Natação Adaptada: Em Busca do Movimento com Autonomia

Autor(es): GREGUOL, Márcia
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A natação é uma das modalidades esportivas mais procuradas por pessoas com deficiência, pois lhes oferece a possibilidade de se movimentar com autonomia e incrementar sua qualidade de vida. Planejamento de sessões de iniciação, aperfeiçoamento e treinamento em natação para pessoas com diferentes tipos de deficiência são temas abordados no livro Natação Adaptada, servindo de orientação aos profissionais das áreas de atividade física adaptada, reabilitação e educação especial. Ao longo de seus 10 capítulos, aborda de forma amplamente ilustrada questões referentes às adaptações específicas a serem adotadas para cada aluno, regras da natação competitiva, além de tópicos sobre acessibilidade e segurança na piscina.

 

10 capítulos

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1. A prática de atividades físicas e esportivas por pessoas com deficiência – Uma garantia legal

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A PRÁTICA DE ATIVIDADES FÍSICAS e

ESPORTIVAS POR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA –

UMA GARANTIA LEGAl

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A prática de atividades físicas e esportivas é vista como fator primordial para a promoção da saúde nos dias atuais. O sedentarismo, especialmente atrelado a outros fatores de risco ligados à dieta inadequada, ao tabagismo e ao estresse, contribui em grande medida para o aumento da morbidade e da mortalidade, reduzindo a expectativa e a qualidade de vida da população. Especialmente na última década, o Estado tem fomentado as práticas corporais em diferentes faixas etárias como fator de prevenção primária de diversas doenças crônicodegenerativas. Entretanto, a parcela de brasileiros que apresenta algum tipo de deficiência sensorial, motora ou intelectual ainda encontra diversas barreiras para o ingresso em programas que promovam a prática de tais atividades.

Embora a Constituição Federal, em seu artigo 217, garanta que o Governo tem o dever de incentivar as práticas esportivas formais e não formais como direito de cada um (Brasil, 1988), na realidade, sabemos que os projetos que de fato incluem pessoas com deficiência são escassos e muitas vezes não contam com profissionais preparados ou estrutura adequada. Cabe lembrar também da

 

2. O corpo em imersão

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O CORPO EM IMERSÃO

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Algumas propriedades da água a tornam um ambiente absolutamente ímpar para o corpo humano. Tais propriedades são fatores capazes de desencadear respostas corporais específicas, que diferem definitivamente o exercício realizado na água de qualquer outro realizado a seco. Para compreendermos melhor as reações corporais específicas do corpo em imersão, analisaremos a seguir algumas propriedades hidrodinâmicas, assim como alguns efeitos fisiológicos decorrentes.

Aspectos hidrostáticos

A densidade pode ser definida como a relação entre massa e volume. É medida por g/cm3 ou kg/m3. A densidade da água pura é de 1.000 kg/m3, enquanto a da água do mar é de 1.024 kg/m3. A fim de se comparar a densidade de uma substância qualquer com a densidade da água, é utilizado o termo gravidade específica. Assim, se a gravidade específica da água é considerada 1, toda substância com valor menor, ou seja, com densidade menor que a da água, deverá flutuar. Já as substâncias com densidades maiores que a da água tenderão a afundar.

 

3. A deficiência visual

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A DEFICIÊNCIA VISUAL

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A deficiência visual pode ser definida como uma condição que, mesmo com a melhor correção ótica possível, leva a uma restrição significativa na capacidade visual, a qual interfere de maneira negativa na realização das tarefas do dia a dia. Indivíduos que apresentam essa deficiência necessitam de algum tipo de instrução ou equipamentos específicos para que tenham sua aprendizagem normal possibilitada. Em um mundo em que os estímulos visuais são predominantes, a privação desse sentido pode trazer, sobretudo para aqueles que não buscarem o aprimoramento de outras vias sensoriais, profundas restrições na mobilidade, na compreensão dos significados e nas interações sociais.

É preciso considerar de maneira separada os conceitos de cegueira e baixa visão, ou visão subnormal. Na cegueira, o indivíduo pode até apresentar percepção luminosa, no entanto essa percepção não é suficiente para auxiliar seus movimentos e sua orientação de forma irrestrita, assim como para a aprendizagem por meios visuais. Dessa forma, o portador de cegueira necessita de instrumentos específicos para a aquisição de conhecimentos, tais como o código

 

4. A deficiência auditiva

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A DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Dados do censo do IBGE de 2000 apontavam que a deficiência auditiva atingia, na época, 2,4% da população brasileira, o que corresponderia a cerca de

6 milhões de pessoas. Este número supera a expectativa da Organização Mundial da Saúde, que estabelece para países em desenvolvimento uma estimativa de 1,42% de pessoas com deficiência auditiva entre a população.

