Neuropsicologia do Desenvolvimento

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Contextualizada à realidade brasileira, esta nova obra da Série Temas em Neuropsicologia, chancelada pela Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, aborda a infância e a adolescência a partir dos conhecimentos mais atuais da área.

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Capítulo 1 - Funções executivas na infância

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Funções executivas na infância

EMMY UEHARA

FERNANDA MATA

HELENICE CHARCHAT FICHMAN

LEANDRO F. MALLOY-DINIZ

Embora não exista consenso sobre a definição de funções executivas (FEs), elas geralmente são referidas na literatura como o conjunto de habilidades e capacidades que nos permitem executar as ações necessárias para atingir um objetivo. Dessa forma, as FEs consistem em um mecanismo de controle cognitivo que direciona e coordena o comportamento humano de maneira adaptativa, permitindo mudanças rápidas e flexíveis ante as novas exigências do ambiente (Zelazo et al., 2003). Elas englobam uma série de competências inter-relacionadas e de alto nível de processamento cognitivo, cujo impacto se reflete no funcionamento afetivo-emocional, motivacional, comportamental e social.

Diversos autores se referem às FEs como um conceito guarda-chuva que engloba diversas funções. Entre elas, pode-se citar o controle atencional e inibitório, a memória de trabalho, a flexibilidade cognitiva, a identificação de metas, a iniciação de tarefas, o planejamento e a execução de comportamentos, e o monitoramento do próprio desempenho (autorregulação) até que o objetivo seja alcançado (Delis, Kaplan, &

 

Capítulo 2 - Clustering e switching em tarefas de fluência verbal na infância e na adolescência

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Clustering e switching em tarefas de fluência verbal na infância e na adolescência

NATALIA BECKER

JERUSA FUMAGALLI DE SALLES

As tarefas de fluência verbal (FV) são amplamente utilizadas para avaliar crianças e adolescentes, tanto em contextos clínicos como em contextos experimentais. Caracterizam-se por serem tarefas de rápida e fácil aplicação, além de serem de baixo custo, uma vez que se requer apenas o uso de lápis e papel. Essas tarefas consistem em gerar o maior número de palavras possível a partir de um critério ortográfico ou semântico, normalmente em um período de

60 segundos (Strauss, Sherman, & Spreen,

2006). Em tarefas de fluência verbal ortográfica (FVO), solicita-se que as palavras iniciem com determinada letra. Na literatura internacional, as formas mais comuns são “F”, “A” e “S” ou “C”, “F” e “L”, ou, ainda,

“P”, “R” e “W” (Oberg & Ramírez, 2006).

Os estudos brasileiros geralmente avaliam a

FVO com as letras “F”, “A”, “S” e “M” (Charchat-Fichman, Oliveira, & Silva, 2011; Fonseca, Salles, & Parente, 2009; Machado et al., 2009). Nas tarefas de fluência verbal semântica (FVS), as palavras geradas devem pertencer a determinada categoria, como frutas, animais ou peças de vestuário, sendo animais a mais utilizada na literatura

 

Capítulo 3 - Efeitos do nível socioeconômico no desempenho neuropsicológico de crianças e adolescentes

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Efeitos do nível socioeconômico no desempenho neuropsicológico de crianças e adolescentes

LUCIANE DA ROSA PICCOLO

JULIANA BURGES SBICIGO

RODRIGO GRASSI-OLIVEIRA

JERUSA FUMAGALLI DE SALLES

O desenvolvimento geral e neuropsicológico das crianças pode ser afetado por fatores sociais, além dos biológicos (Evans, 2004;

Farah et al., 2006). Os primeiros anos de vida são particularmente importantes para o desenvolvimento dos domínios psicossocial, biológico e cognitivo. O cérebro se desenvolve rapidamente por meio de eventos ontogenéticos que acontecem em tempos diferentes e que estão relacionados entre si. Pequenas perturbações nesses processos podem ter efeitos a longo prazo sobre a estrutura do cérebro e, consequentemente, repercutir em sua capacidade funcional

(Grantham-McGregor et al., 2007).

