Língua de sinais brasileira: estudos lingüísticos

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Capítulo 1 - A lingüística e a língua de sinais brasileira

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A LINGÜÍSTICA E A LÍNGUA DE SINAIS BRASILEIRA

“A lingüística tem por único e verdadeiro objeto a língua encarada em si mesma e por si mesma.”

(Ferdinand Saussure)

O QUE É LINGÜÍSTICA?

A lingüística é o estudo científico das línguas naturais e humanas. As línguas naturais podem ser entendidas como arbitrária e/ou como algo que nasce com o homem. Essas duas correntes estão relacionadas aos pensamentos filosóficos que se originaram com Platão e Aristóteles. Este último era naturalista quanto às proposições e convencionalista quanto às palavras, pois considerava que as coisas eram infinitas e as palavras eram finitamente determinadas pelos seres humanos. Nesse sentido, a lingüística estruturalista se desenvolveu (Saussure, 1916).1

Por outro lado, Platão era naturalista quanto às palavras, assumindo que a linguagem nasce com o homem. Daí surge o famoso “Problema de Platão”, amplamente discutido nas versões mais atuais da lingüística: como sabemos tanto diante de tão pouca evidência? De forma ainda mais específica, como uma criança com tão pouca informação em tão pouco tempo é capaz de produzir a complexidade das línguas? Buscar saber sobre os princípios que constituem a faculdade da linguagem humana, possibilita o avanço em direção à solução do “Problema de Platão”. Faculdade da linguagem deve ser entendida aqui como um componente da mente humana. A natureza dessa faculdade é o objeto da teoria da estrutura lingüística que objetiva descobrir os princípios e os elementos comuns das línguas humanas. Essa teoria é chamada de gramática universal – GU. A GU é uma caracterização com princípios biologicamen-

 

Capítulo 2 - Fonologia das línguas de sinais

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FONOLOGIA DAS LÍNGUAS DE SINAIS

Contrário ao modo como muitos definem a surdez (...) pessoas surdas definem-se em termos culturais e lingüísticos.

(Wrigley, 1996, p. 13).1

INTRODUÇÃO

Fonologia das línguas de sinais é o ramo da lingüística que objetiva identificar a estrutura e a organização dos constituintes fonológicos, propondo modelos descritivos e explanatórios. A primeira tarefa da fonologia para línguas de sinais é determinar quais são as unidades mínimas que formam os sinais. A segunda tarefa é estabelecer quais são os padrões possíveis de combinação entre essas unidades e as variações possíveis no ambiente fonológico.

Tais tarefas serão apresentadas no decorrer deste capítulo.

ORGANIZAÇÃO FONOLÓGICA DAS LÍNGUAS DE SINAIS

A tarefa do fonologista é identificar quais são as unidades mínimas do sistema, quais aspectos dessas unidades são contrastivos e como essas unidades são restringidas por diferenças e similaridades sensoriais entre línguas de sinais e línguas orais.2 (Brentari 1995, p. 615)

 

Capítulo 3 - Morfologia das línguas de sinais

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MORFOLOGIA DAS LÍNGUAS DE SINAIS

DIFERENÇA ENTRE FONOLOGIA E MORFOLOGIA

O segundo capítulo deste livro dedicou-se ao estudo da fonologia. Neste capítulo será abordada a morfologia da língua de sinais brasileira. Inicialmente serão apresentadas a(s) diferença(s) entre fonética, fonologia e morfologia.

A fonética e a fonologia das línguas de sinais são áreas da lingüística que estudam as unidades mínimas dos sinais que não apresentam significado isoladamente. Por terem o mesmo objeto de estudo, são áreas relacionadas. No entanto, esse mesmo objeto é tomado de pontos de vista diferentes.

A principal preocupação da fonética é descrever as unidades mínimas dos sinais. A fonética descreve as propriedades físicas, articulatórias e perceptivas de configuração e orientação de mão, movimento, locação, expressão corporal e facial. São investigações típicas desta área, por exemplo, descrever a seleção dos dedos (número de dedos selecionados), a configuração dos dedos

(mão fechada ou aberta, dedos flexionados ou estendidos, contato e abertura entre os dedos), entre outros. Assim, pode-se descrever a configuração de mão [i] como sendo articulada com a mão fechada e com o dedo mínimo selecionado.

 

Capítulo 4 - A sintaxe espacial

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A SINTAXE ESPACIAL

A língua de sinais brasileira, usada pela comunidade surda brasileira espalhada por todo o País, é organizada espacialmente de forma tão complexa quanto às línguas orais-auditivas. Analisar alguns aspectos da sintaxe de uma língua de sinais requer “enxergar” esse sistema que é visuoespacial e não oral-auditivo. De certa forma, tal desafio apresenta certo grau de dificuldade aos lingüistas; no entanto, abre portas para as investigações no campo da Teoria da Gramática enquanto manifestação possível da capacidade da linguagem humana. A organização espacial dessa língua, assim como da

ASL – Língua de Sinais Americana – (Siple, 1978; Lillo-Martin, 1986; Fischer,

1990; Bellugi, Lillo-Martin, O’Grady e van Hoek, 1990), apresenta possibilidades de estabelecimento de relações gramaticais no espaço, através de diferentes formas.

No espaço em que são realizados os sinais, o estabelecimento nominal e o uso do sistema pronominal são fundamentais para tais relações sintáticas.

Qualquer referência usada no discurso requer o estabelecimento de um local no espaço de sinalização (espaço definido na frente do corpo do sinalizador), observando várias restrições. Segundo Baker e Cokely (1980, p.227) e Loew

 

Conclusao

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