Medium 9788563899149

História

Visualizações: 31
Classificação: (0)
A disciplina de história sofreu nas últimas décadas uma notável fragmentação técnico-metodológica devido à pós-modernidade. Este livro trata de, como, quando e por que determinadas abordagens sobre fazer história surgiram, se estabeleceram e, inclusive, entraram em colapso.A forma como os conceitos são apresentados resgata a disciplina de história, tornando este livro uma ferramenta indispensável para estudantes de graduação e pós-graduação, bem como os interessados nos processos históricos que moldaram essa disciplina.
 

22 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 1 | A institucionalização e a organização da história

PDF Criptografado

A INSTITUCIONALIZAÇÃO E A

ORGANIZAÇÃO DA HISTÓRIA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

1

A história se estabeleceu como disciplina e profissão a partir da construção de uma base institucional e uma estrutura profissional. Ela deveria se diferenciar de disciplinas vizinhas mais antigas e, só então, poderia ser garantido o financiamento específico para o trabalho histórico e para a formação adequada das gerações futuras de historiadores. Na Europa Continental, na Grã-Bretanha e nos Estados

Unidos, tudo isso aconteceu em momentos diferentes ao longo do século XIX, e com graus variados de finalização e êxito. A importância de estudar a história da própria disciplina – inclusive a das formas como ela se organizava – é algo que os historiadores só reconheceram em um momento relativamente recente. Mesmo assim, como apontou Theodor Schieder, todos os historiadores profissionais trabalham dentro de um sistema organizado. Faculdades e departamentos dentro de universidades, seminários, institutos e sociedades, conferências e simpósios, bibliotecas e arquivos podem ser considerados naturais por historiadores em atividade hoje em dia, mas eles próprios são resultado de um processo histórico. Sua existência foi e é essencial ao historiador profissional, mas as formas precisas com que se desenvolveram ajudaram a definir o estilo e o conteúdo das histórias produzidas. Schieder sugeriu que eles impõem uma medida de uniformidade sobre quem pratica a história: esse

 

Capítulo 2 | Metodologia: História científica e o problema da objetividade

PDF Criptografado

METODOLOGIA

HISTÓRIA CIENTÍFICA E O PROBLEMA

DA OBJETIVIDADE

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

2

A escrita profissional de história na Europa e nos Estados Unidos não era só a história escrita por profissionais; era história escrita de uma determinada forma.

Poucos historiadores do final de século XIX discordariam da afirmação de J. B.

Bury de que a história era “simplesmente uma ciência, nada menos, nada mais”.

Contudo, para as tradições historiográficas nacionais, ciência poderia significar coisas bastante diferentes.

Alemanha

Na primeira metade do século XIX, as “ciências” (Wissenschaft) humanas na

Alemanha tinham uma reputação superior à das ciências naturais, e não se sabe o quanto as primeiras realmente deviam às segundas. Obviamente, a precisão era considerada essencial para a determinação dos fatos e, por extensão, à identificação e à autenticação das fontes primárias. Até então, a afirmação dos historiadores de que eram capazes de produzir história objetiva parecia não ser complicada, mas nenhum historiador alemão afirmava que as fontes falavam por si. Ao revelar e verificar as evidências, o historiador só tinha realizado as tarefas preliminares. Agora

 

Capítulo 3 | A primazia da história política

PDF Criptografado

3

A PRIMAZIA DA HISTÓRIA POLÍTICA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

A geração fundadora de historiadores profissionais na Alemanha, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha tinha uma visão estreita sobre qual era o tema da história, concentrando seus esforços no estudo da história política. Uma razão para se fazer isso era que os métodos da “história científica” se aplicavam mais facilmente a tópicos políticos. Os arquivos de governos estaduais e federais e as obras selecionadas de destacados líderes políticos eram o material documental de mais fácil acesso, de modo que os estados, em lugar dos povos, se tornaram os principais temas.

