Educação e Promoção da Saúde - Teoria e Prática, 2ª edição

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O desenvolvimento econômico é tradicionalmente visto pela sociedade como o caminho mais eficiente para melhorar as condições de vida e promover a equidade. Nas últimas décadas, alguns desses objetivos foram alcançados por uma parte da população brasileira; porém, uma parcela significativa a dos cidadãos ainda não usufrui dos benefícios trazidos pelo desenvolvimento. As iniquidades ainda persistem e têm se agravado nos últimos anos, com impacto nas condições ambientais, de vida e de saúde._x000D_
A segunda edição de Educação e Promoção da Saúde | Teoria e Prática, ampliada e atualizada, tem o objetivo de ajudar a reverter essa situação. Didaticamente estruturada, abrange as bases conceituais, os princípios e os valores da educação e da promoção da saúde, com foco em diferentes espaços de atuação, como hospitais, municípios e escolas, além de apresentar a inter-relação entre os aspectos locais e globais da promoção da saúde e seus efeitos no desenvolvimento social._x000D_
Indicada a todos os profissionais interessados em promover a saúde, esta obra, que conta com a valiosa contribuição de representantes expressivos da área, apresenta conceitos e exemplos de novas formas de abordagem dos temas relacionados à desigualdade social, cobrindo uma lacuna na literatura sobre promoção e educação da saúde.

45 capítulos

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1. Educação em Saúde e suas Práticas ao Longo da História Brasileira

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1

Educação em Saúde e suas Práticas ao Longo da História Brasileira

Cristiane Maria da Costa Silva  •  Fábio Luiz Mialhe  • 

Maria Cecília Focesi Pelicioni  •  Andréa Focesi Pelliccioni

Introdução

No Brasil, observa-se a expansão de experiências educativas no setor da saúde e o tema educação ocupa cada vez mais lugar de destaque no campo de suas produções teóricas (Marques, 2006).

Essa visibilidade, por certo, está relacionada com as reorientações do Ministério da Saúde, que recolocou o incentivo à participação popular no centro da política de saúde do país, ao definir o modelo vigente de atenção à saúde centrada na estratégia de saúde da família (Figueiró, 1999).

As atividades educativas desenvolvidas no campo da saúde pública foram, e ainda são, orientadas pelas concepções de saúde e de educação vigentes em cada período histórico, revelando características dos espaços temporais e sociais nos quais estão inseridas (Rocha, 1997;

Pelicioni e Pelicioni, 2007). Assim, a sucessão de modelos de educação aplicados à área da saúde não significa que há uma sequência evolutiva no decorrer da história, mas evidencia a influência de dimensões estruturais complexas construídas historicamente (Mohr e Schall, 1992; Rocha, 1997;

 

2. Abordagens por Settings para a Promoção da Saúde | Movimento de Cidades Saudáveis e Iniciativa da Escola Promotora de Saúde

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Abordagens por Settings para a Promoção da Saúde |

Movimento de Cidades

Saudáveis e Iniciativa da

Escola Promotora de Saúde

Fábio Luiz Mialhe  •  Maria Cecília Focesi Pelicioni  • 

Andréa Focesi Pelliccioni

Introdução

Historicamente, as intervenções em saúde pública sempre foram organizadas em determinados settings*, como escolas, centros de saúde e locais de trabalho, tradicionalmente considerados grandes estruturas sociais ou matrizes organizacionais provedoras dos canais e mecanismos de influência para os profissionais e programas de saúde alcançarem determinados grupos populacionais objetivando mudanças comportamentais individuais (Mullen et al., 1995; Dooris,

2004). Compreendidos desse modo, os settings foram e ainda são pensados e utilizados como locais para se desenvolver programas educativos, com o objetivo de encorajar os indivíduos a fazerem mudanças comportamentais relacionadas com a saúde (Dooris, 2004).

Entretanto, os atuais conceito e prática da abordagem por settings para a promoção da

 

3. Capital Social e Saúde | Análise Crítica e Implicações para a Promoção da Saúde na América Latina

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Capital Social e Saúde |

Análise Crítica e Implicações para a Promoção da Saúde na América Latina

Jaime Camilo Sapag Munõz de la Peña

Introdução

A promoção da saúde busca contribuir para a obtenção dos melhores níveis possíveis de desenvolvimento, saúde, qualidade de vida e equidade para a população. Para tanto, propõe-se a enfrentar os desafios reais de um contexto dinâmico, fornecendo uma resposta abrangente e eficaz, considerada uma abordagem adequada para os determinantes sociais da saúde. Nessa busca, o conceito de capital social ou seus componentes, de acordo com evidências recentes, poderia ter um papel promissor em favor dos objetivos da promoção da saúde. Entretanto, essas evidências incipientes não são conclusivas e é fundamental analisá-las cuidadosamente, levando em consideração a realidade específica da América Latina.

Este capítulo analisa criticamente e discute aspectos centrais relativos ao conceito de capital social e sua possível relevância para o desenvolvimento da promoção da saúde na

 

4. Pesquisa Científica | Características e Contribuições para a Promoção da Saúde

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4

Pesquisa Científica |

Características e

Contribuições para a

Promoção da Saúde

Andréa Focesi Pelliccioni  •  Renata Ferraz de Toledo  • 

Américo Focesi Pelicioni  •  Júlio César de Moraes  • 

Maria Cecília Focesi Pelicioni

Introdução

O que é uma pesquisa científica? Para que serve uma pesquisa? O que devemos pesquisar?

Constantemente nos deparamos com perguntas como essas e poucas vezes temos tido respostas claras e convincentes.

Para alguns autores, pesquisar é adotar um conjunto de procedimentos científicos de investigação da realidade baseados em raciocínio lógico em busca de respostas para problemas anteriormente propostos.

A atividade científica desenvolve-se motivada por nossa curiosidade, por nossas indagações, na procura de explicações quando nos defrontamos com algo que não conseguimos entender no todo ou em parte. A pesquisa científica pode ser realizada também em decorrência da observação de conflito entre teorias explicativas.

 

5. Considerações Teóricas e Aproximação às Estratégias Metodológicas em Educação em Saúde com Base na Promoção

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Considerações Teóricas e Aproximação às

Estratégias Metodológicas em Educação em Saúde com Base na Promoção

Maria Elisabete Guazzelli  •  Isabel Maria Teixeira Bicudo Pereira

Introdução

Antes de tentarmos falar sobre estratégias metodológicas em educação em saúde com base na promoção, precisamos pensar nos diferentes significados aí presentes. Em primeiro lugar, quando falamos em estratégias metodológicas, estamos falando de instrumentos, recursos e dinâmicas; enfim, um grande número de caminhos dos quais podemos lançar mão para tentarmos atingir determinados objetivos.

Importa então ter clareza sobre quais objetivos desejam ser alcançados e por que desejamos alcançá-los, se esses objetivos são exclusivamente nossos, se são inerentes ao grupo, e se existe clareza nos desdobramentos e dinâmicas que desencadeiam esses objetivos. Assim, as estratégias metodológicas que são cotidianamente utilizadas e discutidas nem sempre estão acompanhadas de uma contextualização consciente e clara, de um elenco de objetivos discutidos, pensados e repensados. Comumente, as estratégias metodológicas ocupam no cenário em questão o papel de protagonista, de espaço central, negligenciando por vezes as reais necessidades e as características culturais e pessoais dos atores ali inseridos.

 

6. Comunicação e Saúde | Desafios para um Pensar-Fazer em Sintonia com o SUS

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Comunicação e Saúde |

Desafios para um

Pensar-Fazer em Sintonia com o SUS

Inesita Soares de Araujo  •  Janine Miranda Cardoso

Primeiras aproximações

Em trabalho anterior (Araújo e Cardoso, 2007), buscamos sistematizar o que vínhamos até aquele momento pesquisando e ensinando sobre o campo da Comunicação e Saúde. Desde então se passaram dez anos, muito mais foi escrito por nós e outros autores,* algumas novas

áreas e temas de interesse se apresentaram ou ganharam mais destaque. No entanto, as questões que lá estavam se mantiveram atuais porque se apoiavam principalmente em um debate mais profundo, que persiste ainda hoje e com bastante força. Nesse debate, a pergunta que nos toca e que buscamos sempre responder é: qual a comunicação que queremos e precisamos para fortalecer a democracia, o Sistema Único de

Saúde (SUS) e para apoiar as lutas por mais justiça social e mais respeito aos direitos humanos?

