Os progressos da metafísica

Autor(es): Immanuel Kant
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Kant aborda aqui, com concisão, o difícil problema do progresso da metafísica. Critica, em especial, a posição racionalista de Leibniz e, simultaneamente, delineia os resultados a que chegara com a sua "Crítica da Razão Pura". Trata-se de um balanço filosófico, incompleto, sim, mas estimulante.

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Advertência do tradutor

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Advertência do tradutorA ocasião para Kant escrever o presente opúsculo foi o concurso aberto pela Academia Real das Ciências de Berlim, em janeiro de 1788, a propósito desta pergunta (originalmente formulada em francês): «Quais são os progressos reais da metafísica na Alemanha desde a época deLeibniz e de Wolff?» Como até ao expirar do prazo (1791) tivesse sido entregue apenas uma resposta, foi ele novamente prorrogado até junho de 1795. Receberam-se então umas trinta memórias e foram premiadas as de Schwab, Reinhold e Abitch, que foram ulteriormente publicadas.Kant iniciou a sua resposta possivelmente no começo de 1793, mas nunca chegou a terminá-la e dela restam-nos apenas projetos soltos e todos com a marca do inacabado. Também não sabemos qual a sua intenção ao encetar uma réplica à questão da Academia; talvez divisasse nestaúltima a altura de pôr frente a frente a sua filosofia crítica, a filosofia dogmática e a ontologia tradicional, na linha de Wolff. Assim, apenas nos ficaram os disjecta membra de uma obra que nunca o chegou a ser, mas onde, não obstante o seu estado fragmentário, lampejam os profundos vislumbres sobre o conhecimento humano, a reiterada afirmação da nossa finitude e o realce do alcance da nossa ação prática.

 

Prefácio

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Primeiro ManuscritoPrefácio/7 A Academia Real das Ciências pede que se enumerem os progressos de uma parte da filosofia, numa parte da Europa erudita e também para uma parte do século presente.Parece ser uma tarefa de fácil solução, pois diz apenas respeito à história; e assim como os progressos da astronomia e da química, enquanto ciências empíricas, já encontraram os seus historiadores, e tal como os da análise matemática ou da pura mecânica, que se fizeram no mesmo país e na mesma época, também depressa (se se quiser) encontrarão os seus, parece, portanto, haver pouca dificuldade relativamente à ciência de que aqui se fala./8 Mas esta ciência é a metafísica – o que altera totalmente a questão. É um mar sem margens no qual o progresso não deixa vestígio algum e cujo horizonte não encerra nenhuma meta visível pela qual seja possível perceber até que ponto dela nos aproximamos. – Em vista desta ciência, que quase sempre existiu apenas na Ideia (1), a tarefa proposta é muito árdua

 

TRATADO

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/22 TratadoA solução do problema em causa pode apresentar-se em duas secções: uma propõe o elemento formal do procedimento da razão, enquanto é uma ciência teorética; a outra deriva deste procedimento o elemento material – o fim último, que a razão visa com a metafísica, quer ele seja ou não alcançado.A primeira parte apresentará apenas os passos que recentemente se deram em direção à metafísica; a segunda, o próprio progresso da metafísica no campo da razão pura. A primeira contém o novo estado da filosofia transcendental; a segunda, o da metafísica propriamente dita./ A 22

 

Primeira secção. História da filosofia transcendental na nossa época

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/23 Primeira SecçãoHistória da Filosofia Transcendental na nossa épocaO primeiro passo, que teve lugar nesta investigação da razão, foi a distinção entre os juízos analíticos e sintéticos em geral(16).– Se ela tivesse sido claramente conhecida nos tempos de Leibniz e de Wolff, encontraríamos esta distinção não só mencionada em qualquer Lógica ou Metafísica desde então publicada, mas também sublinhada como importante. Com efeito, o juízo do primeiro tipo é sempre um juízo a priori e conexo com a consciência da sua necessidade. O segundo pode ser empírico e a lógica / 24 não pode indicar a condição sob a qual teria lugar um juízo sintético a priori.O segundo passo consiste em unicamente se ter lançado a questão: como são possíveis juízos sintéticos a priori? Que eles existem, provam-no numerosos exemplos da ciência geral da natureza, e sobretudo da matemática pura. Hume tem já o mérito de aduzir um caso, a saber, o da lei da causalidade, pelo qual(16)  Sobre a distinção entre juízos analíticos e sintéticos, cf. infra Suplemento I, A 155 e ss., CRP, Anal. dos Pr., Cap. 2, B 187-202 e Prolegómenos, par. 2-5./ A 23, 24

