Educação Ambiental e Sustentabilidade 2a ed.

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A Coleção Ambiental, coordenada por Arlindo Philippi Jr., tornou-se referência na área de meio ambiente na última década. Reúne os resultados de estudos, pesquisas e experiências de professores, pesquisadores e profissionais com atuação significativa na área ambiental, oriundos de conceituadas instituições de ensino e pesquisa, e caracteriza-se pelo tratamento multi e interdisciplinar que esta área do conhecimento requer. As obras contribuem tanto para a disseminação do conhecimento em bases cientificamente sólidas e conectadas às intervenções reais da sociedade quanto para a ampliação das reflexões e dos debates sobre questões sociais, econômicas, políticas e ambientais fundamentais para a formação, qualificação e capacitação de profissionais. Neste livro, Educação Ambiental e Sustentabilidade – 2ª edição revisada e atualizada, a educação ambiental é entendida como educação política para a cidadania ativa, visando a uma ação transformadora da realidade socioambiental na busca por uma sociedade sustentável. Incluindo novos temas de grande relevância na atualidade, a obra foi estruturada em 5 partes, composta por Introdução, Fundamentação Ambiental, Fundamentação em Educação Ambiental, Métodos e Estratégias de Educação Ambiental e Estudos Aplicados à Educação Ambiental. Conta com a participação de especialistas de diversas áreas, que abordam o tema sob perspectiva interdisciplinar, demonstrando a importância das relações da educação ambiental com saúde, ambiente, direito, cidadania, política, cultura e sustentabilidade. Ao priorizar o conhecimento e a compreensão dos problemas e de suas possíveis soluções no intuito de melhorar o meio ambiente e, consequentemente, a qualidade de vida da sociedade, esta obra se torna de relevância não somente para especialistas, mas também para estudantes e profissionais (educadores, pedagogos, sociólogos, administradores, economistas, engenheiros, arquitetos, advogados, biólogos, geólogos, geógrafos, entre outros), além do público interessado nessa temática, em virtude de sua importância e atualidade.

38 capítulos

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1. Bases Políticas, Conceituais, Filosóficas e Ideológicas da Educação Ambiental

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Bases Políticas,

Conceituais, Filosóficas e Ideológicas da

Educação Ambiental

1

Maria Cecília Focesi Pelicioni

Assistente social e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

Arlindo Philippi Jr

Engenheiro civil e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

A educação ambiental vai formar e preparar cidadãos para a reflexão crítica e para uma ação social corretiva, ou transformadora do sistema, de forma a tornar viável o desenvolvimento integral dos seres humanos.

Ela se coloca em uma posição contrária ao modelo de desenvolvimento econômico vigente no sistema capitalista selvagem, no qual os valores éticos, de justiça social e de solidariedade não são considerados, em que a cooperação não é estimulada, mas prevalece o lucro a qualquer preço, a competição, o egoísmo e os privilégios de poucos em detrimento da maioria da população.

A educação ambiental exige um conhecimento aprofundado de filoso‑ fia, da teoria e história da educação, de seus objetivos e princípios, já que nada mais é do que a educação aplicada às questões de meio ambiente. Sua base conceitual é fundamentalmente a educação e, complementarmente, as ciências ambientais, a História, as ciências sociais, a Economia, a Física, as ciências da saúde, entre outras.

 

2. Introdução às Ciências Ambientais

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Introdução às

Ciências Ambientais

2

José Luiz Negrão Mucci

Biólogo, Faculdade de Saúde Pública – USP

Desde o aparecimento da forma mais primitiva de vida na Terra, o planeta vem sofrendo alterações. Aquele pequeno e rudimentar ser unice‑ lular que evoluiu no rico meio de cultura representado pela enorme massa líquida que hoje constitui os oceanos, ao encontrar condições favoráveis, multiplicou‑se por meio de um processo de divisão simples até dominar praticamente todo o meio hídrico. Tal processo, embora aparentemente simples, deu origem a uma cadeia de alterações no ambiente físico, quími‑ co e biológico, tornando‑o cada vez mais adequado para organismos mais complexos que, por meio da seleção natural, sobreviveram ou desaparece‑ ram ao longo do processo evolutivo.

