Nutrição e Dietética, 2ª edição

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O ensino da Nutrição tem recebido considerável destaque no Brasil, em função do reconhecimento que essa especialidade alcançou nos últimos anos. Há cada vez mais profissionais formando-se nessa área, o que requer a publicação de conteúdos que facilitem a aprendizagem._x000D_
Nutrição Humana, agora intitulada Nutrição e Dietética, em sua nova edição revisada e atualizada, cumpre com esse objetivo. Didaticamente organizada, apresenta os macro e micronutrientes, as vitaminas e os minerais, além dos mais importantes guias alimentares e recomendações nutricionais. Conta também com uma seção exclusiva destinada à dietética, abordando a alimentação, a nutrição e a saúde em diferentes ciclos da vida, as práticas alimentares e seus condicionantes, entre outros temas de relevância na área, como o planejamento dietético e suas interfaces com as ciências humanas e sociais._x000D_
Indicada especialmente a estudantes de graduação, esta obra preenche uma lacuna no ensino de Nutrição e Dietética, servindo também como referência para profissionais._x000D_
Novidades: _x000D_
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Edição revisada, atualizada e reformulada, tanto em conteúdo quanto em formato._x000D_
Adota as diretrizes do Guia alimentar para a população brasileira, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde._x000D_
Apresenta novas e inovadoras estratégias, assim como a práxis, para a compreensão das recomendações nutricionais e do planejamento dietético, a fim de contribuir para a constante formação de nutricionistas críticos, reflexivos, humanistas e socialmente referenciados._x000D_
Seção exclusiva sobre dietética._x000D_

 

23 capítulos

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1 Histórico das Recomendações Nutricionais

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Recomendações nutricionais são valores de referência de nutrientes estabelecidos por comitês de especialistas com o objetivo de orientar o planejamento e a avaliação do consumo de energia e nutrientes de indivíduos ou populações saudáveis.

Conceitualmente, é preciso diferenciar as expressões “necessidade nutricional” e “recomendação nutricional”. Necessidades nutricionais representam valores fisiológicos individuais de energia, macronutrientes e micronutrientes fundamentais para satisfazer as funções fisiológicas normais e prevenir sintomas de deficiências de uma pessoa saudável, em uma fase de vida e sexo determinados. São expressas na forma de médias para grupos semelhantes da população. Já as recomendações nutricionais são quantidades definidas de energia, macronutrientes e micronutrientes que devem ser consumidos diariamente para satisfazer as necessidades nutricionais de quase todos os indivíduos de uma população saudável. Assim, as recomendações nutricionais definem-se por meio das estimativas das necessidades de 97,5% da população.1

 

2 Guias Alimentares | Histórico, Fundamentos e Aplicações

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Guias alimentares são documentos oficiais com princípios e recomendações para uma alimentação saudável, na maioria das vezes endossados pelo Ministério da Saúde nacional. Eles servem como base para subsidiar políticas de alimentação e nutrição, programas de educação alimentar e nutricional, além do planejamento dietético para indivíduos e coletividades.

Embora o referencial teórico subjacente às diretrizes alimentares tenha se expandido consideravelmente nos últimos anos, os seres humanos já fazem recomendações quanto à alimentação há séculos. Hipócrates, no século 5 a.C., já reconhecia a relação entre alimentos e saúde. Sua frase “Deixe a comida ser o remédio e o remédio ser a comida” pode ser considerada um grande lema da Medicina. Foi somente no século 18, no entanto, que o francês Antoine Lavoisier, considerado um dos criadores da Nutrição, estabeleceu os fundamentos da Química e desenvolveu os primeiros estudos sobre a relação do processo de respiração com o metabolismo dos alimentos. Durante o século 19, intensificaram-se os estudos das proteínas e, ao final desse período, surgiram as primeiras recomendações relacionadas com o consumo de carboidratos, proteínas, gorduras e água. No século 20, recomendações quanto à ingestão de energia e nutrientes foram formuladas, conforme o Capítulo 1. Em 1980, foi publicada, pelo Departamento de Agricultura dos EUA, a primeira edição do Guia alimentar para norte-americanos (Dietary guidelines for Americans), recomendando o consumo de alimentos variados, para fornecer nutrientes essenciais, e a moderação no consumo de gorduras e sódio, para prevenir doenças crônicas.1

 

3 Proteínas e Aminoácidos

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O primeiro aminoácido (asparagina) foi descoberto em 1806 após ser observado no aspargo, e o último (treonina) foi encontrado em 1938. O ácido glutâmico e a glicina são assim denominados em razão, respectivamente, à presença no glúten do trigo e ao sabor adocicado (do grego glykos = doce). Até o fim do século 19, a maioria dos estudos em Nutrição sobre proteínas ou energia era conduzida na Europa Ocidental. Acreditava-se que as proteínas ingeridas com os alimentos eram absorvidas praticamente intactas e modificadas no organismo humano, se necessário, para converter “fibrina” em “albumina”, por exemplo. A existência de uma substância (pepsina) secretada pelo estômago converteria proteínas em derivados solúveis durante o processo de digestão. Alguns anos depois, identificou-se que outra substância (tripsina; secretada pelo pâncreas) seria responsável com a pepsina pela degradação das proteínas.

Pesquisadores da Alemanha e da Dinamarca estudaram misturas de aminoácidos como substitutos das proteínas da dieta em experimentos com animais, observando que a proteína da carne tratada com pepsina e tripsina por longos períodos servia como substituto nutricional para cães adultos. Em 1902, F. G. Hopkins e S. W. Cole, pesquisadores da University of Cambridge (Reino Unido), isolaram o aminoácido triptofano e demonstraram que sua destruição poderia ocorrer em condições de hidrólise ácida. Essas investigações contribuíram para novas linhas de pesquisa, desenvolvidas em várias partes do mundo no início do século 20.

 

4 Carboidratos

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Os carboidratos (glicídios) constituem a principal fonte de energia utilizada pelos seres vivos. Fonte primária de combustível produzida pelas plantas por meio da fotossíntese, a glicose é a base para a síntese de formas mais complexas de carboidratos e energia para as vidas vegetal e animal.

Carboidratos fornecem cerca de 50% das calorias totais diárias da dieta dos indivíduos. Além disso, têm um papel importante na manutenção da integridade do trato digestório, por meio do consumo de alimentos ricos em fibras, e no fornecimento de energia para o cérebro e o sistema nervoso.

No Brasil, embora os carboidratos ainda representem uma parcela importante na composição da dieta nacional, observaram-se nos últimos anos uma redução da porcentagem de calorias provenientes desse macronutriente e uma alteração da qualidade dos carboidratos consumidos.1,2 Atualmente, verifica-se um excesso no consumo de açúcar livre em todas as fases do ciclo de vida, expondo a população a um maior risco de obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis relacionadas com a nutrição.2,3

 

5 Lipídios

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William Prout foi o primeiro pesquisador a reconhecer os lipídios como nutrientes importantes para a nutrição humana, em 1827. A palavra lipídio deriva do grego lipos e significa gordura, que, por sua vez, pode ser definida como uma classe de componentes solúveis em solventes orgânicos. Esses componentes variam consideravelmente quanto ao tamanho e à polaridade, desde formas hidrofóbicas, como os triacilgliceróis (TG) e ésteres de esterol, até formas mais hidrossolúveis, como os fosfolipídios (PL) e as cardiolipinas.

Os lipídios incluem os TG [constituídos por ácidos graxos (AG)], PL, esteróis, glicolipídios e isoprenoides.

A denominação dos AG é feita por meio de uma anotação abreviada, em que o primeiro número se refere aos átomos de carbono da cadeia acil, seguido de dois-pontos e, depois, outra cifra indicando o número dos enlaces insaturados e um símbolo n- (u ou w), acrescido, ainda, pelo número de átomos de carbono a partir do extremo metil da cadeia acil até o primeiro carbono das duplas-ligações. O Quadro 5.1 apresenta um resumo dos tipos de AG alimentares.

 

6 Necessidades de Energia e Avaliação do Gasto Energético

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No século 18, Lavoisier demonstrou que o consumo de oxigênio e a liberação de gás carbônico resultavam na produção de calor em seres vivos. Em colaboração com o físico Laplace, Lavoisier construiu um calorímetro para avaliar a produção de calor em animais por meio de trocas gasosas, dando início à ciência da calorimetria.

A produção de calor pela oxidação de nutrientes foi demonstrada após a segunda metade do século 19, com o desenvolvimento da química orgânica e da bioquímica.

Atualmente, técnicas sofisticadas e precisas de avaliação das necessidades energéticas individuais estão disponíveis. Entretanto, em razão de limitações de custo e praticidade, a calorimetria indireta ainda é o método empregado com maior frequência.

A unidade-padrão para medir energia é a caloria, descrita desde o século 18 por Lavoisier. Uma caloria é a quantidade de energia necessária para elevar a temperatura de 1 g de água de 14,5°C para 15,5°C. No estudo de nutrição humana, as quantidades de energia encontradas nos alimentos e necessárias ao organismo são elevadas, sendo frequentemente utilizado o termo quilocalorias (kcal), ou 1.000 calorias. O teor energético fornecido pelos alimentos é bem fundamentado. Carboidratos, proteínas e lipídios geram 4, 4 e 9 kcal/g, respectivamente. A quantidade de energia fornecida pelo etanol é de 7 kcal/g ou 5,5 kcal/m (considerando densidade = 0,789).

 

7 Vitaminas Lipossolúveis A, E e K

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A descoberta da vitamina A e de sua aplicação na nutrição humana é descrita desde a época dos antigos egípcios, há cerca de 3.500 anos, que aplicavam extrato de fígado de boi nos olhos de indivíduos com cegueira noturna.

O primeiro relato sobre a cegueira noturna foi realizado pelos antigos gregos, que a chamavam de nyktalopia (nyktos = noite, alaos = cego, opteos = olho). Hipócrates, em 460 a.C., prescrevia fígado embebido em mel a pacientes com cegueira noturna.

Um dos primeiros experimentos em nutrição humana foi realizado pelo médico austríaco Eduard Schwarz durante uma expedição científica de navio, entre 1857 e 1859, quando observou 75 casos de cegueira noturna que responderam ao tratamento com ingestão de fígado cozido de boi, considerando a doença uma carência nutricional.

Em 1862, Bitot observou que crianças com cegueira noturna apresentavam uma “escama prateada” na córnea (mancha branco-espumosa), que ficou conhecida como mancha de Bitot.

 

8 Vitaminas do Complexo B

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O complexo B é composto por um grupo de oito vitaminas hidrossolúveis – vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9 e B12 – que desempenham importantes funções no metabolismo celular. Os efeitos desses nutrientes essenciais, que atuam como coenzimas em uma ampla gama de reações enzimáticas catabólicas e anabólicas, são particularmente prevalentes em muitos aspectos da função cerebral, por exemplo, incluindo síntese e reparo de DNA e RNA, produção de energia, metilação e síntese de numerosos compostos neuroquímicos. Em outras palavras, as vitaminas do complexo B participam de inúmeras reações do metabolismo energético e proteico e são responsáveis pela manutenção da saúde mental e emocional dos seres humanos, participando também da manutenção da saúde do fígado, dos intestinos, da pele, dos cabelos, dos olhos e da boca (Tabela 8.1).

Este capítulo aborda as vitaminas de grande relevância em saúde pública. Ainda que muitas dessas vitaminas exerçam suas funções em conjunto, cada uma delas tem suas particularidades quanto a aspectos como características químicas, metabolismo, funções, deficiência, toxicidade, fontes alimentares e necessidades diárias.

 

9 Vitamina C

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O escorbuto é uma das doenças mais antigas relatadas na história da nutrição humana, tendo acometido marinheiros, soldados em batalhas, presidiários, refugiados e idosos em asilos. Escorbuto significa boca inchada e ulcerada, caracterizada por sangramento das gengivas e necrose, articulações edemaciadas e inflamadas, manchas escuras na pele e fraqueza muscular. Patologistas encontraram distúrbios ósseos característicos de escorbuto em múmias egípcias da época de 2050 até 500 anos a.C. Além dos egípcios, romanos e gregos foram afetados por essa doença. Hipócrates e o naturalista Pliny já tinham o conhecimento do escorbuto; no entanto, não compreendiam sua etiologia.

Existem relatos de ocorrência de 114 epidemias de escorbuto no período de 1556 a 1857 em vários países, a maioria no inverno, em consequência da falta de verduras e frutas frescas na alimentação habitual.

O primeiro relato quanto à provável cura ou prevenção do escorbuto se deu em 1746 com a publicação do Tratado do Escorbuto, do médico-cirurgião da marinha britânica James Lind, referindo que as frutas cítricas promoviam a cura ou a prevenção dessa condição. Estudiosos apontam que até 1785 nenhum estudo tão importante sobre nutrição havia sido desenvolvido. Lind selecionou 12 marinheiros com escorbuto com gravidade semelhante, observando remissão da doença no grupo de 6 marinheiros que receberam limão e laranja, com melhora em 6 dias. O outro grupo de marinheiros recebeu ácido sulfúrico diluído ou vinagre durante 2 semanas sem nenhuma alteração no quadro clínico. Entretanto, pela dificuldade em levar laranja e limão em viagens de longa duração, pesquisadores britânicos substituíram as frutas ácidas por outras substâncias ácidas pensando que a acidez das frutas era importante para a prevenção do escorbuto, causado pela alcalinização do tecido putrefeito. Na verdade, apesar de o uso de laranja e limão ter curado o escorbuto, Lind e os estudiosos da época ainda estavam descrentes da descoberta, achando que se tratava de um distúrbio digestivo.

 

10 Ferro, Zinco e Cobre

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A anemia era conhecida clinicamente no século 17 como clorose. Em 1832, o médico francês Pierre Blaud publicou um trabalho relatando seu sucesso no tratamento da clorose, uma condição observada na época em mulheres jovens com fraqueza e palidez. Nesse estudo, Blaud avaliou 30 pacientes com “descoloração sanguínea” que responderam a uma dose de até 12 comprimidos por dia de sulfato ferroso somado a carbonato de potássio (320:320 mg/comprimido). Atualmente, sabe-se que essa combinação é pouco absorvida em virtude da formação de um precipitado insolúvel de carbonato ferroso. O tratamento prescrito por Blaud obteve sucesso graças à quantidade excessiva de ferro. Isso suscitou inúmeros estudos clínicos e experimentais posteriores sobre a importância do ferro no tratamento da clorose, descrita como anemia ferropriva somente no fim do século 19. A partir de 1880, análises de ferro foram sistematicamente realizadas em vários alimentos, fezes, urina e diferentes órgãos. No início do século 20, vários pesquisadores acreditavam que a hemoglobina (Hb), por ser uma molécula grande e complexa, não teria o ferro inorgânico como precursor. Por várias gerações, alimentos vegetais (p. ex., espinafre) e a gema do ovo foram recomendados como boas fontes de ferro da dieta. Somente a partir de 1930, estudos isotópicos de balanço de ferro comprovaram que o ferro desses alimentos é relativamente insolúvel no intestino delgado e pouco absorvido pelo ser humano. A utilização do ferro inorgânico na síntese de Hb foi comprovada em 1932, e, desde então, o sulfato ferroso constitui o tratamento oral de escolha na deficiência de ferro.1

 

11 Vitamina D, Cálcio e Fósforo

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Vitamina D, cálcio e fósforo são micronutrientes essenciais aos seres humanos, com evidências satisfatoriamente consolidadas quanto à sua atuação sinérgica em prol da saúde óssea. A manutenção de concentrações sanguíneas normais de cálcio e fosfato depende diretamente da atuação da vitamina D, com consequente impacto para o processo de mineralização dos ossos. Nesse sentido, experimentos envolvendo casos de raquitismo, condição clínica cujos registros iniciais datam de meados do século 17, foram importantes para a descoberta da vitamina D e de sua interação com ambos os minerais. No início do século 20 e motivado pelo recém-estabelecido conceito de vitaminas, Sir Edward Mallanby observou no Reino Unido que a oferta de óleo de fígado de bacalhau a cães raquíticos mantidos em ambientes fechados promovia a recuperação do quadro. Em adição às vitaminas A, B e C, já identificadas à época, trabalhos adicionais conduzidos pelo Professor Elmer McCollum na Universidade Johns Hopkins, nos EUA, fomentaram o potencial para um novo fator alimentar essencial à saúde, visto que as propriedades do óleo de fígado de bacalhau para a cura do raquitismo, mas não para a prevenção de xeroftalmia, foram mantidas após a destruição do conteúdo de vitamina A nesse alimento. Paralelamente, uma interessante dicotomia em abordagens propostas para o problema emergiu na Europa, ao passo que outras investigações apontaram que a exposição de crianças com raquitismo à luz solar ou à radiação ultravioleta artificial também resultava em cura.

 

12 Magnésio, Sódio e Potássio

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O nome “magnésio” deriva de “magnésia”, palavra que designava uma região da Tessália, localizada na Grécia. Foi reconhecido como um elemento químico em 1755 pelo escocês Joseph Black e obtido como metal puro em 1808, por Humphry Davy, mediante a eletrólise de uma mistura de magnésia e óxido de mercúrio.

O magnésio é um mineral abundante em muitos alimentos, e sua deficiência em seres humanos é rara. Entretanto, a depleção desse mineral associada a distúrbios clínicos há muito vem sendo descrita. A partir de 1930, Kruse et al. pioneiramente observaram de forma sistemática a deficiência do magnésio em animais.1 Haury et al., em 1934, publicaram a primeira descrição de depleção clínica no ser humano, com base em um estudo com um número reduzido de pacientes. Os estudos com alcoolistas só tiveram início em 1950, quando Flink documentou a deficiência do magnésio também em pacientes em nutrição parenteral total isenta de magnésio.

O íon magnésio, quarto cátion mais prevalente nos vertebrados, é um cofator em múltiplas reações enzimáticas, incluindo aquelas envolvendo metabolismo energético, síntese de DNA e proteínas, e participa da regulação dos canais iônicos. Como um cátion divalente, o magnésio consegue cruzar componentes carregados negativamente da membrana celular, e a fixação de íons de magnésio resulta em proteção de carga da superfície da célula.2 O mineral forma complexos com uma ampla variedade de moléculas orgânicas que têm atividades biológicas e dois tipos de interação geral:

 

13 Elementos-traço

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O termo “elementos-traço” tem sido utilizado em nutrição humana para os minerais com recomendações nutricionais (estabelecidas, estimadas ou sugeridas) abaixo de 1 mg/dia. São pelo menos 18 oligoelementos: alumínio, arsênico, boro, bromo, cádmio, cromo, germânio, chumbo, lítio, molibdênio, níquel, rubídio, silício, estanho, vanádio, iodo, selênio e flúor. Para muitos desses nutrientes, não há descrição das funções bioquímicas específicas e sua essencialidade baseia-se em provas circunstanciais. Neste capítulo, destacam-se o iodo, o selênio e o flúor por sua relevância em saúde pública, mas são descritos também alguns outros minerais com informações consistentes de potencial interesse em nutrição humana no Brasil.

O iodo foi descoberto em 1811, quando Bernard Courtois queimou algas marinhas e observou a saída de vapores violeta e a formação de cristais pretos. O químico francês Joseph Louis Gay-Lussac deu à substância o nome de iodo, palavra de origem grega que significa “violeta”.1

 

14 Diálogos entre Alimentação e Ciências Humanas e Sociais

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Para além das Ciências Biomédicas, o fenômeno alimentar é um assunto abordado pelas Ciências Sociais e Humanas, que têm por intuito problematizar e explicar as formas e os arranjos de diferentes agrupamentos humanos conceberem e representarem a alimentação. Dos intercâmbios disciplinares entre as Ciências da Saúde e as Ciências Humanas e Sociais, surgiu a ênfase nas dimensões “sociais e culturais” da alimentação nas pesquisas e na prática da(o) profissional nutricionista. Este capítulo adentrará nesse complexo, porém fascinante, percurso que busca refletir sobre a interface entre a alimentação e as Ciências Sociais e Humanas. Para isso, será definido a quais Ciências Sociais e Humanas se refere quando se pensa nelas. Embora o leque seja bastante profuso, o foco será a Antropologia e a Sociologia, pelas limitações impostas por um capítulo de livro. Contudo, é importante destacar que as análises históricas, políticas, econômicas, psicológicas e filosóficas, entre outras, são fundamentais.

 

15 Práticas Alimentares e seus Condicionantes

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Segundo a definição de Poulain e Proença1, as práticas alimentares compreendem todos os costumes, ações, usos e aplicações de regras que se relacionam com a alimentação humana, desde a produção de alimentos até seu consumo e o manejo de sobras. Tais práticas alimentares incluem todas as etapas do sistema alimentar e da relação das pessoas com a comida, ou seja, o que se produz, como se produz, o que se compra, quem cozinha, como cozinha, o que se come, como se come, com quem se come, entre outros.2 Assim, com-preende-se que as práticas alimentares se expressam em um continuum que vai das observáveis, como o consumo alimentar, às subjetivas, como os significados e representações atribuídos aos alimentos e ao comer.1

Aspectos das práticas alimentares podem ser alcançados por meio de quatro níveis:

• Práticas observadas: tudo aquilo que se pode observar com relação à alimentação dos sujeitos, tanto presencialmente quanto por material audiovisual (como ao acompanhar e registrar em vídeo ou áudio as compras de alimentos de uma família)

 

16 Planejamento Dietético | Perspectivas para a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) define promoção da saúde como uma ampla gama de intervenções sociais e ambientais voltadas a beneficiar e proteger a saúde do indivíduo e sua qualidade de vida. Tais intervenções abordam e previnem causas radicais de doenças e agravos, sem foco exclusivo em tratamento e cura, e alinham-se à ampliação do controle e da autonomia do indivíduo sobre sua própria saúde. Entre os elementos-chave para a promoção da saúde, a boa governança para saúde aponta para a necessidade de que gestores de todos os segmentos e instâncias governamentais reconheçam a saúde como linha central para ação em suas decisões, com previsão de ações regulatórias junto a atividades desenvolvidas pelo setor privado. Em adição, a instrução em saúde engloba a garantia de acesso a conhecimentos, habilidades e informações para oportunizar escolhas saudáveis dos indivíduos em contextos democráticos que possibilitem expressão de demanda por adequadas condições estruturais para melhoria do estado de saúde. Tal exercício beneficia-se, ainda, da noção de ambientes saudáveis, os quais são possíveis a partir de posições de liderança que se articulem em comprometimento com a garantia da saúde em nível regional. Isso reverbera em níveis nacionais e internacionais, com a estruturação de medidas desde os níveis mais básicos de atenção à saúde aninhadas ao adequado planejamento dos arranjos físicos de cidades e demais conformações sobre as quais se desenham as interações sociais.1

 

17 Interações entre Atores, Contextos e Ferramentas para a Práxis do Planejamento Dietético

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O planejamento dietético nos diferentes estágios do ciclo vital pode ser visto como um dos elementos a compor a produção do cuidado nutricional. Sob o ensejo de um entendimento ampliado sobre saúde, o planejamento dietético se constrói a partir de um conjunto de ações e procedimentos em etapas sucessivas para a avaliação do estado nutricional e das práticas alimentares, a definição do diagnóstico nutricional e a construção conjunta e compartilhada de estratégias alimentares e demais condutas, para a manutenção ou a recuperação da saúde, de maneira adequada ao contexto e às condições de saúde do indivíduo. É relevante, ainda, empreender o moni-toramento e a avaliação do cuidado produzido. Assumem-se saúde e alimentação como direitos humanos indissociáveis, atuando-se em prol da superação da fragmentação do cuidado em saúde e do foco puramente biológico sobre questões alimentares e nutricionais.1 Contemplar a relação humano-comida tendo a alimentação como um complexo fenômeno psicobiossociocultural se dá em um terreno genuinamente sensível e comprometido com as necessidades de saúde de cada sujeito, por meio de uma escuta qualificada (Figura 17.1). Para abrir tal discussão, neste capítulo será abordada a articulação de ferramentas necessárias para as diferentes etapas do planejamento dietético como parte do cuidado nutricional centrado no indivíduo. Nos capítulos seguintes, será possível, então, debruçar sobre especificidades de cada estágio do ciclo vital.

 

18 Nutrição nos Ciclos da Vida | Gestantes e Nutrizes

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A gestação consiste em um fenômeno fisiológico localizado em um período de transição do ciclo vital da mulher, que pode fazer parte de uma experiência de vida saudável. Nesse período, composto por três trimestres heterogêneos, ocorrem diversos ajustes hormonais e metabólicos para a promoção do crescimento e desenvolvimento fetal em estágios de hiperplasia e hipertrofia. Além disso, há a preparação do corpo para o parto e a lactação. Todas essas mudanças têm caráter bastante dinâmico, sob perspectivas física, sociocultural e emocional.

Em um documento recentemente publicado, sobre recomendações para o período pré-natal, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu uma experiência positiva de gestação sob quatro aspectos principais:

• Manutenção da normalidade física e reconhecimento das questões socioculturais

• Manutenção de uma gestação saudável para mãe e bebê (incluindo prevenção e tratamento de riscos, doenças e óbito)

• Transição efetiva para trabalho de parto e nascimento

 

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