 

Dos conceitos a priori

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26IMMANUEL KANTpois o Eu sensível é determinado pelo Eu intelectual para a receção da mesma na consciência.Toda a observação psicológica interna, por nós empreendida, nos pode servir de prova e exemplo de que isso é assim, pois se exige que, pela atenção, afetemos o sentido interno – o que, em parte, pode ir até ao grau da fadiga (os pensamentos, enquanto determinações efetivas da faculdade representativa, pertencem também à representação empírica do nosso estado) para termos primeiramente na intuição de nós mesmos um /38 conhecimento do que nos apresenta o sentido interno, conhecimento que, em seguida, unicamente nos representa a nós como nos aparecemos, ao passo que o Eu lógico revela o sujeito tal como é em si, numa consciência pura, não como recetividade, mas como pura espontaneidade, sendo, porém, incapaz de conhecer a sua natureza.Dos conceitos a prioriA forma subjetiva da sensibilidade, se se aplicar, como tal deve acontecer, segundo a teoria dos seus objetos enquanto fenómenos, a objetos (Objekte) enquanto suas formas, suscita na sua determinação uma representação que dela é inseparável, a saber, a do composto. Com efeito, não nos podemos representar num determinado espaço senão ao traçá-lo, isto

 

Da extensão do uso teorético-dogmático da razão pura

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/45 Primeira SecçãoDa extensão do uso teorético-dogmático da razão puraO conteúdo desta secção é a proposição: o âmbito do conhecimento teórico da razão pura não se estende além dos objetos dos sentidos.Nesta proposição, considerada como juízo exponível, estão contidas duas proposições:1) a razão, enquanto faculdade do conhecimento das coisas a priori estende-se aos objetos dos sentidos;2) no seu uso teorético, é capaz de [produzir] conceitos, mas nunca um /46 conhecimento teorético do que não pode ser objeto dos sentidos.À prova da primeira proposição pertence também o exame de como é possível um conhecimento a priori de objetos dos sentidos, porque, sem isso, não podemos estar certos de se os juízos acerca de tais objetos são efetivamente conhecimentos; mas, no tocante à sua propriedade de serem juízos a priori, ela anuncia-se a si mesma mediante a consciência da sua necessidade.Para que uma representação seja conhecimento (entendo aqui sempre um conhecimento teórico), é preciso que o conceito e a/ A 45, 46

 

De como proporcionar realidade objetiva aos puros conceitos do entendimento e da razão

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OS PROGRESSOS DA METAFÍSICA39também o que o enche, o corpo, não consta absolutamente de partes simples; no entanto, se quiséssemos para nós tornar compreensível, por simples conceitos, a possibilidade do corpo, deveríamos, sem dúvida, começando pelas partes e daí ascendendo ao composto, pôr na base o simples, tornando-se por fim forçoso admitir que a intuição (tal como a representação do espaço) e o conceito constituem, segundo a espécie, modos de representação totalmente diversos, e que a primeira não pode transformar-se no último mediante a simples dissipação da confusão da representação /62. – O mesmo se diga também a propósito da representação do tempo!De como proporcionar realidade objetiva aos puros conceitos do entendimento e da razãoRepresentar um puro conceito do entendimento como pensável num objeto de experiência possível significa conferir-lhe realidade objetiva e, em geral, apresentá-lo (darstellen). Quando isso não se pode levar a cabo, o conceito é vazio, isto é, não chega a nenhum conhecimento. Esta operação chama-se esquematismo, quando a realidade objetiva é diretamente (directe) atribuída ao conceito por meio da intuição a ele correspondente, isto é, quando o conceito é apresentado imediatamente; se, porém, não puder ser apresentado de modo imediato, mas só nas suas consequências (indirecte), a operação pode chamar-se a simbolização do conceito(33). O primeiro caso ocorre nos conceitos do sensível; o segundo é um recurso de emergência para /63 conceitos do suprassensível, que, portanto, não podem ser genuinamente apresentados, nem dados em nenhuma experiência possível, mas pertencem necessariamente a um conhecimento, ainda que seja possível só como [conhecimento] prático.

