Antropologia - Uma Introdução

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Antropologia cultural brasileira e sua diversidade. Marina de Andrade Marconi e Zelia Maria Neves Presotto apresentam as três mais importantes correntes atuais da área: Antropologia da globalização, Antropologia das redes sociais e Antropologia feminista._x000D_
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Com uma cobertura abrangente dos principais conceitos, origens e desenvolvimento da disciplina, Antropologia – Uma Introdução traz o conteúdo essencial para a compreensão da rica diversidade sociopolítica e cultural brasileira e da evolução da humanidade em suas dimensões até os dias de hoje._x000D_
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Por que ler Antropologia - Uma Introdução?_x000D_
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Não há dúvidas de que a cultura e as pessoas estejam em movimento permanente e constante mudança. Dessa maneira, as estruturas sociais se estendem no espaço de tal forma que, a partir de apenas um ponto de vista local, obtém-se somente uma imagem incompleta do cotidiano das pessoas._x000D_
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Uma das consequências desse processo é que a cultura, as relações sociais e as instituições se alteram profundamente com o surgimento de novas formas de comunicação que estão vinculadas às tecnologias digitais._x000D_
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Sendo assim, além de analisar os temas mais comuns atualmente da Antropologia, este livro abrange os seguintes assuntos: cultura e sociedade; organização econômica e política; religião; cultura material e imaterial; artes; culturas negras no Brasil; cultura indígena; e Antropologia no século XXI._x000D_

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19 capítulos

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1 Antropologia

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O estudo científico do homem foi constituído no século XVIII e adotou o nome de Antropologia. No zelo enciclopédico do século de luzes, Diderot deu conta de alguns significados do conceito, segundo os quais:

Forma de se expressar dos escritores sagrados que atribuíam a Deus as partes, ações ou condições exclusivas dos homens. Na economia animal de Techmeyer e Drake (1739), Antropologia é definida como o estudo do homem (DIDEROT, 1785, p. 740).

Os antecedentes do pensamento antropológico manifestam-se no acompanhamento do processo de colonização generalizada do mundo pelos europeus, a partir de 1492. Primeiro, foi a perplexidade ante o chamado “novo mundo”, após a conquista dos povos nativos e da colonização, compreendida como a imposição material, social e simbólica da Europa sobre os grupos indígenas.

Buffon e Saint-Hilaire representam dois pensadores indiscutíveis do surgimento da Antropologia. O primeiro pode ser considerado o pioneiro do domínio da disciplina. Saint-Hilaire fez uma contribuição fundamental para o estudo dos elementos autoformativos da espécie humana. Pode-se considerar pioneiro o trabalho de Buffon, Historia natural, general y particular (BUFFON, 1794).

 

2 Cultura e Sociedade

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A cultura, para os antropólogos em geral, constitui-se no “conceito básico e central de sua ciência”, afirma Leslie A. White (In KAHN, 1975, p. 129).

O termo cultura (colere, cultivar ou instruir; cultus, cultivo, instrução) não se restringe ao campo da Antropologia. Várias áreas do saber humano – Agronomia, Biologia, Artes, Literatura, Sociologia, História etc. – valem-se dele, embora seja outra a conotação. Muitas vezes, a palavra cultura é empregada para indicar o desenvolvimento do indivíduo por meio da educação, da instrução. Nesse caso, uma pessoa “culta” seria aquela que adquiriu domínio no campo intelectual ou artístico. Seria “inculta” a que não obteve instrução.

Os antropólogos não empregam os termos culto ou inculto, de uso popular, e nem fazem juízo de valor sobre esta ou aquela cultura, pois não consideram uma superior à outra. Elas apenas são diferentes quanto à tecnologia ou à integração de seus elementos. Todas as sociedades – rurais ou urbanas, simples ou complexas – possuem cultura. Não há indivíduo humano desprovido de cultura, exceto o recém-nascido e o Homo ferus; um, porque ainda não sofreu o processo de endoculturação, e o outro, porque foi privado do convívio humano.

 

3 Origens da Humanidade

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O conhecimento do ser humano exige o estudo das diferentes fases pelas quais a humanidade passou, desde o procônsul primitivo até o homem atual.

A Paleontologia Humana e a Arqueologia, juntas, estudam a evolução biocultural da humanidade, tentando compreendê-la melhor, embora o conjunto de dados fósseis ainda seja insuficiente.

Como começou a extraordinária aventura da humanidade? Qual foi a origem do homem?

