Saúde Bucal Coletiva, 7ª edição

Autor(es): PINTO, Vitor Gomes
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A sétima edição do livro Saúde Bucal Coletiva, revisada e atualizada, aborda desde questões básicas, como organização, financiamento e identificação de problemas, até temas específicos relacionados com prevenção e educação em saúde, cárie dental, doenças periodontais, câncer, fissuras labiopalatais, entre outros, sempre com ênfase em seus condicionantes biológicos, sociais e econômicos. _x000D_
Os 19 capítulos que compõem esta obra, escritos por renomados especialistas, combinam o olhar clínico com uma visão mais ampla e voltada para a sociedade, apresentando novas tecnologias, métodos e modelos de atenção a pequenas e grandes comunidades. _x000D_
Indicada para estudantes e profissionais de Saúde Pública e Odontologia, este livro fornece as bases para que se possa atuar com eficiência em instituições governamentais ou do setor privado, comunidades, empresas e associações de prestação de prestação de cuidados à população._x000D_
Novidades da segunda edição:_x000D_
• Edição revisada e atualizada._x000D_
• Capítulos elaborados por colaboradores renomados das áreas de Saúde Pública e Odontologia._x000D_
• Encarte colorido para melhor visualização das afecções bucais.

21 capítulos

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1. Bases para uma Saúde Bucal de Caráter Coletivo

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Bases para uma Saú­de

Bucal de Caráter Coletivo

Vitor Gomes Pinto  •  Paulo Capel Narvai

Introdução

A ciên­cia caminha a passos cada vez mais acelerados. Em setores de ponta da economia, em par­ticular em ­áreas como a da informática, as mudanças ocorrem em tal velocidade que surpreendem até mesmo os criadores das novas tecnologias. Vive-se, portanto, um perío­do histórico que tem sido acertadamente denominado a “era da informação”. Nesse sentido, deve-se sempre criar caminhos alternativos e soluções melhores para enfrentar os novos problemas, embora o conhecimento do passado e a experiência acumu­lada constituam ferramentas poderosas nessa trajetória.

Na área de Odontologia, por exemplo, até mesmo o nome de uma especialidade importante mudou: antes a “Odontologia Social e Preventiva”, uma variante da Odontologia de Saú­de Pública, agora é “Saú­ de Bucal Coletiva”, visto o objetivo de alcançar de fato o conjunto da população, deixando claro que toda a comunidade, não apenas os in­di­ví­duos em particular, consiste no alvo das transformações mais recentes ocorridas na profissão, com novas técnicas preventivas, produtos e formas de organização e de financiamento.

 

2. Planejamento

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Planejamento

Vitor Gomes Pinto

Planejar ou improvisar

O futuro, embora desconhecido, com certeza será diferente do presente. E o reconhecimento dessa verdade aparentemente tão elementar conduz a duas atitudes possíveis: uma passiva, de espera pelo que acontecerá; e uma ativa, de antecipação e preparação lógica para enfrentar da melhor maneira possível a mudança inevitável. Essa segunda posição promove (com a curiosidade em explorar o futuro) o planejamento, que pode ser definido como o processo pelo qual se procura prever racionalmente o amanhã.

Na prática, busca-se com ele dar maior eficiên­cia à atividade humana, opondo-se à improvisação.

O planejamento forma um conjunto que inclui, entre outros aspectos (Belt, 2000; Bromley e Bustelo,

1982; Kinsella, 2002; Matus, 1993; Muñoz Amato, 1966; Uribe Rivera, 1992):

• Estudo da realidade

• Definição de objetivos

• Ordenação de recursos materiais e humanos

• Estabelecimento de medidas de tempo, quantidade e qualidade

 

3. Financiamento e Organização

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Financiamento e

Organização

Vitor Gomes Pinto  •  Solon Magalhães Vianna  •  Carolina Manau Navarro

Introdução

Em sentido estrito, “financiamento” consiste no ato de prover as despesas de uma atividade ou de um setor. No campo da saú­de, o termo é frequentemente utilizado em um sentido mais abrangente, o que inclui desde a análise das fontes de custeio e das modalidades de remuneração das pessoas e entidades que ­atuam no setor até a maneira como os serviços de atendimento à população estão estruturados. Isso porque as questões econômico-financeiras ganharam tal dimensão no mundo moderno que, na prática, são as que definem os padrões de organização dos sistemas de saú­de e de saú­de bucal, suplantando os aspectos meramente organizacionais e administrativos (Gift et al., 1996).