 

Da falácia de tentar garantir realidade objetiva aos conceitos do entendimento, prescindindo da sensibilidade

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40IMMANUEL KANTa relação a certas consequências idênticas àquela que o objeto tem em si mesmo com as suas próprias consequências, embora os objetos sejam de espécie inteiramente diversa, por exemplo, ao representar-me certos produtos da natureza, como as coisas organizadas, animais ou plantas, em relação à sua causa, como represento um relógio em relação ao homem, enquanto criador, a saber, a relação de causalidade, enquanto categoria, é a mesma nos dois casos, mas o sujeito desta relação permanece para mim desconhecido na sua constituição interna /64 ; portanto, só ele me pode ser apresentado, não, porém, a última.Deste modo, não posso ter verdadeiramente nenhum conhecimento teórico do suprassensível, isto é, de Deus, mas, apesar de tudo, posso ter um conhecimento por analogia, e, sem dúvida, a que à razão necessário é pensar; estão-lhe subjacentes as categorias, porque pertencem necessariamente à forma do pensamento, esteja ele dirigido para o sensível ou para o suprassensível, apesar de, e precisamente em virtude de, por si mesmas, não determinarem nenhum objeto e não constituírem nenhum conhecimento.

 

Segunda secção. Do que se conseguiu, desde a época de Leibniz e de Wolff, em relação ao objeto da metafísica, isto é, do seu fim último

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/66 Segunda SecçãoDo que se conseguiu, desde a época de Leibniz e de Wolff, em relação ao objeto da metafísica, isto é, do seu fim últimoNeste período, podem repartir-se os progressos da metafísica por três estádios: o primeiro é o do avanço teórico e dogmático; o segundo, o da paragem cética; o terceiro, o da efetivação prático-dogmática do seu caminho e da consecução pela metafísica do seu fim último(*). O primeiro decorre simplesmente no interior das fronteiras da /67 ontologia; o segundo, dentro dos [limites] da cosmologia transcendental ou pura, que, enquanto doutrina da natureza, isto é, cosmologia aplicada, também considera a metafísica da natureza corporal e a da natureza pensante, aquela como objeto dos sentidos externos, esta como objeto do sentido interno (physica et psychologia rationalis), segundo o que nelas é cognoscível a priori. O terceiro estádio é o da teologia, com todos os conhecimentos a priori que aí conduzem e a tornam necessária. Omite-se aqui, com razão, uma psicologia empírica que, segundo o uso universitário, se imiscui episodicamente na metafísica.

 

Primeiro estádio da metafísica no tempo e no país designados

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44IMMANUEL KANT/68 Primeiro estádio da metafísica no tempo e no país designadosO que concerne à análise dos puros conceitos de entendimento e dos princípios a priori utilizados para o conhecimento da experiência constitui a ontologia; não pode negar-se aos dois filósofos nomeados, sobretudo ao ilustre Wolff, o grande mérito de terem exercido maior clareza, precisão e esforço pela solidez demonstrativa do que alguma vez acontecera antes, ou fora daAlemanha, no domínio da metafísica. Mesmo sem denunciar a falta de /69 acabamento, visto que nenhuma crítica estabelecera um quadro das categorias segundo um princípio firme, a carência de toda a intuição a priori, que não era reconhecida como princípio e que Leibniz, pelo contrário, intelectualizara, isto é, transformara em simples conceitos confusos, foi, no entanto, a causa de ele considerar impossível o que não podia representar por simples conceitos do entendimento, e de estabelecer princípios que violentam o bom senso e não possuem solidez.

