Fitoterapia Avançada

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Com o objetivo de reunir em uma mesma obra as abordagens química, biológica e nutricional, Fitoterapia avançada enfatiza desde a parte conceitual até as comprovações científicas, práticas de mercado e legislação vigente, com relevantes exemplos, parte deles apresentado em um encarte colorido.

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1 - Fitoterapia avançada: aspectos teóricos, práticos e mercadológicos

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Neste capítulo, a fitoterapia será abordada como concreta possibilidade terapêutica, enfatizando questões conceituais e aspectos práticos com exemplos marcantes de medicamentos de origem vegetal, considerando a importância da química medicinal clássica e moderna para a descoberta de novos agentes medicinais. Além disso, serão discutidas algumas vantagens e desvantagens no uso de medicamentos fitoterápicos, e será resumida uma abordagem mercadológica considerando o mercado brasileiro de fitoterápicos.

Antes de adentrar especificamente ao tema, é importante relembrar os aspectos conceituais preconizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)1 em relação às plantas e seus derivados. Nesse contexto,

[...] as plantas medicinais são aquelas capazes de aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso como remédio em uma população ou comunidade. Para usá-las, é preciso conhecer a planta e saber onde colhê-la, e como prepará-la. Normalmente são utilizadas na forma de chás e infusões. Quando a planta medicinal é industrializada para se obter um medicamento, tem-se como resultado o fitoterápico. O processo de industrialização evita contaminações por microrganismos e substâncias estranhas, além de padronizar a quantidade e a forma certa que deve ser usada, permitindo uma maior segurança de uso. Os fitoterápicos industrializados devem ser regularizados na Anvisa antes de serem comercializados. Fitoterápicos também podem ser manipulados em farmácias de manipulação autorizadas pela vigilância sanitária e, neste caso, não precisam de registro sanitário, mas devem ser prescritos por profissionais habilitados.

 

2 - Fitoterápicos e nutracêuticos: da prospecção ao mercado

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Neste capítulo, serão abordados os principais conceitos e definições acerca de fitoterápicos e nutracêuticos, suas diferenças e aplicações. Também serão enfatizadas as principais formas farmacêuticas e de preparo de plantas medicinais e nutracêuticos, com indicações de quando e como utilizar cada preparação.

No âmbito da fitoterapia, muitos termos geram confusão, e é importante que cada um deles seja entendido. A fitoterapia é um método de tratamento no qual plantas medicinais e seus produtos derivados são empregados sem utilização de substâncias ativas isoladas. No Brasil, detentor de cerca de 20% da biodiversidade mundial, é uma forma terapêutica bem aceita e comumente utilizada pela população.1,2

A fitoterapia é a forma de terapia mais antiga, e é muito utilizada em todo o mundo atualmente. De acordo com o American Botanical Council, em 2016, a venda de produtos fitoterápicos aumentou 7,7% nos Estados Unidos. Nesse contexto, a fitoterapia está crescendo de forma global devido ao aumento de pesquisas e ao desenvolvimento de novos produtos, além da alta demanda por alternativas com menores efeitos adversos. Em 2017, o mercado de fitoterápicos movimentou em torno de US$ 50.972.400,00, e estima-se que, em 2023, esse número suba para em torno de US$ 1,29 bilhão.3

 

3 - Principais classes de princípios ativos naturais: métodos de obtenção e ações biológicas/farmacológicas

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Neste capítulo, serão abordadas as principais classes de princípios ativos encontrados nos fitoterápicos, incluindo especialmente os flavonoides, além de alcaloides e terpenos, abrangendo aspectos gerais, ocorrência, principais métodos de extração, além de exemplos práticos de substâncias marcantes nas áreas farmacêuticas e médicas.

Desde a antiguidade, a biodiversidade, especialmente as floras terrestre e marinha, tem sido de fundamental importância para a saúde da humanidade, produzindo substâncias das mais variadas classes e estruturas, dotadas de potencial terapêutico, seja de forma pura, em misturas ou servindo de inspiração para a síntese de moléculas com maior poder terapêutico. Acredita-se que cerca de 70% de todo o arsenal terapêutico disponível no mercado farmacêutico esteja relacionado, de forma direta ou indireta, com os produtos naturais.1,2

Portanto, é surpreendente quão pródiga é nossa natureza, que fornece substâncias tanto de estruturas simples (p. ex., o resveratrol) quanto de estruturas mais complexas (p. ex., o taxol), algumas inimagináveis pela mente humana, capazes de curar ou minimizar doenças que afligem a humanidade, das mais comuns às mais graves, como o câncer.

 

4 - Estudos clínicos de plantas medicinais e fitoterápicos: avanços, perspectivas e interação nas universidades e nas indústrias farmacêuticas

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Da prospecção de uma planta com potencial terapêutico até sua transformação em produto e chegada ao mercado, percorre-se um extenso caminho, que será descrito com alguns detalhes neste capítulo. Comumente, aparecem plantas medicinais que estão “na moda”, sendo amplamente utilizadas pela população e propagadas entre profissionais da área da saúde, e seus resultados clínicos são muitas vezes surpreendentes. Neste capítulo, serão abordados alguns exemplos dessas plantas e de fitoterápicos desenvolvidos ou em desenvolvimento no Brasil relacionados a seus respectivos estudos clínicos, exemplos de plantas e seus escassos resultados clínicos. Além disso, o leitor será instruído a ter senso crítico.

Nas recentes décadas, as propriedades medicinais de plantas superiores têm sido relatadas das mais diferentes formas em todo o mundo, incluindo artigos científicos, livros, monografias, dissertações e teses. A cada ano, incontáveis descobertas promissoras são relatadas, com muitos extratos, frações ou moléculas isoladas com potenciais farmacológicos/biológicos muitas vezes bastante superiores àqueles utilizados na clínica médica. No entanto, poucos medicamentos fitoterápicos ou fitofármacos são efetivamente desenvolvidos e aprovados para uso da população. Isso ocorre porque, a partir da prospecção até a chegada ao mercado, importantes e criteriosas etapas devem ser concretizadas. Entre os critérios (frequentemente considerados os maiores obstáculos) encontram-se os estudos clínicos, aqueles realizados em seres humanos, obrigatórios para que um medicamento seja aprovado pelos órgãos reguladores.

 

5 - Prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos de acordo com a legislação

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Neste capítulo, será abordada a importância de utilizar a fitoterapia na clínica de forma correta e segura, de acordo com as legislações vigentes.

O uso de plantas medicinais para manutenção ou recuperação da saúde é frequente em todo o mundo, e a regulamentação dessa prática pode ocorrer de diferentes maneiras. Na Figura 5.1, estão dispostos alguns exemplos da cadeia de processamento das plantas medicinais. A regulamentação de produtos com base em plantas medicinais pode ser realizada de várias formas, como chás, drogas vegetais notificadas, medicamento fitoterápico industrializado ou manipulado e produto tradicional fitoterápico. Além da área farmacêutica, as plantas medicinais possuem possibilidade de uso como cosmético ou alimento.1

Figura 5.1

Cadeia de processamento de plantas medicinais.

Apesar de possuir uma das maiores biodiversidades do mundo e de ser um dos países que publica o maior número de artigos científicos sobre plantas medicinais e fitoterápicos, o Brasil ainda possui um número pequeno de fitoterápicos registrados contendo espécies vegetais brasileiras. Dessa forma, o conhecimento do sistema de vigilância regulatória em saúde, a participação no estabelecimento de normas regulatórias e a realização de testes de acordo com as normas vigentes são essenciais para o desenvolvimento positivo do setor e para que os fitoterápicos possam ser alavancados no registro de medicamentos e na melhoria do processo de registro de medicamentos fitoterápicos, visando produtos de qualidade, seguros e eficazes para a população.2

 

6 - Principais interações entre plantas, nutrientes e medicamentos e a responsabilidade do profissional prescritor

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Diversas espécies de plantas medicinais e seus compostos apresentam significativas interações com nutrientes provenientes da alimentação. Outro importante aspecto são as possíveis interações com medicamentos. Neste capítulo, serão abordados exemplos de interações que podem ocorrer e os cuidados necessários para a realização de uma prescrição segura.

Quando ocorrem alterações funcionais e/ou estruturais no organismo em virtude de doenças ou infecções, utilizam-se medicamentos para restauração da saúde. A via de administração preferencial é a oral, em razão da sua comodidade e segurança, entre outras razões. A maioria dos fármacos administrados oralmente é absorvida por difusão passiva, sua absorção ocorre pelo trato gastrintestinal, e sua concentração sanguínea é influenciada por diversos fatores, conforme descrito na Tabela 6.1. O trajeto dos fármacos no organismo pode ser representado por meio de três fases: biofarmacêutica, farmacocinética e farmacodinâmica.1

tabela 6.1

 

7 - Fitoterapia nos ciclos da vida: da gestação à terceira idade

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Muitas são as dúvidas quanto ao uso de plantas medicinais na infância, na gestação e no envelhecimento. Neste capítulo, serão abordadas as principais diferenças fisiológicas dessas fases e o modo de utilização da fitoterapia de forma segura e eficaz em cada uma delas.

O uso de recursos naturais, especialmente de plantas medicinais para prevenção e tratamento em crianças, é frequente e tradicional no Brasil e no mundo, sendo algo cultural, e, principalmente no cuidado primário, é utilizado para tratar distúrbios nas vias respiratórias, para aliviar cólicas ou para tranquilizar as crianças.1

A prática “cuidativa” das mães envolvendo esse recurso baseia-se em saberes repassados de geração a geração, com caráter preventivo e curativo. Em nível internacional, são poucos os estudos investigativos com populações representativas sobre o uso de produtos à base de plantas medicinais em crianças.2

Nos primeiros anos de vida, as crianças são acometidas por doenças corriqueiras, por isso os pais e/ou cuidadores utilizam terapias complementares, em especial a fitoterapia. Essa prática é influenciada por pessoas próximas, familiares ou amigos que já obtiveram resultados positivos e que, de forma empírica, vão repassando esses conhecimentos.3

 

8 - Fitoterapia e nutracêuticos na saúde da mulher e do homem: distúrbios endócrinos

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Neste capítulo, serão abordados os principais fitoterápicos e nutracêuticos indicados para a saúde da mulher e do homem no tratamento de infertilidade, libido, síndrome pré-menstrual, climatério e distúrbio da próstata.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde,1 a infertilidade é um distúrbio do sistema reprodutor caracterizado pela incapacidade de um casal obter a gravidez clínica após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares desprotegidas. Estima-se que a infertilidade atinja cerca de 10% das mulheres no mundo.

O número absoluto de casais afetados pela infertilidade aumentou de 42 milhões em 1990 para cerca de 48,5 milhões em 2010, sendo quase metade desses casos devido à infertilidade masculina.2

Diversos fatores podem ser relacionados à infertilidade feminina, sendo os mais comuns os distúrbios ovulatórios, infertilidade tubária, endometriose e infertilidade inex­plicada.3 A idade da mulher também é importante, pois, especialmente a partir dos 30 anos, as chances de engravidar diminuem e os riscos são maiores, principalmente aqueles relacionados ao desenvolvimento de diabetes e hipertensão.4

 

9 - Plantas alimentícias não convencionais (PANCs)

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Muitas vezes vistas como pragas ou ervas daninhas, diversas espécies denominadas vulgarmente como “matinhos” podem ser utilizadas na alimentação, agregando valor à culinária de forma sustentável. Neste capítulo, serão abordados alguns exemplos, levando o leitor à valorização dessas plantas muitas vezes ignoradas, mas de alto valor terapêutico e nutricional.

Desde a antiguidade, o homem lança mão das plantas com as mais distintas finalidades, incluindo a alimentícia. As plantas alimentícias não convencionais, mais comumente conhecidas como PANCs, estão ganhando adeptos de forma notável nos últimos anos. Anteriormente mais conhecidas e exploradas pelas comunidades rurais, gerando emprego e renda e contribuindo com a economia regional, atualmente vêm se popularizando não apenas no meio urbano, mas também em casas de culinária, mesmo com a tendência pelos fast foods em função da publicidade e praticidade.1

Cabe destacar algumas vantagens para o uso das PANCs. Além dos altos valores nutritivos e terapêuticos, que serão abordados ao longo do capítulo, inclui-se o baixo impacto na agricultura e na conservação ambiental, a facilidade de cultivo (muitas podem ser cultivadas em casa ou até mesmo em apartamentos), a diversidade alimentar (via saudável de alimentação) e as diferentes possibilidades de preparo na culinária, muitas delas podendo ser consumidas in natura.

 

10 - Fitoterapia na saúde pública: panorama atual

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A utilização de plantas medicinais e seus produtos (fitoterápicos) na saúde pública tem aumentado consideravelmente no Brasil nos últimos anos, especialmente pela adoção de políticas públicas, comprovação da eficácia e segurança diante das mais diferentes patologias e maior difusão das informações. Neste capítulo, serão abordados alguns exemplos práticos e cuidados inerentes ao uso desses produtos.

Desde a antiguidade, a biodiversidade, especialmente a de plantas superiores, é utilizada pela humanidade como alternativa para o tratamento de patologias, das mais simples às mais complexas. Muitos medicamentos, alguns utilizados atualmente, provêm daquela época, como a emetina (1817), a colchicina (1820), a quinina (1820), a atropina (1831), a morfina (1832), a efedrina (1887), etc.1

Nos tempos atuais, com a modernização e o aperfeiçoamento dos estudos científicos a partir da implantação de novas e efetivas técnicas experimentais e de equipamentos cada vez mais resolutivos, a biodiversidade continua a ser explorada como potencial fonte de novos agentes terapêuticos. Acredita-se que cerca de 70% de todos os medicamentos disponíveis no mercado farmacêutico mundialmente estão relacionados, direta ou indiretamente, com os produtos naturais, sobretudo plantas terrestres.2-4

 

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