Práticas da Interdisciplinaridade no Ensino e Pesquisa

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A obra Práticas da Interdisciplinaridade no Ensino e Pesquisa, editada pelos professores Arlindo Philippi Jr e Valdir Fernandes, apresenta reflexões e práticas desenvolvidas por docentes e pesquisadores que atuam em ensino e pesquisa de pós-graduação multi e interdisciplinar. Nela fica evidenciada a importância de alicerces teórico-conceituais associados à prática da interdisciplinaridade no ensino e pesquisa, revelando a construção de uma comunidade científica atenta à complexidade da vida e de suas exigências. Dividido em três partes – “Fundamentos da prática interdisciplinar”, “Interdisciplinaridade em prática: dimensões metodológicas e operacionais” e “Prática interdisciplinar no ensino, pesquisa e extensão” –, indica o comprometimento da comunidade acadêmica com a busca de respostas para as demandas da sociedade, por meio dos conhecimentos necessários para o equacionamento e a solução de tais demandas. Trata-se do segundo “ato” de uma obra iniciada com o livro Interdisciplinaridade em Ciência, Tecnologia & Inovação, editado por Arlindo Philippi Jr e Antônio José Silva Neto, que coloca à disposição da comunidade acadêmica resultados concretos de suas práticas e assinala a consolidação de um ensino e pesquisa comprometidos com o avanço da qualidade da produção de ciência, tecnologia e inovação nas instituições de ensino superior do país.

25 capítulos

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1. Dicotomia entre ser humano e natureza: paradigma fundador do pensamento científico

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capítulo

1

Dicotomia entre ser humano e natureza: paradigma fundador do pensamento científico

Claude Raynaut, Antropólogo, CNRS

Introdução

A noção de prática interdisciplinar aplicada ao campo da pesquisa e da formação implica uma grande diversidade de acepções teóricas e metodológicas. Não há uma, mas sim muitas formas de se praticar a interdisciplinaridade

(Raynaut e Zanoni, 2011). Pode-se dizer que a colaboração entre especialidades científicas e técnicas diferenciadas constitui, hoje, uma exigência imprescindível para resolver a maioria dos problemas com os quais se defronta a ciência.

Impõe-se, entre outros fatores, para explorar a matéria física nas suas escalas mais ínfimas, para entender os processos químicos e biológicos nos quais se origina o próprio movimento da vida orgânica, para forjar hipóteses e conduzir observações a respeito da formação e da evolução do universo. Diante da complexidade das questões que a ciência contemporânea encontra, as fronteiras entre disciplinas institucionalmente estabelecidas tornam-se cada vez mais permeáveis, trocas conceituais e metodológicas acontecem, colaborações científicas instituem-se no âmbito de programas de pesquisa comuns (Repko, 2008).

 

2. Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade nas tramas da complexidade e desafios aos processos investigativos

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capítulo

2

Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade nas tramas da complexidade e desafios aos processos investigativos

Augusta Thereza de Alvarenga, Cientista social, USP

Aparecida Magali de Souza Alvarez, Psicóloga, USP

Américo Sommerman, Filósofo, Cetrans

Arlindo Philippi Jr, Engenheiro civil e sanitarista, USP

Introdução

A discussão sobre a crescente complexidade da realidade e as relações que ela mantém com preceitos, princípios ou fundamentos da ciência clássica ou moderna ganha expressão na segunda metade do século XX como crítica à fragmentação e ao reducionismo dos fenômenos investigados na produção do conhecimento no mundo contemporâneo, crítica essa que aponta para os limites e desafios da ciência clássica para o enfrentamento de problemas complexos, tendo em vista que fundamenta-se no pensamento disciplinar e na perspectiva positivista de ciência.

Muito embora as raízes de tal crítica se encontrem já na primeira metade do século XX, como decorrência dos avanços no campo das ciências naturais – notadamente da física e da biologia –, seus desdobramentos mais relevantes

 

3. Epistemologia crítica, metodologia e interdisciplinaridade

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capítulo

3

Epistemologia crítica, metodologia e interdisciplinaridade

José Henrique de Faria, Economista, UFPR

Introdução

O objetivo deste estudo é mostrar que toda a construção do conhecimento científico interdisciplinar, do ponto de vista da epistemologia crítica e da metodologia que lhe corresponde, se dá em fases ou momentos distintos, não lineares, sequenciais ou etapistas, da relação do sujeito pesquisador com o objeto (da consciência com a matéria). São momentos que se diferenciam por suas características na relação objeto-sujeito e não por serem estruturas do pensamento sequencialmente predefinidas. Esses momentos podem ser classificados em três categorias de análise: a primeira corresponde a uma aproxima­

