História da Melancolia

Visualizações: 92
Classificação: (0)

Doença, loucura, melancolia e depressão são palavras cujos significados e percepções são historicamente construídos e, portanto, mutáveis, refletindo e evidenciando formas de pensar.  Com linguagem acessível, mas sem deixar de lado a qualidade das informações e das reflexões propostas, os autores deste livro apresentam e analisam, a partir dos conhecimentos tanto da psiquiatria como da história, as ideias que influenciaram a compreensão da melancolia na civilização ocidental, da mitologia clássica até o DSM-5.

8 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 1. Tempos bíblicos e mitológicos

PDF Criptografado

1

TEMPOS BÍBLICOS

E MITOLÓGICOS

Esta página foi deixada em branco intencionalmente.

Os mitos são sonhos públicos; os sonhos são mitos privados.

Joseph Campbell

“Melancolia é uma das grandes palavras da psiquiatria”, escreveu Aubrey

Lewis há quase 70 anos. De fato, o homem sempre sofreu de depressão, talvez a mais íntima, a mais familiar de todas as doenças mentais.

Já muitos séculos antes das teorias causais em psiquiatria e das primeiras tentativas de classificação, o ser humano sofria e, por vezes, desistia de continuar vivendo em função da “dor que dilacerava sua alma”.

No entanto, é muito difícil isolar a história da depressão até o fim do século XIX e meados do século XX, quando as síndromes depressivas começam a ser mais bem delineadas, sem mencionar a história da psiquiatria e da própria medicina. Berrios3 ultrapassa essa linha de raciocínio ao considerar que a história dos transtornos afetivos e, consequentemente, da depressão começa apenas a partir da segunda metade do século XIX, quando os conceitos de mania e depressão correspondem mais estritamente ao seu uso atual.

 

Capítulo 2. Grécia antiga e roma

PDF Criptografado

2

GRÉCIA ANTIGA

E ROMA

Esta página foi deixada em branco intencionalmente.

Sem dúvida a Grécia representa o berço da civilização ocidental. As heranças filosóficas e culturais podem ser encontradas no âmago da constituição do Ocidente e são fundamentos muitas vezes sólidos até hoje. É absolutamente notável como sempre voltamos à Grécia e a seus personagens quando pensamos no ser humano.

Apesar de os filósofos pré-socráticos buscarem explicações racionais e lógicas para o mundo, os mitos e os deuses ainda reinam soberanos sobre o âmago dos homens. Sem uma concepção estruturada sobre a natureza humana, a intervenção divina ainda é a grande explicação para eventos que afligem a mente do homem, como no mito de Belerofonte, descrito no Capítulo 1.

O modelo mitológico sobre a concepção de mundo na Grécia Antiga pode ser observado nas obras de Homero Ilíada e Odisseia, bem como nas obras de Hesíodo Os trabalhos e os dias e Teogonia.

Considerados clássicos da literatura grega, a partir de Homero e Hesíodo é possível observar como o julgo e a intervenção divina operam nos homens e em suas ações. Segundo Heródoto (século V a.C.), historiador grego considerado o pai da história, Hesíodo e Homero foram os primeiros a descrever os deuses e os temperamentos. A historiografia grega parte de um evento, um conflito específico. Relembrar e relatar as ações humanas é o que importa nesse tipo de historiografia.

 

Capítulo 3. A idade média

PDF Criptografado

3

A IDADE MÉDIA

Esta página foi deixada em branco intencionalmente.

Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?

1 Coríntios 6:19

Talvez o período mais repleto de fascínio e críticas seja o que conhecemos como Idade Média. Diferentemente da fama de “Idade das Trevas”, o período medieval também apresentou grandes avanços com tecnologias mecânicas, o surgimento das cidades, a construção de universidades e o aumento do comércio.

Com um consenso de duração de um milênio, a Idade Média tem seu início no ano de 476, com a queda do Império Romano do Ocidente, e seu fim em 1453, com a tomada do Império Bizantino pelos turcos.

Costumamos dividir o período em Alta Idade Média (séculos V-XI) e Baixa Idade Média (séculos XII-XV). Por questões didáticas, neste capítulo trataremos o período da Idade Média como um todo.

Porém, para não negligenciar as especificidades dessas periodizações, faremos uma breve introdução sobre cada uma delas.

 

Capítulo 4. A melancolia no renascimento

PDF Criptografado

4

A MELANCOLIA NO

RENASCIMENTO

RENASCENÇA (SÉCULOS XV-XVII)

A falência do sistema feudal e mudanças na organização da sociedade dão início ao período da história europeia, não rigidamente demarcado em termos temporais, conhecido como Renascença ou Renascimento.

Esse poderoso movimento social, cultural e intelectual marca uma diversidade e uma inovação de ideias jamais vistas até então, um salto qualitativo em relação ao homem medieval.

A Renascença foi marcada por profundas modificações ocorridas entre os séculos XIV (XV, segundo alguns pesquisadores) e XVI nas artes, na anatomia, na astronomia, e por uma incansável busca pelos clássicos greco-romanos. Desde o Século de Ouro, da Atenas de Péricles, no espaço de cem anos, não se via uma geração de gênios como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, Colombo, Lutero, Copérnico, Petrarca, Maquiavel, Montaigne, Shakespeare, Cervantes, Bacon e Galileu.41

Época também conhecida e marcada pelo Absolutismo político.

