Por que o Amor é Importante

Autor(es): Sue Gerhardt
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Os momentos em que os pais brincam, dão carinho, fazem cócegas, abraçam, acalmam e seguram os bebês no colo estimulam o cérebro e constroem conexões que são a base da inteligência, das habilidades e do desenvolvimento de seres completamente humanos. Este livro explica por que o afeto é essencial para o desenvolvimento do cérebro nos primeiros anos de vida e como essas interações iniciais podem ter consequências duradouras sobre a saúde física e emocional futura. Se, no início da vida da criança, pudermos desacelerar, minimizar o estresse, valorizar a bondade, o tempo, o divertimento e a ludicidade e ver o trabalho dos pais como valioso e precioso, os benefícios serão enormes: adultos resilientes, empáticos, bem-humorados e altamente eficazes nos relacionamentos interpessoais.

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Capítulo 1. Antes que os conheçamos

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Antes que os conheçamos

Chega sem avisar no instante

Em que meto o dedo no nariz?

Virá bater-me à porta de manhã,

Ou pisar-me os pés no ônibus?

Virá como uma súbita mudança de tempo?

O seu acolhimento será rude ou delicado?

Virá alterar toda a minha vida?

Ah, diz-me a verdade acerca do amor.

W.H. Auden (1938)

AS PRIMEIRAS SEMANAS

Uma nova vida pode nos pegar de surpresa. Nem sempre segue uma história linear previsível de um garoto que conhece uma garota; seu relacionamento fica estável, compram uma casa e começam uma família.

Algumas gestações acontecem inesperadamente depois de uma noite de bebedeira com um estranho que passa ou com um parceiro de quem você nem gosta mais. Como o amor, uma gestação pode acontecer quando você menos espera – ou depois de você ter tentado ter um bebê por tanto

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tempo que um simples pensamento relacionado à gestação se torna uma decepção dolorosa constante. Embora seja mais fácil engravidar (e manter a gestação) em situação de nutrição abundante e bem-estar emocional, na prática, os cenários são tão diversos quanto as próprias pessoas.

 

Capítulo 2. Voltando ao início

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Voltando ao início

Tigres machos ou fêmeas não serão melhores ou piores, quer você suponha que eles habitem sozinhos em sua própria selva, quer suponha que habitem em centenas de pares.

Mas o homem é verdadeiramente alterado pela coexistência de outros homens; suas habilidades não podem ser desenvolvidas quando está sozinho e apenas consigo mesmo. Portanto, a raça humana não é uma metáfora ousada, mas a sublime realidade, que permite a aproximação e até a união da raça humana em um único corpo.

ST Coleridge, Letters, 1806

Em uma noite escura de inverno, fui acordada pelo telefone tocando para me informar de que o parto domiciliar que planejava filmar estava começando. Eu havia conhecido a mãe previamente, mas não muito bem. Cheguei à sua casa e fui conduzida até três lances de escadas que davam em um quarto na parte de cima da residência – arrastando meus equipamentos de som e luz comigo. Encontrei a mãe e o pai sentados na beira de uma cama de solteiro em um quarto com pouca mobília e mal iluminado, com jornal espalhado sobre o chão. Havia uma atmosfera de praticidade tranquila, com foco no corpo da mãe. A parteira se movia de um lado para outro, enquanto permaneci em um canto do quarto.

 

Capítulo 3. Construindo um cérebro

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Construindo um cérebro

A forma emerge com a interação sucessiva.

Susan Oyama

INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE O CÉREBRO

Estamos em uma bela manhã de primavera. Meu gato espreguiça-se no sol em um banco de pedra depois do café da manhã, esticando-se ao máximo com evidente prazer. Essa é uma imagem de simplesmente estar vivo, um momento em que a experiência de existir e os prazeres sensoriais do sol, do ar e da barriga cheia são o suficiente. Mas, se um cão enorme passar, o gato também defenderia o seu próprio “ser” e pularia do banco e se esconderia ou, se fosse encurralado, sibilaria e rosnaria com seus pelos todos arrepiados até assustar o cão. Do mesmo modo, se as dores de fome o alertarem para a necessidade de mais fontes de energia, ele seguramente garantiria a manutenção desse “ser” perseguindo um rato. Ele pode não ter autoconsciência ou comunicação verbal, mas tem uma variedade de sentimentos e reações básicas que levam a seu comportamento e garantem a sua sobrevivência.

 

Capítulo 4. Cortisol corrosivo

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Cortisol corrosivo

As noites eram a pior parte. Havia noites em que, ouvindo-o começar a chorar às 3h ou 4h da manhã, ela faria qualquer coisa para que ele parasse de chorar e dormisse – dar um elixir paregórico, chupeta com mel, qualquer uma dessas coisas ruins. Durante sua gestação, Priss tinha lido muito sobre os erros do passado na criação de uma criança; de acordo com a literatura, eram resultado não só da ignorância, mas do puro egoísmo: uma enfermeira ou mãe que dava um remédio para cólica a seu filho normalmente o fazia para sua própria paz de espírito, não querendo ser incomodada. Os médicos concordaram que deixar um bebê chorar não faria mal à criança; quem sofreria os danos eram os adultos por ouvi-los chorar. Priss supôs que isso fosse verdade. As enfermeiras anotavam quantas horas Stephen chorava a cada dia, mas nem Sloan nem o Dr. Turner se importavam quando olhavam o prontuário; tudo o que importava para eles era a curva de peso.

Mary McCarthy, The Group, 1963

 

Concluisão da Parte I

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Conclusão da Parte I

Esta parte do livro determinou a base científica para a compreensão da primeira infância como um momento crucial para o desenvolvimento emocional. Nenhum dos sistemas básicos que controlam as emoções

– o nosso sistema de resposta ao estresse, a capacidade de resposta de nossos neurotransmissores, as vias neurais que codificam nosso entendimento implícito de como os relacionamentos íntimos atuam – está ativo no momento do nascimento. Nem o córtex pré-frontal do cérebro está desenvolvido. Contudo, todos esses sistemas irão se desenvolver rapidamente nos primeiros dois anos de vida, formando a base de nosso manejo emocional para a vida. Embora as experiências posteriores elaborem nossas respostas e aumentem o repertório, o caminho que

é trilhado no início da vida tende a levar cada um de nós em uma determinada direção, que segue a sua própria dinâmica. Quanto mais tempo permanecemos em um caminho específico, mais difícil se torna escolher outro e mais difícil se torna refazer nossos passos.

 

Capítulo 5. Tentando não sentir. As ligações entre a regulação emocional inicial e o sistema imunológico

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Tentando não sentir

As ligações entre a regulação emocional inicial e o sistema imunológico

As reações de evitação tendem a se disseminar... Podem chegar a um ponto em que o indivíduo não só “endureceu” diante do apelo e do sofrimento dos outros, mas na verdade teme que apelem para a sua simpatia e pode, por exemplo, ocultar uma doença por medo de fazerem “escândalo” ou “cena”.

Ian Suttie, The Origins of Love and Hate, 1935

ESCONDER SENTIMENTOS

Em culturas ocidentais, a postura de afastar-se e não querer incomodar é mais comum. Os ingleses são famosos por não demonstrarem suas emoções em público. Os norte-americanos também se dedicam à “independência” o mais precocemente possível, ainda que por formas mais extrovertidas e amigáveis ​​de autossuficiência. Esse estilo de não querer incomodar ou “evitação” é bem-sucedido em esconder as necessidades do bebê dos pais que parecem não querer lidar com elas. Se esses bebês pudessem falar, estariam dizendo: “Não se preocupem, não vou incomodá-los”. Eles sentem que a sua dependência e carência não é bem-vinda, então aprendem a esconder seus sentimentos. Na verdade, eles podem crescer acreditando implicitamente que de fato não devem ter sentimentos ou talvez devam ter apenas os sentimentos “bons” que tenham recebido alguma resposta positiva. Estando carentes do tipo de maternidade contingentemente res-

 

Capítulo 6. Bebê melancólico. Como a experiência inicial pode alterar a química do cérebro levando à depressão em adultos

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Bebê melancólico

Como a experiência inicial pode alterar a química do cérebro, levando à depressão em adultos

E, afinal, você conseguiu o que queria dessa vida?

Consegui.

E o que você queria?

Considerar-me amado, me sentir amado nesta terra.

Raymond Carver, “Late Fragment”

Um dos problemas de saúde mental mais conhecido por todos é a depressão. Do “cão negro”, de Churchill, à “escuridão”, de William Styron, acreditamos que sabemos o que isso significa, mesmo que não tenhamos experimentado os sintomas plenos de uma depressão maior. Um cenário típico de depressão me foi descrito por minha paciente Carys. Ela achava que a dor era pior no início da manhã. Quando acordava, ela tomava consciência de uma sensação de mal-estar no estômago. Seus músculos começavam a ficar tensos. Ela não queria se levantar e enfrentar mais um dia. Qual o motivo? Nada parecia bem, ninguém importava. Havia uma sensação nítida em seu corpo, algo semelhante a dor, sem uma localização específica. Também havia uma sensação de vazio, como a fome, embora ela não tivesse apetite para tomar o café da manhã ou qualquer outra coisa. Ela só queria enrolar-se nos lençóis e fazer o mundo sumir, especialmente as imagens de fracasso e humilhação que passavam sem parar por sua cabeça. O rosto do seu chefe quando ela teve de contar

 

Capítulo 7. Dano ativo. As ligações entre o trauma na primeira infância e o trauma na vida adulta

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Dano ativo

As ligações entre o trauma na primeira infância e o trauma na vida adulta

Um avião cai em campo aberto. Sobreviventes andam tropeçando sob uma névoa de fumaça em uma lavoura de milho que os cobria em altura, dando passos altos. Cada passo triturante e cada respiração ofegante os levava de volta para mais perto do caos de fogo, corpos e pânico em torno do avião. Essa é a cena de abertura do filme Fearless; o herói do filme, representado com perfeição por Jeff Bridges, tem uma expressão vidrada quando ele passa por uma mulher gritando à procura de seu bebê e por uma criança à procura de seus pais. Ele olha com serenidade a cena de devastação, aparentemente alheio ao crepitar das chamas, ao barulho das sirenes e aos gritos humanos. Em seguida, ele silenciosamente se apropria de um táxi e vai embora da cena.

A abertura desse filme leva o espectador ao estado de espírito de uma pessoa traumatizada, seguindo-a ao longo dos meses após o trauma quando ele chega a um acordo com a experiência de ainda estar vivo

 

Capítulo 8. Tormento. As ligações entre os transtornos da personalidade e as experiências iniciais

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Tormento

As ligações entre os transtornos da personalidade e as experiências iniciais

Eu me via como um monte de lixo, uma anomalia, uma desgraça e, o que era pior, acreditava que tinha me permitido ser invadida pelo erro por causa de uma natureza maligna.

Marie Cardinal, 1984

Ser o objeto da atenção negativa dos outros ou ser desconsiderado é como um ácido que corrói a autoestima. Como vimos, pode levar à depressão ou pode criar uma vulnerabilidade à depressão se experimentados no início da vida, quando a personalidade está se formando.

Mas existe uma forma mais obscura de depressão, que está ligada a experiências iniciais mais extremas, particularmente na infância. Esse tipo de depressão é conhecido no meio psiquiátrico como “transtorno da personalidade borderline”. Originalmente descreve alguém que está no limite (borderline) da psicose, propenso a perder a noção da realidade e suscetível a levar o seu mundo interior à realidade. Por exemplo, alguém que tem medo da motivação de outra pessoa em relação a ele pode acreditar que a pessoa está realmente tentando envenená-lo.

 

Capítulo 9. Pecado original. Como os bebês que são tratados com rispidez podem não desenvolver empatia pelos outros

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Pecado original

Como os bebês que são tratados com rispidez podem não desenvolver empatia pelos outros

As crianças violentas do futuro são os bebês de agora.

Se no meio da noite você se deparar com um assaltante adolescente na rua, a última coisa sobre a qual você pensará será na infância dele. No entanto, o medo e a raiva provocados em você são, provavelmente, os mesmos sentimentos que estiveram com ele desde a primeira infância, que foram instrumentais na transformação desse bebê especial em um bandido antissocial. Suas ações acabam por infectar suas vítimas com seu próprio medo e raiva.

Como vítimas ou potenciais vítimas, nós o retaliamos com pensamentos de punição e prisão. A linguagem que usamos transmite a nossa rejeição e repulsa. De modo acusador, referimo-nos a ele como arruaceiro, valentão, vândalo, ladrão, agressor, criminoso, bandido, assassino.

São palavras que evocam imagens terríveis de um jovem desbocado que cospe, carrega facas, ameaça outros e ameaça nossa segurança. Nossa atitude parece ser: ele claramente não se preocupa com as outras pessoas – então por que devemos nos preocupar com ele? É muito difícil até mesmo nos darmos ao trabalho de imaginar que essa ameaça já foi um bebê. Quanto mais grave sua violência, mais longe da preocupação humana ele fica. O jovem que atira em um estranho na rua para roubar seu celular ou o adolescente que bate em uma mulher idosa para tomar suas parcas economias estão além da nossa compreensão. Como eles podem perder de vista a humanidade de outra pessoa a tal ponto? Uma

 

Capítulo 10. "Se tudo falhar, abrace seu ursinho de pelúcia" Reparando os danos

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“Se tudo falhar, abrace seu ursinho de pelúcia”

Reparando os danos

Às vezes, quando apresento as informações reunidas neste livro em alguma palestra, eu me deparo com uma reação desesperada: “Há alguma coisa que pode ser feita uma vez que tudo isso ocorreu ou é tarde demais?”. As informações podem pesar sobre as pessoas e também induzir a sentimentos de culpa conforme os pais da plateia repassam na memória o relacionamento com seus filhos.

Ao trazer à cena a importância da infância, é fácil perder de vista as sutilezas do desenvolvimento humano ao longo da vida. A fase de bebê

é um momento intenso e concentrado de desenvolvimento que pode ter um impacto desproporcional sobre nossas vidas, mas não é a história toda, de modo algum. Vias importantes continuam sendo estabelecidas ao longo da infância, especialmente até os 7 anos. Em seguida, no início da adolescência, há outro momento intenso de reorganização cerebral, até que o cérebro esteja em plena capacidade de atividade aos 15 anos.

 

Capítulo 11. Nascimento do futuro

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Nascimento do futuro

Nos primeiros seis meses de vida da Albertine, eu cuidava dela em casa, enquanto meu marido continuava trabalhando fora. Essa poderosa experiência me revelou algo para o qual nunca havia dado muita atenção: o fato de que, depois do nascimento de uma criança, as vidas de sua mãe e seu pai divergem, de modo que, no lugar de viver em um estado de certa igualdade como antes, agora existe entre eles uma relação do tipo feudal.

Um dia em casa cuidando de uma criança não poderia ser mais diferente do que um dia trabalhando em um escritório. Quaisquer que sejam seus relativos méritos, eles são dias passados em lados opostos do mundo.

Rachel Cusk 2001: 5

Este livro pode parecer sugerir que uma grande responsabilidade depende da capacidade das mulheres de cumprir o seu papel de mães.

Embora se referindo a “pais”, o livro transmitiu a expectativa de que a tarefa de cuidar dos bebês será quase que inevitavelmente cumprida por mulheres, não por homens. No entanto, na verdade, a capacidade de regular emocionalmente os outros e ser regulado por eles não é específico de um gênero. Todos nós fazemos isso. É perfeitamente possível que o cuidado e a regulação dos bebês pequenos também sejam feitos por qualquer adulto que esteja em sintonia e disponível e empenhado em proporcionar a continuidade dos cuidados para a criança. Cada vez mais, os pais estão participando desse cuidado. Em alguns casos, estão

 

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