Aprendendo a pensar com a sociologia

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Partindo de aspectos aparentemente comuns da vida – amor, atos de consumo, trabalho, lazer, religião –, Bauman e May escreveram esse livro com o objetivo de ajudar as pessoas a entender suas vivências individuais e com os outros. Revelam como a sociologia fornece uma série de observações sobre nossas experiências e mostram as implicações de nossos atos sobre a maneira como conduzimos nossa existência. A edição original, publicada em 1990, foi revista pelos autores e inclui temas atuais como corpo, intimidade, tempo, espaço, desordem, risco, globalização, identidade e novas tecnologias. Cada capítulo aborda problemas que constituem parte de nossa vida cotidiana, dilemas e escolhas com os quais nos deparamos, mas não chegamos a refletir. Os autores ainda sugerem questões que podem servir de orientação para o leitor ou de plano de estudos para professores e alunos. Pensar sociologicamente significa entender aqueles que nos cercam em suas esperanças, desejos, inquietações e preocupações. Inclui: sucinta bibliografia organizada por temas; questões para orientar professores e alunos.

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Capítulo 1. Alguém com os outros

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Alguém com os outros

Não é rara em nossa vida a experiência de nos ressentirmos do fato de sermos objeto de coerção por circunstâncias sobre as quais percebemos não ter controle. Em alguns momentos, porém, afirmamos nossa liberdade em relação a esse controle com a recusa de nos conformar às expectativas alheias, resistindo ao que consideramos indevida usurpação de nossa liberdade, e – como se evidencia tanto ao longo da história quanto na atualidade – nos revoltamos contra a opressão. Ter a sensação de ser livre e concomitantemente não ser, entretanto, é parte comum de nossas experiências cotidianas – é também uma das questões que mais confusão provocam, desencadeando sensações de ambivalência e frustração, tanto quanto de criatividade e inovação.

Assinalamos na Introdução que vivemos em interação com outros indivíduos. O modo como isso se relaciona com a ideia de liberdade na sociedade tornou-se objeto de farta produção sociológica. Em um nível, somos livres para escolher e acompanhar nossas escolhas até o fim. Você pode levantar-se agora e preparar uma xícara de café antes de prosseguir a leitura deste capítulo. Pode também optar por abandonar o projeto de aprender a pensar com a sociologia e embarcar em outra área de estudo, ou mesmo abrir mão de estudar, não importa que assunto seja. Continuar a ler é uma das alternativas de cursos

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Capítulo 2. Observação e sustentação de nossas vidas

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Observação e sustentação de nossas vidas

Discutimos questões referentes ao pertencimento a grupos e ao modo como eles se relacionam com nossa autoconcepção em interação com os outros. A maneira como esses grupos influenciam nossas condutas e como interagimos, a que grupos pertencemos e os que excluímos como resultado desse vínculo, estes são todos temas importantes na vida cotidiana. Essas circunstâncias, intencionais ou não, contribuem para a forma e para o conteúdo das relações sociais que caracterizam nossas sociedades. Neste capítulo refletiremos sobre esses assuntos mais detalhadamente e examinaremos as consequências desses processos sobre nossa visão dos outros e de nós mesmos.

Fundamentando nossas vidas: interação, entendimento e distância social

Pensemos em todas aquelas pessoas cujas ações são indispensáveis a nosso dia a dia. Quem põe o café em nossa xícara? Quem fornece a eletricidade, o gás e a água de que todos dependemos?

E mais: quem decide como, onde e quando movimentar os

 

Capítulo 3. Laços: para falar em “nós”

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Laços: para falar em “nós”

Neste capítulo, examinaremos os processos pelos quais nós, sujeitos individuais, nos reunimos em configurações maiores.

Como isso ocorre? Em que circunstâncias? Com que efeitos?

– estas são algumas das questões que desejamos abordar. Esses temas nos tomam a atenção diariamente, como indica o uso de algumas expressões – “todos nós”, “nós pedimos” e “nós concordamos”, por exemplo – presentes em nossos jornais e na mídia em geral, bem como na boca de executivos, líderes religiosos e políticos. Quem é esse “nós” que se supõe embasado em entendimento mútuo, e como ele é constituído?

Comunidades: forjar o consenso e lidar com o conflito

Pode ser chamado de comunidade um grupo de pessoas não claramente definidas nem circunscritas, mas que concordem com algo que outras rejeitem e que, com base nessa crença, atestem alguma autoridade. Por mais que possamos tentar justificar ou explicar esse “estar junto”, o primeiro traço de sua caracterização é a unidade espiritual. Sem isso, não há comunidade.

 

Capítulo 4. Decisões e ações: poder, escolha e dever moral

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Decisões e ações: poder, escolha e dever moral

Não faltam questões em nossas atividades cotidianas. Algumas costumam surgir de maneira razoavelmente regular e não nos ocupam por muito tempo, ao passo que outras são incitadas por mudanças abruptas em nossas condições e levam a reflexão mais elaborada e profunda. Esses tipos de questão se referem a matérias que de maneira geral não nos preocupam, embora pontuem discussões sobre quem somos e como conferimos sentido ao mundo ao nosso redor. Às vezes esses questionamentos provocam perguntas a respeito do motivo por que algo aconteceu.

Quando fazemos uma pergunta como esta, ativamos um hábito que todos partilhamos e que também caracteriza a atividade científica – trata-se do explicar eventos em termos de “causa e efeito”. O tema deste capítulo é como essas questões se relacionam e informam nossas ações e decisões no dia a dia.

Tomadas de decisão

Quando se trata de buscar explicações na forma de resultados de uma causa, em geral já satisfazemos nossa curiosidade concluindo que o evento era inevitável ou pelo menos altamente provável. Por que ocorreu uma explosão naquela casa? Porque havia um escapamento na tubulação de gás, e o gás é substância

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Capítulo 5. Fazer acontecer: dádivas, trocas e intimidade nas relações

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Fazer acontecer: dádivas, trocas e intimidade nas relações

Em nossas discussões sobre ação, poder e escolha, examinamos algumas daquelas questões conformadoras de nosso cotidiano e as decisões com as quais rotineiramente nos deparamos nas nossas interações com as outras pessoas. Muitas dessas interações se estabelecem graças às ideias de dádiva e troca, que conferem forma e conteúdo a nossas vidas. Neste capítulo, continuaremos nossa jornada por desafios, escolhas e coerções diante dos quais nos encontramos rotineiramente, com maior atenção para os temas que envolvem e conformam essas transações.

Pessoal e impessoal: a dádiva e a troca

Para alguns, o débito é visitante ocasional, para o qual é possível buscar remédio sem alterar excessivamente os aspectos material e simbólico produtores das rotinas e das exceções que dão forma a nossos estilos de vida. Para outros, é elemento rotineiro da vida e requer atenção diária a fim de se cumprirem obrigações com filhos, familiares e amigos. Não se trata de visitante, mas de morador permanente que demanda atenção contínua e trabalho na busca de compensar seus piores efeitos. Consideremos o cenário a seguir.

 

Capítulo 6. O cuidado de nós: corpo, saúde e sexualidade

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O cuidado de nós: corpo, saúde e sexualidade

Mencionamos no Capítulo 5 a tensão potencial entre erotismo e sexualidade. Esses temas, como a saúde e o bem-estar de nossos corpos, são aspectos fundamentais da vida cotidiana. Rotineiramente nos vemos diante de comerciais de dietas, exercícios e viagens de férias. Nesse processo, as pessoas podem oscilar entre o desejo de estar junto com os outros e o de ser deixadas em paz, preocupando-se com seus corpos e rejeitando os apelos de vida saudável em favor de orgias gastronômicas. Além disso, elas podem expressar o desejo de ficar perto daqueles com quem se sentem confortáveis e, ao mesmo tempo, “escapar disso tudo”, viajando para lugares em que ninguém as incomodará. Tudo isso expressa desejos de romper ou pôr em suspenso uma relação embaraçosa, desajeitada, opressiva, irritante ou apenas exigente demais para oferecer conforto. Assim, como podemos oscilar entre os desejos de intimidade e solidão, também construímos relações com nossos corpos, partes fundamentais de nosso cotidiano.

 

Capítulo 7. Tempo, espaço e (des)ordem

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Tempo, espaço e (des)ordem

“Tempo e espaço estão encolhendo.” Esta parece uma declaração bastante curiosa à primeira vista. Ora, tempo e espaço seguramente não encolhem! Do ponto de vista social, pensamos os eventos em termos de sua ocorrência no e por meio do tempo, e, de modo similar, localizados no espaço. Podemos fazer comparações entre ideias, atitudes e ações, traçando um mapa de suas variações históricas nos espaços físicos (em paisagens urbanas ou regionais) e simbólicos (como eles são vistos e que significados se atrelam às relações e aos objetos que neles estejam, quando tomados como “lugares” de interação).

As tecnologias da informação, entretanto, aceleraram nossas comunicações, por exemplo, com o e-mail e a mensagem instantânea, enquanto os meios de comunicação de massa se irradiam por todas as partes do globo, com efeitos sobre como as pessoas percebem a espacialidade e os locais. Nessa medida, espaço e tempo estão de fato encolhendo! Como disse Paul Virilio, a questão agora não é em que período de tempo (cronológico) nem em que espaço (geográfico) estamos, mas sim em “qual espaço-tempo?” Isso está mudando em velocidade crescente.

 

Capítulo 8. Traçar fronteiras: cultura, natureza, Estado e território

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Traçar fronteiras: cultura, natureza,

Estado e território

No final do Capítulo 7, abrimos de maneira explícita um debate que vínhamos tratando implicitamente até então e que pode ser expressado nos seguintes termos: a própria maneira como pensamos um problema e o analisamos originará as soluções que serão consideradas a ele adequadas. Por esse ponto de vista, pensar diferente não é atividade complacente. Pelo contrário, costuma ser o primeiro passo para a construção de soluções mais práticas e duradouras para as questões que enfrentamos no mundo contemporâneo.

Natureza e cultura

Considere as ideias debatidas no Capítulo 7 a respeito de um modo “moderno” de pensar as diferenças entre natureza e cultura, assim então posicionadas de maneira agudamente distante.

Pode-se dizer que a natureza e a sociedade foram “descobertas” ao mesmo tempo, embora o que foi descoberto na verdade não tenha sido nem a natureza nem a sociedade, mas a distinção entre elas e, em especial, a diferenciação das práticas que cada uma permite ou origina. Como as circunstâncias humanas pareceram cada vez mais produtos de legislação, administração e intervenção em geral, a “natureza” assumiu o papel de um enorme

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Capítulo 9. Os negócios na vida cotidiana: consumo, tecnologia e estilos de vida

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Os negócios na vida cotidiana: consumo, tecnologia e estilos de vida

Cada um de nós exibe, em nossas rotinas diárias, habilidades extraordinárias e características distintivas. Comemos, bebemos, nos comunicamos, nos movemos no tempo e no espaço, utilizando nosso corpo de várias maneiras, experimentando felicidade e tristeza, tensão e relaxamento, nos engajamos em atividades de trabalho que demandam vários saberes e, finalmente, descansamos e dormimos. Nesse processo, nos ligamos a nossos ambientes e arrolamos os recursos a que temos acesso em nossas ações.

Como demonstraram os sociólogos da vida cotidiana, nossas habilidades para desempenhar tarefas e interagir uns com os outros exigem um conhecimento tácito, sem o qual a trama da vida social não seria possível. Não questionamos essas coisas, considerando-as indiscutíveis – exceto quando não dão certo.

Nessas horas, alguns momentos de reflexão podem nos levar a considerar ou questionar circunstâncias, esperanças, medos, aspirações e desejos conformadores de nossa vida. Esses atos de questionamento podem ser provisórios, simplesmente para nos mandar de volta às rotinas integrantes de nossa experiência, ou produzir efeitos mais profundos e nos levar a alterar as trajetórias de nosso curso vital.

 

Capítulo 10. Aprendendo a pensar com a sociologia

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Aprendendo a pensar com a sociologia

Capítulo a capítulo, viajamos juntos por um mundo de experiências cotidianas em termos de questões cambiantes que cercam e conformam nossas vidas. A sociologia, como guia nessa viagem, orientou a tarefa de comentar o que vemos e fazemos. A exemplo de qualquer excursão guiada, esperamos que nosso guia nada tenha deixado passar de importante e nos tenha de fato apontado o que – se deixado por nossa conta – poderia passar despercebido. Podemos também esperar de nosso guia a explicação de detalhes só superficialmente conhecidos e até a sugestão de uma perspectiva que até então não havíamos considerado. Ao final de nossa viagem, podemos esperar, realisticamente, saber mais e, portanto, ter melhorado nossa compreensão.

O olhar sociológico

O entendimento está no núcleo da vida social. Segundo o filósofo Charles Taylor, podemos utilizar esse conceito em dois sentidos. Em primeiro lugar, há o entendimento das coisas no que diz respeito a seu lugar em uma ordem dotada de significados.

 

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