Psicodiagnóstico

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Psicodiagnóstico, segundo livro da Coleção Avaliação Psicológica, traz ao leitor informações abrangentes e atuais sobre o tema. Reunindo importantes profissionais da área, a obra aborda: o processo psicodiagnóstico, as especificidades do psicodiagnóstico de crianças, adolescentes e idosos, a avaliação de inteligência e personalidade, e o psicodiagnóstico nas alterações psicológicas mais prevalentes.

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Capítulo 1 - Conceituação de psicodiagnóstico na atualidade

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1

CONCEITUAÇÃO DE

PSICODIAGNÓSTICO

NA ATUALIDADE

Jefferson Silva Krug

Clarissa Marceli Trentini

Denise Ruschel Bandeira

A

avaliação psicológica clínica com fins diagnósticos é uma prática muito comum no Brasil. Há décadas, ­muitos profissionais habituaram-se a chamar essa atividade de

“psicodiagnóstico”. No entanto, constatamos que o uso do termo é mais comum quando, durante o seu desenvolvimento, o profissional se vale de testes psicológicos para coletar informações sobre o consultante. Nas avaliações em que esses testes não são empregados ou inexistem para os objetivos do exame, outros termos se destacam, como avaliação clínica, avaliação psicológica, entrevistas preliminares, diagnóstico psicológico, etc.

(Krug, 2014). Essa constatação nos levou a questionar o concei­to clássico de psicodiagnóstico e a examinar se a compreensão desses profissionais quanto à associação direta do termo “psicodiagnóstico” com a administração de testes também é compartilhada pela literatura da área.

 

Capítulo 2 - Psicodiagnóstico: Formação, cuidados éticos, avaliação de demanda e estabelecimento de objetivos

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2

PSICODIAGNÓSTICO: FORMAÇÃO,

CUIDADOS ÉTICOS, AVALIAÇÃO DE

DEMANDA E ESTABELECIMENTO

DE OBJETIVOS

Denise Ruschel Bandeira

Clarissa Marceli Trentini

Jefferson Silva Krug

P

ara fazer um psicodiagnóstico, o profis­ sional deve saber avaliar com cuidado a demanda trazida pelo paciente ou pela fon­ te de encaminhamento para, a partir disso, reali­ zar considerações éticas sobre o pedido e, quando essas forem favoráveis, tecer os objeti­vos de sua realização. Essa tarefa não é nada simples, uma vez que necessariamente ­envolve um conjunto de habilidades e competências do psicólogo, ini­ cialmente desenvolvidas no curso de bacharelado em Psicologia, posteriormente aperfeiçoadas em outros níveis de ensino, como cursos de extensão, especializações, mestrados e doutorados, sempre perpassando o cuidado com os aspectos pessoais do próprio psicólogo que pretende desenvolver essa atividade profissional.

A realização do psicodiagnóstico pressupõe um preparo pessoal e técnico que inclui o domí­ nio de diferentes saberes psicológicos e de áre­ as afins, além da capacidade de reflexão quanto aos aspectos éticos inerentes à realização da ati­ vidade. Entendemos que a formação ética e técni­ ca para a realização do psicodiagnóstico tem sua base na graduação, mas alcança sua real possibi­ lidade a partir do cuidado de cada profissional com sua constante atualização quanto aos instru­ mentos e processos de avaliação. Além disso, lem­ bramos que o psicólogo precisa investir em seu desenvolvimento pessoal, realizando acompa­ nhamento terapêutico, preferencialmente orien­ tado pela teoria psicológica de base que sustenta seu fazer clínico. Todos esses cuidados, junta­ clínica adquirida com as mente à experiência ­

 

Capítulo 3 - O processo psicodiagnóstico

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3

O PROCESSO PSICODIAGNÓSTICO

Maisa S. Rigoni

Samantha Dubugras Sá

E

ste capítulo abordará o processo de reali­ zação de um psicodiagnóstico, apresen­ tando os passos recomendados para a sua execução. Também serão apresentados os dife­ rentes modelos e objetivos dessa prática, realiza­ da exclusivamente pelo psicólogo, que represen­ta, como sintetiza Barbieri (2010), um marco distin­ tivo da identidade desse profissional. A Lei Fede­ ral nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, que dispõe sobre a formação em psicologia e regulamenta a profissão no Brasil, define que a prática de diag­ nóstico psicológico, bem como a realização de um psicodiagnóstico, é atribuição exclusiva do profissional da psicologia (Brasil, 1962).

O psicodiagnóstico é um dos tipos de avalia­

ção psicológica realizada com objetivos clínicos, portanto, não abrange todas as formas de avalia­

ção psicológica. Atualmente, a avaliação psicoló­ gica é entendida como um processo que permite descrever e compreender a pessoa em suas dife­ rentes características, investigando tanto aspec­ tos da personalidade quanto aspectos ­cognitivos, abordando possíveis sintomas, questões do de­ senvolvimento, questões neuropsicológicas, características adaptativas e desadap­tativas, entre outros, permitindo, assim, que se chegue a um prognóstico e à melhor estratégia e/ou à aborda­ gem t­ erapêutica necessária.

 

Capítulo 4 - Cuidados técnicos no início do psicodiagnóstico

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4

CUIDADOS TÉCNICOS NO

INÍCIO DO PSICODIAGNÓSTICO

Bruna Gomes Mônego

O

psicodiagnóstico é um processo que deve ser planejado passo a passo, mas, quando estamos iniciando a vida profissional, não sabemos exatamente como é o primeiro passo. Existem diferentes opiniões e posturas, e você tem liberdade para fazer suas escolhas e construir

­ eseja ser. Neste capítulo, proo profissional que d curo trazer um p

­ ouco da minha visão, da minha prática e alguns assuntos ou dicas a que gostaria de ter tido ­acesso quando iniciei meu trabalho.

Espero que ele possa servir como um guia para acompanhá-lo nessa incrível jornada do psicodiagnóstico. Não pretendo fornecer um manual de regras rígidas, mas entendo que a flexibilidade necessária para o trabalho do psicólogo é adquirida com o amadurecimento profissional e pessoal.

Apresento este capítulo em duas seções.

A primeira corresponde ao contato telefônico, à marcação da primeira entrevista e ao contrato.

 

Capítulo 5 - Entrevista psicológica no psicodiagnóstico

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5

ENTREVISTA PSICOLÓGICA

NO PSICODIAGNÓSTICO

Adriana Jung Serafini

O

psicodiagnóstico caracteriza-se por ser um tipo de avaliação psicológica desenvolvida no âmbito clínico. Inicia-se a partir de uma demanda e desenvolve-se por meio de um foco específico para avaliação. O foco ou motivo da avaliação é de extrema importância, pois será ele que irá guiar todo o processo de psicodiagnóstico, incluindo a escolha das técnicas e dos instrumentos que serão utilizados. As primeiras informações/queixas que recebemos do paciente, ou da fonte de encaminhamento, geralmente não são suficientes para delimitarmos de forma clara esse foco. Desse modo, destaca-se a importância das entrevistas iniciais que são realizadas tanto com o profissional que solicitou o psicodiagnóstico, quanto com o próprio paciente e outras fontes de informação como pais, responsáveis ou outros familiares. Essas entrevistas também podem ocorrer com professores, médicos ou demais profissionais que acompanham o paciente. Por meio delas poderemos aprofundar as queixas ou motivos trazidos em um momento inicial, assim como explorarmos essas questões a partir de outras perspectivas.

 

Capítulo 6 - A entrevista de anamnese

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6

A ENTREVISTA DE ANAMNESE

Mônia Aparecida Silva

Denise Ruschel Bandeira

A

o iniciar o processo psicodiagnóstico,

é fundamental a coleta de informações aprofundadas sobre o avaliando, focando as áreas mais importantes de sua vida e os mo­tivos que o levaram a buscar a­tendimento.

Para o levantamento dessas informações, que hipóteses irão fundamentar a formulação das ­ diagnósticas iniciais e, consequentemente, a escolha de instrumentos e técnicas a serem utilizados no psicodiagnóstico, os psicólogos, em geral, realizam uma extensa entrevista sobre a história de vida da pessoa. Em nossa prática,1 a realização desse tipo de entrevista inicial, denominada “entrevista de anamnese”, tem demonstrado ser um recurso fundamental que subsidia todo o processo de psicodiagnóstico.

A anamnese é um tipo de entrevista realizada para investigar a história do examinando, ou seja, os aspectos de sua vida considerados relevantes para o entendimento da queixa. Etimologicamente, a palavra vem do grego anamnesis, composta por “aná”, que se refere à l­embrança, ao ato de trazer à mente, juntamente com a raiz “mnesis”, que significa recordar, fazer lembrar (Soares et al., 2014). Assim, anamnese significa trazer à consciência os fatos relacionados

 

Capítulo 7 - Escolha dos instrumentos e das técnicas no psicodiagnóstico

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ESCOLHA DOS INSTRUMENTOS

E DAS TÉCNICAS NO

PSICODIAGNÓSTICO

Clarissa Marceli Trentini

Denise Ruschel Bandeira

Jefferson Silva Krug

U

m passo importante para um bom resultado do processo psicodiagnósti­co refere-se à escolha de ­instrumentos e ­técnicas adequados a uma dada situação. O descuido na escolha, o mau uso de ­instrumentos ou mesmo o não uso de técnicas apropriadas em diferentes etapas do psicodiagnóstico podem ter como consequências conclusões e encaminha­mentos inapropriados, repercutindo negativa­mente na vida do avaliando. Assim, em vez de contribuirmos para um encaminhamento que tra­ga melhor qualidade de vida, estaremos re­tardando esse processo.

Para que possamos escolher os instrumentos e as técnicas que serão utilizados, inicialmente devemos formular as hipóteses com base nos passos iniciais do psicodiagnóstico (para mais detalhes dos primeiros passos, ver Caps. 2 a 5). Durante os primeiros contatos, p

­ erguntas vão surgindo para o psicólogo quando tenta entender com que paciente está lidando, com que quadro clínico e o que pode estar causando tais sintomas. Essas perguntas ajudarão na formulação das hipóteses diagnósticas, tal como ocorre em um processo de pesquisa científica. Cunha (2000) pontua muito bem esse paralelo entre psicodiagnóstico e pesquisa científica. São essas as hipóteses que irão nos orientar na escolha do que utilizaremos durante o psicodiagnós­tico. As hipóteses podem ser diversas e, com o decorrer do processo, poderão ou não ser confirmadas até que se chegue ao diagnóstico final.

 

Capítulo 8 - Entrevista lúdica diagnóstica

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ENTREVISTA LÚDICA DIAGNÓSTICA

Jefferson Silva Krug

Denise Ruschel Bandeira

Clarissa Marceli Trentini

A

realização de avaliações psicológicas de crianças tem sido uma das principais práticas profissionais do psicólogo no País.

Um estudo (Gondim, Bastos, & Peixoto, 2010) apontou que a avaliação psicológica, principalmente a realização do psicodiagnóstico, está entre as três práticas mais realizadas pelos psicólogos no

Brasil, independentemente de sua área de atuação.

A pesquisa revelou, ainda, que 83% dos psicólogos que referiram trabalhar na área clínica e 66,1% dos que trabalhavam na área da saúde afirmaram realizar psicodiagnóstico em suas práticas profissionais. Essa ativida­de também está entre as mais executadas no âmbito escolar, como referido por

47,7% dos psicólogos participantes da pesquisa.

Outro aspecto evidenciado pelo estudo versa sobre o atendimento de crianças como uma das principais atividades dos psicólogos brasilei­ros.

 

Capítulo 9 - O exame do estado mental e suas transformações

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9

O EXAME DO ESTADO MENTAL

E SUAS TRANSFORMAÇÕES

Cláudio Maria da Silva Osório

A quem confiar minha tristeza? (Tchekhov, Angústia, 1886)

… if we could not see or hear or touch, if we could not experience pain or pleasure, if we lacked conscious desires and intentions, we would not and could not behave as we do. (Zeman, 2001)

A

bordagens contemporâneas na psicopa­to­ logia, na semiologia e no exame do estado mental (EEM) preocupam-se com a este­ rilidade ou a perda da competência nesses cam­ pos do conhecimento e propõem uma revitaliza­

ção (Andreasen,1996, 1998, 2007; Ghaemi, 2007;

Huber, 2002; Kendler, 2005). O alerta de Andrea­ sen (1996, p. 590), continua válido:

A desumanização da atenção médica é uma tendência em todas as especialidades médicas, incluindo a psiquiatria. O atual sistema de saúde é amplamente insensível ao psiquis­ mo dos pacientes . . . com os médicos sendo encorajados a embasar as decisões quanto aos psicofármacos em diagnósticos feitos depois de uma entrevista “rapidinha”, que busca alguns poucos sintomas supostamente relevantes e ignora que cada paciente é uma pessoa com sua história singular, vivendo em um ambiente único.

 

Capítulo 10 - A influência do uso de fármacos no psicodiagnóstico

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A INFLUÊNCIA DO USO DE

FÁRMACOS NO PSICODIAGNÓSTICO

Flávio Merino de Freitas Xavier

Eduardo Chachamovich

A

avaliação psicológica de pacientes medicamente enfermos se torna um desafio de maior complexidade na medida em que muitas doenças e diversos fármacos frequentemente podem influenciar o estado mental, as funções do ego ou a motricidade. Déficits cognitivos, alterações de atenção e de diversas funções mentais de natureza iatrogênica (induzida pelo médico) são comumente associados às terapias farmacológicas, tanto aos fármacos de uso geral quanto aos psiquiátricos. As altera­ções podem variar de grosseira encefalopatia com delirium até alterações sutis (como ­exaltação do humor) (Meador,

1998). Algumas drogas apresentam maior risco de efeitos mentais adversos. O risco de alterações mentais causadas por fármacos é maior entre pacientes que usam muitos medicamentos e idosos, em especial se previamente portadores de quadro inicial de demência (Bowen & Larson, 1993). Este capítulo apresenta uma revisão dos possíveis efeitos colaterais mentais de uma ampla relação de medicamentos comumente usados na prática clínica, com atenção sobre os efeitos potencialmente de maior influência sobre a testagem psicológica.

 

Capítulo 11 - Genograma familiar

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GENOGRAMA FAMILIAR

Mariana Gonçalves Boeckel

Laíssa Eschiletti Prati

A

valiar a complexidade inerente às relações familiares é uma preocupação relativamente recente na psicologia. O genograma como recurso avaliativo e interventivo surge como uma ferramenta bastante útil para acessar essas interações, e sua utilização encontra-se cada vez mais ampla na prática psicológica nas últimas décadas. Trata-se de um instrumento que permite organizar, de forma sintética e clara, inúmeras informações quanto à dinâmica familiar. Este capítulo objetiva descrever o genograma como modalidade técnica avaliativa da dinâmica transgeracional familiar.

O genograma1 é a representação gráfica das relações familiares. Contém informações sobre a estrutura, o funcionamento e a dinâmica de, ao menos, três gerações de um sistema familiar.

Utiliza o suporte gráfico para proporcionar uma modalidade narrativa sobre histórias desse sistema. Essa narrativa ocorre por intermédio da linguagem verbal, ou, ainda, por intermédio das linguagens analógica, metafórica e representativa, que facilitam a aproximação às emoções e redescobertas de novos significados. Seu uso no contexto avaliativo viabiliza o delineamento das configurações das relações transgeracionais, auxilia na construção dos nexos mais representativos entre as

 

Capítulo 12 - Integração dos dados coletados e o diagnóstico psicológico

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INTEGRAÇÃO DOS DADOS

COLETADOS E O

DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO

Joice Dickel Segabinazi

A

s transformações na área da avaliação psi­­cológica e, consequentemente, na prá­ tica do diagnóstico psicológico têm sido substanciais nos últimos anos. Vimos a organiza­

ção do Conselho Federal de Psicologia (CFP) para a criação do Sistema de Avaliação de Testes Psico­ lógicos (Satepsi) em 2003 (Primi & Nunes, 2010), e respiramos aliviados quando, em 2013, ao lon­ go do processo de aprovação do projeto de lei

7.703/06, conhecido como Ato Médico (Brasil,

2006), foi vetado o inciso I do Artigo 4º, que con­ cedia ao médico exclusividade para a realização de diagnósticos, inclusive os de transtornos men­ tais. Mais recentemente, em 2014, vibramos com a ­chegada da tradução da 5ª edição do Manual

­diagnóstico e estatístico de transtornos mentais

(DSM-5) ao Brasil (American Psychiatric Asso­ ciation [APA], 2014).

Com mudanças tão constantes, não há dúvi­ das de que o psicólogo que trabalha com avaliação psicológica precisa – e deve – atualizar constan­ temente seus conhecimentos teóricos e práticos.

 

Capítulo 13 - Devolução das informações do psicodiagnóstico

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DEVOLUÇÃO DAS INFORMAÇÕES

DO PSICODIAGNÓSTICO

Ana Celina Garcia Albornoz

O

psicodiagnóstico é um processo que envolve uma série de etapas, todas elas muito relevantes, tendo como desfecho o momento da devolução de informações. ­Tanto na literatura nacional quanto na internacional, mui­ to espaço tem sido dado à avaliação psicológica, por meio da publicação de trabalhos sobre o pro­ cesso em si, sobre os instrumentos utilizados e suas problemáticas, bem como sobre os resulta­dos encontrados em diferentes populações. No entan­ to, chama a atenção que não tem sido dada a mes­ ma ênfase à devolução das informações do psico­ diagnóstico, um dos momentos mais importantes do processo. Entre as produções sobre psicodiag­ nóstico, apenas algumas conferem um capítulo especial a esse momento, as demais o citam bre­ vemente, entre outros temas. Essas constatações evidenciam um desconhecimento a respeito de sua relevância no processo.

O momento da devolução das informações

 

Capítulo 14 - Elaboração de documentos decorrentes da avaliação psicológica

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ELABORAÇÃO DE DOCUMENTOS

DECORRENTES DA AVALIAÇÃO

PSICOLÓGICA

Sonia Liane Reichert Rovinski

Vivian de Medeiros Lago

O

s processos de avaliação psicológica com muita frequência demandam, ao seu final, a produção de documentos, que terão por finalidade a devolução dos resulta­ dos encontrados. Esses documentos sintetizam dados importantes sobre a situação e o problema que lhes deu origem, além de auxiliar na tomada de decisão quanto ao tratamento ou encaminha­ mento necessários. Em função da p

­ ermanência que adquirem no tempo, podem manter sua influência sobre os casos por muitos anos além do período avaliativo, exigindo, em ­consequência, cuidados especiais em sua escrita.

O processo psicodiagnóstico, foco de discus­ são nesta obra, apesar de relacionar-se com mais frequência à prática clínica do psicólogo, pode também ser solicitado por outros profissionais e em contextos diferentes daquele que lhe deu origem. Independentemente das denominações recebidas (p. ex., perícia psicológica), a metodo­ logia empregada pelo psicólogo pode ser a do psi­ codiagnóstico. Quando essas solicitações aconte­ cem, geralmente partem de campos disciplinares distintos ao do psicológico, gerando a ­necessidade de a escrita ser facilmente compreendida t­anto por clientes leigos como por aqueles vinculados a outras áreas de conhecimento, como médicos, juízes e professores. Ao psicólogo cabe não ape­ nas oferecer resultados de testes, mas discutir seus dados de forma que façam sentido à deman­ da de seu cliente, auxiliando-o na ­compreensão e na solução de seus problemas (Groth-­Marnat,

 

Capítulo 15 - Psicodiagnóstico interventivo

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PSICODIAGNÓSTICO INTERVENTIVO

Vanessa Stumpf Heck

Valeria Barbieri

A

área da avaliação psicológica abrange uma das competências mais relevantes do psicólogo. Ela envolve a aplicação de conhecimento teórico no entendimento do funcionamento psicológico de pessoas ou grupos em relação a uma demanda específica de compreensão do comportamento (Primi, Muniz, & Nunes,

2009). Para Hutz (2009), o termo “avaliação psicológica” é usado para descrever um c­onjunto de procedimentos que tem por objetivo coletar dados para testar hipóteses clínicas, ­ produzir diagnósticos e descrever o funcionamento de indivíduos ou grupos em situações específicas.

De acordo com o Conselho Federal de Psicologia

([CFP], 2007, p. 8):

. . . a avaliação psicológica é um processo técnico e científico realizado com pessoas ou grupos de pessoas que, de acordo com cada

área do conhecimento, requer metodologias específicas. Ela é dinâmica, e se constitui em fonte de informações de caráter explicativo sobre os fenômenos psicológicos, com a finalidade de subsidiar os trabalhos nos diferentes campos de atuação do psicólogo, dentre eles, saúde, educação, trabalho e outros setores em que ela se fizer necessária.

 

Capítulo 16 - Técnicas e modalidades de supervisão em psicodiagnóstico

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TÉCNICAS E MODALIDADES

DE SUPERVISÃO EM

PSICODIAGNÓSTICO

Denise Balem Yates

A

s pesquisas sobre os processos de supervisão em psicologia têm uma trajetória relativamente longa, desde meados da década de 1980 (Barker, 2014). Ainda assim, revisões sistemáticas e metanálises (Ellis, Ladany, Krengel, & Schult, 1996; Watkins, 2012) apontam para a escassez de modelos teóricos baseados em evidências que delimitem de forma clara como ocorre o desenvolvimento do supervisionando e a formação do próprio supervisor ao longo do processo. Algumas iniciativas de sistematização do conhecimento produzido sobre o tema até o momento podem ser destacadas, como as Diretrizes para Supervisão

Clínica em Serviços de Saúde Psicológica (American Psychological Association [APA], 2015). Contudo, poucos estudos são destinados especificamente à descrição ou ao estudo da supervisão em avaliação psicológica, sendo a maior parte da produção científica em psicologia voltada para a supervisão e a formação em psicoterapia.

 

Capítulo 17 - Entrevista com pais e demais fontes de informações

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ENTREVISTA COM PAIS E DEMAIS

FONTES DE INFORMAÇÃO

Claudia Hofheinz Giacomoni

Cláudia de Moraes Bandeira

N

o processo psicodiagnóstico de crianças ou adolescentes, a coleta de informações divide-se em duas modalidades principais: autorrelato e heterorrelato. Cada metodologia tem vantagens e desvantagens. O autorrelato ocorre quando a própria criança fornece as informações. Para isso, pode-se utilizar entrevistas, desenhos, questionários, escalas ou narrativas (Cohen, Swerdlik, & Sturman, 2014). O uso de testes, como o WISC, e de técnicas, como o Teste da Casa-Árvore-Pessoa (HTP), o Teste de Desenho da Figura Humana (DFH) e o Teste de Apercepção Infantil – figuras de animais (CAT-A), tem sido adotado por psicólogos brasileiros (Noronha,

Beraldo, & Oliveira, 2003) no processo de investigação do psicodiagnóstico. A vantagem de coletar informações das próprias crianças é a possibilidade de acessar diretamente a sua percepção sobre o que está acontecendo. As desvantagens encontram-se na possível limitação de dados decorrentes da falta de conhecimento que a criança tem sobre sua condição. Já no heterorrelato, a coleta das informações ocorre principalmente por meio dos pais e de outros membros da família, professores, médicos, fonoaudiólogos, etc. Assim como no autorrelato, as informações decorrentes do heterorrelato podem ser ­imprecisas, ou até mesmo parciais. Por isso, é importante considerar a possibilidade de se obter e integrar informações de diversas fontes. O uso de múltiplos respondentes pode resultar em um conhecimento mais completo da criança ou do adolescente. Diferentes informantes podem contribuir com informa-

 

Capítulo 18 - Critérios de análise do brincar infantil na entrevista lúdica diagnóstica

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CRITÉRIOS DE ANÁLISE DO BRINCAR

INFANTIL NA ENTREVISTA LÚDICA

DIAGNÓSTICA

Jefferson Silva Krug

Denise Ruschel Bandeira

U

m importante questionamento para o campo da avaliação clínica de crianças diz respeito aos critérios de análise do brincar infantil utilizados na entrevista lúdica diagnóstica. Pode-se dizer que a maior dificuldade existente na realização desse tipo de entrevista reside em sua avaliação, por não ser um processo estruturado e se tratar de um material clínico não sistematizado, que depende da experiência clínica, da capacidade de interpretação e observação, bem como da experiência do psicólogo.

Outro aspecto a ser considerado é que a diversidade de orientações quanto aos critérios de análise do brincar infantil reflete, consequentemente, nos processos formativos em psicologia. Como já lembrava Kornblit (1979/2009), profissionais experientes, que geralmente chegam a conclusões semelhantes ante um mesmo material clínico, mostram certa dificuldade para transmitir aos estudantes seus conhecimentos sobre como compreender a comunicação da criança. A dificuldade para sistematizar os caminhos pelos quais se tornou possível alcançar tais conclusões faz parte da realidade do processo de ensino e aprendizagem da técnica da entrevista lúdica diagnóstica. Por isso, é comum haver muitas dúvidas no entendimento do material do jogo por parte dos psicólogos que iniciam nessa prática.

 

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