentadoria e Espaços da Vida Pessoal

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APOSENTADORIA E

ESPAÇOS DA VIDA PESSOAL

Os espaços dedicados ao trabalho dentro da vida remetem às questões referentes ao equilíbrio existente entre o papel desempenhado pelo trabalho e os demais espaços da vida das pessoas. Esta relação incorpora horários, dias de trabalho, exigências da carreira, necessidades de viagem e a absorção regular ou não do tempo dedicado ao lazer e à vida familiar. Também se incluem nesta analogia as possibilidades de ascensão profissional que exijam mudanças geográficas frequentes (Walton, 1973).

O ritmo frenético de vida no trabalho imposto pela modernidade tem invariavelmente descompensado as relações entre trabalho e espaço de vida pessoal (Senge, 1999). As crescentes exigências de fazer mais com menos têm resultado em sobrecarga de trabalho para as pessoas nas organizações

­(Zanelli et al., 2010). Tudo isso tem proporcionado ao trabalhador que “pense” a realidade socialmente construída de sua organização, 24 horas por dia, ou quase isto. Nesse contexto, pensar em lazer, em cuidados com a saúde física ou psíquica, na família, em redes de apoio social ou em ações de responsabilidade social e ambiental tornou-se difícil, para não dizer impossível.

 

Capítulo 4 - Preparação, Orientação, Reflexão ou Relação de Ajuda

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PREPARAÇÃO, ORIENTAÇÃO,

REFLEXÃO OU RELAÇÃO DE AJUDA

Os programas focados na aposentadoria que têm sido desenvolvidos no Brasil e em outros países são dotados de características que os diferenciam entre si, em função do desenho que lhes é conferido por aqueles que são responsáveis pelo seu planejamento e execução. As razões fundamentais das diferenças são as necessidades e as expectativas dos participantes, a cultura corporativa e as respectivas peculiaridades das organizações onde os mesmos ocorrem, os limites e as possibilidades outorgadas pelos gestores e, por fim, os modelos mentais dos idealizadores destes programas, em especial, aos significados que atribuem ao momento da aposentadoria, ao fato de estar aposentado e à perspectiva de vida na aposentadoria. Ao considerarmos tais particularidades na formatação e execução do Programa, neste capítulo, identificaremos algumas possibilidades ou modelos conceituais de atuação.

Também vamos explicitar a escolha por nós feita a respeito de como planejar, organizar e executar o Programa.

 

Capítulo 5 - Construção de Projetos de Vida no Pós-Carreira

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CONSTRUÇÃO DE PROJETOS

DE VIDA NO PÓS-CARREIRA

O momento da aposentadoria, não raro, vem acompanhado de retrospectivas processadas na mente do aposentando, referentes aos significados e

às relevâncias das experiências até então por ele vivenciadas no mundo do trabalho. Ao retomar o passado vivido no trabalho e constatar que os anos despendidos foram gratificantes, o impacto disto na autoestima ou autoimagem pessoal parece ser nutrido de crenças e de sentimentos que orientam avaliações positivas a respeito desta etapa. Nesse caso, a existência histórica no trabalho é vista como revestida de sentido pleno (Morin, Tonelli e Pliopas,

2007). Tal condição pode contribuir de modo significativo para a qualidade da transição para o pós-carreira.

De modo oposto, quando o “olhar para o passado” se encontra tomado de reminiscências que suscitam sentimentos negativos, expressos pela crença de que “não valeu a pena”, a transposição para o pós-carreira, por meio da construção de um quadro de futuro, em geral, tende a ser acompanhada de um maior sofrimento. Tais crenças e sentimentos decorrentes se encontram relacionados a experiências tidas como ruins ou aversivas. Por exemplo, com um trabalho percebido como pouco significativo, a ausência de identidade com os propósitos organizacionais, a vivência de baixa qualidade de vida no trabalho, o senso de vergonha em associar sua vida laborativa com determinada organização, entre outras do gênero. Tais condições, em decorrência de suas naturezas, geram percepções inóspitas e entremeadas de sentimentos pouco gratificantes decorrentes da vida construída por meio do trabalho.

