A Cidade em Harmonia: O Que a Ciência Moderna, Civilizações Antigas e a Natureza Humana nos Ensinam Sobre o Futuro da Vida Urbana

Autor(es): Jonathan F. P. Rose
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Este livro traz uma reflexão sobre o desenvolvimento histórico das cidades e discorre sobre como promover as qualidades que geram harmonia entre o espaço construído, as pessoas e a natureza. Jonathan F. P. Rose, um visionário no desenvolvimento e renovação urbanos, defende que as cidades possuem sistemas capazes de equilibrar prosperidade e bem-estar com eficiência e igualdade. Coerência, circularidade, resiliência, comunidade e compaixão são as cinco qualidades que, quando equilibradas entre si, criam comunidades mais felizes.

13 capítulos

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Introdução: A resposta é urbana

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INTRODUÇÃO

A resposta é urbana

1

Nasci em 1952, quando a população mundial era de 2,6 bilhões. Desde então, esse número praticamente triplicou. Em 1952, apenas 30% da população mundial moravam em cidades, mas agora esse percentual ultrapassou

2 os 50%, e até o final do século XXI chegará a 85%. A qualidade e a personalidade das nossas cidades acabarão determinando o temperamento da civilização humana.

Em 1952, as condições em muitas cidades europeias não diferiam muito daquelas no mundo em desenvolvimento atual. Numa das cidades mais austrais da Europa, Palermo, a capital da Sicília, a reconstrução após uma guerra devastadora se estagnou devido à corrupção; carecendo de moradias economicamente acessíveis, famílias acampavam em cavernas enquanto a

Máfia construía uma selva de pedra de dispersão suburbana, patrolando parques e fazendas, subornando e ameaçando autoridades locais com tamanho desprezo por códigos de construção e planos diretores que o resultado ficou conhecido como o Saque de Palermo.

 

Capítulo 1. A maré metropolitana

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CAPÍTULO

1

A maré metropolitana

Foram três as grandes ondas na história humana. Estamos atualmente em meio à terceira. A primeira onda, de caçadores-coletores que dependiam de forrageamento, caçadas e pesca, elevou consideravelmente nossa ingesta calórica por meio do trabalho cooperativo e do compartilhamento de ganhos com a respectiva família e grupo tribal. Essa elevação nas calorias energizou a evolução das capacidades cognitivas de nossas mentes. A segunda onda foi agrícola, uma época em que avançamos nossas teias sociais e as aplicamos para multiplicar as calorias e abastecer o desenvolvimento da civilização. Na terceira onda, aprimoramos radicalmente nossa capacidade organizacional e técnica, o que possibilitou o florescimento de nossas mais avançadas tecnologias e cidades, que hoje se espalham pelo planeta em uma vasta maré metropolitana. Durante a primeira onda, os humanos encaravam a si mesmos como parte da natureza. Na segunda, passamos a nos ver como profundamente integrados à natureza, mas também moldados pela cultura humana.

 

Capítulo 2. Planejamento visando ao crescimento

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CAPÍTULO

2

Planejamento visando ao crescimento

O urbanismo de Uruk e de sua rede mesopotâmica se espalhou pelo Grande

Corredor, a oeste rumo à Itália, a leste através da área harapana do Indo até a China e ao sul até o Egito ao longo do Nilo.

A cidade egípcia de Mênfis foi fundada em 3100 a.C. onde o rio Nilo flui para um delta vasto e fértil, 400 quilômetros ao sul da futura cidade de Alexandria. Em 2250 a.C., enquanto as cidades mesopotâmicas entravam em declínio, Mênfis se tornou a maior cidade do mundo. Acredita-se que tenha sido a primeira cidade com bairros extremamente diferenciados: no oeste, as pirâmides extraordinárias construídas como necrópoles para os governantes da cidade; no centro, templos, santuários, cortes cerimoniais e casernas, todos servindo a corte real. Em torno disso ficavam os temenos – áreas sagradas delimitadas por muros, reservadas a reis e sacerdotes, e que serviam de caminhos, conectando prédios cerimoniais e oferecendo locais de contemplação e reflexão. Tais temenos incluíam bosques sagrados, os primeiros jardins urbanos de que se tem notícia.

 

Capítulo 3. A dispersão urbana e seus descontentes

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CAPÍTULO

3

A dispersão urbana e seus descontentes

Transporte e crescimento suburbano

Assim que surgiram as primeiras cidades, surgiram os primeiros subúrbios.