Entre os fatores sociais, tem sido discutido como o nível socioeconômico (NSE) pode estar associado ao desenvolvimento neural e afetar o desempenho neuropsicológico (Brito & Noble, 2014; Farah et al.,

 

Capítulo 4 - Medidas comportamentais e biológicas na avaliação neuropsicológica

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Medidas comportamentais e biológicas na avaliação neuropsicológica

MORGANA SCHEFFER

FERNANDA RASCH CZERMAINSKI

ROSA MARIA MARTINS DE ALMEIDA

A neuropsicologia é uma área da psicologia cognitiva que busca compreender a relação entre o cérebro, a cognição e a emoção. As primeiras contribuições da neuropsicologia para o entendimento do funcionamento cognitivo foram feitas a partir da investigação de indivíduos com prejuízos cognitivos, tanto adquiridos (lesões) quanto relacionados ao desenvolvimento (Kristensen,

Almeida, & Gomes, 2001). Desde os primeiros estudos realizados, os achados neuropsicológicos têm sido utilizados na formulação de hipóteses sobre a relação entre

áreas específicas do cérebro e componentes do processamento, bem como na formulação e confirmação de teorias cognitivas.

Atualmente, há um interesse crescente pela interface entre a neuropsicologia e as neurociências, que pode ser traduzido em diversas publicações na área (Duchek et al., 2009; Evans et al., 2010; O’Bryant et al., 2011; Santangelo et al., 2012). Vários estudos vêm reforçando o papel relevante da investigação neuropsicológica não só para o desenvolvimento de teorias cognitivas como também para a validação de achados obtidos por meio de outras medidas, como o uso de neuroimagem, por exemplo (Caramazza & Coltheart, 2006). A utilização das técnicas de exame das funções mentais e da

 

Capítulo 5 - O que um bom teste neuropsicológico deve ter?

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5

O que um bom teste neuropsicológico deve ter?

ROCHELE PAZ FONSECA

GEISE MACHADO JACOBSEN

JANICE R. PUREZA

Este capítulo objetiva apresentar e refletir sobre as características que um bom teste neuropsicológico deve ter para ser selecionado como uma das técnicas do processo amplo e complexo de avaliação neuropsicológica e para ser alvo útil de um processo de desenvolvimento (construção ou adaptação transcultural). O termo “teste” é geralmente utilizado para se referir a um instrumento padronizado quanto à aplicação, ao registro, à pontuação e às diretrizes gerais de interpretação. Salienta-se que não há um instrumento neuropsicológico padronizado autossuficiente para avaliar determinados componentes cognitivos, sendo ideal utilizar ao menos duas tarefas que se propõem a examinar predominantemente o mesmo componente para que um raciocínio clínico e cognitivo de relação entre processos cognitivos e entre diferentes níveis de complexidade de tarefas possa ser conduzido de forma adequada. Do mesmo modo, não é possível isolar por inteiro o exame de um único subprocesso cognitivo por meio de uma única tarefa; assim, por exemplo, todas as tarefas neuropsicológicas demandam, em algum grau, atenção concentrada, focalizada ou dividida, com as tarefas verbais requerendo algum processamento linguístico, e as visuais, algum processamento perceptivo visual.

 

Anexo

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Anexo

Questionário de fatores de saúde, sociodemográficos e culturais para avaliação neuropsicológica infantil

(Fonseca, Jacobsen, & Pureza, 2015)

Senhor(a) cuidador(a), leia com atenção e responda às questões abaixo. Elas se referem às características de saúde, escolares e socioculturais do(a) seu(ua) filho(a). Os dados contribuirão para a avaliação dele(a).