Se a própria evolução biológica é responsável por alterações conside‑ ráveis na estrutura do planeta, por que o aparecimento da espécie humana

é considerado como o marco do início da degradação ambiental? O que tem o Homo sapiens sapiens – que aparece nesse cenário há apenas alguns milhões de anos, no Pleistoceno – de tão especial que, ao mesmo tempo em que o torna apto a sobreviver em todas as regiões da Terra, faz dele o maior poluidor entre todos os seres vivos?

 

3. Ciências Sociais e Meio Ambiente

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Ciências Sociais e

Meio Ambiente

3

Fabiola Zioni

Socióloga, Faculdade de Saúde Pública – USP

A modernidade constitui o cenário no qual emergem as ciências so‑ ciais e, mais recentemente, a questão ambiental. Com o termo modernida‑ de pretende‑se definir um processo que se inicia por volta do século XV, na

Europa, marcado por profundas transformações em todas as dimensões da vida humana – da produção, da sociabilidade, da representação simbólica do mundo, das relações sociais e de poder – fenômeno que, ao longo de 500 anos, se estendeu por todo o planeta, transformando os diferentes contex‑ tos (físicos e sociais) em que, progressivamente, foi acontecendo.

Esse processo tem maior visibilidade na organização capitalista das rela‑

ções de produção e consumo, mas não pode ser confundido com ela. Ainda que contemporâneos e bastante relacionados, a modernidade não se reduz ao curso de expansão capitalista, mesmo que este venha moldando todos os campos da atividade humana.

 

4. Saúde Ambiental

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Saúde Ambiental

4

Arlindo Philippi Jr

Engenheiro civil e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

Tadeu Fabrício Malheiros

Engenheiro civil e ambiental, Escola de Engenharia de São Carlos – USP

A crise socioambiental e a questão do desenvolvimento sustentável

Um mundo em rápido e permanente processo de mudança foi o cenário das últimas seis décadas. A reestruturação das economias globais, com um crescente enriquecimento de países e paradoxalmente a baixa capacidade de distribuição desse ganho para a população, deixou passivos sociais e ambientais significativos. Refletem, dessa forma, em desafios na gestão atual dos espaços antrópicos e naturais, pois induzem situações de conflito por prioridades políticas e acabam reforçando decisões fragmentadas e de baixa efetividade.

Uma das evoluções mais animadoras dos últimos anos tem sido o amplo progresso registrado no desenvolvimento humano de muitos países em desenvolvimento e a sua emergência no cenário mundial: a “ascensão do Sul”.

 

5. Epidemiologia Aplicada à Educação Ambiental

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Epidemiologia Aplicada

à Educação Ambiental

5

Delsio Natal

Biólogo, Faculdade de Saúde Pública – USP

Carmen Beatriz Taipe-Lagos

Bióloga, Faculdade de Saúde Pública – USP

Júlio Cesar Rosa

Biólogo, Faculdade de Saúde Pública – USP

Paulo Roberto Urbinatti

Biólogo, Faculdade de Saúde Pública – USP

INTRODUÇÃO

Neste capítulo tem‑se o propósito de focalizar resumidamente alguns aspectos da Epidemiologia. Diante desse vasto campo de conhecimento, procura‑se selecionar tópicos que sejam úteis na construção de um raciocí‑ nio crítico a ser aplicado por aqueles que estão especializando‑se em edu‑ cação ambiental.

Aos que nunca se depararam com esse tema, torna‑se necessária a de‑ finição de alguns conceitos. Conceituar, a princípio, poderia representar um simples exercício teórico, pois, até certo ponto, essas divagações pare‑ cem dissipar‑se na memória com o tempo. Entretanto, a preocupação não

é a de decorar frases ou assimilar jargões, mas sim entender o real sentido da terminologia, para que esta possa fazer parte da simbologia de um racio‑ cínio crítico.