 

Capítulo 6 - Bases Conceituais do Programa

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BASES CONCEITUAIS DO PROGRAMA

Os pressupostos que orientam nossas concepções teóricas, de bases sociocognitivas, à semelhança das postulações de Blustein (1987) e Osipow (1990), estão voltados para as habilidades e atitudes envolvidas nos processos de decisão inerentes às carreiras. Por pretender mudanças de atitudes, as mudanças dos participantes do Programa evoluem em um processo de tomada de consciência, assunção de valores, retomada de emoções e disposições comportamentais. Isso significa aprender ou desenvolver padrões apropriados a uma nova etapa de vida. Guiamo-nos pelos postulados construcionistas sociais, ao entendermos que a realidade na qual se encontram inseridos os aposentados resulta do processo histórico das suas interações sociais. Influenciam a edificação de tal realidade, ao mesmo tempo em que são influenciados por ela. Portanto, compreendemos que o fenômeno da aposentadoria é consequência de uma realidade que é socialmente construída

(Berger e Luckman, 1985; Goffman, 1985; Zanelli e Silva, 2008). Apoiamo-nos nos pressupostos humanistas, em especial ao considerar as necessidades e as expectativas dos seres humanos e a ideia de que estamos em busca constante de vir a ser o que ainda não somos (Maslow, 2000, 2003). Também nos apoiamos em Frankl (1984), no que se refere à necessidade de encontrarmos propósito para a nossa existência. Por fim, na formatação e na condução do

 

Capítulo 7 - Aprendizagens e Interpretações da Prática do Programa

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APRENDIZAGENS E INTERPRETAÇÕES

DA PRÁTICA DO PROGRAMA

De uma maneira geral, os moldes em que o Programa foi estabelecido inicialmente permanecem porque têm sido bem aceitos pelos participantes e adequados à população atendida. As variações têm acontecido quanto aos conteúdos das palestras informativas e aos tipos de vivências utilizadas, sempre procurando adequar-se às características dos grupos. Em algumas circunstâncias, ao levarmos em conta o perfil psicossocial do grupo, não descartamos a possibilidade de que as vivências ou técnicas de dinâmica de grupo possam vir antes das exposições de base conceitual. Em que pesem tais possibilidades de variação, os pressupostos fundamentais que orientam a estrutura e os processos inerentes ao Programa não se alteraram ao longo do tempo.

As dezenas de grupos de participantes, que compareceram aos encontros semanais, a cada semestre, desde o início de 1993, perfazem hoje centenas de pré-aposentados ou recém-aposentados que passaram pelo Programa.

 

Capítulo 8 - A Pesquisa Preliminar e o Programa

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A PESQUISA PRELIMINAR E O PROGRAMA

Para iniciarmos o trabalho de orientação para aposentadoria é fundamental conhecer a organização e a motivação de seus empregados para participar dessa atividade. A resistência para participar aparece nos discursos de “falta de motivação para este tipo de trabalho”. É difícil para muitas pessoas encarar esse momento e, se não for orientado, pode trazer sofrimento e estresse. Em consequência, muitos empregados acabam não se interessando em participar por medo e ansiedade em lidar com a situação e ter que enfrentá-la. Para compreender e lidar com tais situações, recomendamos antes de qualquer tipo de ação, a realização de um estudo prévio, que denominamos Pesquisa

Preliminar, com dois objetivos gerais:

1. identificar a realidade da organização, quantas pessoas estarão prestes a se aposentar e o interesse ou não de efetuar a aposentadoria no momento em que cumprirem os requisitos necessários;

2. realizar um trabalho de motivação e “desmistificação” do processo de aposentadoria, por meio de entrevistas, mostrar para as pessoas que a aposentadoria não é um “bicho de sete cabeças”. Começar a falar sobre esse tema e pensar nessa possibilidade ajuda no momento da tomada da decisão.

 

Capítulo 9 - A Qualificação de Orientadores para Aposentadoria

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A QUALIFICAÇÃO DE ORIENTADORES

PARA APOSENTADORIA

Coordenar o Programa de Orientação para Aposentadoria exige estar qualificado para atuar em um momento especial do desenvolvimento humano. O período de encerrar uma carreira, de deixar uma organização, os colegas e amigos, para buscar um novo projeto de vida, uma nova carreira ou simplesmente “usufruir o tempo livre e curtir a vida” pode ser um momento difícil para um grande número de pessoas. Exige cuidados e uma qualificação teórica e técnica (prática) por parte dos planejadores e executores. Poucas organizações investem na formação e na qualificação de seu corpo funcional, principalmente nos profissionais dos setores de RH, para que se tornem competentes na gerência do Programa e obtenção dos resultados almejados.

O significado que atribuímos ao termo qualificação é de algo que resulta de interações complexas, que é construído socialmente e incorpora elementos psicossociais, culturais, políticos e econômicos.

 

Capítulo 10 - A Estrutura do Programa

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A ESTRUTURA DO PROGRAMA

Linhas Mestras

O Programa, por meio de um trabalho interdisciplinar e de caráter biopsicossocial, visa informar e proporcionar desenvolvimento pessoal aos participantes. Procuramos proporcionar um espaço próprio às pessoas para vivência, reflexão e elaboração das informações transmitidas e condições compatíveis com a revisão dos projetos de vida de cada um.

O Programa conta com profissionais oriundos de diversos campos de conhecimento, que, ao abordarem a aposentadoria, o fazem a partir de seus referenciais específicos de conhecimento, porém de forma integrada.

Em cada encontro é apresentado ao grupo um tema específico, por um profissional especializado na área em questão (por exemplo, nutricionista, economista, médico e outros). Após a exposição, prevemos um momento de reflexão e esclarecimentos de dúvidas. Em outro momento do trabalho, por meio de procedimentos de mobilização grupal, os participantes são levados a vivenciar aspectos psicológicos provocados pela exposição do tema.

 

Capítulo 11 - As Palestras Informativas

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AS PALESTRAS INFORMATIVAS

As palestras têm como finalidade informar os participantes sobre diversos aspectos pertinentes à aposentadoria. A apresentação dos assuntos, seguida de reflexões e análises, busca propiciar aos participantes a ampliação de seus conhecimentos a fim de contribuir para possíveis modificações de percepções referentes ao fato de “estar aposentado”.

O contato antecipado do orientador com os ministrantes é fundamental, pois visa esclarecer os princípios norteadores e os tópicos essenciais a serem abordados. Podem prevenir enfoques contrários aos objetivos propostos pelo

Programa.

Os assuntos são eleitos, conforme as prioridades elencadas pelos participantes em potencial, na fase anterior, denominada Pesquisa Preliminar e as atualizações decorrentes do conhecimento do grupo.

A síntese das palestras aqui apresentadas são apenas sugestões, basea­ das em nossa experiência. Com certeza o ministrante convidado, com sua experiência, saberá o que é fundamental apresentar sobre o tema de sua área de especialização, mas deve ser orientado pelos orientadores internos no que tange às especificidades do grupo em foco e procurar seguir as diretrizes estabelecidas pela coordenação do Programa.

 

Capítulo 12 - As Vivências Grupais

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AS VIVÊNCIAS GRUPAIS

As vivências grupais são fundamentais para o Programa, associadas

às palestras informativas. É por meio delas que os participantes vivenciam os sentimentos relacionados à aposentadoria e refletem sobre os conceitos apresentados nas palestras, permitindo uma melhor compreensão deste momento de suas vidas. A aprendizagem no grupo, como forma de desenvolvimento humano ao longo da vida, é enfatizada durante o trabalho

(França e Soares, 2009).

As vivências aqui relatadas representam algumas sugestões de exercícios e técnicas que poderão ser utilizados no Programa. Certamente, outras poderão ser emprestadas e adaptadas de outras fontes, levando-se em conta as peculiaridades dos participantes e a experiência e criatividade dos orientadores do grupo. Essas técnicas são apenas algumas sugestões, devem ser adaptadas e modificadas pelos orientadores de acordo com as características dos grupos e das organizações. Muitos livros de dinâmicas de grupos e de orientação profissional e de carreira oferecem técnicas que podem ser utilizadas. As que apresentamos já foram testadas em nossos grupos e comprovamos a sua viabilidade e, por isso, oferecemos aos nossos leitores.

 

Capítulo 13 - A Avaliação e o Acompanhamento

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A AVALIAÇÃO E O ACOMPANHAMENTO

O processo de avaliação é necessário porque possibilita verificar não só a qualidade do trabalho desenvolvido, como também a coerência do Programa dentro da política de recursos humanos da organização.

Relembremos o objetivo maior do Programa de agir proativamente em fatores que se manifestam com maior intensidade nos momentos que antecedem a aposentadoria, de modo a reduzir ansiedades próprias a tal fase e servir de facilitador na elaboração de novos planos, como também na reelaboração de projetos de vida.

Os objetivos específicos propostos: incentivar a reflexão a respeito de possíveis alternativas de ação; identificar e facilitar a reelaboração perceptiva e afetiva de estereótipos associados ao aposentado; avaliar os efeitos na saúde integral dos participantes; evidenciar a importância da qualidade dos vínculos familiares; resgatar nos participantes a valorização do bem-estar físico e emocional; mostrar a importância do esporte e do lazer; e proporcionar meios de reconhecimento das possibilidades concretas de emancipação e autorrealização humana durante a aposentadoria.

 

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