 

Capítulo 5. Século xviii - o iluminismo

PDF Criptografado

5

SÉCULO XVIII –

O ILUMINISMO

Esta página foi deixada em branco intencionalmente.

O RACIONALISMO E O OTIMISMO

O século XVIII é marcado por profundas mudanças no mundo ocidental.

O poder, antes concentrado nos reinos do Sul da Europa – Portugal, Espanha e reinados italianos –, agora migra para as emergentes potências do Norte, em especial França e Inglaterra. É também o século marcado pelo enfraquecimento e pela decadência do Absolutismo. Os reinados do Antigo Regime não acompanham de forma adequada as mudanças econômicas e sociais, ainda muito atreladas a um modelo mercantil no qual o lucro não é investido em atividades rentáveis, mas entesourado.

O processo de “expansão” do mundo com os reinados europeus e suas colônias, seja na América, seja na África ou no Oriente, modifica a mecânica de relação entre os membros das sociedades. Enriquecendo cada vez mais, os burgueses já têm o costume de comprar títulos de nobreza, adquirindo valor e status em meio ao mundo de cortes do Antigo Regime. A nobreza e a realeza pobres mal conseguem administrar seus reinados com enormes gastos, e a burguesia ganha vantagem por meio de seu poderio econômico.

 

Capítulo 6. Os séculos xix e xx

PDF Criptografado

6

OS SÉCULOS

XIX E XX

Esta página foi deixada em branco intencionalmente.

O SÉCULO XIX

O século XIX é extremamente conturbado. O tempo parece correr mais rápido com o avanço da tecnologia, e, a partir disso, a velocidade e a quantidade de eventos que se sucedem é massiva. A burguesia atinge o patamar de classe dominante da sociedade, o capitalismo finalmente se mostra como um modelo definido. Os operários, o imperialismo, a exploração do trabalho, a independência de algumas colônias, a luta de classes e a unificação de reinados: esse é o pano de fundo, o panorama do século XIX.

As fábricas ditam o passo com que a cidade funciona; jornadas de trabalho de 18 horas para homens, mulheres e crianças. A noção de progresso se forja nessa época, acredita-se que o futuro é promissor e só pode ser alcançado por meio do progresso científico, social e econômico. A disciplina e o decoro se confundem com ciência; os padrões são determinados para que haja uma diferença e separação entre os patrões e os trabalhadores, os ricos e os pobres. Essa “massa pobre” genética e biologicamente, inferior aos olhos das classes abastadas, é tratada como tal, estereotipada como degenerada e criminosa nata.

 

Capítulo 7. Breve e história dos tratamentos

PDF Criptografado

7

BREVE HISTÓRIA

DOS TRATAMENTOS

Esta página foi deixada em branco intencionalmente.

AS PSICOTERAPIAS (OU COMO FALAR

DE PSICOTERAPIA EM UM MINUTO)

A melancolia sempre interessou a Freud porque ele próprio já havia passado por um período depressivo. Em cartas ao seu amigo otorrinolaringologista Fliess, queixava-se de estar deprimido, desanimado, sem

ânimo e abatido. A depressão provavelmente foi desencadeada por seu rompimento com Breuer, que discordava de suas controvertidas ideias sobre a histeria e as teorias de sedução.

Pouco mais de uma década depois, Freud publica seu principal artigo sobre o tema.

Em 1915, escreve Luto e melancolia em duas versões, sendo a primeira enviada a Abraham, em fevereiro, e a definitiva, aparente­mente concluída em maio, dando início à primeira tentativa psicológica de entendimento causal e de tratamento psicoterápico da depressão.

Freud discute as semelhanças entre o estado normal de luto e a melancolia, ambos apresentando em comum uma perda de interesse pelo mundo externo, e as dessemelhanças, já que, no luto, a perda do objeto

 

Capítulo 8. O diagnóstico de depressão: Seremos todos um dia deprimidos ou bipolares?

PDF Criptografado

8

O DIAGNÓSTICO DE

DEPRESSÃO:

SEREMOS TODOS UM DIA

DEPRIMIDOS OU BIPOLARES?

O advento dos primeiros psicofármacos, exigindo critérios diagnósticos mais precisos e operacionais para suas aplicações, e a criação da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1948, impulsionaram a tentativa de desenvolver uma classificação estatística internacional de doenças, traumatismos e causas de morte. A primeira revisão, dita Classificação internacional de doenças, em sua 6ª versão (CID-6), foi elaborada pela

OMS em 1948, contendo, na seção V: “As desordens mentais, psiconeuróticas e de personalidade”.103

Apenas seis países aceitaram essa primeira edição, entre eles a Inglaterra. Embora o sucesso tenha sido escasso, a adesão desse país à

CID foi fundamental para descortinar a marcante diferença entre os critérios diagnósticos da psiquiatria norte-americana, ainda profundamente influenciada por Adolph Meyer e sua psicobiologia (e pela psicanálise de Menninger), de um lado, e os da própria escola inglesa, de outro, durante a década de 1960.

 

Detalhes do Produto

Livro Impresso
eBook
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
MFPP000001891
ISBN
9788582713754
Tamanho do arquivo
9,3 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados