Bion

Autor(es): David E. Zimerman
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Este livro aborda os sete elementos de psicanálise, os vínculos e suas configurações, o período religioso-místico, a função de continente e os subcontinentes, além de trazer um glossário e um roteiro de leitura das obras de Bion. 

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1 O Homem Bion: Dados Autobiográficos

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O Homem Bion:

Dados Autobiográficos

Os dados da vida de Bion provêm unicamente de seus registros autobiográficos, que estão contidos tanto sob uma forma ficcional e metafórica na sua trilogia Uma Memória do Futuro (1975-1977-1979) como na publicação, post-mortem, de um manuscrito autobiográfico que ele entregou à sua esposa Francesca, com cartas a ela e a seus filhos. Esse manuscrito íntimo foi postumamente publicado em dois volumes e editado por Francesca, que reuniu escritos esparsos de Bion, aos quais acrescentou fotos, cartas, pinturas e seus próprios comentários pessoais. Os dois volumes são: The long weekend (1982); The other side of the genious: all my sins remembered. O primeiro volume da autobiografia de Bion, O longo fim de semana, abarca até 1919, ano em que foi desmobilizado do exército (aos 18 anos ele deixou os estudos para alistar-se no exército e participar da I Guerra

Mundial) e se confrontou com a vida civil, sem profissão nem qualquer trabalho com o qual pudesse ganhar o sustento.

 

2 A Obra: Uma Resenha dos Trabalhos de Bion

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A Obra:

Uma Resenha dos Trabalhos de Bion

Não é nada fácil a leitura de Bion; pelo contrário, ela costuma ser a um só tempo irritante e instigante, cansativa e fascinante, e, além disso, para ser bem aprendida, exige que o leitor retorne um sem número de vezes aos mesmos textos já lidos e que estabeleça continuadas correlações entre eles.

A obra de Bion cobre um período de 40 anos de intensa produção científica e consta de um total de aproximadamente 50 títulos, além de outras contribuições, como a realização de inúmeros seminários clínicos, os quais permitem o garimpo de verdadeiras preciosidades.

Antes de acompanhar mais de perto a obra de Bion, é útil que se conheçam as principais fontes geradoras de sua identidade psicanalítica, que o diferenciaram de todos os demais psicanalistas importantes.

– A influência da cultura oriental hinduísta, a qual deve ter contribuído para que Bion desenvolvesse e utilizasse um sistema de ensino com base no uso de paradoxos, de contradições e de ilógica, com o objetivo de romper o ciclo unicamente lógico e sensorial da mente.

 

3 A Utilização de Modelos Psicanalíticos

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A Utilização de

Modelos Psicanalíticos

Bion sempre revelou uma preocupação básica em relação à comunicação dos seus escritos, qual seja, a necessidade de que os mesmos transcendessem o plano de uma mera sensorialidade e que, ao mesmo tempo, pudessem transmitir uma compreensão acompanhada de emoções. Para tanto, ele propunha a utilização de distintos tipos de modelos que possibilitassem variados vértices de observação e de entendimento. Da mesma forma, fundamentou as razões de por que considerava conveniente o uso de modelos, destacando a flexibilidade dos mesmos em contraste com a rigidez das teorias.

Pode-se dizer que a utilização de modelos tem vantagens e desvantagens. A principal vantagem é a de que um modelo é mais flexível que uma teoria e representa uma ponte entre as abstrações teóricas e a prática clínica; e a desvantagem é que a sua utilização exagerada pode saturar a mente e prejudicar a observação, de tal modo que o meio fica sendo um fim.

O próprio Bion nos explica melhor, com palavras pronunciadas em uma conferência em Buenos Aires, em 1968, intitulada “O Gênio e o Establishment” (Revista Gradiva, n. 20,

 

4 Sobre uma Experiência Pessoal com W. R. Bion

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Sobre uma Experiência

Pessoal com W. R. Bion

Luiz Alberto Py*

Meu primeiro contato com as idéias de

Bion se deu quando eu ainda estava em formação, no Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Naquela época, paralelamente ao curso de formação, para meu sustento, eu trabalhava num hospital psiquiátrico e montara, juntamente com alguns colegas, um consultório onde praticava psicoterapia.

À noite, eu ia para a Sociedade de Psicanálise em busca de conhecimentos que me permitissem trabalhar de forma competente. Durante o dia, eu me encontrava com pessoas que confiavam em mim, que iam ao meu consultório na esperança de que os ajudasse. E eu queria ajudá-los, pois estavam me sustentando, me ajudando a pagar a minha análise, os cursos na

Sociedade de Psicanálise, a moradia, a alimentação e tudo o mais. Eu tinha muito interesse em oferecer um bom serviço a essas pessoas.

Minhas primeiras lições de psicanálise me levaram à idéia de construir um corpo de conhecimentos que me permitisse trabalhar como psicanalista. Isso parece óbvio, mas, com o tempo, fui descobrindo que não era bem assim. Eu

 

5 Bion e Outros Pensadores

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Bion e Outros Pensadores

A personalidade psicanalítica de Bion é tão invulgar e de tal envergadura que se impõe, para quem quer penetrar no espírito de sua obra, a necessidade de conhecer as profundas influências sobre a sua pessoa, provindas de diversas fontes humanísticas e científicas, a começar pelas marcas da cultura indiana que lhe foram impressas nos primeiros anos de vida e restaram indeléveis, sendo que tiveram uma boa parcela na determinação de seu patrimônio psicológico.

Na sua formação psicanalítica propriamente dita, as maiores influências vieram, fora de qualquer dúvida, das leituras de Freud e de

Klein, desta última tanto pelo seu corpo teórico como, e principalmente, por ela ter sido sua analista por quase dez anos.

Além disso, no curso da obra de Bion, é fácil perceber o quanto a sua formação erudita está alicerçada em filósofos, poetas, teólogos, matemáticos, historiadores, literatos e artistas, sem levar em conta os seus consistentes conhecimentos de línguas, biologia, química, física, etc.

 

6 Um Glossário dos Termos de Bion, com um Roteiro de Leitura de sua Obra

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Um Glossário dos Termos de Bion, com um

Roteiro de Leitura de sua Obra

De regra, quando em um livro científico consta um glossário esclarecedor, ele sempre aparece no fim do volume. Contrariando a essa regra, creio ser mais adequado inseri-lo aqui, praticamente no início. A razão disso é que, para os leitores que estão bem familiarizados com os conceitos e os termos de Bion, esse glossário servirá unicamente como uma definição semântica de como eu os entendo e emprego no presente livro. Para os que não estão familiarizados com a original, complexa e, por vezes, ambígua e confusa terminologia empregada por Bion, creio que, consoante com a proposição didática do livro, a inclusão desse glossário se impõe pela vantagem de preparar e facilitar a leitura que seguirá nos demais textos de

Bion, que, à primeira vista, pode parecer esotérica e desalentadora.

O esquema utilizado abarcará o maior número possível dos termos típicos de Bion, em ordem alfabética, dando um esclarecimento conceitual simplificado, com o recurso de, muitas vezes, remeter o leitor para um outro termo do glossário, ou para o texto de algum capítulo em que determinado conceito é estudado com maior profundidade.

 

7 A Dinâmica de Grupos

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A Dinâmica de Grupos

Os trabalhos de Bion com grupos ocupam um lugar de grande relevância na sua produção científica por duas razões. Uma é que foram os grupos que lhe possibilitaram reconhecer a presença dos mecanismos psicóticos, e isso o alavancou para um aprofundamento no trato de pacientes esquizofrênicos e, por conseguinte, dos problemas ligados ao pensamento, linguagem e conhecimento. A segunda razão consiste no fato de que Bion tornou-se internacionalmente conhecido através dos seus estudos ligados à dinâmica dos grupos, o que lhe abriu as portas para a divulgação do desenvolvimento de suas idéias em outras áreas do campo psicanalítico. Aliás, durante muito tempo, os únicos livros de Bion que conseguiam ser bem vendidos eram os referentes a grupos, e, da mesma forma, essa notoriedade pode ser medida pelo fato de que, por ocasião de sua primeira visita ao Brasil, foi saudado pela imprensa unicamente como “o pai da psicoterapia de grupo”.

Assim como Freud, também Bion não separava de forma radical a psicologia individual da grupal, pelo contrário, ele sempre demonstrou uma visão unificadora das duas, transmitindo a idéia de que a diferença entre a psicologia grupal e a individual é o fato de o grupo oferecer um campo de estudo para captar certos aspectos da psicologia individual mesmo quando, no grupo, a participação de um indi-

 

8 Psicanálise, Sociedade e Perversão dos Sistemas Sociais: As Contribuições de Bion

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Psicanálise, Sociedade e Perversão dos

Sistemas Sociais: As Contribuições de Bion

Em continuação às concepções referentes aos fenômenos da dinâmica dos grupos, o presente capítulo visa a abordar as múltiplas contribuições de Bion no que se refere à formação e às inter-relações que se estabelecem entre a psicanálise, a sociedade e a perversão dos sistemas sociais. Para tanto, cabe discriminar, separadamente, as sete diferentes dimensões em que Bion estuda os referidos fenômenos sociais, nas vertentes atávica, mítica, metapsicológica, vincular, comunicacional, clínica e na dimensão da psicologia social. Por fim, este capítulo tentará descrever as múltiplas causas e distintas modalidades pelas quais se manifestam as perversões de certas instituições e sistemas sociais em geral.

Bion sempre evidenciou que grande parte de sua obra foi inspirada pelas concepções originais de Freud e de Klein, porém, mais restritamente no campo da dinâmica psíquica que preside os grupos humanos, ele ficou muito mais próximo do primeiro do que da segunda.

 

9 O Trabalho com Psicóticos

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O Trabalho com Psicóticos

Estimulado pelas suas observações relativas aos mecanismos psicóticos observados em seus diversos grupos, Bion começou a analisar pacientes esquizofrênicos por meio da técnica clássica da psicanálise.

É útil esclarecer que é o próprio Bion quem afirma: “só analisei pacientes esquizofrênicos que podiam vir ao meu consultório”

(1973, p. 119; grifo meu). Ademais, Bion não analisava somente esquizofrênicos, mas também pacientes neuróticos graves e toxicômanos. Ele publicou muitos trabalhos sobre essa experiência com psicóticos, sempre os ilustrando com vinhetas clínicas e interessando-se, sobretudo, pelos fenômenos das identificações projetivas e o modo como os esquizofrênicos utilizam a linguagem, o pensamento e a função do conhecimento.

Esses trabalhos foram produzidos no período de 1950 a 1962 (o primeiro deles foi “O

Gêmeo Imaginário”, com o qual obteve o título de Membro da Sociedade Britânica de Psicanálise), e praticamente todos foram enfeixados no seu livro Second thoughts (na edição brasileira, Estudos psicanalíticos revisados).

 

10 Uma Teoria do Pensamento

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Uma Teoria do Pensamento

Como vimos, as experiências com grupos despertaram em Bion o seu interesse por analisar psicóticos, e, no curso dessas análises, ele ficou fortemente mobilizado para se aprofundar nos problemas da linguagem e da origem e função dos pensamentos.

Diferentemente dos demais importantes autores seguidores de Klein, que referiam Freud segundo a óptica que ela tinha dos trabalhos dele, Bion estudava diretamente nos textos de

Freud, como pode ser constatado nos seus artigos concernentes aos pensamentos. Dessa forma, em sua elaboração sobre a teoria do pensamento, Bion se inspira muito nas conceituações que Freud expôs em Dois princípios do suceder psíquico, de 1911, que trata do “princípio do prazer” e do “princípio da realidade”, além de fazer citações de outras idéias de Freud, como as presentes nos trabalhos Neurose e psicose, de

1924, e o O ego e o id, de 1923.

Da mesma forma, Bion utiliza as concepções expostas por Klein em “O Desenvolvimento da Criança”, de 1921 (ela, por sua vez, muito influenciada pelas idéias de Ferenczi, contidas em Sobre o desenvolvimento do sentido da realidade, de 1913), as quais se referem ao conflito que se estabelece na criança entre um inato impulso epistemofílico que busca o conhecimento da verdade versus o sentimento de onipotência.

 

11 A Grade

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A Grade

Durante a quarta “discussão” que manteve com um grupo de Los Angeles, ao responder a uma pergunta relativa ao modo como ele fazia as anotações dos seus pacientes, Bion assim respondeu (1992a, p. 57):

Eu não faço. De tempos em tempos, costumava manter anotações, mas depois, quando olhava para elas, o que via? Terça-feira. Mas sobre que diabo é isto? Não tenho a menor idéia. Gostaria de tomar uma nota que, pelo menos, me lembrasse algo. Então, a primeira precondição é ser capaz de ver, ouvir, cheirar, sentir algo que possa ser relembrado, mas não sei qual é a notação que devemos usar. Se eu fosse um arquiteto, poderia desenhar ou pintar isto. Se eu fosse um músico, poderia compor uma peça musical. Mas o que os psiquiatras têm a fazer a respeito disso?

A transcrição desse trecho serve como um atestado de que Bion nunca se conformou com o fato de não termos um sistema de notação fiel, como a dos músicos, por exemplo. Da mesma forma, ele tinha uma determinação obstinada em simplificar a psicanálise, propondo que os analistas tivessem um menor número de teorias psicanalíticas e que as trocassem por uma discriminação judiciosa dos estritos elementos isolados que, em combinação, compõem os diferentes fenômenos do processo psicanalítico.

 

12 Os Sete Elementos da Psicanálise

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Os Sete Elementos da Psicanálise

Este capítulo é fundamentado no livro

Elements of psychoanalysis, que Bion publicou em 1963 e que é considerado um dos mais importantes e fundamentais de sua obra, não somente pelo conteúdo de suas concepções originais, como também pelo fato de que, por sua clareza, pode ser recomendado aos que iniciam uma familiarização mais íntima com Bion. Pela inconteste importância que essa sua concepção representa para a teoria e a prática da psicanálise contemporânea, julguei ser útil adicionar um capítulo específico, em que pudesse detalhar mais cada “elemento” em separado, ainda que de forma muito sintetizada.

O propósito maior de Bion, ao introduzir a noção de “elementos”, foi simplificar a compreensão dos princípios básicos da psicanálise, porque considerava que havia teorias em demasia, provindas de diversas correntes psicanalíticas, com o inconveniente de provocarem uma certa confusão conceitual, com superposições e redundâncias de conceitos propostos por uma grande diversidade de autores. Assim, também a “grade” foi criada por

 

13 Uma Teoria do Conhecimento

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Uma Teoria do Conhecimento

A experiência da prática psicanalítica deixou claro para Bion que os pensamentos são indissociáveis das emoções e que, da mesma forma, é imprescindível que haja na mente uma função vinculadora que dê sentido e significado às experiências emocionais.

Esse vínculo entre os pensamentos e as emoções – sempre presentes em qualquer relação humana – foi denominado por Bion como vínculo K (inicial de knowledge), ou seja, o vínculo do conhecimento.

Na verdade, antes dele, tanto Freud como

Klein já haviam estabelecido essa vinculação, sem, no entanto, terem lhe dado a dimensão e a profundidade com que Bion desenvolveu a sua teoria do conhecimento.

Assim, Freud conectou a função do conhecimento da criança com as suas pulsões libidinais escopofílicas ligadas à relação entre os pais, como está claramente ilustrado no histórico clínico do pequeno Hans (1909). Aliás, já em 1915 (St. Edit., v. 14), quando trata das pesquisas sexuais da infância, Freud refere-se a essas tendências como “instinto do saber ou de pesquisa”, e as liga tanto a uma maneira sublimada de obter domínio como a uma forma de utilizar a energia ligada à curiosidade em torno da sexualidade, especialmente a que se relaciona ao enigma da origem dos bebês.

 

14 Teoria das Transformações

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Teoria das Transformações

Em 1965, Bion publicou As transformações, com o subtítulo: “Da aprendizagem ao crescimento”, que juntamente com os dois livros anteriores, O aprender com a experiência, de 1962, e Elementos de psicanálise, de 1963, constituem uma espécie de trilogia da parte epistemológica de sua obra científica.

Vimos como Bion costumava enfatizar que a psicanálise pode ser abordada a partir de três dimensões: a científica (com fundamentos lógico-matemáticos), a estética (artística) e a religioso-mística. Acho interessante o título As transformações por “coincidência” corresponder a uma época em que Bion começava a dar os primeiros sinais mais claros de transformações em seu pensamento científico para um modelo de natureza filosófica e progressivamente mística.

Dessa forma, esse livro contém uma mescla de elementos da lógica matemática (com a utilização de signos, pontos, linhas e conceitos extraídos da geometria moderna), da estética

(como a visualização que ele faz do caso

 

15 O Período Religioso-Místico

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Período Religioso-Místico

Não custa lembrar que, tal como já foi dito em outro capítulo, se usarmos um esquema didático, podemos dividir a obra de Bion em quatro períodos distintos: o de grupos, na década de 40; o de psicóticos, na de 50; o período epistemológico, na de 60; e o religiosomístico, na década de 70. Cada um desses períodos guarda, separadamente, características mais marcantes e predominantes, de acordo com sua década específica. No entanto, de alguma forma, todos eles se imbricam, formando um conjunto único.

Na primeira edição do presente livro, constavam capítulos dirigidos especificamente para as três primeiras etapas aludidas, enquanto as idéias próprias do período denominado religioso-místico, embora estivessem presentes, apareciam de forma esparsa, não integradas num capítulo especial. Da mesma forma, sabemos que Bion enfocou a psicanálise sob o prisma de diversificados vértices de observação, descrevendo as três dimensões psicanalíticas: científico-matemática; estético-artística e religioso-mística. Muitos leitores manifestaram sentir falta de uma maior consistência dessa última dimensão da obra de Bion, de sorte que o presente capítulo, nesta nova edição, visa a sanar essa lacuna.

 

16 Bion e o Psiquismo Fetal

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Bion e o Psiquismo Fetal

Vimos como o pensamento psicanalítico de Bion foi sofrendo gradativas transformações e que, embora sem nunca ter deixado de priorizar a situação psicanalítica da prática clínica, suas concepções teóricas e metapsicológicas foram adquirindo um caráter filosófico, místico e de conjecturas imaginativas sobre a vida psíquica do embrião fetal, muito embasadas na crença de uma metempsicose, ou seja, a reencarnação das almas em vidas sucessivas.

Aliás, o termo “conjectura imaginativa”

é do próprio Bion, e ele o diferencia conceitualmente de “conjectura racional”, termo emprestado de Kant. Bion designa que o psicanalista investigador tem o direito e o dever de dar livres asas à sua imaginação, procurar captar os pensamentos que estão soltos no espaço e poder pensá-los sem um compromisso com o rigor científico. Assim, afirma Bion

(Conversando com Bion, 1992, p. 94):

Encorajo as pessoas a serem indulgentes com a sua imaginação especulativa; há um bocado a ser dito sobre isto antes que se transforme em algo que um cientista poderia denominar “evidência”.

 

17 Vínculos e Configurações Vinculares

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Vínculos e Configurações Vinculares

Dentre os sete elementos da psicanálise preconizados por Bion, o dos vínculos, sem a menor dúvida, ocupa um papel de alta relevância na teoria, na prática e na própria essência de sua obra. Assim, a psicanálise contemporânea inclina-se, cada vez mais, para o paradigma da vincularidade, isto é, para a visão do processo psicanalítico sempre em interação entre analisando e analista, a partir dos vínculos que se estabelecem entre ambos e que constituem o campo psicanalítico.

O VÍNCULO ANALÍTICO

O termo vínculo tem sua origem no étimo latino vinculum, que significa uma união, com as características de uma ligadura, uma atadura de características duradouras. Da mesma forma, vínculo provém da mesma raiz que a palavra “vinco” (com o mesmo significado que aparece, por exemplo, em “vinco” das calças, ou de rugas, etc.), ou seja, alude a alguma forma de ligação entre as partes, que estão unidas e inseparadas, embora claramente delimitadas entre si. Trata-se, portanto, de um estado mental que pode ser expressado através de distintos modelos e com variados vértices de abordagem.

 

18 Algumas Frases, Metáforas e Reflexões de Bion

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Algumas Frases, Metáforas e Reflexões de Bion

Da mesma forma que Freud, também

Bion se notabilizou como um excelente criador de frases, às vezes atingindo um nível poético sem perder a profundidade científica, assim como costumava consubstanciar suas concepções abstratas com metáforas simples, de sorte a facilitar para o leitor a junção da idéia com a imagem, tal como Freud fazia com grande freqüência e maestria. O principal mérito de Bion, além de um natural talento literário, é instigar o leitor a fazer reflexões, não somente intelectuais, mas também as que o induzam a um despertar de sentimentos e a fazer uma ligação com as experiências emocionais clínicas e pessoais.

Diante da impossibilidade de englobar todas as suas citações mais significativas, ainda mais se acrescido o fato de que elas estão desconectadas do contexto geral do texto em que estão inseridas, entendi que, mesmo assim, cabe dar uma amostragem das referidas citações, porque ela nos aproxima da forma como Bion pensava e praticava a psicanálise.

 

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