Como Ler Artigos Científicos

Autor(es): Trisha Greenhalgh
Visualizações: 44
Classificação: (0)

Como ler artigos científicos, 5ª edição, é uma introdução ideal à medicina baseada em evidências. A obra explica o que procurar em diferentes tipos de artigos e qual a melhor forma de avaliação. O conteúdo é apresentado em linguagem clara e objetiva, sendo útil tanto para estudantes como para profissionais da área da saúde.

FORMATOS DISPONíVEIS

19 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 1 - Porque ler artigos científicos ?

PDF Criptografado

Capítulo 1

Por que ler artigos científicos?

“Medicina baseada em evidências” significa simplesmente

“ler artigos em periódicos médicos”?

A medicina baseada em evidências (MBE) é muito mais do que apenas ler artigos.

De acordo com a definição mais amplamente citada, ela é “o uso cuidadoso, explícito e sábio da melhor evidência existente na tomada de decisões sobre o cuidado de pacientes individuais” [1]. Essa definição é útil até certo ponto, mas não inclui o que, para mim, é um aspecto muito importante do assunto: o uso da matemática. Mesmo que você não saiba quase nada sobre MBE, provavelmente sabe que ela menciona muitos números e proporções. Anna Donald e eu decidimos ser diretas sobre isso em nossa própria atividade de ensino e propusemos esta definição alternativa:

A medicina baseada em evidências é o uso de estimativas matemáticas do risco de benefício e de dano derivadas de pesquisas de alta qualidade sobre amostras populacionais para informar a tomada de decisões clínicas no diagnóstico, na investigação ou no manejo de pacientes individuais.

 

Capítulo 2 - Pesquisando a literatura

PDF Criptografado

Capítulo 2

Pesquisando a literatura

As evidências acumulam-se mais rapidamente do que nunca, e estar atualizado é essencial para a qualidade da atenção ao paciente.

Estudos e revisões de estudos sobre o comportamento de busca de informações dos médicos confirmam que os livros-texto e os contatos pessoais continuam a ser as fontes prediletas para informações clínicas, seguidas por artigos de periódicos

(ver, p. ex., [1]). O uso da internet como fonte de informação aumentou acentuadamente nos últimos anos, em especial via PubMed/Medline, mas a sofisticação da busca e a eficiência ao encontrar respostas não cresceu no mesmo ritmo. Pergunte a qualquer bibliotecária com experiência na área médica e escutará histórias de questões clínicas importantes sendo respondidas usando buscas não sistemáticas no Google. Embora a necessidade de informação da melhor qualidade pelos profissionais de atenção à saúde nunca tenha sido maior, existe uma abundância de barreiras: falta de tempo, falta de instalações, falta de habilidades de pesquisa, falta de motivação e (talvez, a pior de todas), sobrecarga de informações [2].

 

Capítulo 3 - Chegando oa ponto: do que trata este artigo ?

PDF Criptografado

Capítulo 3

Chegando ao ponto: do que trata este artigo?

A ciência de dispensar artigos

Geralmente é uma surpresa para os estudantes saber que alguns (os puristas diriam que até 99%) dos artigos publicados pertencem à lata de lixo e certamente não deveriam ser usados para informar a prática. Em 1979, o editor do British Medical

Journal, Dr. Stephen Lock, escreveu: “Poucas coisas são mais desestimulantes para um editor médico do que ter de rejeitar um artigo embasado em uma boa ideia, mas com falhas irremediáveis nos métodos utilizados”. Quinze anos depois, Altman ainda declarava que somente 1% das pesquisas médicas não continha falhas metodológicas [1]; e mais recentemente, ele confirmou que falhas graves e fundamentais comumente ocorrem mesmo em artigos publicados em periódicos de “qualidade”

[2]. O Quadro 3.1 mostra as principais falhas que levam à rejeição de artigos (e que estão presentes em algum grau em muitos que são publicados).

A maioria dos artigos atualmente publicados em periódicos médicos é mais ou menos apresentada no formato-padrão Introdução, Método/Metodologia, Resultados e Discussão (IMRAD): Introdução (por que os autores decidiram fazer esta pesquisa específica), Método/Metodologia (como a fizeram e como escolheram analisar os resultados), Resultados (o que descobriram), e Discussão (o que eles acham que os resultados significam). Se você estiver decidindo se vale ler um artigo, deve fazer isso em relação ao delineamento da seção de método, e não com base no valor de interesse da hipótese, da natureza ou impacto potencial dos resultados nem nas especulações que constam da discussão.