 

Segundo estádio da metafísica

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[Segundo Manuscrito]/82 Segundo Estádio da MetafísicaNo primeiro estádio da metafísica, que se pode chamar o da ontologia, porque ensina não a investigar o essencial dos nossos conceitos das coisas mediante a análise das suas características– o que é a tarefa da lógica – , mas de que modo e que conceitos a priori formamos nós das coisas, para neles subsumir o que nos pode ser dado na intuição em geral, o que, por sua vez, de nenhuma outra maneira podia acontecer senão enquanto a forma da intuição a priori nos torna esses objetos (Objekte) cognoscíveis /83 no espaço e no tempo simplesmente como fenómenos, não como coisas em si – nesse estádio, pois, a razão vê-se provocada a um progresso incessante em direção ao incondicionado, numa série de condições reciprocamente subordinadas, que, sem fim, de novo estão condicionadas, porque cada espaço e cada tempo nunca pode ser representado de outro modo a não ser como parte de um dado espaço ou tempo ainda maior, em que se devem, no entanto, procurar as condições do que nos é dado em cada intuição para alcançar o incondicionado.

 

Terceiro estádio da metafísica

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58IMMANUEL KANTA possibilidade de um tal progresso da razão com as ideias dinâmicas funda-se no facto de que nelas a composição da conexão própria do efeito com /98 a sua causa, ou do contingente com o necessário, não pode ser uma ligação do homogéneo, como na síntese matemática, mas princípio e consequência, a condição e o condicionado, podem ser de espécie diferente e, deste modo, no progresso do condicionado para a condição, do sensível para o suprassensível, enquanto condição suprema, pode ter lugar uma ultrapassagem (Überschtritt) segundo princípios.As duas antinomias dinâmicas dizem menos do que se exige para a oposição, por exemplo, como as duas proposições particulares. Pelo que podem ambas ser verdadeiras.Nas antinomias dinâmicas, pode assumir-se como condição algo de não-homogéneo. – Tem-se aí então algo com que se pode conhecer o suprassensível (Deus, para onde acena verdadeiramente o fim), porque uma lei da liberdade é dada como suprassensível.

 

Solução ao problema académico

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/109 Solução do Problema AcadémicoI. Que progressos pode a metafísica fazer relativamente ao suprassensível?Pela crítica da razão pura provou-se suficientemente que, para além dos objetos dos sentidos, não pode haver absolutamente nenhum conhecimento teórico e, porque neste caso tudo devia ser conhecido a priori mediante conceitos, também nenhum conhecimento teórico-dogmático; e pela simples razão de que a todos os conceitos deve poder subjazer uma intuição para assim lhes proporcionar realidade objetiva; ora, toda a nossa intuição é sensível. Por outras palavras: da /110 natureza de objetos suprassensíveis, de Deus, da nossa própria faculdade de liberdade e da nossa alma (separada do corpo), nada podemos conhecer que diga respeito às consequências e aos efeitos deste princípio interno de tudo o que pertence à existência dessas coisas, e por cujo intermédio possam para nós ser, mesmo que só minimamente, explicáveis os seus fenómenos, e cognoscível o seu princípio, o próprio objeto

 

Apêndice para uma sinopse do todo

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80IMMANUEL KANTPor conseguinte, a metafísica é unicamente a Ideia de uma ciência como sistema, que pode e deve construir-se após a realização plena da crítica da razão pura, de que já se têm presentemente os materiais e o plano de construção: um todo que, semelhante /150 à lógica pura, não necessita nem é passível de nenhum acrescentamento; deve também ser incessantemente habitado e mantido em bom estado, a fim de que as aranhas e os silvanos, os quais jamais deixarão de aqui procurar lugar e fazer ninho, o tornem inabitável para a razão.Este edifício também não é espaçoso; mas, em vista da elegância, que consiste justamente na sua precisão, sem prejuízo da claridade, seria necessária a união dos esforços e do juízo de diversos artistas para lhe darem uma configuração eterna e imutável; assim ficaria inteiramente solucionada a questão daAcademia real de não só recensear os progressos da metafísica, mas também de avaliar o estádio percorrido na nova época crítica.

