Modernidade líquida

Autor(es): BAUMAN, Zygmunt
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A modernidade imediata é "leve", "líquida", "fluida" e infinitamente mais dinâmica que a modernidade "sólida" que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. Zygmunt Bauman cumpre aqui sua missão de sociólogo, esclarecendo como se deu essa transição e nos auxiliando a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. Este “Modernidade Líquida” complementa e conclui a análise realizada pelo autor em “Globalização: as conseqüências humanas” e “Em Busca da Política”. Juntos, esses três volumes formam uma análise brilhante das condições cambiantes da vida social e política.

5 capítulos

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Capítulo 1. Emancipação

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Emancipação

Ao fim das “três décadas gloriosas” que se seguiram ao final da

Segunda Guerra Mundial – as três décadas de crescimento sem precedentes e de estabelecimento da riqueza e da segurança eco­ nômica no próspero Ocidente – Herbert Marcuse reclamava:

Em relação a hoje e à nossa própria condição, creio que estamos diante de uma situação nova na história, porque temos que ser liber­tados de uma sociedade rica, poderosa e que funciona relativamente bem … O problema que enfrentamos é a necessidade de nos liber­tarmos de uma sociedade que desenvolve em grande medida as ne­cessidades materiais e mesmo culturais do homem – uma sociedade que, para usar um slogan, cumpre o que prometeu a uma parte cres­cente da população. E isso implica que enfrentamos a libertação de uma sociedade na qual a libertação aparentemente não conta com uma base de massas.¹

Devermos nos emancipar, “libertar-nos da sociedade”, não era problema para Marcuse. O que era um problema – o problema específico para a sociedade que “cumpre o que prometeu” – era a falta de uma “base de massas” para a libertação.

 

Capítulo 2. Individualidade

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Individualidade

Agora, aqui, veja, é preciso correr o máximo que você puder para permanecer no mesmo lugar. Se quiser ir a algum outro lugar, deve correr pelo menos duas vezes mais depressa do que isso!

Lewis Carrol

É difícil lembrar, e ainda mais difícil compreender, que há não mais de 50 anos a disputa sobre a essência dos prognósticos po­pulares, sobre o que se deveria temer e sobre os tipos de horrores que o futuro estava fadado a trazer se não fosse parado a tempo se travava entre o Admirável Mundo Novo de Aldous

Huxley e o 1984 de George Orwell.

A disputa certamente era legítima e honesta, pois os mundos tão vividamente retratados pelos dois visionários distópicos eram tão diferentes quanto água e vinho. O de Orwell era um mundo de miséria e destituição, de escassez e necessidade; o de

Huxley era uma terra de opulência e devassidão, de abundância e sacie­dade. Como era de se esperar, os habitantes do mundo de

Orwell eram tristes e assustados; os de Huxley, despreocupados e alegres. Havia muitas outras diferenças não menos notáveis: os dois mun­dos se opunham em quase todos os detalhes.

 

Capítulo 3. Tempo/Espaço

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Tempo/Espaço

George Hazeldon, arquiteto inglês estabelecido na África do Sul, tem um sonho: uma cidade diferente das cidades comuns, cheia de estrangeiros sinistros que se esgueiram de esquinas escuras, surgem de ruas esquálidas e brotam de distritos notoriamente perigosos. A cidade do sonho de Hazeldon é como uma versão atualizada, high-tech, da aldeia medieval que abriga detrás de seus grossos muros, torres, fossos e pontes levadiças uma aldeia prote­gida dos riscos e perigos do mundo. Uma cidade feita sob medida para indivíduos que querem administrar e monitorar seu estar juntos. Alguma coisa, como ele mesmo disse, parecida com o Mon­te Saint-Michel, simultaneamente um claustro e uma fortaleza ina­cessível e bem guardada.

Quem olha os projetos de Hazeldon concorda que a parte do “claustro” foi imaginada pelo desenhista à semelhança da Thélème de Rabelais, a cidade da alegria e do divertimento compulsórios, onde a felicidade é o único mandamento, e não se parece nada com o esconderijo dos ascetas voltados para os céus, que se autoimolam, são piedosos, oram e jejuam. A parte da “fortaleza”, por outro lado, é original. Heritage Park, a cidade que Hazeldon está para construir em 500 acres de terra não muito longe da Cidade do Cabo, deve diferenciar-se das outras

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Capítulo 4. Trabalho

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Trabalho

A Prefeitura de Leeds, cidade em que passei os últimos 30 anos,

é um monumento majestoso às enormes ambições e autoconfiança dos capitães da Revolução Industrial. Construída em meados do século XIX, grandiosa e rica, pesada e em pedra, foi feita para durar para sempre, como o Partenon e os templos egípcios cuja arquite­tura imita. Contém, como peça central, uma enorme sala de assem­bleias onde os cidadãos deviam se encontrar regularmente para debater e decidir os próximos passos na direção da maior glória da cidade e do Império Britânico. Sob o teto desse salão estão detalhadas em letras douradas e púrpura as regras que devem guiar quem quer que se junte a essa caminhada. Entre os princí­pios sacrossantos da ética burguesa segura e assertiva, como “ho­nestidade é a melhor política”, “auspicium melioris aevi” ou “lei e ordem”, um preceito chama atenção por sua firme e segura brevi­dade: “Para frente”.

Ao contrário do visitante contemporâneo da Prefeitura, os antigos cidadãos que compuseram o código não te­rão tido dúvidas sobre seu significado. Seguramente não sentiram necessidade de perguntar o sentido da ideia de “andar para fren­te”, chamada

 

Capítulo 5. Comunidade

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Comunidade

As diferenças nascem quando a razão não está inteiramente des­ perta ou voltou a adormecer. Esse era o credo implícito que emprestava credibilidade à clara confiança que os liberais pósilumi­nistas depositavam na capacidade dos indivíduos humanos para a imaculada concepção. Nós, humanos, somos dotados de tudo de que todos precisam para tomar o caminho certo que, uma vez escolhido, será o mesmo para todos. O sujeito de

Descartes e o homem de Kant, armados da razão, não errariam em seus cami­nhos humanos a menos que empurrados ou atraídos para fora da reta trilha iluminada pela razão. Escolhas diferentes são o sedi­mento de tropeços da história – o resultado de uma lesão cerebral chamada pelos vários nomes de preconceito, superstição ou falsa consciência. Ao contrário dos veredictos eindeutig da razão que são propriedade de cada ser humano, as diferenças de juízo têm ori­gem coletiva: os “ídolos” de Francis

Bacon estão onde os homens circulam e se encontram – no teatro, num mercado, em festas tribais. Libertar o poder da razão humana significava libertar o indivíduo de tudo isso.

 

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