Quem preencheu: ________________________ Grau de parentesco: _____________________

Dados de identificação da criança ou do adolescente

Nome: ___________________________________________________________________________

Data de nascimento: ______ /______ /______

Escolaridade: ______________________________________________________________________

Tipo de escola: Privada ( ) Pública ( )

Cuidador materno / responsável: ____________________________________________________

Cuidador paterno / responsável: ____________________________________________________

Aspectos de saúde

 

Capítulo 6 - Genética e genômica da deficiência intelectual

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Genética e genômica da deficiência intelectual

MARIA RAQUEL S. CARVALHO

ALINE APARECIDA SILVA MARTINS

GABRIELA SALAZAR

VITOR GERALDI HAASE

DEFINIÇÃO E FREQUÊNCIA

A deficiência intelectual (DI) é formalmente definida como um quociente de inteligência (QI) abaixo de 70, acarretando dificuldades em funções adaptativas. As funções adaptativas envolvem domínios conceituais, como habilidades de leitura, escrita, matemática, raciocínio, conhecimento, memória; domínios sociais, como habilidades de comunicação interpessoal; e domínios práticos, como cuidados pessoais. A DI está presente antes dos 18 anos de idade, mas não há uma idade específica para ser diagnosticada.

Os sintomas começam no período do desenvolvimento e podem ser diagnosticados de acordo com a gravidade do prejuízo das funções adaptativas (American Psychiatric Association [APA], 2013).

A frequência populacional da DI varia de

0,5 a 3% (Kaufman, Ayub, & Vincent, 2010).

 

Capítulo 7 - Neuropsicologia dos tumores de fossa posterior

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7

Neuropsicologia dos tumores de fossa posterior

IZABEL HAZIN

DANIELLE GARCIA

O câncer infantil representa aproximadamente 3% dos novos casos de câncer estimados por ano para o país. Apesar do baixo percentual, esse valor representa cerca de 11.840 diagnósticos anuais de neoplasias em crianças e adolescentes até os 18 anos.

Estima-se que em torno de 8 a 15% de tais neoplasias sejam representadas pelo grupo dos tumores de sistema nervoso central

(SNC), sendo este o tumor sólido mais frequente na faixa etária pediátrica, ocorrendo principalmente em menores de 15 anos do sexo masculino, com pico de incidência aos 10 anos (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva [INCA],­

2014).

Entre as patologias que acometem a infância, o câncer, notadamente as neoplasias de SNC, vem surgindo nas últimas décadas como importante foco de atenção para a neuropsicologia. Além da alta incidência dessa patologia dentre os casos de câncer infantil, destacam-se como razão de interesse: 1) a implicação direta desses tumores e de seu tratamento sobre a organização e o funcionamento do SNC; 2) o maior conhecimento acerca da fisiopatologia do câncer associado ao alto grau de sofisticação terapêutica, acompanhado pelo aumento significativo nos índices de sobrevida de crianças com tumores de SNC nas últimas décadas; e 3) a crescente necessidade e preo­cupação dos profissionais em

 

Capítulo 8 - Memória de trabalho em crianças expostas a metais neurotóxicos

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Memória de trabalho em crianças expostas a metais neurotóxicos

NEANDER ABREU

CHRISSIE CARVALHO

GUSTAVO M. SIQUARA

JOSÉ A. MENEZES-FILHO

Tanto na fase uterina como na pós-natal, fatores como má nutrição, condições socioe­ conômicas desfavoráveis graves e exposição a poluentes ambientais podem alterar o desenvolvimento e a organização do sistema nervoso central (SNC). Em relação aos poluentes ambientais, as populações podem ser expostas principalmente por meio de alimentos, do ar ou da água. Estudos recentes têm investigado alterações cognitivas e comportamentais decorrentes da exposição a metais neurotóxicos em crianças e adolescentes (Lidsky & Schneider, 2006;

Smith & Steinmaus, 2009; Zoni, Albini, &

Lucchini, 2007). Crianças são bastante vulneráveis aos efeitos da exposição a poluentes ambientais, sobretudo quando nas fases embrionária e fetal, pois estão em pleno desenvolvimento do SNC (Faustman, Silbernagel, Fenske, Burbacher, & Ponce, 2000).

 

Capítulo 9 - Aspectos neuropsicológicos nos transtornos de ansiedade na infância e na adolescência

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Aspectos neuropsicológicos nos transtornos de ansiedade na infância e na adolescência

RAFAELA JARROS

RUDINEIA TOAZZA

GISELE GUS MANFRO

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

Os transtornos de ansiedade são comuns na infância e na adolescência e trazem prejuízos acadêmicos, sociais e funcionais aos indivíduos acometidos, associados a intenso sofrimento emocional (Merikangas et al., 2010). De forma geral, um padrão de comportamento caracterizado por medo excessivo está entre as causas mais comuns de procura por atendimento médico na infância e na adolescência (March, 1995). Esses quadros têm, em geral, início precoce na infância e podem persistir até a vida adulta, com consequências significativas para os indivíduos acometidos, como a associação com depressão, abuso e dependência de

álcool e drogas e aumento do risco de suicídio na vida adulta, na falta de um tratamento efetivo (Kim-Cohen et al., 2003).

As taxas de prevalência desses transtornos na infância e na adolescência, na população em geral, variam entre 5 e 32% de acordo com dados epidemiológicos norte-americanos (Merikangas et al., 2010). Essa variação decorre das diferenças metodológicas utilizadas nos diversos estudos, como a utilização de diferentes instrumentos para avaliação, treinamento de entrevistadores, diferentes critérios de prejuízo e sofrimento e fontes distintas de informação

 

Capítulo 10 - Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: aspectos neuropsicológicos e de neuroimagem e sua relação com a vida real

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10

Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade: aspectos neuropsicológicos e de neuroimagem e sua relação com a vida real

PILAR ERTHAL

GABRIEL COUTINHO

FLÁVIA MIELE

PAULO MATTOS

O transtorno de déficit de atenção/hipera­ tividade (TDAH) está associado a custos elevados em estudos de farmacoecono­ mia e a desfechos negativos para pacientes e familiares, os quais podem incluir com­ prometimento acadêmico – reprovações, abandono, suspensões e expulsões. Pesso­ as com esse transtorno podem, ainda, apre­ sentar dificuldades sociais, entre elas uma menor frequência de comportamentos pró-sociais, como compartilhamento da atenção e alternância de turnos, o que pode gerar hostilidade na relação com os pares

(Sibley, Evans, & Serpell, 2010). Há evidên­ cias de que boa parte das crianças e ado­ lescentes com TDAH pode ter menos ami­ gos íntimos, apresentando maior rejeição por pares (Wehmeier, Schacht, & Bar­kley,

2010), além de poderem se envolver em mais comportamentos de risco, terem me­ nos relações estáveis e maiores índices de divórcio na vida adulta (Barkley, 2006; Bie­ derman et al., 2006).

 

Capítulo 11 - A relação entre funções executivas e a sintomatologia dos transtornos do espectro do autismo: caso clínico

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A relação entre funções executivas e a sintomatologia dos transtornos do espectro do autismo: caso clínico

CLEONICE ALVES BOSA

FERNANDA RASCH CZERMAINSKI

LENISA BRANDÃO

O objetivo deste capítulo é discutir a contribuição da avaliação neuropsicológica no campo dos transtornos do desenvolvimento. Aborda-se, mais especificamente, a relação entre funções executivas (FEs) e a sintomatologia dos transtornos do espectro do autismo (TEA), utilizando-se o caso de

Renato, um menino de 11 anos de idade, de forma ilustrativa.

