Psiquiatria geriátrica

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Esta obra aborda a psiquiatria e os temas relevantes da saúde mental de adultos idosos, contemplando os conhecimentos psiquiátricos aplicados à geriatria, e abordando suas interfaces e interações específicas. O conteúdo é apresentado de forma didática e objetiva, guiando o leitor nas suas decisões na prática clínica diária. O livro é embasado com a melhor e mais atual literatura biomédica, sendo especialmente endereçado ao profissional de saúde ou estudante interessado na assistência ao paciente idoso.
O livro reúne o conhecimento de autores nacionais e de outros países como Estados Unidos, Portugal, Argentina, Nova Zelândia, Inglaterra e Espanha. Os autores colaboradores foram escolhidos cuidadosamente com base na expertise e excelência no assunto confiado aos mesmos, especialmente com vivência comprovada em seus respectivos temas.
A obra é composta de 44 capítulos divididos em 4 partes, que abrangem as principais comorbidades psicogeriátricas, e seus diagnósticos, manejos e tratamentos. Os leitores terão um diferencial importante, pois o conteúdo reúne médicos de diferentes especialidades, como geriatras, psiquiatras e neurologistas, e profissionais de outras especialidades fundamentais para o cuidado multidisciplinar e integrado ao idoso.
O público-alvo são psiquiatras, geriatras, neurologistas, clínicos gerais e residentes em formação nessas áreas. Além disso, médicos de outras especialidades interessados na área, estudantes de medicina, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais de saúde envolvidos nos cuidados desses pacientes também poderão se beneficiar do conteúdo.
Este livro é útil, portanto, para os que desejam aumentar o conhecimento em psiquiatria geriátrica, sendo uma importante ferramenta para a melhor assistência ao paciente.

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1. EPIDEMIOLOGIA DOS TRANSTORNOS MENTAIS AO REDOR DO MUNDO

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EPIDEMIOLOGIA DOS

TRANSTORNOS MENTAIS AO

REDOR DO MUNDO

1

Bernardo de Mattos Viana / Carla Jorge Machado / Erico de Castro Costa

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Em 2015, estimou-se que mais de 900 milhões de idosos viviam em todo o mundo1. Entretanto, o envelhecimento populacional ocorre com diferentes características ao redor do mundo, relacionando-se aos fatores socioeconômicos e culturais, bem como

à disponibilidade de serviços de saúde e de assistência social.

Países de alta renda per capita têm populações proporcionalmente mais velhas devido a um processo de transição demográfica que ocorreu ao longo de todo o século XX. Esse lento e contínuo processo permitiu a adaptação de seus sistemas assistenciais e de saúde ao envelhecimento de seus cidadãos2.

Por outro lado, a maioria da população idosa já vive em países de média e baixa renda, que apresentam um acelerado envelhecimento populacional. No Brasil, a população de idosos tem crescido de forma acelerada, aumentando de 7,2 milhões em 1980 para 19,6 milhões em 2010, e projeta-se que será de 29,2 milhões em 2020 e de 66,5 milhões em 2050, tornando-se a sexta maior população de idosos no mundo3.

 

2. ENVELHECIMENTO: ASPECTOS CLÍNICOS E FISIOLÓGICOS FUNDAMENTAIS

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ENVELHECIMENTO:

ASPECTOS CLÍNICOS

E FISIOLÓGICOS

FUNDAMENTAIS

2

Wilson Jacob Filho / Alexandre Leopold Busse

As projeções demográficas sugerem que as populações de todos os países estão envelhecendo, o que terá amplos efeitos sobre os sistemas sociais, econômicos e de saúde. A população do mundo com 60 anos ou mais tende a aumentar de 841 milhões em 2013, para mais de 2 bilhões em 2050, quando deve superar o número de crianças1.