Devemos pensar que a odisseia da humanidade não poderia sequer começar a ser contada se não fosse por Charles Darwin, que propôs, em 1857, que todos nós descendemos dos macacos, em vez de termos sido criados no ano de 4004 a.C., como postulado pela Igreja.

A árvore genealógica do homem ainda está para ser resolvida... ainda há grandes incógnitas no processo de humanização que motivam debates científicos intensos. Mas um fato é incontestável: foi na África que a evolução do homem começou (NIGRO, 2017).

Cerca de 65 milhões de anos atrás, quando os dinossauros foram extintos, uma espécie de mamífero arborícola com aparência de esquilo começou a se desenvolver. Vivia exclusivamente nos galhos das árvores e por milhões de anos permaneceu alheio ao que aconteceu a poucos metros abaixo (NIGRO, 2017).

 

4 Passado Cultural do Homem

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Os seres vivos mostram notáveis adaptações a uma enorme variedade de ambientes. Geralmente, tais adaptações têm sido alcançadas pela reprodução preferencial de formas que estavam mais bem adaptadas para sobreviver e se multiplicar em certos ambientes. As características mais bem-sucedidas foram passadas para os descendentes. Esta é a adaptação pela seleção natural, alcançada lentamente. No transcurso do tempo, foram desenvolvendo-se mecanismos que permitiriam adaptações mais rápidas. Entre eles, a capacidade de aprender com a experiência dos outros. Essa é a própria essência do conceito de cultura, e requer alguma forma de comunicação. A aprendizagem pode ocorrer por simples imitação (CAVALLI-SFORZA, 1986).

Hoebel e Frost (1981, p. 77) afirmam que

para compreender a cultura humana devem-se conhecer as fases pelas quais a humanidade se transformou, do antropoide dominado pelo instinto ao ser humano adaptável culturalmente. Desde o tempo das origens primitivas da cultura, todo desenvolvimento humano foi biológico e cultural. Nenhuma tentativa de estudar a humanidade pode ignorar este fato.

 

5 Família e Sistema de Parentesco

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Em todas as sociedades humanas, encontra-se uma forma qualquer de família. Sua posição, dentro do sistema mais amplo de parentesco, pode oscilar muito, desde um lugar central e dominante (sociedade ocidental) até uma situação de reduzida importância (povos ágrafos), que dá maior destaque ao grupo de parentesco, mais amplo do que a unidade representada por marido, mulher e filhos.

A família, em geral, é considerada o fundamento universal das sociedades, por se encontrar em todos os agrupamentos humanos, embora variem as estruturas e o funcionamento.

Se, originariamente, a família foi um fenômeno biológico de conservação e reprodução, transformou-se depois em fenômeno social. Sofreu considerável evolução até regulamentar suas bases conjugais conforme as leis contratuais, normas religiosas e morais.

Toda sociedade humana tem regras que abrangem as relações sexuais e a procriação de filhos, situando a criança em determinado grupo de descendência. Todavia, essas regras não são as mesmas em toda parte.

 

6 Organização Econômica

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A organização econômica é um ramo da Antropologia que “trata do funcionamento e da evolução dos sistemas econômicos das sociedades primitivas e rurais” (GODELIER, In COPANS, 1971, p. 221). Refere-se ao modo como os indivíduos conseguem, utilizam e administram seus bens e recursos.

Faz parte da organização social e encontra-se em todas as sociedades, mesmo entre as mais simples. Todavia, os aspectos da produção e consumo variam muito de cultura para cultura, no tempo e no espaço.

Ao falar de Economia, fazemos referência à forma de organização de indivíduos e sociedades para o uso de recursos limitados para atender às suas necessidades ilimitadas. Ao estudar a organização econômica de uma sociedade particular, o seguinte é considerado:

a. como essas sociedades conseguem sua subsistência;

b. quais as fontes de seus alimentos;

c. como o trabalho é organizado;

d. como são distribuídos os bens e serviços;

e. quais os bens mais apreciados;

f. qual o calendário das atividades sazonais;

 

7 Organização Política

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A organização política de um povo abrange o conjunto de instituições pelas quais se mantêm a ordem, o bem-estar e a integridade do grupo, sua defesa e proteção. Essas instituições regulam e controlam a vida da sociedade, garantindo a seus membros:

a. direitos individuais: ao mesmo tempo em que exige o cumprimento de suas obrigações;

b. organização do governo local: aldeia, cidade;

c. sistema de governo: tribal, nacional, estatal;

d. defesa e proteção: contra inimigos externos, por meio da organização militar.

