O que é Dialética do Iluminismo?

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“Dialética do Iluminismo” é uma expressão consagrada na filosofia e também o título de um dos mais importantes livros do pensamento filosófico e social dos tempos atuais: Dialektik der Aufklärung. O livro foi escrito pelos filósofos da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, em meados do século XX. De lá para cá, tornou-se leitura obrigatória na filosofia, nas ciências sociais, em estudos literários e na educação. Neste livro, o filósofo brasileiro Paulo Ghiraldelli Jr. fornece mais que um roteiro de leitura do Dialektik der Aufklärung, expõe uma interpretação original e fecunda dessa obra. Se você ainda não tiver familiaridade com a Escola de Frankfurt, O que é Dialética do Iluminismo? servirá para iniciá-lo no pensamento dessa decisiva escola filosófica. Se você já tem apreço pelos frankfurtianos, certamente este guia magistral será seu fiel companheiro.

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9 capítulos

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1. Alertas e conceitos iniciais

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capítulo 1

alertas e conceitos iniciais

1.1 Leituras com tropeços

O leitor do livro Dialektik der Aufklärung deve evitar certos direcionamentos. Primeiro: a tentação de buscar, nesse livro, informações sobre a sociedade, como se tivesse em mãos uma obra de sociologia, uma espécie de coroamento da teoria social iniciada por Marx,

Durkheim e Weber. Segundo: a impressão de que está diante de um produto neomarxista, ou seja, uma forma de renovação e ampliação do pensamento de Marx e Engels, dedicado a avaliar fenômenos da cultura de massas, não vividos pelos fundadores do marxismo.

Essas expectativas, um tanto grosseiras, às vezes fazem que o leitor não apenas não compreenda o livro, mas realmente perca a chance definitiva de entrar no mundo dos filósofos da Escola de Frankfurt. Não é frutífero acreditar que o capítulo sobre a “indústria cultural” é o centro do livro, ou o que há de melhor nele.

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2. Karl Marx e a abstração

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capítulo 2

Karl Marx e a abstração

2.1 Marx e os frankfurtianos

A dívida de Horkheimer e Adorno para com Marx, especificamente no Dialektik der Aufklärung, não é a respeito da noção de “luta de classes” ou de “revolução”.

Também não chamam a atenção deles questões detalhadas sobre “trabalhadores” e “movimento operário”.

Mesmo a noção de “capitalismo”, presente nos escritos dos dois frankfurtianos, não é algo que se possa utilizar senão como uma noção mais ou menos vaga. Então, se assim é, como Horkheimer e Adorno puderam, especialmente em cartas trocadas na época da confecção do

Dialektik, referir-se a Marx e a Engels como “nossos pais espirituais”? O que eles consideraram como a justificação de tal paternidade?

No livro em questão, há um refinamento filosófico a respeito da teoria da mercadoria, a partir de sua formulação em O capital, de Marx. Os dois frankfurtianos

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3. Kant e Hegel

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capítulo 3

Kant e Hegel

3.1 Kant e os frankfurtianos

Kant deve ser visto na leitura do Dialektik der Auf­ klärung em dois pontos notáveis. Primeiro, uma vez que o livro é hegeliano, e que Hegel escreve contra Kant, o filósofo de Königsberg é uma peça importante no tabuleiro frankfurtiano.

A noção de “eu” kantiana é posta em contraste com o que seria seu equivalente hegeliano – o desenvolvimento da consciência como espírito –, mas não para optar por uma ou outra, mas para mostrá-las como passos da pseudoformação do espírito. Ambas são vistas como passos do Iluminismo. Todavia, além disso, Kant

é o iniciador da ética moderna, o paradigma de uma

ética do dever. Essa ética do dever se fez ponto máximo da modernidade e do Iluminismo. A preocupação de

Horkheimer e Adorno, ao valerem-se de Kant, é ver em que medida essa ética do dever, como as próprias luzes, leva-nos antes à crueldade que à virtude.

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4. O Todo é o falso

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capítulo 4

o Todo é o falso

Hegel diz que “o Todo é o verdadeiro”. Em um aforismo do livro Minima moralia, Adorno diz que “o Todo

é o falso”. Essa contraposição diz muito da filosofia dos dois frankfurtianos, explicitando que tipo de dívida há deles para com Hegel.

Hegel trabalha com a noção de totalidade: não há separações do tipo das de Kant, como, por exemplo, a divisão entre fenômeno e coisa-em-si. É claro que assim tem de ser, pois, para Hegel, tudo é da ordem do espiritual. A totalidade é verdadeira na medida em que não deixa nada “para fora”, não descarta nada, e todas as afirmações sobre o mundo e o mundo propriamente dito se colocam de uma maneira não apartada. Caso deixasse algo “para fora”, não seria uma totalidade. Não seria verdadeira. Ora, para Horkheimer e Adorno, esse tipo de uso da noção de totalidade tem duas consequências graves: uma no âmbito da filosofia e outra no âmbito da política.

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5. A proto-história da subjetividade

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capítulo 5

a proto-história da subjetividade

5.1 A viagem de Ulisses

Na introdução do Dialektik der Aufklärung há menção à viagem de Ulisses de volta a Ítaca, após a Guerra de Troia. No primeiro excurso, esse é o assunto principal. É o conteúdo da Odisseia, aproveitado de modo altamente criativo por Horkheimer e Adorno.

Essa viagem, narrada por Homero, expõe de uma forma organizada uma boa parte da mitologia grega.

Trata-se de uma das boas fontes de informação sobre o mundo grego e, enfim, sobre as potências míticas da cultura grega. O fato de esses mitos aparecerem em uma narrativa como a de Homero, que não é nenhum sacerdote, mas um rapsodo, indica para os frankfurtianos que tal história já não é, ao ser contada por ele, o aparecimento dos mitos como força absoluta e original. Uma vez no interior de uma narrativa, eles se apresentam como conto, história e, enfim, é claro, uma exposição prisioneira da linguagem.

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6. Ética de Kant, pedagogia de Sade

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capítulo 6

ética de Kant, pedagogia de Sade

Horkheimer e Adorno não são originais quando encontram em Kant, no segundo excurso do Dialektik der Aufklärung, uma postura formal em ética e, então, cruel. Outros antes deles, inclusive Hegel, denunciaram o formalismo e os seus perigos. Todavia, ao mostrarem que, no campo ético, o Aufklärer pode muito bem ser o herói libertino de Sade, apresentam uma ideia que tem sua originalidade bem nítida.

O imperativo categórico de Kant, que implica o

“não devo agir segundo uma regra que não possa ser universalizada”, é a base para o cumprimento das regras vigentes, sejam elas quais forem. O homem completamente esclarecido, moderno, não pode mentir e, ao mesmo tempo, imaginar-se alguém com uma ética louvável.

Mesmo que sua mentira seja em favor da proteção de um fugitivo que ele sabe que é inocente. A compaixão que sentimos por alguém perseguido está bem longe de ser um bom condutor moral para Kant. Pode ser apenas

 

7. Schopenhauer: o conhecimento brota da compaixão

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capítulo 7

Schopenhauer: o conhecimento brota da compaixão

7.1 O saber do corpo

O antídoto ao monstro Kant-Sade, delineado por

Adorno e Horkheimer, é Schopenhauer. Ele não está explicitamente no Dialektik der Aufklärer, mas, nas entrelinhas, dá várias ordens ao roteiro do livro. Ou seja, ainda que tenham Marx em alta conta, os dois frankfurtianos não confiam de todo no materialismo marxista para o projeto de combate ao monstro Kant-Sade. Entendem que o marxismo, em vários aspectos, está comprometido com a insensibilidade do projeto iluminista tanto quanto estão comprometidos os seus “apologetas”.

Algumas observações de Schopenhauer são bem-vindas para dar o contrapeso ao materialismo marxista.

A maneira como Horkheimer e Adorno fazem Schopenhauer colaborar com o projeto que têm em mente é bem específica. Remetem a ele para acentuar o papel do corpo e da sensibilidade física, da relevância da dor física

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8. Enfim, Freud e Disney na Ilha de Ítaca

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capítulo 8

enfim, Freud e Disney na

Ilha de Ítaca

8.1 Ítaca após a Odisseia

Quando Ulisses chega a Ítaca e promove o banho de sangue que elimina os concorrentes, há o anúncio do telos de uma razão que negou todo e qualquer telos.

A razão instrumental, que per se é a que se importa exclusivamente com meios e não discute fins, uma vez sendo a rainha da única racionalidade sob a qual

Ulisses se fez sujeito, mostra que ele tem um telos: a eliminação da competitividade. Ou seja, sem uma componente racional que faça a discussão de valores, o valor da violência pode se impor mecanicamente – automaticamente.

A violência impede a vida liberal por completo.

A ordem subjacente desse tipo de racionalidade seria esta: que não exista a vida liberal pela qual e na qual

Ulisses se fez astucioso. A vida liberal é a da troca,

é a que se faz no percurso da viagem de Ulisses. Ele

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9. Adendo esclarecedor: “teoria crítica”

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capítulo 9

adendo esclarecedor:

“teoria crítica”

Há uma generalização a respeito do uso do termo

“teoria crítica” para denominar os escritos dos filósofos pertencentes à Escola de Frankfurt. Todavia, a noção de “dialética do Iluminismo” não deveria ser vista como aquilo que seria mais bem observado antes pela teimosia dos dicionários e enciclopédias (inclusive as que eu participei como escritor) do que pela capacidade de observação inteligente. O termo “teoria crítica” não ajuda no entendimento da expressão “dialética do Iluminismo”.

O que quero dizer é que o termo “teoria crítica” é um termo de popularização e jamais foi tomado pelos filósofos frankfurtianos – nenhum deles – como um nome que poderia cobrir a produção deles, suas pesquisas e escritos. Theodor Adorno deixou bem claro isso em algumas passagens de sua obra. Mesmo concordando com as pesquisas de Horkheimer, ele entendia que a

“teoria crítica” seria apenas uma versão sociológica, levada a cabo por Horkheimer (às vezes em parceria com

 

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