Programa de Educação Continuada em Psiquiatria (PEC-ABP)

Visualizações: 21
Classificação: (0)

Indicado para preparação para concursos e prova de título de especialista em psiquiatria, bem como para atualização profissional, este livro é chancelado pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Destacados autores brasileiros abordam, em capítulos que incluem pontos-chave sobre os tópicos desenvolvidos e vinhetas clínicas ilustrativas, temas fundamentais da área

FORMATOS DISPONíVEIS

19 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 1. Disseminação e implementação da ciência em psiquiatria

ePub Criptografado

CAPÍTULO 1

Alexandre Paim Diaz

  PONTOS-CHAVE

■O conhecimento científico se fundamenta na observação sistemática dos fenômenos, na formulação, no teste e na modificação de hipóteses, bem como na reprodutibilidade dos achados.

■Em relação à psiquiatria, há uma lacuna entre o avanço do conhecimento científico, sua disseminação e sua implementação em nossa realidade.

■A disseminação da ciência pode ser conceituada como a “distribuição direcionada da informação e de materiais de intervenção para o público”.

■A implementação da ciência pode ser entendida como o uso do conhecimento decorrente de evidências científicas para incorporar e manter intervenções efetivas na prática clínica e na comunidade.

■Há várias evidências em relação à prevenção e ao tratamento em psiquiatria com potencial para implementação a custo relativamente baixo e acessível à comunidade. Esse processo deve seguir paralelamente ao investimento em pesquisas neurocientíficas que auxiliem na construção de uma psiquiatria cada vez mais precisa.

 

Capítulo 2. Dez princípios para um tratamento efetivo dos transtornos por uso de substâncias

ePub Criptografado

CAPÍTULO 2

Juliana Copetti

Analice Gigliotti

  PONTOS-CHAVE

■Os objetivos principais no tratamento de pacientes com transtornos por uso de substâncias (TUSs) são:

–Cessação/redução do uso de substância;

–Redução da fissura pelo uso;

–Melhora integral da saúde, do bem-estar e do funcionamento social do indivíduo com TUSs;

–Prevenção de prejuízos futuros por meio da diminuição dos riscos de complicações e de recaídas.

■O tratamento deve estar disponível e ser acessível e adequado às necessidades da população, incluindo as necessidades de subgrupos especiais, como gestantes, crianças e adolescentes.

■O tratamento deve ser baseado em evidências científicas, e os serviços devem seguir os padrões éticos.

■As políticas, os serviços, os programas, os procedimentos e as abordagens integradas devem ser constantemente monitorados e avaliados.

O uso de drogas é tão difundido globalmente que é quase impossível pensar em um mundo sem elas. A característica primordial das substâncias psicoativas que serão abordadas neste capítulo é que seu uso pode ser prazeroso para algumas pessoas e seu consumo continuado pode levar à perda de controle, uma “doença da vontade”, na qual o indivíduo, a despeito dos prejuízos que possa estar causando a si mesmo, continua consumindo a substância, agravando seu quadro.

 

Capítulo 3. Maconha: da ilegalidade à prática clínica

ePub Criptografado

CAPÍTULO 3

Analice Gigliotti

Thais Simões

Lucas Hosken

  PONTOS-CHAVE

■A maconha é uma substância de uso secular, seja para cunho medicinal, seja para cunho religioso ou, mais recentemente, recreativo.

■Embora seja uma “erva natural”, está longe de ser livre de malefícios.

■Tem potencial aditivo, e sua síndrome de abstinência foi recentemente incluída no DSM-5.

■Alguns canabinoides sintéticos podem efetivamente ser usados como agentes terapêuticos para diversas condições médicas, embora nenhum deles deva ser empregado como primeira escolha, pois os estudos ainda são limitados se comparados aos dos demais fármacos existentes.

■A legalização da maconha traz consequências para a saúde pública, e qualquer país que deseje trilhar esse caminho deve pesar riscos e benefícios dessa política, sempre de acordo com as evidências existentes.

 VINHETA CLÍNICA 3.1

F. J., jovem de 23 anos, é trazido pelos pais para consulta psiquiátrica. Mais novo entre três filhos, seu pai conta que, aos 18 anos, o garoto apresentou o primeiro surto psicótico, tendo se trancado em um quarto de hotel em uma viagem com amigos para comemorar a formatura do colégio, alegando que estava sendo perseguido e filmado pela máfia italiana, e que esta havia implantado um rastreador em sua cabeça. Sua namorada à época contou para a família que ele já estava estranho há cerca de três meses, pedindo que ela falasse baixo em alguns momentos, e que quase não saía mais de casa, aparentando estar sempre assustado. Contou também que ele havia começado a fumar maconha cerca de três anos antes, aos 15, e que naquela viagem todos haviam fumado “bastante maconha” e comido um brownie de haxixe. Ficou internado na ocasião por seis semanas, tendo feito uso de risperidona, 6 mg/dia, com melhora dos sintomas.

 

Capítulo 4. Psiquiatria da infância e adolescência: princípios gerais

ePub Criptografado

CAPÍTULO 4

Francisco B. Assumpção Jr.

Evelyn Kuczynski

  PONTOS-CHAVE

■A psiquiatria da infância e adolescência é uma especialidade bastante recente e engloba uma série de fenômenos com características biológicas, psicológicas e sociais,1 imbricados de tal maneira que se tornam difíceis a linearidade direta e a compreensibilidade linear de todos os quadros por ela estudados.

■Essa especialidade da psiquiatria apresenta características ligadas ao modelo proveniente das ciências naturais, da psicologia do desenvolvimento, das questões sociais e do estudo das famílias.

■A criança chega ao médico pelo encaminhamento escolar (ou familiar) a partir de duas queixas básicas: déficit de aprendizagem ou alterações de conduta. Nenhuma delas aponta, obrigatoriamente, para a presença de psicopatologia infantil.

■A doença mental na infância e na adolescência deve ser, então, visualizada a partir de diversos tipos de fatores envolvidos – a saber: fatores predisponentes, precipitantes, perpetuadores e protetores –, os quais, por sua complexidade, devem ser considerados de maneiras diferentes.

 

Capítulo 5. Saúde mental e pré-escola

ePub Criptografado

CAPÍTULO 5

Gabriela M. Dias

  PONTOS-CHAVE

■A saúde mental no pré-escolar é definida como a capacidade da criança de experimentar, regular e expressar suas emoções; de formar relacionamentos estreitos e seguros; e de aprender e explorar o ambiente.

■Em torno de 10% das crianças menores de 6 anos apresentam algum problema de saúde mental clinicamente significativo, com taxas de comprometimento e persistência comparáveis àquelas observadas em crianças mais velhas.

■O desafio para o diagnóstico é diferenciar o comportamento normal para a idade de sintomas de um transtorno psiquiátrico.

■A importância da avaliação e da intervenção precoces não pode ser subestimada. Estudos indicam que há períodos críticos em que a avaliação e a intervenção oportuna podem melhorar as trajetórias de desenvolvimento e prevenir ou reduzir a gravidade das sequelas psiquiátricas.

■A intervenção precoce é fundamental para melhores desenvolvimento e prognóstico.

 

Capítulo 6. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade no adulto

ePub Criptografado

CAPÍTULO 6

Tiago Figueiredo

Antônio Geraldo da Silva

Daniel Segenreich

  PONTOS-CHAVE

■O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é o transtorno do neurodesenvolvimento mais comum na infância e adolescência, e apresenta elevadas taxas de persistência na vida adulta.

■A apresentação clínica do TDAH varia com a idade de surgimento. Conhecer as características principais de sua manifestação no adulto é fundamental para clínicos e especialistas interessados em melhor diagnosticar e tratar esses pacientes.

■A apresentação do TDAH no adulto é heterogênea e pode ter intensidade e frequência de sintomas mais sutis quando comparada à apresentação infantil. O entendimento do perfil de comprometimento cognitivo e funcional auxilia na compreensão dos critérios diagnósticos adaptados para o TDAH no adulto.

■A presença de outros transtornos psiquiátricos ocorre na maioria dos adultos portadores de TDAH. As principais comorbidades são representadas pelos transtornos do humor, transtornos de ansiedade, transtornos por uso de substâncias e transtornos da personalidade.

 

Capítulo 7. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e aprendizagem

ePub Criptografado

CAPÍTULO 7

Rafael Martins Coelho

Bruno Palazzo Nazar

Daniel Segenreich

  PONTOS-CHAVE

■O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é caracterizado pela presença de sintomas de desatenção, disfunção executiva e comprometimento da memória operacional. Os desfechos negativos são diversos, incluindo dificuldades em processos de aprendizagem formal e informal.

■As dificuldades de aprendizagem associadas ao TDAH não devem ser confundidas com os diagnósticos dos denominados transtornos da aprendizagem. Esses transtornos podem ser exemplificados pelos diagnósticos outrora chamados de discalculia, dislexia e disortografia.

■Os transtornos da aprendizagem podem se apresentar como comorbidades em pacientes com o diagnóstico de TDAH.

■A partir de uma queixa inicial de dificuldade de aprendizagem, deve-se fazer o diagnóstico correto para um tratamento adequado. O diagnóstico diferencial entre déficits cognitivos globais, déficit específico de linguagem, transtornos da aprendizagem e TDAH, entre outros, é fundamental.

 

Capítulo 8. Transtorno bipolar

ePub Criptografado

CAPÍTULO 8

Fabio Gomes de Matos e Souza

Luísa Weber Bisol

  PONTOS-CHAVE

■O transtorno bipolar (TB) é caracterizado por flutuações de humor entre quadros depressivos e (hipo)maníacos.

■ O DSM-5 incluiu um capítulo chamado “Transtorno bipolar e transtornos relacionados”, separando transtornos depressivos e bipolares.

■O TB é dividido em tipo I, tipo II, transtorno ciclotímico e categorias residuais de formas atípicas.

■As taxas de prevalência do transtorno ao longo da vida são 0,6% para o tipo I, 0,4% para o tipo II e de 0,4 a 1% para o transtorno ciclotímico.

■O tratamento do TB é baseado em psicofarmacologia e psicoterapia. Entre os psicofármacos utilizados, destacam-se os estabilizadores do humor e os antipsicóticos de segunda geração. Nunca se deve utilizar antidepressivos em monoterapia.

 VINHETA CLÍNICA 8.1

A., 32 anos, sexo feminino, procura atendimento psiquiátrico ambulatorial para avaliação. Ela relata início de sintomas depressivos aos 17 anos, enquanto se preparava para prestar vestibular, e prescrição de um fármaco antidepressivo. Sentia-se triste, sem energia, culpava-se por tudo e tinha pensamentos assustadores sobre morte e suicídio. Poucos dias após iniciar o uso da medicação, passou a dormir cerca de quatro horas, acordando “ótima”; sentia uma alegria que “não era sua” (humor eufórico), falava sem parar e não conseguia acompanhar os próprios pensamentos. Diante dos sintomas, foi diagnosticado TB e modificou-se o tratamento, sendo prescrito o uso de estabilizadores do humor. Desde então, realiza acompanhamento regular, com períodos de eutimia e alguns episódios de humor (depressivos e maníacos).

 

Capítulo 9. Suicídio

ePub Criptografado

CAPÍTULO 9

Verônica de Medeiros Alves

Valfrido Leão de Melo Neto

  PONTOS-CHAVE

■O suicídio é um fenômeno complexo, multifatorial, caracterizado como um problema de saúde pública. É a segunda causa de morte no mundo entre pessoas de 15 a 29 anos e a décima quinta no geral. Contabilizam-se mais de 800 mil casos a cada ano. O Brasil está entre os dez países que registram os maiores números absolutos de suicídios.

■Ideação suicida é o pensamento deliberado de autoagressão ou planejamento de possíveis atos que provoquem a própria morte. Já a tentativa de suicídio é qualquer comportamento suicida não fatal, incluindo autoenvenenamento, lesão ou autoagressão, que pode ou não ter intenção fatal. O suicídio, por sua vez, é o ato intencional que resulta em morte.

■Estudos genéticos e neurobiológicos sugerem que o comportamento suicida resulta de uma interação complexa de vários genes e fatores ambientais estressores.

■A presença de transtorno mental é considerada o principal fator de risco para suicídio. História pessoal de tentativa de suicídio também é um fator de risco importante. Ocorrência de eventos adversos precoces na vida, como violência física ou sexual, constitui marcador de vulnerabilidade para comportamento suicida.

 

Capítulo 10. O diagnóstico da Esquizofrenia no presente (CID-10 e DSM-5) e no futuro (CID-11)

ePub Criptografado

CAPÍTULO 10

Helio Elkis

Itiro Shirakawa

  PONTOS-CHAVE

■O transtorno que denominamos “esquizofrenia” tem como base concepções da doença desenvolvidas no século XIX, por Kraepelin, que a denominou “demência precoce”.

■Eugen Bleuler criou o termo esquizofrenia e descreveu alguns dos sintomas considerados fundamentais para seu diagnóstico, como desorganização do pensamento e embotamento afetivo.

■Escutar vozes que argumentam, contra-argumentam e comentam atividades da pessoa, ter percepção delirante e delírios de influência, bem como o roubo e a transmissão do pensamento são sintomas descritos por Kurt Schneider.

■Kraepelin, Bleuler e Schneider influenciaram os critérios diagnósticos de esquizofrenia que surgiram nos anos 1970 e 1980, culminando nos critérios descritos na 3a edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-III), da American Psychiatric Association (APA), e em suas edições subsequentes.

 

Capítulo 11. Terapia cognitiva processual

ePub Criptografado

CAPÍTULO 11

Irismar Reis de Oliveira

Daniela Ladeira Reis

Camila Seixas

  PONTOS-CHAVE

■As cognições afetam áreas clinicamente relevantes da vida diária, como emoções, comportamentos e relações interpessoais.

■As cognições podem ser avaliadas em pelo menos três níveis de processamento de informações: pensamentos automáticos (PAs), pressupostos subjacentes (PSs) e crenças nucleares (CNs), também chamadas de “esquemas”.

■A ativação de certas CNs negativas disfuncionais subjacentes pode desempenhar papel fundamental na manifestação de sintomas cognitivos, afetivos e comportamentais.

■A terapia cognitiva processual (TCP) é uma nova abordagem criada principalmente para a rees­truturação das CNs disfuncionais e inclui técnicas fundamentadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC) de Beck e em outras abordagens psicoterápicas. Entre suas técnicas, encontra-se o Processo, que recebeu esse nome por duas razões: envolver a simulação de um processo jurídico e ser inspirado na obra homônima do escritor tcheco Franz Kafka, O processo.

 

Capítulo 12. Estimulação magnética transcraniana

ePub Criptografado

CAPÍTULO 12

Mercêdes Alves

Antônio Geraldo da Silva

  PONTOS-CHAVE

■A estimulação magnética transcraniana de repetição (EMTr) é um tratamento biológico já consagrado para depressão de qualquer etiologia e vem sendo estudada para várias outras indicações.

■A técnica baseia-se na transformação da energia elétrica em magnetismo e vice-versa.

■Consiste na estimulação por uma sucessão de pulsos magnéticos com frequência de 1 a 50 Hz, sendo que a alta frequência aumenta a excitabilidade neuronal e a baixa frequência a inibe.

■Promove a neurogênese e o aumento da expressão gênica e dos fatores de proteção e de crescimento neuronal, como o fator neurotrófico derivado do cérebro (BNDF).

■Pacientes jovens sem sintomas psicóticos são bons respondedores à EMTr, enquanto idosos com sintomas psicóticos são preferencialmente bons respondedores à eletroconvulsoterapia (ECT).

■Recomendação nível A de evidência (eficácia definitiva) – efeito antidepressivo: alta frequência em córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo (CPFDLE); efeito analgésico: baixa frequência em córtex motor primário contralateral à dor e em CPFDLE também contralateral à dor.

 

Capítulo 13. Psiquiatria forense

ePub Criptografado

CAPÍTULO 13

Lisieux E. de Borba Telles

Alcina Juliana Soares Barros

Gabriela de Moraes Costa

  PONTOS-CHAVE

■A psiquiatria forense tem por objeto de estudo o homem com transtorno mental, seja ele transgressor da norma jurídica, seja ele alguém necessitando de proteção jurídica.

■A atuação pericial do psiquiatra se dará mediante a necessidade de estabelecer se o periciando apresenta um diagnóstico de doença mental, transtorno da personalidade ou do desenvolvimento, bem como de determinar como essas alterações psicopatológicas afetam a execução de atos jurídicos atuais ou pretéritos.

■Segundo o Código de Ética Médica, ter atuado em algum momento como médico assistente do examinando impede o psiquiatra de exercer o encargo de perito desse sujeito.

■A curatela poderá ser levantada quando cessar a causa que a determinou.

■Havendo dúvida acerca da integridade mental do acusado de algum crime, o juiz determinará a instauração do incidente de insanidade mental e ordenará que o acusado seja submetido a exame médico-legal, o qual corresponde à perícia psiquiátrica de responsabilidade penal.

 

Capítulo 14. Estigma

ePub Criptografado

CAPÍTULO 14

Vanessa Leal

Alexandre Paim Diaz

Antônio Geraldo da Silva

  PONTOS-CHAVE

■O estigma é um processo social complexo que inclui aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais: estereótipos, preconceito e discriminação.

■O estigma em relação à doença mental tem impacto nos relacionamentos interpessoais, no acesso a emprego e na qualidade dos cuidados em saúde.

■O estigma também influencia no direcionamento de investimentos e políticas públicas em serviços de saúde mental.

■Psicoeducação, campanhas públicas e atuação da mídia podem ser empregadas no combate ao estigma.

 VINHETA CLÍNICA 14.1

M., 23 anos, sexo masculino, hospitalizado três vezes com sintomas agudos de esquizofrenia, é um exemplo de pessoa que sofre estigma decorrente de transtorno mental. Após três anos em remissão dos sintomas, vivia sozinho em sua cidade, trabalhava na recepção de um consultório odontológico e desfrutava de uma vida social ativa. Devido a uma recente recaída de sua doença, foi hospitalizado, levando 50 dias para se recuperar e retornar ao trabalho. Percebeu, porém, que sua recuperação em relação aos sintomas não era o suficiente. O dono do consultório o demitiu, pois achava, devido ao diagnóstico, que M. poderia ter uma repentina “explosão de raiva”. A família do jovem o convenceu de que precisava voltar a morar próximo da casa de seus pais, pois havia riscos de viver sozinho em uma cidade afastada. Tendo de voltar para a cidade de sua família, M. perdeu o contato com seus amigos. Mesmo após melhora dos sintomas, ele passou pela perda de emprego, amigos, moradia e rotina.

 

Capítulo 15. Filosofia, psiquiatria e sociedade

ePub Criptografado

CAPÍTULO 15

Fernando Portela Câmara

Leonardo C. P. Câmara

Antônio Geraldo da Silva

  PONTOS-CHAVE

■A psiquiatria destacou-se da medicina legal como uma disciplina própria a partir da noção de “alienação mental”.

■A discussão sobre esse conceito partiu da filosofia moral, no final do século XVIII, continuando no século seguinte com o conceito de proton pseudos, “o erro original”, de Aristóteles, sendo assim chamado qualquer raciocínio formalmente correto, mas cuja conclusão é falsa por se basear em uma falsa premissa.

■Essa discussão surgiu a partir da crítica de Kant sobre o direito de mentir no âmbito da ética, justiça e moral. Esse conceito impregnou a incipiente psiquiatria da época e foi o ponto de partida para a reformulação da noção de doença mental, abandonando-se a ideia de causa moral.

■Este foi o início do materialismo naturalístico de Griesinger, que lançou as bases filosóficas da psiquiatria. O conceito consolidou a teoria de causa local ou cerebral da doença mental e isentou o paciente como responsável por sua doença.

 

Capítulo 16. Saúde mental da mulher: tópicos importantes

ePub Criptografado

CAPÍTULO 16

Joel Rennó Jr.

Renan Rocha

Para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, atraente e errada.

Henry Louis Mencken

  PONTOS-CHAVE

■A mais recente edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), da American Psychiatric Association (APA),1 estabeleceu definitivamente o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), apresentando-o no grupo dos transtornos depressivos. Entre os seus critérios diagnósticos, encontram-se 11 grupos de manifestações clínicas, dos quais 10 são sintomas e sinais psiquiátricos.

■As manifestações vasomotoras foram identificadas como fatores preditivos independentes para a depressão na perimenopausa. Assim, sudorese noturna e sobretudo fogachos durante o climatério são sintomas de alerta para o rastreamento da depressão e para sua alta suspeição.

■Um consenso de diretrizes de instituições médicas de referência recomenda o rastreamento da depressão em gestantes, preferencialmente empregando instrumento psicométrico padronizado e validado. Na gravidez, a Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo ­(Edinburgh Postnatal Depression Scale – EPDS) é o instrumento de rastreamento mais recomendado e utilizado.

 

Capítulo 17. Emergências psiquiátricas

ePub Criptografado

CAPÍTULO 17

Leonardo Baldaçara

  PONTOS-CHAVE

■Emergências psiquiátricas são complicações das doenças mentais que requerem medidas imediatas.

■Representam de 10 a 15% dos atendimentos pré-hospitalares e de 4 a 6,3% dos atendimentos em serviços de emergências.

■Para melhor condução dos casos, os profissionais da saúde necessitam de treinamento adequado e condutas cientificamente fundamentadas.

■A estrutura e a equipe precisam ser diferenciadas para o atendimento de tais emergências.

■Toda emergência comportamental deve ser considerada de origem orgânica até que se prove o contrário.

■Entre as principais situações estão o delirium, o comportamento suicida, a agitação psicomotora, os transtornos relacionados ao uso e abuso de substâncias, a ansiedade, os transtornos psicóticos e os transtornos do humor.

 VINHETA CLÍNICA 17.1

Um homem de 23 anos é conduzido ao pronto-socorro (PS) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) após ter sido flagrado andando nu e agitado em via pública. Encontrava-se extremamente inquieto, com higiene bem precária, unhas grandes e odor alcóolico. Andava de um lado para o outro e parecia conversar com alguém não presente na sala. Seu discurso era de conteúdo religioso. Não mantinha contato verbal nem visual com a equipe. Após ser abordado para avaliação de sinais vitais, tornou-se agressivo, e foi necessária sua contenção. Na avaliação, notou-se estar desidratado, com hiperemia conjuntival e pupilas bem dilatadas. A frequência cardíaca era de 120 bpm, a pressão arterial de 140/100 mmHg e a temperatura axilar de 37o C. Estava eupneico, acianótico. Sem alterações a ausculta cardíaca e pulmonar.

 

Capítulo 18. Novos tratamentos em psiquiatria: exercício físico como recurso terapêutico coadjuvante

ePub Criptografado

CAPÍTULO 18

Sergio Eduardo de Carvalho Machado

Diogo Telles Correia

  PONTOS-CHAVE

■A neurociência do exercício vem mostrando evidências que ligam o aumento do nível de atividade física a mudanças positivas no funcionamento cognitivo e cerebral.

■Entre os indivíduos com doença mental estabelecida, o exercício físico é reconhecido como um aspecto essencial no tratamento multidisciplinar de depressão, ansiedade e psicose.

■A abordagem atual da nosologia psiquiátrica trata as síndromes comportamentais como transtornos psiquiátricos distintos, cujos componentes podem ser consequência de disfunção em um ou mais circuitos neurais.

■Como regra, os biomarcadores podem expressar uma neuroprogressão geral de transtornos mentais ou o grau de deterioração para eventos repetidos relacionados aos sintomas da doença.

■O American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda um acúmulo de pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada (50-55% VO2 de reserva – VO2R) semanalmente ou 75 minutos de atividade vigorosa (70-75% VO2R) por semana para a promoção da saúde.

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
Book
Capítulos

Formato
ePub
Criptografado
Sim
SKU
BPDP000311805
ISBN
9786581335199
Tamanho do arquivo
5 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
ePub
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados