Democracia e miséria

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“O leitor brasileiro tem, nesta nova tradução do Mémoire sur le pauperisme para a língua portuguesa, um texto instigante deste autor tão difícil de ser classificado nas caixas estreitas das tipologias do pensamento político, e cujo pensamento continua a nos interpelar. E terá também, nesta ótima seleção de artigos dos estudiosos da vida de Tocqueville, um manancial rico, erudito e plural que o acompanhará na travessia da leitura com a dignidade e o rigor que a pesquisa acadêmica requer em qualquer tempo, especialmente neste momento do século XXI em que praticamente qualquer coisa parece poder ser dita e divulgada sem que haja compromisso com a boa fé e a busca da verdade.” Marcelo Gantus Jasmin

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A evolução de Tocqueville sobre o problema da pobreza e do pauperismo

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A evolução de Tocqueville sobre o problema da pobreza e do pauperismo1

Jean-Louis Benoît

Para compreender o lugar exato dos Ensaios sobre o pauperismo, é importante considerar as condições precisas de sua redação.

Antes de sua viagem aos Estados Unidos, em 1831-1832, Tocqueville estava decidido a começar uma carreira política. “É o homem político que precisamos desenvolver em nós”, tinha escrito a seu amigo Beaumont, em 25 de outubro de 1829. A partir de então, logo que atinge os trinta anos e paga mais de quinhentos francos de impostos, ele pode ser candidato às eleições legislativas e pretende se apresentar em 1837 à Cherbourg, mas, para ter chance de ser eleito, é preciso se estabelecer no Contentin. Neste mesmo ano, torna-se proprietário do castelo de seus ancestrais, com o título de visconde. Em 1834, torna-se membro correspondente da Sociedade Real Acadêmica de

Cherbourg, uma das sociedades científicas da época, composta por notáveis, aos quais se conferia certo prestígio suscetível de influenciar, eventualmente, os membros do corpo eleitoral censitário.

 

Democracia e a pobreza em Tocqueville: Os paradoxos da nossa condição

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Democracia e a pobreza em Tocqueville:

Os paradoxos da nossa condição

Marta Nunes da Costa

I. O século XIX em perspectiva

Historicamente podemos identificar dois marcos fundamentais nos últimos 250 anos: a Revolução Americana e a Revolução Francesa. Alexis de Tocqueville, francês, aristocrata de nascimento, era um homem de espírito sagaz e incisivo que cedo compreendeu que a mudança que as Revoluções anunciavam não era temporária nem coisa do acaso, mas antes da “Providência” e vinha para ficar. A

América tornara-se exemplo da ‘democracia’, exemplo que merecia ser estudado e analisado cientificamente para daí extrair orientações práticas a serem aplicadas no continente europeu. O poder do exemplo residia no fato de a América ser a encarnação de um fato providencial. O fato providencial era a famosa ‘igualdade de condições’. Fato, na medida em que já na Revolução Americana ele se materializa, sendo inclusive uma das condições necessárias para o sucesso da experiência democrática na América; providencial, na medida em que a sua existência não se apresenta como contingente ou aleatória, mas parece tornar evidente o desenvolvimento histórico para o qual todos estamos destinados: o desenvolvimento em direção a uma igualdade cada vez maior entre os seres humanos. Diz o autor que “o gradual desenvolvimento da igualdade é uma realidade providencial. Dessa realidade, tem ele as principais características: é universal, é durável, foge dia a dia à interferência humana; todos os acontecimentos assim como todos os homens servem ao seu desenvolvimento.” (Tocqueville, 1998: 3) Como entender essa igualdade?

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Abençoado por Deus e igual por natureza. Tocqueville sobre democracia

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Abençoado por Deus e igual por natureza.

Tocqueville sobre democracia1

Karlfriedrich Herb

Alexis de Tocqueville, já durante sua vida, foi um autor clássico do pensamento político. Os aspectos inovadores e pioneiros de sua “Ciência Política” eram evidentes. John Stuart Mill o celebrou como o primeiro teórico da constituição representativa moderna e elogia a Democracia na América como “the first philosophical book ever written on Democracy, as it manifests itself in modern society”(Robbins 2011: 156). Para Royer-Collard, Tocqueville é o Montesquieu do século XIX. Após uma recepção marcada pela fama e pelo esquecimento, Tocqueville se encontra hoje entre os indiscutíveis clássicos do pensamento político. Suas teses sobre o futuro da democracia soam mais atuais do que nunca, nossas indagações são ainda as suas.

I. Da Democracia na América

Em 1835, foi publicado em Paris o primeiro volume de A Democracia na América, obra que tornou seu autor subitamente famoso aos 30 anos de idade. Cinco anos antes, Tocqueville partira para os Estados Unidos na companhia de seu amigo Gustave de

 

1835-1840 ou como a economia influencia o segundo volume de A Democracia na América

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1835-1840 ou como a economia influencia o segundo volume de A Democracia na

América1

Eric Keslassy

A Democracia na América é uma obra publicada em dois tomos: o primeiro em 1835, o segundo em 1840. Os comentadores da obra de Tocqueville geralmente se esforçam para mostrar a coerência do conjunto. Contudo, ocultam a dimensão tomada pela economia no pensamento de Alexis de Tocqueville (1805-1859) entre 1835 e 1840. Sem levar em conta o fato que Tocqueville está muito interessado em economia neste período, é difícil entender a importância dada à aparição de certas temáticas no segundo tomo de A Democracia na América (1840), em particular o avanço irremediável do capitalismo industrial nos tempos democráticos. É especialmente a segunda viagem à Inglaterra, que Tocqueville realiza em 1835 após o lançamento da primeira parte de A Democracia na América, que torna o pauperismo incontornável no pensamento do autor: entrando nas fábricas inglesas, o que ele não tinha feito na América nem quando de sua primeira viagem à Inglaterra em

 

Miséria, violação da democracia

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Miséria, violação da democracia

Helena Esser dos Reis

No verso dos papéis em que Tocqueville preparava um discurso em novembro de 1841, entre outras ideias, encontramos uma afirmação taxativa: “A liberdade é a primeira de minhas paixões.

Eis o que é verdade” (Tocqueville, 1985b: 87). A forma assertiva e direta desta confissão oferece aos seus leitores uma chave interpretativa de seu pensamento. Tocqueville está longe de ser um autor que desenvolve seus conceitos fundamentais sistematicamente; pelo contrário, seu pensamento é forjado no confronto com os problemas que vive e busca compreender. Por isso mesmo não se deixa apreender facilmente nos rótulos que seus intérpretes insistem atribuir-lhe. Educado no seio de uma família aristocrática, encanta-se com as novas possibilidades da democracia.

Afasta-se do radicalismo dos monarquistas, repudia a ilusão de uma volta ao passado, toma parte nos debates políticos travados entre liberais e socialistas, apoia instituições sociais e políticas favoráveis à liberdade, mas exige algo além das meras garantias formais que satisfazem a burguesia liberal que ascende ao poder após 1830. Se a indocilidade de seu pensamento traz dificuldades aos seus intérpretes, também lhe confere vivacidade e abertura.

 

A questão do pauperismo no pensamento de Tocqueville

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A questão do pauperismo no pensamento de

Tocqueville1

Juan Manuel Ross

Introdução

Desde seu redescobrimento na década de sessenta do século passado, o pensamento de Alexis de Tocqueville vem recebendo numerosos reconhecimentos por parte dos estudiosos da ciência social e, mais recentemente, dos da filosofia política. A este respeito, se destacam, entre outros aspectos de interesse, sua contribuição ao desenvolvimento da teoria sociológica2, a originalidade de sua metodologia investigadora3, sua desmistificadora interpretação histórica da Revolução francesa4, sua lúcida reflexão política sobre a democracia moderna através do exemplo estadunidense5, seu trabalho pioneiro sobre a questão penitenciaria6 e seu valor

1 Tradução de Helena Esser dos Reis.

2 Assim, por exemplo, R. Aron. Les étapes de la pensée sociologique. Paris : Gallimard, 1967.

3 Sobre esta questão versa o pormenorizado estudo de J.M. SAUCA. La ciencia de la asociación de Tocqueville. Presupuestos metodológicos para una teoría liberal de la vertebración social. Madrid: Centro de Estudios Constitucionales, 1995.

 

Observar a miséria: a atalaia metodológica de Alexis de Tocqueville

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Observar a miséria: a atalaia metodológica de Alexis de Tocqueville1

Julián Sauqillo

“Em 1833 recorri à Grã-Bretanha. Outros estavam interessados pela prosperidade no interior do país, eu pensava na secreta inquietude que agitava visivelmente o espírito de todos seus habitantes. Acreditava que misérias importantes deviam ocultar-se debaixo deste brilhante manto que a Europa admira. Essa ideia me leva a examinar com uma atenção muito especial o pauperismo, essa praga horrível e imensa que se acha unida a um corpo cheio de força e saúde.”

Alexis de Tocqueville, Primeiro Ensaio sobre o Pauperismo (1835)

“(...) Amemo-nos sempre igual; é um consolo a todos os males da vida.”

Carta de Louis de Kergolay a Alexis de Tocqueville (Paris, 2 de abril de 1830)

1. Observar o irremediável

A proposta reformadora de Tocqueville é mais própria de um higienista público do século XIX que de um estrito teórico da política dos séculos XVII e XVIII. O estilo especulativo do primeiro

 

ENSAIO SOBRE O PAUPERISMO

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ENSAIO SOBRE O PAUPERISMO1

Alexis de Tocqueville

Primeira parte

Do desenvolvimento progressivo do pauperismo nos modernos e dos meios empregados para combatê-lo

Quando percorremos os diversos países da Europa, nos surpreendemos com um espetáculo extraordinário e aparentemente inexplicável. Os países que parecem os mais miseráveis são aqueles que, na realidade, contam com o menor número de indigentes, e nos povos cuja opulência se admira, uma parte da população é obrigada, para viver, a recorrer aos donativos da outra.

Que se atravessem os campos da Inglaterra, acreditar-nos-emos transportados ao Éden da civilização moderna. As estradas magnificamente conservadas, residências frescas e limpas, gordos rebanhos errantes nas ricas pradarias, agricultores plenos de força e de saúde, a riqueza mais ofuscante do que em qualquer país do mundo, a simples comodidade mais ornada e mais aprimorada que em outros lugares; em toda parte o aspecto do cuidado, do bem-estar e de ociosidade; um ar de prosperidade universal que acreditamos respirar na própria atmosfera e que faz estremecer o coração a cada passo: assim aparece a Inglaterra aos primeiros olhares do viajante.

 

SEGUNDO ENSAIO SOBRE O PAUPERISMO

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SEGUNDO ENSAIO SOBRE O

PAUPERISMO

Alexis de Tocqueville

Esforcei-me por mostrar em um artigo precedente que, em nossos dias, a caridade privada e a caridade pública são impotentes para curar as misérias das classes pobres; resta-nos pesquisar de quais meios poderíamos nos servir para prevenir que estas misérias nasçam.

Semelhante assunto quase não tem limites naturais; sinto, portanto, a necessidade de estabelecer limites que ele próprio não indica.

Entre aqueles cuja posição se situa nos limites da necessidade, que é o assunto deste artigo, convém estabelecer duas grandes categorias: de um lado se encontram os pobres que pertencem às classes agrícolas; de outro os pobres que dependem das classes industriais. Estas duas faces de meu assunto devem ser tratadas em separado e examinadas em detalhe, pelo menos tanto quanto os limites estreitos do presente trabalho o permitam.

Apenas mencionarei o que tem relação com as classes agrícolas, porque as grandes ameaças do futuro não vêm de lá.

 

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