Essa mudança demográfica apresenta tanto oportunidades quanto desafios. A maioria das pessoas aspira viver uma longa e saudável vida, e os idosos podem proporcionar valiosos recursos econômicos, sociais, culturais e familiares. Além da capacidade potencial para trabalhar, os idosos incorporam grande reserva de capital humano, especialmente em educação e experiência de trabalho. Uma vida inteira de experiências pode torná-los mais adeptos a avaliar e abordar uma grande variedade de situações, além de orientação aos mais jovens. No entanto, o envelhecimento da população também pode ser associado à diminuição da população ativa e à maior demanda de cuidados de saúde, de assistência social e pensões sociais2.

 

3. O CÉREBRO IDOSO: ENVELHECIMENTO NORMAL E ALTERAÇÕES RELEVANTES NA PSIQUIATRIA

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O CÉREBRO IDOSO:

ENVELHECIMENTO NORMAL

E ALTERAÇÕES RELEVANTES

NA PSIQUIATRIA

3

Camila Nascimento / Kátia Cristina de Oliveira / Claudia Kimie Suemoto

ALTERAÇÕES MACROSCÓPICAS NO CÉREBRO DO IDOSO

Durante o envelhecimento normal, o cérebro humano passa por modificações importantes. No entanto, essas modificações do cérebro no idoso são alterações orgânicas decorrentes do processo normal de envelhecimento, mas que não estão associadas à diminuição significativa da funcionalidade e da performance cognitiva. A atrofia cerebral global e em certas regiões específicas são algumas dessas modificações, assim como leve diminuição do parênquima tecidual1.

A atrofia, perda de volume e massa, tem seu início em torno da segunda década de vida. No entanto, a partir dos 40 anos, é verificada uma perda mais significativa1, aumentando após os 70 anos2. No geral, essa perda é global, porém é mais significativa em algumas regiões, como córtex pré-frontal, córtex temporal e hipocampo. Observa-se também a dilatação de sulcos e ventrículos. A dilatação dos sulcos, que os torna mais profundos e alargados, resulta em regiões corticais menores, tornando os giros mais estritos. A causa dessa perda ainda não é muito clara, porém acredita-se que a perda neuronal tenha um papel importante na perda de substância cinzenta. Investiga-se, ainda, se a perda de massa cinzenta está associada às alterações cognitivas no envelhecimento normal. Exemplos disso são a perda de funções executivas e o declínio de habilidades frontais associado ao córtex pré-frontal durante o envelhecimento normal1. Em meados da sexta década de vida, observa-se também o estreitamento do corpo caloso, evidenciando redução de substância branca.

 

4. ALTERAÇÕES PSICOSSOCIAIS NA TERCEIRA IDADE

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ALTERAÇÕES PSICOSSOCIAIS

NA TERCEIRA IDADE

4

Anita Liberalesso Neri

O termo terceira idade foi cunhado nos anos 1960, quando a finalização do processo de envelhecimento populacional, vivido por vários países europeus, gerou a consciência de que era necessário diminuir os custos sociais da improdutividade e da incapacidade dos idosos, mediante o seu engajamento em atividades sociais e de lazer. Raciocinando que não seria fácil convencer pessoas mais velhas a participar se os programas fossem proclamados como “para velhos”, os gestores dos primeiros programas de atividades de lazer para idosos preferiram propagar que eles eram destinados à “terceira idade”. O termo parecia-lhes mais agradável e menos associado à doença e à incapacidade do que “velhice”. “Terceira idade” parecia mais bem-soante e, assim, mais útil para motivar pessoas mais velhas a participar de programas de ocupação do tempo livre, culturais e educacionais. Com o sucesso dos primeiros programas, consolidou-se o uso do termo, que se tornou mais comum nos países de língua latina do que nos país anglófonos.

 

5. COGNIÇÃO DURANTE O ENVELHECIMENTO

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COGNIÇÃO DURANTE O

ENVELHECIMENTO

5

José Roberto Wajman / Mônica Sanches Yassuda

INTRODUÇÃO

Conforme projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2025 o número de idosos no Brasil deverá aumentar em 15 vezes (três vezes mais do que a população geral), em comparação a 1950, fazendo do país a sexta maior nação com pessoas com 60 anos de idade ou mais1. As mudanças a médio e longo prazos nos padrões de morbidade associadas ao envelhecimento de uma determinada população estão relacionadas ao conceito de transição epidemiológica, segundo o qual há redução da mortalidade por causas infecciosas agudas, passando a ter maior peso as causas crônico-degenerativas que podem cursar com alterações cognitivas2.

Ao longo do envelhecimento, mudanças fisiológicas tendem a ser observadas em diferentes níveis, nos mais diversos sistemas, de maneira contínua e com progressão inexorável. Com o avanço da medicina diagnóstica associada à pesquisa e ao aumento de informação disponível acerca dos processos patológicos do envelhecimento surge uma importante questão: o que significa envelhecer do ponto de vista cognitivo?

 

6. EXAME PSIQUIÁTRICO NO PACIENTE IDOSO

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EXAME PSIQUIÁTRICO NO

PACIENTE IDOSO

6

Ivan Aprahamian / Marcus Kiiti Borges / Marina Maria Biella

ASPECTOS FUNDAMENTAIS NA AVALIAÇÃO DO ESTADO

MENTAL

A investigação diagnóstica de sintomas ou transtornos psiquiátricos nos idosos é essencialmente clínica e tem como um dos principais fundamentos a entrevista. A semiotécnica psiquiátrica é o padrão-ouro do diagnóstico de transtornos mentais em idosos. Até o momento, nenhum exame complementar substitui a entrevista clínica. O grande problema é que para isto, necessitamos de tempo. Especialmente ao lidar com idosos, tempo é um fator crucial para uma boa avaliação. O início da consulta apresenta-se como um momento delicado, pois exige do médico paciência e sutileza para se obter as informações necessárias sobre a história pessoal do paciente. Diversos adultos idosos não referem, espontaneamente, seus sintomas num primeiro momento. A relação de confiança com o médico é alcançada de forma mais lenta e trabalhosa. O histórico da doença mental pode ser longo e pouco preciso temporalmente, demandando idas e vindas na história clínica para seu devido entendimento. Déficits visuais ou auditivos podem simular transtornos neurocognitivos, causando dificuldade no entendimento do que possa ser questionado. Alguns idosos devido aos sintomas comportamentais ou psicológicos não se sentem seguros ou confiantes para responder, tanto sozinhos quanto na presença de familiares ou acompanhantes. Muitas vezes, eles sentem-se cansados, não conseguem relatar fatos importantes da sua trajetória de vida ou sobre sua capacidade de realizar suas atividades de vida diária.

 

7. AVALIAÇÃO COGNITIVA

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AVALIAÇÃO COGNITIVA

Alaise Silva Santos de Siqueira / Juliana Emy Yokomizo /

Marina Maria Biella

7

ENVELHECIMENTO COGNITIVO

A transição entre o envelhecimento normal e a demência é sutil e difícil de ser detectada; entretanto, atualmente sabe-se que a deficiência de diversos domínios cognitivos é tipicamente observada vários anos antes do diagnóstico clínico.

A distinção entre o declínio cognitivo normal e o comprometimento cognitivo demanda critérios objetivos, uma vez que o segundo quadro pode necessitar de tratamento. A avaliação cognitiva, também denominada rastreio, é uma prática comum em avaliações geriátricas, psiquiátricas e neurológicas. Sendo

útil na compreensão das alterações cognitivas nos idosos, além de contribuir para o diagnóstico de quadros etiológicos de demências e no planejamento de estratégias terapêuticas.

Sendo a cognição uma habilidade primordial para a manutenção de autonomia e independência de indivíduos idosos, é necessário avaliar se o funcionamento do idoso encontra-se íntegro ou comprometido, permitindo a distinção entre transtornos cognitivos maiores (demências) ou menores (declínio um pouco maior do que o esperado, comprometimento cognitivo leve, entre outros).

 

8. AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA NOS TRANSTORNOS MENTAIS DO IDOSO

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AVALIAÇÃO

NEUROPSICOLÓGICA NOS

TRANSTORNOS MENTAIS

DO IDOSO

8

Juliana Emy Yokomizo / Alaise Silva Santos de Siqueira

A avaliação neuropsicológica (ANP) é um instrumento de auxílio diagnóstico, prognóstico, estabelecimento do perfil cognitivo (forças e fraquezas cognitivas do indivíduo), mensuração de possíveis ganhos após intervenção, acompanhamento de evolução de quadros neurológicos e neuropsiquiátricos com repercussão na cognição, além de contribuir com pesquisas e análises periciais1.

Com a contribuição da ANP em estabelecer a “assinatura cognitiva” de diversos quadros psiquiátricos, sua importância vem sendo mais reconhecida como componente recomendado para a definição de alguns critérios diagnósticos. A quinta edição do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Manual

Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais) (DSM-5) incluiu a testagem neuropsicológica como medida objetiva de prejuízo que caracteriza o Transtorno Neurocognitivo Leve (Comprometimento

 

9. AVALIAÇÃO NEUROCOMPORTAMENTAL E FUNCIONAL EM IDOSOS COM TRANSTORNOS MENTAIS

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AVALIAÇÃO

NEUROCOMPORTAMENTAL E

FUNCIONAL EM IDOSOS COM

TRANSTORNOS MENTAIS

9

Patricia Buchain / Mônica Braúna

ALTERAÇÕES NEUROCOMPORTAMENTAIS: O ESTADO DA

ARTE

O envelhecimento demográfico é uma realidade mundial, ao qual se associam índices de dependência acrescidos pelo aumento das situações de polimorbidade, com particular incidência para os distúrbios neuropsiquiátricos. Esse fenômeno, preocupante mundialmente, está em maior expansão nos países em desenvolvimento − nos quais o Brasil se inclui − projetando-se que aumente mais de 250% entre 2010 e

2050, na quinta maior população do planeta, abaixo apenas da Índia, China, Estados Unidos e Indonésia1.

Sendo a Europa uma das áreas geográficas associadas tradicionalmente às estruturas socioeconômicas mais desenvolvidas, é expectável assistir a uma tendência futura para a estabilização do envelhecimento populacional.

Embora a velhice não seja sinônimo de doenças, o envelhecimento pode resultar na presença de múltiplas doenças, prejuízos e incapacidades com consequente deterioração na saúde dos idosos, sejam nos aspectos físicos e/ou mentais. Os distúrbios neuropsiquiátricos representam um grande risco para a perda da autonomia física, psíquica ou intelectual que, em sua maioria, exigem maior assistência formal ou informal, a fim de se realizar os atos correntes da vida cotidiana2. Ainda que existam diferenças entre países, a idade de 75 anos parece constituir um primeiro patamar de risco para ocorrência da deterioração física e mental, a qual tende a agravar para as idades próximas dos 85 anos. Destacam-se as patologias de foro mental, nomeadamente as demências e, em particular, a doença de Alzheimer (DA), as que traduzem em maior nível de dependência funcional condicionando fortemente a vida da pessoa idosa e do seu cuidador.

 

10. ESCALAS E INSTRUMENTOS DIAGNÓSTICOS EM PSIQUIATRIA GERIÁTRICA

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ESCALAS E INSTRUMENTOS

DIAGNÓSTICOS EM

PSIQUIATRIA GERIÁTRICA

10

Carlos Eduardo Borges Marra / Tânia Corrêa de Toledo Ferraz Alves

INTRODUÇÃO

“Medicina é a arte da incerteza e a ciência da probabilidade”. Essa citação, atribuída ao médico canadense

Willian Osler (1849-1919), permanece ainda atual. No entanto, o desenvolvimento científico-tecnológico permitiu que revoluções ocorressem na medicina e contribuiu para ampliar os conhecimentos sobre os processos patológicos. A população idosa faz parte do grupo etário que mais cresce em todo o mundo, em especial no Brasil e nos países em desenvolvimento. Com o envelhecimento da população, aumenta-se a ocorrência das doenças mais prevalentes nessa faixa etária, estando a doença de Alzheimer e os transtornos depressivos como uns dos principais agravos à saúde do idoso. Aumenta-se, também, a necessidade de um maior número de profissionais capacitados para o atendimento de idosos, sobretudo com conhecimento de neuropsiquiatria. A correta triagem e o correto diagnóstico dos principais problemas neuropsiquiátricos de forma precoce podem reduzir a morbimortalidade desses pacientes e aumentar a qualidade de vida (não só deles, mas de seus familiares). Assim, a investigação das doenças mentais pode ser auxiliada por instrumentos de precisão diagnóstica (e prognóstica), desenvolvidos nos últimos anos: as escalas psicométricas para doenças mentais.

 

11. PROPEDÊUTICA COMPLEMENTAR EM PSIQUIATRIA DO IDOSO: EXAMES LABORATORIAIS E OUTROS

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PROPEDÊUTICA COMPLEMENTAR

EM PSIQUIATRIA DO IDOSO:

EXAMES LABORATORIAIS

E OUTROS

11

Suelen Arcanjo / Menila Neves / Marina Maria Biella

Uma abordagem inicial sistemática da saúde física em paciente com sintomas psiquiátricos tem sido valorizada, levando a realizar uma avaliação clínica global do paciente idoso. Além da história médica e psiquiátrica, exames do estado mental e físico completos, devem-se incluir exames de imagem (explorado em outro capítulo), laboratoriais e outros subsidiários quando indicados (por exemplo, polissonografia, eletroencefalograma e eletrocardiograma). A avaliação do estado de saúde geral possibilita rastrear doenças sistêmicas como desencadeadoras de um quadro psiquiátrico ou, até mesmo, como agravantes de diagnósticos prévios. Os sintomas psiquiátricos também podem representar a primeira manifestação de doença orgânica neurológica, infecciosa, inflamatória ou endocrinometabólica (Quadro 11.1). Além disso, os medicamentos psicotrópicos estão frequentemente associados aos agravos à saúde, como síndrome metabólica, hiperprolactinemia e obesidade1.

 

12. NEUROIMAGEM BÁSICA EM PSIQUIATRIA GERIÁTRICA

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NEUROIMAGEM BÁSICA EM

PSIQUIATRIA GERIÁTRICA

Anna Laura Di Carvalho Gedda / Pedro Gomes Penteado Rosa /

Pedro Kallas Curiati

12

INTRODUÇÃO

O uso da tomografia computadorizada (TC) na prática médica, com início na década de 1970, permitiu pela primeira vez a visualização da anatomia cerebral in vivo (antes disso se usava a pneumoencefalografia) e a análise de lesões estruturais que pudessem explicar sintomas clínicos, com aplicação no diagnóstico diferencial. Posteriormente, outras modalidades de imagem, como ressonância magnética (RM), tomografia por emissão de pósitrons (PET), tomografia computadorizada por emissão de fóton único

(SPECT), dentre outras, permitiram uma melhor análise dos processos fisiopatológicos das doenças1.