 

Capítulo 4 - Avaliando a qualidade metodológica

PDF Criptografado

Capítulo 4

Avaliando a qualidade metodológica

Como argumentei na seção “A ciência de descartar artigos”, um artigo irá perder-se ou destacar-se conforme a força de sua seção de metodologia. Este capítulo considera cinco questões essenciais que devem formar a base de sua decisão de dispensá-lo imediatamente (devido a falhas metodológicas fatais), interpretar seus achados com cautela (porque os métodos não eram muito robustos) ou confiar completamente

(porque não consegue encontrar nenhum defeito nos métodos). Essas cinco perguntas – o estudo foi original, foi feito sobre quem, foi bem delineado, o viés sistemático foi evitado (i.e., o estudo foi adequadamente “controlado”) e foi suficientemente grande e continuado por tempo bastante para tornar os resultados dignos de credibilidade – são consideradas a seguir.

O estudo foi original?

Em teoria, não há motivo para testar uma hipótese científica que alguém já tenha comprovado de uma maneira ou de outra. Porém, na vida real, raramente a ciência

 

Capítulo 5 - Estatística para quem não é estatístico

PDF Criptografado

Capítulo 5

Estatística para quem não é estatístico

Como quem não é estatístico avalia os testes estatísticos?

Nesta era em que a medicina se apoia cada vez mais na matemática, nenhum médico pode deixar os aspectos estatísticos de um artigo inteiramente aos cuidados dos

“peritos”. Se você, assim como eu, acredita ser leigo no assunto, lembre-s e de que não precisa ser capaz de construir um carro para dirigir um. O que você precisa saber sobre os testes estatísticos é qual deles é o melhor para usar em tipos comuns de questões estatísticas. Você deve ser capaz de descrever em palavras o que o teste faz e em que circunstâncias ele não é válido ou apropriado. O Quadro 5.1 mostra alguns “truques” frequentemente usados, para os quais todos precisam estar atentos

(na nossa própria prática e na de outras pessoas).

A lista de verificação resumida no Apêndice 1, explicada em detalhes nas próximas seções, constitui meu próprio método para avaliar a adequação de uma análise estatística, o que alguns leitores acharão muito simplista. Se for o seu caso, por favor, ignore esta seção e leia uma apresentação mais detalhada para não estatísticos: a série “Basic statistics for clinicians” do Canadian Medical Association Journal [1–4] ou um livro-texto de estatística mais corrente. Quando perguntei aos meus seguidores do Twitter que livros-texto preferiam, os mais populares foram estes [5–7].

 

Capítulo 6 - Artigos que relatam ensaios de tratamentos medicamentosos e outras intervenções simples

PDF Criptografado

Capítulo 6

Artigos que relatam ensaios de tratamentos medicamentosos e outras intervenções simples

“Evidências” e marketing

Este capítulo é sobre avaliação das evidências a partir de ensaios clínicos e a maioria das evidências está relacionada a medicamentos. Se você é médico, enfermeiro ou farmacêutico (i.e., se prescreve ou dispensa medicamentos), a indústria farmacêutica está interessada em você e despende uma proporção de seu orçamento multimilionário anual em publicidade para tentar influenciá-lo (ver Quadro 6.1) [1]. Mesmo que você seja um simples paciente, a indústria pode agora alcançá-lo diretamente por intermédio da propaganda direta ao consumidor (PDC) [2]. Quando escrevi a primeira edição deste livro, em 1995, o manejo padronizado da candidíase vaginal (infecção por Candida) era o médico prescrever supositórios vaginais de clotrimazol. Quando a segunda edição foi publicada em 2001, esses supositórios estavam à venda sem prescrição médica nas farmácias. Nos últimos 10 anos, o clotrimazol tem sido anunciado no horário nobre da televisão – felizmente depois das

 

Capítulo 7 - Artigos que relatam ensaios de intervenções complexas

PDF Criptografado

Capítulo 7

Artigos que relatam ensaios de intervenções complexas

Intervenções complexas

Na seção “Que informações esperar de um artigo que descreve um ensaio clínico randomizado: a declaração CONSORT” defini uma intervenção simples (como um medicamento) como a que está bem demarcada (i.e., é fácil dizer o que é abrangido pela intervenção) e leva a um delineamento de pesquisa do tipo “com intervenção” versus “sem intervenção”. Uma intervenção complexa é aquela que não está bem demarcada (i.e., é difícil dizer com precisão qual é a intervenção) e que impõe desafios à implementação para os pesquisadores. Geralmente, as intervenções complexas envolvem múltiplos componentes que interagem e podem operar em mais de um nível (p. ex., tanto individual como organizacional). Elas incluem:

• Orientação ou educação para pacientes.

• Educação ou treinamento para o pessoal de atenção à saúde.

• Intervenções que buscam contribuições ativas e continuadas do participante (p. ex., atividade física, intervenções dietéticas, grupos leigos de apoio ou terapia psicológica realizada pessoalmente ou via internet).

 

Capítulo 8 - Artigos que relatam testes diagnósticos ou de rastreamento

PDF Criptografado

Capítulo 8

Artigos que relatam testes diagnósticos ou de rastreamento

Dez homens no banco dos réus

Se você foi recém-apresentado ao conceito de validação de testes diagnósticos e se as explicações algébricas (“Vamos chamar este valor de x...”) lhe dão arrepios, o seguinte exemplo pode ajudá-lo. Dez homens (para os puristas da questão do gênero, suponha que “homens” significa “homens ou mulheres”) estão aguardando julgamento por assassinato. Somente três deles realmente cometeram um assassinato; os outros sete são inocentes de qualquer crime. Um júri ouve cada caso e acha que seis dos homens são culpados de assassinato. Dois dos condenados são assassinos verdadeiros. Quatro homens são presos injustamente. Um assassino é libertado.

Esta informação pode ser expressa pelo que é conhecido como tabela 2 × 2 (Fig.

8.1). Note que a “verdade” (se os homens realmente cometeram um homicídio ou não) é expressa na linha horizontal, e o veredito do júri (que pode ou não refletir a verdade) é expresso na coluna vertical.

 

Capítulo 9 - Artigos que resumem outros artigos (revisões sistemáticas e metanálises)

PDF Criptografado

Capítulo 9

Artigos que resumem outros artigos

(revisões sistemáticas e metanálises)

Quando uma revisão é sistemática?

Você lembra-se dos trabalhos que costumava escrever quando entrou para a universidade? Você perambulava pela biblioteca, procurando nos índices de livros e periódicos. Quando achava um parágrafo que parecesse relevante, você copiava-o e, se algo não se encaixasse na teoria que estava propondo, você deixava-o de fora. Isso, mais ou menos, constitui a revisão jornalística – uma visão geral de estudos primários que não foram identificados ou analisados de modo sistemático (i.e., padronizado e objetivo). Os jornalistas são pagos pelo número de páginas que escrevem e não pela quantidade de coisas que leem ou pelo grau de crítica com que processam a informação, o que explica por que a maioria das “descobertas científicas” que você leu nos jornais de hoje provavelmente será desmentida antes do fim do mês. Uma variação comum da revisão jornalística é a revisão a convite, redigida quando um editor solicita a um de seus amigos que escreva algo, reúne os trechos e diz: “Revisão a convite? Ou, meu campo, a partir de meu ponto de vista, elaborada por mim usando somente meus dados e minhas ideias e citando apenas as minhas publicações”

 

Capítulo 10 - Artigos que dizem a você o que fazer (diretrizes)

PDF Criptografado

Capítulo 10

Artigos que dizem a você o que fazer (diretrizes)

O grande debate sobre as diretrizes

A distância entre os médicos que atuam na linha de frente e os elaboradores de políticas que trabalham entre quatro paredes nunca foi maior do que em suas respectivas atitudes quanto às diretrizes clínicas. Os elaboradores de políticas (entre os quais incluo todos que têm uma opinião sobre como a medicina deveria ser praticada em um mundo ideal – incluindo políticos, gestores de alto nível hierárquico, diretores clínicos, acadêmicos e professores) tendem a adorar as diretrizes. Os médicos que atuam na linha de frente (i.e., pessoas que passam todo o tempo atendendo pacientes) muitas vezes sentem forte aversão às diretrizes.

Antes de levarmos adiante esta “batata quente” política, precisamos ter uma definição de diretrizes, para a qual o seguinte será suficiente:

Diretrizes são recomendações desenvolvidas sistematicamente para auxiliar nas decisões do médico sobre o cuidado de saúde apropriado para circunstâncias clínicas específicas.

 

Capítulo 11 - Artigos que informam o custo de algo (análises econômicas)

PDF Criptografado

Capítulo 11

Artigos que informam o custo de algo (análises econômicas)

O que é análise econômica?

Uma análise econômica pode ser definida como aquela que envolve o uso de técnicas analíticas para definir opções na alocação de recursos. A maior parte do que tenho a dizer sobre este assunto provém de orientações preparadas pela equipe do professor

Michael Drummond [1] para autores e revisores de análises econômicas, bem como do excelente resumo de Jefferson e colaboradores [2], ambos enfatizando a importância de colocar as questões econômicas sobre um artigo no contexto da qualidade e relevância gerais do estudo (ver seção “Dez questões a serem feitas sobre uma análise econômica”).

A primeira avaliação econômica de que me lembro foi um anúncio na TV no qual o cantor pop Cliff Richard tentava persuadir uma dona de casa de que a marca mais cara de detergente líquido disponível no mercado “realmente funciona mais gastando menos”. Aparentemente, era mais forte contra manchas, mais macio para as mãos e produzia mais bolhas por centavo do que um “detergente líquido barato comum”. Embora eu tivesse apenas 9 anos na época, não me convenci. Com qual

 

Capítulo 12 - Artigos que vão além dos números (pesquisa qualitativa)

PDF Criptografado

Capítulo 12

Artigos que vão além dos números

(pesquisa qualitativa)

O que é pesquisa qualitativa?

Há 25 anos, quando assumi meu primeiro cargo como pesquisadora, um colega, cansado do trabalho, aconselhou-me: “Ache algo para medir e continue medindo até ter uma caixa cheia de dados. Então, pare de medir e comece a escrever”.

“Mas o que eu devo medir?”, perguntei.

“Isto não importa muito”, disse ele, ceticamente.

Esse exemplo verdadeiro ilustra as limitações de uma perspectiva exclusivamente quantitativa (contar e medir) em pesquisa. O epidemiologista Nick Black defendia que um achado ou resultado é mais provável de ser aceito como fato se for quantificado (expresso em números) do que se não o for [1]. Existe pouca ou nenhuma evidência científica, por exemplo, para apoiar os “fatos” bem-conhecidos de que 1 casal em 10 é infértil ou de que 1 pessoa em 10 é homossexual. Contudo, observa Black, a maioria de nós fica feliz em aceitar sem críticas estas afirmações simplificadas, reducionistas e visivelmente incorretas desde que contenham pelo menos um número.

 

Capítulo 13 - Artigos que relatam pesquisas por questionário

PDF Criptografado

Capítulo 13

Artigos que relatam pesquisas por questionário

Ascensão crescente da pesquisa por questionário

Quando e onde foi a última vez que você preencheu um questionário? Eles entram pela porta e aparecem em nossos escaninhos no trabalho. São enviados como anexo de mensagens eletrônicas ou encontrados na sala de espera do dentista. As crianças os trazem da escola para casa, e não é raro que acompanhem a conta de um restaurante. Recentemente, encontrei alguém em uma festa que se descreveu como

“anotador de questionários” – seu trabalho era parar as pessoas na rua e anotar suas respostas a uma série de perguntas sobre renda, gostos, preferência de compras e sabe-se lá o que mais.

Este capítulo tem como base uma série de artigos que editei para o British

Medical Journal e que foram escritos por uma equipe coordenada pela minha colega

Boynton [1–3]. Petra ensinou-me muito sobre esta técnica de pesquisa amplamente usada, inclusive o fato de que, provavelmente, existem mais pesquisas por questionários malfeitas na literatura do que em qualquer outro delineamento de estudo.

 

Capítulo 14 - Artigos que relatam estudos de caso em aprimoramento de qualidade

PDF Criptografado

Capítulo 14

Artigos que relatam estudos de caso em aprimoramento de qualidade

O que são estudos em aprimoramento de qualidade – e como devemos pesquisá-los?

O British Medical Journal (www.bmj.com) publica principalmente artigos de pesquisa. Outro periódico importante, BMJ Quality & Safety (qualitysafety.bmj.com), publica principalmente descrições de esforços para melhorar a qualidade e a segurança da atenção à saúde, muitas vezes em ambientes da vida real, como enfermarias de hospital ou consultórios de clínica geral [1]. Se estiver estudando para um exame da faculdade, deve perguntar aos seus tutores se estudos em aprimoramento de qualidade aparecerão nos seus exames, já que o material aqui abrangido está mais comumente presente em disciplinas de pós-graduação, e você pode achar que não consta na ementa do seu curso. Se for este o caso, deixe este capítulo de lado até que tenha sido aprovado – certamente precisará dele quando estiver trabalhando em tempo integral no mundo real.

 

Capítulo 15 - Colocando as evidências em prática

PDF Criptografado

Capítulo 15

Colocando as evidências em prática

Por que os profissionais de saúde demoram para adotar práticas baseadas em evidências?

A falha dos profissionais de saúde para atuarem de acordo com as melhores evidências disponíveis não pode ser atribuída inteiramente à ignorância ou à teimosia. A pediatra Dra. Van Someren [1] descreveu um exemplo (agora histórico) que ilustra muitas barreiras adicionais para a condução das evidências de pesquisa à prática: a prevenção da síndrome da angústia respiratória neonatal em bebês prematuros.

Em 1957, descobriu-se que os bebês nascidos mais de 6 semanas antes do termo podem apresentar dificuldades respiratórias graves devido à falta de uma substância chamada surfactante, que diminui a tensão superficial dentro dos alvéolos pulmonares e reduz a resistência à expansão. As empresas farmacêuticas começaram a pesquisar, na década de 1960, o desenvolvimento de um surfactante artificial que pudesse ser dado aos bebês para prevenir o desenvolvimento da síndrome que traz risco à vida, mas foi somente na metade da década de 1980 que um produto eficaz foi desenvolvido.

 

Capítulo 16 - Aplicando as evidências aos pacientes

PDF Criptografado

Capítulo 16

Aplicando as evidências aos pacientes

A perspectiva do paciente

Não existe a perspectiva do paciente – e esta é, precisamente, a essência deste capítulo. Em alguma ocasião da nossa vida, muitas vezes com maior frequência à medida que envelhecemos, todos somos pacientes. Alguns de nós também são profissionais de saúde – mas quando a decisão diz respeito à nossa saúde, à nossa medicação,

à nossa cirurgia, aos efeitos colaterais que nós podemos ou não experimentar com determinado tratamento, encaramos essa decisão de maneira diversa do que quando tomamos o mesmo tipo de decisão em nosso papel profissional.

Como você deve saber agora, se tiver lido os capítulos anteriores deste livro, a medicina baseada em evidências (MBE) trata principalmente do uso de algum tipo de média da população – uma odds ratio, um número necessário para tratar, uma estimativa do tamanho médio do efeito e assim por diante – para informar decisões.

Porém, muito poucos de nós se comportarão exatamente como o ponto médio no gráfico: alguns serão mais suscetíveis ao benefício e outros serão mais suscetíveis ao dano de determinada intervenção. Poucos de nós valorizarão determinado desfecho na mesma proporção que uma média de grupo sobre (digamos) uma pergunta de escolha pela chance (ver seção “Como podemos ajudar a garantir que as diretrizes baseadas em evidências sejam seguidas?”).

 

Capítulo 17 - Críticas à medicina baseada em evidências

PDF Criptografado

Capítulo 17

Críticas à medicina baseada em evidências

O que está errado com a MBE quando é mal feita?

Este capítulo novo é necessário porque a bonança da medicina baseada em evidências (MBE) terminou há muito tempo. Existe, muito apropriadamente, um número crescente de estudiosos que fazem críticas legítimas aos pressupostos e abordagens principais da MBE. Também existe um corpo maior de crítica mal-informada – e uma zona cinzenta de escritos anti-MBE que contém alguma verdade, mas que é, ela mesma, unilateral e pobre em argumentos. Este capítulo procura apresentar as críticas legítimas e levar o leitor interessado a argumentos mais aprofundados.

Embasei-me em diversas fontes para produzir este capítulo: um artigo breve extensamente citado de autoria de Spence [1], colunista do BMJ e clínico geral de bom senso; um livro de Timmermans e Berg [2] intitulado The gold standard: the challenge of evidence-based medicine and standardization in health care; um artigo de Timmermans e Mauck [3] sobre as promessas e as armadilhas da MBE; uma reflexão de 20 anos de alguns gurus da MBE [4]; o livro Bad Pharma, de Goldacre

 

Apêndice 1 - Listas de verificação para encontrar, analisar e implementar evidências

PDF Criptografado

Apêndice 1

Listas de verificação para encontrar, analisar e implementar evidências

A menos que seja referido o contrário, estas listas podem ser aplicadas a ensaios clínicos randomizados, a outros ensaios clínicos controlados, a estudos de coorte, a estudos de caso-controle ou a qualquer outra evidência de pesquisa.

Minha prática é baseada em evidências? – lista de verificação relacionada ao contexto de consultas clínicas individuais

(ver Cap. 1)

1. Identifiquei e priorizei os problemas clínicos, psicológicos, sociais e outros, levando em conta a perspectiva do paciente?

2. Realizei um exame suficientemente bem feito e completo para estabelecer a probabilidade dos diagnósticos diferenciais?

3. Considerei problemas e fatores de risco adicionais que possam requerer eventual atendimento?

4. Quando necessário, busquei evidências (de revisões sistemáticas, diretrizes, ensaios clínicos e outras fontes) pertinentes aos problemas?

5. Avaliei e levei em conta a totalidade, a qualidade e o poder das evidências?

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
Book
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
MFPP000001977
ISBN
9788582712238
Tamanho do arquivo
3,9 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados