Práticas de leitura e escrita

Autor(es): Ernani Terra
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Durante nossa vida acadêmica e profissional somos constantemente desafiados a colocar em prática tudo o que aprendemos sobre leitura e escrita, seja produzindo um texto em situação de provas ou concursos, seja em situações de trabalho, quando temos de escrever um email para o presidente da empresa. Acontece que muitos estudantes chegam à universidade com dificuldades para compreender e produzir textos, o que os impede de evoluir nos estudos ou de conseguir cargos melhores no trabalho. Ernani Terra identificou esses problemas durante as aulas que ministrava em cursos de ensino superior e desenvolveu um material cheio de subsídios para que os leitores possam desenvolver suas habilidades de leitura e produção de textos em geral. Em Práticas de leitura e escrita, o autor discute e detalha os aspectos relacionados a um bom texto, orienta como conseguir coesão e a coerência na escrita, e finaliza sua obra refletindo sobre as práticas de leitura e escrita na era digital e seu papel na vida cotidiana. Ao final de cada capítulo, há uma sistematização dos principais conceitos trabalhados e atividades diferenciadas para que o estudante ponha em prática o que estudou no capítulo. Obra fundamental para quem quer e precisa ler e escrever melhor.

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1.1 PARA COMEÇAR

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1. bens e coisas

1.1 PARA COMEÇAR

Quando vemos um automóvel andando pelas ruas, não temos a menor dúvida de que ele possui um dono. O mesmo se pode dizer de uma bicicleta, de uma casa, de um sítio, de uma loja, de uma drogaria etc. A maioria das coisas existentes na sociedade tem efetivamente um dono, ou seja, pertence a alguém.

Passamos grande parte de nossa vida procurando adquirir coisas que satisfaçam nossas necessidades e que também nos tragam prazer, conforto, informação e cultura. Muitas pessoas compram carros, casas, roupas, joias, livros, revistas etc. porque acreditam que a propriedade desses bens lhes permitirá atender a várias de suas necessidades, trazendo-lhes satisfação.

As pessoas sempre buscam entrar em conjunção com algo que para elas tem algum valor, e não precisam ser necessariamente objetos concretos, materiais. Os objetos de valor também podem ser abstratos, como felicidade, amor, prosperidade, saúde, riqueza, prestígio, poder etc. Muitas vezes, esses valores abstratos estão corporificados em objetos concretos. Assim, um automóvel para algumas pessoas representa o valor abstrato riqueza; para

 

1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS

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Capítulo 1 | Bens e coisas

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de faróis e lanternas etc.). Em muitas cidades, há restrições impedindo que, em determinados dias, horários e locais, veículos automotores possam circular, a fim de restringir o tráfego e/ou diminuir os índices de poluição.

Igualmente, o proprietário de um imóvel somente poderá usá-lo se respeitar algumas limitações impostas pela lei. Um imóvel residencial, localizado em área destinada para esse fim, não poderá ser usado, por exemplo, para promover bailes noturnos com venda de ingressos, pois esse uso não estaria vinculado

à sua finalidade, que é servir de residência.

1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS

Os bens podem ser classificados em bens públicos e em bens privados. Essa classificação é feita levando-se em conta quem é o titular do domínio − ou, em outras palavras, quem é o proprietário do bem.

Damos o nome de bens públicos àqueles de domínio nacional, ou seja,

àqueles que pertencem à União, aos estados da federação ou aos municípios.

 

1.3 A LÍNGUA QUE VOCÊ FALA É UM BEM

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Capítulo 1 | Bens e coisas

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de faróis e lanternas etc.). Em muitas cidades, há restrições impedindo que, em determinados dias, horários e locais, veículos automotores possam circular, a fim de restringir o tráfego e/ou diminuir os índices de poluição.

Igualmente, o proprietário de um imóvel somente poderá usá-lo se respeitar algumas limitações impostas pela lei. Um imóvel residencial, localizado em área destinada para esse fim, não poderá ser usado, por exemplo, para promover bailes noturnos com venda de ingressos, pois esse uso não estaria vinculado

à sua finalidade, que é servir de residência.

1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS

Os bens podem ser classificados em bens públicos e em bens privados. Essa classificação é feita levando-se em conta quem é o titular do domínio − ou, em outras palavras, quem é o proprietário do bem.

Damos o nome de bens públicos àqueles de domínio nacional, ou seja,

àqueles que pertencem à União, aos estados da federação ou aos municípios.

 

2.1 LINGUAGEM, LÍNGUA E FALA

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Capítulo 1 | Bens e coisas

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2.

− a oposiçÃo

língua vs. fala

2.1 LINGUAGEM, LÍNGUA E FALA

Embora popularmente muitas pessoas utilizem as palavras linguagem, língua e fala para designar uma mesma realidade, do ponto de vista linguístico esses conceitos não devem ser confundidos. A distinção que se faz entre linguagem, língua e fala tem caráter meramente didático, uma vez que esses três conceitos revelam aspectos diferentes de um processo amplo, que é o da comunicação humana.

Não é tarefa fácil definir o que é linguagem. Julia Kristeva, em seu livro

História da linguagem, afirma que cada época ou cada civilização, em conformidade com o conjunto de seu saber, de suas crenças, de sua ideologia, tem um conceito diferente de linguagem e propõe que, em vez de se tentar responder à pergunta “O que é a linguagem?”, a substituamos por outra:

“Como a linguagem pôde ser pensada?”.

Convém observar ainda que o termo linguagem recobre fenômenos bastante diversos. Ao lado de uma capacidade humana, o termo aparece em expressões como linguagem dos animais, linguagem dos computadores, linguagem corporal, linguagem cinematográfica, entre outras.

 

2.2 O CARÁTER PÚBLICO DA LÍNGUA

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Linguagem, Língua e Fala   

Mas o que é a língua? Para nós, ela não se confunde com linguagem; é somente uma parte determinada, essencial dela, indubitavelmente. É, ao mesmo tempo, um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos.7

2.2 O CARÁTER PÚBLICO DA LÍNGUA

Dissemos que são considerados bens públicos aqueles de uso comum das pessoas. Nesse sentido, não há como deixar de considerar a língua como um bem público, já que é de uso comum dos que dela se utilizam para atos de comunicação.

A língua é exterior aos indivíduos e, por isso, eles não podem criá-la ou modificá-la individualmente. Ela só existe em decorrência de uma espécie de contrato coletivo que se estabeleceu entre as pessoas e ao qual todos aderiram. A língua portuguesa, por exemplo, pertence a todos aqueles que dela se utilizam. No caso de línguas como português, inglês e espanhol, só para citar alguns exemplos, esse bem público é meio de comunicação de pessoas de vários países; elas são, portanto, línguas multinacionais.

 

2.3 O CARÁTER PRIVADO DA FALA

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Capítulo 2 | A oposição língua vs. fala

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É muito baixa, embora variável, a percentagem de falantes que em Angola, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Guiné têm o português como primeira língua. Nesses países africanos, existem e coexistem variadas línguas nacionais, exceção feita a

Cabo Verde e a S. Tomé e Príncipe, onde os respectivos crioulos, aliás de base portuguesa, são a única língua nacional em contato com o português. Em Angola e em Moçambique, grande número das línguas nacionais pertence ao grupo de línguas bantu que não só apresentam acentuadas diferenças entre si, como são totalmente distintas da família de línguas românicas de que a língua portuguesa faz parte.8

Quando falamos em caráter público da língua, estamos nos referindo ao seu aspecto social, vale dizer, a sociedade nos impõe a língua com a qual nos devemos comunicar se quisermos ser compreendidos; por isso, quando mudamos para um país cuja língua é diferente da nossa, somos forçados a usar a língua daquele país para interagir com os outros.

 

3.1 AS LIMITAÇÕES DO USO

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3.

a língua tem suas regras

3.1 AS LIMITAÇÕES DO USO

Vimos que a fala, ao contrário da língua, é individual, o que nos permitiu equipará-la a um bem privado. Assim como os demais bens privados, ela também sofre restrições de uso, ou seja, é sujeita a restrições de duas espécies: a) �restrições intrínsecas: aquelas decorrentes da própria estrutura da língua, que limita o conjunto de possibilidades. Trata-se de regras inerentes à própria estrutura da língua. b) �restrições extrínsecas: aquelas impostas pela comunidade linguística, ou seja, pelo conjunto dos falantes, ou por parte de algumas pessoas ou grupos sociais que ditam as regras para seu uso. Como o próprio nome indica, são ditadas de fora para dentro.

Para entender bem esses dois tipos de restrição, façamos uma analogia com um outro bem: um automóvel, por exemplo.

Caso quiséssemos andar com um automóvel comum pelas ruas da cidade a 300 km/h, evidentemente não poderíamos, pois haveria restrições de ordem intrínseca: a própria potência do motor não permitiria ao carro chegar a essa velocidade. Além disso, admitindo-se por hipótese que essa

 

3.2 GRAMATICALIDADE E AGRAMATICALIDADE

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Linguagem, Língua e Fala   

3.2 GRAMATICALIDADE E AGRAMATICALIDADE

Com base nesse conceito de gramática, daremos o nome de gramaticais às frases construídas segundo essas regras internalizadas pelos falantes e de agramaticais àquelas que não obedecem a tais regras.

Frases como “Fazem dois anos que ele saiu”, “Haviam quatro pessoas na sala”, “Ocorreu muitos fatos estranhos naquele dia”, “Me emprestaram o livro” e “Prefiro mais cinema do que teatro” devem, segundo essa ótica, ser julgadas gramaticais, embora possam não ser aceitas pela gramática normativa,5 que costuma chamá-las de gramaticalmente incorretas. Segundo essa gramática, as formas corretas deveriam ser: “Faz dois anos que ele saiu”,

“Havia quatro pessoas na sala”, “Ocorreram muitos fatos estranhos naquele dia”, “Emprestaram-me o livro” e “Prefiro cinema a teatro”.

Uma frase como “Nos aquele engordou homem meses muito últimos” é agramatical, porque as palavras, por não estarem combinadas segundo as regras gramaticais intrínsecas da língua, geram uma frase que não pode ser entendida. Se a combinação das palavras fosse “Aquele homem engordou muito nos últimos meses”, teríamos evidentemente uma frase gramatical, pois a combinação dos elementos que a constituem se fez em consonância com a gramática internalizada da língua.

 

4.1 SIGNOS, ÍNDICES, ÍCONES E SÍMBOLOS

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4.−

a representação por sinais

4.1 SIGNOS, ÍNDICES, ÍCONES E SÍMBOLOS

Quando observamos o céu coberto de nuvens escuras, logo associamos esse fato à ideia de que virá chuva; quando observamos fumaça, imediatamente concluímos que há fogo por perto. Quando vemos uma representação como

, sem hesitar associamos esse sinal à ideia de perigo. Se alguém substitui sua foto de perfil no Facebook por um laço preto, imediatamente associamos aquela imagem à ideia de luto.

“Nuvem escura”, e são signos também, pois nos permitem fazer associação com os conceitos de “chuva”, “perigo” e “luto”, na medida em que representam tais conceitos. A nuvem escura, indicando chuva, e a fumaça, indicando fogo, são signos naturais (ou índices) e não se prestam como elementos de comunicação − em sua produção, não há a intervenção do homem. Já e são signos artificiais, a que o filósofo norte-americano

Charles Sanders Peirce denominou ícone (do grego: eikón, “imagem”). Nos

ícones, que são uma espécie de signo criado pelos homens com a finalidade de estabelecer comunicação, ocorre uma relação necessária entre a imagem e o conceito que ela representa, razão pela qual têm sido largamente utilizados como uma espécie de linguagem universal. Nos ícones, há uma

 

4.2 O SIGNO LINGUÍSTICO

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Capítulo 4 | A representação por sinais

<3

coração

coração partido

\o/

feliz (com os braços para cima)

:-\

confuso

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Se levarmos em conta que, para que haja processo de comunicação, teremos de ter pelo menos duas pessoas − um destinador e um destinatário −, fica claro que, no caso da nuvem escura, não há comunicação em sentido estrito, por faltar o destinador. Falta à nuvem escura a intenção de estabelecer comunicação. Já em ocorre comunicação, pois nele estão presentes tanto o destinador (quem colocou, ou mandou colocar, o ícone) quanto o destinatário (a pessoa que decodifica aquele signo).

Quando vemos, nos tribunais, uma balança, prontamente a associamos

à noção de justiça, de igualdade; quando vemos, numa igreja, uma cruz, a associamos à ideia de cristianismo. Dizemos que, nesses casos, “balança” e “cruz” são símbolos, pois são objetos materiais (não linguísticos) que representam ideias abstratas. Claro que os símbolos nem sempre exprimem adequadamente aquilo que simbolizam, pois temos uma representação parcial da coisa, uma vez que ele é uma parte do todo, que é o conteúdo abstrato. O conceito de justiça é muito mais amplo do que a balança, que representa apenas um de seus atributos: a equidade.

 

5. A ENUNCIAÇÃO

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5.−

a enunciação

5.1 A CONVERSÃO DA LÍNGUA EM FALA

Estabelecemos, com base em Saussure, a distinção entre língua e fala, ressaltando o caráter público da primeira e o privado da segunda. A questão que colocamos agora é: como se passa da língua para a fala? Isto é, como algo que é abstrato e social passa a ser concreto e individual? Como o virtual, a língua, se atualiza e passa a ser real?

Quem nos deu a resposta para essa questão foi um continuador dos estudos de Saussure, o linguista Émile Benveniste, que pode ser considerado o fundador de uma linguística da enunciação. Para ele, a conversão de língua em fala se dá pela enunciação. Expliquemos melhor.

Michel de Certeau, em seu livro A invenção do cotidiano, nos dá um exemplo que ajuda a compreender a enunciação. Diz o historiador francês que, quando caminhamos, nos apropriamos do espaço urbano. A utilização que o pedestre faz do espaço público é pessoal; ele pode, para chegar a um mesmo destino, optar por caminhos diferentes. Se retornamos a um exemplo dado no começo deste livro, observamos que o sujeito, o pedestre, ao caminhar, se apropria de algo que é público, o espaço urbano. A enunciação

 

6.1 A NOÇÃO DE TEXTO

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6.

O Texto

6.1 A NOÇÃO DE TEXTO

Partimos da distinção saussuriana de língua e fala e vimos que Benveniste nos mostra como, por meio da enunciação, um sistema, a língua, se converte em fala ou discurso. Ainda com base em Saussure, comentamos o conceito de signo linguístico, uma entidade de duas faces que une um conceito, o significado, a uma imagem acústica, o significante, e que a relação significante/significado, embora imotivada, passa a ser necessária.

A partir dessas noções já estudadas, podemos avançar mais um pouco e apresentar uma noção de texto. Ressaltamos que não há unanimidade entre estudiosos sobre o conceito de texto. Dependendo da corrente teórica

(linguística textual, análise do discurso, semiótica, teoria dos atos de fala etc.), podem-se encontrar conceitos diferentes para texto. Mesmo dentro de uma mesma teoria, o conceito pode variar de autor para autor.

A palavra texto recobre vários significados. Provém do termo em latim textus, que está preso ao verbo latino tecere, que significa “fazer tecido”,

 

6.2 TEXTOS TEMÁTICOS E TEXTOS FIGURATIVOS

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Capítulo 6 | O texto

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isotopia do texto é quebrada, na medida em que a fala do médico não se insere mais no discurso médico e sim no discurso culinário (“cortar o bacon, a linguiça, a pimenta... / Jogue tudo numa panela e refogue com alho...”).

Como podemos observar, essa quebra de isotopia não afeta a coerência do texto, já que com ela o enunciador alcança o efeito de sentido pretendido.

6.2 TEXTOS TEMÁTICOS E TEXTOS FIGURATIVOS

As categorias da enunciação, pessoa, lugar e tempo, se instalam nos textos e deixam suas marcas. Neles, ainda vamos encontrar os temas e as figuras.

Dependendo da predominância de uns ou de outras, temos dois tipos de textos: os temáticos e os figurativos. Adiantamos que essas duas categorias de textos estão ligadas à dominância de temas ou de figuras e não à exclusividade de uns ou de outras. Mas antes é preciso que definamos o que são temas e o que são figuras.

Figuras são palavras concretas que têm um referente no mundo natural ou imaginado, isto é, palavras cuja percepção é dada pelos sentidos, como livro, bruxa (visão), grito (audição), amargo (paladar), áspero (tátil), perfume

 

6.3 INTERTEXTUALIDADE

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Capítulo 6 | O texto

A seguir apresentamos mais uma tela de Diego Velázquez, O triunfo de

Baco, de 1629.

©Gettyimages/ Coleção SuperStock/ Peter Barritt

Figura 6.3 O triunfo de Baco

Se compararmos esta tela com a outra do mesmo artista apresentada anteriormente, você verá que, em As meninas, temos um texto enunciativo, já que há nele as marcas do enunciador, no caso o artista que pinta o quadro.

Em O triunfo de Baco, ao contrário, não há na tela nenhuma marca do enunciador, aquele que pintou o quadro, ou seja, trata-se de um texto enuncivo.

6.3 INTERTEXTUALIDADE

Embora o texto se caracterize por ser uma unidade, um todo de sentido, ele mantém relações com outros textos e pode servir de referência a textos que ainda serão produzidos, isso porque todo dito repousa num já dito, ou seja, os textos relacionam-se uns com os outros. Há entre eles um diálogo que pode ser de concordância ou de refutação. A isso damos o nome de intertextualidade.

 

6.4 HIPERTEXTO

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Linguagem, Língua e Fala   

©MP Publicidade para Hortifruti

Figura 6.4 Homenagem ao protagonista do filme "Piratas do Caribe"

Na ilustração acima, temos a personagem “batata” da rede varejista de hortifrutigranjeiros do Brasil, a “Hortifruti”, em situação similar ao protagonista do filme “Piratas do Caribe”. Há entre os dois textos uma relação intertextual, sendo o texto da “Hortifruti” uma paródia dos filmes, que é o intertexto. A leitura do texto com a personagem “batata” da rede varegista

(texto presente) deve ativar o texto ausente (filme). Numa outra perspectiva, a leitura da paródia requer por parte do leitor o conhecimento de duas vozes que se entrecruzam e dialogam: a voz do texto paródia e a voz do texto-fonte.

6.4 HIPERTEXTO

Com a noção de intertextualidade, mostramos que os textos, embora unidades de sentido autônomas, não se fecham em si mesmos, na medida em que dialogam com textos já produzidos. Com o advento da internet e o desenvolvimento cada vez maior da rede mundial de computadores, desenvolveu-se muito um tipo de texto cada vez mais presente em nossos dias, o hipertexto, cuja leitura é normalmente feita em telas de computador, tablets ou smartphones.

 

7. LÍNGUA: UM FEIXE DE VARIEDADES

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7. língua: um feixe de variedades

7.1 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Os estudos sobre variação são relativamente novos e coincidem com o surgimento de um ramo da linguística chamado sociolinguística. Como o próprio nome indica, essa disciplina estuda as relações entre língua e sociedade. Embora Saussure já tivesse chamado a atenção para o caráter social da língua, foi somente a partir dos anos 1960, com os estudos do linguista norte-americano William Labov, que as pesquisas que relacionam língua e sociedade ganharam impulso.

O tratamento da variação linguística nos dias atuais não está restrito à universidade. Há algum tempo, a questão da heterogeneidade da língua se faz presente na escola desde o ensino fundamental. Nesse sentido, foram decisivas as recomendações dos PCN para que desde cedo os alunos compreendessem que a homogeneidade linguística é uma quimera. Embora um pouco extenso, vale a pena reproduzir aqui o que dizem os PCN.

A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, independentemente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em Língua Portuguesa está se falando de uma unidade que se

 

8.1 O CONCEITO DE NORMA

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8.

NOrmA

LINGUística

8.1 O CONCEITO DE NORMA

As palavras são polissêmicas, isto é, podem ser usadas em diversos sentidos.

Vimos que as palavras texto e discurso têm sentidos diversos dependendo da corrente teórica em que se insere o enunciador ao produzir seu discurso, por isso é sempre bom que explicitemos em que sentido empregamos determinada palavra se supusermos que o enunciatário possa atribuir a ela sentido diverso do que pretendemos. Por essa razão, queremos deixar claro aqui o que entendemos por norma.

Usamos aqui a palavra norma para designar um preceito, uma regra, um padrão. As normas estão presentes em diversos campos da vida social, por isso temos as normas jurídicas, as normas éticas, as normas de comportamento, as normas gramaticais etc. Este capítulo tem por objetivo discutir essas

últimas. Ressaltamos que a própria palavra gramática cobre várias coisas, por isso é comum que ela venha acompanhada de um adjetivo restritivo: gramática normativa, gramática histórica, gramática descritiva, gramática gerativa, gramática internalizada, gramática funcional etc. Neste capítulo, trataremos especificamente da norma gramatical.

 

8.2 DIVERSIDADE E UNIFORMIDADE

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Linguagem, Língua e Fala   

A norma que impede os homens de usarem joias envelheceu por não mais refletir o fato social; em consequência, perdeu sua eficácia. É digno de nota que, no enunciado daquela norma, ainda se fale em “anel com as armas da família”. Podemos comparar essa norma com aquela estabelecida pela gramática normativa que obriga o uso da mesóclise

(“convidar-me-ão”, “revelar-nos-iam”), que efetivamente envelheceu e não mais representa um uso efetivo da língua, embora ainda seja prescrita pela gramática tradicional.

Para ter eficácia, é importante que a norma reflita o fato social da maneira como ele ocorre no momento em que a regra foi formulada; por isso,

é fundamental que a norma seja sempre revista para que esteja adequada ao fato que normatiza. A norma sobre o limite máximo de velocidade de veículos automotores nas estradas, avenidas e ruas teve de ser modificada para se adequar a uma nova realidade social: o aumento de vítimas em acidentes de trânsito.

 

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