Casos de Superação em Esquizofrenia

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Neste livro, partindo do conceito de superação, os autores apresentam 25 histórias que permitem uma visão mais otimista da esquizofrenia, pois, com todas as dificuldades impostas pela doença, os pacientes, além do controle dos sintomas, retomaram suas atividades produtivas e atingiram uma vida afetiva plena. 

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Capítulo 1 - Com Minhas Próprias Mãos

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1

COM MINHAS PRÓPRIAS MÃOS

LEONARDO PALMEIRA

IDENTIFICAÇÃO

Carlos, 33 anos, casado, havia sido diagnosticado com esquizofrenia aos 23 anos de idade e passado por seis internações.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Carlos foi trazido por sua esposa à emergência psiquiátrica no segundo ano de casamen­to.

Tinha contado a ela sobre sua doença no dia em que se conheceram, mas Clara nunca havia presenciado um surto do marido. Ela ficou assustada quando ele se tornou ver­ bal­mente agressivo com ela e começou a falar sozinho coisas sem sentido. Ele dizia que ouvia pessoas falando dele, sentia agulhas furando seu corpo e estava com medo de que pudessem sequestrá-lo e torturá-lo até a morte. Foi difícil convencê-lo a procurar o mé­dico, mas a família a ajudou a trazê-lo.

Carlos contou que, há seis meses, tomou a decisão de reduzir seus medicamentos por conta própria, pois estava ganhando muito peso e tinha perdido a libido. Ele usava tio­ridazina e clonazepam e não estava mais disposto a tomar medicamentos que atrapa­ lhassem sua vida.

 

Capítulo 2 - Sou Mais Forte que Meus Sintomas

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2

SOU MAIS FORTE

QUE MEUS SINTOMAS

ITIRO SHIRAKAWA

IDENTIFICAÇÃO

Masumi, 29 anos, paulistano sansei, há mais de dois anos sem trabalhar.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

O paciente foi trazido à consulta pois vinha enfrentando uma nova crise que, apesar dos tratamentos realizados, não apresentava melhoras há cerca de dois anos.

Referia ouvir vozes dentro da sua cabeça que contavam piadas, davam ordens e às vezes o ameaçavam. Dizia que uma pessoa que frequentava sua casa queria que ele se ma­tasse e que, se ele não o fizesse, ameaçava fazer mal à sua família.

Não estava conseguindo trabalhar, porque estava ouvindo muitas vozes que o deixa­ vam atrapalhado. As vozes diziam para matar sua mãe, e “esses fatos ocorriam por vingança, ódio e inveja pelo fato de ele ser rico, bonito e interessante”.

HISTÓRIA

Masumi é o terceiro de cinco irmãos. Foi um menino retraído durante a infância. Teve poucos amigos na adolescência e baixo entrosamento social.

 

Capítulo 3 - Retomando a Profissão

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3

RETOMANDO A PROFISSÃO

HAMILTON M. GRABOWSKI

IDENTIFICAÇÃO

Getúlio, 27 anos, solteiro e desempregado.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Getúlio chegou para consulta por indicação de um amigo da família. Estava em tratamento psi­quiátrico desde os 27 anos de idade. Segundo sua família, o paciente havia melhorado dos sintomas iniciais, porém “nunca mais voltou a ser o mesmo”. Não conseguiu mais trabalhar ou mesmo realizar atividades prazerosas. Não se socializava. Na percepção da família, o paciente não se importava em estar assim.

HISTÓRIA

Getúlio foi considerado uma criança normal, não havendo problemas em seu desenvolvi­ mento psicomotor. Era um pouco tímido e reservado, estudioso, sempre passando de ano com boas notas. Trabalhou na adolescência como office boy, auxiliando seus tios.

Aos 18 anos, prestou vestibular para Medicina e passou em uma universidade federal.

Nunca fez uso de tabaco ou drogas. Usou álcool em poucas oportunidades. Havia, na história familiar, um tio paterno que tinha recebido choque (sic) em várias ocasiões e que terminou os dias como morador de rua, tendo falecido nessas condições.