Hoebel e Frost (1981, p. 321) definem organização política como “aquela parte da cultura que funciona explicitamente para dirigir as atividades dos membros da sociedade em direção às metas da comunidade”, entendida esta como a depositária dos valores e ideias comuns a um grupo humano, que encontra correspondência na sociedade mais ampla.

Nadel (1966) vê no político uma organização para a paz interna e a guerra externa. A organização política é um aspecto da cultura encontrado em todos os grupos humanos, simples ou complexos. A condição necessária para a sua existência é a formação de grupos e subgrupos, cujas relações requerem controle social. Parentesco, sexo, religião e associações outras que servem de base para a segmentação das sociedades.

 

8 Religião

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Para Hock (2002), um dos problemas com a definição do conceito de religião reside no fato de que o próprio conceito surgiu em um ambiente muito específico cultural e histórico que pertence predominantemente à história ocidental das ideias. Assim, quando tentamos aplicar o conceito de religião como um conceito universal a fenômenos em outros contextos históricos e culturais, nos encontramos com dificuldades inesperadas.

Devido à sua história e suas raízes profundamente incorporadas em certas necessidades humanas difíceis de especificar, a religião manifestou-se em inúmeras variantes. Assim, é pouco provável caracterizar todos os elementos ou denominadores comuns dos fenômenos ligados à religião. Por exemplo, James H. Leuba, psicólogo norte-americano, especialista no estudo das religiões, descobriu pelo menos 48 definições (ALATAS, 1977).

Segundo Sarah F. Hoyt (1912), a etimologia, explicada pelo gramático romano (século 4 a.D.) Sérvius: religio, id est metus ab eo quod mentem religet, dicta religio (religião, ou seja, medo; é considerada religião, o que une o espírito. Traduzido pelo atualizador), foi apoiada pelo filósofo cristão Lactâncius (aprox. 313 a.D.), que cita a expressão do célebre poeta romano Lucrécio (c. 96 a 55 a.C.): religionum animus nodis exsolvere (procuro desatar da mente os nós da religião), como prova da relação entre ligação e religião. Santo Agostinho, um dos mais famosos santos da Igreja Romana, adota essa definição e descreve a “verdadeira religião” como aquela que tem a intenção de reconciliar ou “reatar” a alma – que foi separada de Deus, ou se afastou Dele – com Deus.

 

9 Cultura Material

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Desde as suas origens, o homem vem, paulatinamente, criando um ambiente secundário com os materiais de seu habitat. Ele se adapta aos diferentes ambientes, mas também os modifica.

A cultura material, como já foi dito, consiste em coisas materiais, bens tangíveis, fruto da criação humana.

Etnólogos, arqueólogos, antropólogos culturais e outros estudiosos consideram os objetos materiais – ferramentas, utensílios, armas, construções etc. – como cultura material.

Os diversos aspectos da cultura material de um povo são importantes por si mesmos, por sua utilização, pelas informações que encerram as relações com muitas práticas rituais e como demonstração de um processo tecnológico.

Para Keesing (1961, p. 307), a cultura material “tem a distinção especial de ligar o comportamento do indivíduo a coisas externas feitas artificialmente: os artefatos”.

Engloba, portanto, uma infinidade de objetos e coisas, feitas de matérias-primas das mais diversas, encontradas nos diferentes habitats da Terra, resultantes de inúmeras técnicas.

 

10 Cultura Imaterial

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Associada aos hábitos, comportamentos e costumes de determinado grupo social está a cultura imaterial ou patrimônio cultural imaterial.

Este representa os elementos intangíveis de uma cultura. Sendo assim, ele é formado por elementos abstratos que estão intimamente relacionados com as tradições, práticas, comportamentos, técnicas e crenças de determinado grupo social. Diferente do patrimônio material, este tipo de cultura é transmitido de geração em geração.

Vale notar que a cultura imaterial está em constante transformação, uma vez que seus elementos são recriados coletivamente. Isso faz com que o patrimônio intangível seja muito vulnerável.

Por esse motivo, muitos programas e projetos vêm sendo desenvolvidos no Brasil e no mundo com o intuito de levantar e registrar essas práticas.

Em outubro de 2003, na cidade de Paris, França, ocorreu a “Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial”. Esse evento representou um grande avanço para o entendimento e importância desse conceito:

 

11 Cultura e Personalidade

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Analisadas como fenômenos abrangentes, cultura e personalidade se constituem em respostas a necessidades globais: a primeira é a resposta às necessidades da sociedade que a produziu, a segunda é a resposta às necessidades da pessoa na qual se produziu. Estamos, portanto, diante de dois fenômenos que, embora possuam dinâmicas e leis próprias, guardam certa semelhança por terem como finalidade possibilitar o adequado funcionamento de outros dois fenômenos: a sociedade no caso da cultura e a pessoa humana no caso da personalidade (OLIVEN, 2009).

A temática referente às inter-relações de cultura e personalidade constitui um dos mais novos campos da Antropologia. Alguns estudiosos, de tendências mais radicais, acreditam mesmo que se possa dispensar a contribuição da Psicologia no desenvolver dos estudos antropológicos. Creem ainda que os antropólogos com orientação psicológica tenham uma ótica diferente ao explicar ou reinterpretar valores, padrões e instituições, que os distingue dos objetivos puramente antropológicos.

 

12 As Artes

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A palavra “arte” é derivada da palavra latina ars ou artis, que corresponde ao vocábulo grego tékne. O grande filósofo Aristóteles se referia à palavra “arte” como poiésis, cujo significado é semelhante a tékne, ou seja, produção, criação ou fabricação de algo. Arte no sentido geral significa técnica ou habilidade, é produzir ou fazer alguma coisa (DOS SANTOS, 2014).

O mundo da arte pode ser observado, compreendido e apreciado através do conhecimento que o ser humano desenvolve sua imaginação e criação, adquirindo conhecimento, modificando sua realidade, aprendendo a conviver com seus semelhantes e respeitando as diferenças (AZEVEDO JUNIOR, 2007).

A arte é uma das características universais da cultura. Acha-se presente em todos os agrupamentos humanos, mesmo os mais simples e isolados. Em todas as épocas e em todos os tempos, o homem empenhou-se na busca da beleza, usando sua imaginação criadora na expectativa de satisfazer a sua necessidade de expressão estética.

 

13 Teorias da Cultura

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Evolucionismo cultural é uma das grandes linhas de pensamento ou “escolas” teóricas sobre a origem da cultura que surgiu no século XIX, tendo sido a primeira delas numa sequência histórica.

Para Winick (1969, p. 258), evolucionismo é a “teoria segundo a qual toda a vida e o universo se desenvolveram graças ao crescimento e às mudanças”.

O termo, que se insere no conceito de evolução, não é novo, pois os antigos gregos já o haviam empregado em suas enunciações.

Evolução cultural designa, segundo Leslie A. White (In SILVA, 1982, p. 443),

um processo temporal-formal, contínuo e geralmente acumulativo e progressivo, por meio do qual os fenômenos culturais sistematicamente organizados sofrem mudanças, uma forma ou estágio sucedendo ao outro.

Evolucionismo cultural seria, portanto, a aplicação da teoria geral da evolução ao fenômeno cultural. Nas Ciências Sociais, foi um princípio que norteou a interpretação dos fatos sociais, tendo-se expandido no meio científico por meio de inúmeras obras publicadas no final do século XIX.

 

14 O Indígena Brasileiro

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Este capítulo aborda aspectos de uma parcela da população brasileira que coexiste com a sociedade nacional, embora seja demograficamente pouco representativa. Trata-se da população indígena brasileira, constituída por grande diversidade de grupos tribais, distribuídos irregularmente pelo território nacional, mas constituindo uma realidade que não pode ser ignorada.

A luta pela garantia dos direitos de povos indígenas se confunde com a própria história americana. O marco do movimento indígena data de 1940, no México, momento em que foi realizado o primeiro Congresso Indigenista Americano (Convenção de Pátzcuaro), com o objetivo de criar e discutir políticas que pudessem zelar pelos índios na América. Porém, no Brasil, começaria a se manifestar de maneira mais organizada apenas na década de 1970, tendo em vista a necessidade de proteção de terras em relação a políticas expansionistas do governo militar. Algum tempo se passou até que, em 2002, fosse criada a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), como uma maneira de unir as necessidades dos povos em geral em uma única voz (POLITIZE, 2016).

 

15 Culturas Negras no Brasil

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O Brasil recebeu diversos grupos étnicos que contribuíram fundamentalmente para a estruturação da cultura brasileira em valores específicos e modelos sui generis que a caracterizam. Desses grupos, é indiscutível o importante papel que o negro teve na formação da sociedade, no povoamento e na Economia. Devido aos africanos, o território nacional obteve valores, crenças, costumes e hábitos (CARRIFO E BARBOSA, S/D).

A etnia negra teve, desde o início, papel de grande relevância nos destinos do povoamento, da Economia e da formação da sociedade. Genericamente considerados, é muito comum, praticamente em todo o território nacional, a presença de valores, crenças, costumes e hábitos derivados de padrões africanos, mesclados com elementos culturais das demais etnias. São os afro-brasileirismos que persistem, embora redefinidos por força do complexo cultural em formação.

