Avaliação Musculoesquelética 5a ed.

Autor(es): MAGEE, David J.
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Esta quinta edição totalmente colorida de Avaliação Musculoesquelética oferece uma abordagem clara e sistemática para a realização de avaliações neuromusculoesqueléticas, desvendando a lógica por trás de seus vários aspectos. Nesta obra, cada articulação do corpo é tratada em capítulos exclusivos, que abrangem tópicos como: os princípios da avaliação, marcha, postura, os amputados, avaliação primária e de emergências do esporte, cabeça e face. O leitor também encontrará: • Ilustrações e fotos que mostram claramente os métodos de avaliação, testes, etiologia etc. • Um novo capítulo sobre avaliação primária, que aborda o papel cada vez mais relevante dos fisioterapeutas. • Uma completa revisão da avaliação ortopédica baseada em evidências, com informações e detalhes necessários para entender e aplicar métodos de avaliação neuromuscular. • Informações sobre ciências fundamentais, aplicações clínicas e testes especiais, que incorporam as últimas pesquisas e as práticas mais utilizadas. • Estudos de caso que auxiliam no desenvolvimento de técnicas de avaliação, com exemplos reais. • Tabelas e quadros, que organizam e resumem as informações importantes, além de destacar pontos-chave de fácil aprendizagem e memorização.

18 capítulos

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1. Princípios e conceitos

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c a p í t u l o

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P rincípios e conceitos

Uma avaliação musculoesquelética requer um exame sistemático adequado e completo do paciente. Um diagnóstico correto depende do conhecimento de anatomia funcional, de uma anamnese precisa, da observação diligente e de um exame completo. O processo do diagnóstico diferencial envolve a utilização de sinais clínicos e sintomas, exame físico, um conhecimento da patologia e dos mecanismos de lesão, testes estimulantes e de palpação (movimento) e técnicas laboratoriais e diagnósticos por imagem. Somente por meio de uma avaliação completa e sistemática é possível se estabelecer um diagnóstico preciso. A finalidade da avaliação deve ser compreender total e claramente os problemas do paciente, a partir de seu ponto de vista e do médico, e da base física dos sintomas que o levaram a procurá-lo. Como disse James Cyriax, “O diagnóstico é apenas uma questão de aplicar a anatomia”.1

Um dos métodos de avaliação mais comumente utilizado é o de registros médicos orientados ao problema, que utiliza anotações que obedecem as anotações “SOAP”.2

 

2. Cabeça e face

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C abeça e face

Paramédicos e médicos que trabalham em serviços de emergência frequentemente são os primeiros a fazer a avaliação da cabeça e da face. Nesses serviços, a avaliação abrange os aspectos ósseos da cabeça e da face, bem como os tecidos moles. A avaliação dos tecidos moles envolve principalmente os órgãos sensoriais como a pele, os olhos, o nariz e as orelhas, enquanto os músculos são examinados apenas quando se relacionam à lesão dessas estruturas. As articulações e sua integridade não são o objetivo principal da avaliação. Visto que as articulações temporomandibulares e a coluna cervical são discutidas nos Capítulos 3 e 4, esse capítulo se refere apenas à cabeça, à face e às estruturas associadas.

Anatomia aplicada

A cabeça e a face são constituídas pela abóbada craniana e pelos ossos faciais. A abóbada craniana, ou crânio, é composta por vários ossos: um frontal, dois esfenoides, dois parietais, dois temporais e um occipital (Fig. 2.1). Desses, o mais forte é o osso occipital, e os mais fracos são os ossos temporais. O osso frontal forma a testa e os ossos temporais e os esfenoides formam as paredes anterolaterais do crânio ou têmporas da cabeça. Os ossos parietais formam o topo e as porções posterolaterais do crânio, e os ossos occipitais formam a porção posterior do crânio. A abóbada craniana atinge 90% do seu tamanho final em torno dos 5 anos de idade.

 

3. Coluna cervical

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C oluna cer vical

O exame da coluna cervical tem como objetivo determinar se a lesão ou patologia ocorre na coluna cervical ou em uma porção do membro superior. Cyriax1 denominou essa avaliação de exame de rastreamento. Na avaliação inicial de um paciente com queixa de dor no pescoço e/ou no membro superior, esse procedimento sempre é realizado, exceto quando o examinador está absolutamente seguro quanto à localização da lesão. Caso a lesão esteja localizada no pescoço, o exame de rastreamento é definitivamente solicitado para descartar um envolvimento neurológico. Após a determinação do local da lesão, uma avaliação mais detalhada da área acometida

é realizada caso esse local seja fora da coluna cervical.

Visto que muitos problemas que acometem a coluna cervical podem se manifestar em outras partes do corpo, ela é uma região cuja avaliação adequada é complicada e deve-se despender o tempo necessário para garantir que seja examinado o máximo possível de causas e problemas.

 

4. Articulação temporomandibular

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A r ticulação temporomandibular

As articulações temporomandibulares são duas das articulações mais frequentemente utilizadas do corpo, mas, provavelmente, elas são as que têm recebido menos atenção. Sem elas, teríamos sérias dificuldades para falar, comer, bocejar, beijar ou sugar. Deve-se incluir as articulações temporomandibulares em qualquer exame da cabeça e do pescoço. Os distúrbios temporomandibulares (DTMs) consistem de várias doenças multifatoriais complexas que envolvem muitos fatores inter-relacionados, incluindo aspectos psicossociais.1-3 Três características cardinais de DTM são: dor orofacial, movimento mandibular limitado e ruído da articulação.1 Grande parte do conteúdo deste capítulo foi desenvolvida com base nos ensinamentos de Rocabado.4

Anatomia aplicada

A articulação temporomandibular é uma articulação sinovial, condilar, ovoide modificada e do tipo gínglimo, com superfícies fibrocartilagíneas em vez de cartilagem hialina5 e possui um disco articular; esse disco divide completamente cada articulação em duas cavidades (Fig. 4.1).

 

5. Ombro

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O mbro

O pré-requisito para qualquer tratamento de um paciente com dor na região do ombro é o preciso e completo conhecimento do quadro clínico dos sinais e sintomas, conforme a sua apresentação durante a avaliação e a sua manifestação até aquele momento. Esse conhecimento assegura a utilização de técnicas ade­quadas para o tratamento da condição e a avaliação do grau de êxito, levando-se em consideração o contexto. A dor no ombro pode ser causada por uma doença intrínseca das articulações do ombro, por uma patologia localizada nas estruturas periarticulares ou pode ser originária de patologia localizadas na coluna cervical, no tórax ou nas vísceras. Em geral, a enfermidade está relacionada ao nível de ativi­dade, sendo que a idade pode desempenhar um papel importante. A avaliação do complexo do ombro é difícil em decorrência do grande número de estruturas (a maior parte localizada em uma pequena área), de seus diversos movi­mentos e das inúmeras lesões que podem ocorrer dentro ou fora das articulações. Influências como dor refe­rida da coluna cervical, e a possibilidade da presença de mais de uma lesão, bem como a dificuldade para decidir o peso de cada resposta tornam a compreensão do exame ainda mais difícil.

 

6. Cotovelo

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C otovelo

O principal papel do cotovelo no complexo do membro superior é permitir o posicionamento adequado da mão, para que desempenhe a sua função. Uma vez que o ombro tenha posicio­nado a mão de forma grosseira, o cotovelo possibilita ao membro a realização de ajustes de altura e comprimento, para que a mão seja posicionada de modo correto. Além disso, o antebraço rotaciona, em parte na altura do cotovelo, e coloca a mão na posição mais eficaz, para desempenhar a sua função.

Anatomia aplicada

O cotovelo consiste em um conjunto complexo de articu­lações que exige uma avaliação cuidadosa para a institui­ção do tratamento adequado. O tratamento deve ser dire­cionado à condição patológica, uma vez que a articulação responde mal ao trauma, ao tratamento for­

çado ou ao tratamento incorreto.

