Etimologia de Termos Psicanalíticos

Autor(es): David Zimerman
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Motivado pela curiosidade, que iniciou como hobby, o autor busca as raízes etimológicas para desvendar os mistérios da psicanálise, com suas mudanças culturais e de significados que emanam dos vocábulos. Este texto qualificará a escuta e a compreensão dos indivíduos e das diversas teorias sobre o psiquismo humano.

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Alguns informes sobre linguística

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Alguns informes sobre linguística

Todo ser humano, por sua natureza, é um curioso. Sempre se interessou pelos fenômenos em geral, como os da criação do universo, do homem, da mulher, dos seres vivos, da vida e da morte e, também, da formação das palavras. Essa última se constitui na Etimologia, a qual é conceituada como parte da Linguística, que trata da origem da história evolutiva das palavras.

Muitos me perguntam: “Qual é a etimologia da palavra etimologia?” Ela provém do grego étymos (que significa “verdadeiro”) + logos (radical grego que quer dizer “palavra”, mas que também dá lugar a numerosas formações que indicam “estudo” ou “ciência”). Assim, etimologia significa o “verdadeiro sentido de uma determinada palavra”, ou um aprofundado estudo sobre a origem e as transformações dos léxicos das inúmeras nações de todo o mundo.

Na verdade, a etimologia de palavras tanto pode ser inventada por “etimologistas” quanto pode proceder de profundos estudos realizados por linguistas, por meio de pesquisas de natureza rigorosamente científica.

 

Algumas particularidades sobre etimologia

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Algumas particularidades sobre etimologia

A partir do conhecimento de uma raiz é possível derivar inúmeras palavras, formando “famílias”, com a vantagem de que, conhecendo as regras da formação dos derivados, os interessados podem substituir o velho hábito de “decorar” aquilo que estudam por uma compreensão do sentido real das palavras­‑chave que estão perdidas e transfiguradas no decorrer do tempo. Outro aspecto importante referente à etimologia é o de levar em conta que, ao longo de séculos, as palavras evoluíram e ganharam novos significados, além do que se formaram inúmeros dialetos dentro de um mesmo idioma e de diferentes províncias de uma mesma nação.

Pode­‑se dizer que as línguas do mundo (calculadas num total de 2.800) dividem­‑se em torno de 12 famílias linguísticas importantes, além de aproxima­ damente 50 menos importantes. A família das línguas indo­‑europeias, à qual pertencem o inglês e o português, é uma das mais importantes, sendo que, entre as línguas, a importância é medida pelo número de falantes. Além das línguas faladas na atualidade, existem em torno de 8.000 dialetos, conforme assevera “As

 

Famílias de línguas e suas origens

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Famílias de línguas e suas origens

Alguns dos principais exemplos de famílias de línguas e suas origens são:

1. Indo­‑Europeia (ou Indogermânica): consiste numa antiga influência do lado oriental do nosso planeta, como a Índia, juntamente com o lado ocidental (principalmente o povo ariano, que já tinha atingido um apreciável grau de civilização). Do lado oriental destacam­‑se os antigos idiomas indiano, eslavo, iraniano e armênio. Ainda do lado ocidental, cabe citar os idiomas celta (povo indo­‑europeu que se estabeleceu entre os povos germânico, helênico e itálico). O ramo itálico do indo­‑europeu se desmembrou em várias linguagens e, em consequência, existem raízes comuns a idiomas diferentes que sinalizam uma mesma origem indo­‑europeia.

Em resumo, chamamos de indo­‑europeus todos os países e culturas nos quais são faladas as línguas indo­‑europeias; praticamente todas elas são faladas na Europa, com escassas exceções. Os primitivos indo­

‑europeus viveram há 4.000 anos, provavelmente nas proximidades dos mares Negro e Cáspio. As belicosas tribos germânicas da Antiguidade legaram às línguas modernas muitas palavras, a começar pela própria palavra guerra. As tribos indo­‑europeias – também são denominadas como arianas, termo bastante usado na época do nazismo, cujo significado quer dizer nobre (que ironia...).

 

Algumas “dicas” sobre as raízes gregas

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Algumas “dicas” sobre as raízes gregas

Diferentemente do que caracteriza a origem latina, na língua grega existem artigos e acentos nas palavras. Também no grego não existe uma letra específica para o nosso “H”, e a letra “Y” se pronuncia como o “u” francês ou o “ü” alemão, como, por exemplo, a palavra über (algo ou alguém que está acima daquilo que está por baixo). Por outro lado, o “ph” é pronunciado como nosso “f ” (por exemplo: pharmácia). O “ch” é conveniente que pronunciemos como se fosse “k”. Também não existe a letra “C” no alfabeto grego, que é substituído por “ch” ou por “k”.

O grego clássico também suprimiu a letra “V”: por exemplo, a nossa palavra força (ou fuerza, em espanhol); em latim é vis, porém em grego é is. Do mesmo modo, a palavra venter (ventre, em português), no original grego, o “v” foi suprimido e ficou enteron, ou seja, intestino.

A letra “a” no começo de uma palavra indica o contrário do sentido original. Por exemplo, a palavra amoral significa alguém que não tem moral. A letra

 

Conexões entre a linguística e a psicanálise

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Conexões entre a linguística e a psicanálise

A maioria dos analistas não demonstra um maior interesse pela linguística moderna e, consequentemente, os termos língua, linguagem e discurso são usados de forma imprecisa e muitas vezes obscura. O célebre linguista Ferdinand de Saussure é considerado o fundador da Linguística moderna. Para este autor, a linguagem é um todo heterogêneo, composto pela língua (que é o seu aspecto essencial e coletivo) e pela fala (ou discurso) que é de uso individual.

Existem inúmeras concordâncias entre os postulados do linguista Saussure e os pioneiros estudos de Freud, tal como já aparecem em seu clássico “Projeto de uma psicologia científica” (1895) e, da mesma forma, Freud também demonstra o seu interesse pela Linguística no seu importante artigo de 1910 “O significado antitético das palavras primitivas” (Edição Imago, R.J. Edição 1969, vol X, páginas

141-146), em que ele exemplifica com o antigo vocabulário egípcio em que há uma quantidade de palavras com dois significados, um dos quais é o exato oposto do outro, de modo que só se podia chegar a um conceito por meio da antítese entre duas palavras que se complementam.

 

Termos correntemente usados no contexto da linguística

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Termos correntemente usados no contexto da linguística

Para familiarizar o leitor com a terminologia frequentemente utilizada na linguagem corrente, creio ser útil fazer um breve glossário das expressões mais comuns, que seguem: n

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Aforismo: sentença curta, geralmente de ordem moral, com um mínimo de palavras e o máximo de objetividade. Exemplos: “Deus escreve certo por linhas tortas”; ou “Há males que vêm para bem”.

Alegoria: exposição de um pensamento sob forma figurada. Ficção que representa uma coisa para dar ideia de outra. Os carros alegóricos que desfilam no carnaval servem como um bom exemplo. A clássica Alegoria da Caverna, do filósofo Platão, parece­‑me ser outro excelente exemplo.

Aliteração: consiste no fato de que numa determinada palavra, uma letra troca de posição com outra letra da mesma palavra, de modo que essa sofre uma total mudança de significado. Por exemplo, a palavra poder, trocando a posição das letras “e” e “r”, transforma­‑se na palavra podre

(acredito que muitos leitores diriam que, nesse exemplo, o significado de ambas as palavras, poder e podre, continua sendo o mesmo).

 

Prefixos, sufixos e preposições

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David E. Zimerman n n n

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n n

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Alienus: étimo latino que originou a palavra alienado (estar, em parte, alheio aos fatos da realidade).

Alter: prefixo latino que designa “o outro”) (ver verbete alter ego)

Ambi: do latim (derivado do grego ambé), refere­‑se a algo que está nos dois lados de uma mesma coisa; por exemplo, a palavra ambidestro refere­‑se àquele que consegue utilizar as duas mãos com a mesma facilidade. De forma semelhante, são as palavras ambivalência e ambi‑ guidade.

Amphi: vem do grego e significa de ambos lados, em duas formas da natureza, como em anfíbio (que vive na água e no ar); anfiteatro, em que as cenas podem ser vistas de ambos os lados.

Aná: do grego, em oposição ao “katá”, pode significar para cima, como em anabolismo; ou indica fazer algo, um a um, como em anatomia (tomos, em grego, é cortar); ou seja, a palavra anatomia corresponde a dissecar sistematicamente as partes do corpo, uma a uma. “Aná” também indica em partes iguais, tal como comumente aparece nas fórmulas da composição de medicamentos.

 

Termos psicanalíticos

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Termos psicanalíticos

A

Ab: preposição latina que funciona como um prefixo, em português, na composição de palavras que começam com “ab”, cujo significado é o de “afastamento”.

Exemplos: “abjugar” = “livrar (ab) do “jugo ”; “abortar”, etc.

Abandono: deriva do verbo francês (língua neolatina) abandonner, que significa

“deixar só, desamparar”. Na terminologia psicanalítica, o abandono surge com alta frequência, tanto por um possível traumático abandono real como por um sentimento pessoal de abandono, causado por uma frustração por não ter conseguido algo, ou alguém, que o sujeito aguardava com uma excessiva expectativa.

Abasia: deriva de ab (sair fora de) + basis (locomoção em grego) e significa: incapacidade de realizar a marcha, em consequência de distúrbio de coordenação muscular.

Aborto: vocábulo derivado do verbo abortare, que em latim se origina de ab (privação) + ortare (que, segundo alguns linguistas, se origina de oriri , nascer), logo, aborto significa não nascer. Segundo outros, resulta de ab (privação ou fora do lu‑ gar + orthós, que quer dizer direito, correto. Com outras palavras, aborto significa que por razões biológicas, ou provocadas, durante a gravidez (essa palavra vem do latim gravis = pesado), há a expulsão de um ovo, vivo ou morto, antes do 7º mês, sendo que houve algo que não saiu bem, ou que não foi um ato correto (= orthos).

 

Palavras finais

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Palavras finais

Neste momento, após tantos anos de estudos, consultas, pesquisas e experiência clínica, cheguei ao fim da produção deste livro com uma sensação do cumprimento de um dever, que eu mesmo me impus, desde longa data. Na verdade, o trabalho para concluir a feitura de um vocabulário etimológico de termos ligados direta ou indiretamente à psicanálise foi bem mais trabalhoso do que eu pensava que seria. Isso porque, há longas décadas, vinha cultivando um hábito de registrar, em um grosso caderno, palavras ligadas à psicanálise em textos de livros e revistas especializadas, que eu devorava de tanto os ler e estudar.

Nessas leituras diversificadas, provindas de vários autores, de diferentes paí­ ses, percebi que seguidamente muitos deles (para ficar num único exemplo, faço questão de citar o já falecido psicanalista argentino Maurício Abadi, em cujos textos eu aprendi muito) traçavam a raiz etimológica de diversas palavras que formavam conceitos. Com o correr das décadas, percebi que já tinha acumulado um bloco com aproximadamente 100 páginas onde constavam, por ordem alfabética, palavras muito significativas, com as devidas etimologias.

 

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