A aplicação mais conhecida e mais estudada dos biomarcadores em neuroimagem ocorre nas doenças neurodegenerativas, especialmente aquelas manifestas por síndrome demencial. Por outro lado, a sua utilidade ainda é pouco conhecida em distúrbios de humor, como depressão, transtornos ansiosos e psicoses2. A neuroimagem pode ser uma importante ferramenta diagnóstica em casos de doenças neurogenerativas com dúvida quanto a etiologia, apresentação atípica ou mesmo sobreposição de diferentes processos patológicos3. Existem cenários nos quais exames de imagem também devem ser considerados em transtornos psiquiátricos com base em recomendações e evidências específicas2,4 (Quadro 12.1).

 

13. DELIRIUM

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DELIRIUM

Cândida Coelho / Elisabete Albuquerque / Joaquim Cerejeira

13

O delirium corresponde a um estado de disfunção cerebral aguda e reversível que ocorre no decurso de uma patologia médica (por exemplo, infeção) ou da exposição a fármacos/substâncias. Manifesta-se por alteração do estado de consciência, déficit de atenção, disfunção cognitiva global e alterações comportamentais.

Esta síndrome afeta, sobretudo, pessoas mais velhas com patologia médica aguda em ambiente hospitalar e agrava, significativamente, o prognóstico a curto e longo prazos. O reconhecimento atempado e o tratamento adequados têm implicações importantes na morbimortalidade do doente. Todavia, continua a ser um desafio na prática clínica corrente.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO CONCEITO

As primeiras descrições de quadros de delirium remontam a Hipócrates, no século IV a.C., embora o termo tenha sido introduzido por Celsius séculos depois, como sinônimo de loucura em geral (delirium deriva do latim de + lira, que significa lavrar fora do sulco), nas suas cinco formas: frenite, letargia, histeria, melancolia e mania. A frenite era descrita como um transtorno mental agudo, usualmente associado aos estados febris, com alterações cognitivas, comportamentais, do ciclo sono-vigília e agitação psicomotora.

 

14. DEMÊNCIA

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DEMÊNCIA

Joaquim Cerejeira / Katharina Reichelt / Elizabeta Mukaetova-Ladinska

14

INTRODUÇÃO E CONCEITOS GERAIS

Demência designa um grupo de transtornos heterogêneos que afeta o encéfalo e se manifesta por meio de comprometimento sustentado da função cognitiva, sendo grave o suficiente para afetar a capacidade do indivíduo para realizar as atividades habituais de vida diária. Como a prevalência da demência aumenta exponencialmente com a idade (5% quando são considerados indivíduos ≥ 65 anos e até 20% naqueles com 80 anos ou mais), a expectativa é que o número de casos aumente devido às constantes mudanças demográficas. Porém, a prevalência da demência pode estar declinando em alguns países e o número de pessoas afetadas pode se estabilizar, apesar do envelhecimento da população1. A doença de Alzheimer

(DA) responde por 60 a 70% dos casos, enquanto a doença cerebrovascular representa 20 a 30%. Outros tipos incluem a demência por corpúsculos de Lewy, demência frontotemporal e demência da doença de

 

15. TRANSTORNO NEUROCOGNITIVO MENOR (COMPROMETIMENTO COGNITIVO LEVE)

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TRANSTORNO

NEUROCOGNITIVO MENOR

(COMPROMETIMENTO

COGNITIVO LEVE)

15

Adalberto Studart Neto / Sônia Maria Dozzi Brucki

CONCEITOS

A senescência comumente carrega consigo um declínio em algumas funções cognitivas, como na velocidade de processamento e nas memórias operacional e episódica, enquanto outros domínios cognitivos, como conhecimento geral e vocabulário, podem permanecer estáveis ou até melhorarem1. Tal declínio decorre de mudanças estruturais cerebrais associadas ao envelhecimento, como diminuição de peso e volume. As alterações neurobiológicas da idade podem ocorrer em diversos níveis: perdas em sistemas

(como o sistema colinérgico), perdas neuronais, diminuição de sinapses e mecanismos moleculares e celulares (apoptose, danos secundários aos radicais livres, mudanças proteicas)2. Todavia, na maioria dos indivíduos, esse declínio é insuficiente para determinar prejuízo nas atividades de vida diária. Por outro lado, quando o declínio cognitivo leva ao comprometimento na sua independência funcional, temos uma demência, condição patológica associada às diversas etiologias (mais comumente processos neurodegenerativos)3,4.

 

16. SÍNDROMES NEUROPSIQUIÁTRICAS RELACIONADAS ÀS DEMÊNCIAS

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SÍNDROMES

NEUROPSIQUIÁTRICAS

RELACIONADAS ÀS

DEMÊNCIAS

16

Ricardo Barcelos Ferreira / Luan Gramelich Pogian /

Carlos Eduardo de Oliveira Alves

1 INTRODUÇÃO

Demência é uma síndrome frequente em idosos e um crescente problema de saúde pública, devido, entre outros fatores, ao aumento da longevidade e ao consequente aumento em sua prevalência. É caracterizada pelo comprometimento de múltiplas funções cognitivas, mas sem apresentar alteração do nível da consciência. As funções cognitivas que podem ser afetadas na demência incluem, principalmente, aprendizagem e memória, linguagem, solução de problemas, orientação, percepção, atenção e concentração, julgamento e habilidades sociais. Adicionalmente, o quadro é caracterizado por comprometimento funcional importante associado às alterações do comportamento1. Apesar de terem sido originalmente conhecidas como sintomas comportamentais e psicológicos das demências2, essas alterações do comportamento serão aqui nomeadas síndromes neuropsiquiátricas relacionadas às demências, para fins de melhor entendimento.

 

17. DEPRESSÃO MAIOR EPERSISTENTE

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DEPRESSÃO MAIOR E

PERSISTENTE

17

Eduardo Cesar / Glenda Guerra Haddad / Salma Rose Imanari Ribeiz

INTRODUÇÃO

A descrição de sintomas depressivos data da medicina antiga, uma vez que, por volta de 400 a.C.,

Hipócrates usou o termo melancolia (do grego bile negra) para descrever transtornos mentais. O primeiro texto em inglês totalmente dedicado à depressão foi Anatomia da melancolia, de Robert Burton, de

1621. Entretanto, por muito tempo, essa condição foi entendida apenas como uma parte da psicose maníaco-depressiva, ou seja, dentro das manifestações do transtorno bipolar. Apenas nas últimas décadas, a depressão vem sendo estudada e reconhecida como entidade única1.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que a depressão já é a principal causa de problemas de saúde e incapacidade no mundo, com aumento de 18% entre 2005 e 2015. Ao redor do mundo, mais de 300 milhões de pessoas sofrem com tal doença, o que contrasta com os investimentos em saúde mental, pois os recursos destinados a essa área variam de 5% de todos os gastos em saúde de países de alta renda a até menos de 1% em países em desenvolvimento.

 

18. DEPRESSÃO SUBSINDRÔMICA

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DEPRESSÃO

SUBSINDRÔMICA

18

Marina Maria Biella / Ivan Aprahamian / Marcus Kiiti Borges

INTRODUÇÃO

Termos como “subclínico”, “sublimiar” e “subsindrômico” são amplamente utilizados na medicina para denominar os indivíduos que estão no processo inicial de uma doença ou que perfazem alguns dos critérios diagnósticos de determinada doença, sem completá-los naquele momento. Essa fase, pode ser chamada também de prodrômica, e antecede o processo da doença estabelecida. Tal reconhecimento permite não só identificar populações de alto risco, como também realizar intervenções preventivas ou até mesmo curativas. Entretanto, quando se trata da denominada depressão subsindrômica (DSS), a psiquiatria diverge quanto às definições e às classificações aplicadas ao termo. De fato, a atual nosologia psiquiátrica, em parte, é responsável por essa pluralidade, considerando-se que os sistemas de classificação em psiquiatria são fortemente baseados em descrições subjetivas dos sintomas e na análise do fenômeno.

 

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