Visto que estão intimamente relacionadas, as articula­

ções do complexo do cotovelo formam uma articulação sinovial composta, e uma lesão em qualquer parte acomete outros componentes também (Fig. 6.1). As articulações do cotovelo consistem nas articulações umeroulnar e umeror­ radial. Além disso, a complexidade e a relação intrínseca das articulações do cotovelo aumentam ainda mais pela arti­ culação radioulnar superior, que forma uma continui­dade com as outras articulações do cotovelo. Essas três articu­ lações constituem as articulações cubitais. A cápsula e a cavidade articular são contínuas para as três articulações. A combinação dessas articulações permite dois graus de liber­ dade ao cotovelo. A articulação troclear permite um grau de liberdade (flexão-extensão), enquanto as articulações umerorradial e radioulnar superior possibilitam o outro grau de liberdade (rotação).

 

7. Antebraço, punho e mão

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A ntebraço , punho e mão

A mão e o punho são as partes mais ativas e comple­ xas da extremidade superior. Portanto, são vulneráveis à lesão, que pode acarretar grandes dificuldades fun­cionais, e não respondem bem a traumas graves. A sua mobili­ dade é aumentada por uma ampla gama de movimento do ombro e movimentos complementares do cotovelo. A imensa variabilidade de movimentos é proporcionada por

28 ossos, diversas articulações, 19 músculos intrínsecos e 20 músculos extrínsecos do punho e da mão. Além de ser um expressivo órgão de comunicação, a mão tem um papel de proteção e atua como um órgão motor e sensitivo, fornecendo informações sobre, por exemplo, temperatura, espessura, textura, profundidade e forma, assim como sobre o movi­mento de um objeto. Essa acuidade sensorial permite ao médico examinar e palpar um paciente de modo exato, duran­te a avaliação clínica.

A avaliação da mão e do punho deve ser realizada com dois objetivos em mente. Primeiramente, o dano ou a lesão deve ser avaliado da maneira mais exata possível, para garantir um tratamento adequado. Em segundo lugar, o examinador deve avaliar a função remanescente, para deter­ minar se o paciente apresentará alguma inca­pacidade na vida cotidiana.

 

8. Coluna torácica (dorsal)

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C oluna torácica ( dorsal )

A avaliação da coluna torácica inclui o exame da parte mais rígida da coluna vertebral, em decorrência do gradil costal associado. O gradil costal, por sua vez, proporciona proteção para o coração e os pulmões. Em geral, a coluna torácica, que é uma curva primária, apresenta uma discreta cifose (curvatura poste­rior); a coluna cervical e a coluna lombar, que são curvas secundárias, apresentam uma discreta lordose (curvatura anterior). Ao avaliar a coluna torácica, é essencial que o examinador avalie, ao mesmo tempo, as colu­ nas cervical e/ou lombar (Fig. 8.1, ver Fig. 3.7).

Anatomia aplicada

As articulações costovertebrais são articulações sino­ viais planas localizadas entre as costelas e os corpos verte­ brais (Fig. 8.2). Existem 24 articulações costovertebrais, que estão divididas em duas partes. A 1ª, 10ª, 11ª e 12ª costelas articulam-se com uma única vértebra. As outras articulações não possuem nenhum ligamento intra-articu­lar que divide a articulação em duas partes, de modo que, da 2ª à 9ª costela, a articulação ocorre com duas vérte­bras adjacentes e o disco intervertebral correspondente. O ligamento principal da arti­ culação costovertebral é o liga­mento radiado, que está ligado ao aspecto anterior da cabeça da costela e se irradia para os lados dos corpos ver­tebrais e discos. Ele se fixa nas costelas

 

9. Coluna lombar

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C oluna lombar

A dor lombar é uma das grandes aflições humanas.

Praticamente todos os indivíduos nascidos na Europa ou na América do Norte têm grande possibilidade de apresentar uma lesão incapacitante nas costas, seja qual for sua ocupação.1 A coluna lombar proporciona suporte para a porção superior do corpo e transmite o peso desta área para a pelve e os membros inferiores. Em razão da localização estratégica da coluna lombar, essa estrutura deve ser avaliada em qualquer exame da coluna como um todo (i. e., postura) ou em qualquer exame das articulações do quadril ou sacroilíacas. A menos que haja um histórico de trauma, em geral é muito difícil determinar se uma lesão origina-se na coluna lombar, na articulação sacroilíaca ou na articulação do quadril; portanto, as três devem ser examinadas de forma sequencial.