 

Capítulo 4 - O Papel do Afeto no Diagnóstico e no Tratamento

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4

O PAPEL DO AFETO NO

DIAGNÓSTICO E NO TRATAMENTO

ALEXANDRE PAIM DIAZ

IDENTIFICAÇÃO

Leonel, 25 anos.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

A consulta foi domiciliar. Leonel estava na sala de sua casa, em pé, com a barba por fa­zer. Não mantinha contato visual ou verbal e não obedecia a comandos. O olhar estava fi­xo, inexpressivo. Há cerca de oito dias recusava-se a comer e beber, inclusive água, evitava contato verbal e apresentava posturas estereotipadas. Alguns dias antes do início do quadro, houve piora do comportamento retraído e do isolacionismo e se negava a ir ao consultório médico.

HISTÓRIA

Leonel é o filho mais velho de quatro irmãos: duas mulheres e o irmão mais novo. Após infância e puberdade saudáveis, fez uso de maconha durante a adolescência (sem re­ la­tos de consumo de outras drogas ilícitas ou abuso de bebida alcoólica) e começou a apresentar prejuízo no desenvolvimento acadêmico e interpessoal. Não conseguiu manter os estudos universitários em sua segunda tentativa e evoluiu com uma redução gradativa na expressividade emocional e nos vínculos afetivos.

 

Capítulo 5 - Jackson, Cinco Anos Bem

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5

JACKSON, CINCO ANOS BEM

GÉDER GROHS, BIANCA SCHWAB

IDENTIFICAÇÃO

Jackson, 18 anos, filho único e solteiro.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Jackson veio à consulta trazido pelos pais. Seu pai era motorista de táxi e sua mãe cui­ da­va da casa, fazia e vendia doces sob encomenda. Informaram que, há cinco dias, o rapaz havia saído de uma internação psiquiátrica de duas semanas.

HISTÓRIA

Jackson sempre fora um aluno com notas razoáveis e com um bom relacionamento com colegas e professores. Entretanto, há cerca de um ano e meio, aos 17 anos, seu rendimento escolar começou a piorar progressivamente, e ele foi se tornando uma pessoa cada vez mais isolada. Aos poucos, seu contato com o mundo foi se restringindo aos adversários dos videogames de ação, com os quais jogava pela internet durante as madrugadas.

Por isso, foi trocando a noite pelo dia, de forma que mesmo sua família pouco o via.

Considerando que não teria mais como passar no terceiro ano do ensino médio, o pa­ ciente abandonou a escola. Os pais consentiram, acreditando que se tratava “apenas de uma fase da adolescência e que passaria no ano seguinte, quando retornasse aos es­tudos”. No final daquele mesmo ano, seus pais convidaram dois primos de Jackson para passar uma temporada com a família. Esse fato parece ter contribuído para fazer

 

Capítulo 6 - Diminuindo o Risco de Suicídio

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6

DIMINUINDO O RISCO DE SUICÍDIO

ALEXANDRINA MARIA AUGUSTO DA SILVA MELEIRO, SÉRGIO MELEIRO

IDENTIFICAÇÃO

Marcos, 26 anos, natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Marcos foi levado à consulta psiquiátrica contrariado. Não colaborou durante a consulta, foi ríspido e gritou com sua mãe e com o médico. Sentia-se mais tranquilo apenas com a avó. Inicialmente, foi realizado o diagnóstico de depressão psicótica, sendo prescrito fu­ ma­rato de quetiapina, 100 mg duas vezes ao dia. Marcos passou a tomar o medicamento, mas somente quando lhe era dado pela avó. Ficou menos agressivo e parou de gritar.

En­tretanto, não abria seu computador por causa do medo. Após seis semanas, o quadro con­tinuava inalterado, sem melhora, e o medicamento foi ajustado para 400 mg ao dia.

A avó começou a observar que Marcos estava pior, parecia mais delirante e autor­ referente. Com muito medo, ele ficava no colo dela pedindo que o protegesse e que não dei­xasse que o matassem. Marcos dizia que, depois de ele deixar o computador fechado, os personagens começaram a usar a televisão, o rádio e qualquer outro tipo de aparelho ele­troeletrônico da casa. Chorando, ele dizia à avó e à mãe que não queria mais tomar re­médios, não queria mais ser visto como doente esquisito, que preferia morrer. Durante a madrugada, a avó acordou devido ao barulho vindo do quarto de Marcos. Ao entrar, en­controu-o pendurado, segurou-o pelas pernas e gritou para que a mãe de Marcos vies­ se ajudá-la. Dois vizinhos do prédio foram até o apartamento devido os gritos da avó e ajudaram a socorrer o rapaz e o levaram ao hospital, felizmente ainda com vida. Marcos ten­tara suicídio por enforcamento em seu quarto. No hospital, passou por avaliação clínica, neurológica e ortopédica. Foi constatada uma espondilolístese traumática no

 

Capítulo 7 - Doutor

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7

DOUTOR

CLAUDIANE SALLES DALTIO

IDENTIFICAÇÃO

Fabrício, 20 anos, solteiro, branco, residente em São Paulo.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Aos 20 anos, o paciente começou a enfrentar dificuldades no relacionamento com o pai e conflitos com a namorada. Passou a sentir-se sozinho, com dificuldade para terminar as tarefas no trabalho de técnico em química que exercia já há dois anos. Na festa de Natal, ma­nifestou quadro de estranheza, não conseguiu falar com as pessoas e saiu andando so­zinho. Na manhã seguinte, pegou um avião para o Rio de Janeiro para encontrar a Xuxa, ar­tista da televisão brasileira com quem acreditava ter uma comunicação telepática, além de acreditar ser o pai da filha que ela esperava. Ficou quatro dias vagando pelas ruas do

Rio de Janeiro. Foi resgatado por familiares e encaminhado para tratamento psiquiátrico.

HISTÓRIA

Fabrício é o segundo filho de uma prole de três meninos. Teve uma infância normal, com bom rendimento escolar (foi reprovado somente aos 14 anos, época da separação dos pais). Na adolescência, tinha amigos e relacionava-se com as meninas. Após a separação, sua mãe mudou-se de cidade com o novo namorado e deixou os filhos com o pai. Fabrício fez uso esporádico de maconha e cocaína até o início do quadro.

 

Capítulo 8 - Erik e Sua Volta ao Brasil

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8

ERIK E SUA VOLTA AO BRASIL

EDUARDO DAURA FERREIRA

IDENTIFICAÇÃO

Erik, 24 anos, branco, natural do interior do Rio Grande do Sul. Mora com a namorada em um apartamento alugado pelo pai, na cidade de Porto Alegre. Formou-se no ensino mé­dio, mas não trabalha e nem estuda.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

O paciente veio à consulta trazido pela mãe. Havia morado no exterior por quatro anos e re­tornado ao Brasil há quatro meses. Há cerca de uns 10 dias, pouco após as festas de fim de ano, quando toda a família se reuniu, Erik passou a se mostrar muito d­ esconfiado.

Acusava a irmã, o cunhado e a mãe de estarem fazendo magia negra e macumbas contra ele. Dizia que determinadas estátuas e quadros na parede, assim como o jeito dos fa­mi­ lia­res se vestirem, denunciavam um completo complô contra ele.

HISTÓRIA

Erik mesmo relata que, na adolescência, fumava maconha e que, aos 16 anos, teve um sur­to psicótico. Na ocasião, esteve internado, com o diagnóstico de esquizofrenia, fazendo uso de haloperidol associado a eletroconvulsoterapia.

 

Capítulo 9 - Antipsicótico de Longa Ação e Empoderamento

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9

ANTIPSICÓTICO DE LONGA

AÇÃO E EMPODERAMENTO

BRUNO ORTIZ, ARY GADELHA, RODRIGO AFFONSECA BRESSAN

IDENTIFICAÇÃO

José, 43 anos, físico formado na Universidade de São Paulo (USP). Natural de São Paulo, tem dois filhos (7 e 9 anos de idade) e está divorciado há cerca de seis anos.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

José mostrava-se muito aflito com sua família, com sentimentos de insegurança e impo­ tên­cia, uma vez que, em episódios anteriores de suas crises, seus familiares haviam in­terferido sistematicamente na conduta do médico. Havia o medo de ser interditado pela família e de perder a guarda dos filhos. Por isso, procurou atendimento com um no­vo psiquiatra.

HISTÓRIA

Em 1998, José encontrava-se na Holanda, realizando doutorado na Universidade de

Maastricht. Teve um desentendimento com seu orientador por conta de divergências quanto a sua tese. Devido a esse conflito, havia a possibilidade de encerrar sua carreira na Holanda e não concluir o doutorado. Logo em seguida, passou a dizer que havia feito des­cobertas científicas muito importantes e que, por conta disso, seu professor e outros aca­dêmicos o estariam perseguindo no intuito de roubar suas ideias. Esse quadro evoluiu, e José dizia que estavam conspirando contra ele, tentando associá-lo ao tráfico de dro­ gas. Foi, então, levado a um psiquiatra. Esse primeiro surto resultou na interrupção do dou­torado na Holanda. Ao chegar ao Brasil, ficou internado por cerca de um mês com uso de haloperidol. Manteve esse medicamento por cerca de quatro anos, porém com in­ternações psiquiátricas sucessivas. Devido ao receio que a família tinha em relação à não compreensão por parte do paciente (que se considerava um “barco à deriva”) e à cons­tante troca de médicos, José não aderia corretamente ao tratamento e mantinha seus

 

Capítulo 10 - Ex-Bad Boy

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10

EX-BAD BOY

HELIO ELKIS, ISABEL CRISTINA NAPOLITANO

IDENTIFICAÇÃO

Jonas, 34 anos, já havia passado por diversos atendimentos.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Os familiares de Jonas nos procuraram porque ele estava internado em um hospital psi­ quiátrico no interior de São Paulo pela nona vez e temiam que a história das internações an­teriores se repetisse: Jonas ficava um período relativamente bem e depois, de modo in­variável, recaía, às vezes com sérias consequências para sua vida e sua família. Assim, solicitaram que o paciente fosse transferido para o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP) e passasse para nossos cuidados. O que foi feito.

HISTÓRIA

De fato, a história de Jonas tem contornos muito dramáticos: os primeiros sinais da doença surgiram por volta dos 19 anos, quando o paciente estudava Direito e fumava ma­conha, e eram caracterizados por sintomas depressivos. Na ocasião, o paciente foi tratado com antidepressivos e desenvolveu agitação psicomotora grave, sendo internado com o diagnóstico de transtorno bipolar, mas fugiu. Segundo a família, na

 

Capítulo 11 - O Ponta Direito Tímido

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11

O PONTA DIREITO TÍMIDO

PAULO BELMONTE-DE-ABREU

IDENTIFICAÇÃO

Levy, estudante universitário de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Levy me procurou quando estava com 22 anos. Veio com os pais, que discordavam do diagnóstico anteriormente dado ao filho. O quadro psicótico que Levy havia apresentado anos antes estava controlado, mas o paciente continuava muito isolado das pessoas. Tinha feito uso de antidepressivos e olanzapina, que continuava tomando, mas sem res­posta.

HISTÓRIA

Aos 20 anos, Levy havia vivenciado sintomas psicóticos, tais como delírios místicos e de per­seguição, crenças sobre o fim do mundo e de que estava sendo observado e monito­ rado por um grupo secreto de iluminatis, que seriam pessoas imortais que controlam o mun­do. Ao longo de noites passadas na internet buscando pistas para prever quando o mun­do terminaria, Levy descobriu esses grupos iluminatis e chegou à conclusão de que sabiam que ele pesquisava a seu respeito e o haviam detectado como uma ameaça a ser afas­tada. Depois dessa conclusão, isolou-se ainda mais. Parou de trabalhar e começou a ficar agressivo com a irmã, dois anos mais velha, quando ela comentava que ele ficava tempo demais no computador (passava as noites inteiras conectado). Chegava a ameaçá-la com uma faca quando ela insistia nesses comentários.