Alemanha

No caso da Alemanha, além das exigências de método científico, a patronagem do Estado à disciplina emergente e ao trabalho dos historiadores oferecia um segundo motivo para o foco específico na história política, enquanto a propensão luterana a se submeter à autoridade estatal representava um terceiro. Embora rejeitassem quase todos os outros aspectos do trabalho de Hegel, os historiadores lhe faziam eco ao dizer que o Estado era a maior conquista do empreendimento humano. Johann Gustav Droysen associava o Estado ao divino, Friedrich Dahlmann lhe atribuía características mais humanas, de uma “personalidade corporal e espiritualmente valiosa”. Dessa forma, foi dado um primeiro passo para conciliar o foco no Estado em geral com a convicção dos historiadores de que sua preocupação deveria ser com o historicamente particular: O próprio Estado era um indivíduo! O segundo passo foi dado quando foi declarado que a tarefa do historiador era a propagação de seu próprio Estado-Nação. Se os primeiros trabalhos de

 

Conclusão

PDF Criptografado

CONCLUSÃO

Os impulsos em direção à profissionalização da história, junto à adoção de uma abordagem que apresentava um alto grau de uniformidade independentemente de fronteiras nacionais, tiveram raízes locais nas três sociedades de que tratamos nesses estudos de caso. Contudo, como também sugerimos, a profissionalização da história só pode ser entendida se levarmos em conta a interconexão dessas experiências nacionais: foi um processo com dimensões internacionais e marcado por transferências culturais. Principalmente depois de 1945, o padrão foi reproduzido para além dos exemplos “ocidentais” e europeus que discutimos.

Atualmente, a história pode afirmar ser uma disciplina global, ainda que acossada por dificuldades. Onde, até 1945, os principais obstáculos que os membros da profissão enfrentavam para se comunicar tinham sido as guerras entre as nações, a Guerra Fria representou barreiras semelhantes ao longo de meio século depois disso. Em anos mais recentes, surgiram dificuldades na condução de diálogo entre historiadores no “Ocidente” e alguns de seus colegas no Terceiro Mundo. Ainda se debate se os hábitos de pensamento arraigados na historiografia “Ocidental”, as categorias que os historiadores “ocidentais” empregam e até mesmo a própria história, podem ser uma imposição sobre o Terceiro Mundo.1

 

Capítulo 4 | O surgimento da história econômica britânica, c. 1880 a c. 1930

PDF Criptografado

O SURGIMENTO DA HISTÓRIA ECONÔMICA

BRITÂNICA, C. 1880 A C. 1930

Phillipp Schofield

4

Em uma palestra – “A Interpretação Econômica da História”, apresentada no final da década de 1880, em Oxford – James E. Thorold Rogers, então professor de economia política naquela universidade e de ciência econômica e estatística no

King’s College, em Londres, começou lamentando que em quase todas as histórias e em quase toda a economia política, a coleta e interpretação dos fatos econômicos, e com isso quero dizer registros da vida social ilustrada e a distribuição de riqueza em diferentes épocas da história da humanidade, foram geralmente negligenciadas.

Essa “negligência”, da forma como ele a via, tornava a “história imprecisa ou, pelos menos, imperfeita”.1 Embora Rogers continuasse na mesma linha nesta e em outras exposições, seu argumento principal já tinha sido apresentado, ou seja, o de que a investigação histórica que não conseguisse assumir um elemento econômico e social (em outras palavras, aquele “tipo” de história a que ele e seus contemporâneos chamariam de “história econômica” ou, como subdisciplinas separadas, de histórias “econômica” e “social”2) era fundamentalmente falho e, por extensão, o vasto conjunto de empreendimentos históricos que ele via sendo realizados dentro das universidades sofria por essa mesma razão. Rogers estava bastante disposto a reconhecer que “o estudo sólido da história teve avanços consideráveis”, de forma que “a narrativa não é mais de guerra e paz, de genealogias reais, de datas não relacionadas”. Entretanto, ele acreditava firmemente que um conjunto de materiais históricos fosse negligenciado pelos historiadores acadêmicos e, mais importante, que em suas preocupações históricas se escondiam preconceitos e partidarismos incentivados pela natureza de suas explorações e a qualidade de suas fontes.3

 

Capítulo 5 | A escola dos Annales e a escrita da história

PDF Criptografado

A ESCOLA DOS ANNALES E A ESCRITA DA HISTÓRIA

Michael Roberts

5

Os historiadores associados à revista francesa Annales exerceram provavelmente a influência isolada mais marcante no caráter da escrita histórica desde a