 

6. Poluição Atmosférica

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Poluição Atmosférica

6

João Vicente de Assunção

Engenheiro químico e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

Tadeu Fabrício Malheiros

Engenheiro civil e ambiental, Escola de Engenharia de São Carlos – USP

A poluição do ar acompanha o ser humano desde os mais remotos tempos, quando seus antepassados descobriram o fogo. O descobrimento do uso controlado do fogo talvez tenha sido sua primeira grande intervenção ambiental, pois, ao prover calor para seu conforto e proteção, gerava em seu abrigo uma atmosfera tóxica.

Estudos arqueológicos mostram que o uso do fogo nas cavernas oferecia maior risco de exposição aos homens pré-históricos, uma vez que se tratava de ambientes confinados (who, 1999).

Figura 6.1 – Uso do fogo como marco na his­tó­ria da civi­li­za­ção.

Fonte: Cepis (2003).

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE

A partir da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, com a introdução da máquina a vapor pelo inglês James Watt, deu-se início ao uso intensivo de combustíveis, passando-se da utilização da biomassa para o carvão mineral. Ocorreram também o incremento do uso de processos industriais, com a introdução da máquina de fiar e tecer, que substituiu parte da mão de obra, e o desenvolvimento do trem e do navio a vapor.

 

7. Poluição das Águas

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Poluição das Águas

7

Lineu José Bassoi

Engenheiro civil, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo

Noções de Hidrologia

A gestão ambiental voltada para os recursos hídricos envolve duas di‑ mensões significativas: uma referente à quantidade de água e outra relacio‑ nada com a sua qualidade. Nesse sentido, convém observar que os elemen‑ tos químicos se deslocam na natureza pelo ar, pelo solo e pela água, e assim descrevem caminhos que são cíclicos. A manutenção desses caminhos é básica para o equilíbrio dos ecossistemas. Tais caminhos cíclicos são co‑ nhecidos como ciclos biogeoquímicos.

Entre os mais importantes estão os ciclos do nitrogênio, do fósforo, do carbono e da água. O caminho que a água descreve na natureza nada mais é do que o ciclo hidrológico, sendo este o grande veículo de transpor‑ te e de relações entre os demais ciclos descritos. A hidrologia é a ciência que estuda o comportamento, a ocorrência e a distribuição de água na natureza. Ocupa‑se a ciência da hidrologia da ocorrência e do movimento da água na Terra e acima de sua superfície. Trata das várias formas que ocorrem e da transformação entre os estados líquido, sólido e gasoso na atmosfera e nas camadas superficiais das massas terrestres. Dedica‑se tam‑ bém ao mar, que é a fonte e o reservatório de toda a água que ativa a vida do planeta.

 

8. Poluição do Solo

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Poluição do Solo

8

Wanda Maria Risso Günther

Engenheira civil e socióloga, Faculdade de Saúde Pública – USP

O solo é um recurso natural e como tal deverá ser utilizado. Porém, é um recurso limitado e cada vez mais considerado como parte importante do ambiente. A alteração de sua qualidade natural pode comprometer seu uso atual e futuro e provocar impactos econômicos, sociais, ambientais e à saúde humana.

A definição de solo contempla diversas abordagens, dependendo da especialidade de quem o define. Assim, o seu conceito é diferente para o pedólogo, o geólogo, o agrônomo, o engenheiro, o ecólogo, o botânico e outros, sempre dentro da visão específica de cada campo de atuação, basea­ do nas diferentes utilidades desse recurso.

Segundo o dicionário Aurélio, “solo é a porção da superfície da terra, terreno, chão, parte inconsolidada do manto de intemperismo e que con­ tém matéria orgânica e vida bacteriana, que possibilitam o desenvolvimen­ to das plantas” (Ferreira, 1999, p.1880).

 

9. Saneamento Básico para a Saúde Integral e a Conservação do Ambiente

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Saneamento Básico para a Saúde Integral e a Conservação do Ambiente

9

Edson Vanderlei Zombini

Mestre em Ciências, Faculdade de Saúde Pública – USP

Maria Cecília Focesi Pelicioni

Assistente social e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

A saúde é determinada por fatores genéticos, biológicos e psicossociais. Resulta da interação entre o desenvolvimento social e o meio ambiente e está diretamente relacionada ao modo de viver das pessoas e a sua relação com o ambiente em que vivem.

Para a manutenção da saúde e da qualidade de vida da população é indispensável salubridade do meio que, por sua vez, é determinada em grande parte pela existência ou não de saneamento local.

Entende-se por saneamento básico o conjunto de medidas, serviços e instalações que garantem o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e a drenagem de águas pluviais. Visa proporcionar níveis crescentes de salubridade de um determinado ambiente, em benefício da população que habita esse espaço, o que vai produzir efeitos muito positivos sobre o bem-estar e a saúde.

 

10. Política e Gestão Ambiental: Conceitos e Instrumentos

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Política e Gestão

Ambiental: Conceitos e Instrumentos

10

Ivan Carlos Maglio

Engenheiro civil, Empresa PPA Ltda.

Arlindo Philippi Jr

Engenheiro civil e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

Alguns conceitos básicos são fundamentais para a compreensão plena dos principais aspectos relacionados com a política e com a gestão ambiental.

A política ambiental situa‑se na dimensão social das políticas públicas; sua compreensão envolve o entendimento dos conceitos de política e ges‑ tão pública.

POLÍTICA E GESTÃO PÚBLICA

A política é definida como a ciência dos fenômenos referentes ao Esta‑ do. Uma política é estruturada a partir da formulação de princípios, obje‑ tivos e normas de conduta, que são definidos e articulados para o cumpri‑ mento da missão institucional de um determinado país. Portanto, de per si, a política é normativa e não operacional.

Política, por conseguinte, é a definição de objetivos e princípios, arti‑ culados e integrados, que orientam a ação concreta, por meio de progra‑ mas, leis, regulamentos e decisões, e dos métodos a serem utilizados para sua implementação por parte de um governo, instituição ou grupo social.

 

11. A Dimensão Humana do Desenvolvimento Sustentável

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A Dimensão Humana do Desenvolvimento

Sustentável

11

Attilio Brunacci

Filósofo, Consultor na área de educação ambiental

Arlindo Philippi Jr

Engenheiro civil e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

A concepção de desenvolvimento sustentável tem suas raízes fixadas na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano

(Cnumad), realizada em Estocolmo, Suécia, em junho de 1972.

Esses dois vocábulos ainda não tinham formado a parceria que hoje se tornou sobejamente conhecida de todos. Isso porque o principal objeto das discussões ocorridas nesse evento estava centrado na defesa do meio ambien‑ te humano, no bojo de um problema global mais amplo: os ditames do mo‑ delo de desenvolvimento econômico dos países do Primeiro Mundo. Estes, em determinado estágio da sua industrialização, viram‑se na perspectiva da escassez dos recursos naturais, surpreendendo‑se diante das limitações do meio ambiente no que dizia respeito à destinação final dos rejeitos – sólidos, líquidos e gasosos – tanto do processo industrial quanto dos hábitos de con‑ sumo da população.

 

12. Evolução da Legislação Ambiental no Brasil: Políticas de Meio Ambiente, Educação Ambiental e Desenvolvimento Urbano

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Evolução da Legislação

Ambiental no Brasil:

Políticas de Meio

Ambiente, Educação

Ambiental e

Desenvolvimento Urbano

12

Elvino Antonio Lopes Rivelli

Advogado, Rivelli Advogados

A matéria ambiental, pode‑se dizer sem medo de errar, foi uma das que promoveram uma mudança mais radical e importante no mundo moderno.

Ela foi a responsável pela modificação das percepções do mundo, fazendo com que o homem atual despertasse para a grande verdade: a natureza é finita e o uso sem escrúpulos dos recursos ambientais ameaça a vida humana, repe‑ tindo‑se, por óbvio, o que aconteceu com alguns dos povos da Antiguidade.

Evolução histórica no BrasiL

No Brasil, desde o século XIX, já existiam legislações que disciplina‑ vam o meio ambiente no mundo do Direito. Pode‑se citar, como exemplo, a Lei n. 1, de 1º de outubro de 1828, que já tecia considerações de cunho ambiental e atribuía à polícia o dever de zelar pelos poços, tanques, fontes, aquedutos, chafarizes e quaisquer outras construções de benefício comum dos habitantes, bem como a plantação de árvores para preservação de seus limites à comodidade dos viajantes.

 

13. A Ocupação Existencial do Mundo: uma Proposta Ecossistêmica

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A Ocupação Existencial do Mundo: uma

Proposta Ecossistêmica

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André Francisco Pilon

Pedagogo, Faculdade de Saúde Pública – USP

O SALÁRIO DE DEUS E O TRABALHO DO HOMEM

A partir de uma parábola – Deus teria feito, na expectativa de bons re‑ sultados, um elevado investimento na sua criação –, são discutidos os cres‑ centes e múltiplos agravos à qualidade de vida no atual sistema de coisas, abrangendo aspectos éticos, políticos, econômicos, culturais e ambientais.

Deus, ao criar o mundo, contemplou‑o com sua graça, mas não traba‑ lhou “de graça”. Seu salário adviria dos bons frutos da criação e, nesse sen‑ tido, confiando na grandeza da sua obra, na linguagem atual, teria emitido uma promissória contra si mesmo, oferecendo, como garantia, o próprio universo criado.

Galáxias deram origem a estrelas, planetas abrigaram a vida: plantas

(flores e frutos), pássaros (plumas e cantos), animais de diferentes espécies; na Terra, até seres humanos, ditos inteligentes, multiplicaram‑se por toda a parte, abrangendo quatro dimensões de estar no mundo: íntima, intera‑ tiva, social e biofísica.

 

14. Movimento Ambientalista e Educação Ambiental

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Movimento

Ambientalista e

Educação Ambiental

14

Andréa Focesi Pelicioni

Geógrafa e administradora, Secretaria do Verde e do

Meio Ambiente do Município de São Paulo

A questão ambiental, um dos temas mais discutidos da atualidade, envolve toda sorte de problemas e discussões em relação às condições so‑ cioambientais de áreas urbanizadas ou não, incluindo‑se os aspectos relacionados à qualidade de vida humana, os impactos da ação humana sobre as condições climáticas, hidrológicas, geomorfológicas, pedológicas e biogeográficas, em todas as escalas de tempo e espaço (Christofoletti, 1993;

Sobral e Silva, 1989).

Pode‑se considerar que a degradação ambiental que hoje se apresenta seja decorrente da profunda crise social, econômica, filosófica e política que atinge toda a humanidade, resultado da introjeção de valores e práticas que estão em desacordo com as bases necessárias para a manutenção de um ambiente sadio, que favoreça uma boa qualidade de vida a todos os mem‑ bros da sociedade.

 

15. Educação Ambiental: Pedagogia, Política e Sociedade

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Educação Ambiental:

Pedagogia, Política e Sociedade

15

Daniel Luzzi

Pedagogo, Faculdade de Saúde Pública – USP

O século XXI inicia-se em meio a uma emergência socioambiental que promete agravar-se caso sejam mantidas as tendências atuais de degradação; um problema enraizado na cultura, nos estilos de pensamento, nos valores, nos pressupostos epistemológicos e no conhecimento, que configuram o sistema político, econômico e social em que vivemos. Uma emergência que, mais que ecológica, é uma crise do estilo de pensamento, do imaginário social e do conhecimento que sustentaram a modernidade, dominando a natureza e mercantilizando o mundo. Uma crise do ser no mundo, que se manifesta em toda a sua plenitude; nos espaços internos do sujeito, nas condutas sociais autodestrutivas; e nos espaços externos, na degradação da natureza e da qualidade de vida das pessoas. É nesse sentido que consideramos que a solução dos problemas do presente não se encontra na mera gestão dos recursos naturais nem na incorporação das externalidades ambientais aos processos produtivos.

 

16. Educação Ambiental como Instrumento de Participação

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Educação Ambiental como Instrumento de

Participação

16

Mary Lobas de Castro

Bióloga, Universidade Mogi das Cruzes

Sidnei Garcia Canhedo Jr.

Biólogo, Optalert, Austrália

Historicamente, o Brasil não registra processos significativos de participação da sociedade na discussão dos problemas comuns, na tomada de deliberações de alcance geral, nem em formas mais simples de atuação política e social.

Fora do Brasil, os conceitos de participação só se tornaram viáveis e efetivos a partir do final da primeira metade do século XIX, com a afirmação dos movimentos liberais. Na verdade, os princípios básicos tirados do

Liberalismo e do Iluminismo, por exemplo, a trilogia da Revolução Francesa (1789), liberdade, igualdade e fraternidade, e a Declaração dos Direitos do Homem da Revolução Americana, propiciaram uma renovação de ideias e a maturação de teses políticas inovadoras.

Sabe-se que o ideário liberal afirmava com ênfase os direitos individuais em oposição ao controle social coletivo. Não se tratava, evidentemente, de um processo destinado a enfatizar a participação de grupos ou facções no debate e nas deliberações sobre temas de interesse geral.

 

17. Promoção da Saúde e do Meio Ambiente: uma Trajetória Técnico-Política

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Promoção da Saúde e do Meio Ambiente: uma Trajetória

Técnico-Política

17

Maria Cecília Focesi Pelicioni

Assistente social e sanitarista, Faculdade de Saúde Pública – USP

Diferentes ações para a promoção da saúde e para a prevenção de doenças têm sido desenvolvidas desde a década de 1970, em diferentes países, objetivando conseguir cada vez mais saúde para todos.

Tornou‑se muito claro que o modelo biomédico adotado durante os

últimos anos não trouxe para a saúde pública tantos avanços quanto se esperava. É evidente a incoerência entre os ganhos obtidos com o conheci‑ mento e a prática da medicina moderna, de um lado, e o aparecimento de doenças emergentes e o incremento de doenças não transmissíveis, como as cardiovasculares e as neoplasias, de outro. Junte‑se a isso o ressurgimen‑ to de outras doenças consideradas já debeladas, assim como a falta de acesso da maioria da população aos benefícios, às tecnologias e aos medicamentos de última geração que têm sido criados.

 

18. Subjetividade no Processo Educativo: Contribuições da Psicologia à Educação Ambiental

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Subjetividade no

Processo Educativo 

Contribuições da

Psicologia à Educação

Ambiental

18

Helena Maria Campos Magozo

Psicóloga, Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo

A educação ambiental abarca múltiplas dimensões em sua concepção teórica, em suas práticas e no diálogo constante entre teoria e prática.

Todavia, para ser um processo coerente, transformador e radical como se propõe, ela deve partir de um desvelamento das representações, dos sentimentos e das concepções dos próprios educadores que, consciente ou inconscientemente, estarão se explicitando durante todo o processo educativo.

A proposição deste capítulo é possibilitar uma ruptura na rotina e no cotidiano das pessoas, ressignificando práticas ou, pelo menos, tornando mais conscientes as representações, os sonhos, as concepções, as coerências e incoerências que carregam em seus projetos e práticas. Ressignificado que enfatiza a dimensão da subjetividade dos educadores e dos educandos como uma dimensão fundamental, desafiante e enriquecedora em seus programas de educação relativa às questões ambientais.

 

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