Anatomia aplicada

Existem dez (cinco pares de) articulações facetárias (tam­ bém denominadas articulações apofisárias ou zigoapofisá­rias) na coluna lombar (Fig. 9.1).2 Essas articulações diar­trodiais são compostas pelas facetas superior e inferior e por uma cápsula. As facetas estão localizadas sobre os arcos vertebrais. Em um disco normal intacto, as articulações facetárias suportam aproximadamente 20 a 25% da carga axial, mas podem suportar até 70% com a degeneração do disco. Além disso, as articulações facetárias proporcionam

 

10. Pelve

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P elve

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As articulações sacroilíacas desempenham um papel fundamental no arco entre os dois ossos pélvicos; em conjunto com a sínfi­se púbica, elas ajudam a transferir o peso da coluna verte­bral para os membros inferiores e proporcionam elasticidade ao anel pélvico. Essa tríade de articulações também atua como um amortecedor para reduzir a força de choques e impactos que incidem sobre a coluna vertebral e a porção superior do corpo como consequência do contato dos mem­bros inferiores com o solo. Em decorrência dessa função amor­tecedora de choques, a estrutura das articulações sacroilía­cas e da sínfise púbica é diferente da estrutura da maior parte das articulações avaliadas. A avaliação das arti­culações sacroilíacas e da sínfise púbica deve ser incluída no exame da coluna lombar e/ou dos quadris, desde que essas articulações não apresentem histórico de trauma direto.1 Normalmente, o exame completo das articulações sacroi­líacas não é realizado até que tenha sido concluído o exame da coluna lombar e/ou dos quadris. Caso não seja possível resolver o problema do paciente e nem estabelecer um diagnóstico após a avaliação dessas articulações, deve-se realizar o exame da pelve.

 

11. Quadril

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Q uadril

A arti­cu­la­ção do qua­dril é uma das maio­res e mais está­veis do corpo. Quando essa articulação é lesa­da ou apre­sen­ta uma pato­lo­gia, a lesão é, em geral, per­cep­tí­vel duran­te a mar­cha. Como a dor do qua­dril pode ser refe­ ri­da para as arti­cu­la­ções sacroi­lía­cas ou para a colu­na lom­ bar, exceto quan­do exis­tem evi­dên­cias de trau­ma dire­to do qua­dril, é impe­ra­ti­vo que essas arti­cu­la­ções sejam exa­mi­na­ das com o qua­dril.

Articulação do quadril

Posição de repouso: �30° de flexão, 30° de abdução, discreta rotação lateral

Posição de congruência máxima:

Extensão, rotação medial e abdução

Padrão capsular: �Flexão, abdução, rotação medial (a ordem pode variar)

Anatomia aplicada

A arti­cu­la­ção do qua­dril é uma arti­cu­la­ção esfe­roi­dal mul­ tia­xial (tipo bola e soque­te) que pos­sui esta­bi­li­da­de máxi­ma por causa da inser­ção pro­fun­da da cabe­ça do fêmur no ace­ tá­bu­lo (Fig. 11.1). Além disso, o qua­dril, como o ombro, pos­sui um lábio, que ajuda a apro­fun­dá-lo e a esta­bi­li­zá-lo.1,2

 

12. Joelho

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J oelho

A arti­cu­la­ção do joe­lho é par­ti­cu­lar­men­te sus­ce­tí­vel à lesão trau­má­ti­ca por estar loca­li­za­da nas extre­mi­da­des de dois bra­ços de ala­van­ca lon­gos, a tíbia e o fêmur. Além disso, como a arti­cu­la­ção conec­ta um osso longo “assen­ta­do” sobre outro osso longo, sua força e esta­bi­li­da­de depen­dem dos liga­men­tos e dos mús­cu­los cir­cun­dan­tes, não ape­nas de sua con­fi­gu­ra­ção óssea.1

Como a arti­cu­la­ção do joe­lho depen­de enor­me­men­te de seus liga­men­tos, é primordial que eles sejam tes­ta­dos duran­te o exame do joe­lho. Por essa razão, os tes­tes liga­ men­ta­res não são incluí­dos na seção Testes Especiais, sendo lis­ta­dos em uma seção sepa­ra­da para asse­gu­rar­mos que eles sejam sem­pre incluí­dos no exame do joe­lho.