ção precária do sujeito pesquisador com o objeto de sua pesquisa no campo empírico definido, ou seja, é uma fase pré-sincrética; a segunda corresponde a uma aproximação deliberadamente construída, na qual se encontra o conhecimento valorizado pela relação entre o sujeito pesquisador e o objeto, ou seja, é uma fase sincrética; a terceira corresponde à apropriação do objeto

 

4. Importância do sujeito e da subjetividade na epistemologia e na avaliação da interdisciplinaridade

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capítulo

4

Importância do sujeito e da subjetividade na epistemologia e na avaliação da interdisciplinaridade

Patrick Paul, Médico, USP

Introdução

A interdependência do objeto e do sujeito é afirmada em numerosas correntes atuais de pensamento. Qualificada como teoria ativa do conhecimento por Raymond Boudon (1986), parece ter sido Hume quem propôs esse termo.

Pierre Bourdieu (1979) afirma igualmente que os objetos não são objetivos por serem dependentes das características sociais e pessoais dos indivíduos que os observam. Numerosas correntes filosóficas, já na época de Kant e de Hegel, contestam a existência de um mundo e de uma realidade puramente exteriores ao sujeito. Com essa observação, não se trata de oferecer uma lista exaustiva das correntes filosóficas, das ciências humanas, médicas, ou mesmo de certas correntes da física (a quântica, por exemplo) que valorizam uma abordagem geralmente qualificada como fenomenológica. Mas uma coisa é certa: se as ciências positivistas, muito vinculadas às evidências concretas, materiais, são suficientes para explicar certos fatos, outros tipos de dados devem ser compreendidos a partir do sentido que os indivíduos lhes dão no contexto de seu

 

5. Objeto, método e finalidade da interdisciplinaridade

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5

Objeto, método e finalidade da interdisciplinaridade

Américo Sommerman, Filósofo, Cetrans

INTRODUÇÃO

Para clarear as definições atuais dos conceitos de interdisciplinaridade e de transdisciplinaridade, realizamos, recentemente, uma ampla pesquisa (quantitativa e qualitativa) sobre eles nos campos da educação, da saúde e do ambiente (Sommerman, 2012).

Nas partes quantitativas dessa pesquisa – nas quais buscamos esses dois termos em artigos científicos e em livros –, pudemos comprovar o aparecimento do substantivo interdisciplinarity em livros, em 1874 e do adjetivo interdisciplinary, em 1890. No entanto, a pesquisa em artigos científicos mostrou que um número mais significativo dessas publicações, que trazem o adjetivo interdisciplinary no título ou no resumo, é verificado apenas na década de 1970, crescendo muito nas décadas seguintes. Em relação ao substantivo interdisciplinarity, o seu aparecimento só começa, de fato, no cerne da reflexão científica, na década de 1980, crescendo gradualmente nas décadas seguintes.

 

6. Complexidade, inter e transdisciplinaridade: organizações latino-americanas no contexto da crise civilizatória

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capítulo

6

Complexidade, inter e transdisciplinaridade: organizações latino-americanas no contexto da crise civilizatória

Sérgio Luís Boeira, Comunicador social, UFSC

Introdução e aspectos metodológicos

Este estudo tem como objeto organizações que ainda são muito pouco conhecidas pelo público não acadêmico (e, inclusive, por grande parte do público universitário), situando-se no contexto latino-americano, mais especificamente em cinco países: Brasil, Argentina, México, Chile e Peru1. São pouco conhecidas porque seus perfis culturais e organizacionais não apontam para uma popularidade, ainda que também não tenham o propósito de isolar-se das realidades sociais a que pertencem. Embora tratem de temas controversos (como inter, transdisciplinaridade e complexidade), com méto1

Este estudo constitui-se como parte de um projeto de pesquisa intitulado “Análise da contribuição de Edgar Morin à teoria das organizações”.

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7. Práticas para criação do conhecimento interdisciplinar: caminhos para inovação baseada em conhecimento

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7

Práticas para criação do conhecimento interdisciplinar: caminhos para inovação baseada em conhecimento

Patricia de Sá Freire, Pedagoga, Unesc

Kelly Cristina Tonani Tosta, Administradora, UFFS

Roberto Carlos dos Santos Pacheco, Engenheiro civil, UFSC

INTRODUÇÃO

A inovação, até há pouco tempo, era vista como se ocorresse em estágios sucessivos e independentes de pesquisa básica, pesquisa aplicada, desenvolvimento, produção e difusão, como um processo linear e sequencial (Cassiolato e Lastres, 2005).

