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Prática de morfossintaxe: como e por que aprender análise (morfo)sintática 3a ed.

Autor(es): Sautchuk, Inez
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Prática de morfossintaxe é resultado do conhecimento teórico das diversas correntes linguísticas sobre o tema e da experiência didática da autora. Resgatando o caráter essencialmente lógico da análise sintática, em consonância com a morfológica, oferece um leque de tópicos fundamentais, sem se deter em pontos passíveis de interpretação variada. Por meio de uma explanação teórica clara e adequada, com exemplos precisos da língua em uso, esta obra lembra que a língua é uma atividade social e de ação sobre o outro e que surge em textos construídos em contextos diversos.

 

34 capítulos

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OS ESTUDOS GRAMATICAIS

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CAPÍTULO 1

O que é morfossintaxe

OS ESTUDOS GRAMATICAIS

O estudo da gramática de uma língua costuma ser feito, pedagogicamente, sob quatro aspectos, conforme as unidades linguísticas em estudo: fonemas, morfemas e palavras, sintagmas e frases, e unidades semânticas em geral. A cada um desses tipos de unidades linguísticas corresponde uma determinada área de estudo, ou seja, fonologia, morfologia, sintaxe e semântica.

Assim, quando a unidade focalizada é o fonema1, podem-se, por exemplo, estudar fenômenos da língua como a cacofonia (encontro de sons que produz um efeito desagradável ou cômico, como na vez passada – ouve-se na vespa assada) e a silabada (desvio de pronúncia padrão, como pronunciar Nobel como paroxítona). Se estivermos apenas nos limites dos morfemas (as menores unidades significativas da língua) e/ou das palavras, poderemos estudar, por exemplo, como se realizam processos de derivação (papel: papelote, papelada, papelão, papelaria) ou flexão (papel/papéis).

 

AS UNIDADES LINGUÍSTICAS E OS NÍVEIS DE ANÁLISE

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O que é morfossintaxe

As construções (1), (4) e (5) infringem, respectivamente, leis sintáticas, semânticas3 e morfológicas constitutivas do sistema do português, enquanto

(2) e (3) apenas contrariam regras normativas de sua sintaxe de concordância e de colocação4.

Pela mesma razão, isto é, pelo conhecimento e pelo domínio de sua gramática interiorizada, qualquer usuário de nossa língua é capaz de perceber, ainda que intuitivamente, “alguma coisa que lembra o português”, em uma frase assim:

(6) *As falemas do fanto mevem em fiscos.

Nessa frase, há a evidência de leis morfológicas e sintáticas do português que nos permitem localizar não só flexões típicas de gênero e número em prováveis substantivos (*falemas, *fanto, *fiscos) como, também, flexões verbais em

*mevem (um possível verbo na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo).

Leis sintáticas de construção estão tão presentes na frase que conseguimos distinguir perfeitamente um sujeito (*as falemas do fanto), um verbo intransitivo (*mevem) e um adjunto adverbial (*em fiscos). Sabemos que a frase não usa “palavras” (lexemas) do português, mas organiza-se e autoriza-se mediante suas regras constitutivas.

 

POR QUE MORFOSSINTAXE?

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O que é morfossintaxe

O maior problema para o reconhecimento das categorias de palavras em português reside justamente em diferenciar aquelas que pertencem ao arquivo aberto (substantivos, adjetivos e verbos), uma vez que todas as demais poderiam ser teórica e facilmente memorizadas porque formam um conjunto fechado, que não se altera ou cresce. Daí a necessidade de se dominar um processo bastante seguro de reconhecimento dos substantivos, adjetivos e verbos.

Para demonstrar como é possível conseguir essa segurança, reservamos um item específico no Capítulo 2.

POR QUE MORFOSSINTAXE?

Há um princípio linguístico universal que afirma: “nada na língua funciona sozinho”. Para que todas essas unidades linguísticas a que nos referimos passem efetivamente a exercer qualquer função significativa ou comunicativa, é necessário sempre que se organizem ao menos em duas unidades.

Assim, é preciso que se juntem um radical (o lexema “puro” livr-, por exemplo) e uma desinência (um gramema dependente, como -o) para que tenhamos um vocábulo autônomo (livro), ou para que se forme um sintagma nominal (o seu livro, por exemplo) a partir de um artigo somado a um pronome possessivo e a um núcleo substantivo. Até mesmo um pequeno texto não se constitui se não se aliar ao menos um signo linguístico a um contexto, e assim por diante.

 

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CRITÉRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

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CAPÍTULO 2

A classificação morfológica das palavras

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CRITÉRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO

DAS PALAVRAS

As palavras existentes em qualquer língua são agrupadas em várias classes, conforme a semelhança de formas que apresentam paradigmaticamente, ou, para alguns autores, conforme o tipo de funções que podem desempenhar no eixo sintagmático ou, ainda, conforme o sentido que podem expressar. Tradicionalmente, os gramáticos organizaram todos os tipos de palavras de nossa língua em dez classes gramaticais, ou seja, os conhecidos conjuntos de palavras variáveis e de palavras invariáveis.

Com o avanço dos estudos linguísticos, entretanto, a existência dessas classes gramaticais, justificada pela necessidade de se organizar um repertório tão grande de palavras, passou a ser vista necessariamente pelo fato de elas constituírem um modelo: têm características mórficas (estruturais) que permitem contrair ou não determinadas funções sintáticas, propiciando diversas expressões de sentido.

 

OS MECANISMOS MÓRFICOS E/OU SINTÁTICOS PARA A CLASSIFICAÇÃO OU IDENTIFICAÇÃO DAS CLASSES DE PALAVRAS

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A classificação morfológica das palavras

Parece que as crianças têm aprendido na escola o que é um substantivo, adjetivo ou verbo, apesar dessas definições e não por causa delas. Quais seriam, então, os mecanismos de que aquelas mais intuitivas acabam por lançar mão para descobrir como identificar essas palavras nos textos? E quais seriam os critérios usados para identificá-las, além das definições de natureza semântica, que, como já vimos, são extremamente falhas?

Os linguistas mais modernos preferem apoiar-se em explicações de caráter formal e sintático, por serem mais confiáveis, uma vez que dispensam exigências subjetivas de análise. Se nos ativermos a características e a mecanismos essencialmente de caráter morfossintático (ou só mórfico, ou só sintático) da língua, veremos que é possível reconhecer com mais segurança as palavras que constituem o seu sistema lexical aberto – exigência imprescindível, já que é impossível decorar todo esse acervo1.

OS MECANISMOS MÓRFICOS E/OU SINTÁTICOS PARA A CLASSIFICAÇÃO

 

FUNÇÕES ADJETIVAS E FUNÇÕES SUBSTANTIVAS

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A classificação morfológica das palavras

Um caráter exclusivamente semântico de análise linguística deve ceder a um enfoque morfossintático bem mais seguro. Dessa forma, é bem provável que discutir se determinado advérbio indica, por exemplo, tempo ou modo ficará restrito

às interpretações de trechos literários ou aos estudos acadêmicos mais amplos.

Demais classes de palavras

As demais classes de palavras – artigos, pronomes, numerais, preposições e conjunções – constituem, como já comentado, um inventário ou um sistema fechado da língua e, como tal, podem ser memorizadas. Casos mais específicos de uso não são nossa preocupação no momento, podendo-se recorrer a qualquer gramática normativa para conferi-los. Entretanto, será sugerido, logo adiante, seu agrupamento em categorias linguísticas mais eficientes de serem apreendidas.

Em relação às interjeições, estudos mais recentes e linguistas de maior expressão vêm considerando-as palavras-frase, pois constituem, por si só, enunciados completos. Acompanham-se de efeitos prosódicos, variáveis segundo a situação em que estão inseridas. E, de acordo com essas situações, podem assumir feições que vão desde simples tons vocálicos, como hum..., ui!, oh! e ah..., até apresentar contornos de verdadeiras palavras, como olá!, puxa!, bravo!. Podem ainda servir para reproduzir ruídos, como clic, pum!, ou ser usadas em forma de locuções, como ora bolas!, ai de mim!, cruz credo!.

 

FUNÇÕES GENÉRICAS DOS GRAMEMAS INDEPENDENTES

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A classificação morfológica das palavras

relação sintagmática, acompanham substantivos concordando com eles em gênero e/ou número.

(52) 

(53) 

(54) 

(55) 

Certas pessoas recusam auxílio.

Meus joelhos estão doendo.

Já perdi duas agendas este ano.

Já não somos os primeiros alunos da classe.

Esse tipo de conhecimento será muito importante quando estivermos analisando sintaticamente os termos oracionais, como veremos no Capítulo 4.

FUNÇÕES GENÉRICAS DOS GRAMEMAS INDEPENDENTES

Como anteriormente comentado, muitas das palavras que pertencem ao inventário fechado dos morfemas gramaticais independentes podem ser agrupadas de acordo com alguns papéis fixos que vierem a exercer morfossintaticamente. Assim, é possível agrupar esses tipos de palavras em conjuntos genéricos como:

�� determinantes: artigos, pronomes possessivos e demonstrativos, pronomes indefinidos em posição adjetiva e relativos, como cujo (-a, -os, -as).

 

A IMPORTÂNCIA DA SINTAXE

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CAPÍTULO 3

O estudo da sintaxe

A IMPORTÂNCIA DA SINTAXE

Etimologicamente, sintaxe vem do grego sýntaxis e significa ordem, combinação, relação. A sintaxe é a parte da gramática que se preocupa com os padrões estruturais dos enunciados e com as relações recíprocas dos termos nas frases e das frases no discurso, enfim, com todas as relações que ocorrem entre as unidades linguísticas no eixo sintagmático (aquela linha horizontal imaginária).

A língua é formada pelo conjunto de morfemas lexicais e gramaticais, bem como pelo conjunto de regras e leis combinatórias que permitem a atualização dessas palavras na elaboração de uma mensagem. Se realmente existem dois tipos de inventários (um aberto e outro fechado) dessas palavras, não existe, porém, um inventário, um arquivo de frases. São as leis sintáticas que promovem, autorizam ou recusam determinadas construções, elegendo-as como “pertencentes à Língua Portuguesa” ou como “não pertencentes”. Dito de outra forma, se as sequências (e suas extensões e transformações) forem permitidas na língua, então essas sequências serão consideradas frases dessa língua; as sequências que não forem permitidas serão não frases dessa língua.

 

O CAMPO DE ATUAÇÃO DA SINTAXE

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Prática de morfossintaxe

Ocorrem em (57) tantas transgressões de leis sintáticas do português que fica bastante difícil, quando não impossível, recuperar a intenção comunicativa de quem produziu a frase.

A Língua Portuguesa não perde sua identidade quando ao seu léxico, ao seu conjunto de lexemas, são adicionados outros de outra língua. Não serão palavras como delivery, living, mouse, designer, jeans, link, site, réveillon e tantas outras que farão com que o português deixe de ser português. Por uma razão muito simples: quando elas passam a ser usadas por nós, assumem nossas leis morfossintáticas, não as de seu idioma de origem. Por isso, empregamos o delivery e não the delivery, meus mouses e não my mouses, um link e não one link, sitezinho bobo e não bobo pequeno site.

Para alterar a Língua Portuguesa a ponto de ela correr o perigo de se transfigurar, seria preciso alterar suas leis morfossintáticas, ou, principalmente, suas leis sintáticas. Precisaríamos passar a construir nossas frases ou expressões numa ordem de colocação dos termos totalmente diferente como, por exemplo, carros os pista na derraparam (?!).

 

A ESTRUTURA SINTAGMÁTICA DO PORTUGUÊS

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Prática de morfossintaxe

período simples (Você vai ao baile?) e um período composto (Eu vou porque sou um ótimo bailarino.).

A ESTRUTURA SINTAGMÁTICA DO PORTUGUÊS

Quando nos referimos à hierarquia gramatical de unidades linguísticas

(morfema → palavra → sintagma → oração → texto), observamos que os constituintes imediatos das orações são os sintagmas e não as palavras. Na condição de palavra, a unidade linguística presta-se a uma análise de seus constituintes estruturais (os morfemas dependentes, ou seja, radical, desinências, prefixos etc.) e aceita apenas denominações quanto à sua classificação gramatical. A palavra leão, por exemplo, está dicionarizada como substantivo masculino e é esse o seu status quando vista ou analisada em uma perspectiva “vertical”. Essa mesma palavra, porém, assume o status de sintagma quando, no eixo horizontal, relaciona-se, combina-se com outra palavra ou com outro sintagma, sob uma perspectiva de análise na

“horizontal”. Nesse momento, a palavra leão assume uma identidade que passa a ser também sintática, dependendo de sua posição no eixo sintagmático e das relações que possa estabelecer com outros sintagmas1.

 

TIPOS DE SINTAGMAS

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O estudo da sintaxe

que chamamos de força das leis sintáticas em uma língua. O português também tem as suas e, adiante, veremos qual é esse padrão de construção de frases em nosso idioma.

Tomemos outro período simples:

(60)  Em certos dias enevoados, o sol de verão parece ficar muito fraco.

Em (60), destacando-se outra vez o núcleo verbal como referência, teríamos dois sintagmas anteriores a ele: a. em certos dias enevoados b. o sol de verão e um posterior a ele: c. muito fraco

Os sintagmas organizam-se em torno de um elemento fundamental, ao qual chamamos núcleo. Assim, o sintagma o sol de verão tem por núcleo o substantivo sol, e o sintagma muito fraco tem por núcleo o adjetivo fraco. Por isso, dizemos que o sol de verão é um sintagma nominal, pois tem como base ou núcleo uma palavra substantiva, e que muito fraco é um sintagma adjetival, pois sua base nuclear é um adjetivo. Já o sintagma em certos dias enevoados tem uma configuração diferente: em + certos dias enevoados, ou seja, é formado por uma preposição e um sintagma nominal. Esse é o caso dos sintagmas preposicionados, que poderiam ser representados pela seguinte fórmula: SP = preposição + SN.

