Homo Zappiens

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O livro Homo Zappiens examina como as crianças que crescem em um mundo de tecnologia e de mudanças constantes demonstram maior relutância em encaixar-se no sistema educacional do que qualquer outra geração antecedente. Além disso, é notório que essas crianças em geral compreendem melhor a tecnologia do que as pessoas que as educam. Em vez de tentar controlar, entender ou dominar a tecnologia, elas simplesmente a usam!Como a tecnologia nos capacita a obter informações com facilidade, a sociedade está mudando seu modo de considerar a aprendizagem, passando da simples obtenção da informação à comunicação, à interpretação e à negociação. Enquanto julgarmos a geração Homo zappiens por nossos velhos parâmetros, nunca entenderemos como seus modos de brincar e comunicar-se são, na verdade, estratégias que começam a surgir para lidar com nosso futuro digital e criativo.

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1. TEMPOS DE MUDANÇA

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TEMPOS DE MUDANÇA

Em tempos de mudança, aqueles que aprenderem herdarão a

“Terra, enquanto aqueles que já aprenderam encontrar-se-ão esplendidamente equipados para lidar com um mundo que não mais existe.

Eric Hoffer

Há alguns anos ficamos assombrados com a mídia, quando, com o final do século, deparamo-nos repentinamente com o que passou a ser chamado de o “bug do milênio”: os chips dos computadores haviam sido programados para ter uma data de seis dígitos e, com a passagem de 1999 para 2000, havia o risco de que esses chips passassem a informar que estávamos vivendo no ano de 1900, e não 2000. Havia o medo de que nossa vida e a sociedade que construimos com tanto cuidado – com nossos governos, nossos registros de transações, nossos equipamentos eletrônicos, entre muitas outras coisas – fossem seriamente prejudicadas. Para piorar o problema, muitos dos programadores daqueles antigos chips, feitos em linguagem FORTRAN ou COBOL, estavam aposentados, levando seu conhecimento embora com eles. O quadro apresentado era de desastre.

 

2. CONHECENDO O HOMO ZAPPIENS

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CONHECENDO O

HOMO ZAPPIENS

A curto prazo, sempre superestimamos os efeitos das novas tecnologias, mas, a longo prazo, sempre os subestimamos.

Richard Thieme

“Repentinamente, as crianças que chegavam à nossa escola demonstravam um comportamento bastante diferente: direto, ativo, impaciente, incontrolável e, de certa forma, indisciplinado; parecia-me que algo havia acontecido no verão. Isso me assustava e empolgava ao mesmo tempo.”

Foi assim que uma professora sueca descreveu o que sentiu quando começou o novo ano letivo em um bairro de Estocolmo na metade da década de

1990, quando crianças de 6 anos voltaram à escola depois das férias de verão. A professora teve a sensação de que de um ano para o outro uma nova geração surgira e que ela tinha de lidar com elas, ainda não sabendo, mas percebendo, que precisaria empregar estratégias e abordagens diferentes.

Desde que essa professora teve tal impressão sobre seus alunos, muitos colegas na Europa inteira experimentaram o fato de que os alunos de hoje demandam novas abordagens e métodos de ensino para que se consiga manter a atenção e a motivação na escola. Ouvimos muitos deles dizerem que os alunos dedicam atenção às coisas por um período curto de tempo, que não conseguem ouvir alguém falar por mais de cinco minutos.

 

3. ENTENDENDO O CAOS

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ENTENDENDO O CAOS

A melhor coisa a respeito dos melhores jogos é que eles levam a

“garotada a uma aprendizagem muito intensa.

Seymour Papert

Como interpretar o uso que as crianças fazem da tecnologia? Será que seu comportamento aparentemente caótico de zapear de um canal para outro e de navegar na internet é perda de tempo? Assistir à televisão e jogar no computador pode ser útil? Ou os benefícios de jogar no computador ou navegar na internet simplesmente se reduzem ao desenvolvimento de uma boa coordenação entre o olhar e o movimento das mãos? No que diz respeito a essa habilidade, parece que os jovens cirurgiões que jogaram no computador durante sua infância têm um melhor desempenho em cirurgias do que os que não jogaram (Rosser, 2004). É claro que se pode argumentar que apenas uma pequena parcela de nossa força de trabalho atuará na profissão de cirurgião, e que, assim, as vantagens de uma coordenação bem-desenvolvida se aplicaria somente a um número restrito de profissões. Então, como a tecnologia poderia ajudar a maioria das pessoas a tirar vantagem dos usos da própria tecnologia? Até que ponto a tecnologia pode ajudar as crianças a se tornarem melhores aprendizes?

 

4. APRENDENDO DE MANEIRA DIVERTIDA

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Homo Zappiens

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APRENDENDO DE

MANEIRA DIVERTIDA

Trate as pessoas como se elas fossem o que deveriam ser e con“tribuirá para que elas se tornem o que são capazes de ser.

Johann Wolfgang von Goethe

Nos capítulos anteriores, descrevemos a nova geração de crianças, que cresce em meio à tecnologia da informação e da comunicação. Descrevemos tais crianças como pensadores digitais e tentamos lhes dar uma visão geral sobre a tecnologia, que, para elas, não é novidade. Para você, contudo, talvez o assunto seja inédito e até mesmo revolucionário. Tentamos nomear as habilidades mais importantes e distintivas que essas crianças parecem desenvolver, o que as coloca à parte de nós e que nos faz chamá-las de Homo zappiens – uma nova espécie de ser humano. Também abordamos as similaridades entre jogar e aprender.

Neste capítulo, refletiremos sobre os aspectos de aprendizagem do comportamento do Homo zappiens. Tentaremos traduzir as habilidades que foram descritas no Capítulo 3 acerca de nossa visão atual da sociedade, para demonstrar como elas podem ser consideradas úteis na aprendizagem. A principal questão a responder neste capítulo é se, e como, a aprendizagem mudou por causa da tecnologia. Para fazê-lo, devemos primeiramente observar mais de perto a própria aprendizagem – o que ela é e como pode ser definida.

 

5. PARANDO A MONTANHA-RUSSA

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PARANDO A

MONTANHA-RUSSA algo que não fica nada a dever a um milagre o

“fatoÉ, nade verdade, os métodos modernos de ensino ainda não terem estrangulado inteiramente a sagrada curiosidade da investigação.

Albert Einstein

As pessoas sempre aprendem. Mesmo quando você pensa que elas estão realizando as atividades mais inúteis que se possa imaginar, ainda se pode dizer que estão aprendendo a ser mais experientes em fazer algo inútil. Esse adquirir experiência não é, porém, o que, em termos gerais, chamamos de aprendizagem. Pensamos na aprendizagem como alguma mudança mensurável ou perceptível em resposta a uma determinada situação. Essa própria definição impede a possibilidade de se aprender em uma só situação, já que nunca teremos a oportunidade de testemunhar a mudança em uma resposta a uma situação que não volte a ocorrer novamente. Agora você deve estar pensando: “Espere um pouco! Isso está errado”, e, é claro, mais uma vez você está certo. A aprendizagem não é um estado binário em nossa percepção, algo que você possa fazer ou não fazer; há vários graus de aprendizagem, pelo menos para o observador, embora um cientista possa argumentar que a aprendizagem é uma atividade binária.

 

6. O QUE AS ESCOLAS PODERIAM FAZER

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Veen & Vrakking

mais tempo a ela. Por outro lado, se você acha que devemos mudar alguma coisa, não se sinta desestimulado se nossas sugestões não estiverem em perfeita consonância com o que você pensa. Como última observação, gostaríamos novamente de recomendar a visita a nosso site (www.homozappiens.nl), que servirá como uma plataforma e oportunidade de discussão sobre os tópicos da aprendizagem, educação e progresso tecnológico.

CENÁRIOS PARA A EDUCAÇÃO FUTURA

Presumimos e desejamos que nossas visões não sejam apenas fantasias, mas que recebam apoio de outras pessoas. Assim, pensamos que as escolas deveriam se encaixar na sociedade a que servem, e, por isso, projetar escolas para o futuro é algo que se deve fazer tendo em mente os avanços da sociedade. O problema todo é dispor ou não de precognição: alguns alegam tê-la, embora ninguém possa provar. Um método bem-conhecido, e de uma natureza bem-pensada, no lidar com a incerteza futura é o desenvolvimento de cenários, que são futuros quadros possíveis, retirados das tendências atuais e de nossas expectativas. Tendemos a depositar maior confiança em cenários que são sustentados por especialistas reconhecidos

 

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