Enfermagem, antropologia e saúde

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O livro Enfermagem, antropologia e saúde, terceiro da Série Enfermagem e Saúde, mostra reflexões e dados empíricos a respeito da enfermagem e suas relações com as ciências sociais, mais especificamente com a antropologia. Assuntos como o Programa de Saúde da Família, a Terapia Comunitária, a tuberculose, doenças mentais e o cuidado à mulher idosa são debatidos sob a luz de referenciais socioantropológicos e da fenomenologia social. O que há de novo neste trabalho são as discussões que objetivam relacionar elementos para a construção de uma genealogia das relações entre ciências sociais e enfermagem no Brasil, tanto no ensino quanto na pesquisa. Ademais, apresenta-se um panorama parcial da produção acadêmica da pós-graduação em enfermagem brasileira cujos referenciais teórico-metodológicos são antropológicos ou culturais. Por meio dessas análises pioneiras, busca-se compreender o percurso dessa área de ensino, tanto em relação ao passado quanto em relação às suas perspectivas.

14 capítulos

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1. Ciências sociais e enfermagem no Brasil

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Ciências sociais e enfermagem no Brasil

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Lucas Pereira de Melo

Dulce Maria Rosa Gualda

Palavras-chave  sociologia; antropologia; enfermagem; graduação em enfermagem; pesquisas em enfermagem.

Estrutura dos tópicos  Introdução. As ciências sociais e o ensino de graduação em enfermagem. As ciências sociais e a pós-graduação em enfermagem no Brasil.

Considerações finais. Agradecimentos. Referências bibliográficas.

Introdução

Este capítulo, em sua tarefa de inaugurar o conjunto de reflexões desta coletânea, se propõe a analisar a emergência dos movimentos de saberes entre enfermagem e ciências sociais na realidade brasileira. Nesse sentido, assume-se o caráter preliminar das análises ora apresentadas e a não pretensão de aprofundamento epistemológico. Assim, dá-se o “pontapé” inicial do esfor­ço intelectual para o que, um dia, poderá vir a ser uma genealogia do campo das ciências sociais na enfermagem.

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2. As pesquisas antropológicas nos programas de pós-graduação em enfermagem no Brasil*

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As pesquisas antropológicas nos programas de pós-graduação em enfermagem no Brasil*

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Lucas Pereira de Melo

Dulce Maria Rosa Gualda

Edemilson Antunes de Campos

Palavras-chave  pesquisa em enfermagem; antropologia da saúde; indicadores de produção científica; visibilidade acadêmica.

Estrutura dos tópicos  Introdução. Da produção deste estudo. Panorama das pesquisas antropológicas em enfermagem. Se aqui chegamos, para onde caminhamos? – algumas reflexões. Referências bibliográficas.

Introdução

Do ponto de vista acadêmico, a constituição do conjunto de práticas e saberes de um grupo profissional está fortemente atrelada ao desenvolvimento de pesquisas que tomem como proble* Trabalho apresentado nas VII Jornadas Internacionales de Cultura de los

Cuidados, realizada entre os dias 24 e 26 de novembro de 2011, na Universidade de Alicante, Espanha.

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mas e hipóteses os fenômenos, agentes e instituições que, direta ou indiretamente, estão relacionados ao seu objeto de estudo e trabalho. Nesse sentido, os programas de pós-graduação stricto sensu, em nível de mestrado e doutorado, são de fundamental importância para a consolidação do corpo de conhecimentos teóricos e práticos de uma dada ciência.

 

3. As pesquisas qualitativas de abordagem socioantropológica nos programas de doutorado das escolas de enfermagem da USP

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As pesquisas qualitativas de abordagem socioantropológica nos programas de doutorado das escolas de enfermagem da USP

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Dulce Maria Rosa Gualda

Edemilson Antunes de Campos

Hudson Pires de Oliveira Santos Júnior

Larissa Mandarano da Silva

Rejane Kiyomi Furuya

Roselena Bazilli Bergamasco

Rubia Laine de Paula Andrade

Palavras-chave  pesquisa em enfermagem; pesquisa social em saúde; antropologia; indicadores de produção científica; Universidade de São Paulo.

Estrutura dos tópicos  Introdução. Metodologia. A produção de pesquisas qualitativas de abordagem socioantropológica nas teses de enfermagem –

Universidade de São Paulo. Voltando a lente da antropologia às pesquisas em enfermagem. Considerações finais. Referências bibliográficas.

Introdução

A partir da década de 1980, a pesquisa qualitativa começa a ganhar espaço na enfermagem brasileira. Sua ocorrência teve início quando havia um mínimo de material de referência direcionado para a enfermagem e uma grande necessidade de construção de conhecimento na área. O pioneirismo na elaboração das bases para o desenvolvimento dessa modalidade de pesqui-

 

4. Corpo e antropologia: uma reflexão

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Corpo e antropologia: uma reflexão

Lucas Pereira de Melo

Marco Philipe Teles Reis Ponte

Palavras-chave  corpo humano; simbolismo; história do corpo; antropologia do corpo; cultura.

Estrutura dos tópicos  Introdução. Historiando o corpo humano. Mas sobre qual corpo está se falando? O corpo na antropologia e a antropologia do corpo: visão geral. Corpo e cultura ou a cultura dos corpos. Considerações finais. Referências bibliográficas.

Introdução

O corpo tem sido estudado sob diversos prismas teóricos e metodológicos. Locus privilegiado para o desenvolvimento de estudos e investigações nas ciências biológicas e da saúde, o corpo é, desde René Descartes (1596-1650) e Andreae Vesalius

(1514-1564), o palco no qual a ciência tornou-se materialidade, possibilitando os desdobramentos epistemológicos que deram origem a muitos dos atuais campos do saber institucionalizado.

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4 Corpo e antropologia: uma reflexão  67

 

5. Olhando de perto: o método etnográfico na pesquisa em saúde

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Olhando de perto: o método etnográfico na pesquisa em saúde

Edemilson Antunes de Campos

Palavras-chave  pesquisa social em saúde; pesquisa qualitativa; etnografia; antropologia da saúde.

Estrutura dos tópicos  Introdução. O método etnográfico e a antropologia. A etnografia na pesquisa em saúde: observando um grupo de doentes. Considerações finais. Referências bibliográficas.

O etnógrafo “inscreve” o discurso social: ele o anota. Ao fazê-lo, ele o transforma de acontecimento passado, que existe apenas em seu próprio momento de ocorrência, em um relato, que existe em sua inscrição e que pode ser consultado novamente.

Clifford Geertz

Introdução

O campo da saúde se constrói a partir da complexidade das práticas, dos valores e do estilo de vida próprios aos grupos po90

5 olhando de perto: o método etnográfico na pesquisa em saúde  91

pulacionais. Logo, esse campo se revela como um espaço privilegiado para a reflexão antropológica, na medida em que se desenvolve em contextos de relações de alteridade, a partir dos modos de vida e das práticas dos grupos sociais.

 

6. As pesquisas em enfermagem e o método etnográfico de Spradley e McCurdy

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As pesquisas em enfermagem e o método etnográfico de Spradley e McCurdy

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Maria Helena Lenardt

Tatiane Michel

Palavras-chave  pesquisas em enfermagem; pesquisa qualitativa; etnografia; antropologia cultural.

Estrutura dos tópicos  O método etnográfico e seus precursores. A observação participante e a entrevista etnográfica como técnicas de coleta de dados. A análise dos dados etnográficos. As pesquisas em enfermagem utilizando o método etnográfico de Spradley e McCurdy. Considerações finais. Referências bibliográficas.

O método etnográfico e seus precursores

Os registros descritivos sobre outros povos têm sido produzidos ao longo da existência humana e em diversos lugares. São conhecidas as descrições das diferenças entre os povos feitas por viajantes, como as de Heródoto, que, no século V a.C., descreveu povos egípcios e mesopotâmicos, Marco Polo, que registrou detalhes sobre os povos asiáticos no século XIII etc. Da época do Renascimento, marcada pelo descobrimento da América, há várias crônicas e relatos dos europeus que mostram o choque

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7. Corpo e gestação: mudanças, percepções e expectativas através da narrativa e produção de imagem

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Corpo e gestação: mudanças, percepções e expectativas através da narrativa e produção de imagem

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Dulce Maria Rosa Gualda

Natalúcia Matos Araújo

Natália Rejane Salim

Palavras-chave  gravidez; corpo humano; desenho; anatomia e fisiologia

(cultura); antropologia do corpo.

Estrutura dos tópicos  Introdução. “Eu queria saber como é por dentro...”: o corpo da gestante em perspectiva. Referências bibiográficas.

Introdução

As representações através de imagens sempre estiveram presentes na humanidade. Elas recontam a história dos diferentes povos e revelam os valores e significados que estão inseridos em suas culturas. Uma das mais antigas formas de expressão por meio de imagens foi encontrada em cavernas e retratava as práticas e rituais dos povos primitivos, as conhecidas figuras rupestres.

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As imagens falam e transmitem diferentes entendimentos; isso significa que o mundo e a realidade são constituídos e produzidos por meio das imagens e não apenas representados por elas1.

 

8. Narrativas, saúde e doença: aportes para estudos na perspectiva antropológica

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Narrativas, saúde e doença: aportes para estudos na perspectiva antropológica

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Hudson Pires de Oliveira Santos Júnior

Dulce Maria Rosa Gualda

Maria de Fátima de Araújo Silveira

Palavras-chave  pessoas mentalmente doentes; saúde mental; institucionalização; narrativa; antropologia da saúde.

Estrutura dos tópicos  Para início de “conversa”.... Narrativa e história de vida.

Pesquisa antropológica, narrativas e história de vida. Considerações finais.

Referências bibliográficas.

Para início de “conversa”...

O objetivo deste capítulo é refletir sobre o uso da narrativa e da história de vida em estudos sobre o processo saúde-doença mental a partir de uma perspectiva antropológica. Para iniciar essa “conversa”, apresenta-se a narrativa originada da pesquisa Lapidando histórias de vida de egressos de um hospital psiquiátrico, que objetivou compreender os significados que os sofredores psíquicos atribuem à experiência do transtorno men171

 

9. Experiência de adoecimento e narrativas: apontamentos teóricos e metodológicos

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Experiência de adoecimento e narrativas: apontamentos teóricos e metodológicos

Káren Mendes Jorge de Souza

Marcelo Eduardo Pfeiffer Castellanos

Lenilde Duarte de Sá

Pedro Fredemir Palha

Palavras-chave  experiência de adoecimento; antropologia da saúde; pesquisa social em saúde; narrativas.

Estrutura dos tópicos  Introdução. A doença como um processo de experiência.

Contribuições das narrativas para o estudo da experiência da doença. Da narrativa

à compreensão da experiência de adoecimento. Considerações finais. Referências bibliográficas.

Introdução

A doença é um fenômeno comum no curso da vida do ser humano, porém não se trata de um acontecimento simplório, uma vez que possui natureza psicobiológica e sociocultural.

Enquan­to fenômeno significativo, constrói-se como uma experiên­ cia, produzida no entrecruzamento da história singular dos sujeitos com a história social. Perpassada por particularidades culturais, essa experiência integra elementos das representações sociais relacionadas ao processo saúde-doença, das interações

 

10. “Olhe por outro ângulo”: doença mental, experiência de adoecimento e narrativa

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“Olhe por outro ângulo”: doença mental, experiência de adoecimento e narrativa

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Lucas Pereira de Melo

Ana Luiza de Oliveira e Oliveira

Dulce Maria Rosa Gualda

José Ademário dos Santos Júnior

Elisangela Manguinho Monteiro

Miriam Rocha da Luz

Palavras-chave  pessoas mentalmente doentes; experiência de adoecimento; narrativa; antropologia da saúde; enfermagem.

Estrutura dos tópicos  Introdução. “Do mosaico ao vitral”: um itinerário metodológico. Os “vitrais” das experiências com a enfermidade mental. A interpretação antropológica dos “vitrais”. Considerações finais. Referências bibliográficas.

Introdução

Nas últimas décadas, as dimensões social e cultural da saúde e da doença têm sido discutidas teórica e empiricamente em investigações socioantropológicas. Tomadas a partir dessas perspectivas, a saúde e a doença deixam de ser apenas uma condição clínica com características biológicas ou psicológicas definidas, passando a considerar, igualmente, os aspectos relacionados à sua produção social e cultural.

 

11. A dimensão cultural nos modelos de atenção à saúde: uma reflexão a partir do PSF

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A dimensão cultural nos modelos de atenção

à saúde: uma reflexão a partir do PSF

Débora de Souza Santos

Ana Paula Nogueira de Magalhães

Elizabeth Moura Soares de Souza

Janaína Ferro Pereira

Lucas Pereira de Melo

Ana Luiza de Oliveira e Oliveira

Palavras-chave  Programa Saúde da Família; atenção primária à saúde; sistemas de cuidado; cultura; antropologia médica.