Esses temas são abordados neste capítulo em seções dedicadas aos tipos de organização e conceitos básicos de economia relacionados com saú­de, custeio, remuneração, seguros e planos de saú­de, e sistemas de saú­de bucal no Brasil, na Europa e nos EUA, escolhidos com a intenção de englobar alguns dos sistemas de saú­de de maior representatividade no mundo atual, a fim de orientar melhor os leitores em seus estudos.

 

4. Programação em Saúde Bucal

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Programação em

Saú­de Bucal

Vitor Gomes Pinto  •  Fanny Jitomirski

Do nível local ao nível central

O princípio “quanto mais centralizado um sistema de saú­de, menor a sua eficácia” é plenamente aplicável à política de cobertura populacional em Odontologia. E seu resultado, ou seja, que os serviços sob administração e controle locais costumam ser superiores aos que dependem de instituições federais, é, do mesmo modo, verdadeiro, ainda que existam exceções.

Trata-se de um problema que se agrava em paí­ses mais extensos e populosos, como o Brasil, onde a tendência a uniformizar sob uma única regra situações e grupos muito distintos entre si pode criar distorções mais sérias e de conse­quências mais graves que as que procura corrigir.

São quatro as diretrizes básicas a seguir na estruturação do trabalho odontológico:

• Universalização: estender serviços básicos a toda a população, o que implica a definição de um elenco de atividades igualmente acessível a todas as pessoas sem restrições de caráter econômico, social, racial, religioso, político, geográfico ou de qualquer outra ordem, além da alocação dos recursos financeiros necessários para que se concretize na prática diá­ria

 

5. Identificação de Problemas

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Identificação de Problemas

Vitor Gomes Pinto  •  Andrea G. Ferreira Zandoná  • 

Sílvia Helena de Carvalho Sales Peres  •  Tania Izabel Bighetti  • 

Eduardo Dickie de Castilhos  •  Paulo Capel Narvai  •  Dante Bresolin

Introdução

Uma das mais notáveis características das sociedades modernas é a constante mudança de parâmetros e de bases de referência, na tentativa de acompanhar o ritmo cada vez mais acelerado de inovações tecnológicas que repercutem, também, com crescente velocidade e profundidade nos costumes sociais.

Dificilmente a ciên­cia e a prática da Odontologia poderiam ficar imunes a esse processo. Transformações impressionantes se deram ao longo dos últimos anos no quadro epidemiológico, primeiro nos paí­ses altamente industrializados e, em seguida, nas nações em desenvolvimento, incluindo-se o

Brasil e boa parte da América Latina. A redução de cáries em populações de crianças e jovens afetou a distribuição dos profissionais e a oferta de serviços em especialidades clássicas, como a odontopediatria e a endodontia, cujos clientes começaram a diminuir e passou a exigir maior atenção no campo do diagnóstico.

 

6. Avaliação de Necessidades pela Abordagem Socio-odontológica

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Avaliação das Necessidades pela Abordagem

Socio-odontológica

Georgios Tsakos  •  Jennifer Oliver*

Introdução

O planejamento dos serviços de saú­de está enraizado no imperativo ético de usar apropriadamente os recursos disponíveis.

A avaliação de necessidades de saú­de reú­ne e analisa informações para subsidiar o planejamento dos serviços de saú­de, sendo empregada para garantir o uso dos recursos de maneira mais eficiente e eficaz – por exemplo, direcionando-os para grupos ou in­di­ví­duos com maior probabilidade de se beneficiarem da assistência médica. Seus objetivos gerais são melhorar a saú­de da população e reduzir as desigualdades na saú­de.