 

DECOMPONDO OS SINTAGMAS

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O estudo da sintaxe

Funções adverbiais (como modificadores circunstanciais) também são costumeiramente exercidas pelos sintagmas preposicionados, uma vez que apresentam as mesmas características morfossintáticas e, inclusive, semânticas de um advérbio. Perceba a perfeita correspondência que há em:

(69)  A chuva cai cedo.

(70)  A chuva cai de manhã.

(71)  A chuva cai à mesma hora.

Finalmente, falta comentarmos o sintagma verbal, que é um dos elementos básicos da oração. Esse tipo de sintagma tem o verbo ou a locução verbal como núcleo, podendo constituir-se apenas por esse núcleo ou apresentar diversas configurações, quando acompanhado de outros tipos de sintagmas. É o que temos a seguir:

(72) 

(73) 

(74) 

(75) 

As crianças adormeceram.

O professor perdeu as provas dos alunos.

Todos podem precisar de mais dinheiro.

Os amigos enviaram condolências à família.

De todos os sintagmas descritos, percebe-se que apenas o verbal não pode deixar de figurar em uma oração e, no eixo sintagmático, vai exercer sempre a mesma função, a de predicado. Os demais tipos de sintagma poderão exercer funções diversas, dependendo das relações que desempenharem entre si e das posições que ocuparem na linha horizontal. Apenas o sintagma adverbial, com núcleo advérbio, terá também uma função sintática fixa: a de adjunto adverbial, como veremos no Capítulo 4.

 

ESTUDO DO SUJEITO DA ORAÇÃO

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Prática de morfossintaxe

ma verbal) será representada por determinado tipo de verbo, que poderá ser acompanhado de certo tipo de complemento (obrigatório ou não). A posição

C, por sua vez, também poderá ser representada por um tipo de sintagma com certas características próprias. Quando a posição S não for ou não puder ser preenchida, a oração se constituirá apenas do predicado (um V sozinho ou um V + C). Observe:

(95)

Muitas crianças

atrapalham

os pais.

(96)

Muitas crianças

necessitam

dos pais.

(97)

Muitas crianças

pedem

ajuda

(98)

Muitas crianças

choram

na escola.

(99)

Ø

Choveu.

(100)

Ø

Houve

muitas mentiras.

S

V

C

aos pais

(C)

Temos, de (95) a (97), um SVC completo, com a posição C sendo representada por um complemento obrigatório em (95) e (96). Em (97), há dois complementos obrigatórios na posição C e, em (98), um complemento não obrigatório. A posição S fica vazia em (99) e (100).

 

COMPLEMENTOS VERBAIS E PREDICAÇÃO

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j. “Oh, como se me alonga de ano em ano/ A peregrinação cansada minha!/ Como se encurta e como ao fim caminha/ Este meu breve e vão discurso humano!” (Camões)

2. No trecho a seguir, você vai localizar o sujeito das orações. Elas já estão delimitadas para facilitar sua análise.

Depois do jantar, apareceu uma família conhecida/ que trazia muitos presentes;/ vieram também alguns parentes/ e todos se reuniram na sala de jantar./ Formaram-se, então, grupos de rapazes e moças/ que brincavam alegremente./ Não houve tempo, porém,/ para que novas reuniões fossem marcadas;/ já era tarde da noite.

3. Encontre o sujeito dos seguintes versos de Manuel Bandeira. a. De onde me veio esse tremor de ninho

A alvorecer na morta madrugada? b. No fervor da espera/clareou à distância o súbito alabastro. c. E na memória, em nova primavera,

Revivesceu, candente como um astro,

A flor do sonho, o sonho da quimera. d. Tornava o filho pródigo à paterna casa. e. Todas as manhãs o aeroporto me dá lições de partir.

 

CARACTERÍSTICAS MORFOSSINTÁTICAS DOS COMPLEMENTOS VERBAIS

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(145)  A crisálida vira borboleta. (VL = tornar-se)

PS

(146)  Ele não vê. (VI = não enxerga, é cego)

(147)  Ele não vê filmes de guerra. (VTD = assistir ou presenciar)

OD

CARACTERÍSTICAS MORFOSSINTÁTICAS DOS COMPLEMENTOS VERBAIS

Já vimos que os complementos no padrão sintático SVC podem ser obrigatórios ou não em relação ao sentido contextual dos verbos a que se referem.

Enquanto os verbos intransitivos podem deixar-se acompanhar de complementos acidentais, os transitivos exigem complementos obrigatórios que lhes integrem o sentido. Vejamos a natureza morfossintática desses complementos.

Assim como existe um método prático para localizar o sujeito da oração, também o complemento objeto direto (OD) possui determinadas características que permitem que ele seja facilmente localizado na oração. Todo objeto direto, à semelhança do sujeito, tem uma natureza morfológica substantiva, isto é, só pode ser expresso por meio de um sintagma nominal. Todavia, como contrai, em relação ao verbo, uma função sintática diferente, ocupando a posição C do padrão SVC, não pode ser substituído por um pronome reto (como o sujeito), mas por um pronome do caso oblíquo. Pelo menos é isso que a norma culta do português estipula: pronomes retos podem ocupar a mesma posição do sujeito da oração; pronomes do caso oblíquo (o, a, os, as; no, na, nos, nas; lo, la, los, las) devem ocupar a posição do objeto direto.

 

A ORAÇÃO: FUNÇÕES ACESSÓRIAS (SINTAGMAS AUTÔNOMOS E INTERNOS)

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Estudo dos termos da oração (Período simples)

sentado por um sintagma preposicionado autônomo, introduzido pela preposição por ou, algumas vezes, pela preposição de:

(191) �

Este exercício foi feito por alunos experientes.

(192) �

Bons jornais deviam ser lidos por muita gente.

(193) �

A petição foi entregue ao juiz pelo advogado.

(194) �

O pobre menino é ignorado de todos.

Note que o agente da passiva se transforma automaticamente no sujeito, quando a mesma oração é construída na voz ativa. Isso só ocorre com verbos transitivos (VTD ou VTDI). Veja como ficariam (191) a (194), respectivamente:

Alunos experientes fizeram este exercício.

Muita gente deveria ler bons jornais.

O advogado entregou a petição ao juiz.

Todos ignoram o pobre menino.

Concluímos assim o estudo dos sintagmas autônomos que podem ocupar a posição C do padrão S + V + C e que funcionam como termos obrigatórios.

Examinemos agora como devem ser analisados os sintagmas autônomos que exercem funções sintáticas ditas acessórias e, a seguir, as funções dos sintagmas internos.

 

COMPLEMENTO NOMINAL

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Prática de morfossintaxe

qualquer outro termo da oração, solto no eixo sintagmático, mas se reporta a outro termo da oração, geralmente um sujeito elíptico. Tem, no contexto, uma função semântica extremamente bem definida, pois serve apenas para chamar, invocar a pessoa ou coisa personificada a que se dirige. Portanto, em razão dessa sua característica semântica, o vocativo habitualmente aparece em orações cujos verbos estão no modo imperativo, antecedendo-se ou podendo ser antecedido por uma interjeição ó:

(216) �

Ponha as mãos para o alto, seu bandido!

(217) �Ó Senhor, dai-me paz para os dias de tormenta!

(218) �

Não voltes tarde para casa, minha querida, pois fará muito frio.

Observe como nos exemplos existe um sujeito oculto: você, vós e tu, respectivamente, o que prova que o sujeito e o vocativo nunca podem ser representados pelo mesmo sintagma. Além disso, não se pode esquecer da característica bem marcante do vocativo, que é a de poder ser retirado da oração, sem provocar qualquer alteração semântica ou defeito de natureza sintática.

 

QUADRO MORFOSSINTÁTICO DOS TERMOS DA ORAÇÃO

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Estudo dos termos da oração (Período simples)

QUADRO MORFOSSINTÁTICO DOS TERMOS DA ORAÇÃO

Podemos, agora, resumir didaticamente a base ou a natureza sintática de cada um dos termos da oração, bem como o tipo de sintagma pelo qual é representado na construção do enunciado. O quadro a seguir demonstra que os termos sintáticos são definidos ou autorizados por sua natureza morfológica e por sua representatividade como determinado tipo de sintagma, além, evidentemente, de apresentarem características inerentes ao contraírem funções com outros termos da oração.

Termo sintático

Base ou natureza morfológica

Representado por

Sujeito

Substantiva

Sintagma nominal (autônomo)

Objeto direto

Substantiva

Sintagma nominal (autônomo)

Objeto indireto

Preposicionada

Sintagma preposicionado (autônomo)

Predicativo do sujeito ou do objeto

Adjetiva

Sintagma adjetival/sintagma nominal/ sintagma preposicionado (autônomos)

 

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