Gestão de risco para turismo de aventura

Autor(es): Jodrian Freitas
Visualizações: 42
Classificação: (0)

Este livro destina-se a todos os envolvidos na cadeia do turismo de aventura – do agente de viagens ao participante. Acima de tudo, destina-se àqueles que tomam qualquer tipo de decisão relacionada às aventuras, seja envolvendo divulgação, comercialização, planejamento ou execução das atividades. As atividades do turismo de aventura necessitam de cuidados especiais para manter o bem-estar e a segurança dos participantes e da equipe envolvida. É primordial conhecer com antecedência os perigos e os riscos de cada atividade, a fim de aplicar os controles necessários para evitar acidentes. A obra reúne informações detalhadas dos perigos mais comuns que abrangem as atividades de aventura, como condições ambientais adversas, desidratação, animais peçonhentos, posturas inadequadas adotadas pelos participantes, equipamentos com problemas, etc. Ao englobar os perigos que cercam as atividades de caminhadas, mergulho, escalada, turismo off road, cavalgadas, cicloturismo, espeleoturismo, dentre outras, esta obra ensina, com modelos práticos, como realizar a gestão de riscos e a preparação para resposta a emergências.

 

9 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

1. A necessidade da gestão de riscos no turismo de aventura

PDF Criptografado

CAPÍTULO 1

A NECESSIDADE DA GESTÃO

DE RISCOS NO TURISMO DE

AVENTURA

O principal motivo para a gestão de riscos sempre será a preservação da

vida e da saúde humanas. Nada é mais importante ou relevante. Sem isso em mente, as prioridades nas decisões podem ser desviadas em direção a outros propósitos. Por exemplo, aumentar o tamanho de um grupo que participa de uma atividade de aventura sem contar com o número adequado de condutores e/ou equipamentos, aceitando um risco além das margens de segurança apenas para aumentar o faturamento, não é uma decisão responsável.

No turismo de aventura, é preciso levar em conta que os participantes buscam sensações associadas a riscos em níveis variados, mas certamente maiores do que aqueles encontrados em outras modalidades de turismo.

O sentimento de Lex Blagus ilustra bem esse comportamento:

Lá estava eu todo sujo, arranhado, cansado e dolorido de frente para minha mãe. Ela me perguntou: “filho, por que faz esses esportes malucos?” e a resposta não vinha à boca. Tempos mais tarde lá estava eu novamente caminhando com minha mochila pesada sob a lua cheia. E num outro dia me jogando numa cachoeira no meio da mata. E somente estando lá eu pude entender a resposta.1

 

2. Conceitos iniciais

PDF Criptografado

CAPÍTULO 2

CONCEITOS INICIAIS

TURISMO DE AVENTURA

Ainda que a abordagem deste livro seja aplicável a várias atividades econômicas, o contexto em foco é o segmento de turismo de aventura. Assim,

é necessário entender corretamente a abrangência dessa área para uma adequada gestão de riscos.

O parágrafo 1o do art. 34 do Decreto n. 7.381, de 02/12/2010, que dispõe sobre a Política Nacional de Turismo, estabelece:

Para os fins deste Decreto, entende-se por turismo de aventura a movimentação turística decorrente da prática de atividades de caráter recreativo e não competitivo, tais como arvorismo, bóia cross, balonismo, bungee jump, cachoeirismo, cicloturismo, caminhada de longo curso, canoagem, canionismo, cavalgada, escalada, espeleoturismo, flutuação, mergulho, turismo fora de estrada, rafting, rapel, tirolesa, vôo livre, windsurf e kitesurf. 

Tal definição tem o mérito didático de listar exemplos das atividades cobertas pelo segmento e restringir o caráter de competitividade, diferenciando-o das atividades esportivas.

 

3. Avaliação de riscos

PDF Criptografado

CAPÍTULO 3

AVALIAÇÃO DE RISCOS

Um navio está seguro no porto, mas não é para isso que os navios são construídos.

John A. Shedd

ESTABELECIMENTO DO CONTEXTO DA AVALIAÇÃO DE RISCOS1

A primeira providência a ser tomada na avaliação de riscos é determinar os limites ou as fronteiras dentro dos quais será feita a análise, de modo a estabelecer claramente as responsabilidades da operadora e os fatores que estão associados aos riscos. Um contexto bem definido é fundamental para uma boa avaliação de riscos.

Dentro dessa perspectiva, a operadora deve identificar os produtos turísticos oferecidos e determinar, para cada um deles, quais as etapas envolvidas. Esse detalhamento facilitará a identificação dos perigos e dos riscos associados.

Para facilitar a compreensão, será utilizado um exemplo fictício: uma determinada operadora possui um produto chamado Trilha Mango, que envolve caminhadas de curta duração, rapel e banho em uma lagoa.

1 Neste livro, a abordagem é mais restrita que a determinação do contexto da organização prevista na cláusula 4 da ABNT NBR ISO 21101:2014, uma vez que a norma trata da gestão da segurança, que é mais ampla do que a gestão de riscos.

 

4. Medidas de controle

PDF Criptografado

CAPÍTULO 4

MEDIDAS DE CONTROLE

Com base no resultado final da avaliação dos riscos residuais, isto é, após

avaliar os riscos absolutos e a eficácia dos controles existentes, pode ser necessário adotar novas medidas de controle ou aperfeiçoar as medidas existentes.

Chega o momento de aprofundar a análise e avaliar as causas que podem levar a um dano potencial. Em outras palavras, o que pode transformar o risco em realidade, considerando o perigo associado?

METODOLOGIA DA GRAVATA-BORBOLETA (BOW TIE)

Uma ferramenta que pode ser utilizada para facilitar o reconhecimento das causas e identificar as medidas de controle e mitigação (existentes ou a serem criadas) é a metodologia bow tie (gravata-borboleta), assim chamada em razão do formato final do desenho.

Trata-se de um mapa conceitual que representa os elementos envolvidos na análise de risco de um evento indesejável. De um lado, são tratadas as ameaças e as barreiras que poderiam evitar o evento; de outro, as consequências do evento e as medidas que poderiam minimizá-las. Segundo a ABNT NBR ISO 31010, a metodologia bow tie é uma ferramenta simples de entender, que foca a atenção nos controles existentes e não necessita de um alto grau de especialização para ser utilizada (ABNT, 2012b).

67

 

5. Atualização da avaliação de riscos

PDF Criptografado

CAPÍTULO 5

ATUALIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO

DE RISCOS

Nada é permanente, exceto a mudança.

Heráclito

Depois de todo o trabalho realizado para identificar perigos, avaliar riscos

e controles existentes e planejar a implementação de medidas de controle adicionais, a operadora deve atualizar essas informações sempre que possível.

A necessidade de atualizar o inventário de perigos e riscos pode ser proveniente de duas situações principais: monitoramento das operações e introdução de mudanças.

MONITORAMENTO

O monitoramento das operações consiste nas atividades desenvolvidas para verificar se os resultados estão sendo obtidos conforme previsto. Para a gestão de riscos, refere-se ao acompanhamento (qualitativo e/ou quantitativo) para determinar se a classificação dos riscos ou a eficácia de controles permanece inalterada ou precisa ser revista.

A classificação dos riscos pode ser alterada se a probabilidade inicial se revelar diferente na prática. Por exemplo, um risco de queda pode ter sido considerado raro (ou seja, ocorrer somente em circunstâncias excepcionais, conforme explicitado na Tabela 6), mas incidentes, ainda que não

 

6. Perigos comuns e suas medidas de controle

PDF Criptografado

CAPÍTULO 6

PERIGOS COMUNS E SUAS

MEDIDAS DE CONTROLE

Este capítulo busca detalhar informações sobre perigos comuns a várias

modalidades de atividades de aventura, de forma a subsidiar a avaliação dos riscos e a tomada de decisões, inclusive levando em conta que algumas precisam ser tomadas quando as atividades já estão em andamento. Este conteúdo também pode ser usado para treinamento da equipe quanto aos perigos e aos riscos identificados. Os exemplos de medidas de controle mencionados devem ser considerados conforme o contexto de cada operadora e não pretendem esgotar as possibilidades.

CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Incidência solar

Se eu pudesse dar um conselho em relação ao futuro, eu diria: usem filtro solar. O uso em longo prazo do filtro solar foi cientificamente provado. Os demais conselhos que dou se baseiam unicamente em minha própria experiência.

Mary Schmich, Wear sunscreen1

1 Texto publicado originalmente no jornal The Chicago Tribune, em 1997. No Brasil, ficou popular na voz de Pedro Bial.

 

7. Preparação e resposta a emergências

PDF Criptografado

CAPÍTULO 7

PREPARAÇÃO E RESPOSTA A

EMERGÊNCIAS

Há uma fábula que relata o encontro entre uma raposa e um javali. A ra-

posa questiona o motivo do javali estar afiando suas presas, uma vez que não havia nenhum perigo por perto. O javali responde: “Você está certa, mas, quando o perigo se apresentar, não terei tempo para me preparar, minhas armas não estarão prontas para uso e sofrerei as consequências”.

Como toda fábula, há uma reflexão a ser feita. Nesse caso, a moral da história aplica-se ao tema deste capítulo: é preciso estar sempre preparado, com recursos e competências afiados para usá-los eficazmente caso ocorra uma emergência.

O QUE CARACTERIZA UMA EMERGÊNCIA?

A norma ABNT NBR ISO 21101 considera que uma emergência é “uma situação séria que requer ação imediata”. É uma definição abrangente e que engloba muitas possibilidades (ABNT, 2014a).

Na abordagem da gestão de risco, emergências são situações que podem trazer graves consequências à saúde e cuja solução não pode ser adiada, sob pena de piorar a condição das pessoas afetadas.

 

8. Comunicação

PDF Criptografado

CAPÍTULO 8

COMUNICAÇÃO

Um indivíduo sem informações não pode assumir responsabilidades; um indivíduo que recebeu informações não pode deixar de assumir responsabilidades.

Jan Carlzon

Nos capítulos anteriores, percebemos como a comunicação, tanto interna

quanto externa, tem papel importante na prevenção e no tratamento de incidentes. Várias medidas de controle mencionadas no Capítulo 6 incluem a necessidade de algum tipo de consulta e comunicação. O Capítulo 7 abordou a comunicação externa com a imprensa, após a ocorrência de situações de emergência. De fato, é impossível pensar em gestão de riscos eficaz sem trabalhar corretamente os aspectos relacionados à comunicação.

Em primeiro lugar, é preciso diferenciar informar de comunicar. O ato de informar refere-se apenas ao repasse de informações. Quando uma operadora atualiza o mural de avisos de seu escritório com a tábua de marés do mês, ela está apenas informando. É uma etapa necessária, mas nem sempre suficiente. É um erro comum imaginar que todas as informações transmitidas serão entendidas corretamente pelos receptores. Nesse sentido, Morel (2003) alerta para a necessidade de considerar os aspectos pedagógicos da comunicação, mencionando esse equívoco de raciocínio, que ele batiza de chapa fotográfica:

211

 

9. Árvore de falhas

PDF Criptografado

CAPÍTULO 9

ÁRVORE DE FALHAS

A árvore de falhas é uma técnica que pode ser utilizada para aprofundar

a análise das causas (perigos) que conduzem a um evento indesejável (risco). Uma de suas vantagens é permitir a combinação de perigos na análise.

UTILIZAÇÃO

A técnica faz uso de símbolos1 lógicos para indicar as possibilidades de combinação entre os perigos que levam a um risco, como mostra a Figura 21.

Conexão “E”

Conexão “OU”

FIGURA 21.  SÍMBOLOS BÁSICOS UTILIZADOS NA ÁRVORE DE FALHAS.

1 Além dos símbolos básicos, outros podem ser usados para aprofundar a análise (“ou exclusivo”,

“inibidor”, etc.). Para os propósitos deste livro, não há necessidade de acrescentar esses detalhamentos.

225

Tomando como base a sequência descrita na ABNT NBR ISO/IEC 31010, as etapas para montar uma árvore de falhas são as seguintes (ABNT, 2012b):

1. Definir o evento do topo (risco a ser analisado).

2. Abaixo da caixa que descreve o evento do topo, são descritas as causas imediatas (perigos imediatos), utilizando um dos símbolos lógicos (e/ou).

 

Detalhes do Produto

Livro Impresso
eBook
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPP0000269682
ISBN
9788520455609
Tamanho do arquivo
21 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados