Turismo: Planejamento Estratégico e Capacidade de Gestão – Desenvolvimento Regional, Redes de Produção e Clusters

Autor(es): BENI, Mario Carlos
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Este livro expõe a visão de quatro dezenas de especialistas brasileiros, ao longo de 29 capítulos, que levam em conta as mudanças e, sob diversos enfoques, trazem propostas para a organização e articulação do turismo ao longo de seus eixos conceituais, cadeias produtivas e clusters que reúnem novas configurações de serviços e produtos. A obra é dividida em três partes: • Políticas públicas e planejamento de espaços turísticos • Sustentabilidade • Instrumentos de apoio ao planejamento Essa compartimentação, entretanto, não se limita ao que inicialmente sugerem esses títulos. Uma leitura atenta vai desvendar ao leitor um conteúdo muito mais amplo, como aparece nos subtítulos, com múltiplos olhares, de profissionais de várias áreas do conhecimento, cujas reflexões vão se encaixando em um complexo quebra-cabeças, que, quando montado, desenha a multifacetada e preocupante realidade do turismo no Brasil – país de dimensões continentais, de enorme potencial turístico, de grande diversidade regional, detentor de um território sobre o qual incidem políticas públicas setoriais de turismo em todos os níveis administrativos, que pecam, contudo, pela falta de articulação intra e intersetorial, pela desconsideração das características geográficas regionais e pelo desconhecimento da integração hierárquica local-global. Pensando nessas questões, os autores buscam e mostram soluções para elas, tornando o livro de grande relevância para a bibliografia atual e servindo de referência para professores, alunos e todos os interessados em turismo e nas áreas a ele relacionadas.

 

29 capítulos

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1. Espaço, paisagem, lugar, território e região – a organização do espaço turístico

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Espaço, paisagem, lugar, território e região – a organização do espaço turístico

A N TO N I O C A R LO S S A R T I

O DA L É I A T E L L E S M A R CO N D E S M AC H A D O Q U E I R OZ

Introdução

Observando as profundas modificações que vêm acontecendo na atualidade de‑ correntes, principalmente, do processo de globalização, pode‑se visualizar um novo panorama geopolítico e econômico apontando para uma grande reestruturação do es‑ paço em escala mundial. O principal propósito deste capítulo é apresentar um painel das conjunturas passadas e atuais em que a atividade turística ocorreu e vem ocorren‑ do como fator impulsionador de arranjos e rearranjos socioespaciais, que podem ser locais e/ou ter base regional no Brasil. Além disso, pretende‑se localizar o fenômeno turismo no espaço, evidenciando suas formas e estratégias, identificando como ele causa mudanças e adaptações onde é realizado, algumas vezes contribuindo para a individualidade dos lugares e, muitas vezes, uniformizando‑os e massificando‑os.

 

2. Paisagens sem fronteiras: geograficidade sem limites

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Paisagens sem fronteiras: geograficidade sem limites

A N T O N I O C A R L O S C A S T R O G I O VA N N I

Introdução

Esta contribuição parte da visão de mundo trazida pela lupa da ciência geográ‑ fica, que tem o espaço geográfico como objeto de estudo. Este, por sua vez, é forma‑ do pelo campo de relações entre os sujeitos, e entre os sujeitos e o ambiente. Seria ingênuo reduzir a complexa organização dos grupos humanos, e do modo como se relacionam com o meio, aos aspectos materiais, em especial àqueles ligados à produção. Milton Santos (1996) toma a dimensão espacial como sendo resultado da intencionalidade das ações humanas compreendidas em sistema de cointer‑re‑ lação com os sistemas de objetos. Essas intencionalidades, que dizem respeito à comunicação dos sujeitos com o exterior, são necessariamente complexas, tendo nuanças afetivas, cognitivas e outras dimensões ocultas à compreensão do próprio sujeito.

Nesse campo, interessa‑nos não apenas o estudo do espaço como abstração, mas também da sua dimensão concreta, aquela que é vivida pelos sujeitos em seu cotidiano – as geograficidades. Tal dimensão é relevante não somente para enten‑ der a mediação entre os sujeitos e o espaço – e a organização dessa dimensão do social –, mas também entre o espaço e os sujeitos. Isto é, a influência que tal instân‑ cia exerce na formação do sujeito, pois esse é sempre ser (estar) no mundo, e possui uma série de referências espaciais fundamentais tanto para a sua sobrevivência

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3. Reflexões sobre planejamento turístico regional no limite do Sistur

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Reflexões sobre planejamento turístico regional no limite do Sistur

R E N Ê CO R R Ê A D O N A S C I M E N TO

Introdução

Os estudos relacionados ao turismo exigem cada vez mais acentuada atenção quanto à sua capacidade de avançar em informações que possibilitem tanto uma melhor avaliação de suas aplicações reais e potenciais, presentes e futuras, como uma maior compreensão de suas interferências. É corrente observar que as ações desencadeadas pelo turismo são, por vezes, negativas, não correspondendo aos pressupostos de que o fenômeno deve ser discutido, planejado e organizado para responder às diversas necessidades consequentes de sua prática em todos os limi‑ tes do planeta. Fica evidente que, na abordagem de “toda a complexidade do turis‑ mo”, não se tem capitalizado o progresso realizado em outras disciplinas e, por isso, muitos dos trabalhos científicos não demonstram integração e consistência neces‑ sárias para uma aplicação efetiva (Pearce, 1983; Hall e Fagen, 1956; Hall, 2001).

 

4. Turismo e políticas públicas no Brasil

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Turismo e políticas públicas no Brasil

CÍNTIA MÖLLER ARAUJO

G I S E L A TA S C H N E R

Introdução

No campo das Ciências Sociais Aplicadas, o turismo é uma área de recente desenvolvimento como objeto de estudo acadêmico. Por conta dessa juventude, de sua natureza interdisciplinar e das imediatas demandas práticas de seus profissio‑ nais, a pesquisa acadêmica enfrenta obstáculos de diversos tipos, desde certos pre‑ conceitos – que veem o turismo como tema frívolo – até problemas de subteoriza‑

ção. O turismo é uma área de estudo sobre a qual faltam consensos em algumas questões básicas e que ainda carece de formulações e de contribuições científicas, embora já se identifique uma ampla gama de estudos. No Brasil, a situação desses estudos é mais complexa que em países avançados, e é muito mais limitado o reper‑ tório existente de estudos e pesquisas sistematizados/estruturados, prevalecendo, em contrapartida, certo caráter pioneiro. Na verdade, tais pesquisas dotam o cam‑ po do turismo de uma profusão de objetos de estudo empíricos, os quais se expan‑ dem horizontalmente, mas, ao mesmo tempo, evidenciam a necessidade de se pro‑ mover um fortalecimento vertical da produção científica, principalmente no âmbito analítico.

 

5. Gestão de potenciais clusters turísticos: uma proposta de metodologia de diagnóstico

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Gestão de potenciais clusters turísticos: uma proposta de metodologia de diagnóstico

MARIA CRISTINA ANGÉLICO MENDONÇA

Introdução

O setor de turismo tem sido considerado um dos mais significativos para a eco‑ nomia mundial. Segundo Sheyvens (2002), no período de 1050 a 1970, o turismo convencional ou de massa foi considerado, particularmente para o terceiro mundo, um meio de promoção de crescimento econômico e de alcance da modernização e uma forma de enfrentar os reflexos advindos do processo da globalização. Este au‑ tor afirma que o sistema turístico passou a ser visto como um meio de produção e consumo para se alcançar a modernização nos moldes da gestão moderna ou for‑ dista. No entanto, em decorrência da obtenção de resultados negativos, ocorreram mudanças econômicas estruturais, acompanhadas por transformações culturais, além de um crescente movimento ambientalista. Essas mudanças contri­buíram pa‑ ra explicar o surgimento de novas formas de gestão que resultassem em um turis‑ mo denominado responsável.

 

6. Observatório de Turismo e Cultura, integração regional do cluster de turismo e desenvolvimento socioeconômico da Serra Gaúcha

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Observatório de Turismo e Cultura, integração regional do cluster de turismo e desenvolvimento socioeconômico da Serra Gaúcha

E D E G A R LU I S TO M A Z ZO N I

Introdução

As propostas de desenvolvimento do turismo, nos mais diversos âmbitos e ní‑ veis de abrangência territorial, justificam‑se pelo desenvolvimento socioeconômi‑ co, cujo sentido é a inclusão social, com base não somente em aspectos materiais, como renda e acesso ao consumo, mas também em aspectos emocionais, como sen‑ timento de aceitação, de pertencimento e de reconhecimento. O desenvolvimento

é um processo cíclico virtuoso, que se inicia com a mudança de mentalidades. A inclusão social e a qualidade de vida são fundamentos da sustentabilidade, pois o verdadeiro desenvolvimento é o sustentável.

O que os teóricos contemporâneos enfatizam é a força do institucionalismo, por meio da cooperação entre os agentes sociais, visando retornos coletivos. Tra‑ ta‑se de processo para cuja realização é relevante a atuação das instituições de en‑ sino e pesquisa. Para viabilizar políticas e projetos, os estudos e análises do desen‑ volvimento socioeconômico fundamentam‑se em referenciais de delimitação geográfica, espacial ou territorial.

 

7. Relações organizacionais para o desenvolvimento regional do turismo

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Relações organizacionais para o desenvolvimento regional do turismo

A N DYA R A L I M A B A R B O S A

Introdução

Recentemente, a dinâmica processual de nossa sociedade empreendeu uma reformulação nos papéis do Estado, das empresas e da sociedade civil. A reformu‑ lação introduz novos parâmetros, e estes vêm acarretando profundas mudanças nas relações e nas performances desses três setores. O turismo como atividade so‑ cioeconômica cultural também se reproduz a partir desses parâmetros, ensejando atuações diferenciadas dentro e entre os três setores. Algumas dessas mudanças são, teoricamente, abordadas neste capítulo por meio de temáticas voltadas às ne‑ cessidades e possibilidades de relacionamentos organizacionais para o desenvolvi‑ mento do turismo. Inicialmente, disserta‑se sobre a descentralização do poder, pressuposto essencial para o protagonismo local e para o desenvolvimento do tu‑ rismo a partir do exercício do poder compartilhado. O exercício do poder compar‑ tilhado pode se dar tanto no lócus municipal quanto regional ou estadual, pelos fóruns, conselhos, comissões, comitês e outros. Em termos regionais, temos, recen‑ temente, o conceito de governança como forma de desenvolver a participação e o engajamento da sociedade nos processos decisórios acerca do turismo regional.

 

8. Instrumentalização de pesquisa em turismo

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Instrumentalização de pesquisa em turismo

CLÁUDIA RECH

Introdução

O turismo apresenta‑se como uma atividade economicamente viável para uma localidade, apontando significativo crescimento no setor terciário. Atualmente, es‑ sa área tem um papel impulsionador no desenvolvimento de um espaço geográfico, mobilizando pessoas em busca da apreciação de lugares que representem atrativos ao olhar do visitante. Por tudo isso, hoje, os estudos ligados ao fenômeno do turis‑ mo estão se ampliando, com enfoque de procedimentos conexos ao planejamento territorial e suas importantes aplicações práticas.

Os instrumentos de análise do planejamento turístico são compreendidos co‑ mo novos paradigmas para o desenvolvimento e para a diversificação econômica de uma destinação. Assim, por englobar aspectos sociais, culturais, econômicos e am‑ bientais, a atividade turística é analisada sob diversas óticas, abordando elementos que permitem entender o funcionamento sistêmico de sua estrutura e possibilitan‑ do a elaboração de reflexões acerca de suas tipologias e dos principais componen‑ tes que proporcionam o seu desenvolvimento.

 

9. Sustentabilidade: dimensão ambiental

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Sustentabilidade: dimensão ambiental

PA U L O D O S S A N T O S P I R E S

Introdução

A dimensão ambiental da sustentabilidade (Sachs, 2002) possibilita delimi‑ tar um campo de abordagem, o qual será aqui estabelecido em sua interface com o turismo, e este, por sua vez, em suas múltiplas interações com o meio ambiente.

Para tanto, adotou‑se como referência básica o Programa de Turismo e Meio Am‑ biente das Nações Unidas (Unep, 2010), cujo conteúdo e estrutura programática refletem de forma pertinente, representativa e consistente, a ampla e complexa interface entre o turismo e o meio ambiente, mantendo permanentemente como pano de fundo o paradigma da sustentabilidade. Por outro lado, o caráter univer‑ sal e a ascendência desse Programa sobre a governança ambiental em todo o mundo levam a considerá‑lo como fonte de consulta regular para o processo de ensino e de difusão do conhecimento, exatamente da forma como ocorrerá nesta oportunidade.

Com isso, o texto pretende descortinar para o leitor a dimensão ambiental do turismo, primeiramente apresentando um breve resgate conceitual sobre sustenta‑ bilidade, assim como uma base de entendimento sobre a sua aplicação no campo do turismo. Na sequência, a dimensão ambiental da sustentabilidade do turismo é des‑ dobrada em três principais enfoques, como mostra a Figura 9.1.

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10. Dimensão social

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Dimensão social

MARUTSCHKA MOESCH

Introdução

A dimensão social das políticas públicas e do processo de planejamento estra‑ tégico em clusters de turismo, muitas vezes, é negligenciada como um impacto de menor expressão sobre as localidades e comunidades envolvidas. A dimensão so‑ cial faz referência às mudanças sociais ocasionadas pelas políticas públicas e pelo planejamento estratégico em processos de caráter sistêmico e cooperativo na orde‑ nação do turismo. Os processos sociais ocasionados por essas novas metodologias de intervenção nas comunidades que buscam se desenvolver pelo turismo são o objeto principal do estudo deste capítulo.

