Estresse nas Organizações de Trabalho

Autor(es): Jose Carlos Zanelli
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Estresse nas organizações de trabalho é produto de um estudo minucioso realizado no Brasil, Chile, Portugal e México para diminuir os danos que o trabalho provoca.

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Introdução

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Introdução

Este início de século XXI evidencia intensas pressões por resultados como uma das principais constantes na realidade do mundo do trabalho, na maioria das organizações, em todos os níveis hierárquicos. Outros fatores, como a intensificação das mudanças tecnológicas, a concorrência globalizada e o desemprego estrutural, estão associados às pressões por resultados dentro das organizações. Frente à cobrança contínua pela resolução de problemas e obtenção de produtividade, empregados ou trabalhadores que desenvolvem atividades diversificadas, em diferentes setores da economia, estão tendo dificuldades para perceber, refletir e agir em benefício

Frente à cobrança contínua pela reda própria saúde e do bem-estar solução de problemas e obtenção coletivo. Essas evidências têm sido de produtividade, empregados ou constatadas por meio de pesquitrabalhadores que desenvolvem atisas, em diversas categorias providades diversificadas, em diferentes fissionais, publicadas nas décadas setores da economia, estão tendo dificuldades para perceber, refletir e mais recentes, e em maior número agir em benefício da própria saúde e nos últimos anos, em âmbito interdo bem-estar coletivo. nacional. O extenso levantamento do estado da arte realizado por

 

Capítulo 1 - Trabalho, saúde e construção da qualidade de vida

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Trabalho, saúde e construção da qualidade de vida

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Apesar do empenho dos trabalhadores ao longo dos dois últimos séculos para obter condições mais dignas, desde as condições aviltantes de exploração instaladas pela Revolução Industrial, há cerca de 200 anos, as exigências diárias de trabalho têm agravado o nível de estresse e os danos

à saúde. Os fatores em jogo muitas vezes estão além dos acordos entre trabalhadores, administradores e líderes bem-intencionados; estão sujeitos

às transformações das regras da concorrência em nível mundial e às mudanças vertiginosas da tecnologia, ao ponto extremo de os trabalhadores de certos setores ficarem receosos ao retornar ao trabalho, por causa da desatualização que um mês de férias impõe. Assim, nas últimas décadas, o mundo do trabalho vem passando por profundas transformações que estão relacionadas com condições econômicas, sociopolíticas legais,

O mundo do trabalho vem passanmu­danças demográficas, inovação do por profundas transformações tecnológica, entre outros (Peiró e que estão relacionadas com condições econômicas, sociopolíticas lePrieto, 1996). gais, mu­danças demográficas, ino­

 

Capítulo 2 - Estilo de vida, adoecimento e ambiente de trabalho

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Estresse nas organizações de trabalho

Estilo de vida, adoecimento e ambiente de trabalho

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O estilo de vida é um conceito utilizado para compreender o conjunto de atitudes e comportamentos que constituem padrões recorrentes na vida de uma pessoa. Trata-se de um assunto que conta com acordo amplo na literatura, relativo à influência do estilo de vida no desenvolvimento de doenças, principalmente daquelas que podem contribuir para a morte prematura em adultos. Além disso, os hábitos de vida constituem um dos maiores fatores responsáveis pelo nível de qualidade de vida do ser humano. Distresse, depressão, ansiedade, dentre as doenças de fundo claramente emocional, e hipertensão arterial, obesidade e diabetes, nas quais os aspectos emocionais muitas vezes estão presentes, de modo até imperceptível, todas têm em sua gênese e manutenção um fator em comum, que é,

Os hábitos de vida constituem um sem dúvida, o conjunto de hábitos dos maiores fatores responsáveis de vida típico da pessoa. Na Tabela pe­lo nível de qualidade de vida do ser humano.

 

Capítulo 3 - Teorias e procedimentos de intervenção no ambiente de trabalho

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Teorias e procedimentos de intervenção no ambiente de trabalho

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O estresse vem sendo discutido ao longo do último século. São bastante conhecidos os trabalhos de Hans Selye que, a partir da década de

1930, sistematizou o conceito com maior precisão, em torno da ideia de manifestações fisiológicas variadas, mas sem causas claramente definidas. O estresse é amplamente compreendido como uma necessidade de adaptação ou ajustamento de um organismo frente às pressões que

O estresse é amplamente compreo ambiente impõe. endido como uma necessidade de

Codo, Soratto e Vasques-Me­ adaptação ou ajustamento de um organismo frente às pressões que o nezes (2004) apresentam uma sínambiente impõe. tese das principais teorias sobre trabalho em estudos que têm como foco a saúde do trabalhador. Dividem as perspectivas em três grandes vertentes: os estudos do estresse, a psicodinâmica do trabalho e a abordagem epidemiológica. Na primeira, a concepção de ser humano é a de um ser que deve estar em equilíbrio com a natureza na segunda, a libido é a força principal na organização do ser a partir da primeira infância e, na terceira, o ser é fundamentalmente psicossocial e tem no trabalho a força principal na multideterminação das relações com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Essas perspectivas implicam, respectivamente, concepções de saúde derivadas de uma diminuição dos conflitos no trabalho, da possibilidade de sublimação por meio do trabalho e, por último, da apropriação do controle das transformações que ocorrem por meio do trabalho.

Dois tipos básicos de programas de atenção à saúde do trabalhador podem ser desenvolvidos. Um, centrado nas manifestações da pessoa, visando a aprendizagem, por parte do trabalhador, de estratégias

 

Capítulo 4 - Pressupostos precedendo as teorias/pesquisas e as consequências

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Pressupostos precedendo as teorias/pesquisas e as consequências

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Nas sínteses que podem ser observadas no Quadro 4.1, os pressupostos verbalizados como apoio às teorias e às pesquisas, entre os participantes deste estudo, nos quatro países, são vistos como em possível ou, mesmo, desejável integração. Alguns participantes referem fundamentos sociocognitivistas, socioconstrutivistas (C.1.1) ou cognitivo-comportamentais

(B.1.1). Consideram também a necessidade de uma aproximação multidisciplinar, com forte componente biomédico (C.1.1) ou, conforme B.1.1, o suporte fisiológico de teorias baseadas em características personalógicas

(características genéticas aliadas às práticas parentais). Outras sínteses revelam suposições das condições objetivas como desencadeadoras do estresse, em aproximação de base marxista (M.1.1), ou respaldadas na Psicologia das Organizações e na Psicologia Social (P.1.1). Essas suposições levam em conta variáveis associadas aos processos de mudança organizacional, para

 

Capítulo 5 - Teorias/pesquisas entre os pressupostos e as consequências

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Teorias/pesquisas entre os pressupostos e as consequências

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Nas sínteses apresentadas no Quadro 5.1, há referências a teorias desde o pioneiro Hans Selye (três estágios do processo de estresse) (B.1.1) até outros autores que contribuíram para a compreensão do fenômeno, como Lazarus e Lazarus (B.1.1) e (M.1.1), Bradburn (C.1.1), Everly (B.1.1), Meichenbaum

(B.1.1), Spielberger (B.1.1), Bandura (M.1.1) e Seligman (M.1.1). Os conceitos que foram progressivamente agregados passaram a destacar, entre outros aspectos: a interpretação dos eventos externos; o controle exógeno (aspectos psicossociais e físicos) e o controle endógeno (capacidades de enfrentamento); o balanceamento afetivo; a patofisiologia do estresse e tratamentos diferenciados; a autoeficácia e a autorregulação; o desamparo aprendido; o presenteísmo; o bem-estar subjetivo; o balanceamento trabalho-família; os efeitos negativos do trabalho (distresse, fadiga, burnout) e também dos aspectos positivos (entusiasmo, dedicação, engagement).

 

Capítulo 6 - Consequências além das teorias/pesquisas e seus pressupostos

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Consequências além das teorias/pesquisas e seus pressupostos

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Nas sínteses do Quadro 6.1, estão as consequências dos modelos teóricos usados pelos participantes deste estudo. Os referenciais são

úteis mais para aplicações práticas do que para provar teorias, estu­ dar os fenômenos de um ponto de vista conceitual e multidisciplinar, compreender variáveis complexas em interação e utilizar triangulações, integrar variáveis da organização, da comunidade e da família e para adaptar instrumentos (C.1.1). No caso de B.1.1, a comprovação do mo­ delo teórico incentivou a criação de um centro de aplicação e exigiu o desenvolvimento de outras pesquisas e aplicações, relativas à raiva e suas decorrências. O predomínio do modelo tradicional (reestrutura­

ção subjetiva), que o participante M.1.1 qualifica como um paradigma,

é atribuído às dificuldades de mudança nas organizações, ao mesmo tempo em que um modelo integrador facilita a compreensão científica do fenômeno (estresse), o diálogo acadêmico e as possibilidades de in­ tervenção viável nas organizações (M.1.1). Além disso, a perspectiva da epidemiologia social tende a negar as diferenças individuais e a enfocar somente os aspectos negativos do ambiente de trabalho, enquanto a Psi­ cologia Positiva é uma alternativa para considerar aspectos que levam à felicidade, melhor saúde e qualidade de vida (M.1.1).