Por causa de seu arran­jo ana­tô­mi­co, o joe­lho é uma

área cuja ava­lia­ção é difí­cil, e o exa­mi­na­dor deve des­pen­der tempo para asse­gu­rar-se de que todas as estru­tu­ras sejam tes­ta­das. Além disso, deve ser lem­bra­do que a ­região lom­ bar, o qua­dril e o tor­no­ze­lo podem pro­du­zir dor refe­ri­da no joe­lho, e essas arti­cu­la­ções devem ser ava­lia­das quan­do pare­cer que ­outras arti­cu­la­ções que não a do joe­lho pos­sam estar envol­vi­das. Por exem­plo, um des­li­za­men­to da epí­fi­se da cabe­ça do fêmur no qua­dril comu­men­te pro­duz dor refe­ri­da no joe­lho e esta pode pre­do­mi­nar.

 

13. Perna, tornozelo e pé

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P erna , tornozelo e pé

Pelo menos 80% da popu­la­ção geral apre­sen­ta pro­ble­ mas nos pés, mas esses pro­ble­mas frequentemente podem ser cor­ri­gi­dos por meio de ava­lia­ção ade­qua­da, tra­ta­men­to e, sobre­tu­do, cui­da­dos com os pés. As ­lesões do tor­no­ze­lo e do pé podem alte­rar a mecâ­ni­ca da mar­cha e, consequen­ temente, podem impor estres­se sobre ­outras arti­cu­la­ções dos mem­bros infe­rio­res, os quais, por sua vez, podem acar­ re­tar pato­lo­gias nes­sas arti­cu­la­ções.

O pé e o tor­no­ze­lo com­bi­nam fle­xi­bi­li­da­de e esta­bi­ li­da­de por causa da gran­de quan­ti­da­de de ossos, de suas for­mas e de suas fixa­ções. A perna, o tor­no­ze­lo e o pé pos­ suem duas fun­ções prin­ci­pais: pro­pul­são e supor­te. Para a pro­pul­são, eles atuam como uma ala­van­ca fle­xí­vel. Para o supor­te, eles atuam como uma estru­tu­ra rígi­da que supor­ta o corpo intei­ro.

Funções do pé l

l

l l l

Atua como uma base de suporte que provê a estabilidade necessária para a postura ereta com um esforço muscular mínimo

 

14. Avaliação da marcha

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A valiação da marcha

Andar é o sim­ples ato de cair para a fren­te e ­apoiar-se.

Um pé sem­pre está em con­ta­to com o solo. Em um ciclo, exis­tem dois perío­dos de apoio sobre um único mem­bro infe­rior e dois perío­dos de apoio com os dois mem­bros.

Na cor­ri­da, exis­te um perío­do de tempo em que ­nenhum dos pés encon­tra-se em con­ta­to com o solo, deno­mi­na­do

“dupla flu­tua­ção”.

Winter observou que a marcha desempenha cinco funções principais.1 Primeiro, ajuda a sustentar a cabeça, os membros superiores e o tronco mantendo um membro inferior semirrígido. Segundo, auxilia na manutenção do equilíbrio e de uma postura ereta. Terceiro, controla o pé de modo a permitir que ele supere obstáculos e garante que o calcanhar ou quirodáctilos toque o solo de modo cuidadoso por meio da ação muscular excêntrica. Quarto, gera energia mecânica pela contração muscular concêntrica para iniciar, manter e, caso desejado, aumentar a velocidade para a frente. Finalmente, por meio da ação excêntrica dos músculos, a marcha proporciona absorção do impacto e estabilidade, e diminui a velocidade dianteira do corpo.

 

15. Avaliação da postura

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A valiação da postura

Desenvolvimento postural

Ao longo da evo­lu­ção, os seres huma­nos assu­mi­ram uma pos­tu­ra ereta, ou bípe­de. A van­ta­gem de uma pos­tu­ra ereta é que ela per­mi­te que as mãos ­fiquem ­livres e os olhos

­fiquem mais dis­tan­tes do solo, de modo que o indi­ví­duo pode ver mais longe à sua fren­te. As des­van­ta­gens ­incluem um aumen­to da sobre­car­ga sobre a colu­na ver­te­bral e os mem­bros infe­rio­res e difi­cul­da­des relativas na res­pi­ra­ção e no trans­por­te do san­gue para o cére­bro.

A pos­tu­ra, que consiste na dis­po­si­ção rela­ti­va do corpo em um deter­mi­na­do momen­to, é um com­pos­to de posi­ções das dife­ren­tes arti­cu­la­ções do corpo naque­le momen­to. A posi­ção de cada arti­cu­la­ção tem um efei­to sobre a posi­ção das ­outras arti­cu­la­ções. Classicamente, o ali­nha­men­to pos­tu­ral ideal (visto de lado) é defi­ni­do como uma linha reta (linha da força de gra­vi­da­de) que passa atra­vés do lobo da ore­lha, dos cor­pos das vér­te­bras cer­vi­cais, da ponta do ombro, na linha média do tórax, atra­vés dos cor­pos das vér­te­bras lom­ba­res, ligei­ra­men­te pos­te­rior à arti­cu­la­ção do qua­dril, dis­cre­ta­men­te ante­rior ao eixo da arti­cu­la­ção do joe­lho e ime­dia­ta­men­te ante­ rior ao maléo­lo late­ral (Fig. 15.1).1 Postura cor­re­ta é a posi­ção na qual um estres­se míni­mo é impos­to sobre cada arti­cu­la­ção. Para o ser huma­no, a pos­tu­ra ereta é a pos­ tu­ra em pé nor­mal. Embora a postura ereta permita uma visão mais distante e proporcione liberdade para mover os membros superiores, ela também apresenta desvantagens.

 

16. Avaliação do amputado

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A valiação do amput ado

Amputação é defi­ni­da como a remo­ção par­cial ou total de um mem­bro do corpo. Se excluir­mos as ­lesões de qui­ ro­dác­ti­los e as ­lesões par­ciais não muti­la­do­ras das mãos, as ampu­ta­ções de mem­bros infe­rio­res são muito mais fre­quen­ tes que as de mem­bros supe­rio­res.1 Entretanto, as ampu­ta­

ções de mem­bros supe­rio­res acar­re­tam uma perda fun­cio­nal maior por­que eles são úteis do ponto de vista fun­cio­nal e de manei­ras muito mais diver­sas. Também ocor­re uma maior perda sen­so­rial quan­do um mem­bro supe­rior é envol­vi­do.

Além disso, ampu­ta­ções do mem­bro supe­rior cau­sam des­fi­ gu­ra­ção mais evi­den­te e maior alte­ra­ção da ima­gem cor­po­ ral, afe­tan­do as ações e rea­ções tanto do ampu­ta­do quan­to das pes­soas com as quais ele inte­ra­ge.1,2 As ampu­ta­ções são con­si­de­ra­das tra­ta­men­to de últi­ma esco­lha, quan­do ­outros méto­dos (p. ex., revas­cu­la­ri­za­ção ou reim­plan­te) fra­cas­sam ou não são con­si­de­ra­dos ­opções de tra­ta­men­to ade­qua­ dos.2-5­ A ava­lia­ção do pacien­te ampu­ta­do pode envol­ver a ava­lia­ção pré-ampu­ta­ção ou a ava­lia­ção pós-ampu­ta­ção.

 