 

Suplementos:

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/153 SUPLEMENTOS/ A 153[Terceiro Manuscrito]/155 I.  Início deste escrito segundo o terceiro manuscritoINTRODUÇÃOO problema da Academia Real das Ciências contém implicitamente em si duas questões:1. Se a metafísica, desde sempre até à época imediatamente posterior à de Leibniz e Wolff, deu em geral um só passo no que constitui o seu objetivo próprio e a razão da sua existência; pois, só quando tal aconteceu é que se podem inquirir os progressos ulteriores, que ela poderia ter realizado após um certo tempo.2. /156 A segunda questão é se os pretensos progressos da mesma são reais.O que se designa metafísica (abstenho-me de dela apresentar uma definição determinada) teve, sem dúvida, seja em queépoca for, de estar na posse de alguma coisa, visto que para ela se encontrou um nome. Mas é apenas acerca dessa posse, que se tinha em vista ao instaurá-la, que constitui assim o seu objetivo, e não acerca da posse dos meios que se congregaram para a sua consecução, que agora se exige prestar contas, quando a

 

Tratado

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/171 TratadoA metafísica caracteriza-se de modo inteiramente particular entre todas as ciências por ser a única que se pode expor integralmente e assim, à posteridade, nada mais resta para lhe acrescentar e a alargar quanto ao seu conteúdo; e porque, se da sua ideia não resulta ao mesmo tempo sistematicamente o todo absoluto, o conceito que dela se faz pode considerar-se como não corretamente apreendido. A razão para tal reside no facto de a sua possibilidade pressupor uma crítica da pura faculdade de razão na sua totalidade, onde se pode examinar até à exaustão o que esta faculdade consegue realizar a priori em relação aos objetos da experiência possível /172 ou, o queé a mesma coisa (como se mostrará a seguir), relativamente aos princípios a priori da possibilidade de uma experiência em geral, por conseguinte, para o conhecimento do sensível; no tocante ao suprassensível, porém, o que a metafísica, forçada pela simples natureza da razão pura, talvez apenas inquira, mas talvez seja capaz também de conhecer, pode e deve ser indicado exatamente pela constituição e unidade desta pura faculdade de conhecer. Daí e do facto de mediante a ideia de uma metafísica se determinar ao mesmo tempo a priori tudo o que nela se pode e deve encontrar, e que constitui todo o seu conteúdo possível, segue-se que é agora possível avaliar como/ A 171, 172

 

Primeira secção. Do problema geral da razão que a si mesma se submete a uma crítica

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Primeira SecçãoDo problema geral da razão que a si mesma se submete a uma críticaEste problema está contido na questão: como são possíveis os juízos sintéticos a priori?Os juízos são analíticos quando o seu predicado representa /175 claramente (explicite) apenas o que estava pensado no conceito do sujeito, se bem que de modo obscuro (implicite). Por exemplo, todo o corpo é extenso. Se a tais juízos se quisesse chamar idênticos, apenas se suscitaria a confusão, pois, semelhantes juízos em nada contribuem para a clareza do conceito – clareza que, não obstante, constitui o fito de todo o juízo – e, por isso, se denominam vazios; por exemplo, todo o corpo é um ser corporal (por outras palavras, material). Os juízos analíticos fundam-se certamente na identidade e podem a ela reconduzir-se, mas não são idênticos, porque carecem de análise e assim se prestam à elucidação do conceito; em contrapartida, mediante os idênticos, explicar-se-ia o mesmo pelo mesmo (idem per idem), pelo que não haveria qualquer elucidação.

 

Segunda secção. Determinação da tarefa proposta relativamenteàs faculdades de conhecer, que em nós constituem a razão pura

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/181 Segunda SecçãoDeterminação da tarefa proposta relativamente às faculdades de conhecer, que em nós constituem a razão puraSó assim é que o problema anterior se deixa resolver: importa primeiro considerá-lo na sua relação com as faculdades do homem, pelas quais ele é capaz de estender o seu conhecimento a priori e que nele constituem o que especificamente se pode chamar a sua razão pura. Se por razão pura de um ser em geral se entende a faculdade de conhecer coisas independentemente da experiência, por conseguinte, das representações sensíveis, nem por isso se determina de que /182 modo, em geral,é neste ser (por exemplo, em Deus ou num espírito superior) possível um tal conhecimento; e o problema permanece então indeterminado.Pelo contrário, no tocante ao homem, todo o seu conhecimento consta de conceito e de intuição. Cada um dos doisé, sem dúvida, representação, mas não ainda conhecimento.Representar-se algo mediante conceitos, isto é, no geral, chama-se pensar, e a faculdade de pensar tem o nome de entendimento.

 

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