Estrutura dos tópicos  Introdução. Sistemas de cuidado em saúde e modelos de atenção. Estratégia de Saúde da Família: a experiência brasileira de reorientação do modelo de atenção. Considerações finais. Referências bibliográficas. Referências complementares.

Introdução

O presente capítulo discute o conceito de sistema de cuidado à saúde, à luz da antropologia médica, trazendo como contribuição a reflexão sobre a Estratégia de Saúde da Família (ESF), como parte do movimento de reversão do modelo de atenção e aproximação de um cuidado integrativo.

A Reforma Sanitária Brasileira (RSB) comemorou, em 2011, o vigésimo terceiro aniversário da instituição do Sistema Único

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12. Terapia comunitária: uma forma de cuidar na perspectiva cultural

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Terapia comunitária: uma forma de cuidar na perspectiva cultural

Karine Santana de Azevedo Zago

Toyoko Saeki

Palavras-chave  terapia; participação comunitária; cuidado em saúde; antropologia da saúde.

Estrutura dos tópicos  Introdução. Terapia comunitária sistêmica integrativa.

Fundamentos teóricos da terapia comunitária. Teoria da comunicação.

Desenvolvendo a terapia comunitária. A terapia comunitária como objeto de pesquisas. Considerações finais. Referências bibliográficas.

Introdução

Este capítulo faz uma reflexão acerca da terapia comunitá­ ria (TC) como forma de cuidar na perspectiva cultural. Discu­ te a importância de outras disciplinas, e principalmente da antro­ pologia, como determinante para a transformação do cuidado.

No cerne dessa discussão, a TC revela-se como conciliadora de uma forma biopsicossocial de cuidar, baseada não somente na doença, mas no indivíduo em seu contexto sociocultural. O mo­ delo biomédico, influenciado pelo pensamento cartesiano, trou­

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13. Tuberculose e cultura: reflexões sobre saúde, cuidado e doença

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Tuberculose e cultura: reflexões sobre saúde, cuidado e doença

Reinaldo Antonio da Silva-Sobrinho

Tereza Cristina Scatena Villa

Palavras-chave  processo saúde-doença. Cultura. Tuberculose. Antropologia da saúde.

Estrutura dos tópicos  Introdução. Desvelando a abordagem metodológica.

Representações socioculturais sobre tuberculose. Por uma atenção que vá ao encontro das necessidades humanas. Considerações finais. Referências bibliográficas.

Introdução

A preocupação hodierna demonstrada com a população doen­te por tuberculose surge da constatação de que a doença é um problema de saúde pública negligenciado pela sociedade e por seus governantes. Esse fato causou uma verdadeira catástrofe de morbimortalidade, especialmente em países em desenvolvimento, distribuídos globalmente, onde as precárias condições socioeconômicas colaboram para o surgimento de grupos vulneráveis à doença.

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13 Tuberculose e cultura: reflexões sobre saúde, cuidado e doença  317

 

14. O cuidado em saúde à mulher idosa: perspectivas da antropologia da saúde e da fenomenologia social

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O cuidado em saúde à mulher idosa: perspectivas da antropologia da saúde e da fenomenologia social

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Sebastião Caldeira

Miriam Aparecida Barbosa Merighi

Palavras-chave  cuidado de enfermagem. Saúde da mulher. Saúde do idoso.

Fenomenologia social. Antropologia da saúde.

Estrutura dos tópicos  Introdução. Saúde da mulher idosa: contextualizando a temática. Antropologia da saúde e fenomenologia sociológica: os referenciais teóricos. O encaminhamento metodológico do estudo. Discussões. Considerações finais. Referências bibliográficas.

Introdução

Nosso cotidiano como enfermeiros e docentes na área da saúde da mulher nos fez perceber o distanciamento e a dicotomia entre a teoria (o discurso) e o modo de atuação de alguns enfermeiros que, em geral, cuidam da mulher com 60 anos ou mais, percebendo os aspectos biológicos, mas não considerando os aspectos humanísticos, culturais e sociais. Essa vivência motivou o desenvolvimento deste capítulo, que se pauta em algumas inquietações:

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