Condicionamento Físico para Dança: Técnicas para a Otimização do Desempenho em Todos os Estilos

Autor(es): FRANKLIN, Eric
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Esta obra tem como objetivo o aperfeiçoamento da técnica e do desempenho em todos os estilos de dança, por meio do fortalecimento do centro do corpo (core) e da ênfase na coordenação, no equilíbrio, no alinhamento e na flexibilidade. As técnicas inovadoras e comprovadas deste livro, que ensinam a trabalhar os músculos por meio de movimentos semelhantes aos empregados na dança e a incorporar o poder da mente no treinamento, irão ajudá-lo a expressar todo o seu potencial físico e artístico à medida que proporcionarão: • fortalecimento dos músculos utilizados na dança, por meio de exercícios com faixas elásticas; • melhora do equilíbrio e liberação da tensão por meio de divertidos exercícios com bolas; • desenvolvimento de potência nas pernas e no tronco, que se refletirá em saltos mais altos e piruetas mais centradas; • pliés mais profundos, extensões e rotações externas aprimoradas e maior elevação de pernas sem aplicar tensão; • aumento da flexibilidade por meio de toque, consciência de movimento e imagens mentais. Condicionamento Físico para Dança apresenta 170 ilustrações, acompanhadas de 160 exercícios e um programa de treinamento que o ajudarão a atingir um maior condicionamento mente-corpo. Indicada para dançarinos de todas as modalidades, estudantes, instrutores e professores de dança em escolas, estúdios, academias e universidades, esta é uma obra essencial para todos aqueles que desejam desenvolver ao máximo suas habilidades.

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10 capítulos

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1. Condicionamento mente-corpo

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CAPÍTULO1

Condicionamento mente-corpo

A

lguns anos atrás, enquanto lecionava no Ballet da Ópera de Zurique, ajudei uma dançarina experiente com relação à execução de suas piruetas. Ela conseguia realizar de 3 a 4 piruetas de forma bem previsível, mas sua cabeça inclinava um pouco para o lado e sua pelve apresentava uma tendência de queda para a frente, ao final dos giros. Eu apontei essas observações e ela tentou novamente, mas suas piruetas não melhoraram. Esses desalinhamentos estavam embutidos em seus padrões de movimento, de forma que simplesmente estar ciente daquilo não ajudaria no aperfeiçoamento de suas piruetas. Ela então me perguntou o que deveria fazer para realizar piruetas mais eficientes, e eu disse que seria necessária alguma força adicional, mas que esta teria pouco efeito dentro do padrão de movimento que ela então exibia. Contudo, ela poderia melhorar seu nível se estivesse disposta a reaprender a postura de sua pirueta. Como os músculos são fortalecidos dentro da coordenação em que são usados, é preciso descobrir a melhor coordenação antes de fortalecer essas piruetas.

 

2. Imagem corporal

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CAPÍTULO2

Imagemcorporal

V

ocê já teve um pensamento que o fez sentir uma mudança física? Você nota o quanto dança melhor nos dias em que está com pensamentos positivos? Se a resposta for sim, você já teve a primeira percepção do que a conexão mente-corpo é capaz de fazer por você. Desde a menor célula do corpo, cada ato mental reverbera no seu ser físico, e cada processo químico e bioquímico do corpo ajuda a tecer os padrões de seus pensamentos. Se você conseguir entender essa interação, estará pronto para alcançar os picos mais altos de suas habilidades na dança.

Como dançarino, de que maneira você pode conectar-se com a inteligência do seu corpo? Torne-se atento à forma como você pensa a dança e conseguirá eliminar padrões prejudiciais de pensamento, que serão substituídos por um estímulo positivo, o que levará a uma melhor técnica e expressividade. Aprenda a sentir a influência da imagem do seu corpo sobre movimentos e ações de músculos e articulações. Qualquer passo de dança ou rotina de condicionamento que possa ser realizado com a presença tanto da mente quanto do corpo, bem como de um entendimento claro sobre o funcionamento do corpo, permitirá um ganho de força e flexibilidade muito mais rápido que a repetição desatenta do movimento. Os exercícios de condicionamento se tornarão mais interessantes, e até mesmo prazerosos, pois você sentirá de forma mais completa músculos, articulações e órgãos, além de seu funcionamento ideal para o movimento.

 

3. Equilíbrio reflexivo

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CAPÍTULO3

Equilíbrio reflexivo

O

equilíbrio é uma das habilidades mais importantes na dança, e, ainda assim, escapa à atenção de muitos dançarinos. O corpo equilibra-se habilmente em variadas posições a cada passo dado. Quando se está em uma postura centrada, com os ossos bem alinhados e os músculos bem coordenados, é preciso, na verdade, uma menor atividade muscular total do que quando se está desalinhado. Portanto, se você é um dançarino e seu atual objetivo é o de melhorar seu equilíbrio simplesmente recrutando mais músculos, está fazendo o oposto do que ocorre durante o equilíbrio alinhado. O equilíbrio alinhado exige menos esforço.

Para melhorar o equilíbrio, é necessária primeiramente uma percepção do que você está fazendo ao tentar se equilibrar. Você atinge essa percepção observando-se e ajustando progressivamente sua forma habitual de realizar um movimento, o que o leva a alcançar sua meta de equilíbrio sem esforço em todas as situações.

Veja um exemplo de como padrões de movimento são importantes para o equilíbrio. Se estiver tentando realizar um relevé em attitude e estiver caindo ou falhando em manter a posição, você pode estar movendo seu corpo em partes, e não como uma unidade completamente alinhada. Para realizar um relevé e mover-se para a posição demi-pointe ou pointe, é preciso inicialmente realizar um plié na perna de apoio. Se o ombro direito se mover mais do que o esquerdo e a coluna entortar, o corpo acabará ficando tenso em algumas partes para compensar a falta de equilíbrio nas pernas. À medida que você realiza o relevé, essa tensão torna difícil a sensação de que o corpo inteiro está se movendo de maneira uniforme para cima; um lado das costas e um braço movem-se mais rapidamente que o outro lado, e novamente você terá de compensar para ficar equilibrado. A compensação é complexa e é uma experiência muito mais difícil do que experimentar o corpo inteiro como um todo. Além disso, quando você perde o equilíbrio, já pondera o que deu errado dessa vez, o que o fará ficar ainda mais preocupado e tenso na próxima vez em que precisar se equilibrar.

 

4. Flexibilidade relaxada

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CAPÍTULO4

Flexibilidade relaxada

R

itmo, fluxo, postura e liberdade de movimento são conceitos-chave de dança relacionados ao nível de tensão e flexibilidade do seu corpo. Por exemplo, o músculo trapézio conecta a cabeça à coluna e às escápulas.

Quando ele é habitualmente encurtado, ele puxa a cabeça para trás e as escápulas para trás e para cima. Para encontrar o eixo central e liberar as pernas, você precisa relaxar esse músculo. É difícil realizar piruetas ou se equilibrar bem se o trapézio estiver tenso, mas ter o trapézio contraído é comum em muitos dançarinos.

Estar livre de tensão não representa apenas um sentimento agradável; isso é essencial para a dança. Este capítulo tem como objetivo ajudar a experimentar a relação entre flexibilidade e tensão e melhorar a técnica ao reduzir a tensão. O capítulo também descreve os princípios básicos do alongamento seguro e explica como acentuar o alongamento com a imagem corporal, abordando as principais áreas do corpo que sofrem tensão, como os ombros e pescoço, e descrevendo o papel dos órgãos na flexibilidade.

 

5. Movimento alinhado para uma técnica aprimorada

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CAPÍTULO5

Movimento alinhado para uma técnica aprimorada

A

ssisto a uma aula de dança no estúdio da Broadway, na cidade de Nova York; “Alinhamento e eficiência de movimento estão interconectados”, diz o professor de balé e coreógrafo israelense Zvi Gotheiner. “Se o seu corpo não estiver alinhado, seu nível de tensão aumenta.” Ele vai além, “a tensão dificulta a técnica”. Seus alunos escutam, mas as mudanças acontecem de forma lenta, pois muitos desequilíbrios precisam de correção.

“Alinhe sua cabeça à pelve, ombros nem para a frente e nem para trás, pelve equilibrada e os pés e joelhos alinhados com a articulação do quadril.”

Por que essas alterações são tão difíceis de serem traduzidas de palavras para ações? Uma razão para isso é que, uma vez que seu corpo esteja acostumado a sustentar o aumento do nível de tensão, que é a marca do alinhamento incorreto, isso parece normal para você. Mudanças, mesmo se benéficas do ponto de vista biomecânico, podem parecer desconfortáveis no início.

 

6. Fortalecendo o centro

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CAPÍTULO6

Fortalecendo o centro

A

força e a coordenação dos músculos da coluna lombar, do quadril e do abdome são importantes na dança.

No entanto, muitos dançarinos apresentam falta de força precisamente nessas áreas (Molnar e Esterson,

1997). O condicionamento desses músculos de forma equilibrada é uma tarefa complexa, mas, ao focar nas re­giões-chave – o diafragma, o iliopsoas, a região lombar e os músculos abdominais –, você pode garantir o fortalecimento do centro.

Este capítulo ensinará os passos necessários para o fortalecimento do centro. Em primeiro lugar, você aprenderá o que significa estar centrado. Em seguida, explorará o funcionamento do diafragma e por que sua força e elasticidade são importantes para o controle central e força. O próximo passo é criar uma força equilibrada no iliopsoas e nos extensores profundos da coluna lombar para permitir que você respire livremente ao se exercitar. Finalmente, você coordenará os músculos da coluna vertebral e os abdominais com imagem corporal, além de fortalecê-los usando faixa elástica.

 

7. Desenvolvendo potência nas pernas e nos pés

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CAPÍTULO7

Desenvolvendo potência nas pernas e nos pés

M

uitos dançarinos preocupam-se constantemente com a força, flexibilidade e estética das pernas e dos pés. Surpreendentemente, grande parte deles tem uma imagem negativa de seus pés. Uma vez eu estava treinando o plié de uma dançarina quando ela anunciou, como se para me avisar de uma maldição,

“eu tenho pés horríveis”. “Você tem pés horríveis?”, disse eu, olhando para os pés dela sem enxergar o que havia de errado. Perguntei: “Você quer dizer que gostaria de melhorar seus pés?” e ela concordou, com certo nervosismo.

Essa experiência e outras similares me convenceram de quão deletério o autojulgamento pode ser quando se trata do corpo do dançarino. Um dançarino que enxerga uma parte do corpo com uma forte imagem negativa bloqueia seu caminho para melhorar essa região. Pergunte a um grupo de dançarinas se elas gostam dos seus pés; muitas terão reservas. Depois, pergunte a elas como elas tratam alguém de quem não gostam, e elas começarão a entender a mensagem. Algumas vezes o resultado desse medo do pé é a prática excessiva de um treinamento em que os pés são forçados a se adaptarem à estética desejada. O segredo é integrar o aumento da força nos pés e nas pernas a um contexto corporal completo. A posição e o movimento dos pés reverberam-se ao longo do corpo; uma mudança na posição da coluna e da pelve influencia os pés. Portanto, melhorar a ação coordenada e o equilíbrio muscular ao fortalecer as pernas e os pés é a chave para um condicionamento bem-sucedido dos pés e das pernas.

 

8. Desenvolvendo potência no tronco e nos braços

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CAPÍTULO8

Desenvolvendo potência no tronco e nos braços

O

corpo humano foi singelamente construído de forma a proporcionar às mãos um inigualável repertório de movimentos. Punhos, cotovelo e ombros permitem que as mãos se movam com o máximo de destreza e tenham a habilidade de se ajustar às tarefas mais delicadas. Usar essas partes do corpo para mover os braços de maneira coordenada e graciosa ajuda a centrar o corpo inteiro e é primordial para melhorar a técnica de dança.

Tradicionalmente, aulas de dança enfatizam o treinamento das pernas, mas esse foco está mudando. Em algumas companhias de dança, dançar com os braços está se tornando parte do repertório padrão. Particularmente no treinamento de balé, braços e troncos dos dançarinos precisam ter força suficiente para realizar elevação e gestos rápidos do petit allegro. Desenvolver força nos braços e no tronco não apenas melhora todas as técnicas de dança, mas também elimina o tão comum desequilíbrio de força entre a parte superior e a inferior do corpo (ver também Cap. 4 sobre a liberação de tensão dos ombros e do pescoço). Os braços funcionam apropriadamente apenas quando sustentados por um tronco e um dorso fortalecidos e com equilíbrio muscular. As cadeias musculares que envolvem a parte superior do corpo criam a base a partir da qual você pode iniciar movimentos de braço potentes e graciosos.

 

9. Melhorando giros, saltos e rotações externas

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CAPÍTULO9

Melhorando giros, saltos e rotações externas

N

este capítulo, três das principais preocupações funcionais de um dançarino serão observadas de perto: saltos, giros e rotações externas (en dehors ou turn-out). Além dos limites fisiológicos e anatômicos de cada dançarino, ter ideias de como coordenar o movimento e alterar a imagem corporal pode ajudar a melhorar em muitos aspectos esses três grandes vilões. Neste capítulo, o foco será em ajudá-lo a melhorar sua técnica e, ao mesmo tempo, a dançar com segurança. Saltos mais altos, maior amplitude de giros e melhores rotações externas não devem comprometer a saúde do dançarino.

Girando sem medo

Até mesmo dançarinos que giram bem estão sempre buscando melhorar o número e a estética de seus giros.

Aprender a girar bem é tão divertido que você pode se apegar a essa prática. Por essas razões, costuma-se sentir o nível de tensão crescer no ambiente quando o momento da prática de giros se aproxima.

 

10. Treinamento com faixa elástica

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CAPÍTULO10

Treinamento comfaixa elástica

O

treinamento com faixa elástica constitui uma série completa para o condicionamento de dançarinos. Os movimentos são derivados de técnicas de dança moderna e de balé, e proporcionam uma relação entre a construção de força e flexibilidade e os padrões de movimentos para a dança. A chave para o sucesso na sequência de exercícios a seguir é o bom alinhamento, respiração com relaxamento e iniciação correta de movimento.

Preparando para a sequência

Idealmente, você deve vestir calça ou meias longas, para que não seja atrapalhado pela fricção da faixa elástica contra a perna. Selecione uma faixa que tenha pelo menos 3 m de comprimento. Para determinar se a faixa tem o comprimento correto para a sua altura, coloque o centro da faixa elástica na cabeça. Ela deve ser longa o suficiente para tocar o solo em ambos os lados do corpo.

Faça um grande laço em uma extremidade da faixa e amarre-o com um nó (Fig. 10.1a). Você pode ter de experimentar o tamanho do laço que melhor serve no seu pé. Coloque o laço sobre o pé e faça o número oito com a faixa para criar um segundo laço (Fig. 10.1, b e c). Puxe o segundo laço para cima sobre o seu pé, para que o nó fique voltado para a frente. A faixa não deve ser muito apertada no pé ou restringirá o fluxo de sangue. Por outro lado, se estiver muito solta, escorregará durante os exercícios.

 

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