A palavra em si vem do latim suburbium, que significa “sob a cidade”. Kenneth T. Jackson, em seu livro seminal sobre o tema, Crabgrass Frontier, cita uma carta efusiva escrita numa tabuleta de argila em 539 a.C. ao rei da

Pérsia sobre a vida nos subúrbios e Ur. “Nossa propriedade parece a mim a mais linda no mundo. Fica tão perto da Babilônia que desfrutamos de todas as vantagens da cidade, e ainda assim, quando chegamos em casa, estamos

1 longe de todo aquele barulho e poeira”.

Com o progresso do século XIX, os Estados Unidos cresceram e se urbanizaram com rapidez. Seu crescimento populacional foi reforçado por uma alta taxa de natalidade e por uma política de abertura à imigração. O crescimento industrial se baseou na inovação, abastecido pelas calorias possibilitadas de início pelo carvão que alimentava os motores a vapor, e depois pelo petróleo. O crescimento das redes públicas de energia elétrica levou luz, conveniência e conforto a milhões de lares; as cidades norte-americanas ficaram conectadas de modo mais eficiente pela expansão acelerada das ferrovias, do telégrafo e do telefone. O fonógrafo, as imagens em movimento e a máquina de escrever também facilitaram a integração da cultura norte-americana, enquanto os catálogos de compras pelo correio ajudaram a transformar o país em um grande mercado consumidor. Os Estados Unidos eram a maior zona comercialmente integrada do mundo.

 

Capítulo 4. A cidade de equilíbrio dinâmico

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CAPÍTULO

4

A cidade de equilíbrio dinâmico

Quando o Duque de Zhou decidiu construir Chenzhou em 1036 a.C., cada aspecto filosófico, científico e religioso da cultura chinesa norteou sua missão: gerar harmonia entre a humanidade e a natureza. Ele não consultou seus súditos.

E quando Alexandre, o Grande, e Dinócrates decidiram construir Alexandria, eles também nutriam uma perspectiva singular para ela. Embora logo acabassem descobrindo que precisavam projetar uma cidade que funcionasse para os agricultores e também para os bibliotecários, eles estavam a sós no comando.

Mas o Duque de Zhou e Alexandre, o Grande, construíram suas cidades quanto tudo era mais simples. O século XXI é mais complexo e volátil; suas cidades são bem maiores e influenciadas por uma gama muito mais ampla da forças e tendências. Um ótimo planejamento urbano exige liderança; porém, hoje, exige também uma participação bem mais ampla.

As ferramentas limitadas de planejamento urbano de uso comum nos

 

Capítulo 5. O metabolismo das cidades

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CAPÍTULO

5

O metabolismo das cidades

Em 1965, Baltimore, Maryland, era uma cidade em transição. Como Alexandria, no Egito, tratava-se de um porto importante, o segundo maior dos

Estados Unidos na costa atlântica, o porto mais conveniente do país para que fabricantes do Meio Oeste exportassem suas mercadorias. Baltimore também tinha sua produção própria. A usina siderúrgica de Sparrows Point, da Bethlehem Steel, era a maior do mundo, com mais de seis quilômetros de extensão. A usina fabricava aço para a infraestrutura dos Estados Unidos, incluindo as vigas da ponte Golden Gate, em San Francisco, e os cabos da ponte George Washington. O aço produzido pela usina também era empregado no adjacente estaleiro de Sparrows Point, um dos mais ativos produtores de navios do país, o qual, na década de 1970, estava construindo os maio1 res superpetroleiros do mundo. A produção de aço e a construção de navios era um trabalho extenuante e árduo, mas gerava empregos sindicalizados de boa remuneração, ainda que as hierarquias laborais fossem drasticamente divididas por raça, com os afro-americanos sendo excluídos de cargos de gerência. O compositor Philip Glass pagou sua mensalidade da renomada

 

Capítulo 6. Água é uma coisa terrível de se desperdiçar

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CAPÍTULO

6

Água é uma coisa terrível de se desperdiçar

O Brasil ficou conhecido como a “Arábia Saudita da Água”: um oitavo da

água doce do mundo flui em seu território. Ainda assim, São Paulo, sua maior e mais pujante cidade, pode secar em breve. No outono de 2014, por até seis dias consecutivos, a cidade deixou de fornecer água a seus habitan1 tes; nada para beber, para dar a descarga ou para tomar banho. Nadinha.

O sistema hídrico de Cantareira caiu para 5,3% de sua capacidade. Logo quando a cidade estava prestes a reduzir o abastecimento de água para apenas dois dias por semana, uma longa e pesada série de chuvas em fevereiro elevou os níveis dos reservatórios para 9,5%. Mas as cidades não têm como prosperar vivendo tão perto dos limites de seu suporte metabólico.

Assim como a falta de energia elétrica na Índia, a crise hídrica de São

Paulo tem muitas causas. Ao longo da última década, o sudeste do Brasil vem passando por uma forte seca. São Paulo e seus subúrbios cresceram de forma prodigiosa, e agora precisam fornecer água para 20 milhões de pessoas. Contudo, a cidade não cuidou bem de sua infraestrutura: entre encanamentos com vazamento e furtos, estima-se que 30% de sua água são perdidos. São Paulo tampouco se planejou bem para seu futuro. Somente agora, em meio a uma crise, está propondo a construção de novos reservatórios e a elevação das contas de água para estimular a conservação.

 

Capítulo 7. Infraestrutura natural

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CAPÍTULO

7

Infraestrutura natural

Biofilia e resiliência humana

A natureza tem uma maneira maravilhosa de se adaptar a mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, mediar seus efeitos. Mas a natureza ainda proporciona outros benefícios aos humanos. Nosso desejo de estar em meio à natureza parece estar entranhado em nosso próprio ser. A palavra “biofilia” foi cunhada pelo psicólogo Erich Fromm, que a usou para descrever o elo instintivo entre seres humanos e outros sistemas vivos. O biólogo E. O. Wilson também observou que nós humanos temos “uma ânsia por nos afiliarmos a

1 outras formas de vida”. Mesmo no ambiente mais urbano, as pessoas apresentam uma necessidade arraigada de se conectarem com a natureza. E por que não? Nossa própria existência depende das dádivas da natureza: ar, água e as plantas e animais que consumimos como alimento. Há também cada vez mais evidências de que os ambientes urbanos que nos oferecem mais contato com a natureza reforçam nossa saúde cognitiva e bem-estar e aumentam nossa resiliência.

 

Capítulo 8. Edificações sustentáveis, urbanismo sustentável

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CAPÍTULO

8

Edificações sustentáveis, urbanismo sustentável

Abatidas pelas megatendências de mudanças climáticas e exaurimento de recursos, nossas cidades precisarão de múltiplas estratégias para se adaptarem com resiliência. Nos capítulos anteriores, examinamos os investimentos que as cidades podem fazer em termos de transporte, alimentos, água, efluentes, resíduos sólidos e infraestrutura natural para tornarem seu metabolismo mais resiliente. Esses elementos fornecem boa parte da armação sobre o qual as cidades prosperam.

Outro elemento importante do metabolismo de qualquer cidade é a energia. Nos subúrbios, o automóvel costuma ser o maior consumidor de energia, sendo que seus gastos para ir e voltar de casa muitas vezes são tão altos quanto a energia consumida na própria residência. Mas nas cidades a história é outra.

Na cidade de Nova York, por exemplo, 80% de toda a energia é consumida por seus prédios. Se a intenção é aumentar a resiliência de uma cidade, um ponto de alta alavancagem é tornar seus prédios mais verdes ou sustentáveis. Uma cidade pode reduzir o consumo de energia e de água em seus prédios mediante um pacote integrado de regulamentos, incentivos, investimentos, mensurações e feedback para modificar os comportamentos de seus ocupantes. Tais programas também fazem sentido em termos econômicos. Em geral, não é muito caro alcançar reduções de até 30% no consumo de energia e água, o que gera um retorno sobre o investimento na ordem de 20% ao ano para seus proprietários. Com financiamento apropriado, reduções ainda maiores são possíveis.

 

Capítulo 9. Criação de comunidades de oportunidade

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CAPÍTULO

9

Criação de comunidades de oportunidade

O que são comunidades de oportunidade? A origem da palavra “comunidade” remonta à palavra latina communitus; cum significa “com” ou junto, e munus significa dom. A palavra “oportunidade” vem da palavra latina opportunus; no latim, o radical ob significa “na direção de”, e portus significa porto; opportunus descreve os ventos que levavam os viajantes ao seu destino, um porto seguro. Hoje, empregamos a palavra “oportunidade” para descrever um empreendimento futuro, mas sua raiz evoca o retorno à segurança, talvez ao lar. Assim, em conjunto, as raízes latinas da expressão “comunidade de oportunidade” dizem respeito ao dom de se juntar, e de retornar de nossas aventuras para casa e seu porto seguro.

O PolicyLink, um instituto nacional de pesquisas e ações em defesa da igualdade econômica e social nos Estados Unidos, define comunidades de oportunidade como “locais com escolas de qualidade, acesso a bons empregos que garantam uma renda confortável, opções habitacionais de qualidade, transporte público, ruas seguras e convidativas a caminhadas, serviços, par1 ques, acesso a alimentos saudáveis e teias sociais sólidas”. A Enterprise Community Partners descreve sua visão para o elemento habitacional de uma comunidade de oportunidade da seguinte forma: “Um dia, todo mundo terá uma residência economicamente acessível numa comunidade vibrante, re2 pleta de promessas e oportunidades para uma vida boa”. Esse deveria ser o objetivo do desenvolvimento de comunidades para todos os seres humanos na Terra.

 

Capítulo 10. A ecologia cognitiva da oportunidade

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CAPÍTULO

10

A ecologia cognitiva da oportunidade

Comunidades são formadas por muitos elementos – ruas, escolas, lojas, escritórios, parques, e assim por diante – mas nenhum deles é tão fundamental quanto o lar. Cidades são, acima de tudo, lugares para se morar. A moradia é a plataforma a partir da qual o sucesso familiar se desenvolve. E costuma representar a maior fatia de gastos de cada família. Lares seguros, bem localizados e economicamente acessíveis são uma condição fundamental para comunidades de oportunidade. Infelizmente, em 2015, 330 milhões de famílias urbanas ao redor do mundo viviam em moradias precárias, e o McKinsey Global Institute projeta que em 2025 esse número terá aumentado para 440 milhões, um terço

1 das famílias urbanas mundiais, quase 1,6 bilhão de pessoas.

Nos Estados Unidos, o Centro Conjunto para Estudos Habitacionais da Universidade de Harvard informou que mais de dois terços dos pobres

2 norte-americanos gastam mais da metade de sua renda em moradia. Somando-se a isso o custo de alimentação, transporte, água, luz, telefone, Internet, vestuário, educação e saúde, é difícil ver como conseguem fazer a conta fechar. Como resultado, muitas famílias de baixa renda costumam dividir moradia com mais uma ou duas famílias, vivendo em condições de superlotação, e se mudando com frequência, buscando acomodações baratas sempre que podem.

 

Capítulo 11. Prosperidade, igualdade e felicidade

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CAPÍTULO

11

Prosperidade, igualdade e felicidade

Em 1930, John Maynard Keynes, um dos maiores economistas do século XX, escreveu um artigo extraordinário, “Economic Possibilities for Our

Grandchildren”, no qual ponderou sobre qual seria a natureza da economia e da qualidade de vida das pessoas dali a cem anos no futuro. Como o ano de 2030 não está mais tão distante, já podemos vislumbrar alguns de seus esboços. À luz do que já ocorreu, parte do que Keynes previu parece incrivelmente visionário, mas ele também deixou de antever boa parcela do que transcorreu ao longo do século XX.

Keynes nasceu em 1883, em Cambridge, Inglaterra. Ele cresceu imerso num ambiente de rigor acadêmico, filosofia moral e ativismo social. Seu pai lecionava economia na Universidade de Cambridge numa época em que a matéria era considerada parte de um sistema mais amplo de moralidade que remontava aos primeiros pensadores e escritores, incluindo Aristóteles, da

Grécia, Cautília, da Índia, e Qin Shi Huang, da China. A mãe de Keynes,

 

Capítulo 12. Entrelace

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CAPÍTULO

12

Entrelace

A aptidão da cidade

Kenneth Burke, um dos mais importantes teóricos norte-americanos da literatura no século XX, escreveu que “as pessoas podem ficar inaptas por se

1 adaptarem a uma aptidão inapta”.

O estado atual de muitas de nossas cidades é uma aptidão inapta. Elas podem estar suficientemente adaptadas ao crescimento a curto prazo, mas carecem da capacidade adaptativa de prosperarem no ambiente de intenso estresse do futuro. Estão aptas à inaptidão. E isso ocorre porque elas não compreendem seu verdadeiro propósito.

Lembrem-se que Donella Meadows escreveu: “a parte menos óbvia de um sistema, sua função ou propósito, é muitas vezes o determinante mais

2 crucial de seu comportamento”.

Desde a ascensão de Uruk, a primeira cidade conhecida do mundo, o propósito das cidades sempre foi oferecer proteção e prosperidade a seus habitantes, supervisionar a justa distribuição de recursos e oportunidades e manter a harmonia entre os sistemas humano e natural. Nesta época de crescente volatilidade, complexidade e ambiguidade, a cidade bem-orquestrada possui sistemas para ajudá-la a evoluir rumo a um comportamento mais homogêneo, capaz de equilibrar prosperidade e bem-estar com eficiência e igualdade de modo a restaurar continuamente seu capital social e natural.

 

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