Ensino, pesquisa e inovação: desenvolvendo a interdisciplinaridade

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Este volume é o terceiro de uma trilogia. No primeiro, o tema central foram os aspectos teóricos e metodológicos da interdisciplinaridade e, no segundo, suas práticas no ensino e na pesquisa. Neste terceiro livro, são apresentadas pesquisas, reflexões e discussões sobre processos de institucionalização da interdisciplinaridade em instituições de ensino e pesquisa, fomento e avaliação, bem como sobre os desafios de sua internalização nesses âmbitos. Com a participação de autores brasileiros e estrangeiros, são relatados desafios e avanços alcançados com os esforços interdisciplinares, com destaque para reflexos e desdobramentos científicos acadêmicos e institucionais. São apontados elementos que caracterizam o reforço positivo da interdisciplinaridade no cumprimento da missão institucional das instituições de ensino e pesquisa. Em seu conjunto, traz reflexões sobre o papel das instituições diante dos desafios da internalização da interdisciplinaridade, revelando o comprometimento da comunidade acadêmica com a busca de respostas para demandas da sociedade, desenvolvendo conhecimentos para o seu equacionamento e solução e, ao mesmo tempo, apontando possibilidades com relação ao pensar, organizar e produzir ciência.

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1. Interdisciplinaridade e institucionalização: reciprocidade e alteridade

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capítulo

1

Interdisciplinaridade e institucionalização: reciprocidade e alteridade

Arlindo Philippi Jr | Engenheiro civil, Faculdade de Saúde Pública, USP

Valdir Fernandes | Cientista social, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, UTFPR

Roberto C. S. Pacheco | Engenheiro civil, Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC

Embora não haja consenso para uma definição de interdisciplinaridade, autores como Klein (2010) e Huutoniemi et al. (2010) concordam que a combinação de disciplinas pode se dar em escalas crescentes de integração de conhecimentos existentes, na busca de produção de novos conhecimentos.

Nesse sentido, interdisciplinaridade pode ser entendida como inter‑relações entre distintos campos, disciplinas ou ramos do conhecimento, na busca por novas respostas para problemas prementes (Graff, 2015). Essa combinação de fontes distintas requer diferentes graus de articulação e de interação entre seus protagonistas.

São os contextos sociais dessas relações que associam interdisciplinaridade e institucionalização, esta última entendida como o processo central à criação de grupos sociais duradouros (Berger e Luckmann, 1967), que gera, como resultado, uma instituição, ou seja, um sistema de regras (procedimentos, práticas) aceito coletivamente e que permite criar fatos institucionais (i.e., atribuir função a um objeto, pessoa ou estado de coisas que não poderia ser exercida isoladamente sem que essa função lhe fosse atribuída ‑ Searle, 2005).

 

2. Interdisciplinaridade: fundamentos teóricos, dificuldades e experiências institucionais no Brasil

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capítulo

2

Interdisciplinaridade: fundamentos teóricos, dificuldades e experiências institucionais no Brasil

Agustina R. Echeverría | Química, UFG

Divina das Dôres P. Cardoso | Bióloga, UFG

INTRODUÇÃO

Escrever um texto sobre interdisciplinaridade em coautoria, quando as autoras são de campos conceituais diferentes é um verdadeiro desafio. Emergem, nesse processo, claramente, diferentes compreensões conceituais, diferentes valorações de experiências práticas, embora ambas concordem e argumentem em defesa da necessidade da mesma.

Considerando nossa experiência pessoal na elaboração e execução de projetos interdisciplinares, a partir da administração, da pesquisa, do ensino e da extensão universitárias, assim como da nossa participação em encontros acadêmicos regionais, nacionais e internacionais sobre o tema e da nossa interação com pesquisadores de outras instituições, no presente capítulo defenderemos a necessidade histórica da interdisciplinaridade apontando também certos aspectos de natureza ontológica, epistemológica e cognitiva que podem gerar conflitos que, por sua vez, redundam em dificuldades para sua efetivação. Apresentaremos também alguns casos que de maneira distinta são exemplos de práticas interdisciplinares.

 

3. Universidade Federal do ABC – UFABC: As origens

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capítulo

3

Universidade Federal do ABC – UFABC: As origens

Luiz Bevilacqua | Engenheiro Civil, UFABC

INTRODUÇÃO

A criação de uma Universidade que incorpora na sua estrutura pedagógica o novo recorte de organização disciplinar reunindo em novos fios condutores as recentes conquistas científicas é um dos mais eficazes meios de permitir uma educação mais completa recorrendo à convergência disciplinar. Além da reforma pedagógica, para que se consiga de fato uma maior interação entre os diversos atores, torna‑se necessária uma reestruturação administrativa de modo a romper as barreiras departamentais. Finalmente a rígida grade de requisitos de créditos que restringe muito a liberdade de os estudantes escolherem suas próprias carreiras também precisa ser revista. Portanto, um projeto dessa monta requer de seus autores não somente a compreensão do que significa o exercício da convergência disciplinar na educação superior, como, também, a habilidade de criar e viabilizar os mecanismos institucionais para tornar essa prática uma realidade diante de visões e estruturas contrárias.

 

4. A universidade e a construção da interdisciplinaridade

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capítulo

4

A universidade e a construção da interdisciplinaridade

Helio Waldman | Engenheiro eletrônico, Centro de Engenharia e Ciências Sociais Aplicadas,

Universidade Federal do ABC

Gustavo Martini Dalpian | Físico, Centro de Ciências Naturais e Humanas, Universidade Federal do ABC

INTRODUÇÃO

Desde tempos imemoriais, as sociedades humanas tiveram consciência da existência e importância do seu patrimônio intelectual e cognitivo, e cuidaram de estabelecer instituições encarregadas de preservá‑lo e transmiti‑lo às futuras gerações. Entretanto, as percepções sobre a natureza desse patrimônio, bem como as suas origens, apropriação e destinação, variaram extraordinariamente ao longo do tempo, e continuam evoluindo em nossos dias.

Ainda que o conhecimento esteja integrado às práticas coletivas, o ato de conhecer é essencialmente individual, pelo menos em primeira instância. Por isso, o conhecimento sobre o conhecimento dialoga com a tradição socrática de “conhecer‑se a si mesmo”, que é singularizada e problematizada pela confusão entre o sujeito e o objeto da relação cognitiva. Ao longo da História, as sociedades têm trabalhado essa dificuldade por meio da institucionalização do conhecimento, que é uma maneira de virtualizá‑lo, separando artificialmente o sujeito do objeto. No início do segundo milênio, essa estratégia deu origem à Universidade, que chegou aos nossos dias, ainda que transformada pelo tempo.

 

5. Internalização da interdisciplinaridade como condição para a internacionalização da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR

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5

Internalização da interdisciplinaridade como condição para a internacionalização

Luiz Alberto Pilatti | Educador físico, UTFPR

INTRODUÇÃO

Em uma sociedade desigual e reativa para qualquer aspecto relacionado ao desenvolvimento, como a brasileira, é imperioso avançar para além da condição de um país exportador de commodities, ampliando os percentuais de participação nas exportações de produtos com valor agregado. As universidades, principalmente as públicas, enquanto produtoras de conhecimento, têm a possibilidade de tardiamente assumirem um protagonismo que já deveria ser seu. A possibilidade consiste, usando como alegoria a obra maior de Gilberto Freyre, na transformação da senzala em casa grande.

Pensando o sistema de ensino de forma piramidal, tem‑se que as universidades de pesquisa e a pós‑graduação compõem o topo (Steiner, 2005). O sistema de ensino é indispensável e presente na maior parte dos países, quase sempre de forma diversificada e robusta. No Brasil, onde o governo e o Estado brasileiro são, e devem continuar sendo, os principais agentes de financiamento da pesquisa, novos caminhos devem ser buscados para que o país tenha condições de disputar um lugar entre aqueles que estão na fronteira do conhecimento científico e tecnológico.

 

6. A interdisciplinaridade na agenda institucional do Fórum de Pró-Reitores de Pós-Graduação e Pesquisa

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6

A interdisciplinaridade na agenda institucional do Fórum de Pró-Reitores

Joviles Vitório Trevisol | Filósofo, Pró‑Reitor de Pesquisa e Pós‑Graduação, UFFS

Isac Almeida de Medeiros | Farmacêutico, Pró‑Reitor de Pós‑Graduação e Pesquisa, UFPB

Maria José Giannini | Farmacêutica, Pró‑Reitora de Pesquisa, Unesp

INTRODUÇÃO

O Fórum de Pró‑Reitores de Pós‑Graduação e Pesquisa (Foprop) completou, em 2015, trinta anos de existência, contando atualmente com 221 instituições de ensino e de pesquisa associadas. Surgiu em 1985, no bojo da redemocratização do país e no contexto das discussões sobre os grandes temas nacionais, entre os quais o papel da universidade, da ciência e da tecnologia em um país em processo de abertura política, econômica e cultural. A reunião que deu origem à entidade, realizada entre os dias 20 e 22 de março, na Universidade Federal Fluminense (Niterói/RJ), foi motivada por alguns acontecimentos que se revelaram de grande importância para a história política e científica do Brasil. A reunião de Niterói, considerada o

 

7. Interdisciplinaridade nas FAPs: internalização da prática no Sistema Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa e Inovação

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7

Interdisciplinaridade nas FAPs

­

Gilberto Montibeller Filho | Economista, UFSC e Fapesc

Sergio Luiz Gargioni | Engenheiro mecânico, UFSC e Fapesc

INTRODUÇÃO

O objetivo do presente capítulo é estudar o advento e institucionalização da multi e interdisciplinaridade (ID) no Sistema Nacional de Fundações Estaduais de Amparo à Ciência, Tecnologia e Inovação ou Fundações de Amparo

à Pesquisa (FAPs).

Os procedimentos metodológicos para a finalidade definida podem ser assim sumarizados: é feita revisão acerca da noção de multidisciplinaridade e

ID, nos limites necessários para a compreensão de como o presente trabalho assume o conceito. A partir disso, são apontados os componentes de operacionalização do conceito, considerando os principais elementos ou dimensões constitutivos da ID, em levantamento baseado em publicações atualizadas.

Com a base conceitual e operacional definida, são procedidos os levantamentos de programas e projetos selecionados por seu potencial de ID, no

 

8. Projeto e Centro Eula-Chile, a primeira abordagem interdisciplinar acadêmica no Chile

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8

Projeto e Centro Eula-Chile, a primeira abordagem interdisciplinar acadêmica no Chile

Oscar Parra | Biólogo, Centro de Ciências Ambientais, Eula, Universidade de Concepción, Chile

Jorge Rojas | Sociólogo, Faculdade de Ciências Sociais, Universidade de Concepción, Chile

Claudio Zaror | Engenheiro civil, Faculdade de Engenharia, Universidade de Concepción, Chile

Silvano Focardi | Biólogo, Faculdade de Ciências da Terra e Ambientais, Universidade de

Siena, Itália

Annibale Cutrona | Engenheiro químico, Consórcio Interuniversitário para Pesquisa das

Ciências do Mar, Roma, Itália

INTRODUÇÃO

Para entender como essa iniciativa pôde ser desenvolvida é importante saber como se originou a ideia e como foi concretizado o Projeto Europa‑América Latina (Eula) e a subsequente criação do Centro Eula-Chile. O primeiro impulso veio do Conselho da Europa, que, em virtude da celebração dos 500 anos do descobrimento da América (em 1992), estendeu um convite

 

9. Institucionalização da interdisciplinaridade em uma agência governamental de fomento e sua percepção na comunidade acadêmica

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9

Institucionalização da interdisciplinaridade em uma agência governamental de fomento

Talita Moreira de Oliveira | Engenheira de Alimentos, Capes

Lívio Amaral | Físico, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, observa‑se crescentemente que questões complexas e pro‑ blemas de importância global desafiam a comunidade acadêmica e científica mundial e demandam uma abordagem que envolve a interação do conheci‑ mento proveniente de áreas historicamente disciplinares e clássicas.

A necessidade de integração e contribuição das diversas especialidades em torno da solução para problemas que, por sua natureza, extrapolam o campo de conhecimento de uma única disciplina desencadeou significativas mudan‑

ças na realidade da pesquisa e da formação de pesquisadores e professores altamente qualificados. Estas mudanças trouxeram, por via de consequência, desafios conceituais e de processos para órgãos e agências governamentais de muitos países e mesmo em organismos multinacionais de fomento e apoio à formação de recursos humanos pós‑graduados.

 

10. Institucionalização do trabalho interdisciplinar em pesquisa e pós-graduação em universidades

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10

Institucionalização do trabalho interdisciplinar em pesquisa e pós-graduação em universidades

Emmanuel Zagury Tourinho | Psicólogo, UFPA

O

interesse em promover o trabalho interdisciplinar, cada vez mais pre‑ sente nos ambientes acadêmicos e de pesquisa mundo afora, pode ser expressão, a um só tempo, de uma atualização da concepção de ciência inaugurada na modernidade e das necessidades das sociedades que investem parte de sua riqueza na produção de conhecimento científico e tecnológico de ponta. Compreender esse movimento e atuar no sentido de promovê‑lo com políticas próprias pode ser indispensável às instituições (em particular,

às universidades) que buscam consolidar‑se como centros avançados de in‑ vestigação e de liderança na solução dos problemas das sociedades.

No que concerne ao exercício do empreendimento científico, transcender a fragmentação (historicamente definida) da investigação básica para, mais do que integrar conhecimentos, descrever um nível superior de complexidade dos fenômenos constitui uma das contribuições da pesquisa interdisciplinar à prática ordinária da ciência (cf. Alvarez, Sommerman e Philippi Jr, 2015). Do ponto de vista da realização desse propósito, os objetos trazidos ao escrutínio científico sob perspectivas interdisciplinares são quase invariavelmente rela‑ cionados a problemas concretos e impositivos na vida cotidiana das socieda‑ des – das desenvolvidas, das subdesenvolvidas e das que são ditas em desen‑ volvimento. Nesse sentido, o enfoque interdisciplinar tem sido fomentado em um contexto de redefinição das expectativas das sociedades em relação às contribuições da ciência para o seu desenvolvimento.

 

11. Institucionalização da interdisciplinaridade na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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11

Institucionalização da interdisciplinaridade na Universidade

Estadual de Campinas (Unicamp)

Jurandir Zullo Junior | Matemático e Engenheiro Agrícola, Centro de Pesquisas

Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura — Cepagri (Unicamp).

Claudia Regina Castellanos Pfeiffer | Linguista, Laboratório de Estudos Urbanos —

Labeurb/Nudecri (Unicamp)

Marcelo Aparecido Phaiffer | Gestor em Políticas Públicas, Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa — Cocen (Unicamp).

Carolina Rodriguez-Alcalá | Linguista, Laboratório de Estudos Urbanos —

Labeurb/Nudecri (Unicamp).

Ítala Maria Loffredo D’Ottaviano | Matemática, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas —

IFCH e Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência — CLE (Unicamp).

INTRODUÇÃO

Este capítulo apresenta um panorama da institucionalização da interdis‑ ciplinaridade na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por meio da criação do Sistema de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa, a partir de 1977. Procura‑se mostrar que todas as diversas inovações institucio‑ nais introduzidas ao longo da implantação progressiva desse Sistema visaram operacionalizar a realização de um duplo objetivo que permeou o próprio projeto de fundação da Unicamp, enquanto universidade de vanguarda, nos anos 1960, a saber, a produção do conhecimento a partir de uma visão inte‑ gradora, que atravessa fronteiras disciplinares, e em uma relação estreita com as demandas da sociedade.

 

12. Sobre as condições internas e externas para a interdisciplinaridade na Faculdade de Ciências aplicadas da Unicamp

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12

Sobre as condições internas e externas para a interdisciplinaridade

Peter Alexander Bleinroth Schulz | Físico, Faculdade de Ciências Aplicadas (Unicamp)

Álvaro de Oliveira D’Antona | Cientista Social, Faculdade de Ciências Aplicadas (Unicamp)

Flávio Batista Ferreira | Historiador, Faculdade de Ciências Aplicadas (Unicamp)

“A Universidade existe somente na extensão em que é institucionalizada.

A ideia torna‑se concreta em sua institucionalização... entretanto...

A ideia nunca é perfeitamente realizada.

Devido a isso existe um permanente estado de tensão...

Entre a ideia e as restrições da realidade institucional e corporativa”

Karl Jaspers

In “A ideia de universidade”

O título acima é uma paráfrase do manifesto fundador da Universidade de Berlin, de Wilhelm Von Humbold, considerado a origem da universidade moderna (Castilho, 2008). Guardadas as devidas proporções, a identidade e prática interdisciplinares da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade

 

13. Institucionalização da interdisciplinaridade no ensino: o caso da Universidade Federal do Oeste do Pará - Ufopa

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13

Institucionalização da interdisciplinaridade no ensino

José Seixas Lourenço | Físico, Universidade Federal do Oeste do Pará, Ufopa

Dóris Santos de Faria | Psicóloga, Universidade Federal do Oeste do Pará, Ufopa

INTRODUÇÃO

Ao ser criada em 2009 pelo Ministério da Educação como a primeira Uni‑ versidade Federal com a missão de atender o interior da Amazônia, fora das capitais – então sob a denominação de “Universidade Federal da Integração

Amazônica ‑ Uniam” e, posteriormente, definida como “Universidade Federal do Oeste do Pará ‑ Ufopa”–, assume, essa nova universidade, a “interdiscipli‑ naridade” como seu paradigma de atuação acadêmica, no ensino, pesquisa e extensão, mas também na organização da estrutura e gestão institucional.

Como já diziam muitos, dentre eles Bursztyn (1999), há a necessidade (bem como oportunidade) de se institucionalizar a interdisciplinaridade. Já existem experiências relevantes no Brasil. A título de ilustração, referimo‑nos especial‑ mente às que vem sendo realizadas no estado da Bahia (UFBA, UFRB e UFSB), e a paulista UFABC, hoje referências nacionais e que também inspiraram a criação da Ufopa. Avanços outros também são registrados no livro de Philippi

 

14. Interdisciplinaridade em instituto vinculado à empresa: experiências, desafios e perspectivas do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável

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14

Interdisciplinaridade em instituto vinculado à empresa

Roberto Dall’Agnol | Geólogo, Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento

Sustentável (ITV) e UFPA

José Oswaldo Siqueira | Engenheiro Agrônomo, Instituto Tecnológico Vale

Desenvolvimento Sustentável (ITV)

Maria Cristina Maneschy | Cientista Social, Instituto Tecnológico Vale

Desenvolvimento Sustentável (ITV) e UFPA

Pedro Walfir Martins e Souza Filho | Geólogo, Instituto Tecnológico Vale

Desenvolvimento Sustentável (ITV) e UFPA

Everaldo Barreiros de Souza | Meteorologista, Instituto Tecnológico Vale

Desenvolvimento Sustentável (ITV) e UFPA

INTRODUÇÃO

No que se refere à relação entre pesquisa e produção científica com inova‑

ção, o Brasil apresenta um paradoxo único: com quase 3% da publicação de artigos científicos de fluxo internacional, ocupa posição de destaque ao lado de países como Suécia, Holanda e Suíça. Porém, em termos de inovação, estas nações situam‑se ao lado dos Estados Unidos, Alemanha, Japão e França, que ocupam o topo da lista de países inovadores, enquanto o Brasil se posiciona atualmente na 58ª posição no ranking do index global de inovação de 2012 do Insead/Inpo. Existem várias causas para isso, mas cabe destacar o fraco protagonismo da indústria brasileira, revelado pela baixa taxa de inovação

 

15. Internalização da interdisciplinaridade na pesquisa a partir da experiência de um programa de pós-graduação: desafios e estratégias

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capítulo

15

Internalização da interdisciplinaridade na pesquisa

Herivelto Moreira | Educador Físico, UTFPR

Faimara do Rocio Strauhs | Pedagoga, UTFPR

INTRODUÇÃO

O avanço da interdisciplinaridade no Brasil é incontestável, seja pela refle‑ xão teórica (Philippi Jr e Silva Neto, 2011), seja por práticas sustentadas por es‑ sa reflexão (Philippi Jr e Fernandes, 2015). No âmbito da pós‑graduação, esse movimento teve seu impulso, sobretudo pelo processo de institucionalização, iniciado a partir de 1999 com a criação da Área de Avaliação Multidisciplinar da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e mais fortemente, a partir de 2008, com a transformação desta Área Multidis‑ ciplinar em Interdisciplinar. Em que pese estes avanços, a internalização da interdisciplinaridade de forma orgânica no âmbito interno dos programas de pós‑graduação ainda é um desafio a ser vencido.

Um dos aspectos deste desafio aponta para tomada de ações aparente‑ mente simples, como o estabelecimento de uma linguagem comum que, se na área disciplinar é pressuposto de partida, na pesquisa interdisciplinar pode ser o primeiro obstáculo a ser transposto, dado o caráter diverso dos vários

 

16. Institucionalização da interdisciplinaridade em uma universidade comunitária: o Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Socioeconômico da Unesc

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16

Institucionalização da interdisciplinaridade em uma universidade comunitária

Rafael Rodrigo Mueller | Administrador, Unesc

Giovana Ilka Jacinto Salvaro | Psicóloga, Unesc

Alcides Goulart Filho | Economista, Unesc

INTRODUÇÃO

A partir do processo de expansão da Pós‑Graduação stricto sensu no Brasil nas duas últimas décadas, constituiu‑se em 1999 a Área Interdisciplinar1 vinculada à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Supe‑ rior (Capes) e que atualmente conta com 294 Programas de Pós‑Graduação

(PPG) e 380 cursos entre mestrado (acadêmico e profissional) e doutorado

(Capes, 2015). Nesse sentido, é hoje a maior Área de avaliação da Capes de‑ monstrando sua legitimidade e relevância para a compreensão da dinâmica da sociedade contemporânea. Em agosto de 2013, o Programa de Pós‑Gra‑ duação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS) da Universidade do

Extremo Sul Catarinense (Unesc) obteve recomendação de implementação ao ser submetido à Área Interdisciplinar, estando vinculado à Câmara I –

 

17. Internalizando a inter/transdisciplinaridade: experiência do Programa de Pós-graduação em Educação Agrícola da UFRRJ

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17

Internalizando a inter/ transdisciplinaridade

Akiko Santos | Letras, UFRRJ

Ana Cristina Souza dos Santos | Química, UFRRJ

INTRODUÇÃO

Este capítulo versa sobre a forma como a inter/transdisciplinaridade se insti‑ tucionaliza e internaliza por meio do Programa de Pós‑graduação em Educação

Agrícola (PPGEA), da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), cujo principal público‑alvo são docentes e técnico‑administrativos em ativi‑ dade na rede dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs).

Os mestrandos do PPGEA provêm de várias unidades escolares de diversas regiões do país. O Programa funciona na modalidade de alternância forman‑ do centros regionais itinerantes para as aulas presenciais, aproveitando‑se a própria estrutura física dos IFs. Até o momento, formaram‑se centros regionais nos seguintes institutos: IF do Amazonas (Campi Coari, Maués e Tabatinga);

IF do Amapá; IF do Roraima (Campus Boa Vista); IF do Rondônia (Campi

 

18. Transdisciplinaridade na universidade: experiências nos cursos de bacharelado do Centro de Estudos Universitários Arkos. México

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18

Transdisciplinaridade na universidade: experiências nos cursos de bacharelado

Ana Cecilia Espinosa Martínez | Contabilista, Centro de Estudos Universitários Arkos (México)

Pascal Galvani | Educador, Université du Québec à Rimouski (Canadá)

Nas linhas a seguir, compartilhamos os processos de pesquisa‑ação‑for‑ mação (e, portanto, de autoecorreorganização) desenvolvidos no Centro de

Estudos Universitários Arkos1 (CEUArkos), de Puerto Vallarta, Jalisco, Méxi‑ co, para institucionalizar a transdisciplinaridade e a complexidade como par‑ te das práticas de formação universitária, assim como do currículo, apoiado pelo Ministério da Educação mexicano. Para este fim, na publicação Transdi‑ ciplinaridade e formação universitária: teorias e práticas emergentes (Espinosa e

Galvani, 2014), propomos dois longos capítulos que sintetizam ao mesmo tempo os trabalhos para operacionalizar a transdisciplianridade, reunindo a experiência desenvolvida pelos atores universitários para a transição em suas práticas da disciplinaridade à transdisciplinaridade no ensino, aprendizagem e pesquisa na instituição citada, criando estratégias específicas de ação.

 

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