Educação ambiental: pesquisa e desafios

Autor(es): Sato, Michèle
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Esta obra reúne o que melhor se faz no Brasil, México, Canadá, Espanha e França em termos de pesquisa para viabilizar uma educação ambiental efetiva.

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1. Uma cartografia das correntes em educação ambiental

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Uma cartografia das correntes em educação ambiental

Lucie Sauvé

Quando se aborda o campo da educação ambiental, podemos nos dar conta de que, apesar de sua preocupação comum com o meio ambiente e do reconhecimento do papel central da educação para a melhoria da relação com este último, os diferentes autores (pesquisadores, professores, pedagogos, animadores, associações, organismos, etc.) adotam diferentes discursos sobre a EA e propõem diversas maneiras de conceber e de praticar a ação educativa neste campo. Cada um predica sua própria visão e viu-se, inclusive, formarem-se “igrejinhas” pedagógicas que propõem a maneira “correta” de educar,

“o melhor” programa, o método “adequado”.

Agora, como encontrar-se em tal diversidade de proposições? Como caracterizar cada uma delas, para identificar aquelas que mais convêm ao nosso contexto de intervenção, e escolher as que saberão inspirar nossa própria prática?

Uma das estratégias de apreensão das diversas possibilidades teóricas e práticas no campo da educação ambiental consiste em elaborar um mapa deste “território” pedagógico. Trata-se de reagrupar proposições semelhantes em categorias, de caracterizar cada uma destas últimas e de distingui-las entre si, ao mesmo tempo relacionando-as: divergências, pontos comuns, oposição e complementaridade.

 

2. O conceito de holismo em ética ambiental e educação ambiental

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Educação Ambiental

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O conceito de holismo em

ética ambiental e em educação ambiental

Mauro Grün

O atual prestígio que o enfoque holístico desfruta em Educação Ambiental e Ética Ambiental tem contribuído para que tal postura seja aceita sem maiores questionamentos como uma solução para o trabalho em Educação

Ambiental. Não é minha intenção simplesmente negar a importância que as abordagens holistas podem ter no âmbito da Educação Ambiental e da Ética

Ambiental. Nossa meta é alertar para alguns problemas éticos, políticos e epistemológicos que podem surgir com a aceitação pura e simples do holismo, sem uma reflexão mais cuidadosa sobre seus pressupostos. Este trabalho consiste, basicamente, em uma investigação sobre o conceito de holismo em Educação Ambiental e Ética Ambiental. O problema ecológico não é somente um problema técnico, mas é também um problema ético. Uma vasta literatura no campo da Ética Ambiental tem identificado o antropocentrismo como um dos elementos responsáveis pela devastação ambiental. Podemos citar (Merchant,

 

3. A invenção do sujeito ecológico: identidade e subjetividade na formação dos educadores ambientais

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A invenção do sujeito ecológico: identidade e subjetividade na formação dos educadores ambientais

Isabel Cristina Moura Carvalho

Quem está e atua na história faz constantemente a experiência de que nada retorna.

Reconhecer o que é não quer dizer aqui conhecer o que há num momento, mas perceber os limites dentro dos quais ainda há possibilidade de futuro para as expectativas e os planos: ou mais fundamentalmente, que toda expectativa e toda planificação dos seres finitos é, por sua vez, finita e limitada. A verdadeira experiência é assim, a experiência da própria historicidade. (Gadamer, 1998, p. 527-528)

INTRODUÇÃO

Este capítulo discute os processos de subjetivação implicados na internalização de um ideário ecológico, como parte importante dos processos de constituição da identidade dos profissionais ambientais. Considera-se a formação do profissional ambiental, de um modo geral, e do educador ambiental, em particular, como parte da constituição de um campo de relações sociais – materiais, institucionais e simbólicas – em torno da preocupação ambiental, que caracteriza um campo ambiental, onde se destaca a noção de sujeito ecológico, como articuladora do ethos deste campo.

 

4. Relação com a natureza e educação ambiental

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Relação com a natureza e educação ambiental

Bernard Charlot

Veleida Anahi da Silva

“A ecologia, quando se mora na cidade, é uma coisa, mas, quando rodamos em estradas de terra e quando não há trabalho porque não se tem direito a derrubar árvores, é outra”. Estas são as palavras de um professor universitário que morou muito tempo no Estado do Acre. Embora seja biólogo, questiona fortemente o discurso ecologista. Encontramos um caso similar há alguns anos: uma amiga telefonou para Veleida para informar que a floresta estava queimando no Estado de Roraima. “E morreram índios no incêndio?”, perguntou Veleida. Essa resposta indignou a amiga, que acusou Veleida de não gostar da floresta, como se, sob as árvores, não houvesse homens...

Escutando alguns discursos, tem-se a impressão, às vezes, de que o homem e a natureza são atualmente inimigos, não podendo um deles sobreviver se o outro não morrer ou não se debilitar. Há uma solução teórica para esse aparente conflito de interesses: chama-se “desenvolvimento sustentável”. O conceito tem o apoio de todos, mas, a partir do momento em que o debate ultrapassa a palavra, ressurge a oposição entre aqueles que estão “do lado da

 

5. “Escritura” do mundo em Octavio Paz: uma alternativapedagógica em educação ambiental

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Educação Ambiental

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“Escritura” do mundo em Octavio Paz: uma alternativa pedagógica em educação ambiental

Valdo H. L. Barcelos

PARA INÍCIO DE CONVERSA...

Quero adiantar que meu objetivo com este capítulo não é propor mais uma alternativa pedagógica “salvadora” em educação ambiental. Até porque essa idéia de salvação é moderna demais para o mundo no qual estamos sendo desafiados a (com)viver. Talvez o fato de constatar-se que não há mais salvação seja a possibilidade de se salvar alguma coisa. Ou, dizendo de outro modo: se o melhor dos mundos não é possível, vamos, então, pensar um mundo melhor.

Minha intenção com este texto é provocar um debate sobre as possibilidades de intervenção nas questões ecológicas, tendo como ponto de partida o cotidiano vivido. Cotidiano este que pode ser uma sala de aula de uma escola qualquer; um grupo de pequenos(as) agricultores(as); uma comunidade de moradores. Enfim, um grupo de pessoas envolvidas com a discussão de suas questões cotidianas. Apresentarei, a seguir, os fundamentos que servirão de base para a elaboração de uma alternativa pedagógica em educação ambiental.

 

6. Insurgência do grupo pesquisador na educaçãoambiental sociopoética

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Insurgência do grupo pesquisador na educação ambiental sociopoética

Michèle Sato

Jacques Zanidê Gauthier

Lymbo Parigipe

Para onde foi a sabedoria do homem branco? Toda filosofia foi transformada em lucro econômico e nós, os índios, fomos relegados a um plano ainda mais baixo de toda a sociedade humana. Não conhecíamos a pobreza. Queremos dizer isso para vocês, no sentido de mostrar que a ciência do homem branco precisa conversar com a ciência indígena.

Porque vocês podem usar quinze anos fazendo pesquisas, gastar 300 milhões de dólares em vão. Ao passo que, conversando com os índios e fazendo acordo com os povos indígenas, podemos fazer com que toda a riqueza e conhecimento não tenham tantos gastos e que o dinheiro das pesquisas possa ser utilizado para matar a fome dos próprios parentes, dos menores abandonados, das pessoas que não têm o que comer, nem o que beber (Marcos Terena, 2000, p. 21).

Nossas lutas cotidianas parecem buscar a esperança de que a sociedade desejada seja democraticamente construída, ambientalmente responsável e socialmente justa. Os movimentos sociais, em especial os indígenas e ecologistas, sempre tiveram suas histórias marcadas na luta pelos enfoques que embasassem os processos de transição democrática, onde o mundo possibilitasse integrar a participação social por meio das justiças ambientais. Essa preocupação, no nosso ver, deve ser autogerida, ou seja, regulada pelos próprios participantes da luta, da pesquisa, da educação, do pensamento. A vida mostra que é melhor não precisar de representantes, a vida nos ensinou a não delegar nossas potências nem nossos poderes, nem na área política, nem na

 

7. Interdisciplinaridade e educação ambiental: explorando novos territórios epistêmicos

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Interdisciplinaridade e educação ambiental: explorando novos territórios epistêmicos

Edgar González-Gaudiano

INTRODUÇÃO

Tal qual a natureza do currículo, a busca da interdisciplinaridade caracterizou alguns dos principais debates sobre a educação durante grande parte da segunda metade do século XX. A polêmica sobre estes dois importantes temas foi coincidente, já que, se sobre o currículo se discutiu muito em torno de sua composição e integração, na realidade os termos do debate necessariamente derivavam para as relações entre a teoria e a prática e entre a educação e a sociedade. Kemmis (1988, p. 14) nota, a respeito:

(...) a educação é um terreno prático, socialmente construído, historicamente formado, e seus problemas não são separáveis em, ou reduzíveis a, problemas de aplicação de saberes especializados desenvolvidos pelas disciplinas “paternas”, “puras”. Mais ainda, se é correta nossa idéia de que a prática do currículo é um processo de representações, formação e transformação da vida social, a prática do currículo nas escolas e a experiência curricular dos estudantes deve ser entendida como totalizadora, de forma sintética e compreensiva, mais que através das estreitas perspectivas das especialidades das disciplinas particulares.

 

8 . A pesquisa em história oral e a produção de conhecimentoem educação ambiental

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A pesquisa em história oral e a produção de conhecimento em educação ambiental

Aloísio Ruscheinsky

Fazer pesquisa é caminhar do conhecido para o desconhecido.

Fazer pesquisa é revelar uma realidade.

O desafio maior para o pesquisador não é descrever, mas compreender.

(Hanna Arendt)

Para tratar do relacionamento entre pesquisa e a construção do conhecimento podemos adotar os parâmetros do texto de Hanna Arendt transcrito acima. Todo pesquisador defronta-se com este triplo desafio: a realidade inexaurível, a limitação do olhar e a descoberta de significados atribuídos ao real. Além do mais, da mesma autora, trazemos uma referência a um texto maravilhoso, no qual ela sintetiza o nexo entre prática social e representação social, ao afirmar que todo ser humano na ação e no discurso mostra-se como

é e desvela ativamente sua identidade pessoal e singular. Neste sentido, cabe traçar uma íntima conexão entre história oral, discurso e ação.

