Introdução à Filosofia

Visualizações: 94
Classificação: (0)

Introdução à Filosofia apresenta uma abordagem dupla: histórica e temática. Seguindo um determinado percurso da história da filosofia, ao mesmo tempo coloca os principais temas da matéria de acordo com a discussão atual nos grandes centros universitários do mundo. Com este livro, de leitura e entendimento fáceis, o leitor estará apto a compreender o que os filósofos fizeram e, principalmente, o que fazem agora para manter viva a filosofia, uma das mais antigas áreas da conversação humana. Destinado a estudantes, professores e leitores de humanidades, é fundamental à formação intelectual e à informação e atualização de conhecimentos.

FORMATOS DISPONíVEIS

30 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

1. Mito e filosofia

PDF Criptografado

3

1

Mito e filosofia

A

palavra “filosofia” vem do grego phílos + sophía, onde phílos tem a ver com filiação, amizade, e sophía designa sabedoria. Considerando exclusivamente a etimologia do termo filosofia, o que se obtém é que o filósofo é amigo da sabedoria, está filiado à empresa que busca a sabedoria, procura o conhecimento – o saber verdadeiro. O filósofo é aquele que isola a mentira, que aponta o que é falso. Sendo assim, o verdadeiro e o falso, dicotomicamente falando, estão na raiz da conversação que se instalou, no Ocidente, como a Filosofia.

Pode ser que a filosofia, hoje mais do que ontem, não seja a

“busca por um saber último, a Verdade”, mas não se pode negar que o par verdadeiro–falso ou, de modo mais preciso, a discussão sobre a natureza da verdade, ainda faz sucesso em certas conversações, e que tais conversações são as que atribuímos àqueles que chamamos de filósofos.

Todavia, hoje, algumas disputas atribuídas ao campo da filosofia não seriam levadas tão a sério como no passado recente. A idéia tradicional de que a filosofia espelha a razão na disputa “mito versus razão”, e que tal disputa é a mesma que “ficção versus filosofia”,

 

2. Os pré-socráticos, a cosmologia e a ontologia

PDF Criptografado

7

2

Os pré-socráticos, a cosmologia e a ontologia

M

uitos mitos se apresentam na forma de cosmogonia. As cosmogonias são, em geral, narrativas sobre as origens do que uma determinada comunidade chama de “o mundo”. Falam da união sexual entre deuses, ou entidades quaisquer que geram o mundo, ou união sexual entre deuses e humanos, que, geralmente, criam situações complexas e dão o enredo para alguma história que conta episódios de divisões, guerras, ciúmes, paixões, disputas sobre a justiça, sobre domínios etc.

Diferentemente das cosmogonias, as cosmologias já estão mais para o campo do pensamento filosófico do que para o pensamento mitológico. O historiador propenso a ver mais continuidade do que ruptura na história do pensamento tende a tomar as cosmologias como o início do pensamento científico.As cosmologias são teorias sobre a natureza do mundo. Enquanto as cosmogonias são genealogias, as cosmologias são conhecimento a respeito de elementos primordiais, mas naturais. O pensamento cosmológico, em dado momento da história da Grécia antiga, remete à phýsis, a palavra grega que busca sintetizar o que é eterno, aquilo de onde tudo surge, nasce, brota.Tratar-se-ia de um elemento imperecível, gerador de todos os outros elementos naturais, perecíveis.

 

3. Sócrates e os sofistas

PDF Criptografado

13

3

Sócrates e os sofistas

O

s chamados “filósofos pré-socráticos” discutem questões de ordem cosmológica (teoria do cosmos, do mundo) e ontológica

(teoria do ser). Sócrates e os sofistas ampliam a conversação da filosofia para o campo da ética, da moral e da política, uma vez que propõem questões novas – perguntas a respeito do homem.

Os “pré-socráticos” cosmólogos falam sobre a phýsis (que, como foi dito, grosseiramente pode-se traduzir por “natureza”), o princípio criador responsável pela geração de todas as coisas. Os pré-socráticos que fundam a ontologia discursam sobre o “ser”, na medida em que deslocam a discussão filosófica para o campo da linguagem e da lógica. Os sofistas, diferentemente, discorrem sobre tais assuntos mas, em geral, preferem falar aos gregos sobre a “arte do bem viver”, ou do “saber viver”, o que inclui a arte de argumentar, ou de saber argumentar – a retórica.

Quanto à arte de saber viver,Trasímaco, por exemplo, a respeito do campo social, insiste que as disputas morais não são relevantes, exceto quando podem ser vistas como lutas pelo poder.

 

4. Platão e a “alegoria da caverna”

PDF Criptografado

19

4

Platão e a

“alegoria da caverna”

P

latão (427-347 a.C.) é o mais importante discípulo de Sócrates.

Mais do que isso: Platão, de certo modo, pode ser considerado aquele que inaugura um tipo de conversação que chamamos de

Filosofia, com inicial maiúscula. Na sua prática de filósofo não reproduz uma relação com os seus discípulos à maneira de Sócrates.

Diferentemente, funda uma instituição, a Academia. Ali os estudantes empreendem, entre outras tarefas, os estudos dos textos platônicos – os diálogos nos quais Sócrates, em geral, é o personagem principal.

Sócrates faz filosofia como uma investigação – em geral no campo ético –, Platão trabalha de forma mais sistemática. Ainda que tenha escrito em forma de diálogo, sua filosofia compõe o que pode ser reescrito em forma de tratados.Além disso, Platão não se fixa apenas no campo moral, mas volta ao debate com os sofistas e pré-socráticos a respeito de ontologia, teoria do conhecimento, cosmologia e metafísica. O termo “platonismo” é sinônimo para

 

5. Platão e a “teoria da linha divisória”

PDF Criptografado

21

5

Platão e a

“teoria da linha divisória”

A

República contém a “alegoria da caverna”, e também nela está a teoria em que Platão, de modo não-alegórico, expôs sua filosofia como um sistema completo.

O sistema pode ser visualizado por meio do quadro a seguir, que abarca todos os campos tradicionalmente atribuídos à filosofia: a epistemologia (teoria do conhecimento), a ontologia (teoria do ser), a ética (teoria da moral) e a estética (teoria do belo). O conjunto é a filosofia ou a metafísica de Platão – sua concepção filosófica geral ou, em outras palavras, sua “concepção do mundo” (às vezes toma-se a palavra metafísica nesse sentido, ou seja, uma concepção do mundo que vai além da concepção que é apenas física; a metafísica seria a concepção global, mais abrangente e mais fundamental, pois explicaria o mundo, o descreveria, sem reduzir tudo ao físico, ficando em plano metafísico).

22

  

quadro 1

1

2

 

6. Platão, a teoria da alma e a política

PDF Criptografado

25

6

Platão, a teoria da alma e a política

A

teoria da verdade de Platão está associada à teoria da alma.

Indestrutível como forma, a alma teria estado no mundo das formas mas decaído quando do nascimento do homem – o homem empírico. Platão diz que é possível, usando perguntas inteligentes, fazer a alma lembrar da verdade, levando-a a rememorar o momento em que esteve junto das formas puras. Quando do nascimento, há uma queda, diz Platão, que considera a incorporação da alma um verdadeiro trauma. Assim, para que o homem possa obter conhecimento, o saber verdadeiro, nada deve ser feito além de se desanuviar o momento do trauma, dando oportunidade para que a alma do homem empírico reconheça o que viveu, lembre-se que viveu na verdade e que pode então expressá-la neste mundo visível, sensível.

Na medida em que Platão faz essa exposição do que é a alma, constrói uma tipologia humana e, assim, uma discriminação de setores sociais, o que o leva a poder montar uma utopia política

 

7. Aristóteles e Platão

PDF Criptografado

27

7

Aristóteles e Platão

P

latão busca solucionar o problema dos pré-socráticos, em especial o da disputa entre Heráclito, que acredita no movimento como sendo o que é o real, e Parmênides, que, desenvolvendo o “teoria do ser” dentro de um argumento lógico, nega estatuto ontológico ao movimento. Com a teoria dos dois mundos, o mundo inteligível e o mundo sensível, Platão acredita que o problema está solucionado.

Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) aprende a teoria platônica na Academia. Torna-se o principal discípulo de Platão.

Quando funda sua própria escola, o Liceu, desenvolve o ensino da filosofia de Platão, da qual inicia uma revisão crítica. Paulatinamente, volta ao problema da disputa entre Heráclito e Parmênides, acreditando então que a solução de Platão não é suficiente.

O impasse que se cria entre a idéia defendida por Heráclito

– que trata-se de ilusão acreditar que as coisas são estáveis – e aquela sustentada por Parmênides – que a mutabilidade é uma ilusão – parece a Aristóteles não poder ser solucionada pela linguagem platônica de que o mundo mutável (apreendido pelos sentidos) é uma imitação, uma cópia do mundo imutável (apreendido pela razão).

 

8. A ética e a cidade em Aristóteles e Platão

PDF Criptografado

31

8

A ética e a cidade em

Aristóteles e Platão

A

República fala de metafísica, política, ética etc. A ética é a discussão sobre a conduta coletiva e individual dos homens. Nesse contexto, ela tangencia a religião. Há possibilidade de se pensar que a noção de Deus se aproxima da noção de Bem, em Platão.

Aristóteles, por sua vez, também lida com tal noção, definindo-a a partir da teoria das causas: Deus seria o “motor primeiro”, o motor que causa tudo mas que é incausado.

Mas que não se confunda tal noção de Deus com a noção moderna de Deus, a noção judaico-cristã. Deus não é aquele que cria tudo a partir de si; é, sim, em Aristóteles, um tipo de causa final que visa a um resultado.Trata-se do único elemento que não pode ser posto no quadro dos elementos que estão em potência e ato real. Não tem potencialidade porque é ato contínuo, tudo Nele se realiza, de modo que isso é Sua perfeição e, portanto, Sua imutabilidade. É atividade pura. A atividade do pensamento puro, que é o pensamento da perfeição. Deus não pode precisar de mediações entre Si mesmo e as coisas para conhecê-las, Ele é movimento contínuo e conhecimento contínuo e imediato de tudo.

 

9. Fé, razão e “nominalismo”

PDF Criptografado

37

9

Fé, razão e

“nominalismo”

É

comum dizer que os medievais redefinem não propriamente a filosofia, mas sim o lugar desta na hierarquia das prioridades intelectuais. A filosofia fica sob as ordens da teologia. Deus toma o lugar da Razão como o foco do discurso dos homens de letras.

No Ocidente, o cristianismo, então uma doutrina popular e simples, vira uma religião dominante. Torna-se “a pátria de todos na falta de pátrias” no período entre o fim do Império Romano e o auge do feudalismo, e então tem de responder às indagações das camadas mais intelectualizadas que ficam recolhidas em mosteiros ou em cidades litorâneas, quando do longo período de decadência da vida urbana na Europa.Após mil anos de cristianismo, alguns temas, presentes desde o seu início, chegam a ganhar uma versão filosoficamente sofisticada, tais como: “fé versus razão” e

“universais versus nomes”. O primeiro tema é desenvolvido, entre outros, por Santo Tomás de Aquino, o segundo tem uma história mais tortuosa e, de certo modo, está presente na filosofia contemporânea e em muitos escritos bem atuais.

 

10. As perguntas dos antigos e as dos modernos

PDF Criptografado

10

As perguntas dos antigos e as dos modernos

O

s gregos antigos, querendo explicar racionalmente o mundo, inauguram a filosofia, e o fazem por meio da pergunta “O que é a realidade?”. Na resposta a tal pergunta, elaboram duas coisas: primeiro, atentam diretamente para o mundo, e segundo, criam a distinção entre aparência e essência. Querem saber o que é o essencialmente real, isto é, o que passam a chamar de “explicação verdadeira do mundo”, o que se apresenta em oposição a outras formas de descrever o mundo, formas que são consideradas, na melhor das hipóteses, “mera aparência” e, na pior, já de modo pejorativo, “ilusão”, “erro” – o “inessencial”.

Para a pergunta “O que é o real?”, aqueles antigos que dizem estar de posse de explicações racionais – os filósofos – fornecem dupla resposta: uma é a dos pensadores jônicos, que os manuais denominam de “os primeiros físicos”; outra vem dos pensadores eleatas, que os manuais apontam como pensadores “mais propriamente filosóficos”. A resposta da escola jônica diz: “O real é a phýsis”, e assim inaugura a filosofia como cosmologia. A resposta da escola eleática diz: “O real é o ser”, e assim a filosofia se põe

 

11. Descartes e o sujeito epistemológico

PDF Criptografado

47

11

Descartes e o sujeito epistemológico

T

odos os três – Descartes, Rousseau e Kant – afirmam que o homem deve exercer a condição de sujeito autêntico; pois se o homem consegue tal façanha, isto é, participa dessa instância chamada subjetividade autêntica, ele se põe no real e fica com a verdade – este

é o objetivo típico da filosofia humanista e da educação humanista, nas suas versões iluminista e romântica.

Como um típico filósofo moderno, Renné Descartes (15961650) segue de perto a pergunta “Como conhecemos a realidade?” através de uma investigação da certeza – o evidente, aquilo que, em suas palavras, era o “claro e distinto”. Como relata em suas Meditações, a “uma altura da sua vida”, acredita que tudo que lhe foi ensinado nos seus anos de formação careciam de solidez. Convence-se, então, que é preciso abandonar tudo e começar um processo de busca do conhecimento verdadeiro. O filósofo francês toma como ponto de partida o que lhe parece uma necessidade imperiosa: encontrar o que são as “bases sólidas do conhecimento”. Não quer ficar com o conhecimento das ciências que, afinal, pode ser falso

 

12. Rousseau e o sujeito como pessoa

PDF Criptografado

51

12

Rousseau e o sujeito como pessoa

O

contraponto ao século xvii, o século de Descartes, foi o século xviii, que talvez possa ser chamado de o século de Rousseau.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) encontra outro tipo de fundamento para o conhecimento, outro tipo de subjetividade. Um caminho que é possível ver como inserido não exclusivamente no

Iluminismo, mas com passos largos em direção ao Romantismo.

O texto de Rousseau equivalente às Meditações cartesianas é o “Profissão de fé do vigário de Sabóia”, interno ao livro Emílio ou Da Educação. Em tal escrito, Rousseau diz iniciar pelo mesmo estado de dúvida a que se refere Descartes nas Meditações.Todavia, se seu ponto de partida também é o da extensão da dúvida, a continuidade de seu percurso acentua significativas divergências em relação ao caminho cartesiano. É claro que para Rousseau importa, como a Descartes, o amor à verdade como atividade nuclear da filosofia; e, como Descartes, só quer se satisfazer com a admissão do que é evidente. No entanto, se para Descartes a evidência é algo exclusivamente intelectual, Rousseau, por sua vez, coloca a evidência na dependência do que entende ser a “sinceridade do coração”. Rousseau afirma isso da seguinte maneira, no Emílio :

 

13. Os problemas postos por Hume contra a metafísica

PDF Criptografado

55

13

Os problemas postos por

Hume contra a metafísica

A

tentativa de montar um modelo final para a subjetividade, segundo os planos das correntes de pensamento que os manuais de história da filosofia agrupam sob a rubrica de racionalismo, encontra uma pedra no caminho com Scot David Hume (17111776). Hume, em oposição ao racionalismo, é um dos representantes máximos do empirismo.

Hume, em Uma investigação sobre o entendimento humano, seguindo outros filósofos de língua inglesa, estabelece uma divisão que se torna clássica na filosofia: a célebre distinção entre analítico e sintético.

Hume traduz tal divisão nos seus termos: 1) expressões que, uma vez usadas, são tomadas como verdadeiras ou falsas ao se constatar nelas apenas as relações entre idéias que elas contêm; 2) expressões que, uma vez usadas, são tomadas como verdadeiras ou falsas ao se constatar nelas relações a fatos. As primeiras são as proposições analíticas, as segundas são as sintéticas.

 

14. O método de Hume e o “Eu” empirista

PDF Criptografado

59

14

O método de Hume e o “Eu” empirista

O

método de filosofar ensinado por Descartes e Rousseau implica passos introspectivos, que explicam primeiro o conhecimento e, depois, o conhecido, ou seja, “o mundo”. Hume, por sua vez, propõe um trabalho de investigação que deve, também, terminar por explicar o conhecimento humano, mas com uma versão que traz problemas para a noção de “eu”, “sujeito”, “entendimento humano”, enfim, “homem”, como os chamados racionalistas tomam tais noções.

Hume resume seu método à seguinte tarefa. O que se quer

é averiguar se sentenças fornecem proposições analíticas, sintéticas ou simples non sense. Isso deve revelar o quadro do que se pode confiar e do que não se deve considerar relevante. A primeira pergunta do método objetiva saber se um enunciado dado é analítico; para tanto, o que se observa é se sua negação gera uma autocontradição. Não sendo analítico, a segunda pergunta é se o enunciado é sintético; para saber, deve ser notado se tal enunciado possui uma idéia que remete ao empírico, à experiência. Em caso positivo, tal idéia, segundo Hume, está na mente humana como uma impressão – uma impressão sensível, um dado inicial exterior

 

15. Kant e o sujeito epistemológico

PDF Criptografado

65

15

Kant e o sujeito epistemológico

A

“metafísica da subjetividade”, ou, pode-se dizer, a “filosofia como epistemologia” enquanto pensamento filosófico moderno típico, alcança um momento extraordinariamente sofisticado com

Immanuel Kant (1724-1804).

Preocupado com as demandas levantadas por Rousseau, que insiste no lado moral do sujeito, levando em conta a metafísica tradicional, cujo papel não poderia deixar de ser o de insistência na elaboração de uma descrição do mundo que dispensasse o que é

“sensível” e oferecesse uma concepção completamente racional do mundo, e, por fim, atento para o choque empirista que David

Hume dá à metafísica moderna, Kant procura costurar toda essa variedade de idéias que chegam à pacata Königsberg de seu tempo.

São, respectivamente, as idéias francesas, as dos próprios alemães

(a metafísica tradicional de Christian Wolff) e, é claro, as dos britânicos. Kant procura salvar cada uma dessas aparentemente inconciliáveis demandas. Fazendo assim, também traz à baila sua noção de sujeito – talvez a noção que mais tenha perdurado na filosofia desde sua criação, uma vez que se torna uma base para a gravura

– que a filosofia, pelo menos até Donald Davidson, Rorty e Dennett,

 

16. Kant, o sujeito moral e a nova metafísica

PDF Criptografado

73

16

Kant, o sujeito moral e a nova metafísica

A

s conclusões de Kant a respeito do conhecimento e do sujeito epistemológico estão no seu livro Crítica da razão pura. Segundo Kant, as demandas postas por Hume estão, se não finalmente resolvidas, ao menos bem equacionadas. Todavia, as demandas a respeito da metafísica, por um lado, e a necessidade de se levar em conta a moralização do sujeito desenvolvida por Rousseau, por outro, fazem Kant escrever um outro livro – Crítica da razão pura prática.

Nesse segundo livro, Kant faz a metafísica recuperar o status que o livro anterior lhe tira, e entende que, por causa de ter conseguido tal feito justamente refletindo sobre o que dizer dos problemas éticos, satisfez a demanda de alemães e franceses; ou seja, a histórica e típica demanda por metafísica e por ética, característica da filosofia desses dois povos.

Kant dá atenção à intenção e ao dever.Tais termos estão presentes na noção de moralidade, como ela aparece no cristianismo, na medida em que este é transformado na religião dominante na

Europa, ainda antes do fim do Império Romano.

 

17. Hegel: apogeu do sujeito e término da filosofia

PDF Criptografado

81

17

Hegel: apogeu do sujeito e término da filosofia

A

grande virada dos modernos na filosofia consiste em considerar que, no contexto do pensamento grego, há sempre uma relação entre “organismo” e “mundo” que desconhece a atividade do primeiro, e que a introdução da figura do sujeito, da instância da subjetividade, traz às relações “eu–mundo” o elemento de atividade.

O sujeito é, por definição, o elemento ativo no conhecimento e na moral.

Os franceses, ao falar da subjetividade, não raro usaram a palavra âme, a alma em português. Os ingleses, mind, “mente” em português. Os alemães, geist, o que em português é o “espírito”.

Ao se tentar encontrar palavras, em português, que possam representar o que cada uma das línguas que dominam a filosofia moderna dizem da instância subjetiva, é possível perceber que ingleses, franceses e alemães não disseram a mesma coisa. Quando diz, em português,“alma”, o falante se refere a algo individual mas não físico; quando fala em mente, se refere a algo com forte ligação a um componente físico, ou seja, o que é cerebral; quando fala em espírito, está se referindo a uma situação mais ampla, coletiva. Usa-se a expressão “captar o espírito de um livro”, mas não se pode achar

 

18. O sujeito moderno e seus adversários: Darwin, Marx e Freud

PDF Criptografado

91

18

O sujeito moderno e seus adversários: Darwin,

Marx e Freud

A

solução de Hegel para os impasses da metafísica – diferentemente da de Kant, que circunscreve o sujeito – é a de hipostasiar o sujeito. O “mundo” se comportaria como pensamento, como uma razão infinita, enfim, estaria em atividade como o que se espera do sujeito – o elemento ativo na expressão “relação sujeitoobjeto”, aquela que domina o discurso da filosofia moderna.

Os manuais de história da filosofia, não raro, explicam

Hegel comparando-o com Kant. O diferencial entre ambos, para os manuais, recai sobre a noção de “razão”. Kant lida com a razão finita, Hegel pensa em uma razão infinita. Kant é o filósofo típico do Iluminismo, Hegel tem a marca do Romantismo.A “razão iluminista” é a razão humana, individualizada, que enfrenta o mundo e o transforma; a “razão romântica” não é apenas uma razão humana, finita, ela permeia todas as coisas materiais e imateriais sustentando a “racionalidade do mundo”. A razão finita, iluminista, descobre seus limites, suas capacidades e funções no campo do conhecimento e no campo moral – esse é o trabalho de Kant na sua

 

Carregar mais


Detalhes do Produto

Livro Impresso
Book
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPP0000269657
ISBN
9788520448168
Tamanho do arquivo
30 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados