Princípios e Práticas do Uso da Neuromodulação Não Invasiva em Psiquiatria

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Nos últimos anos, o uso da neuromodulação não invasiva em psiquiatria apresentou um aumento exponencial, passando esta técnica de tratamento alternativo ou complementar a modalidade de destaque na área. Este livro reflete os avanços na área e a aplicação da técnica no Brasil.

24 capítulos

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Capítulo 1. Introdução e histórico da neuromodulação não invasiva

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1

INTRODUÇÃO E HISTÓRICO DA

NEUROMODULAÇÃO NÃO INVASIVA

PEDRO SCHESTATSKY

A neuromodulação não invasiva (em inglês Non-invasive brain stimulation, ou

NIBS) teve duas grandes fases conforme a sua modalidade:

Estimulação elétrica:

1750-1950 – Uso leigo + terapêutico-empírico

1950-1998 – Pausa histórica: advento da electroconvulso e de farmacoterapia

1998 em diante – Abordagem contemporânea

Estimulação magnética:

1985 – Uso diagnóstico/pesquisa

1990 – Uso terapêutico

 CONTEXTO HISTÓRICO

A partir do final do século XVIII, a eletricidade tornou-se a atividade científica mais popular da fase do Iluminismo, incluindo Estados Unidos e Europa, com ex­ perimentos e demonstrações realizados em uma variedade de espaços, tais como teatros, universidades e no âmbito doméstico-privado. Experimentos domésticos foram encorajados pela adaptação dos utensílios de casa embalados pela Revolução Industrial (substituição do trabalho artesanal pelo assalariado, com o uso das máquinas), enquanto experimentos elétricos eram promovidos como forma natural de filosofia apropriada para a educação feminina e o entrete­nimento em geral.1 Os experimentos e as demonstrações eram relativamente simples e podiam ser feitos em casa com objetos do dia a dia, como jarras de vidro, algodão e barras de metal. Naquela época, as sensações corporais e sensitivas eram centrais nas demonstrações elétricas, e um dos mais populares experimentos era eletrificar indivíduos ou grupos de pessoas (Fig. 1.1). É provável que estas

últimas experiências tenham inspirado o uso da eletricidade com fins terapêuticos,1-3 conforme a Figura 1.2. No entanto, os efeitos da estimulação elétrica

 

Capítulo 2. Mecanismos de ação da estimulação magnética transcraniana

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2

MECANISMOS DE AÇÃO DA

ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA

TRANSCRANIANA

MOACYR ALEXANDRO ROSA, MARINA ODEBRECHT ROSA

A estimulação magnética transcraniana (EMT) é uma técnica utilizada para mo­ du­lar o tecido neuronal. Ela pode estimular estruturas centrais, como o córtex, o cerebelo e a medula, bem como estruturas periféricas, como nervos cranianos e nervo frênico. Este capítulo dará ênfase aos mecanismos de ação da EMT em estruturas centrais, especialmente o córtex.

O funcionamento da EMT se baseia no princípio da indução eletromagnética.1

Uma corrente elétrica intensa passa através de uma bobina, criando um campo mag­nético. Esse campo, em contato com materiais condutores (no caso o tecido ce­rebral), induz um campo elétrico. O aparelho estimulador magnético guarda uma grande quantidade de eletricidade nos seus capacitores (Fig. 2.1). Quando o botão de disparo é acionado, um pulso de corrente, com duração na ordem de microssegundos, passa através de um cabo que está conectado à bobina. Esta é composta de fios enrolados (geralmente de cobre) e coberta por material isolante elé­trico.2 Quando a bobina é colocada próxima ao tecido cerebral, ela induz um campo elétrico com diferentes características e efeitos de acordo com uma série de variáveis, descritas em detalhes a seguir. Pode-se dizer, então, que a EMT consiste em uma estimulação elétrica sem eletrodos.3

 

Capítulo 3. Estimulação magnética transcraniana e neuronavegação

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3

ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA

TRANSCRANIANA E

NEURONAVEGAÇÃO

VICTOR ROSSETTO BARBOZA, RICARDO GALHARDONI, DANIEL CIAMPI DE ANDRADE

A estimulação magnética transcraniana (EMT) tem demonstrado seu benefício em diversos alvos, como no córtex motor, na área motora suplementar, no córtex pré-frontal dorsolateral (CPFDL), no córtex temporoparietal, no giro temporal su­perior1 e no núcleo denteado.2 Tão importante quanto a escolha do alvo é a loca­ li­zação correta deste para sua estimulação da maneira mais eficiente possível.

Os alvos a serem estimulados podem ser localizados por mais de uma via, podendo ser utilizados pontos craniométricos,3 que baseiam a correspondência de pontos do córtex cerebral a partir de pontos anatômicos ósseos, ou também o sistema 10-20, desenvolvido para padronizar eletrencefalogramas (Fig. 3.1).4

A craniometria foi desenvolvida para auxiliar os neurocirurgiões no acesso ci­r úrgico ao encéfalo. Por meio das proeminências da abóboda craniana, os pontos de interesse correspondentes podem ser encontrados. Em 1900, Taylor e Haughton5 definiram uma técnica para localizar a fissura sylviana e o sulco cen­tral a partir da glabela e do ínion (proeminência occipital externa). A t­ écnica consiste em traçar uma linha a partir da glabela até o ínion, sobre o plano sagital. Essa linha é dividida em quatro partes. A segunda linha é traçada do

 

Capítulo 4. Segurança no uso da estimulação magnética transcraniana

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4

SEGURANÇA NO USO DA

ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA

TRANSCRANIANA

WOLNEI CAUMO, LUCIANA C. ANTUNES, TIAGO MADEIRA CARDINAL

Neste capítulo abordaremos questões relacionadas à segurança da estimulação mag­nética transcraniana repetitiva (EMTr). A EMTr foi introduzida há mais de 20 anos, como método de estimular o cérebro por meio do escalpo, de modo indolor e com os sujeitos conscientes. Seus efeitos se devem à indução de um campo elétrico pelas ondas eletromagnéticas, o qual produz modificações na ati­vidade elétrica neuronal.1 Existem dois tipos EMTr, variando de acordo com a frequência de estimulação: de baixa frequência (≤ 1 Hz), que leva à diminuição da excitabilidade neuronal e resulta em inibição da atividade cortical, e de alta fre­q uência (> 1 Hz, podendo chegar a 60 Hz), que assumiria um efeito oposto, levando ao aumento da excitabilidade neuronal e à consequente estimulação da atividade cortical.2

Na EMTr, a carga elétrica armazenada em um capacitor é liberada por uma bo­bina que produz corrente em pulso, que gera campo magnético nas áreas pró­ xi­mas à bobina. De acordo com a lei de Faraday de indução eletromagnética, o tem­po do campo magnético induz campo elétrico de magnitude proporcional, que, no caso da EMTr, é determinado pela taxa de mudança de corrente na bo­ bi­na. Se a bobina estiver sobre a cabeça, gera campo magnético que penetra no escalpo e induz um campo elétrico cerebral. O fluxo de íons nesse campo elé­ tri­co nos dois lados da membrana despolariza ou hiperpolariza os neurônios.

 

Capítulo 5. Aspectos regulatórios da neuromodulação não invasiva

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ASPECTOS REGULATÓRIOS

DA NEUROMODULAÇÃO

NÃO INVASIVA

MERCÊDES JUREMA OLIVEIRA ALVES, MAURO FERNANDO MUMIC FERREIRA,

ANTÔNIO GERALDO DA SILVA

A neuromodulação, em suas diversas técnicas invasivas e não invasivas, constitui-se em área nova e promissora como terapêutica biológica adicional aos recursos até então disponíveis em psiquiatria. Ela vem sendo apreciada, es­ tu­dada, analisada, aprovada e tipificada pelas instâncias reguladoras, sejam agências, conselhos profissionais, órgãos governamentais ou autárquicos, com suas diretrizes, normas, regras e códigos sempre baseados no princípio da legalidade e da ética.

Este capítulo aborda os aspectos regulatórios dessa modalidade terapêutica, que teve grande crescimento nas três últimas décadas, revendo os preceitos que se referem à pesquisa, à clínica e à propaganda médica.

 ÉTICA

Segundo Aurélio Buarque de Holanda,1 ética é

[...] o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativa­ mente a uma sociedade, seja de modo absoluto.

 

Capítulo 6. Excitabilidade cortical como ferramenta neurofisiológica da estimulação magnética transcraniana

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EXCITABILIDADE CORTICAL COMO

FERRAMENTA NEUROFISIOLÓGICA

DA ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA

TRANSCRANIANA

PEDRO C. GORDON, RICARDO GALHARDONI

Em 1985, Barker e colaboradores1 demonstraram ser possível a estimulação do córtex cerebral por meio de indução eletromagnética. A estimulação magnética trans­craniana (EMT) é possível devido às propriedades do eletromagnetismo, cujas leis, unificadas pelo cientista James Clerk Maxwell, descrevem que a pas­ sa­gem de uma corrente elétrica por um meio (no caso da EMT, seria o circui­to da bobina) induz a formação de um campo magnético de vetor ortogonal à direção da corrente elétrica e que a variação no tempo da intensidade de um campo mag­ nético induz a formação de um campo elétrico de vetor ortogonal ao do campo mag­nético. Dessa forma, a passagem de pulsos elétricos de curta duração e alta intensidade por uma bobina posicionada sobre a superfície craniana é capaz de gerar um campo elétrico no córtex cerebral, com intensidade suficiente para des­polarizar os neurônios do córtex. Assim, a bobina de EMT pode gerar pulsos que, aplicados sobre o córtex motor primário, eliciam respostas motoras. De forma análoga, quando aplicados sobre o córtex visual, levam ao aparecimento de fosfenas no campo visual.1

 

Capítulo 7. Estimulação transcraniana por corrente contínua

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7

ESTIMULAÇÃO TRANSCRANIANA

POR CORRENTE CONTÍNUA

KÁTIA MONTE-SILVA, ABRAHÃO FONTES BAPTISTA, ADRIANA BALTAR

Entre 1998 e 2000, uma simples técnica de estimulação cerebral que por décadas fi­cou esquecida ressurgiu, causando grande repercussão na comunidade científi­ ca. Renomeada de “estimulação transcraniana por corrente contínua” (ETCC; do inglês transcranial direct current stimulation), a aplicação de correntes elétricas de baixa intensidade sobre o escalpo intacto de indivíduos conscientes voltava a ser tema de inúmeras pesquisas ao redor do mundo.

A ETCC é uma técnica de estimulação cerebral não invasiva que, por meio de uma corrente contínua de baixa intensidade, aplicada sobre o escalpo intacto, é capaz de modular a excitabilidade cortical e influenciar funções cerebrais, in­ cluin­do as cognitivas. Devido a essa capacidade de interferir em funções como per­cepção, atenção, memória, linguagem e funções executivas, a ETCC vem sendo am­plamente estudada como possível recurso terapêutico para a psiquiatria.

 

Capítulo 8. Outras formas de estimulação elétrica transcraniana

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8

OUTRAS FORMAS DE ESTIMULAÇÃO

ELÉTRICA TRANSCRANIANA

MARCEL SIMIS, BRENO MARCHIORI

O termo estimulação elétrica transcraniana (EET) pode ser usado para todas as formas de estimulação elétrica não invasivas que utilizam pelo menos um dos ele­trodos sobre a cabeça, visando estimular o encéfalo. Os primeiros relatos do uso de EET datam de 1870, quando os psiquiatras alemães Rudolph Gottfried

Arndt e Wilhelm Tigges utilizaram um dispositivo semelhante à estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) para o tratamento de sintomas psi­cóticos e depressivos.

Desde o início do século XX, muitas outras formas de EET foram desenvolvi­ das, como a Electrosleep e a Electroanesthesia, com o objetivo de induzir sono e anal­gesia, respectivamente, sendo aplicadas com diferentes tipos de correntes elé­tricas e parâmetros. Outra forma de EET, desenvolvida nos anos de 1930, é a eletroconvulsoterapia (ECT). A ECT diferencia-se das demais formas de EET por ser aplicada com corrente elétrica de maior intensidade, suficiente para induzir crise convulsiva.

 

Capítulo 9. Efeitos adversos e segurança da estimulação transcraniana por corrente contínua

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9

EFEITOS ADVERSOS E

SEGURANÇA DA ESTIMULAÇÃO

TRANSCRANIANA POR

CORRENTE CONTÍNUA

ERIC CRETAZ

Nas últimas duas décadas, formas não invasivas de neuromodulação, tais como a estimulação elétrica transcraniana (EET) e a estimulação magnética transcra­ nia­na (EMT), ganharam destaque e têm sido utilizadas, principalmente, de forma ex­perimental, embora também na prática clínica, no tratamento de condições neu­ropsiquiátricas e na reabilitação. Destas, a estimulação transcraniana por cor­rente contínua (ETCC) é uma das técnicas mais estudadas; ela modula a ex­ citabilidade cortical por meio de campos elétricos. A ETCC é particularmente in­teressante para o tratamento de condições neuropsiquiátricas, por tratar-se de uma técnica de baixo custo e fácil utilização.1 Tais condições incluem depres­ são maior, dor crônica, doença de Parkinson, tinnitus, epilepsia, reabilitação pós-AVC, entre outras. De forma geral, a ETCC tem demonstrado resultados pro­missores, ainda que, por vezes, inconsistentes.1

 

Capítulo 10. Depressão e transtornos do humor: estimulação transcraniana por corrente contínua

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DEPRESSÃO E TRANSTORNOS

DO HUMOR: ESTIMULAÇÃO

TRANSCRANIANA POR

CORRENTE CONTÍNUA

ANDRE RUSSOWSKY BRUNONI

O transtorno depressivo maior (TDM) é uma condição incapacitante que acome­ te cerca de 15% da população e leva a importante comprometimento pessoal, social e econômico. Os pacientes com esse transtorno apresentam uma “dupla car­ga” em termos de morbidade, pois, além de pior qualidade de vida, também têm maior prevalência de comorbidades clínicas.1

Os principais sintomas do TDM incluem humor deprimido, anedonia (ou seja, prazer diminuído em atividades que antes eram prazerosas), prejuízo no sono, retardo psicomotor, alterações de peso, pensamentos negativos que variam de pessimismo a culpa e ideação suicida. Além disso, embora apenas em seu espectro mais grave a depressão esteja associada a suicídio, sua cronicidade e seus sintomas fazem dela uma das condições mais incapacitantes em todo o mundo, havendo uma projeção de que, em 2020, será a segunda doença mais in­capacitante.1

 

Capítulo 11. Estimulação magnética transcraniana profunda na depressão maior unipolar e bipolar*

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ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA

TRANSCRANIANA PROFUNDA

NA DEPRESSÃO MAIOR

UNIPOLAR E BIPOLAR *

MARCELO T. BERLIM, RUBEN MARTINS

 DEPRESSÃO MAIOR UNIPOLAR E BIPOLAR

O transtorno depressivo maior (TDM) unipolar é caracterizado por uma combina­

ção de sinais/sintomas clínicos que incluem, por exemplo, humor deprimido e diminuição significativa do interesse ou do prazer na maior parte do tempo por um período superior a duas semanas.5 Em geral, até 60% dos pacientes depri­ midos unipolares sofrem desse transtorno por mais de 12 semanas, e 20%, por mais de um ano.6 Além disso, o TDM é uma condição prevalente que atinge até

15% da população adulta e é recorrente em cerca de 80% dos casos.7 Consequen­ te­mente, episódios depressivos são, em geral, associados com significativo declínio funcional e com deterioração psicossocial.7 O TDM também costuma ser acompanhado de outras comorbidades psiquiátricas (como, por exemplo, transtornos de ansiedade e da personalidade) e pode interferir negativamente no prognóstico de outras condições médicas (incluindo, por exemplo, diabetes e doença cardiovascular), além de aumentar o risco de mortalidade (em parte relacionado ao comportamento suicida).8

 

Capítulo 12. Depressão e transtornos do humor: estimulação magnética transcraniana

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12

DEPRESSÃO E TRANSTORNOS

DO HUMOR: ESTIMULAÇÃO

MAGNÉTICA TRANSCRANIANA

BERNARDO DE SAMPAIO, ANDRE RUSSOWSKY BRUNONI

 VISÃO GERAL

Apesar de o uso da eletricidade como ferramenta terapêutica na medicina ser antigo, com relatos de 43-48 d.C., seu avanço ocorreu na psiquiatria no século

XX, com o desenvolvimento da eletroconvulsoterapia (ECT), por Ugo Cerletti e

Lucino Bini. A ECT surgiu como uma forma mais segura de induzir convulsão em pacientes com transtornos psiquiátricos graves em comparação às alterna­ tivas vigentes na época, como injeção intramuscular de óleo de cânfora ou choque insulínico.1 Quase 50 anos mais tarde, o desenvolvimento da estimulação magnética transcraniana (EMT), em 1985, por Barker, trouxe a importância da neu­romodulação como modalidade terapêutica.

Por mais de 60 anos, a ECT foi o único tratamento biológico amplamente uti­ lizado nos transtornos psiquiátricos.2 Entretanto, a ampliação do entendimen­to sobre o funcionamento do sistema nervoso central (SNC) permitiu que fossem desenvolvidos diversos tipos de aparelhos biomédicos com diferentes propostas terapêuticas, como a EMT. Nesse sentido, a aprovação do uso clínico da estimula­

 

Capítulo 13. Esquizofrenia: Alucinações auditivas

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13

ESQUIZOFRENIA:

ALUCINAÇÕES AUDITIVAS

RENATA DE MELO FELIPE, ROBERTO GANDOLFI LIEBERKNECHT, YGOR ARZENO FERRÃO

Alucinações (falsas percepções) formam um dos alicerces psicopatológicos do diag­nóstico da esquizofrenia, em conjunto com delírios (falsas crenças). Elas acometem cerca de 70% dos pacientes com esse diagnóstico,1 embora o fenômeno alucinatório possa estar presente em outros transtornos psiquiátricos, como episódios depressivos psicóticos ou episódios maníacos do transtorno afetivo bi­polar, e até mesmo no luto. Do ponto de vista psicopatológico, as alucinações pre­sentes na esquizofrenia têm particularidades qualitativas que auxiliam no diagnóstico diferencial, sendo a realização do diagnóstico preciso quesito fundamental para a elaboração do tratamento adequado.

Alucinações são alterações qualitativas da sensopercepção e são fenômenos extremamente importantes em psicopatologia. Diferenciar alucinações de ­ilusões

(percepção deformada, alterada, de um objeto ou estímulo real e presente, sendo a mais frequente a visual), de alucinoses (fenômenos em que o paciente percebe uma alucinação como estranha a sua pessoa, ou seja, com crítica clara do aspecto patológico do fenômeno em pauta) e de pseudoalucinações (fenômeno semelhante

 

Capítulo 14. Neuromodulção em sintomas negativos da esquizofrenia

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14

NEUROMODULAÇÃO EM

SINTOMAS NEGATIVOS

DA ESQUIZOFRENIA

LEANDRO DA COSTA LANE VALIENGO, STEPHANIE KOEBE SILVEIRA,

JULIANA BARBOSA DE CARVALHO

A esquizofrenia é um transtorno mental grave que causa grande impacto t­ anto na vida dos pacientes como na sociedade, apresentando prevalência de 1% na população em geral.1 Mais de metade dos indivíduos com essa doença tem problemas psiquiátricos em longo prazo; o desemprego atinge 80 a 90% dessa população; e a expectativa de vida é reduzida em 10 a 20 anos naqueles que sofrem do transtorno.1 Pacientes com esquizofrenia têm baixa funcionalidade para realizar atividades da vida diária, menor qualidade de vida e maior inci­ dência de comorbidades, como sintomas depressivos, transtornos relacionados a substâncias, comportamento suicida e risco cardiovascular.2 O transtorno é ca­racterizado por apresentação variável de: a) sintomas positivos, b) sintomas negativos e c) disfunção cognitiva.3 Os sintomas positivos são aqueles que consis­ tem no aparecimento de manifestações nos pacientes, sendo constituídos por delírios, alucinações e desorganização do pensamento. Já os sintomas negativos, chamados de “deficitários” pelo fato de os pacientes perderem funções, incluem: afeto embotado, apatia, isolamento social, passividade, falta de vontade e de iniciativa. Os sintomas negativos são independentes das alucinações, delírios e comportamento desorganizado; além disso, são um importante preditor de qualidade de vida e funcionamento social e ocupacional.4

 

Capítulo 15. Transtorno obsessivo - compulsivo: tratamento com neuromodulação

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15

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO: TRATAMENTO

COM NEUROMODULAÇÃO

SANDRA CARVALHO, JORGE LEITE

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um dos transtornos psiquiátricos mais incapacitantes, interferindo significativamente na vida do paciente, tanto na esfera pessoal como nas esferas profissional, acadêmica, econômica e social.

Estima-se que o TOC tenha uma prevalência a 12 meses de 1,2% nos Estados

Uni­dos,1 sendo que a maioria dos estudos de todo o mundo converge no sentido de apontar prevalências semelhantes (de 1,1 a 1,8%).2 Estima-se, ainda, uma pre­ valência transcultural ao longo da vida de cerca de 2,5%.3,4 Apesar de o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina ter aumentado significativamen­ te a eficácia do tratamento desse transtorno, uma porcentagem considerável desses pacientes (de 40 a 60%) não responde às terapias convencionais, e os que respondem podem ver adiadas as melhorias entre 4 e 8 semanas.5 Essa baixa porcentagem de resposta aos tratamentos de primeira linha tem levado ao desenvolvimento de novas estratégias farmacológicas e não farmacológicas, tais como a terapia cognitivo-comportamental, o uso de clomipramina, de antipsicóticos atí­picos em dosagens baixas, de estimulação cerebral profunda, de neurocirurgia fun­cional e de técnicas de estimulação cerebral não invasiva (ECNI).

 

Capítulo 16. Transtornos de ansiedade e transtornos relacionados a trauma e a estressores

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16

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE E

TRANSTORNOS RELACIONADOS A

TRAUMA E A ESTRESSORES

LETICIA BALTIERI D’ANGELO, ROSA MARIA RIOS SILVA

 TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

A ansiedade tem a função biológica de adaptar os indivíduos ao estresse. Contudo, po­de tomar proporções indesejáveis, a ponto de trazer prejuízos à funcionalidade do ser humano, tornando-se patológica.1-3

Os transtornos de ansiedade compreendem uma série de condições nas quais existe ansiedade e/ou medos excessivos e desproporcionais às situações. Entre eles estão o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), o transtorno de pânico, a agorafobia e o transtorno de ansiedade social.4,5

A prevalência dos transtornos de ansiedade pode chegar a 29% ao longo da vi­da,6 porém apenas metade dos indivíduos diagnosticados é tratada, e um terço deles recebe tratamento medicamentoso.7

Entre as opções de tratamento mais indicadas para esses transtornos estão os psicofármacos, principalmente os antidepressivos e os benzodiazepínicos, e a psicoterapia, sobretudo a terapia cognitivo-comportamental (TCC).8 Contudo, cerca de 25% dos pacientes não são responsivos às opções terapêuticas.9 Aos in­d ivíduos que tiveram resposta satisfatória, há a necessidade de se manter os fár­macos por um período após a remissão dos sintomas, a fim de se evitar recidivas. Todavia, em muitos casos, a exposição prolongada a esses medicamentos

 

Capítulo 17. Crianças e adolescentes

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17

CRIANÇAS E ADOLESCENTES

PAULO BELMONTE-DE-ABREU, ALEXEI GIL

Apesar de já contarem com farta documentação de eficácia e segurança no tra­ tamento de diferentes transtornos mentais de adultos e de idosos, as novas téc­ nicas de neuromodulação têm sido pouco utilizadas em crianças e adolescen­tes, não só como uma forma de investigação dos processos fisiopatológicos envolvidos na doença mental e dos efeitos da neuromodulação sobre eles, mas também como alternativa terapêutica aos tratamentos atuais. Além disso, essas novas técnicas permanecem tendo baixo índice de publicações. Por esse motivo, seu uso ainda segue restrito, ocorrendo, principalmente, em clínicas privadas e em forma experimental. Dessa maneira, requer maiores cuidados, concordância dos pais e responsáveis, bem como assinatura de Termo de Consentimento Livre e

Es­clarecido. Apesar já estar sendo utilizada no tratamento de transtorno mentais em crianças e adolescentes, a neuromodulação nessa população segue suscitando uma série de dúvidas e inseguranças com relação a sua eficácia e segurança, sobretudo em decorrência da falta de conhecimento robusto a respeito do efeito da estimulação cerebral em pessoas cujo cérebro ainda está em desenvolvimento.

 

Capítulo 18. Neuromodulação em psicogeriatria

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18

NEUROMODULAÇÃO

EM PSICOGERIATRIA

EFREM AUGUSTO RIBEIRO MARTINS, BRENO S. DINIZ

Os tratamentos farmacológicos em idosos muitas vezes têm resultados limitados e são acompanhados de efeitos colaterais. Idosos são propensos a apresentar vá­ rias outras comorbidades clínicas e a fazer uso de polifarmácia. Muitos idosos também são frágeis. Assim, faz-se necessário o uso de estratégicas terapêuticas não farmacológicas.

Neste capítulo, serão abordadas as evidências para o uso de técnicas de neu­ ro­modulação no tratamento da depressão no idoso, da doença de Alzheimer e da demência vascular.

 DEPRESSÃO NO IDOSO

A depressão geriátrica é um grupo heterogêneo e complexo com múltiplas etio­ lo­g ias e apresentações clínicas. Ela pode ser crônica ou recorrente ou pode apresentar-se pela primeira vez na terceira idade. Inclui depressão melancólica, de­pressão psicótica, depressão agitada, depressão bipolar, depressão vascular, dis­timia, depressão de início tardio (quando o primeiro episódio de depressão ocorre após 60-65 anos), depressão pós-AVC e depressão relacionada às doenças clínicas (condições neurológicas e neurodegenerativas). Pode também se apresen­ tar como um pródromo ou um sintoma de declínio cognitivo ou demência.

 

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