Segunda Guerra Mundial. Isso se deve muito ao fato de que, nos 20 anos posteriores à sua fundação, em 1929, os editores da revista desenvolveram um paradigma efetivo dentro do qual conclusões de pesquisas sobre uma gama cada vez mais ampla de temas e abordagens históricos poderiam ser assimiladas e ganhar coerência. Suas ambições de compor uma “história total” integrada, que prestasse atenção à amplitude da geografia e às sutilezas da perspectiva ou “mentalidade” humana (geralmente expressa no plural, como mentalités), combinaram-se com uma fascinação pela experiência do tempo muito apropriada ao século XX. Isso passou a ser a base para grande parte do trabalho de ponta na França e, cada vez mais, em outros lugares, a partir da década de 1960. As volumosas publicações dos editores da revista, até mesmo mais do que os artigos constantes dela própria, são consideradas hoje em dia como clássicos, tendo se tornado básicos em disciplinas de metodologia histórica. Essa realização se torna ainda mais impressionante por ter estendido um programa moldado por preocupações francesas durante o período de 1870-1914 a um padrão verdadeiramente transnacional de pesquisa.

 

Capítulo 6 | História social na Alemanha

PDF Criptografado

A HISTÓRIA SOCIAL NA ALEMANHA

Peter Lambert

6

Por um breve período durante os anos de 1970, anunciou-se amplamente o progresso triunfal de uma nova abordagem social-científica à escrita de história na

República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental. À frente da marcha, dois jovens historiadores – Hans-Ulrich Wehler e Jürgen Kocka – que trabalhavam na nova Universidade de Bielefeld estavam fazendo incursões confiantes em territórios inexplorados por historiadores alemães. Para se referir a eles, seus colegas próximos e seus alunos, foi rapidamente adotada a expressão “escola de Bielefeld”, como uma abreviação conveniente para um corpo de trabalho crescente, informado por convicções e aspirações compartilhadas. Aí estava, finalmente, uma historiografia progressista e informada teoricamente e, ao mesmo tempo, firmemente ancorada dentro do sistema universitário da Alemanha Ocidental – um novo paradigma que tinha superado a inércia decadente, mas até então, ubíqua, da história política estatista e nacionalista. Os pedidos de desculpas pelo passado alemão deram lugar a uma crítica rigorosa. Supostamente estagnada e isolada até a década de 1960, a historiografia alemã parecia agora estar vívida e haver “retornado ao Ocidente”. Onde tinha sido hostil à teoria, os Bielefelder a assumiram prontamente. Onde a agência histórica tinha sido atribuída a indivíduos, ela agora era ligada a forças e estruturas impessoais.

 

Capítulo 7 | A “nova história social” nos Estados Unidos

PDF Criptografado

7

A “NOVA HISTÓRIA SOCIAL”

NOS ESTADOS UNIDOS

Robert Harrison

“Sem muita dúvida”, observou Peter Stearns em 1988, “a ascensão da história social foi o mais dramático evento na pesquisa histórica nos Estados Unidos nas duas últimas décadas”.1 Como na Grã-Bretanha, ela teve presença frágil na academia até próximo da década de 1950 e, nas décadas seguintes, o volume de publicações cresceu bastante, à medida que muitos recém-chegados entravam no campo e eram abertas novas áreas para a investigação acadêmica. O rápido crescimento da

“nova história social” marcou uma mudança profunda no centro de gravidade da escrita histórica nos Estados Unidos. “Na profissão de historiador como um todo”, observou Gertrude Himmelfarb em 1987, “a nova história é a nova ortodoxia”.

Por sua vez, historiadores políticos e intelectuais de pensamento tradicional, como ela própria, sentiam-se marginalizados e privados de reconhecimento: “O que estava no centro da profissão está agora na periferia”.2 Antes de identificarmos a ascensão da história social como uma mudança de paradigma clássica, devemos reconhecer que a nova subdisciplina era, ela própria, uma igreja ampla, cujos devotos vinham de muitas direções diferentes, trazendo consigo interesses e propostas ideológicas distintas e privilegiando metodologias muito diferenciadas com as quais revelar a experiência vivida do passado dos Estados Unidos. Mais do que isso, sua hegemonia decididamente teve vida curta. Portanto, devemos considerar se a “nova história social” era coerente ou duradoura o suficiente para se constituir em uma importante mudança de paradigma histórico.

