Fundamentos básicos das grupoterapias (2a. Ed)

Autor(es): Zimerman, David
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A leitura desta obra é essencial aos psicoterapeutas e fonte indispensável àqueles que estão iniciando seus estudos sobre grupos.

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Capítulo 1 - O Homem Frente às Transformações do Mundo na Transição do Milênio

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posto de que é impossível separar o indivíduo dos grupos e da sociedade nos quais ele estiver inserido.

Dentre as mudanças mais significativas, impõe-se enfatizar as seguintes.

TRANSFORMAÇÕES BIO-PSICO-SÓCIO-ECONÔMICO-CULTURAIS

Acompanhando de forma íntima a evolução histórica da humanidade, as sucessivas, aceleradas e universais transformações de natureza biológica, científica, psicológica, social, econômica, cultural e espiritual acarretam um sério problema de adaptabilidade aos novos padrões emergentes, sendo que todos estes aspectos estão indissociada e reciprocamente relacionados, até mesmo porque vivemos hoje num mundo globalmente interligado, onde qualquer acontecimento importante repercute em todos os quadrantes de nossa “aldeia global”. Destarte, não mais cabe o individualismo e o isolacionismo dos indivíduos e nações, sendo que urge criar novos paradigmas em todos os níveis, os quais estão unificados por uma interdependência, o que requer fundamentalmente uma nova forma de pensar e de visualisar todos os problemas coletivos, forma essa que vale ser chamada de visão sistêmica do mundo e da vida.

 

Capítulo 2 - Uma Revisão sobre o Desenvolvimento da Personalidade

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CAPÍTULO 2

Uma Revisão sobre o

Desenvolvimento da

Personalidade

Desde Freud conhecemos o princípio básico de que o grupo e as individualidades são indissociados e se encontram em um permanente jogo dialético entre si. Este postulado justifica a necessidade de revisarmos os principais movimentos que processam a normalidade, ou a patologia, da formação da personalidade dos indivíduos.

As considerações que seguem não visam mais do que a uma tentativa de sistematizar os conceitos evolutivos, que são amplamente conhecidos mas também comumente acompanhados de uma certa imprecisão conceitual e de uma falta de ordenamento claro, o que se deve ao fato de as contribuições dos pesquisadores procederem de múltiplas escolas do pensamento psicanalítico com diversos vértices teóricos, os quais, sob diferentes denominações, muitas vezes se superpõem, convergem ou divergem, num complexo jogo combinatório.

Por esta razão, a sumarização que se apresenta a seguir resulta de uma livre utilização dos conhecimentos adquiridos, a partir dos autores mais representativos das diversas correntes psicanalíticas, sem privilegiar nenhuma, mas, sim, pelo critério de como eles estão elaborados em nós.

 

Capítulo 3 - O Grupo Familiar: Normalidade e Patogenia da Função Materna

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CAPÍTULO 3

O Grupo Familiar:

Normalidade e Patogenia da Função Materna

O GRUPO FAMILIAR

Atualmente é consenso entre todos os psicanalistas, independentemente se a orientação conceitual deles se inclina mais para o foco pulsional ou ambiental, que o grupo familiar exerce uma profunda e decisiva importância na estruturação do psiquismo da criança, logo, na formação da personalidade do adulto e, também, na formação dos seus grupos internos, cuja importância reside no fato de que tais grupos é que vão determinar como o sujeito irá interagir e configurar as suas relações grupais e sociais com os inúmeros demais grupos com os quais conviverá ao longo da vida.

O termo grupo familiar designa não apenas a influência exercida pela mãe, mas também a do pai, irmãos, os inter-relacionamentos entre eles, e também a das demais pessoas que interagem diretamente com a criança, como babás, avós, etc. Neste capítulo, dada a sua extraordinária importância, nos deteremos mais demoradamente na função materna, tomada em seu sentido genérico, que tanto pode referir-se unicamente à mãe concreta, como a qualquer outra pessoa que, de forma sistemática e profunda, venha a exercer essa função.