 

Capítulo 7 - Antecedentes precedendo as intervenções/procedimentos e as consequências

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Antecendentes precedendo as intervenções/procedimentos e as consequências

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Nas sínteses apresentadas no Quadro 7.1, podem ser identificados os antecedentes para as intervenções e os procedimentos que devem estar vinculados à pesquisa (P.1.2). Produtos das investigações, constituem propostas de execução vinculadas ao diagnóstico (C.1.2). Na trajetória profissional de B.1.2, das atividades de tratamento do estresse na clínica, passou-se à prevenção do estresse em organizações de trabalho, com cuidados de caracterização da situação (linha de base). Ainda para P.1.2, intervenções dependem da identificação das exigências e dos recursos específicos de cada contexto de trabalho, enquanto para M.1.2, o diagnóstico é uma fase que deve contemplar a caracterização dos estressores universais, os específicos de cada setor, de cada ocupação e de cada organização, em especial, as variáveis ligadas à cultura organizacional – devem contemplar tanto as variáveis de natureza subjetiva como a realidade objetiva. Complementarmente, para M.1.2, o Modelo Demanda-Controle e o Modelo de Sigrist (esforçorecompensa) têm relativa eficácia na fase diagnóstica.

 

Capítulo 8 - Intervenções/procedimentos entre os antecedentes e as consequências

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Intervenções/procedimentos entre os antecedentes e as consequências

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Pelo Quadro 8.1 é possível verificar, nas sínteses, as intervenções e procedimentos utilizados nos quatro centros estudados. Nas verbalizações de C.1.2, ocorrem na forma de propostas e sugestões. São empregados procedimentos da pesquisa-ação, com base na revisão da literatura, elaboração de modelos e prova empírica. Utiliza o Modelo do Balanceamento Afetivo e o Modelo do Balanceamento Esforço-Recompensa. Em poucas palavras, constituem transferência tecnológica, como programa de vigilância epidemiológica, embora não ocorra maior interesse institucional (legislação).

B.1.2 detalha atividades que têm início com uma palestra de sensibilização, seguida pela aplicação de testes de estresse e qualidade de vida (Inventário de Sintomas de Estresse e IQV). Os resultados são individuais e são acompanhados por recomendações. Um relatório gerencial, sem identificações individuais, revela os aspectos quantificados e gerais de estresse e qualidade de vida na organização, além de propor intervenções no âmbito organizacional, na forma de workshops. Um procedimento, que nem sempre é aceito, identifica as fontes de estresse na organização.

 

Capítulo 9 - Consequências além das intervenções/procedimentos e seus antecedentes

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Consequências além das intervenções/procedimentos e seus antecedentes

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Quanto às consequências das intervenções e procedimentos que vêm ocorrendo nos quatro centros estudados, apresentadas nas sínteses do Quadro 9.1, os participantes deste estudo expressam aprendizagens relativas à importância de realizar observações longitudinais (manter a amostra em período relativamente longo) (P.1.2), à necessidade de ampliar os estudos para além das variáveis organizacionais e certificar-se de que o aumento na produtividade pode ser atribuído à intervenção (C.1.2).

M.1.2 destaca que é preciso desenvolver modelos adequados às nossas diferenças culturais, rever as ideias de diagnóstico e intervenção em estresse e evitar a concepção unidimensional que polariza o eutress e o distress, como se fossem dimensões independentes.

Como consequências práticas, nota-se que o tempo de duração das intervenções depende da quantidade de procedimentos que são utilizados e do tamanho da organização (B.1.2); que as empresas, em muitas ocasiões, não fazem o que foi sugerido pelo pesquisador/consultor (C.1.2), e que a mentalidade dos gestores tende a tornar as intervenções atrasadas em relação aos avanços da pesquisa, porque não se dispõem a mudar a organização (P.1.2). Além disso, há uma difusão na cultura de valores nocivos à saúde, que tendem a naturalizar o estresse e tornar a organização enferma (M.1.2).

 

Capítulo 10 - Conclusões

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Conclusões

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As teorias que foram mencionadas nos centros estudados, nos quatro países, têm clara proximidade entre si. O ponto de partida tem sido o pioneiro Hans Selye e os demais autores estão, de algum modo, amparados nos pressupostos comportamentalistas, cognitivistas e construtivistas. Entre eles, destacam-se pesquisadores usualmente denominados comportamental-cognitivistas: Lazarus e Lazarus, Bradbum, Everly, Meichenbaum, Spielberger, Bandura e Seligman. Também são destacados os modelos produzidos: Modelo de Karasek, Modelo de Schaufeli e equipe

– Job Demand Resources, Modelo de Siegrist – balanceamento esforçorecompensa, modelo de Lipp – Modelo Quadrifásico do Estresse. Todos os modelos estão alicerçados em referências epistemológicas objetivistas, no sentido de que o entorno físico e social tem participação determinante no fenômeno do estresse, em estreita conexão com as formações cognitivas e emocionais que estão na base das ações de cada pessoa. Assim, variáveis de natureza subjetiva, interdependentes de um substrato biológico, são analisadas em contínua interação com as condições do ambiente externo ao organismo.

 

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