Hoje, fica bem claro que a saú­de é mais que apenas uma ausência de doen­ça. Como resultado, as necessidades atuais de saú­de incluem questões como:

• Impacto da falta de saú­de nos in­di­ví­duos e na sociedade

• Limitações funcionais resultadas da falta de saú­de

• Percepções e atitudes dos próprios pacientes em relação a problemas de saú­de

 

7. Recursos Humanos

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Recursos Humanos

Vitor Gomes Pinto

Introdução

A questão da mão de obra consiste na própria essência do trabalho odontológico. Mesmo que os temas ligados à tecnologia ocupem sempre um grande espaço nas discussões do setor, não se pode esquecer que pelo menos 80% dos custos de produção em Odontologia no serviço público situam-se na rubrica de “pessoal”.

Neste capítulo, antes de detalhar cada dos tipos de recursos humanos que formam o elenco de opções disponíveis em Odontologia, serão analisados dois pontos nos quais se situam alguns dos tabus mais atuais dessa ­área: a evolução profissional e os níveis de complexidade do trabalho científico. Ao final, discutem-se as fases de seleção, treinamento, utilização, supervisão e aprendizado contínuo do pessoal técnico e auxiliar, acrescentando-se uma análise sobre a importante questão do mercado de trabalho.

Evolução profissional

Uma das formas mais comuns em que se dá o avanço científico é a metodização de conhecimentos já existentes em estado empírico entre a população. A á­ rea da saú­de compreende um dos melhores exemplos dessa tese, pois nela a prática de curar seus semelhantes é tão antiga quanto a própria humanidade.

 

8. Tecnologia e Saúde Bucal | Desafios da Incorporação Técnológica

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Tecnologia e Saú­de Bucal |

Desafios da Incorporação

Tecnológica

Marcos Azeredo Furquim Werneck  •  Renato César Ferreira

Introdução

O avanço tecnológico tem assumido, cada vez mais, fundamental importância no desenvolvimento do campo da saú­de. Clones, pesquisas com células-tronco, transplantes e órgãos eletrônicos dão à tecnologia e à ciên­cia o papel reservado aos deuses na prática médica desenvolvida na Antiguidade e na Idade

Média (Dunley, 2005; Novaes, 2006). A todo momento, recebem-se informações sobre equipamentos e técnicas capazes de resolver os mais variados problemas de saú­de, ainda que não necessariamente submetidas a uma avaliação adequada.

No passado, as pessoas atribuíam aos espíritos e à vontade divina a responsabilidade por quase todos os bens e males que as acometiam. Hoje, com a evolução tecnológica e científica invadindo irreversível e cada vez mais rapidamente o cotidiano de todos, muitos dos aspectos colocados há bem pouco tempo, como ficção científica, poderão, em breve, ser vistos nas prateleiras dos supermercados.

 

9. Promoção da Saúde e Prevenção das Doenças Bucais

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Promoção da Saúde e Prevenção das

Doenças Bucais

Paulo Nadanovsky

Níveis de prevenção

Tradicionalmente, tem-se classificado a prevenção das doen­ças em três níveis (Leske et al., 1993):

• Primária: relacionada com a iniciação da doen­ça

• Secundária: quando se tenta impedir a progressão e a recorrência da doen­ça

• Terciá­ria: momento em que se procura evitar ou restabelecer a perda de função.

Em relação à cárie dentária, exemplos de prevenção primária são a fluoretação da água ou da pasta de dente e a redução do consumo de açúcar; secundária, o diagnóstico precoce e a intervenção clínica pela aplicação profissional de flúo­r, limpeza profissional dos dentes, e aplicação de selantes de fossas e fissuras; e terciá­ria, as restaurações, as próteses e os implantes.

Apesar de útil, contribuindo para a simplificação da comunicação, há um desconforto em relação a essa classificação tradicional da prevenção. Os níveis secundário e terciá­rio são mais bem definidos como estratégias de tratamento, e não de prevenção de doen­ça. Como tal, devem ser discutidas e avaliadas de acordo com seus próprios méritos, isto é, a limitação de danos e recupe­ração de função. Além disso, essa classificação não prioriza a prevenção primária e foi considerada insatisfatória no campo da promoção da saú­de (Downie et al., 1991). Este capítulo tem por objetivo analisar as questões relativas

 

10. Educação em Saúde Bucal

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Educação em Saú­de Bucal

Vitor Gomes Pinto

A quem educar

A educação em saú­de bucal (ESB) é um componente do processo de promoção da saú­de, com características específicas tanto como prática quanto como campo de conhecimento.

Em primeiro lugar, é preciso saber a quem se pode ou se deve educar, e ter bem claros os limites de in­fluên­cia e as dificuldades do processo educativo.

Quem já presenciou ou participou de trabalhos de grupos de educação em saú­de nos paí­ses com alto

índice de industrialização dificilmente deixou de admirar-se com a naturalidade com que são relatados sucessos de programas e metodologias que parecem tão simples quanto os comumente aplicados nos paí­ses não desenvolvidos. Pessoas com as necessidades básicas satisfeitas são mais facilmente motivadas e absorvem ensinamentos educativos até mesmo de modo voluntário. Principalmente nas décadas de

1960 e 1970, quando as teorias do capital humano ganharam prestígio internacional, e diante de bons resultados com projetos-piloto em comunidades carentes, a educação chegou a ser considerada a panaceia para quase todos os males sociais. As pessoas não eram pobres ou desnutridas porque a sociedade era injusta, mas porque não sabiam aproveitar as oportunidades ou não conheciam o valor nutritivo de alimentos disponíveis na natureza. Assim, bastaria educá-las para modificar seus hábitos.

 

11. Cárie Dentária | Fatores Associados

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Cárie Dentária |

Fatores Associados

Marisa Maltz  •  Berenice Barbachan e Silva  •  Luana Severo Alves

Considerações gerais

Apesar da expressiva redução da prevalência de cárie dentária observada no mundo nas últimas décadas, a doen­ça con­ti­nua a ser um grande desafio para a saú­de pública global. De acordo com dados recentes, 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo apresentavam cárie dentária não tratada em dentes permanentes em 2015 (Kassebaum et al., 2017). Desse modo, é necessário um maior entendimento dos fatores associados à cárie que possibilitem o desenvolvimento de abordagens efetivas para reduzir os níveis da doen­ça em escala mundial.

A cárie dentária pode ser definida como um processo dinâmico que ocorre na superfície dentária coberta por biofilme, caracterizando-se pelo desequilíbrio entre esse biofilme e os tecidos duros do dente, e resultando, ao longo do tempo, em perda mineral. A perda mineral dos tecidos dentários (esmalte, dentina ou cemento) é causada por ácidos, especialmente o láctico, produzidos pela fermentação bacteriana dos carboidratos da dieta, geralmente a sacarose. A queda do pH resultante da ação desses

 

12. Declínio da Cárie

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Declínio da Cárie

Paulo Nadanovsky

Introdução

Do início do ­século 20 até os anos 1970, a cárie dentária afetava vários dentes de praticamente todas as crianças nos paí­ses desenvolvidos. Ter vários dentes cariados era considerado normal, algo que todas as crianças invariavelmente esperavam ter durante a infância. Crianças que passassem a infância sem ter tido alguns dentes cariados era impensável naquela época nos paí­ses desenvolvidos. Até que algo inesperado ocorreu; a partir do início da década de 1970, começou-se a observar que a prevalência da cárie dentária estava diminuindo em crianças em vários paí­ses desenvolvidos. Como a cárie dentária sempre foi, e con­ti­nua sendo, o problema de saú­de bucal mais prevalente e que causa mais impacto na vida das pessoas (dor, desconforto, alteração na estética, prejuí­zo social, custo econômico, absenteí­smo na escola e no trabalho etc.), a mudança mais importante em relação à saú­de bucal nos últimos

 

13. Prevenção da Cárie Dentária

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Prevenção da Cárie Dentária

Milton Fernando de Andrade Silva  •  Vitor Gomes Pinto  • 

Andrea G. Ferreira Zandoná

Introdução

Neste capítulo estão descritos, passo a passo e com as vantagens e desvantagens, os vários métodos disponíveis para prevenção da cárie dentária. Consideram-se, na prática, três grandes possibilidades de intervenção. Em primeiro lugar, estão os métodos relacionados com a ação preventiva em saú­de publica – incluindo a fluoretação da água e do sal, dos suplementos dietéticos e, ainda, da água nas escolas, do leite, açúcar e gomas de mascar. Em segundo lugar, encontram-se os métodos ba­sea­dos no uso tópico (sobre os dentes) de flúo­r, sendo considerados os bochechos, as aplicações tópicas, os vernizes e os dentifrícios, acrescentando-se um item relativo ao múltiplo emprego de fluoretos. Por último, os métodos que independem do flúo­r, como é o caso dos selantes, da remoção profissional da placa e produtos não fluoretados.

 

14. Açúcares | Relações Epidemiológicas e Econômicas com a Cárie Dentária

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Açúcares | Relações

Epidemiológicas e

Econômicas com a

Cárie Dentária

Vitor Gomes Pinto

açúcares na etiologia da cárie dentária

Desde a mais remota Antiguidade, a cárie dentária tem sido diretamente ligada à ingestão de açúcares. Com a redução de preços e a produção em massa de guloseimas de todos os tipos a partir da Era

Industrial, a popularização do consumo de açúcares cariogênicos fez a cárie dentária se transformar em uma das mais representativas endemias do mundo moderno. Somente há pouco tempo o axioma

“quanto mais açúcar, mais cárie” começou a ser superado, com a ativa redução da prevalência em crianças alcançada primeiro nos paí­ses economicamente mais desenvolvidos e agora também no Brasil e em outras nações em desenvolvimento, sem que houvesse uma diminuição no consumo de açúcar e graças

à introdução de métodos preventivos eficazes com base no uso cada vez mais generalizado de fluoretos.

Esse tema, já abordado com propriedade no Capítulo 11, é aqui referido com a intenção de permitir a introdução de aspectos sociais e econômicos ligados aos padrões e costumes de consumo de açúcar pelo homem.

 

15. Etiologia e Prevenção das Doenças Periodontais

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Etiologia e Prevenção das

Doenças Periodontais

Geraldo Augusto Chiapinotto  •  Carlos Heitor Cunha Moreira  • 

Ticiane de Góe­s Mário

Etiologia

As doen­ças periodontais têm alta prevalência tanto nos paí­ses desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento (Eke et al., 2015; Opperman et al., 2015). Trata-se uma das principais causas de perdas dentais, podendo, desse modo, comprometer a função mastigatória (Kassebaum et al., 2014a). Podem também ter impacto na qualidade de vida e ser fator de risco para outros problemas de saú­de, como doen­ças respiratórias e cardiovasculares (Linden et  al., 2013; Schenkein e Loss, 2013). Além disso, a doen­ça periodontal está entre as duas doen­ças bucais que mais contribuem para a carga global de doen­ças crônicas (Petersen e Ogawa, 2012).

Ao longo do tempo, diferentes causas foram atribuí­das às doen­ças periodontais. Desde associações com desnutrição, avitaminoses, atrofia e degeneração por desuso, defeitos constitucionais, trauma de oclusão até chegar às teorias aceitas na atua­li­da­de, de que compreendem doen­ças causadas por biofilmes microbianos, os quais, por sua vez, induzem uma resposta imunoinflamatória do hospedeiro, que pode ser modificada por condições sociais, comportamentais, sistêmicas e genéticas (Page e Kornman, 1997).

 

16. Câncer Bucal

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Câncer Bucal

Fanny Jitomirski  •  Vitor Gomes Pinto

Introdução

Por sua elevada letalidade e pelas possibilidades de identificação precoce por parte da rede básica de atendimento odontológico, o câncer bucal constitui um problema de saú­de pública prioritário, apesar da não disponibilidade de meios adequados para sua prevenção efetiva.

Do ponto de vista anatômico, o câncer bucal inclui qualquer alteração maligna codificada como

C00 a C10 no Código Internacional de Doenças, 10a Revisão (WHO, 1992; OMS, 1996), com localização no lábio, na língua, nas glândulas salivares, na gengiva, no assoalho da boca, na mucosa da bochecha, no vestíbulo da boca, no palato e na úvula.

Infelizmente, tem crescido o número de pacientes que chegam aos serviços de saú­de com a doen­ça já em fase adiantada. Dados do Registro Hospitalar de Câncer do Instituto Nacional do Câncer (Brasil, 2015, 2002) mostram que cerca de 60% dos pacientes admitidos chegam com câncer de boca em estágios avançados e sem chances de um tratamento curativo eficaz. É grave o fato de que esse quadro praticamente não tem sofrido alterações nos últimos 20 anos, o que demonstra tanto a falta de acesso aos serviços de saú­de por parte das pessoas quanto o preparo ainda limitado dos profissionais em detectá-lo em seus estágios iniciais. Os esforços do sistema de saú­de em relação ao câncer se concentram essencialmente na educação da população e dos trabalhadores de saú­de – cirur­giões-dentistas, técnicos e atendentes ou auxiliares, médicos com especialidades relacionadas principalmente com cabeça e pescoço – que tenham contato frequente com a cavidade bucal em sua atividade profissional.

 

17. AIDS e Saúde Bucal

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AIDS e Saú­de Bucal

Fanny Jitomirski

Introdução

A AIDS (síndrome de imunodeficiên­cia adquirida) é uma doen­ça causada pelo vírus HIV-1 ou HIV-2.

Já conceituada como doen­ça letal, hoje não é mais encarada dessa forma, pois pode e deve ser controlada dentro de algumas limitações. Tanto os coquetéi­s de medicamentos utilizados na inibição da replicação do HIV quanto diagnóstico e tratamento precoces de infecções oportunistas em in­di­ví­duos com

AIDS vêm derrubar o estigma de que a AIDS é uma doen­ça letal. A sobrevida, que antes apresentava uma média de 4 anos, tem aumentado, não sendo raro observar sobrevidas maiores que 20 anos. Atualmente, é importante enfatizar o controle dessa doen­ça. É justamente aí que reside a importância do cirurgião-dentista, profissional capaz de identificar e diagnosticar precocemente diversas doen­ças, aumentando a sobrevida desses pacientes. Ele precisa estar apto a diagnosticar e tratar as doen­ças bucais mais comuns decorrentes do estado imunológico de portadores do HIV, pois, em virtude do enorme contingente de pessoas com AIDS, esta será uma necessidade constante do clínico geral. As questões relativas à biossegurança adotadas universalmente em todos os pacientes e o atendimento odontológico de portadores do HIV compreendem os assuntos deste capítulo.

 

18. Controle e Prevenção da Maloclusão

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Controle e Prevenção da Maloclusão

Dante Bresolin

Introdução

Nas últimas décadas, o uso de medidas preventivas em Odontologia conseguiu, em diferentes paí­ses e em graus variados, mudar substancialmente o estado de saú­de bucal de muitas populações. Altamente dependentes dos meios de comunicação, do progresso tecnológico e das políticas de saú­de pública, os meios preventivos tiveram impacto positivo nos paí­ses mais desenvolvidos e com melhor distribuição de renda. Mesmo em nações com má distribuição de renda, como o Brasil (IBGE, 1997), o redirecionamento para a prevenção da cárie dentária de recursos financeiros tradicionalmente alocados para atendimentos restauradores mostrou, em poucos anos, o acerto da decisão. É evidente ainda haver um esforço imenso a desenvolver, mas parece que já se aprendeu o caminho.

Ao analisar o comportamento global dos problemas de saú­de bucal, o grupo de coordenadores das unidades regionais da Organização Mundial da Saú­de (OMS) considerou que maloclusão não é propriamente uma doen­ça, e sim um conjunto de desvios da posição dentária, incluindo casos que têm direta ou indireta in­fluência sobre a qualidade de vida (Petersen et al., 2003).

 

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