Báltico

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Em diferentes áreas da política, do esporte à música, na arte e na cultura encontrarmos pessoas influentes com origem e referências culturais no Báltico. No entanto, ainda hoje são poucas as referências à história dos países Bálticos disponíveis em português. As poucas referências com relação aos povos do Báltico se devem a fatores históricos, pois, enquanto países autônomos, as três Repúblicas têm uma trajetória breve. Foi durante a Primeira Guerra Mundial que os países Bálticos se tornaram independentes pela primeira vez. Por essa razão, 2018 marcou nos três países a comemoração do centenário da primeira independência. A obra Báltico propõe uma análise histórica de três países, Estônia, Letônia e Lituânia, buscando entender como se formou a identidade nacional nesses países, os períodos das ocupações, guerras e conflitos e as lutas pelas independências. Além dos aspectos políticos, são abordados os aspectos culturais dos países. O livro ainda oferece uma perspectiva sobre a atualidade dos países a partir da visão do autor.

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I DELIMITANDO O BÁLTICO: LESTE OU OESTE? CENTRO OU NORTE?

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I

DELIMITANDO O BÁLTICO:

LESTE OU OESTE? CENTRO OU NORTE?

O mar Báltico está localizado no norte da Europa e banha o litoral da Escandinávia, da Europa continental e das ilhas da Dinamarca. Pelos estreitos de Skagerrak, Kattegat Storebaelt e Lillebaelt se comunica com o Mar do Norte, banhando: Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia,

Estônia, Lituânia, Polônia e Alemanha.

Ao longo da história, o mar Báltico recebeu diversos nomes. Durante o período do Império Romano foi chamado de Mare Suebicum, em referência ao povo germânico dos suevos, e também de mar dos bárbaros.

Os povos escandinavos o denominaram “mar do leste” e os estonianos

“mar do oeste”. A palavra “báltico” foi escrita pela primeira vez na sua forma latina, Balticum, nos trabalhos de Adam de Bremen (1050–1085) sobre a história da igreja de Hamburgo. A palavra Báltico não era utilizada com frequência para descrever a região até o século XIX, quando o Império Russo passou a dominá-la. Inicialmente, os russos utilizavam a expressão “mar do oeste” para se referir à região. Aos poucos passaram a associar a palavra “báltico” aos germânicos que viviam principalmente nos territórios atuais da Estônia e da Letônia.

 

II A EXPANSÃO LITUANA E A LIVÔNIA MEDIEVAL

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II

A EXPANSÃO LITUANA E A LIVÔNIA MEDIEVAL

As primeiras referências escritas sobre o Báltico apareceram no momento em que missionários se estabeleceram na região para cristianizá-la. O nome Lituânia foi escrito pela primeira vez em 1009 em uma crônica germânica. A crônica relata o assassinato, ou martírio, de um missionário chamado Bruno que trabalhava para introduzir o cristianismo entre os que viviam na Lituânia.

Os povos do Báltico também aparecem nas crônicas que relatam os ataques e as invasões dos Vikings. A crônica A Vida do Santo Ansgar, do Arcebispo de Rimbert de Bremen, registrou a guerra e a vitória dos curonianos contra os dinamarqueses e também a vitória sueca em

850. Os suecos procuraram se estabelecer no sudeste da Letônia, mas a resistência local impediu que eles adentrassem na região. As constantes navegações vikings e seus ataques acabou por estabelecer algumas rotas e pontos comerciais tanto no mar Báltico e golfo da Finlândia, como nos rios que cortam a região. Pelo Rio Neva, ao sul, pode-se chegar ao lago Ladoga e mais ao sul à Novgorod, e ao leste alcançar o rio Volga e o mar Cáspio. Outra rota importante foi pelo rio Daugava até o Dniepre e ao sul de Kiev de onde pode-se chegar ao Mar Negro e a Constantinopla. Pelo território Lituano é possível atravessar navegando pelo Rio Nemunas. Diversas crônicas narram ataques de piratas e sequestros nessas rotas. A arqueologia encontrou moedas de ouro e prata de Bizâncio na região, o que confirma a circulação e o comércio.

 

III O BÁLTICO SOB DOMÍNIO DOS IMPÉRIOS

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III

O BÁLTICO SOB DOMÍNIO DOS IMPÉRIOS

Nos dias de hoje quando pensamos nos países escandinavos, em particular na Suécia, temos a imagem de um país pacífico e progressista. No entanto, é preciso lembrar que essa imagem foi construída na segunda metade do século XX. Durante séculos, a Suécia foi uma potência militar que disputou o domínio do norte da Europa e sobre o mar Báltico. Seu principal oponente nessa disputa foi o Império Russo, com o qual protagonizou guerras devastadoras e sangrentas que ficaram conhecidas como Grandes Guerras do Norte. Para entendermos esse processo histórico é preciso compreender a formação das duas outras potências que buscavam dominar o Báltico, o Império Russo e a União Polonesa-Lituana.

Depois que Ivan, o Terrível, tomou a Livônia, ele abriu um novo front de batalha contra a Lituânia em 1562. Embora a Lituânia tenha resistido às primeiras incursões, a presença russa fez acelerar o processo de integração com a Polônia. Esse acordo foi celebrado como a União de Lublin, em 1569, que criou a União das duas repúblicas

 

IV GUERRAS, REVOLUÇÕES E INDEPENDÊNCIAS

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IV

GUERRAS, REVOLUÇÕES E INDEPENDÊNCIAS

Nas cidades de Tallinn e de Riga existem monumentos em homenagem à Revolução de 1905, que podem ser visitados facilmente.

Em Vilnius, a memória daquele importante movimento político está simbolizada pela beleza da construção do edifício que atualmente é a sede da filarmônica da Lituânia. Ao contrário do que ocorreu com os demais monumentos dedicados às revoluções, eles não foram destruídos ou estão abandonados. A Revolução de 1905 entrou para memória do Báltico como um passo importante para a conquista da independência.

A Revolução de 1905 tem importância diferente para Estônia,

Letônia e Lituânia do que normalmente encontramos nos livros de história geral e de geopolítica. Nesses, o movimento no Império Russo

é visto como um prenúncio ou “ensaio geral” da revolução Bolchevique de 1917. Nessa visão, o foco é a Revolução Comunista ou os desdobramentos da política em São Petersburgo e Moscou. Na periferia do

 

V A PRIMEIRA INDEPENDÊNCIA — ESTÔNIA, LETÔNIA E LITUÂNIA

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V

A PRIMEIRA INDEPENDÊNCIA — ESTÔNIA,

LETÔNIA E LITUÂNIA

Os governos da Estônia, Letônia e Lituânia tiveram que enfrentar muitas dificuldades para estruturar Estados para os quais não havia precedentes na História Moderna. A infraestrutura havia sido devastada pelas guerras. As necessidades mínimas da população eram difíceis de serem alcançadas. A autonomia não estava completamente assegurada e mesmo a formação dos exércitos nacionais ainda precisava ser resolvida. Precisavam formar um Estado a partir das poucas estruturas administrativas que possuíam. O primeiro passo, depois de formar um exército em meio à Guerra, era organizar a legislação. Os três países adotaram constituições inspiradas nas mais modernas em vigor na

Europa, como a alemã da República de Weimar. Formaram parlamentos: Riigikogu na Estônia, Saeima na Letônia e Seimas na Lituânia.

Os partidos seguiam as mesmas divisões ideológicas dos países ocidentais com organizações de direita e de esquerda. Na Estônia e na Letônia, os partidos comunistas foram proibidos, pois lutaram do lado da União Soviética na guerra de independência. Nos primeiros anos, os partidos socialistas eram os maiores e mais influentes, mas a democracia no Báltico não iria durar muito tempo e eles rapidamente perderiam o poder.

 

VI O BÁLTICO SOVIÉTICO

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VI

O BÁLTICO SOVIÉTICO

No início de 2018, o corpo do General de Brigada Adolfas Ramanauskas,

Vanagas, foi encontrado no cemitério de Našlaičiai, em Antakalnis.

Ao que se sabe, ele foi preso em 1953, brutalmente torturado e assassinado pela polícia política da União Soviética: a KGB. Um ano depois, seu corpo foi enterrado sem identificação. Ramanauskas era um dos principais líderes da resistência armada à ocupação da Lituânia pela

União Soviética e lutou nas florestas por dez anos. Após a identificação do corpo, o governo da Lituânia decidiu realizar o seu enterro com as honras de Estado. O corpo foi removido para a cidade de Vilnius, onde foi realizada uma cerimônia fúnebre de dois dias e o enterro no cemitério de Antakalnis, no dia 6 de outubro. A cerimônia contou com as principais autoridades políticas e os líderes religiosos do país e causou comoção popular.

No plano internacional, a cerimônia foi contestada e houve um protesto formal da Rússia que considera ainda hoje os partisans que lutaram contra a invasão soviética como terroristas. O protesto russo, acrescentou que o cemitério onde foi realizado o enterro era também o local de homenagem aos soldados soviéticos que lutaram e derrotaram os nazistas que ocupavam a Lituânia.

 

VII O DEDO PARTIDO DE LENIN

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VII

O DEDO PARTIDO DE LENIN

7.1.  A CRISE DA UNIÃO SOVIÉTICA

Quando o governo de Brezhnev chegou ao fim, a União Soviética estava imersa em uma crise social e econômica. Com a sua morte, foi substituído por Yuri Andropov e Konstantin Chernenko, mas era necessário articular uma renovação, ou ao menos esse foi o entendimento dos líderes soviéticos. Como forma de superar a crise, o principal órgão do Partido Comunista, o Politburgo, escolheu Mikhail Gorbachev, como

Secretário-geral, em 15 de março de 1985. Com 55 anos, ele era um dos líderes mais jovens da União Soviética e defendia a renovação da administração e da economia.

O objetivo de Gorbachev era modernizar a União Soviética tanto na

área econômica quanto na política e na cultura. Em 1986, Gorbachev introduziu duas políticas: a Glasnost (abertura política) e a Perestroika

(reconstrução). Em síntese, podemos dizer que essas duas reformas tinham por objetivo descentralizar o poder, permitir maior debate sobre a União Soviética, diminuindo a censura no meio acadêmico e na arte, além de fazer uma série de concessões para a economia de mercado. O resultado final não poderia ter sido previsto, pois além de não resolver as crises que se propunha, ela abriu o caminho para o fim da União Soviética que ocorreu em 26 de dezembro de 1991.

 

VIII GASTRONOMIA ENTRE O TÍPICO E O MODERNO

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VIII

GASTRONOMIA

ENTRE O TÍPICO E O MODERNO

Ao chegar em uma residência, a saudação se dará com um aperto de mãos e para os mais íntimos com um leve abraço. Não se troca beijos. Ao ingressar é preciso tirar os sapatos, pois o chão, em geral, é de madeira e nos dias com neve não é adequado entrar com as botas sujas e molhadas. Os mais velhos costumam levar a suas pantufas, às vezes, o anfitrião as oferece. Os mais novos ficam de meia sem constrangimentos. Se for necessário não há nenhum inconveniente em pedir para lavar os pés devido ao frio ou se a neve entrou pelo sapato. Nas casas e apartamentos, as áreas de sanitário e banho, em geral, são separadas.

Os anfitriões colocam os alimentos na mesa e o convidado deve se servir daquilo que desejar. No passado e entre os imigrados era comum colocar todos os alimentos disponíveis na casa na mesa para serem servido, mesmo porque não eram muitos. Hoje, já há uma seleção do que será oferecido. Não é necessário experimentar tudo ou beber todas as bebidas, apenas se servir do que pareça mais apetitoso. É respeitoso elogiar o que foi preparado na casa. Se quem recebe precisar de alguma coisa ele vai pedir para levar, se não pedir nada é educado, mas não obrigatório, levar alguma coisa. Se disser para não levar não leve. Uma característica dos comportamentos no Báltico é que ele é muito direto.

 

IX IDENTIDADE NACIONAL E O FUTURO

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IX

IDENTIDADE NACIONAL E O FUTURO

As Olimpíadas de Barcelona foram um momento marcante para a história dos países Bálticos. Depois de 40 anos, eles voltavam a disputar uma olimpíada carregando as suas próprias bandeiras. Ao contrário dos demais países que faziam parte da União Soviética, Estônia,

Letônia e Lituânia se recusaram a integrar a CEI (Comunidade dos

Estados Independentes). As suas delegações não eram grandes, mas eram representativas de um sentimento nacional e de uma esperança de independência que por décadas foram suprimidas.

Entre as atrações principais dos países Bálticos estava a seleção de basquete da Lituânia. Seus principais jogadores, Arvydas Sabonis e

Šarūnas Marčiulionis, lideraram o melhor time da União Soviética, campeão da Olimpíadas de Seul. Agora, o time soviético estava dividido, mas as suas estrelas principais comandavam a Lituânia. A Lituânia venceu todos os seus jogos até enfrentar os Estados Unidos nas semifinais, quando perdeu de 127 a 76. Para entendermos o que aconteceu naquele jogo temos que voltar um pouco no tempo e recuperar uma história que também envolve o basquete brasileiro.

 

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