Assim, parece-nos bastante significativo debater a comunicação à luz dos princípios do SUS.

 

7. Comunicação em Saúde e Promoção de Práticas Integrativas e Complementares

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7

Comunicação em

Saúde e Promoção de

Práticas Integrativas e

Complementares

Paula C. Ischkanian  •  Maria Cecília Focesi Pelicioni

Introdução

No Brasil, o campo da saúde tem enfrentado, há décadas, uma crise gerada por uma gestão econômica, no que diz respeito aos investimentos, desproporcional à sua demanda. A falta de investimento no Sistema Único de Saúde

(SUS) dificulta o acesso da população aos serviços de saúde e fortalece o sucateamento da saúde pública.

Recentemente, Bahia (2017) afirmou que as principais intervenções para adequar e modernizar a rede pública de saúde têm sido mínimas, racionadas e alocadas segundo critérios, muitas vezes não estratégicos e sem planejamento, mencionando que a construção de unidades novas e o sucateamento das tradicionais têm atendido primeiro às necessidades das empreiteiras e demais interesses escusos, bem como das inaugurações político-partidárias em detrimento das demandas de saúde.

Segundo a autora, a competência técnica e o apoio político nem sempre estiveram conjugados nas distintas gestões de saúde do Brasil. Dependiam de que houvesse uma oferta adequada tanto de consultas e exames quanto de leitos e terapia intensiva, e os custos dessa visão foram se tornando cada vez mais altos.

 

8. Letramento em Saúde e Promoção da Saúde

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8

Letramento em Saúde e

Promoção da Saúde

Fábio Luiz Mialhe  •  Katarinne Lima Moraes  • 

Virginia Visconde Brasil  •  Helena Alves de Carvalho Sampaio

Introdução

Este capítulo aborda o letramento em saúde, expressão do termo inglês health literacy traduzida para o português. O conceito e o campo de estudos do letramento em saúde ainda não apresentam um consenso entre os pesquisadores, entretanto, envolve muito mais do que a simples habilidade de ler as informações em saúde, ou seja, compreende habilidades influenciadas pela cultura e pela sociedade, como saber ouvir, ler, escrever, expressar-se oralmente, habilidades de numeramento* e de tomar decisões relacionadas com a saúde. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) o incluiu como um dos determinantes sociais da saúde (Rootman e Gordon-El-Bihbety, 2008; WHO, 2008).

Baixos níveis de letramento em saúde estão relacionados com o aumento da mortalidade

(Cavanaugh et al., 2010; Moser et al., 2015) e da taxa de hospitalização (Wu et al., 2013); à menor utilização de serviços de saúde preventivos

 

9. Habilidades para a Vida como Estratégia de Promoção da Saúde

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9

Habilidades para a

Vida como Estratégia de Promoção da Saúde

Mônica de Andrade  •  Maria Luiza Corrêa  • 

Lucas Ribeiro Marques Campos de Oliveira  • 

Gladys Herrera Patiño  •  Iván Darío Chahín Pinzón

Introdução

Promoção da saúde é o nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e de saúde, incluindo uma maior participação no controle desse processo (WHO, 1986). Considera que a saúde seja o resultado de um conjunto de fatores relacionados com as condições de vida da população, tendo como requisitos a educação, o saneamento básico, a habitação, a renda, o trabalho, a alimentação, o meio ambiente, o acesso a bens e serviços, com ações intersetoriais que envolvam a promoção de equidade e de justiça social.

As ações de promoção da saúde estão relacionadas com cinco campos de atuação: políticas públicas saudáveis, criação de ambientes favoráveis à saúde, desenvolvimento de habilidades pessoais, reorientação dos serviços de saúde e reforço da ação comunitária (WHO, 1986).

 

10. Alimentos Orgânicos e a Promoção da Saúde | Problematização do Conceito de Alimento Saudável

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10

Alimentos Orgânicos e a Promoção da Saúde |

Problematização do

Conceito de Alimento

Saudável

Elaine de Azevedo

Introdução

Sob uma perspectiva intersetorial, exploraremos a relação entre alimento orgânico (e o sistema agroalimentar no qual ele é produzido), as diretrizes da segurança alimentar e nutricional e as premissas da promoção da saúde, assim como proposto por Azevedo e Pelicioni (2012a; 2012b).

Este capítulo inicia-se com uma breve explanação sobre as diretrizes da agricultura orgânica. Serão exploradas, posteriormente, as repercussões negativas do sistema agroalimentar moderno que levam ao questionamento de sua viabilidade e ao fortalecimento da agricultura familiar orgânica (AFO), estreitando sua relação com a promoção da saúde. A seguir, propõe-se uma análise do movimento de promoção da saúde e de segurança alimentar e nutricional.

Por fim, analisaremos as discussões que envolvem a relação entre promoção da saúde e agricultura orgânica, a partir dos âmbitos ambiental e social, e exploraremos a temática da qualidade alimentar dos orgânicos, sob as premissas da promoção da saúde humana.

 

11. Vigilância Sanitária como Prática de Proteção e Promoção da Saúde em Contingências de Risco

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11

Vigilância Sanitária como

Prática de Proteção e

Promoção da Saúde em

Contingências de Risco

Nicolina Silvana Romano-Lieber  •  Renato Rocha Lieber

Introdução

Mesmo nas situações mais primitivas de organização social, as condições de saúde da população mobilizam alguma forma de atenção por parte de seus integrantes. Viver implica manter relações, não apenas sociais, mas também naturais. Tanto em um caso como em outro, ninguém pode negar que perigos e ameaças subsistem enquanto se vive. Por outro lado, a forma pública de lidar com esses perigos, de maneira que cada esforço individual possa trazer o maior benefício coletivo, muda ao longo do tempo, enriquecendo o rol de opções. Tabus e interdições, quando questionados, vão dando lugar às leis e regulamentos. Debates em relação aos novos hábitos e às formas tradicionais de viver podem promover reflexões. Demandas por intervenção são estimuladas, de forma que a busca se dá não apenas em manter e proteger, mas também em melhorar as condições de saúde em prol de uma vida melhor. Assim, as condições sanitárias, enquanto objeto de uma vigilância, demandam muito mais que a simples conciliação com as leis e os regulamentos. As condições sanitárias constituem um estado dentro de um processo cujo curso pode ser mantido ou alterado, para melhor ou para pior, em função do conhecimento, da capacidade de ação das pessoas e das contingências na vida de cada um. Esse cenário de incerteza traduz a condição de risco em que se vive. Nele, vive-se a apreensão pelo desconhecido. Mas na incerteza vivem-se também

 

12. Importância do Saneamento à Promoção da Saúde | Impactos da Carência e Caminhos para a Transformação da Realidade Brasileira

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12

Importância do

Saneamento à Promoção da Saúde | Impactos da

Carência e Caminhos para a Transformação da

Realidade Brasileira

Raul Graça Couto Pinho  •  Aline Matulja

Introdução

O saneamento é um direito essencial garantido constitucionalmente no Brasil. Esse reconhecimento legal é reflexo das profundas implicações desses serviços para a sociedade, na medida em que sua carência pode influenciar de forma negativa o bem-estar da população, principalmente em termos de saúde, qualidade de vida, educação, trabalho, economia, biodiversidade e disponibilidade hídrica. Entretanto, a realidade traduzida em um déficit de 34 milhões de brasileiros sem acesso à água, mais de 100 milhões de pessoas sem coleta dos esgotos e somente 42% dos esgotos tratados (Brasil, 2015) revela o atraso da agenda nacional em saneamento.

Apesar de o Brasil ter, hoje, o 9o maior produto interno bruto (PIB) do mundo, está na 75a posição do índice de desenvolvimento humano

 

13. Práticas Educativas e Produção de Sentido no Ensino

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13

Práticas Educativas e Produção de Sentido no Ensino

Renata Cristina Oliveira Barrichelo Cunha  •  Luciane Maria Pezzato

Introdução

Aprender, ensinar, criar, apreciar, produzir instrumentos, desenvolver hábitos, conviver, entre outros processos requerem sempre produção de sentidos. Construímos e buscamos sentidos para nossas atividades e relacionamentos como modo de organizar nossas percepções e experiências, instituindo nossa realidade, nossa visão de mundo. Produzindo sentidos e organizando o mundo, construímos a nós mesmos, no intercâmbio sujeitos-realidade.

Atribuir sentido é uma necessidade imperativa para compreendermos e atuarmos no mundo em que vivemos, extraindo lições das experiências e investindo nos processos de conhecimento que continuamente se fazem necessários para atuarmos apropriadamente e respondermos aos desafios da realidade.

O campo da educação enquanto conjunto de práticas sociais mediante as quais um grupo assegura que seus membros adquiram a experiência e o conhecimento historicamente acumulado e culturalmente organizado (Coll, 1994) exige uma discussão sobre sentido. Do mesmo modo, a educação em saúde como um conjunto de práticas pedagógicas articuladas às práticas de saúde, que se dá nas relações entre sujeitos sociais portadores de diferentes saberes (Pedrosa, 2001) e ocorre em espaços diferentes (públicos ou privados), em contatos formais (consultas individuais, grupos organizados nas unidades de saúde e visitas domiciliares) e informais, também supõe a mesma discussão.

 

14. Problematizando a Problematização | Notas sobre uma Prática Educativa Crítica em Saúde

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14

Problematizando a

Problematização | Notas sobre uma Prática

Educativa Crítica em Saúde

Helena Maria Scherlowski Leal David  •  Sonia Acioli

Problematização

O termo problematização foi sendo de tal maneira incorporado às práticas pedagógicas formais da formação em saúde e nos processos de educação permanente desenvolvidos no âmbito das políticas públicas de saúde, que se encontra, de certo modo, naturalizado. Ninguém vê problemas em problematizar, mas talvez nem todos tenham clareza sobre o que a incorporação desse conceito significa e implica, em termos de postura ético-política, para a prática do educador. Vale, portanto, debruçar-se sobre o termo, examinar algumas de suas origens e mesmo alguns outros conceitos que lhe são sinônimos, já que a postura problematizadora pode se utilizar de outros descritores.

Talvez seja mais fácil iniciarmos por uma breve discussão sobre o que não é problematizar: fazer uma leitura imediata e simplista da realidade e, na prática pedagógica, partir do princípio de que existem conteúdos e ações a serem aprendidos, bastando para isso que esses conteúdos sejam apropriadamente disseminados. A ênfase, em uma educação não problematizadora, recai, portanto, no ato de ensinar, e desloca o peso da ação para o professor. Se este ensina bem, as pessoas aprendem.

 

15. Resiliência e Promoção de Desenvolvimento Saudável sob a Perspectiva de Discursos Científicos

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15

Resiliência e Promoção de

Desenvolvimento Saudável sob a Perspectiva de

Discursos Científicos

Maria Angela Mattar Yunes

Introdução

Resiliência é um constructo inserido no movimento da psicologia positiva, tendência esta de grande importância para as discussões atuais dos diferentes campos das ciências da educação e da saúde. As pesquisas sobre resiliência em indivíduos, famílias e comunidades vêm possibilitando elaborar investigações e intervenções que focalizam o desenvolvimento saudável, a qualidade de vida, a felicidade e o bem-estar das pessoas em suas respectivas culturas. Dessa maneira, os estudos com interesse em riscos e as suas consequências negativas – geralmente traduzidas por doenças, desajustes ou desadaptação – vêm sendo gradualmente substituídos pela busca de mecanismos de proteção que promovem e valorizam competências intelectuais, afetivas e sociais.

Do ponto de vista conceitual, resiliência refere-se não apenas a um conjunto de processos psicológicos que possibilita resolver e enfrentar situações de sofrimento, mas também ao consequente fortalecimento pessoal ou coletivo que decorre da situação de superação das adversidades. Entretanto, isso não significa afirmar que as pessoas ou grupos que passam pelo sofrimento o façam de modo inabalável, como sugeriam os termos precursores de resiliência: a invulnerabilidade e a invencibilidade. Diferentemente, uma das mais expressivas contribuições dos trabalhos sobre resiliência é a de trazer luz às transformações pessoais e sociais que resultam em desenvolvimento saudável, abrindo portas para os debates sobre políticas públicas que promovam oportunidades de aprendizagem.

 

16. Educação Popular em Saúde | Constituição e Transformação de um Campo de Estudos e Práticas na Saúde Coletiva

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16

Educação Popular em

Saúde | Constituição e

Transformação de um

Campo de Estudos e

Práticas na Saúde Coletiva

Eymard Mourão Vasconcelos

Introdução

Há um grande abismo separando o atendimento dos serviços de saúde e a vida da população.

Os profissionais de saúde pouco conhecem a dinâmica familiar e comunitária de convivência e enfrentamento dos problemas de saúde. Para eles, as atitudes e falas dos usuários dos serviços parecem desconexas e estranhas. Esse desconhecimento tem gerado práticas de saúde marcadas pelo paternalismo, vanguardismo e autoritarismo. A superação desse tipo de prática na América Latina não se iniciou a partir do campo do trabalho em saúde, e sim a partir dos trabalhos sociais ligados às pastorais de algumas igrejas cristãs e do movimento nacional de alfabetização de jovens e adultos que se fortaleceu no Brasil a partir da segunda metade do século 20.

Desde a década de 1950, começou a se constituir na América Latina um movimento de intelectuais e técnicos preocupados em encontrar os caminhos de uma atuação social integrada às lutas e buscas sempre presentes no meio popular.

 

17. Educação Popular em Saúde como Política Pública | Limites e Possibilidades

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17

Educação Popular em

Saúde como Política Pública |

Limites e Possibilidades

José Ivo dos Santos Pedrosa  •  Osvaldo Peralta Bonetti  • 

Maria Neide Antero Pinheiro Buarque

Introdução

Discutir educação popular em saúde como política pública aparentemente não exige grandes esforços, se concebemos como política pública determinados arranjos políticos e institucionais que organizam estruturas, recursos financeiros e humanos para atender às demandas da sociedade.

Entretanto, ao problematizarmos a discussão nos perguntando qual o significado da educação popular em saúde enquanto política pública, várias outras inquietações começam a surgir: quais seriam as ações que poderiam ser caracterizadas como de educação popular em saúde? Em quais espaços da institucionalidade do setor de saúde essas práticas seriam inseridas? Seriam incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde as práticas de gestão às práticas de cuidado? Qual sua interface com políticas já implementadas? Quem seriam os atores dessas práticas? Quem ou o quê os legitimaria para tal atividade? Seriam necessários processos específicos para a formação desses sujeitos?

 

18. Espiritualidade e Educação Popular em Saúde

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18

Espiritualidade e Educação

Popular em Saúde

Eymard Mourão Vasconcelos

Introdução

Grande parte dos profissionais de saúde elabora a motivação e o sentido de seu trabalho na vida religiosa ou espiritual. A maioria das pessoas busca nelas a motivação e o sentido de sua luta para a superação da crise existencial trazida por uma doença grave. No entanto, o modo dominante de pensar a ciência moderna tornou ilegítimo trazer o debate sobre a relação entre vida religiosa/espiritual e saúde para as universidades e as instituições organizadoras da assistência. Assim, essa dimensão central do processo de elaboração subjetiva dos profissionais e pacientes foi deixada na esfera de suas vidas privadas, contribuindo para que ela tenda a estar presente nos serviços de saúde de maneira recalcada, não debatida e, portanto, sujeita a interesses não explícitos de grupos particulares.

O desenvolvimento das Ciências da Religião e Ciências Sociais, bem como da Psicologia, Filosofia, Neurobiologia, Pedagogia e

 

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