Fundamentos da macroeconomia

Autor(es): Edson Peterli
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Os estudos da macroeconomia têm avançado sensivelmente justamente devido a profusão de acontecimentos econômicos nestas últimas décadas, que se somam a outros de cunho político, social, ambiental, climático e comportamental. A maioria deles não tem contribuído para tornar melhor o mundo econômico. Reinam discórdias significativas na busca de soluções e os embates teóricos que se estabelecem, geralmente não são explicitados. Por detrás de interesses políticos que podem corresponder ou não aos interesses públicos, se pronunciam os embates acadêmicos. Essa é uma questão em aberto, pois as políticas governamentais atendem às demandas sociais fortalecidas por exposições de motivos convincentes. Contudo, as demandas sociais, em muitos casos, são construídas de modo mediático, por imagens fornecidas pelos meios de comunicação. Fundamentos de Macroeconomia busca justamente a essência de os embates teóricos próprios localizados nas hermenêuticas das diversas linhas de pensamento macroeconômico, que se transbordam para às formulações das políticas públicas.

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1. Introdução

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1.

Introdução

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foi construída para auxiliar o entendimento do mundo econômico atual. Muitas questões são incompreensíveis para muitos e as notícias e diálogos econômicos nos jornais, revistas e televisão, em alguns casos, geram mais confusão e divergências do que contribuem para um consenso acerca dos aspectos discutidos.

O problema não é a reportagem em si ou o debate apresentado, mas sim que, na maioria das vezes, as questões se revestem de nuanças ideológicas pertencentes às distintas escolas do pensamento econômico. As manifestações ideológicas se encerram na disputa velada, em alguns casos explícita, entre classes e subgrupos sociais por maior parcela do produto social. Muitos dos problemas econômicos, apontados pela m

­ acroeconomia, resultam justamente desse embate entre classes e estamentos sociais perseguindo maiores recursos, rendas e posições privilegiadas no seio da sociedade para obtenção de benesses produzidas no âmbito do Estado. Considerando apenas o mundo econômico, os conflitos inerentes à marcha capitalista criam desarmonias que se manifestam nos preços da mão de obra, dos ativos financeiros e monetários, das outras moedas (taxa de câmbio), dos serviços públicos, dos produtos industriais e agrícolas e demais bens e serviços.

 

2. Antecedentes: a Escola (Neo)Clássica

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Antecedentes: a Escola

(Neo)Clássica

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(séculos XVIII e XIX) e dos primeiros economistas neoclássicos (último quarto do século XIX e primeiro do século XX) era de um mundo econômico perfeito, harmônico e equilibrado. Esse mundo maravilhoso era construído com preços totalmente flexíveis que, subjugados pelas forças de mercado, harmonizavam-se para garantir o máximo bem-estar social. O comportamento interesseiro dos vendedores e dos compradores determinava o alcance do bem-estar social:

“o leiloeiro”, representando o mercado, somente finaliza a contenda batendo o martelo quando a negociação estabelece um preço que oferece o mesmo grau de satisfação para o comprador e o vendedor. Qualquer perturbação dessa ordem era inimaginável na visão dos economistas clássicos e se porventura ocorresse seria ocasional, passageira e sem importância. Para esses pensadores não existiam preços rígidos ou tabelados. O cerne da economia clássica eram os preços se ajustando rapidamente frente a quaisquer distúrbios econômicos.

 

3. O Nascimento da Macroeconomia

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O Nascimento da Macroeconomia

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havia alcançado

14 milhões de desempregados: uma perda de 40% de postos de trabalho em relação aos níveis anteriores à grande depressão de 1929. Os paradigmas econômicos vigentes na época compunham o que hoje chamamos de economia (neo)clássica. Os economistas dessa época advogavam que o desemprego não prosperaria por conta de mecanismos corretivos proporcionados pelo livre jogo das forças de mercado. Aqueles que optam por não trabalhar o fazem, justificavam eles, por motivos voluntariosos. Apesar da realidade manifestar-se visivelmente contrária a essa ideia, o pensamento econômico (neo)clássico propalava que a oferta de mão de obra excedente retornaria às fábricas mediante a aceitação de menores salários pelos trabalhadores, que o livre jogo das forças de mercado propunham, e se não o faziam era por vontade própria.

 

4. Excedente Econômico e Avanços Tecnológicos

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Excedente Econômico e Avanços Tecnológicos

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MUITOS DOS PROBLEMAS MACROECONÔMICOS derivam da grandeza do exce-

dente econômico. Ele é a parcela do produto além daquela necessária à reprodução material da sociedade. Sua dimensão corresponde, por baixo, à soma de toda as poupanças, mais os títulos públicos, os lucros empresariais, toda a carga tributária e valores patrimoniais acumulados (terra e empreendimentos imobiliários, por exemplo). Uma decorrência lógica da existência de um estoque econômico excedente é a liberação de mão-de-obra para o exercício de atividades não diretamente voltadas à reprodução material dos membros da coletividade. Historicamente, o avanço das habilidades no trato da terra permitindo a constituição de excedentes alimentares possibilitou que alguns membros da unidades familiares camponesas se dedicassem a produção de artefatos, utensílios e ferramentas inicialmente rudimentares, estabelecendo as bases para o surgimento das cidades e à formação da indústria. Com efeito, atividades vin­culadas aos serviços e produção de bens de utilidade pública também surgem, conforme o excedente econômico aumenta.

 

5. Contabilidade Nacional

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Contabilidade Nacional

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requer o conhecimento prévio dos agregados econômicos. Mensuramos o produto de uma economia e as partes que o compõem aplicando princípios contábeis e denominamos esta parte do estudo de Contabilidade Nacional. As contas nacionais fornecem as medidas efetivas dos agregados econô­m icos que compõem a estrutura funcional do

Produto e da Renda de um país. A contabilidade nacional não somente fornece medidas de desempenho da economia contabilizadas pela produção de bens e serviços, mas também evidencia as relações funcionais entre elas, partindo de três variáveis macroeconômicas básicas: Produto, Renda e Despesa. Os bens e serviços produzidos (produto) significam dispêndios: despesa com os fatores de produção que serão consumidos por meio da renda paga aos proprietários dos fatores de produção. Assim, a Renda, a Despesa e o Produto contabilizam o mesmo valor no período do exercício e podem ser decompostos em grandes agregados econômicos como tributação e gastos do governo, rendas dos exportadores e gastos com importação, poupança e investimento, consumo das famílias e outros27. Pode também ser olhado pelos valores criados setorialmente — setores primário, secundário e terciário — bem como por grandes entidades — governo, família, comércio exterior, sistema financeiro, serviços e outras.

 

6. Função Consumo e Demanda Agregada

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Função Consumo e Demanda Agregada

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COMO VIMOS ANTERIORMENTE, a Contabilidade Nacional trata a quantificação da Renda e do Produto e de seus componentes (gastos do governo, tributação, consumo, investimento, poupança, importação e exportação) como variáveis independentes uma das outras. Nela os agregados econômicos são inventariados em um determinado período de tempo em moeda corrente, moeda constante ou em moeda internacional. Esse exercício da contabilidade é feito sem relacionar funcionalmente os agregados econômicos entre si. A disciplina macroeconomia faz justamente esse dever de casa: estabelece os nexos e a direção entre os agregados.

De fato os níveis da renda e do produto são condicionados pelas interações existentes entre os agregados econômicos. Existem nexos causais entre eles que impactam a renda e o produto final da economia e, por conseguinte, o nível de emprego. Com efeito, quando os investimentos, exportações, gastos do governo e os demais agregados econômicos variam, não impactam a renda e o produto na mesma magnitude de sua variação. Pode parecer estranho, mas o impacto causado pelas variações dos agregados na renda e no produto depende essencialmente da disposição dos indivíduos em consumir bens de serviços. Vejamos a importância do consumo colocando um pouco de lógica histórica.

 

7. Identidades Macroeconômicas Básicas

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Identidades

Macroeconômicas

Básicas

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DO PONTO DE VISTA CONTÁBIL não há discórdia sobre a igualdade entre demanda e oferta agregadas, já que tudo que foi produzido foi consumido.

De fato, o Produto Nacional apurado em um período é igual à Despesa

Nacional que foi realizada por meio da Renda Nacional auferida naquele período. Assim, ao final do período contábil, esses valores são idênticos: a

Despesa Nacional é igual ao Produto Nacional, uma vez que o produzido não pode ser vendido sem ser comprado.

No entanto, a procura efetiva não é necessariamente igual ao Produto Nacional: não há razão para acreditar que os consumidores estejam desejosos de adquirir a mesma quantidade que os vendedores queiram vender. Para a contabilidade nacional isso não é problema, pois, como vimos, quando os produtores produzem em excesso, as estatísticas oficiais o consideram como investimento (as empresas compram contabilmente os estoques não vendidos). Assim o Produto Nacional corresponde a tudo que foi produzido e não à totalidade do que tenha efetivamente sido gasto em consumo (famílias), maquinário (empresas), bens internacionais (dos estrangeiros) e bens públicos (governo). Quando ocorre o contrário, o mecanismo de preços é requerido para ajustar a economia.

 

8. Moeda e Bancos

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Moeda e Bancos

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8.1 Moeda a moeda emitida pela Casa da

Moeda e pela sua quantidade cota-se os preços de todos os bens e serviços.

Isso é bem prático e facilita a nossa vida. A moeda serve, em última instância, para liquidar contratos e obrigações à vista ou à prazo. Suas funções tradicionais compreendem, portanto, a sua utilização:

ATUALMENTE ACEITAMOS COMO DINHEIRO

•  �como meio de troca,

•  �como denominador comum e,

•  �como reserva de valor (poder de compra acumulado).

Olhando sob uma perspectiva histórica, as comunidades primitivas prescindiam da moeda. Viviam geralmente isoladas umas das outras e sua produção era coletiva requerendo somente, quando fosse o caso, um sistema de trocas interno fortuito. O homem primitivo não necessitava de moeda para comer, aquecer ou obter moradia. Conforme a divisão do trabalho se especializou, a maior produção aprofundou as relações entre as comunidades, países e indivíduos.

 

9. Exercícios

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Exercícios

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  1.    �POR QUE AS PESSOAS OPTAM POR MANTER uma parte de sua riqueza sob a forma de dinheiro?

  2. �O governo de um país manteve sua dívida pública crescente durante o seu mandato. a. �De onde virá os recursos para o pagamento desta dívida? b. �Relacione motivos que levaram o governo a se endividar? c. �Quem é (são) o(s) credor(es) ? d. �O PIB dessa economia aumentou ou diminuiu com essa política de endividamento (justifique)?

  3. �O governo recompra títulos de dívida pública no valor de R$1000,00.

Os encaixes bancários representam 50% dos depósitos à vista nos bancos comerciais. Estime a expansão nos meios de pagamentos (M1).

 4. �Quais os efeitos esperados nos agregados macroeconômicos: renda, investimentos, poupança, importação, exportação e PIB quando a propensão marginal a consumir de um país diminui drasticamente?

 

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