17. Avaliação inicial da saúde

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A valiação inicial da saúde

Embora seja ideal que um médico da família, que conheça o paciente e seu histórico familiar, realize as avaliações iniciais de sua saúde, visto que ele está ciente de qual­quer pro­ble­ma con­gê­ni­to ou de desenvolvimento, do esta­do de imu­ni­za­ção e qual­quer lesão ou doen­ça recen­te do pacien­te e, con­se­quen­te­men­te, pode dar con­ti­nui­da­de ao tra­ta­men­to, muitos indivíduos hoje não dispõem desse profissional.1-3 À medida que ocorrem alterações nos cuidados com a saúde, mais e mais profissionais ficam envolvidos na avaliação de pacientes que os procuram como profissionais da saúde de primeiro nível. Isso pode envolver estagiários de enfermagem, assistentes médicos e outros profissionais da saúde, bem como médicos em instalações para avaliação inicial da saúde, terapeutas com acesso direto na prática privada, instalações destinadas às avaliações iniciais de saúde e médicos do esporte, que trabalham e viajam com os atletas.4-8 É importante que os médicos sejam capazes de avaliar e reconhecer o potencial dos problemas de saúde do atleta, que tanto podem ser uma doença sistêmica como um fator isolado ou uma doença que envolva disfunção muscular e necessite de encaminhamento para um profissional especializado.9,10 A avaliação inicial da saúde do paciente é uma forma de triagem em que o médico decide se o problema, ou os problemas, está no âmbito de sua prática esportiva ou deve ser encaminhado a outros profissionais de saúde.

 

18. Avaliação de emergências esportivas

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A valiação de emergências espor tivas

Este capí­tu­lo é apre­sen­ta­do com a fina­li­da­de de capa­ci­tar o pro­fis­sio­nal de saúde a ava­liar ime­dia­ta­men­te um pacien­te antes da ins­ti­tui­ção de pri­mei­ros socor­ros ou do trans­por­te até um hos­pi­tal. Essa ava­lia­ção deve ser divi­di­da em duas par­ tes. A pri­mei­ra parte refe­re-se à ava­lia­ção ini­cial, geral­men­te rea­li­za­da no local em que o pacien­te é encon­tra­do, para asse­ gu­rar que situa­ções poten­cial­men­te ­letais sejam con­tro­la­das ime­dia­ta­men­te. A ava­lia­ção secun­dá­ria é rea­li­za­da quan­do o exa­mi­na­dor tem mais tempo e o pacien­te não apre­sen­ta uma amea­ça ime­dia­ta de morte ou de inca­pa­ci­da­de per­ma­nen­te.

Preparação pré-evento

Antes de qual­quer even­to espor­ti­vo, o exa­mi­na­dor deve esta­be­le­cer e pra­ti­car pro­to­co­los de emer­gên­cia.1,2 Essa pre­pa­ra­ção ­inclui a desig­na­ção de pes­soal para tare­fas espe­ cí­fi­cas e o esta­be­le­ci­men­to de tra­je­tos e entra­das de veí­cu­los de emer­gên­cia. O exa­mi­na­dor e os auxi­lia­res devem conhe­ cer a loca­li­za­ção de ­outros ser­vi­ços de assis­tên­cia médi­ca, equi­pa­men­to de emer­gên­cia (p. ex., pran­cha esta­bi­li­za­do­ra de colu­na, supor­tes para o pes­co­ço, sacos de areia, macas, cober­to­res, esto­jos de pri­mei­ros socor­ros) e um tele­fo­ne. Os equi­pa­men­tos devem ser com­pa­tí­veis com as neces­si­da­des, o tama­nho e a idade dos atle­tas e com os equi­pa­men­tos uti­li­ za­dos por ­outros pro­fis­sio­nais de saúde. Perto do tele­fo­ne, o exa­mi­na­dor deve man­ter núme­ros de tele­fo­nes de emer­ gên­cia (p. ex., ambu­lân­cia, médi­co, den­tis­ta), nome e ende­ re­ço da ins­ta­la­ção espor­ti­va, entra­da a ser uti­li­za­da e qual­quer ponto de refe­rên­cia de fácil loca­li­za­ção, pois, em situa­ção de estres­se, o indi­ví­duo que rea­li­za o cha­ma­do pode se esque­cer de for­ne­cer infor­ma­ções ou for­ne­cer infor­ma­ções ina­de­qua­ das (Fig. 18.1). Na pre­pa­ra­ção, deve estar incluí­do um plano de comu­ni­ca­ção rela­ti­vo a ­lesões ocor­ri­das na área de com­pe­ ti­ção ou na ins­ta­la­ção espor­ti­va. Este plano pode ­incluir ­sinais de mão pré-esta­be­le­ci­dos (p. ex., bra­ços cru­za­dos: envie um médi­co; mão acima da cabe­ça: envie uma ambu­lân­cia ou o

 

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