O presente capítulo pretende visualizar um caminho que leve pelas sendas da investigação em ciências sociais por meio de uma metodologia peculiar rumo ao conhecimento e que ao mesmo tempo se traduza em benefício da

 

9. A catástrofe do Prestige: leituras para a educação ambiental na sociedade global

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Educação Ambiental

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A catástrofe do Prestige: leituras para a educação ambiental na sociedade global

Pablo Ángel Meira-Cartea

Um acidente é um milagre, mas ao contrário.

(Paul Virilio)

INTRODUÇÃO

Em 19 de novembro de 2002, o Prestige, um petroleiro carregado com mais de 70.000 toneladas de óleo de combustão, afundou na costa da Galícia,

Espanha. Tinham se passado sete dias desde que o navio lançara o primeiro aviso de emergência, uma semana durante a qual, e frente à inépcia e à irresponsabilidade das administrações responsáveis, foi despejando sua carga tóxica por todo o litoral galego. Quando os restos do barco chegaram a mais de

3.000 metros de profundidade, onde agora repousam, a costa galega já havia recebido a primeira onda negra. Um ano depois do naufrágio, o óleo vertido pelo Prestige continua chegando à costa atlântica, da Galícia até a Bretanha francesa. Apesar da violência das evidências, o Estado espanhol continua sem reconhecer que estamos diante de uma “maré negra”, diante da pior catástrofe ambiental desse tipo ocorrida na Europa e uma das mais graves em nível mundial, tanto pela quantidade de hidrocarboneto vertida (mais de 60.000 toneladas) como por sua toxicidade, pela extensão de costa contaminada, pela população diretamente afetada e pela relevância ecológica e socioeconômica de um dos ecossistemas litorâneos mais complexos e produtivos do mundo. O litoral galego, especialmente as rias – estuários similares aos fiordes nórdicos

 

10. Por uma formação dos profissionais ambientalistas baseada em competências de ação

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Educação Ambiental

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Por uma formação dos profissionais ambientalistas baseada em competências de ação

José Gutiérrez-Pérez

INTRODUÇÃO

Esta apresentação tem como fio condutor uma argumentação que dá ênfase à necessidade de incorporar aos discursos da educação ambiental e do setor profissional do meio ambiente em geral novas idéias, isentas de inocência, que nos tirem de nossa bolha de pregadores atemporais, das orações inspiradas no humanismo de Rousseau e da cultura acadêmica, e nos levem ao mundo real do século XXI, à lógica dos mercados, das políticas, das empresas, do emprego e do trabalho, do marketing, da convergência estratégica, da cibernética, da robótica, da ética e da pragmática do cotidiano, incorporando às nossas façanhas elementos básicos que nos ponham os pés na terra e nos ajudem a redefinir nossas funções como grupo profissional, nossos compromissos sociais, nossas responsabilidades na reorientação do presente e do planejamento do futuro próximo e distante. Com a esperança de que sejamos capazes de coordenar esforços coletivos e otimizar recursos para se alcançarem novas metas com ações operacionais que demonstrem o poder de convicção de nossos discursos, da confiança e credibilidade social que despertamos nos diferentes setores, contextos e instituições, e, por fim, que demonstrem se nosso trabalho serve realmente à sociedade em que vivemos ou à que haverá de chegar.

 

11. De asas de jacarés e rabos de borboletas à construção fenomenológica de uma canoa

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Sato, Carvalho e cols.

TÍTULOS E METÁFORAS

Temos uma certa irreverência em brincar com as palavras e buscar títulos insinuantes, mas a leitora ou o leitor mais desavisado pode não compreender nossa seriedade bem-humorada. Sem medo de sermos taxados de artistas, ou até mesmo de loucos, resolvemos iniciar nosso diálogo esclarecendo nossos intentos expressos nas linguagens. Queremos ter a liberdade de Oscar

Wilde, de criticar a crítica de sua arte,2 e explicitamos nossos desejos de participação em um sistema de avaliação da Educação Ambiental (EA) para mostrar que temos campos epistemológicos próprios, métodos plurais e podemos contribuir com certos “produtos” que nos são oferecidos sob a forma de “pacotes”, requeridos pelo próprio sistema que nos rege, sem que nos tenham antes dado a palavra ou ouvido.

“Mostrar com quantos paus se faz uma canoa” quer revelar o quanto sabemos e como podemos, sem contudo, deixar de anunciar o quanto ainda temos que aprender! Sem a pretensão do absolutismo, nossa metáfora emana da vontade de criar e ressignificar novos sentidos à EA. Estamos cientes de que a analogia é maleável na polissemia que origina indefinidos contornos semânticos e, por isso mesmo, é nossa intenção caminhar na capacidade evocativa da imaginação, já que toda metáfora possui uma característica “substitutiva, tensional e criativa” (Pieri, 2002, p. 320), evocando, com vantagem neste caso, um atrevido sentido de impertinência.

 

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