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O aluno virtual: um guia para trabalhar com estudantes on-line

Autor(es): Palloff, Rena
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1. Quem é o aluno virtual?

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Quem é o aluno virtual?

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á um debate constante no mundo acadêmico sobre quem é levado a estudar on-line. Tem-se como um fato dado que os alunos que estudam on-line são adultos, pois essa espécie de aprendizagem, que se dá em qualquer lugar e a qualquer hora, permite-lhes continuar trabalhando em turno integral sem deixar de também dar atenção à família. O aluno on-line “típico” é geralmente descrito como alguém que tem mais de 25 anos, está empregado, preocupado com o bem-estar social da comunidade, com alguma educação superior em andamento, podendo ser tanto do sexo masculino quanto do feminino (Gilbert,

2001, p. 74). Os alunos on-line poderiam ser alunos de graduação, pós-graduação ou educação continuada pouco convencionais.

Contudo, estatísticas recentes publicadas pelo National Center for

Education Statistics (2002) indicam que o interesse e a matrícula em cursos on-line incluem todas as faixas etárias. Em 31 de dezembro de 1999, 65% das pessoas com menos de 18 anos haviam ingressado em um curso on-line, o que indica a popularidade crescente dos cursos virtuais de ensino médio. Cinqüenta e sete por cento dos alunos universitários considerados tradicionais, com idade entre 19 e 23 anos, também ingressaram em tais cursos. Cinqüenta e seis por cento das pessoas com idade entre 24 e 29 anos matricularam-se, e o índice de pessoas com mais de 30 anos que fizeram o mesmo foi de 63%. As estatísticas confirmam que o número de homens e mulheres é bastante semelhante. Com exceção dos grupos indígenas e dos nativos do Alasca (dos quais apenas 45% ingressaram em cursos on-line), cerca de 60% de pessoas de todas as raças participaram de tais cursos.

 

2. O lado do aluno nas comunidades de aprendizagem on-line

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O lado do aluno nas comunidades de aprendizagem on-line

Wenger (1999) observa que as questões relativas à educação devem ser

abordadas em primeiro lugar com base nas identidades e nos modos de pertencimento, isto é, são os aspectos sociais da educação e a necessidade que o aluno tem de participar de um grupo que são mais importantes. O autor pensa que, depois de atendidas essas importantes questões em um ambiente educacional, o professor poderá passar a tratar das habilidades e da informação. O valor da educação, de acordo com Wenger, está na participação social e no envolvimento ativo com a comunidade; a identidade social conduz a aprendizagem. As comunidades de aprendizagem hoje, on-line ou não, se formam ao redor de questões de identidade e de valores compartilhados (Palloff, 1996).

Não são todos os professores, nem aqueles que pesquisam a aprendizagem on-line, que concordariam com tal avaliação. Com freqüência, quando conhecemos grupos de professores, há sempre uma pessoa que é da opinião de que a comunidade só pode ser construída face a face, e não on-line. Há desacordo sobre o fato de uma turma on-line poder ser considerada uma comunidade e sobre o caráter fundamental ou não da comunidade como componente de um curso on-line.

 

3. Estilos de aprendizagem

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Estilos de aprendizagem

Este tópico propicia muita discussão entre os professores. É comum a preocu-

pação com os estilos de aprendizagem nos cursos on-line. Alguns designers instrucionais argumentam que as atividades devem ser apresentadas sob formatos múltiplos. Quando os professores ouvem isso, entram em pânico e perguntam: “Como é que eu vou ter tempo para criar abordagens múltiplas para a mesma atividade com o tempo limitado de que disponho para o meu curso on-line?”

Não acreditamos que seja necessário criar várias apresentações do mesmo material para os alunos. Em vez disso, se o professor utilizar múltiplas abordagens para o material apresentado em todo o curso on-line, juntamente com vários tipos de tarefas, os diferentes estilos de aprendizagem serão parte do processo de aprendizagem.