 

Capítulo 4 - Uma Revisão sobre as Principais Síndromes Clínicas

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CAPÍTULO 4

Uma Revisão sobre as

Principais Síndromes Clínicas

As estruturas caracterológicas, as inibições e os sintomas que configuram as síndromes clínicas resultam de um jogo dialético entre as relações objetais, as ansiedades e, para contra-arrestá-las, o tipo de mecanismos de defesa que são utilizados pelo Ego. Pode-se dizer que fazer um diagnóstico clínico implica em uma análise sintática de como se articulam entre si as diferentes partes e níveis das várias subestruturas psíquicas, sendo que, de início, é necessário estabelecer uma distinção entre sintoma, inibição e caráter.

Quando falamos em sintoma, estamos nos referindo a um estado de sofrimento que o paciente acusa, e do qual está querendo se ver livre, porquanto o sente como um corpo estranho a si.

O termo caráter designa um estado organizado da mente e da conduta que, por mais sofrimentos que possa estar causando aos outros, ou de prejuízos para si mesmo, é vivido pelo próprio indivíduo como sendo sintônico com a sua pessoa; portanto, sem sofrimento.

 

Capítulo 5 - Uma Visão Histórico-Evolutiva das Grupoterapias: Principais Referenciais Teórico-Técnicos

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CAPÍTULO 5

Uma Visão HistóricoEvolutiva das Grupoterapias:

Principais Referenciais

Teórico-Técnicos

A psicologia grupal é resultante da confluência das contribuições provindas da teoria psicanalítica e das Ciências Sociais, através dos ramos da Sociologia, Antropologia Social e Psicologia Social.

Uma completa revisão da história evolutiva do movimento grupal seria por demais longa, fastidiosa e até confusa, tal a sua abrangência conceitual, a multiplicidade de suas raízes e a diversidade nas concepções teóricas e aplicações práticas.

Não nos ocuparemos dos macrogrupos e, em relação à evolução dos grupos pequenos, vamos nos limitar a uma visão panorâmica, a partir dos principais autores de cada uma de suas múltiplas vertentes: empírica, psicodramática, sociológica, filosófica, operativa, institucional, comunitária, comunicacional, gestáltica, sistêmica, comportamentalista, psicanalítica.

Empírica. Por contribuição de natureza empírica designamos aquela que é mais fruto de uma intuição e experimentação do que, propriamente, de bases científicas.

 

Capítulo 6 - Importância e Conceituação de Grupo

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CAPÍTULO 6

Importância e Conceituação de Grupo

Da mesma forma como há, na Química, uma relação entre átomo e molécula ou, na Física, entre massa e energia (matéria e campo), ou, ainda, na Biologia, entre célula-tecido-órgão e sistema, também no campo das relações humanas há uma interação e comunicação entre os indivíduos e a totalidade grupal e social.

O ser humano é gregário, e só existe, ou subsiste, em função de seus inter-relacionamentos grupais. Sempre, desde o nascimento, ele participa de diferentes grupos, numa constante dialética entre a busca de sua identidade individual e a necessidade de uma identidade grupal e social.

Um conjunto de pessoas constitui um grupo, um conjunto de grupos e sua relação com os respectivos subgrupos se constitui em uma comunidade, e um conjunto interativo das comunidades configura uma sociedade.

A importância do conhecimento e a utilização da psicologia grupal decorrem justamente do fato de que todo indivíduo passa a maior parte do tempo de sua vida convivendo e interagindo com distintos grupos. Assim, desde o primeiro grupo natural que existe em todas as culturas, a família, no qual o bebê convive com os pais, avós, irmãos, babá, etc., e, a seguir, passando por creches, maternais e bancos escolares, além dos inúmeros grupinhos de formação espontânea e os costumeiros cursinhos paralelos, a criança estabelece vínculos grupais diversificados. Tais agrupamentos vão se renovando e ampliando, na vida adulta, com a constituição de novas famílias e de grupos associativos, profissionais, esportivos, sociais, etc.

 

Capítulo 7 - Modalidades Grupais

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S:

saúde mental (comunitária); sobrevivência social (gays, etc.); sensibilização; sala de espera...

T: treinamento; (com pacientes) terminais...

U: união...

V: vivências...

Por esta pálida amostragem podemos perceber o quanto denominações diferentes podem estar se referindo a uma mesma finalidade grupal e, da mesma forma, um mesmo nome pode estar designando atividades que, em sua essência, são diferentes. Ademais, muitas vezes, a prática grupal permite a criação de novas táticas, inclusive com a combinação de algumas delas, e tudo isso, aliado a um largo espectro de aplicações, pode gerar uma confusa rede conceitual.

Para atenuar este estado de coisas impõe-se a necessidade de uma classificação, sendo que qualquer intento classificatório sempre partirá de um determinado ponto de vista, que tanto pode ser o de uma vertente teórica, como o tipo de setting instituído; a finalidade a ser alcançada; o tipo dos integrantes; o tipo de vínculo com o coordenador, e assim por diante.

 

Capítulo 8 - A Função “Continente” do Grupo

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CAPÍTULO 8

A Função “Continente” do Grupo

A psicanálise contemporânea empresta um valor extraordinário à importância da função de maternagem da mãe desde os primórdios do seu relacionamento com os filhos, muito particularmente no que se refere ao que Bion denominou como continente, concepção essa que encontra uma clara equivalência com o que Winnicott conceituou como holding, embora haja algumas diferenças entre ambas as conceituações.

Destarte, a noção de holding alude mais diretamente à sustentação (o verbo to hold, em inglês, significa “sustentar”) tanto física como emocional dos cuidados da mãe em relação ao bebê, enquanto continente, pelo menos em meu entendimento, tem uma significação mais ampla e profunda, porquanto alude a uma função ativa da mãe que promove importantes transformações no psiquismo da criança, e que abrange os seguintes aspectos: a mãe (ou o terapeuta, na situação analítica) acolhe a carga das identificações projetivas, composta de necessidades, angústias, etc., que a criança (ou o paciente, na aludida situação analítica) deposita dentro dela; num segundo passo a mãe descodifica o significado do conteúdo daquilo que foi colocado nela; a partir daí, empresta a essa importantíssima experiência emocional um significado, um sentido e, sobretudo, um nome àquilo que está se passando entre ela e a criança. Como passo seguinte, a mãe devolve para o seu filho a angústia que ele projetou nela, porém já devidamente compreendida, desintoxicada, significada, transformada e nomeada, num ritmo de devolução apropriado às condições da criança. Bion emprega os termos rêverie e função alfa, o primeiro para designar que é fundamental a atitude psicológica interna da mãe de como ela acolhe o conteúdo das angústias nela depositadas

 

Capítulo 9 - A Formação de um Grupo Terapêutico de Base Analítica

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CAPÍTULO 9

A Formação de um Grupo

Terapêutico de Base Analítica

Como foi visto no Capítulo 7, há um universo de modalidades grupais, o que demonstra uma grande confusão em suas teorias, uma elevada anarquia em suas aplicações práticas e um sério risco de que se esteja construindo uma torre de Babel.

Conquanto os fundamentos teóricos e as leis da dinâmica grupal que presidem os grupos, de forma manifesta ou latente, sempre estejam presentes e sejam da mesma essência em todos eles, é inegável que as técnicas empregadas são muito distintas e variáveis, de acordo, sobretudo, com a finalidade para a qual determinado grupo foi criado. Em outras palavras: da mesma forma como todos os indivíduos que nos procuram — pacientes, por exemplo — são portadores de uma mesma essência psicológica, é óbvio que, no caso de um tratamento, para cada sujeito em especial, igualmente vai ser necessário um planejamento de atendimento particular, com o emprego de uma técnica adequada às necessidades, possibilidades e peculiaridades de cada um deles.

 

Capítulo 10 - O Início de uma Grupoterapia Analítica: Uma Primeira Sessão

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CAPÍTULO 10

O Início de uma Grupoterapia

Analítica: Uma Primeira

Sessão

Este capítulo será exposto em duas partes. A primeira consta da transcrição integral de uma sessão inicial de uma grupoterapia analítica, sendo que alguns trechos serão assinalados por algarismos colocados entre parênteses. Na segunda parte, esses algarismos servirão de roteiro para os comentários e considerações acerca das particularidades e dos fenômenos que sempre se manifestam e caracterizam o início de qualquer grupo terapêutico.

EXEMPLO CLÍNICO (Nº 1)

O grupo que aqui está sendo tomado como ilustração foi formado de acordo com os parâmetros descritos no capítulo anterior, ou seja, trata-se de um grupo que foi formado por um terapeuta iniciante, com uma razoável formação em teoria e técnica da psicanálise individual; é o seu primeiro grupo com finalidades terapêuticas de pretensão analítica; a seleção e composição visou a pacientes adultos, de ambos sexos e com um grau médio de neurose. O encaminhamento dos pacientes, na sua quase totalidade, proveio de outros grupoterapeutas mais experimentados que, por razões diversas, não puderam ou não quiseram tratá-los. Foram feitas, em média, duas entrevistas para cada pretendente, sendo que, para cada um dos sete selecionados, separadamente, foi feita uma prévia combinação acerca dos horários das duas sessões semanais, assim como um referencial quanto ao custo de cada sessão, o período de férias, etc.

 

Capítulo 11 - Campo Grupal: Ansiedades, Defesas e Identificações

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CAPÍTULO 11

Campo Grupal: Ansiedades,

Defesas e Identificações

A ilustração clínica do capítulo anterior evidenciou o fato de que a formação de um grupo vai além de uma simples soma de indivíduos com problemas exclusivamente pessoais. A reunião de todos eles e mais o terapeuta, para uma tarefa comum, gerou a formação de um campo dinâmico, no qual se entrecruzam necessidades, desejos, ataques, medos, culpas, defesas, papéis, identificações, movimentos resistenciais, transferências e contratransferências, etc.

Como tudo isso se processa simultaneamente, às vezes de forma muito rápida e confusa, exige que o grupoterapeuta tenha bem discriminado para si os principais elementos que compõem a dinâmica do campo grupal.

Este capítulo, tomando como base as conceituações da teoria psicanalítica, pretende fazer uma revisão dos três aspectos que se constituem como a coluna-mestra na formação dos processos inconscientes que gravitam no campo grupal: 1) ansiedades; 2) defesas; 3) identificações.

 

Capítulo 12 - Vínculos e Configurações Grupais: O Vínculo do Reconhecimento

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CAPÍTULO 12

Vínculos e Configurações

Grupais: O Vínculo do

Reconhecimento

O propósito deste capítulo é o de enaltecer o fato de que é fundamental que o grupoterapeuta reconheça clara e discriminadamente a natureza dos vínculos das relações que unem — ou separam — as pessoas que cotidianamente estão reunidas em casais, famílias, grupos sociais, profissionais e, naturalmente, terapêuticos. Dependendo de como os diversos vínculos se combinam entre si, vai resultar uma possibilidade quase infinita de distintas configurações vinculares, cada uma com características próprias e singulares.

CONCEITO DE VÍNCULO

O termo vínculo tem sua origem no étimo latino vinculum, o qual significa uma união, com as características de uma ligadura, uma atadura de características duradouras. Da mesma forma, vínculo provém da mesma raiz que a palavra “vinco” (com o mesmo significado que aparece, por exemplo, em “vinco” das calças, ou de rugas, etc.), ou seja, ela alude a alguma forma de ligação entre as partes que estão unidas e inseparadas, embora claramente delimitadas entre si. Trata-se, portanto, de um estado mental que pode ser expresso por meio de distintos modelos e com variados vértices de abordagem.

 

Capítulo 13 Papéis e Lideranças

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CAPÍTULO 13

Papéis e Lideranças

Da mesma forma como ocorre num sistema familiar, institucional ou social, também um grupo terapêutico comporta-se como uma estrutura na qual há uma distribuição complementária de papéis e posições. Podemos dizer que em cada papel se condensam as expectativas, necessidades e crenças irracionais de cada um e que compõem a fantasia básica inconsciente comum ao grupo todo.

A afirmação de que qualquer grupo cria, desde o seu inconsciente grupal, um sistema de papéis encontra uma confirmação estatística: basta um exercício de memória, por parte do leitor, para que, certamente, se lembre de que em qualquer de suas diversas turmas de colegas de primário, ou ginásio, etc., sempre houve alunos que assumiram e se destacaram ora no papel de “puxasaco”, ora no de alvo de “gozação”, ou no de “geniozinho”, “burro” ou “líder”, e assim por diante, sendo que a imagem que se guarda do grupo de professores também pauta pelo mesmo nível.

Assim, há sempre, em qualquer grupo, um permanente jogo de adjudicação e de assunção de papéis, sendo que um seguro indicador de que está havendo uma boa evolução grupal é quando os papéis deixam de ser fixos e estereotipados e adquirem uma plasticidade intercambiável. À medida que os papéis forem sendo reconhecidos, assumidos e modificados, os indivíduos vão adquirindo um senso de sua própria identidade, assim como uma diferenciação com a dos demais.

 

Capítulo 14 Enquadre (Setting) Grupal

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CAPÍTULO 14

Enquadre (Setting) Grupal

O enquadre é conceituado como a soma de todos os procedimentos que organizam, normatizam e possibilitam o processo terapêutico. Assim, resulta de uma conjunção de regras, atitudes e combinações, como, por exemplo, o local, horários, número de sessões semanais, tempo de duração da sessão, férias, honorários, número de pacientes, se aberto ou fechado, etc.

Tudo isso se constitui como sendo “as regras do jogo”, mas não o jogo propriamente dito.

Contudo, não quer dizer que o setting se comporte como uma situação meramente passiva; pelo contrário, ele está sob uma contínua ameaça em vir a ser desvirtuado e serve como um cenário ativo da dinâmica do campo grupal, que resulta do impacto de constantes e múltiplas pressões de toda ordem.

O setting, por si mesmo, funciona como um importante fator terapêutico psicanalítico, pela criação de um espaço que possibilita ao analisando trazer os seus aspectos infantis no vínculo transferencial e, ao mesmo tempo, usar a sua parte adulta para ajudar o crescimento dessas partes infantis. Igualmente, o enquadre também age pelo modelo de um provável novo funcionamento parental, que consiste na criação, por parte do grupoterapeuta, de uma atmosfera de trabalho, ao mesmo tempo de muita firmeza (é diferente de rigidez) no indispensável cumprimento e preservação das combinações feitas com uma atitude de acolhimento, respeito e empatia.

 

Capítulo 15 Resistência

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CAPÍTULO 15

Resistência

Em todos os textos de Freud referentes às técnicas analíticas, a resistência foi o seu tema dominante, e ele sempre postulou que o êxito de um tratamento corresponde à resolução das diversas formas de como a mesma se manifesta. A resistência costuma ser definida como tudo o que, no decorrer do tratamento analítico, nos atos e palavras do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente.

O fenômeno resistência, desde os primórdios da psicanálise até os dias de hoje, tem sido estudado profundamente em sua teoria e prática, sendo que, nos primeiros tempos, de acordo com

Freud, ele era entendido como sendo unicamente um processo de oposição ativa (a palavra empregada por Freud foi widerstand; no original alemão, wider quer dizer contra), enquanto que, atualmente, a resistência também caracteriza uma forma de como o Ego do indivíduo funciona. Dessa forma, o surgimento do fenômeno resistencial em qualquer processo terapêutico tanto pode ser obstrutivo ao mesmo, como se constituir em sua verdadeira essência, pela razão de que a resistência está dramatizando as forças vivas que o indivíduo lançou mão a fim de sobreviver ante as angústias terríveis que o assolavam. (A etimologia confirma isso: o termo resistência se compõe de

 

Capítulo 16 Contra-Resistência

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CAPÍTULO 16

Contra-Resistência

Na literatura especializada, a expressão contra-resistência não costuma ser usualmente empregada, embora o surgimento deste fenômeno seja de alta relevância em qualquer processo terapêutico.

Essa afirmação parte da premissa que norteia a ideologia deste livro, ou seja, a de que qualquer terapia não deve ser encarada como uma simples descoberta e resolução dos conflitos instintivos centrados unicamente na pessoa do paciente; antes, ela repousa no vínculo interacional no qual terapeuta e pacientes intercambiam emoções.

A partir deste ponto de vista, impõe-se a necessidade de fazermos a diferença entre o que é contra-resistência — caso em que são as resistências do indivíduo, ou do grupo, que mobilizam o terapeuta a uma resposta análoga — e o que é a resistência provinda do próprio terapeuta, e por cujo surgimento ele é o único responsável.

Em princípio, todas as formas de manifestações resistenciais que descrevemos nos pacientes em terapia podem estar presentes na pessoa do terapeuta. No campo grupal, este fenômeno adquire uma maior complexidade, pelo fato de que o coordenador de qualquer grupo pode estabelecer conluios com um determinado indivíduo, com uma parte subgrupal ou com a totalidade grupal.

 

Capítulo 17 Transferência

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DAVID E. ZIMERMAN

CAPÍTULO 17

Transferência

É de consenso entre os psicoterapeutas que o fenômeno essencial em que se baseia o processo de qualquer terapia analítica é o da transferência, termo que, embora empregado no singular, deve ser entendido como um substantivo coletivo, ou seja, como uma abreviação de múltiplas e variadas reações transferenciais.

O fenômeno transferencial foi estudado pela primeira vez por Freud, que o concebeu como uma forma de resistência que atrapalharia o bom andamento do processo analítico, sendo este até então concebido como de natureza eminentemente investigatória. Posteriormente, o próprio Freud veio a reconhecer o valor essencial do que denominou “neurose de transferência”, vindo a considerá-la como resultante de “reimpressões e novas edições” de antigas experiências traumáticas psíquicas.

Melanie Klein redimensionou o conceito de transferência ao introduzir a noção de modelos inconscientes de relações objetais primitivas. A base relacional paciente-analista se constituiria através da repetição de protótipos de imagos (palavra que, em grego, quer dizer cópia, doublé), as quais se processam através do que a autora conceituou como “identificações projetivas”, e cuja matriz está na primitiva união criança-mãe.

 

Capítulo 18 Contratransferência

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CAPÍTULO 18

Contratransferência

Coube a Freud descrever, pela primeira vez, em 1910, a ocorrência do fenômeno contratransferencial na pessoa do analista, e ele o considerou, nos primeiros tempos, como um sério artefato prejudicial ao tratamento, e uma clara evidência de que o analista não estava bem analisado...

A partir do final da década de 40, P. Heiman (1956) e H. Racker (1960), separadamente, estudaram a contratransferência como um fenômeno de surgimento inevitável e que pode ser útil ao analista desde que bem compreendida e manejada. Para estes autores, a contratransferência se origina das cargas de identificações projetivas que o paciente deposita no terapeuta e que, por isso mesmo, podem se constituir para este como uma excelente bússola para a empatia e para a interpretação. Assim, o prefixo “contra” ganhou um claro significado de contraparte, ou seja, aquilo que o terapeuta sente é o que o paciente o fez sentir, porquanto constitui os sentimentos do mundo interior deste último. Baseados nesta concepção, muitos exageros e abusos têm sido cometidos, porque tudo o que o analista sentisse seria sempre da responsabilidade do paciente. Podemos dizer que a contratransferência, na literatura psicanalítica, passou da condição de cinderela desprezada para a de uma princesa no pedestal (Thoma & Kachele, 1989).

 

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