Os TEA referem-se a três das condições que compõem os transtornos globais do desenvolvimento – transtorno autista, transtorno de Asperger e transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação –, as quais têm em comum os desvios qualitativos da interação social e da comunicação, além da ocorrência de comportamentos repetitivos e estereotipados (Herold & Connors, 2012). A manifestação sintomatológica é bastante heterogênea nos

 

Capítulo 12 - Preditores neuropsicológicos da leitura

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Preditores neuropsicológicos da leitura

JERUSA FUMAGALLI DE SALLES

HELENA VELLINHO CORSO

O processo de desenvolvimento da habi­ lidade de leitura inicia-se pela habilida­ de de reconhecimento da palavra e culmi­ na com a possibilidade de compreender textos.­A relação entre reconhecimento da palavra e compreensão do texto vai se mo­ dificando ao longo da aprendizagem des­ sa habilidade. O peso do reconhecimen­ to da palavra na proficiência da leitura vai diminuindo na medida em que esse reco­ nhecimento vai ficando progressivamen­ te fluente e preciso. Espera-se que a crian­

ça esteja apta a mover-se para o domínio do texto como um todo, a partir do uso de estratégias metacognitivas, que envolvem processamentos cognitivos mais comple­ xos e abrangentes (Corso, Sperb, & Salles,

2013).

Embora acontecendo em um continuum e estando estreitamente relaciona­ dos, reconhecimento de palavras e com­ preensão leitora representam habilidades acadêmicas específicas e não envolvem os mesmos processos cognitivos (Fletcher,

 

Capítulo 13 - Dislexia do desenvolvimento: contribuições das teorias para o diagnóstico e a intervenção

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13

Dislexia do desenvolvimento: contribuições das teorias para o diagnóstico e a intervenção

SIMONE APARECIDA CAPELLINI

GISELI DONADON GERMANO

A dislexia do desenvolvimento vem sendo descrita na literatura desde meados de 1600 e é caracterizada como um atraso na aquisição na aprendizagem da leitura (Critchley, 1967). Desde essa primeira descrição, a dislexia vem sendo estudada sob a perspectiva de seus subtipos, e mesmo séculos depois, apesar dos avanços tecnológicos, ainda existem controvérsias sobre as manifestações desses subtipos e as possíveis etiologias que possam explicar a ocorrência da dislexia.

A primeira caracterização dos subtipos da dislexia foi realizada por Boder (1973) e confirmada com estudos de neuroimagem realizados por Galaburda e Cest­nick

(2003), sendo, portanto, referidos os seguintes subtipos: dislexia auditiva ou fonológica (caracterizada por dificuldade na leitura oral de palavras pouco familiares, que se encontra na conversão letra-som, normalmente associada a uma disfunção do lóbulo temporal); dislexia visual ou diseidética (caracterizada por dificuldade na leitura relacionada a um problema visual, ou seja, inabilidade de reconhecer palavras como um todo – decorrente de déficit no processamento visual e de disfunções do lóbulo occipital); e dislexia mista (caracterizada por leitores que apresentam problemas dos dois subtipos, associados às disfunções dos

 

Capítulo 14 - A dislexia do desenvolvimento pode ser causada por um distúrbio do processamento temporal?

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14

A dislexia do desenvolvimento pode ser causada por um distúrbio do processamento temporal?

RUI ROTHE-NEVES

HELLEN DE OLIVEIRA VALENTIM CAMPOS

Algumas crianças têm dificuldade em aprender a ler, e isso não pode ser explicado por diferenças sensoriais, intelectuais ou de oportunidades educacionais. A essa dificuldade chama-se dislexia. Entender a dislexia

é uma tarefa que ocupa os estudiosos há algum tempo. Uma das maneiras de começar a ler sobre um assunto é por meio das revisões sistemáticas, em que se apresenta um tema a partir de seus resultados principais. Ultimamente, podemos encontrar exemplos de revisões abrangentes sobre vários aspectos que compõem o complexo tema da dislexia: o desempenho acadêmico, cognitivo e comportamental de crianças com e sem dificuldades de leitura (Kudo,

Lussier, & Swanson, 2015), possíveis disfunções sensoriais subjacentes (Goswami,

2015) ou de processamento temporal (Protopapas, 2014), seus aspectos neurobiológicos (Norton, Beach, & Gabrieli, 2015) e mesmo o que se sabe quanto às suas possíveis bases genéticas (Kere, 2014).

 

Capítulo 15 - Padrões de dissociação da memória operacional na discalculia do desenvolvimento

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Padrões de dissociação da memória operacional na discalculia do desenvolvimento

FABIANA SILVA RIBEIRO

PAULO ADILSON DA SILVA

FLÁVIA HELOÍSA DOS SANTOS

Dificuldades de aprendizagem da matemática são frequentemente observadas em estudantes do ensino fundamental e podem ser divididas em duas condições essenciais.

Na primeira, estão as crianças com baixo rendimento matemático (LA, do inglês low achievement; moderately or persistent low mathematics achievement) decorrente de privações socioeconômicas e culturais; na segunda, crianças com discalculia do desenvolvimento (DD), um transtorno intrínseco. Entretanto, diferenciar DD e LA nos primeiros anos de escolarização constitui uma tarefa difícil dependendo do caso e dos critérios diagnósticos escolhidos, pois suas características fenotípicas são semelhantes (Mazzocco & Räsänen, 2013).

A cognição numérica estabelece a relação entre as bases neurais e cognitivas de uma determinada quantidade, as quais representam a semântica e o significado numérico. Dessa forma, a magnitude numérica pode ser expressa por algarismos romanos, arábicos, objetos, sons e termos relacionados – por exemplo, para 3,

 

Capítulo 16 - Ambulatório de aprendizagem do projeto ACERTA (Avaliação de Crianças em Risco de Transtorno da Aprendizagem): métodos e resultados em dois anos

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Ambulatório de aprendizagem do projeto ACERTA (Avaliação de

Crianças em Risco de Transtorno da Aprendizagem): métodos e resultados em dois anos

ADRIANA CORRÊA COSTA

RUDINEIA TOAZZA

ANA BASSÔA

MIRNA WETTERS PORTUGUEZ

AUGUSTO BUCHWEITZ

O objetivo deste capítulo é apresentar o método de avaliação implementado no

Ambulatório de Aprendizagem do projeto

ACERTA (Avaliação de Crianças em Risco de Transtorno da Aprendizagem), vinculado ao Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul, e os resultados obtidos em seus dois primeiros anos. Esse ambulatório é um centro de pesquisa e avaliação de crianças com dificuldades e transtornos específicos da aprendizagem (TEA) no domínio da leitura e da escrita. Serão apresentados os métodos e as características amostrais da população avaliada no período de novembro de 2013 a março de 2015.

AVALIAÇÃO DO TRANSTORNO

ESPECÍFICO DA APRENDIZAGEM

Estima-se, mundialmente, que cerca­de 10 a

 

Capítulo 17 - Neuroplasticidade e intervenções precoces

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17

Neuroplasticidade e intervenções precoces

MAURO MUSZKAT

THIAGO DA SILVA GUSMÃO CARDOSO

A neuroplasticidade é o paradigma da neurociênia do século XXI e vem substituir a visão mecanicista e dualista da interface mente-cérebro. O potencial do cérebro de ser esculpido por neuromoduladores e neurotransmissores e o aumento de conexões de áreas motoras, sensórias e associativas, do hipocampo e da representação cortical de várias áreas cerebrais mediante treino e enriquecimento ambiental têm contribuí­ do para uma visão epigenética do desenvolvimento humano. A plasticidade cerebral pode ser definida como uma mudança adaptativa na estrutura e na função do sistema nervoso, que ocorre em qualquer fase da ontogenia, como função de interações com o meio ambiente interno e externo, ou ainda como resultante de lesões que afetam o sistema nervoso. A plasticidade cerebral é multidimensional, como processo dinâmico que delimita as relações entre estrutura e função cerebral, como resposta adaptativa, impulsionada por desafios do meio ou lesões, e também como estrutura organizacional intrínseca do cérebro, que continua, em diferentes graus, durante toda a vida, inclusive na velhice. A plasticidade opera em vários níveis, desde o neuroquímico, na modificação de neurotransmissores e neuromoduladores durante o crescimento e

 

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