Em vez de considerar os estilos de aprendizagem como meios restritivos e estreitos pelos quais os alunos aprendem, é melhor vê-los como uma preferência entre muitas outras. O estilo preferido é como o aluno está propenso a abordar o material que estuda, mas ele também sabe usar outros estilos secundários, que são mais fracos por não serem utilizados com tanta freqüência.

 

4. Gênero, cultura, estilo de vida e geografia

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Gênero, cultura, estilo de vida e geografia

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aprendizagem on-line atrai tanto homens quanto mulheres, pessoas de todas as idades, de todas as culturas e de todos os lugares do mundo. Com freqüência, em nossa experiência de ensino on-line, trabalhamos simultaneamente com alunos que vivem na Ásia, na Europa e em toda a América, do

Norte e do Sul. Porém, embora seja considerado um grande nivelador, o ambiente on-line não transforma todos os alunos em um tipo apenas – em outras palavras, os alunos virtuais são diferentes. Suas necessidades individuais, criadas por cultura, gênero, expectativa de vida, estilo de vida e geografia, requerem a atenção do professor. Neste capítulo, exploraremos as questões envolvidas em todas essas categorias e ofereceremos sugestões para abordá-las na sala de aula on-line.

QUESTÕES CULTURAIS

O uso da internet na aprendizagem e no ensino aumentou a gama de práticas educacionais disponíveis aos professores. Eles podem oferecer instrução de qualidade para alunos distantes, atingir populações que têm pouco acesso a recursos educacionais, responder a diversos estilos e ritmos de aprendizagem pelos quais os alunos aprendem, quebrar barreiras de tempo e espaço e dar acesso a alunos de culturas e línguas diferentes (Joo, 1999). Ainda assim, e apesar de tudo isso, há questões culturais em jogo que podem afetar as aulas on-line. McLoughlin (1999) observa que a tecnologia não é neutra e que, quando a cultura interage com a tecnologia, o resultado pode ser tanto a harmonia quanto a tensão.

 

5. O que o aluno virtual precisa

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O que o aluno virtual precisa

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s cursos on-line não existem isoladamente; são parte de um currículo ou de um programa de treinamento e ministrados, na maior parte das vezes, no campus de uma universidade ou em um ambiente corporativo. Podem também ser parte de um curso totalmente on-line, seja na graduação, na educação continuada, nos programas de treinamento ou ainda em uma universidade virtual. Independentemente do modo pelo qual esses cursos se encaixam na estrutura geral de um programa, são, contudo, geralmente parte de uma instituição maior. Assim, da mesma forma que precisam ter a sensação de estarem em uma comunidade, os alunos virtuais precisam sentir-se conectados

à instituição que patrocina o curso. A conexão dos alunos com a instituição e o que eles precisam nessa instituição são o objeto deste capítulo.

ESTAR CONECTADO À INSTITUIÇÃO: O ELO PERDIDO

Muitos administradores perguntam-se por que o índice de abandono nos cursos on-line dos Estados Unidos chega a 50% dos alunos matriculados (Carr,

 

6. Elaborando uma boa orientação para o estudante

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Elaborando uma boa orientação para o estudante

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a segunda parte do livro, mudaremos um pouco nosso foco para o modo pelo qual podemos abordar os questionamentos e as inquietações do aluno virtual, abandonando um pouco o que vimos na primeira parte, que foram o seu perfil e as suas necessidades. Neste guia para trabalhar com o aluno virtual, a intenção é sugerir técnicas instrucionais e também abordagens institucionais.

Neste capítulo, apresentaremos a importante questão da orientação dos alunos para o curso ou programa on-line.

Os alunos geralmente ingressam em um programa on-line com a expectativa de que os cursos serão mais afinados às suas necessidades do que os cursos presenciais. Isso talvez signifique que os cursos são mais convenientes por causa da distância, do trabalho ou das obrigações familiares. Ou talvez signifique que os alunos não gostem das salas de aula presenciais, esperando que haja maior interação com o professor no ambiente on-line. Independentemente do que leve o aluno para a sala de aula on-line, o fato é que ele pouco sabe das exigências que o ensino on-line apresentará. Pelo fato de os alunos entrarem nos cursos ou programas on-line com expectativas que não estão de acordo com a realidade, algumas instituições agora oferecem cursos on-line para ensinar como aprender on-line, em que explicam não só como usar o hardware e o software, mas também quais são as diferenças entre ensinar e aprender e como ser um aluno eficiente. Outras instituições incorporaram algumas sessões presenciais obrigatórias para apresentar aos alunos uma orientação sobre o programa e os cursos. Qualquer que seja o método, a boa orientação ao aluno traz a mesma hipótese: ampliar ao máximo o potencial educacional tanto para a sala de aula on-line quanto para o aluno on-line. Neste capítulo, revisaremos os elementos de uma boa orientação para o aluno virtual.

 

7. Tempo e comprometimento

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Tempo e comprometimento

Com freqüência, o aluno virtual não se dá conta de quanto tempo é necessá-

rio para participar de um curso on-line e finalizá-lo. Em vez de ser a maneira

“mais fácil e leve”, estima-se que os cursos on-line tomem pelo menos o dobro de tempo do aluno, pela quantidade de leituras e dos procedimentos inerentes a essa espécie de aprendizagem (Palloff e Pratt, 1999; Gilbert, 2001). Assim, a participação em um curso on-line exige um comprometimento real no processo, tanto da parte do aluno quanto da parte do professor. Embora o gerenciamento do tempo deva ser explicado na orientação ao curso ou programa on-line, é bom que os professores revisem o tópico também durante o curso, pois provavelmente os alunos necessitarão de ajuda nesse quesito.

PRINCÍPIOS BÁSICOS DE GERENCIAMENTO DO TEMPO

Os conselhos mais conhecidos quando o assunto é gerenciamento do tempo costumam começar pela atenção que se dispensa aos objetivos. Uma vez estabelecidos os objetivos, as prioridades podem ser listadas e o tempo ser organizado de acordo com elas. Tal abordagem pode ser útil também para o aluno virtual no modo pelo qual planeja as demandas impostas por um curso on-line, além de evitar a sensação de sobrecarga. Aqui estão alguns conselhos para o aluno virtual:

 

8. Avaliação dos alunos e do curso

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Avaliação dos alunos e do curso

Em nosso trabalho com grupos de professores pelos Estados Unidos, constata-

mos que um dos assuntos que causam maior pressão é o que diz respeito à avaliação dos alunos e à avaliação dos cursos. Pelo fato de os cursos on-line basearem-se muito nas discussões ou debates, os professores costumam perguntar-se como avaliar a contribuição de seus alunos. Há também alguma preocupação sobre os cursos on-line serem avaliados da mesma maneira que os presenciais – para os propósitos de desenvolvimento do curso, do programa e da eficácia do professor. Os professores, contudo, observam que os cursos on-line são significativamente diferentes. Assim, a avaliação que fazem dos cursos on-line deve também ser diferente. Neste capítulo, trabalhamos com as questões referentes à avaliação do desempenho do aluno, à avaliação do curso e ao importante tópico do plágio e da “cola”.

ACOMPANHAMENTO DO DESEMPENHO DO ALUNO

De acordo com Morgan e O’Reilly (1999), o propósito da avaliação dispensada ao aluno é dar a ele o apoio e o feedback necessários à ampliação de sua aprendizagem e relatar o que já realizou. Angelo e Cross (1993) afirmam que a maior parte dos professores aspira a avaliar mais do que o conhecimento que os alunos têm do conteúdo ensinado. Em vez disso, “esperam usar a matéria estudada para ensinar os alunos a pensar – isto é, desenvolver habilidades cognitivas mais elevadas: resolver problemas, analisar argumentos, sintetizar informações de diferentes fontes e aplicar o que aprendem a novos e desconhecidos contextos” (p. 106). Como fazer isso eficazmente é a primeira preocupação do professor. Será que os testes devem ser usados? Se não, como avaliar o progresso do aluno? Como atribuir notas às discussões que ocorrem nos fóruns?

 

9. As questões legais e o aluno virtual

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As questões legais e o aluno virtual

Embora muito tenha sido escrito, e continue a ser, sobre as questões da pro-

priedade intelectual e do direito autoral, pouca ou nenhuma atenção tem sido dada a como tais questões afetam o aluno virtual. Quando os alunos participam de um curso on-line, estão, na verdade, criando, em conjunto com seus colegas e o professor, um texto sobre o assunto. Apesar disso, raramente se pede permissão aos alunos para que suas contribuições sejam arquivadas no servidor da universidade. Além disso, os alunos podem fazer contribuições originais ao curso sob a forma de artigos, projetos ou material de referência que podem ser incorporados às revisões futuras do curso. Como dissemos, raramente se pede aos alunos autorização para isso e nem se faz nenhum acerto para compensá-los por sua contribuição – assume-se que isso é uma parte, uma parcela, da participação no curso on-line. Neste capítulo, daremos atenção a essas questões e discutiremos o seguinte:

 

10. Abandono, retenção e tamanho do grupo

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Abandono, retenção e tamanho do grupo

Muitas pessoas que criticam a educação on-line apontam os altos índices de

desistência como uma medida de sua má qualidade. Como mencionamos antes, o abandono nos cursos on-line é de cerca de 50% dos alunos matriculados no país (Carr, 2000). Diaz (2002) indica que as altas taxas de abandono não necessariamente indicam má qualidade ou insucesso acadêmico. Na verdade,

Diaz afirma: “Os alunos on-line com freqüência têm um aproveitamento melhor que os alunos tradicionais quando o sucesso é medido pelo percentual de estudantes que atingem o conceito C ou superior, desempenho geral em sala de aula (por exemplo, acertos nos exames) ou satisfação dos alunos”

(Performance Differences, parágrafo 1). Então por que os alunos on-line desistem de suas aulas em maior número e o que pode ser feito para impedir isso? Neste capítulo, trabalharemos algumas das razões para o abandono em cursos on-line e também algumas medidas para elevar o índice de retenção.

Fechamos com nossa fórmula para a qualidade no curso on-line, pois acreditamos que a qualidade é o fator mais importante para determinar se o aluno continuará no curso até o final.

 

11. Tornar-se verdadeiramente centrado no aluno

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Tornar-se verdadeiramente centrado no aluno

As melhores práticas no ensino on-line

Este livro começou com uma questão. O que, de fato, significa estar centrado

no aluno no ambiente on-line? Como já demonstramos em nossa discussão de todas as questões e inquietações do ensino on-line, há muitas respostas a essa pergunta. Trata-se de uma resposta complexa. Para sermos de fato centrados no aluno, precisamos:

• Entender quem nossos alunos são.

• Entender como eles aprendem.

• Estar cientes das questões que afetam suas vidas e sua aprendizagem, bem como da maneira pela qual trazem tais questões para a sala de aula.

• Entender o que eles precisam para que possamos apoiá-los em sua aprendizagem.

• Entender como ajudá-los em seu desenvolvimento como agentes reflexivos.

• Encontrar uma maneira de envolvê-los na elaboração do curso e na avaliação.

• Respeitar seus direitos como alunos e seu papel no processo de aprendizagem.

• Entender como desenvolver cursos e programas sem deixar de dar atenção a um melhoramento contínuo da qualidade, para que nossos alunos continuem seu processo de aprendizagem e avancem suavemente em direção a suas metas, seus objetivos e seus sonhos.

 

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