Educação e Meio Ambiente: uma Relação Intrínseca

Autor(es): LUZZI, Daniel
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Esta obra propõe um percurso reflexivo que nasce do diálogo entre a educação e o contexto sócio-histórico, iluminando um caminho no qual se renova a compreensão que temos da educação, da escola, do professor e do aluno. Com essa postura, o autor, longe das definições de educação ambiental naturalistas e ecológicas, apresenta o conceito de ambientalização da educação como estratégia para responder aos desafios sociais e educativos do presente. Muito além de se constituir simplesmente de uma reflexão teórica, apresenta as principais correntes pedagógicas, epistemológicas, didáticas e da psicologia da educação, que servem de fundamento para a construção de uma nova prática educativa. Uma prática que contemple novas formas de organização escolar, curricular, de sequenciamento de conteúdos, eixos transversais, métodos interdisciplinares e aproximações metodológicas, entre outros. O debate proposto no livro é feito de forma didática, com linguagem objetiva e clara, tornando-se ferramenta imprescindível para educadores, alunos, profissionais da educação e todos os que de alguma maneira estão relacionados à educação ambiental.

 

6 capítulos

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1. Educação: desafios em um mundo que se transforma

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Educação de s a f i o s e m u m m u n d o q u e s e tra n s f o r m a

A educação não é só uma tarefa técnica de processamento de informação bem organizado, nem sequer simplesmente uma questão de aplicar as ‘teorias da aprendizagem’ em sala de aula, nem de usar os resultados de provas de rendimento centradas no sujeito. É uma empresa complexa capaz de adaptar a uma cultura as necessidades dos seus membros e de adaptar aos seus membros e às suas formas de conhecer as necessidades da cultura. (Bruner, 2000, p. 62)

Educação no contexto atual

Qualquer que seja o ponto de vista que assumamos para analisar o papel da educação na sociedade atual, economicista, tecnologicista, ambientalista ou humanista, fica claro que esta análise deve considerar o ambiente educativo, partindo da reflexão sobre a situação da educação no contexto atual (Figura 1.1).

Entendemos que devemos tentar quebrar o círculo vicioso das reformas educativas do passado que desconheciam sistematicamente a realidade que tentavam transformar, achando, ingenuamente, que a elaboração de políticas educativas (leis, normas e documentos) e a sua comunicação com efi­ ciên­cia a todos os atores educativos (por meio de capacitação) eram suficientes para produzir uma mudança efetiva.

 

2. As demandas sociais

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As demandas sociais

A educação se encontra intimamente relacionada com o ambiente em que se origina. Dependendo da situação cultural, científica, política e econômica de cada período histórico, a educação tem assumido um ou mais papéis sociais e tem promovido modelos, métodos, tecnologias e visões de mundo diferenciados.

Interrogando‑nos acerca deste momento histórico e das suas demandas, podemos observar uma crise que vai muito além dos problemas ambientais que todos conhecemos e que abrange as problemáticas de vida de enormes setores da sociedade mundial. A insustentabilidade não é só ecológica, mas também social. Uma problemática que, como veremos, degrada tanto o meio ambiente natural como a qualidade de vida da população e que se origina no modelo de organização social que determina os padrões de produção, os padrões de consumo e os padrões de vida da população, por meio da educação e da cultura.

Ambiente e educação: uma relação histórica

Uma rápida olhada na história da sociologia da educação parece reforçar a ideia de que a educação é influenciada pela sociedade ou pelas necessidades sociais (funcionalismo); ou pela economia, pelo sistema de classes e pela ideologia (marxismo); ou pelos grupos de poder (reprodutivismo).

 

3. As características da cultura

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As características da cultura

A educação encontra‑se historicamente relacionada com o ambiente, no entanto, como poderemos ver ao longo do capítulo, é uma relação que vai muito além da consideração das demandas do contexto, aprofundando‑se na ciência, na tecnologia e na cultura de cada época. Esta relação na chamada terceira onda (Toffler, 1995), que se identifica com a revolução do conhecimento, na transição do homo economicus ao homo culturalis (Dowbor, 2004), nos traz desafios nunca antes vistos.

Porém, o contexto não apresenta só desafios, mas também oportunidades.

Neste capítulo, apresentam‑se uma série de alternativas que estão emergindo no âmbito da cultura, que podem dar lugar à construção de novos espaços de cidadania e de participação social e política. Um contexto que está dando lugar à formação de novas linguagens que podem colaborar na superação da profunda desmotivação dos alunos no processo de aprendizagem e, ao mesmo tempo, reduzir os níveis de abstração para facilitar a apropriação do conhecimento por todos, produzindo uma verdadeira revolução educativa.

 

4. Dinâmica histórica do conhecimento e da sociedade: da redução e simplificação à complexidade

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Dinâmica histórica do conhecimento e da sociedade da red u ç ã o e s i m p l i f i c a ç ã o

à c o m p l exidade

É a curiosidade – em todo caso, a única espécie de curiosidade que vale a pena ser praticada com um pouco de obstinação: não aquela que procura assimilar o que convém conhecer, mas a que permite separar-se de si mesmo. De que valeria a obstinação do saber se ele assegurasse apenas a aquisição dos conhecimentos e não de certa maneira, e tanto quanto possível, o descaminho daquele que conhece? Existem momentos na vida onde a questão de saber se se pode pensar diferentemente do que se pensa, e perceber diferentemente do que se vê, é indispensável para se continuar a olhar ou a refletir. (Michel

Foucault, 1984, p. 13)

Conhecimento e ambiente

Como podemos observar, existe uma relação histórica entre o ambiente e a educação, porém, esta não se refere só ao papel da educação no contexto, mas também lança suas raízes na definição do que é conhecer, aprender e ensinar, o que tem dominado os debates desde o século IV antes de Cristo, primeiro na filosofia e posteriormente na emergente epistemologia (ou teoria do conhecimento, um ramo da filosofia que trata dos problemas relacionados à crença e ao conhecimento); na psicologia da aprendizagem, na pedagogia e na didática.

 

5. Psicologia da aprendizagem

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Psicologia da aprendizagem

O homem é um animal suspenso em redes de significação que ele mesmo tem tecido... Essas redes são a cultura. (Geertz apud Cole, 1999, p. 118)

Aprendizagem e ambiente

Como já foi apresentado anteriormente, as diversas tradições educativas e seus correspondentes nas práticas incluem diferentes visões, no que se refere ao conhecimento que deve ser ensinado, e derivações metodológicas, a respeito de como ensiná‑lo. Essas perspectivas, que ainda coexistem nos sistemas educativos, derivam das grandes tradições na filosofia do conhecimento.

Os aportes da filosofia e a epistemologia têm colaborado na construção de uma visão de mundo menos mecanicista e mais centrada nas inter‑relações complexas, avançando para a inclusão da perspectiva qualitativa e para as exposições dos componentes autorreflexivos e emancipatórios da ciência social crítica no estabelecimento de uma racionalidade alternativa. Uma racionalidade que, superando o pensamento instrumental, procura resgatar seu complemento, o pensamento crítico, na busca de uma reflexão valorativa dos fins e valores que permeiam nossas ações. Posições que têm questionado o suposto objetivismo e neutralidade da ciência e o pensamento dicotômico que tem construído um mundo cego e intolerante, de opostos irreconciliáveis.

 

6. Pedagogia e didática ambiental

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Pedagogia e didática ambiental

Forma e conteúdo são dois espelhos um na frente do outro, que para não provocar perplexidade no observador devem

­refletir as duas caras da mesma imagem. (Pozo, 1989, p. 31)

Pedagogia crítica e práxis ambiental

Como observamos, os aportes da epistemologia avançam para a inclusão da perspectiva qualitativa e complexa, e para as exposições dos componentes autorreflexivos e emancipatórios da ciência social crítica no estabelecimento de uma racionalidade alternativa.

Uma racionalidade que incorpora o sujeito e seus preconceitos, e rechaça a ideia de neutralidade do conhecimento; que resgata o outro e a co­ munidade na construção do consenso intersubjetivo; que concebe o conhecimento como uma construção interpretativa, contextual e histórica, como um processo inacabado, um permanente “sendo”; que aceita a complementaridade metodológica como abordagem para alcançar a compreensão do complexo mundo que habitamos.

Os avanços da psicologia educacional, desde o cognitivismo, o construtivismo, o enfoque histórico cultural, a cognição situada e a psicologia geral da atividade, transitam, igualmente, na busca de uma aprendizagem ativa,

 

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