 

Capítulo 8 | História e psicanálise

PDF Criptografado

HISTÓRIA E PSICANÁLISE

Siân Nicholas

8

As teorias de Freud sobre a mente humana, derivadas de suas experiências como neurologista e pediatra na Viena da virada do século, moldaram o clima intelectual do século XX, transformando a forma como vemos a nós mesmos e à nossa sociedade, trazendo um novo vocabulário (“ego”, “repressão”, “projeção”, e, é claro, “psicanálise”) para a linguagem cotidiana e influenciando campos tão distintos quanto medicina, arte e literatura, educação e ciências sociais – e a história. No decorrer dos últimos cem anos, a abordagem “psicanalítica” da qual Freud foi pioneiro, a busca de forças ocultas e inconscientes que deram forma à história humana, tornou-se uma das mais polêmicas de todas as metodologias da história, porque parece questionar alguns de nossos pressupostos mais básicos sobre o método histórico, o uso de fontes, até mesmo a natureza humana. Este capítulo procura descrever a essência da abordagem psicanalítica da história e explicar por que ela foi tão revolucionária, o que a tornou tão polêmica – e por que ela permanece tão polêmica até hoje, exaltada por seus proponentes como a maior das abordagens interpretativas da história e difamada por seus detratores como uma pseudociência mais parecida com um culto do que com uma filosofia da história.

 

Capítulo 9 | História e sociologia

PDF Criptografado

HISTÓRIA E SOCIOLOGIA

Robert Harrison

9

Entre as disciplinas aparentadas com a história, a sociologia sempre pareceu a mais próxima, mas, ao mesmo tempo, a mais invasiva, a mais intimidativa, a mais desdenhosa em relação à prática histórica. Este capítulo examina as origens e o desenvolvimento da sociologia, observando algumas das formas nas quais os sociólogos deram início à investigação da sociedade, como seu trabalho influenciou a escrita da história nas décadas recentes e, por fim, a crescente penetração dos vários tipos de pensamento histórico dentro da própria sociologia.

Segundo Anthony Giddens, “a sociologia é o estudo da vida social, dos grupos e das sociedades humanos”. Seu tema é nosso próprio comportamento como seres sociais”.1 De que forma, porém, isso difere do tema da história, que o historiador francês do século XIX Fustel de Coulanges identificou como “a ciência das sociedades humanas”?2 A diferença mais óbvia é que a história lida com o passado enquanto a sociologia lida com o presente. Embora essa generalização descreva com precisão as atividades de pesquisa da maioria dos historiadores e sociólogos, há uma sensação de que a construção que o sociólogo faz do “presente etnográfico” e das afirmações do historiador de excluir demandas do presente de sua investigação do passado são igualmente fictícias. Mais importante, há uma crescente escola de sociologia histórica que inclui em suas fileiras figuras influentes como Barrington

 

Capítulo 10 | História e antropologia

PDF Criptografado

10

HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA

John Davidson

Segundo Bernard S. Cohn, um norte-americano estudioso do sul da Ásia que percorreu essas disciplinas mais do que a maioria das pessoas, os historiadores e os antropólogos têm um tema em comum: a “alteridade”.

Um dos campos constrói e estuda no espaço, o outro, no tempo. Ambos têm uma preocupação com texto e contexto. Ambos visam, independentemente do que mais façam, explicar o sentido das ações de pessoas enraizadas em um tempo e um espaço a pessoas de outro.1

A maioria dos historiadores praticou seu ofício sem ser influenciada pelos desdobramentos na antropologia e, em muitos casos, ignorando-os. Mas, desde os primeiro dias da história profissional acadêmica, alguns deles têm demonstrado um interesse na antropologia e mesmo visualizado uma indefinição das divisões entre as disciplinas. Os antropólogos, principalmente os antropólogos sociais britânicos, eram mais céticos, mas, nos anos de 1960 e depois, à medida que alguns antropólogos se afastavam dos modelos das ciências naturais, E. E. Evans-Pritchard e

 

Capítulo 11 | História e literatura

PDF Criptografado

11

HISTÓRIA E LITERATURA

Tim Woods

A nova senha nos recentes estudos literários foi a virada de volta à história, em parte comandada por uma gama de pressões institucionais: por exemplo, a necessidade frenética de garantir verbas de pesquisa, o novo utilitarismo ideológico que permeia os estudos literários em resposta a auditorias de qualidade e classificações de pesquisas e a necessidade de ser visto produzindo pesquisa de natureza

“inovadora”, que pressiona inexoravelmente os acadêmicos e as verbas de pesquisa em direção a arquivos históricos (com frequência “intocados”). Mesmo assim, o debate sobre pesquisa “histórica” versus “literária” está em uma gangorra nos estudos literários pelo menos durante os últimos 25 anos. Já houve discussões acirradas no campo dos estudos literários sobre as formas com que a teoria negligencia a história, principalmente entre pós-estruturalistas e marxistas: quanto mais importância se dá à teoria, mais se excluem a “textualidade” e “o real”.1

 

Capítulo 12 | História e marxismo

PDF Criptografado

12

HISTÓRIA E MARXISMO

Phillipp Schofield

Um modelo básico de determinismo econômico, fabricado a partir das obras de

Marx, apresentou aos historiadores uma atraente ferramenta explicativa que poderia ser usada com particular eficácia nas novas áreas temáticas surgidas desde o final do século XIX. Os historiadores sociais e econômicos encontraram um uso ou uma necessidade para Marx onde seus antecessores estatistas não tinham encontrado.

Um “marxismo vulgar” incentivou os historiadores a levar em consideração os chamamentos por uma interpretação econômico-determinista da história. Por sua vez, o envolvimento e o conflito com um marxismo determinista também levaram os historiadores a insistir na importância da luta de classes como agência histórica e a desenvolver uma perspectiva sobre o passado que admitia pelo menos alguns dos que nem sempre pareciam maduros para estudo. Eventos como esse sinalizaram a criação de uma distinção entre o marxismo ortodoxo, direcionado para modos de produção, e um marxismo “cultural” ou humanismo socialista, que revisitaremos abaixo. Para historiadores no final do século XIX, o impacto dos preceitos fundamentais do marxismo

 

Capítulo 13 | História das mulheres e história de gênero

PDF Criptografado

13

HISTÓRIA DAS MULHERES E HISTÓRIA DE GÊNERO

Michael Roberts

A história das mulheres como campo de estudos organizado é um legado do final dos anos de 1960, quando um movimento de libertação emergente começou a buscar explicações para a opressão das mulheres, que se manifestava mesmo dentro das campanhas por direitos civis e contra a guerra na Indochina. Não era inevitável que a libertação envolvesse um retorno ao passado. Afinal de contas, nos Estados Unidos, as pressões sufocantes sobre as mulheres casadas descritas por Betty Friedan em A mística feminina (1963) eram, em grande parte, resultado de um período muito recente de afluência pós-guerra e sua “busca feroz de domesticidade privada”.1 Quando foi fazer pós-graduação em Columbia, em 1963, aos 43 anos, Gerda Lerner considerou algumas das estudantes mais hostis do que os homens à sua “postura de fazer das mulheres um cavalo de batalha constante”.2

Na Grã-Bretanha, mesmo no final dos anos de 1960, ainda não estava claro a

 

Capítulo 14 | História, identidade e etnicidade

PDF Criptografado

HISTÓRIA, IDENTIDADE E ETNICIDADE

John Davidson

14

É um dos clichês da discussão historiográfica dizer que indivíduos e sociedades usam o passado para sustentar suas identidades atuais. Os fundadores da moderna historiografia aceitaram como algo dado que o foco da identidade era o

Estado-Nação, seja concebido em termos do conceito de Volk, seja como o construto de pais-fundadores heroicos, como no caso dos Estados Unidos ou da França pós-revolucionária. Nos últimos tempos, muitos tipos bastante diferentes de grupos têm demandado sua própria história e se juntado aos operários que fabricavam meias de E. P. Thompson na busca pela emancipação em relação à “enorme condescendência da posteridade”. Os primeiros desafios à visão estatista vieram daqueles que defendiam grupos que não eram de elite dentro do Estado-Nação: a classe trabalhadora, mulheres, imigrantes. Mais recentemente, alguns procuraram desmantelar todo o paradigma e as grandes narrativas que ele sustentava. Esses desenvolvimentos são o produto da interação entre mudanças na teoria social e crítica, muitas vezes mediadas por disciplinas intimamente relacionadas, e mudanças no contexto político, social e cultural mais amplo. O aumento, desde cerca de 1970, da atenção que os historiadores e outros prestam às questões relacionadas a etnicidade e identidade demonstra particularmente bem a interação de contexto e teoria. A persistência – na verdade, o ressurgimento – de divisões comunitárias e linguísticas nos Estados pós-coloniais, o surgimento de nacionalismos novos e relembrados na

 

Capítulo 15 | Os historiadores e a “nova” história britânica

PDF Criptografado

OS HISTORIADORES E A “NOVA”

HISTÓRIA BRITÂNICA

Paul O’Leary

15

É raro que os editoriais de jornais apontem, e mais raro ainda que questionem, o trabalho de historiadores acadêmicos. Portanto, merece menção quando o London Times aproveita a publicação de um relatório financiado pelo governo sobre multiculturalismo para atacar interpretações revisionistas da história britânica. Em um editorial intitulado “Nation and race”, de 12 de outubro de 2000, o jornal discordava veementemente de um grupo pouco definido de historiadores cuja obra passou a ser conhecida como a “nova história britânica”. Particularmente, o Times escolheu autores como Linda Colley, cujo trabalho sobre a “invenção” da britanicidade como ideologia oficial do século XVIII foi considerado uma reinterpretação incompatível do passado nacional, reservando-se críticas especiais

à sua ênfase na natureza construída da identidade nacional britânica. O jornal julgou que esse tipo de obra histórica era parte de uma tendência insidiosa que só poderia servir para minar a confiança na identidade britânica enraizada no que o jornal acreditava ser um passado mais longo e mais duradouro. A ideia de que as nações que constituíram o Reino Unido possam ter forjado uma identidade comum em parte com base no interesse próprio (e assim, implicitamente, poderiam se afastar dela à luz de mudanças em seus interesses) ofendeu especialmente o jornal.

 

Capítulo 16 | O pós-modernismo e a virada linguística

PDF Criptografado

16

O PÓS-MODERNISMO E A VIRADA LINGUÍSTICA

Michael Roberts

A expressão “pós-moderno” foi usada a partir da década de 1930 para definir um estilo, especificamente um afastamento das linhas definidas do “estilo internacional” predominante anteriormente na arquitetura. O modernismo floresceu entre as guerras, quando o compromisso com o uso de novas técnicas e materiais para atender às necessidades de moradia para massas fez com que os antigos estilos de construção parecessem redundantes e elevou a arquitetura feita por máquinas a um princípio estético. Sua adaptação às necessidades de uma economia empresarial que ressurgia depois da guerra gerou uma reação. A nova abordagem pós-moderna se baseou na confusão cada vez maior de imagens que transbordava da afluência dos consumidores contemporâneos, na justaposição discordante de velhos signos e símbolos com os mais novos. Um dos primeiros tratados sobre o novo estilo, a obra de Robert Venturi, adequadamente intitulada de Complexidade e contradição em arquitetura (1966), celebrava a “vitalidade desordenada em detrimento da unidade óbvia”. Os arquitetos pós-modernistas gostavam de enfatizar a fachada de um prédio, em vez de sua estrutura, e usar alusões históricas em fragmentos e detalhes no projeto.1 Enquanto isso, sociólogos como Daniel Bell estavam estudando “a sociedade pós-industrial ... uma sociedade que passou de uma etapa de produção de bens a uma sociedade de serviços”. No mesmo ano, 1959, C.

 

Capítulo 17 | Os historiadores e o cinema

PDF Criptografado

17

OS HISTORIADORES E O CINEMA

Peter Miskell

Sejamos diretos e admitamos: os filmes históricos incomodam e perturbam os historiadores profissionais, e assim tem sido por um bom tempo.1

Em um exame da relação entre história profissional e versões do passado criadas e apresentadas fora da academia, o cinema é forte candidato a receber nossa atenção. Não apenas oferece uma via para quem não tinha conexões com a academia exibir publicamente sua própria versão de história, como também permite que a história seja apresentada e consumida de uma forma totalmente nova ao século

XX.2 Além disso, a imensa popularidade internacional dos filmes fez com que a história, como se vê nas telas, tenha atingido um público muito mais amplo do que a escrita dos historiadores profissionais. Este capítulo não discutirá teoricamente, em detalhes, se os historiadores acadêmicos têm mais direitos do que os cineastas de afirmar que seu trabalho oferece uma interpretação válida do passado. A intenção aqui é oferecer uma visão do relacionamento variável dos historiadores com o cinema no decorrer do século XX, questionando por que os “filmes históricos têm incomodado e perturbado os historiadores profissionais”. Até que ponto suas atitudes em relação à história apresentada na tela se desenvolveram durante o século XX?

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
eBook
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Não
SKU
MFPP000001961
ISBN
9788584290147
Tamanho do arquivo
4,2 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Não
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados