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A Batalha por Moscou: A Operação Tufão e o Início da Derrocada de Hitler

Autor(es): STAHEL, David
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Em outubro de 1941, Hitler deu início à Operação Tufão, a ofensiva alemã a fim de tomar Moscou e retirar a União Soviética da guerra. Como último recurso para evitar as graves consequências que uma campanha de inverno poderia acarretar, Hitler mobilizou 72 divisões alemãs, quase dois milhões de soldados e três dos quatro grupamentos alemães de tanques Panzer, obtendo, assim, grandes vitórias em Viazma e Briansk – duas das maiores batalhas da 2ª Guerra Mundial. O trabalho de David Stahel, um relato inovador da Operação Tufão, se vale tanto do ponto de vista de oficiais do alto-comando alemão como o de simples soldados rasos, revelando que, apesar do sucesso no campo de batalha e ao contrário do que se convencionou afirmar, o quadro mais amplo do esforço de guerra alemão se encontrava num momento muito mais delicado. As esperanças da Alemanha de uma vitória definitiva dependiam do sucesso da ofensiva de outubro, mas as severas condições do outono e a teimosa resistência do Exército Vermelho garantiram que a tomada de Moscou fosse tudo, menos certa.

 

10 capítulos

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Tabelas de patentes militares e estruturas do exército

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Tabelas de patentes militares e estruturas do exército

Tabela de equivalência de patentes

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Exército e Luftwaffe Alemães

Tradução utilizada

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Patentes oficiais

Generalfeldmarschall

Marechal de campo

Generaloberst Coronel-general

General General der Infanterie de Infantaria der Artillerie de Artilharia der Flakartillerie de Franco-artilharia der Flieger de Aviação der Kavallerie de Cavalaria der Luftwaffe da Luftwaffe der Panzertruppe das Tropas Panzer der Pioniere de Engenharia

Generalleutnant Tenente-general

Generalmajor Major-general

Oberst Coronel

Oberstleutnant Tenente-coronel

Major Major

Hauptmann Capitão

Oberleutnant 1o tenente

Leutnant Tenente

Demais patentes

Stabsfeldwebel Sargento-mestre

Oberfeldwebel

Sargento técnico

Feldwebel

Primeiro sargento

 

1. A Operação Barbarossa em contexto

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capítulo 1

A Operação Barbarossa em contexto

Caçando o urso: campanha no teatro de guerra russo

Embora existam incontáveis tópicos conceituais de relevância para nosso entendimento da guerra da Alemanha no leste, a interpretação de Carl von

Clausewitz (1780-1831) sobre “o interior” como um fator estratégico na condução da guerra constitui provavelmente o método mais eficiente de associar muitos dos problemas inerentes ao Ostheer de Hitler em 1941. “O interior” é abordado no Livro I do Da guerra, “Sobre a Natureza da Guerra”.

Clausewitz escreveu:

O interior – suas características físicas e população – é mais que apenas a fonte de todas as forças armadas stricto sensu; ele é em si um elemento integral dentre os fatores em operação na guerra – embora somente aquela parte que é o teatro de operações de fato ou que tenha uma notável influência sobre ele.

É possível, sem dúvida, usar todas as forças móveis de combate simultaneamente; mas com fortalezas, rios, montanhas, habitantes, etc., isso não pode ser feito; pelo menos não com o país como um todo, a menos que este seja tão pequeno que a ação de abertura da guerra o esmague totalmente...

 

2. Operação Tufão

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capítulo 2

Operação Tufão

A tempestade se move para o leste: “a última grande batalha decisiva do ano”

(Adolf Hitler)

Na noite de 1o de outubro de 1941, poucas horas antes do início programado para a Operação Tufão, Adolf Hitler emitiu uma proclamação que deveria ser lida em voz alta às tropas da Frente Oriental:

Soldados!

Quando eu os convoquei para repelir o perigo que ameaçava nossa pátria no dia 22 de junho, vocês enfrentaram o maior poderio militar de todos os tempos. Em somente três meses, graças à sua bravura, meus camaradas, foi possível destruir uma brigada de tanque atrás da outra desse oponente, eliminar incontáveis divisões, levar inúmeros presos, ocupar espaços infinitos... Vocês tomaram 2.400.000 prisioneiros, vocês destruíram ou capturaram 17.500 tanques e mais de 21.000 armas, vocês abateram ou destruíram em solo 14.200 aviões. O mundo nunca viu nada assim!1

Enquanto Hitler se esforçava para apontar a natureza sem precedentes do sucesso do Ostheer, seus comentários também insinuavam o fracasso da

 

3. Viazma e Briansk

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capítulo 3

Viazma e Briansk

Para que lado o vento sopra – o auge da Tufão

Enquanto Bock tinha suas diferenças de opinião com seus comandantes de exército, no Grupo de Exércitos Sul o comandante do XVII Exército,

­Stülpnagel, perdeu seu posto no dia 5 de outubro após um atrito com

­Rundstedt que envolveu todo o OKH. Oficialmente, Stülpnagel saiu por motivos de doença, mas como Halder notou: “Essa doença é o resultado da pressão exercida sobre ele por conta de sua tímida liderança”.1 A liderança de ­Stülpnagel era vista como não agressiva o suficiente e no início de outubro chegou-se ao ponto em que Rundstedt tomou o comando da asa norte do XVII Exército das mãos de Stülpnagel para que este voltasse a avançar.2

No entanto, a dispensa de Stülpnagel teve um impacto imediato sobre as operações de Bock.

Em sua avaliação de desempenho anterior no começo de 1941, Hoth havia sido avaliado favoravelmente pelo marechal de campo Leeb, que comandava o Grupo de Exércitos Norte. Leeb havia anotado as características de Hoth como: “Inteligente, cuidadoso, com uma boa mente para questões operacionais, lidera muito bem”.3 Hoth era fluente em russo4 e tinha experiência recente comandando o Nono Exército de Strauss5 durante a crise defensiva na frente de Bock no final de agosto e início de setembro.

 

4. Massacre na estrada para Moscou

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capítulo 4

Massacre na estrada para Moscou

O sucesso em Viazma e Briansk – O declínio dos bolsões

Enquanto a Alemanha de Hitler bradava sua vitória no leste, o clima no

Grupo de Exércitos Centro era igualmente eufórico. O chefe do Departamento de Operações do Estado-Maior do Exército, coronel Adolf Heusinger, visitou o Grupo de Exércitos Centro na companhia de Brauchitsch logo após o fechamento do bolsão em Viazma e escreveu sobre a “euforia” que predominava. Heusinger discutiu a situação com Greiffenberg, chefe do Estado-Maior de Bock, e o tenente-coronel Henning von Tresckow, primeiro oficial do Estado-Maior do Grupo de Exércitos Centro, e concordaram que seriam necessárias “mais três semanas” e que “então tudo estará terminado”.1 Brauchitsch também estava animado pelo sucesso e garantiu a Bock que “desta vez era diferente de Minsk e Smolensk”.2 Segundo Blumentritt:

Não é de surpreender que Hitler, seus comandantes e seus próprios soldados agora acreditassem que o Exército Vermelho deveria estar no fim dos seus recursos, tanto humanos quanto bélicos... Predominava um grande otimismo no Grupo de Exércitos Centro, do marechal de campo Von Bock aos soldados na frente de batalha, todos acreditávamos e esperávamos que logo estaríamos marchando pelas ruas da capital russa.3

 

5. O triunfo final de Bock

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capítulo 5

O triunfo final de Bock

“Todos nós morreremos aqui” – A batalha de Viazma

Em 3 de novembro de 1812, Viazma deu nome a outra batalha contra outro aspirante a conquistador da Rússia, Napoleão Bonaparte. Na ocasião, eram as forças russas que tentavam conter uma parte do Exército Francês, enquanto este batia em retirada na direção de Smolensk. A tentativa não foi bem-sucedida, mas, no processo, os russos libertaram Viazma e, pela primeira vez na guerra, a batalha resultou em perdas muito mais pesadas para o lado francês.1 Viazma era, portanto, um marco histórico, conhe­cido pelos russos como um dos campos de batalha sagrados onde a liberdade do país foi defendida do domínio estrangeiro. O desastre que se desenrolou em Viazma 129 anos mais tarde não poderia ter oferecido um contraste mais gritante, e é considerado nada menos que uma calamidade para a

União Soviética. No entanto, mais tarde essa visão foi contestada por Jukov em seu livro de memórias do pós-guerra. Enquanto a derrota da frente soviética e o cerco que se seguiu representaram um fracasso inegável do comando soviético, a recusa dos exércitos encurralados a capitularem, mesmo diante de todas as adversidades, teve um papel importante na contenção da marcha de Hitler a Moscou. Como Jukov explicou:

 

6. Explorando a brecha

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capítulo 6

Explorando a brecha

Entrando na caverna do Urso – Bock invade Moscou

Apesar de a batalha em Viazma ter sido um sucesso indiscutível para Bock, seu objetivo real na Operação Tufão era derrubar o poder soviético por meio da tomada de Moscou. Para o comando alemão, isso agora estava prestes a se realizar. As forças de defesa do Exército Vermelho haviam sido em grande parte destruídas em Viazma, e a distância restante até a capital soviética era menor do que as já cobertas pelas ofensivas anteriores em

Minsk e Smolensk. A queda de Moscou parecia quase predestinada, mas os acontecimentos em campo sugeriam uma previsão muito mais preocupante acerca do estágio seguinte da ofensiva alemã.

Nas batalhas de defesa na margem oriental do bolsão de Viazma, as forças motorizadas do XXXX Corpo Panzer do general Georg Stumme e do

XXXXVI Corpo Panzer de Vietinghoff tiveram papéis primariamente estáticos. Sob instruções rígidas de Kluge do IV Exército, Hoepner teve de manter um perímetro restrito a fim de prevenir fugas em grande escala, o que por outro lado também impedia que o 4o Grupo Panzer enviasse mais forças na direção de Moscou. Hoepner ficou furioso com a falta de visão de

 

7. Enfrentando a tempestade

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capítulo 7

Enfrentando a tempestade

“Espere, pois voltarei, desafiando toda morte.” (Konstantin Simonov)

Apesar de todos os problemas que o Grupo de Exércitos Centro enfrentava na estrada para Moscou, para os soviéticos ficou evidente na segunda semana de outubro que a capital soviética logo estaria na linha de frente.

Stálin estava tão preocupado com o avanço inexorável das forças alemãs que ordenou em 15 de outubro que o governo fosse evacuado para Kuibyshev, 2,5 mil quilômetros a leste de Moscou.1 Também deu ordens para que as grandes empresas industriais fossem desmontadas e transportadas para o leste, e as que não pudessem ser salvas, incluindo 1.119 instituições educacionais, administrativas e industriais, deveriam ser equipadas com explosivos e preparadas para serem destruídas.2 Tais medidas, contudo, não deveriam ser entendidas como um abandono de Moscou. Certamente não havia intenção de entregar a cidade, mas apenas salvar o que podia ser salvo e impedir que os alemães tivessem acesso ao resto. Não há símbolo maior da determinação de Stálin em defender Moscou do que sua decisão de permanecer no Kremlin mesmo após as ordens de evacuação. Muitos disseram que essa decisão galvanizou a resistência dentro do Exército Vermelho, inspirando a esperança de que a cidade pudesse de fato ser salva e elevando Stálin ao status de um comandante de linha de frente.3 Foi na luta por Moscou que o popular grito de guerra “Stálin está conosco!” nasceu.4

 

8. De tanque vazio

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capítulo 8

De tanque vazio

Chutando cavalo morto – O avanço estancado do Grupo de Exércitos Centro

Em 19 de outubro de 1812, após ter ocupado Moscou por 34 dias (começando no dia 15 de setembro), Napoleão começou sua longa retirada da Rússia. A essa altura, o imperador francês já contabilizava suas perdas, enquanto procurava escapar dos temidos efeitos de um inverno russo. Em 19 de outubro de 1941, os exércitos de Hitler lutavam para seguir a leste em direção a Moscou, e ainda estavam longe de capturá-la. De fato, em 20 de outubro, a 98a Divisão de Infantaria de Schroeck, uma das divisões mais a leste do Grupo de Exércitos Centro de Bock, encontrou uma placa indicando que ainda faltavam 69 quilômetros para seu objetivo.1 Ao mesmo tempo, em uma colina próxima a Tarutino, os alemães passaram por uma coluna da vitória em comemoração ao triunfo do czar Alexandre I sobre os franceses em 1812.2 Para os exércitos de Bock, que enfrentavam a lama viscosa e uma resistência crescente, os presságios de derrota no caminho para Moscou eram muito evidentes.

 

9. O olho do furacão

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capítulo 9

O olho do furacão

O ponto culminante do ataque – O Grupo de Exércitos Centro para

Com os três grupos Panzer do Grupo de Exércitos Centro parados em todos os fronts e as Frentes Soviéticas Ocidental, de Kalinin e de Briansk recebendo reforços em um ritmo muito mais rápido, a Operação Tufão vinha se tornando uma ofensiva somente no nome. Quando chegou a última semana de outubro, as disposições de Bock no mapa permaneciam praticamente inalteradas de um dia para outro e sua força total estava em um estado de declínio lento, mas ainda assim declínio. Não somente a 1a Divisão de Cavalaria de Feldt estava sendo transferida para fora do Grupo de

Exércitos Centro, como a recém-chegada Divisão Azul Espanhola, renomeada 250a Divisão de Infantaria, que havia sido originalmente atribuída para Bock, de última hora foi redirecionada para o Grupo de Exércitos Norte de Leeb. A Divisão Azul, comandada pelo general Muñoz Grandes, era uma divisão voluntária composta em sua maior parte de veteranos da recente Guerra Civil Espanhola e estava em sua força total, com mais de 18 mil homens (641 oficiais, 2.272 suboficiais e 15.780 militares de outras patentes).1 No entanto, durante sua marcha de um mês até a linha de frente, o comportamento ardiloso e aparentemente indisciplinado levou a muitos relatos depreciativos por parte dos oficiais de ligação alemães, sendo que um deles foi registrado no início de setembro por Bock, em seu diário:

 

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