De acordo com Cassiolato e Lastres (2005), embora tenham sido citados antes, só a partir da década de 1960 se iniciam os estudos sobre inovação com alguma profundidade.

Antes disso, na década de 1930, Schumpeter foi um dos economistas a incluir a inovação em suas teorias econômicas, apontando as diferenças entre invenção, que é a geração de uma nova peça de conhecimento, e inovação, o resultado de pesquisa e desenvolvimento em um novo processo ou produto

 

8. Contribuição de redes de pesquisa para prática interdisciplinar

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capítulo

8

Contribuição de redes de pesquisa para prática interdisciplinar1

Sonia Maria Viggiani Coutinho, Advogada, USP

Amanda Silveira Carbone, Bióloga, USP

Ana Maria Barbieri Bedran Martins, Advogada, USP

Arlindo Philippi Jr, Engenheiro civil e sanitarista, USP

Introdução

Entre os dias 9 e 13 de setembro de 2013, ocorreu, em São Paulo, a 1ª

Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais. Esse evento seria como tantos outros ligados a esse tema se não tivesse por intenção integrar três grandes redes de pesquisa em mudanças climáticas – o Instituto Nacional de

Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), o programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e a Rede

Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), que agregam mais de 2.000 pesquisadores em diversos subprojetos de pesquisa, sub-redes temáticas e áreas de pesquisa. No auditório, pesquisadores, jornalistas, estudantes e leigos acompanharam os resultados do Sumário Executivo do Grupo de Trabalho 1, do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PB-

 

9. Avaliação de exames de grau em programas de pós-graduação interdisciplinares no Brasil

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9

capítulo

Avaliação de exames de grau em programas de pós-graduação interdisciplinares no Brasil

Andrea Valéria Steil, Psicóloga, UFSC

Silvana Pezzi, Matemática, UFSC

Roberto Carlos dos Santos Pacheco, Engenheiro Civil, UFSC

Introdução

A pesquisa interdisciplinar possui hoje forte influência na prática da ciência e na produção do conhecimento (Fiore, 2008), mesmo quando ela não é classificada explicitamente como tal (Repko, 2008). O conhecimento interdisciplinar1 possui credibilidade acadêmica (Jacobs e Frieckel, 2009; Philippi

Jr e Silva Neto, 2011) e muitas instituições têm estabelecido políticas institucionais e práticas de ensino, pesquisa e extensão interdisciplinares (Buanes e

Jentoft, 2009).

1 Não há uma definição de consenso sobre o conhecimento interdisciplinar. Neste capítulo, tem-se por referência a conceituação de Shin (1986), segundo a qual o conhecimento interdisciplinar é conhecimento com novo significado, criado pela integração de conceitos e ideias de diferentes disciplinas.

 

10. Desafios metodológicos na formação em gestão ambiental: operacionalizando a interdisciplinaridade

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10

Desafios metodológicos na formação em gestão ambiental: operacionalizando a interdisciplinaridade

Cíntia Mara Ribas de Oliveira, Química, UP

Maurício Dziedzic, Engenheiro Civil, UP

Valdir Fernandes, Cientista Social, UP

INTRODUÇÃO

As relações que o homem estabelece com o ambiente alteram-se a partir das concepções e demandas sociais. Estruturas e posturas sociais têm passado, assim, por constantes revisões, e o meio ambiente configura-se cada vez mais como um tema discutido nas diferentes esferas sociais. Sob essa ótica, contemplar o conceito de sustentabilidade representa uma necessidade no planejamento de cada interferência antrópica sobre o ambiente, a fim de que condições de vida sejam garantidas para todas as espécies e suas futuras gerações.

Segundo Luzzi (2005), os problemas ambientais não se resolvem apenas com assepsia cientificista, seja ela no âmbito da ecologia, biologia ou tecnologia. Sua efetiva resolução deve ser estruturada em aspectos culturais, sociais, de valores, da organização política e da economia global.

 

11. Crônica de uma discussão teórica interdisciplinar sobre noções e conceitos polissêmicos no tema do desenvolvimento rural

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11

Crônica de uma discussão teórica interdisciplinar sobre noções e conceitos polissêmicos no tema do desenvolvimento rural

Tatiana Gerhardt, Enfermeira, UFRGS

Lovois de Andrade Miguel, Agrônomo, UFRGS

Roberto Verdum, Geógrafo, UFRGS

Fábio de Lima Beck, Pedagogo, UFRGS

Jalcione Almeida, Sociólogo, UFRGS

Carlos Guilherme Adalberto Mielitz Netto, Agrônomo, UFRGS

Marta Julia Marques Lopes, Enfermeira, UFRGS

Claude Raynaut, Antropólogo, CNRS

Magda Zanoni, Bióloga, CNRS

Introdução

A realidade agrária brasileira, em especial a partir da segunda metade do século passado, experimentou transformações significativas em termos sociais, produtivo-tecnológicos e ambientais. Pressionado de um lado pela aceleração do processo de industrialização e urbanização e, de outro, pela imposição de novos padrões técnicos baseados nos preceitos da revolução verde, o chamado “mundo rural” brasileiro passa por um importante e vertiginoso processo de mudanças. Assim, esse espaço se transforma e se reconfigura, incorporando novos processos produtivos, mas também produzindo novas e complexas questões sociais e ambientais.

 

12. O "Neocosteiro": lições de uma experiência de pesquisa e formação doutoral interdisciplinar em meio ambiente e desenvolvimento

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12

O "Neocosteiro": lições de uma experiência de pesquisa e formação doutoral interdisciplinar em meio ambiente e desenvolvimento

José Milton Andriguetto Filho1, Oceanógrafo, UFPR

Cristina Teixeira, Socióloga, UFPR

Naína Pierri, Socióloga, UFPR

Carlos Alberto Cioce Sampaio, Administrador, PUC-PR

Natália Tavares de Azevedo, Socióloga, UFPR

Luiz Francisco Ditzel Faraco, Biólogo, ICMBIO

Thiago Zagonel Serafini, Oceanógrafo, Unifesp

Juliana Lima Spínola, Bióloga, UFPR

Introdução1

Este capítulo analisa a experiência de construção coletiva de pesquisa interdisciplinar de um grupo formado pelos autores, todos professores ou egressos do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento da

Universidade Federal do Paraná (PPGMADE-UFPR). O processo se desenvolveu entre 2008 e 2012 e, seguindo a metodologia do programa, teve por objetivo levar à elaboração das teses de doutoramento, tendo como tema geral os sistemas produtivos da pesca na costa Sul-Sudeste do Brasil e as práticas e políticas de gestão ambiental associadas.

 

13. Interdisciplinaridade e mudanças climáticas: caminhos para sustentabilidade

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13

Interdisciplinaridade e mudanças climáticas: caminhos para sustentabilidade

Pedro Roberto Jacobi, Cientista social e economista, USP

Leandro Luiz Giatti, Biólogo, USP

Tercio Ambrizzi, Físico, USP

Introdução

Este capítulo objetiva explorar o potencial interdisciplinar em torno do fenômeno global de mudanças climáticas e de suas consequências intrínsecas para, mediante uma ampla problematização, discutir perspectivas e desafios de práticas interdisciplinares, tendo como principal foco a aprendizagem so­ cial, que se possibilita a partir de vasto processo de produção de conhecimen­ to que se estende desde os avanços científicos sobre o campo até as possibi­ lidades de diálogo entre esses saberes especializados, as reais demandas e a percepção dos mais diversos atores sociais sobre a questão.

O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades contemporâneas revela que o impacto dos humanos sobre o meio ambiente está causando alterações cada vez mais complexas, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos. Nessa direção, o tema da sustentabilidade tem assumido papel

 

14. Tecnologia, cultura e educação em perspectiva interdisciplinar para enfrentamento de desafios contemporâneos

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capítulo

14

Tecnologia, cultura e educação em perspectiva interdisciplinar para enfrentamento de desafios contemporâneos

Vânia Gomes Zuin, Química, UFSCar

Introdução

As águas se modificam, assim como nossas compreensões acerca delas.

Podemos monitorá-las por meio de satélites e outros aparatos tecnológicos, saber de suas vazões e demais parâmetros que as caracterizam, inclusive interferir e sermos modificados pelas suas novas condições e meandros.

As questões controversas atuais ligadas à água e sua governança se colocam como desafios pouco delimitados que, em geral, conduzem a várias “soluções alternativas”, como ocorre nos casos da construção do Porto das Lajes, em

Manaus, ou da transposição do Rio São Francisco a outras bacias hidrográficas do Nordeste brasileiro. Essas são também situações sociocientíficas polêmicas – consideradas relevantes por um grande número de pessoas e que vinculam a ciência e a sociedade – e exigem não apenas a análise de evidências (dados empíricos), mas também reflexões de ordem ética, moral e valorativa de temas sociais com os aspectos conceituais, metodológicos e tecnológicos ligados à ciência (Zuin e Freitas, 2007). Na sociedade contemporânea,

 

15. Formação de professores da educação básica e pós-graduação: a interdisciplinaridade necessária

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15

Formação de professores da educação básica e pós-graduação: a interdisciplinaridade necessária

Carmen Moreira de Castro Neves, Educadora, Capes

Introdução

Se precisássemos escolher uma só palavra para traduzir o mundo em que vivemos, essa poderia ser complexidade. Para Edgar Morin (1986, p. 155):

[...] só o pensamento complexo está à altura dos pensamentos fundamentais de nossas sociedades e de nossa história, de onde se originam problemas de vida e de morte da humanidade, então ele tem que concentrar em si a energia do desespero e a energia da esperança.

Segundo Freire (1979), diante de um forte desafio, o verdadeiro educador opta pela esperança e, certamente por isso, o pensamento complexo de Morin

é movido pela energia criadora que propõe integrar a multidimensionalidade, a contextualização e as ideias de liberdade e autonomia.

Ao aprofundar-se nas possibilidades de liberdade e autonomia, Morin combina-as com inúmeras dependências: a gênese do ser autônomo começa na família, com o amor e o cuidado dos pais; continua na escola que o ensina a falar, escrever, conviver; estende-se à universidade que o ajuda a acumular conheci-

 

16. Práticas interdisciplinares no campo das ciências ambientais

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16

Práticas interdisciplinares no campo das ciências ambientais

Maria do Carmo Sobral, Engenheira civil, UFPE

Carlos Alberto Cioce Sampaio, Administrador, PUC-PR

Valdir Fernandes, Cientista social, UP e Isae

Arlindo Philippi Jr, Engenheiro civil e sanitarista, USP

Introdução

O desenvolvimento da ciência sempre foi impulsionado pelos grandes problemas da humanidade, sobretudo aqueles relacionados à natureza. O surgimento das ciências ambientais não difere dessa dinâmica. Elas surgem como resposta ao reconhecimento das questões ambientais, especialmente a partir da década de 1960. São questões que têm relação com a disponibilidade de recursos para sustentar o ritmo e o estilo de desenvolvimento adotado a partir da Revolução Industrial; relacionadas à poluição, nas suas várias formas, da água, do ar e do solo; problemas vinculados ao uso e à ocupação do solo, principalmente aqueles concernentes aos processos de urbanização; relativas à qualidade de vida das pessoas, envolvendo questões de saúde, mobilidade, alimentação, saneamento, entre outros.

 

17. Interdisciplinaridade na pesquisa: lições de uma experiência concreta

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capítulo

17

Interdisciplinaridade na pesquisa: lições de uma experiência concreta

Claude Raynaut, Antropólogo, CNRS

Introdução

Apesar de tão discutido, o assunto da interdisciplinaridade fica com muitas questões abertas. Montar programas interdisciplinares dentro do meio acadêmico tem, até hoje, algo de uma aventura. Chegar à interdisciplinaridade na prática científica não se dá pelo simples fato de reunir várias disciplinas dentro de um mesmo grupo. É o resultado de um processo de construção rigoroso e metódico. A dimensão teórica desse processo de construção é fundamental, e já se tentou trazer contribuições à reflexão no Capítulo 1 deste mesmo livro e em Raynaut (2011).

No entanto, o trabalho a se fazer sobre os princípios gerais e os conceitos, por fundamental que seja, não é suficiente para permitir passar de uma visão teórica a uma prática concreta. A questão é particularmente crucial quando o objetivo é inovar nos processos de produção do conhecimento por meio de pesquisas sobre assuntos cuja complexidade e cujo caráter híbrido, conjugando aspectos heterogêneos, exigem a participação de disciplinas científicas diversi-

 

18. Cidadania global como tema interdisciplinar em universidades inglesas

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18

Cidadania global como tema interdisciplinar em universidades inglesas

Silvia Elisabeth Moraes, Letras, UFC

INTRODUÇÃO

Este capítulo traz resultados da primeira fase do projeto de pesquisa “Cidadania global (CG) como tema interdisciplinar/transdisciplinar no currículo de instituições do ensino superior”, realizado durante um estágio sênior da Capes

(fevereiro de 2013 a janeiro de 2014) no Centro de Pesquisa em Educação para o Desenvolvimento (Derc), Instituto de Educação, Universidade de Londres.

A questão CG surgiu em projetos temáticos interdisciplinares de alunos de licenciatura e pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Ceará

(UFC) entre os anos de 2008 e 2012. A preocupação com o planeta, a convivência entre os povos e, especialmente, o lugar do Brasil nessa nova configuração ocasionaram aprofundamento e expansão dos assuntos abordados nos projetos que passaram a se relacionar com problemas não mais restritos ao contexto local, regional, ou mesmo nacional: os alunos constataram a necessidade de ampliar sua abrangência situando-os em sistemas inter-relaciona-

 

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