Em algumas regiões, as influências africanas imprimiram à subcultura regional traços extremamente marcantes nas expressões materiais, espirituais e simbólicas, que a diferenciam, nitidamente, de outras subculturas regionais. Constituem exemplo dessa afirmativa os contrastes dos padrões culturais da região Nordeste, especialmente da Bahia, marcadamente de influência da África Ocidental, com os da região Sul, de colonização europeia.

 

16 Linguagem e Cultura: em um Contexto Antropológico

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“Sem linguagem não há homem e sem homem não há linguagem”
(ULMANN, 1991, p. 118).

A anterioridade da espécie humana, ou seja, sua condição primata, caracteriza-se pela ausência da fala. Quando ou como o homem se livra dessa condição, passando a expressar--se através da palavra, é uma indagação que a Arqueologia Pré-Histórica se empenha no sentido de encontrar respostas. Não apenas em relação ao fato fundamental da aquisição dos padrões da fala, mas, sobretudo, na capacidade de transmissão oral e simbólica dos conhecimentos e experiências adquiridos que tornou possível o advento da cultura humana.

O Homo sapiens nasceu mais bem aparelhado para aprender sua língua e, ao mesmo tempo, aprender sua cultura. Linguagem e cultura estão íntima e mutuamente relacionadas.

A natureza humana se completou a partir do desenvolvimento cerebral que capacitou o homem a emitir sons específicos para expressar seus pensamentos, sentimentos, necessidades e meios protetores. É de se supor que com essa evolução dos primeiros homens tenha surgido a reflexão, exteriorizada de formas diferenciadas, das quais se tem pouquíssimas evidências. Como saber, se não há fósseis de palavras!

 

17 Línguas Indígenas Brasileiras

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No âmbito das ciências antropológicas, o capítulo referente às línguas indígenas em geral e brasileiras em particular é de grande relevância, dada a evidente pluralidade cultural e linguística observada desde os primeiros contatos dos colonizadores com os grupos tribais e acentuada no decorrer do processo civilizatório.

A população indígena do Brasil tem como característica primordial a multiplicidade de povos com diferenças acentuadas entre si. Cada grupo tribal tem sua configuração cultural específica e, consequentemente, sua própria língua. Os indivíduos comunicam-se entre si por intermédio da língua falada, da linguagem, e é por meio dela que se integram com o universo cultural de que fazem parte, associando o símbolo linguístico ao que ele representa.

A língua é o microcosmo da cultura, já afirmava J. Mattoso Câmara Jr. (1964, p. 129), constitui-se numa representação da cultura material e espiritual de um povo e é por si só o veículo de comunicação entre os homens.

A familiarização com o fenômeno linguístico deriva do conhecimento do ambiente, da cultura e da língua falada cotidianamente pelos integrantes dos grupos. No tratamento dessas questões, a preocupação da maioria dos estudiosos era a comunicação com os indígenas em detrimento do conhecimento da análise estrutural de língua, geralmente colocada em segundo plano. Evidenciava-se assim um maior interesse etnológico do que linguístico. São duas abordagens que não se excluem, ao contrário, complementam-se na busca de conhecer e registrar as diferentes formas de expressões em todos os setores da cultura. Cada grupo desenvolve uma visão de mundo própria, manifestada nos elementos socioculturais e emocionais que se evidenciam por meio da língua.

 

18 Antropologia Jurídica

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Três grandes escolas de Antropologia Legal (Jurídica) foram criadas no século XIX e ainda existem: a britânica, a holandesa e a americana, sendo a primeira a mais conhecida.

As características da britânica são:

1. Basicamente mercantil – os britânicos visavam garantir seus monopólios comerciais e conservar abertos os meios de transporte de suas mercadorias, em vez de conquistas de terras e de povos.

2. Dominação indireta – (a) construção de portos fortificados que pudessem ser controlados como centros de comércio e base naval; (b) criação de Estados-clientes, que pudessem governar cordialmente a baixo custo.

3. Utilização do Direito Consuetudinário da estrutura imperial.

A mudança no direito consuetudinário, entretanto, torna-se muito difícil, pois tra-ta-se da cultura legal de um povo. O que poderia ser imoral para um povo, pode ser legal para outro. Exemplo: o “sati” – costume de cremar a viúva, viva, na pira de seu falecido marido, comum entre hindus do norte da Índia. O “lobola” ou “bogadi”, referente ao pagamento de gado, pelo noivo, à família da futura esposa, entre tribos africanas e outras.

 

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