 

Capítulo 12 - Um Reencontro Consigo e com a Família

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12

UM REENCONTRO CONSIGO

E COM A FAMÍLIA

QUIRINO CORDEIRO, PEDRO SHIOZAWA

IDENTIFICAÇÃO

Mariela, 60 anos, dona de casa, baiana, procedente de São Paulo.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Mariela foi levada para tratamento psiquiátrico em um serviço universitário, na cidade de São Paulo, quando apresentava um quadro clínico marcado por sintomas catatônicos graves, com piora recente. Seu esposo dizia que ela mantinha posições desconfortáveis por longos períodos de tempo e que o quadro vinha se agravando.

Por meio da história colhida com os familiares, percebeu-se que o cenário catatônico vi­nha se estendendo, havia já alguns anos, com agravamento nos últimos meses. Uma de suas netas chegou a afirmar que nunca ouvira a voz da avó.

HISTÓRIA

A paciente apresentava diagnóstico de esquizofrenia há cerca de 30 anos e vinha em tra­tamento ambulatorial em outro serviço. Seu quadro clínico iniciou com a presença de delírios de cunho persecutório envolvendo seus vizinhos, bem como alucinações auditivas.

 

Capítulo 13 - A História da Senhora Sia

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13

A HISTÓRIA DA SENHORA SIA

TÁKI ATHANÁSSIOS CORDÁS

IDENTIFICAÇÃO

Sia, senhora grega de 62 anos, vive no Brasil há cerca de 40 anos.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

A senhora Sia foi trazida ao ambulatório do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clíni­ cas por representantes do consulado da Grécia, após contato prévio solicitando nossa co­laboração, uma vez que a paciente se expressava mal em português.

A paciente é viúva e vive em um pequeno cômodo no bairro do Brás, onde trabalha co­mo costureira para pequenos serviços, encomendados praticamente apenas por se­ nhoras da comunidade grega de São Paulo para ajudá-la. Recebe ajuda humanitária em alimentos e uma pequena verba da igreja ortodoxa local, onde é assídua.

Chamou a atenção da comunidade o fato de não ter comparecido à missa e aos ser­ vi­ços religiosos, aos quais era assídua, nas últimas seis semanas e não responder aos te­lefonemas de amigas e do padre.

Não tem familiares no Brasil que pudessem ser contatados.

 

Capítulo 14 - Medo de Enlouquecer

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14

MEDO DE ENLOUQUECER

VALÉRIA BARRETO NOVAIS

IDENTIFICAÇÃO

Eduardo, 17 anos, estudante.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Quando o atendi pela primeira vez, Eduardo foi trazido pela mãe e não aceitou ficar sem ela na sala. Parecia extremamente ansioso. Na época, tinha 17 anos de idade, era estudante do segundo ano do ensino médio. Ele relatava ouvir uma voz que o chamava e dava conselhos (“Fique calmo, você vai ficar bem”). Referia ter a sensação de ouvir os próprios pensamentos sendo lidos por outras pessoas e que eles estariam sendo “va­ za­dos”. Sentia também que as pessoas sabiam o que ele pensava. Relatava, ainda, a sen­sação de que as pessoas no rádio falavam sobre ele; entendia, por exemplo, quando falavam em harmonia, que estariam falando para ele ter mais “harmonia”. Relatava pensamentos repetidos e intrusivos. Pensava que era “feio” ou “gordo” e, ao se olhar no espelho, penteava os cabelos e passava cerca de 10 minutos observando sua imagem. Ele mos­trava repetidamente as mãos, pois a mão esquerda apresenta deformidade nos dedos.

 

Capítulo 15 - O Sonho de Ser Professora

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15

O SONHO DE SER PROFESSORA

MARIA CAROLINA PEDALINO PINHEIRO, ÍSIS MARAFANTI, MELINA MENDONÇA

IDENTIFICAÇÃO

Laura, 28 anos, secretária, mora no interior de São Paulo, separada e tem um filho ado­lescente.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Laura foi levada ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) com queixa de inquietude e me­do. Esse medo baseava-se na sensação de que seria expulsa de casa pelos familiares, em­bora não houvesse fato real que se relacionasse a esse receio. Contava, ainda, que ouvia vozes que a ameaçavam e que comentavam suas ações. Achava também que a televisão se comunicava diretamente com ela, de forma que, em todo programa que as­sistia, recebia mensagens pessoais dos apresentadores, atores e atrizes. Chegou a quei­mar seu aparelho novo de televisão e seu DVD por achar que uma famosa atriz de novela mandava mensagens de conteúdo sexual de forma subliminar para ela, o que muito a incomodava. Apresentava ainda insônia, passando a noite caminhando pelas ruas, na maioria das vezes sozinha, e trajando apenas a camisola, fato que muito ir­ ri­tava seu esposo, que não conseguia compreender esse comportamento, chegando a ser agressivo com ela.

 

Capítulo 16 - Alto Funcionamento com Baixo Insight

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16

ALTO FUNCIONAMENTO

COM BAIXO INSIGHT

CRISTIANO NOTO, ARY GADELHA, RODRIGO AFFONSECA BRESSAN

IDENTIFICAÇÃO

Márcio, 40 anos, médico.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Márcio foi trazido à consulta pela mãe. Apresentava o diagnóstico de esquizofrenia desde a adolescência. Porém, desde os 25 anos, não havia experimentado um período longo de estabilidade. Segundo sua mãe, Márcio fazia uso irregular do medicamento. Quando in­terrompia o uso, não conseguia trabalhar e ficava falando com “as vozes da cabeça de­le”. Nos períodos em que seguia regularmente o tratamento, os sintomas reduziam em intensidade e ele voltava a trabalhar como médico. Além disto, Márcio estava sendo acom­panhado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), porque teve uma discussão com um colega que resultou em um processo. Foi realizada perícia pelo CRM para verificar se ele apresentava condições de exercer a profissão, e ele foi liberado somente para de­sempenhar funções administrativas, sem contato com pacientes.

 

Capítulo 17 - O Homem dos Signos um Cara Muito Legal!

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17

O HOMEM DOS SIGNOS:

UM CARA MUITO LEGAL!

MARIANA FRANCIOSI TATSCH, ALBERTO STOPPE JR.

IDENTIFICAÇÃO

Jeferson, 33 anos, alto, bonito, bem vestido, filho de família da classe alta (pai empresário) e vendedor autônomo de doces.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Eu havia acabado de abrir o consultório após a residência de psiquiatria, quando um ex-professor me encaminhou Jeferson. O paciente tinha consultado com esse professor por ocasião de um surto psicótico grave e se recusava a continuar o tratamento com ele.

Somente aceitava tratamento com um psicanalista, na frequência de 1 ou 2 sessões por semana. Recusava-se a usar o medicamento proposto pelo psiquiatra. Os pais relataram

(o que o paciente veio a confirmar depois) que o psicanalista também era contra ele fazer uso de medicamentos.

Sem que Jeferson soubesse, vinha tomando 10 mg de olanzapina, da marca de re­fe­ rên­cia, que eram colocados em sua bebida pela mãe, na hora do almoço.

 

Capítulo 18 - Da Cronicidade ao Inusitado da Normalidade

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18

DA CRONICIDADE AO INUSITADO

DA NORMALIDADE

MAURÍCIO VIOTTI DAKER

IDENTIFICAÇÃO

Mário, 20 anos.

MOTIVO DO ATENDIMENTO

Dificuldades comportamentais desde a infância, com difícil socialização, “birras”, hipera­ ti­vidade, problemas na escola e várias repetências. No momento da consulta com o atual médico assistente, aos 20 anos de idade, a queixa era de comportamento bizarro – segun­ do a mãe, “bate a cabeça no cimento” e apresentava impulsividade sexual com relação

às empregadas domésticas. Presença de delírios não sistematizados e alucinações: dizia ser observado no ônibus e “enxergar coisas pequenas” que o incomodavam e que não sabia explicar o que eram (micropsia ou alucinações liliputianas). Isolamento em casa nos últimos três anos, tabagismo inveterado. Afeto entre embotado e pueril, anedônico, abúlico e com pensamento pobre. Apresentava-se malcuidado e pouco colaborativo à entrevista. Diante da gravidade do quadro, vinha em uso de haloperidol, 25 mg ao dia, além de pipotiazina, clorpromazina, sertralina, lorazepam e biperideno.

 

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