Embora a princípio a deficiência auditiva não aparente ser portadora de maiores comprometimentos ao desenvolvimento geral do indivíduo, o impacto da perda do sentido da audição pode trazer acentuados prejuízos ao desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social caso estímulos apropriados não sejam oferecidos.Tais perdas devem-se sobretudo às alterações no padrão de comunicação e ao déficit gerado na orientação espaço-temporal.

Nos últimos anos, vários avanços foram obtidos no que diz respeito à inserção de indivíduos com deficiência auditiva em ambientes inclusivos. A colocação de intérpretes e a habilitação de professores para a comunicação por meio da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) têm garantido maior acesso de alunos com essa deficiência em escolas e em outros ambientes que antes eram quase exclusivos de pessoas ouvintes. Como esse acesso tem crescido exponencialmente, torna-se fundamental também que os profissionais que atuem com a prescrição de atividades físicas e esportivas busquem compreender melhor as características específicas dessa população, bem como as possíveis formas de tornar a comunicação potencializada.

 

5. A deficiência intelectual

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A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Embora com prevalência elevada entre a população, poucas condições despertam tantas dúvidas e negações como a deficiência intelectual. Talvez pela sua subjetividade e pela complexidade de seu diagnóstico, o fato é que, exceto em situações em que vem acompanhada de condições sindrômicas, a deficiência intelectual ainda é um grande desafio para pais e professores, especialmente pela falta de informações adequadas sobre as reais possibilidades dos indivíduos. Muitos mitos pairam sobre esta condição, como o de que aqueles com deficiência intelectual serão sempre incapazes ou “eternas crianças”. É importante que a sociedade se conscientize de que essas pessoas podem, por meio de técnicas adequadas, atingir níveis elevados de desempenho social, escolar, profissional e esportivo.

Compreende-se como deficiência intelectual um distúrbio significativo do desenvolvimento cognitivo, que tenha ocorrido antes dos 18 anos de idade e que gere prejuízos significativos no comportamento adaptativo. O comportamento adaptativo pode ser compreendido como um conjunto de domínios básicos para que se tenha garantida uma vida autônoma: comunicação, cuidados pessoais, desempenho familiar, habilidades sociais, independência na locomoção, saúde, segurança, desempenho escolar, lazer e desempenho no trabalho. Além do atraso cognitivo significativo, para ser considerado portador de deficiência intelectual, o indivíduo deve necessitar de apoio e supervisão constante em pelo menos dois desses domínios do comportamento adaptativo. Assim, os testes que avaliam o coeficiente intelectual não são mais os únicos determinantes para o diagnóstico da condição, nem tampouco vêm sendo aplicados com frequência.

 

6. Autismo

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AUTISMO

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Dentro dos transtornos do comportamento, o autismo ainda desafia profissionais da área de saúde mental. Estima-se que existam milhares de casos ainda não diagnosticados ou diagnosticados incorretamente no Brasil. Embora recentemente tenham ocorrido alguns avanços nas técnicas diagnósticas, estimar potencial de desenvolvimento global de indivíduos com essa condição é uma tarefa extremamente difícil.

O autismo é um transtorno caracterizado pela manifestação em geral até os 30 meses de vida, que afeta o desenvolvimento global, principalmente por distúrbios na comunicação, na interação social e no uso da imaginação (tríade do autismo). Foi diagnosticado pela primeira vez em 1943 pelo médico Leo

Kanner e possui uma prevalência de cerca de quatro casos para 10.000 nascimentos, atingindo quatro vezes mais meninos do que meninas. As causas do autismo ainda são desconhecidas, embora algumas pesquisas apontem para a possibilidade de origem genética ou problemas advindos durante a gestação.

 

7. A deficiência motora

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A Deficiência Motora

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Deficiência motora é um termo utilizado para denotar uma condição de origem neurológica ou ortopédica (óssea/muscular/ligamentar) que, de alguma maneira, afeta a motricidade do indivíduo. Pode vir ou não acompanhada de outras condições, tais como restrições sensoriais ou cognitivas. Também pode ser categorizada por sua evolução como progressiva, aquela cujas sequelas vão se acumulando com o passar do tempo, ou não progressiva, aquela cujas sequelas são estáveis.

Para terem movimentação e/ou locomoção facilitada, pessoas com deficiência motora em geral recorrem ao uso de órteses ou próteses. Na prática da natação, contudo, esses implementos tornam-se desnecessários; assim, o meio aquático é capaz de oferecer uma oportunidade única de movimentação autônoma, independente do uso desses artifícios. Entretanto, as modificações nas proporções corporais, resultantes de uma deficiência motora, podem alterar profundamente os padrões observados de flutuação e as técnicas de propulsão no meio líquido, o que acarreta a necessidade de adaptações dos gestos realizados a fim de que se possa obter uma movimentação eficiente, com a maior estabilidade corporal possível.

 

8. A iniciação da natação para pessoas com deficiência

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A INICIAÇÃO DA NATAÇÃO PARA

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Conforme mencionado no Capítulo 2, o meio líquido é capaz de proporcionar a todos os indivíduos, independente de eventuais restrições, benefícios diversos e momentos de prazer. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o aluno se sinta seguro e confiante em realizar as atividades. Partindo desta premissa, o processo de adaptação ao meio líquido e a aprendizagem dos nados devem ser conduzidos no sentido de oferecer ao participante experiências agradáveis, seguras e que mantenham seu nível de motivação constantemente elevado.

Ao longo deste capítulo serão discutidas três etapas importantes para a iniciação bem-sucedida do aluno com deficiência na prática da natação. A primeira etapa é a avaliação do aluno, na qual serão levantadas informações a respeito da deficiência manifestada, das habilidades já existentes e de eventuais condições restritivas para a prática da atividade. A segunda etapa se constitui da adaptação ao meio líquido, momento no qual o aluno se familiarizará com o ambiente, aprenderá a entrar e sair da piscina e iniciará o processo de conhecimento sobre as possibilidades diferenciadas do seu corpo na água. Por fim, a última etapa será a aprendizagem dos nados em si, na qual o aluno, já dominando de maneira mais adequada a estabilidade de seu corpo no meio líquido, experimentará as técnicas específicas dos diversos estilos, adaptando-as de acordo com suas necessidades.

 

9. O aperfeiçoamento e treinamento da natação para pessoas com deficiência

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O Aperfeiçoamento e Treinamento da Natação para Pessoas com Deficiência

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Após a aprendizagem dos estilos de nado propriamente ditos, as técnicas de movimento devem ser aprimoradas, ainda que o aluno apresente restrições motoras, buscando sempre aproximá-las daquelas utilizadas na natação convencional. O professor deve conhecer seu aluno o suficiente para que esteja apto a detectar as dificuldades de execução devido à deficiência apresentada, distinguindo-as daquelas decorrentes do mau uso da técnica.

Alguns erros de execução dos nados são relativamente comuns e demandam correções simples. Entretanto, algumas dificuldades específicas podem persistir por mais tempo, gerando a necessidade de intervenções mais aprofundadas com o uso de exercícios corretivos variados, filmagem do aluno e exercícios a seco. Em todo o processo de ensino, no entanto, o professor deve rever constantemente suas estratégias, de forma a verificar se a comunicação utilizada está sendo compreendida a contento e se o nível de motivação dos alunos está constantemente elevado.

 

10. Instalações, equipamentos e questões de segurança

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Instalações, Equipamentos e Questões de Segurança

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A natação para pessoas com deficiência é uma prática altamente benéfica, motivante e capaz de trazer muitos ganhos para a qualidade de vida, saúde e autonomia. Entretanto, para que o número de participantes aumente cada vez mais e que a atividade possa ser desenvolvida com total segurança, algumas condições devem ser observadas.

Dificilmente um indivíduo manterá seu nível de motivação elevado para a prática da natação se não tiver facilidade de acesso ao local onde ocorrerão as aulas ou as sessões de treino. Da mesma maneira, ocorrerá uma forte tendência à desistência caso o indivíduo experimente situações de risco ou que lhe gerem desconfortos. Assim, a observação de questões relacionadas à adequação dos espaços de aula ou de treino, bem como de normas básicas de segurança,

é fator fundamental para o aumento da adesão e permanência de pessoas com deficiência à prática da natação.

Questões de acessibilidade para piscinas e vestiários

 

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