Dimensão social das políticas públicas de turismo – educação, cultura, lazer, trabalho, qualidade de vida

A dimensão social das políticas públicas de turismo, assim como as políticas sociais, são incentivadoras de cidadania por serem redistributivas em termos de renda e poder, e possibilitadora do manejo de bens simbólicos. Podem ser equaliza‑ doras de oportunidades no sentido de instrumentar desiguais para que tenham chances históricas emancipatórias, não no sentido de doar a emancipação ao outro, mas de que possam se emancipar. Essas chances são preventivas e não curativas.

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11. Dimensão econômica: cadeia produtiva e contas satélites do turismo

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Dimensão econômica: cadeia produtiva e contas satélites do turismo

LEANDRO ANTÔNIO DE LEMOS

Á LVA R O M A I A B AT I S TA

Introdução

O objetivo principal deste capítulo é apresentar e analisar os modelos de men‑ suração dos impactos econômicos do turismo. É importante destacar inicialmente que parte da ciência econômica considera o turismo como não gerador de riqueza, sendo um tipo de consumo cuja origem é a renda gerada por outros setores e ativi‑ dades da economia, o que discordamos frontalmente. Por exemplo, Paci (1996) afir‑ ma que o setor turismo e produto turístico não existem no sentido econômico, dado que é um conjunto de atividades econômicas (bens e serviços) voltados para satisfa‑ zer as demandas dos turistas. Sendo assim, o turismo agrega atividades que as pes‑ soas utilizam durante suas viagens e estadas em lugares diferentes de sua residên‑ cia, não existindo um processo de trabalho organizado para esse fim. Assim, muitas vezes, as ferramentas que mensuram impactos econômicos do turismo partem des‑ sas concepções teóricas, o que, por lógica, leva a resultados mais limitados.

 

12. Turismo e cultura: aproximações e conflitos

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Turismo e cultura: aproximações e conflitos

S U S A N A G A S TA L

Introdução

Aproximar o turismo e a cultura significa colocar em diálogo dois termos com‑ plexos. Por turismo pode‑se entender desde as definições clássicas, exigindo a pre‑ sença do deslocamento e do pernoite em locais diferentes daquele de moradia, até aquelas que priorizam o estranhamento atual do morador de grandes centros urba‑ nos, que desconhece sua própria cidade e, quando a percorre, acaba por se submeter

às mesmas sensações por que passa o estrangeiro, quando fora de seu domicílio.

A cultura também apresenta complexidades não só nos estudos e teorizações acadêmicos, mas também nas suas práticas, ambos impregnados de uma herança colonial muitas vezes ainda presente, levando ao consumo e à valorização de bens simbólicos do dominador, em detrimento daqueles produzidos na própria comuni‑ dade. Pegando um exemplo simples, como o discorrer sobre patrimônio, haveria dificuldades na teoria e nas práticas, em termos de definições e recortes dentro do campo específico – a cultura –, assim como na sua aproximação com outras áreas, como no caso do turismo. Mais complexo, ainda, tem sido, em todos os casos, li‑ dar com a cultura vernácula,1 aquela do hoje, do aqui e do agora. O turismo vive do

 

13. Dimensão político-institucional do turismo no Brasil

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13

Dimensão político-institucional do turismo no Brasil

CÍNTIA MÖLLER ARAUJO

P E D R O D E A L C Â N TA R A B I T T E N C O U R T C É S A R

Introdução

Desejamos, com este capítulo, refletir em que medida a evolução do quadro político institucional do turismo no Brasil tem conseguido tanto atender às cres‑ centes complexidades do cenário turístico, como conciliar estas com as especifici‑ dades regionais/locais. De fato, ainda que essa preocupação não seja evidente nos primórdios da gestão pública da atividade no Brasil, como veremos no decorrer deste texto, há indícios, sobretudo a partir de meados da década de 1980, de empe‑ nho crescente dos variados organismos públicos brasileiros, constituídos nos di‑ versos níveis (municipal, estadual e federal), de instituir estruturas que atentem para essas questões. Não queremos dizer com isso que tais iniciativas, no campo da gestão pública do turismo, tenham sido sempre bem‑sucedidas, e tampouco que elas vêm atendendo plenamente e a contento às múltiplas demandas (internacio‑ nais, nacionais, regionais e locais). Todavia, entendemos que existe, sim, um esfor‑

 

14. Dimensão mercadológica de sustentabilidade do desenvolvimento turístico

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Dimensão mercadológica de sustentabilidade do desenvolvimento turístico

LEONARDO NOGUEIRA DE MORAES

Introdução

No campo do turismo, embora o conceito de sustentabilidade seja largamente utilizado pelas comunidades acadêmica, empresarial e governamental, durante muito tempo ele ficou atrelado apenas ao meio ambiente. Mais recentemente, a cul‑ tura, a sociedade e a economia também têm sido consideradas elementos indispen‑ sáveis à construção do conceito. No entanto, mesmo sendo inquestionável o fato de que, no longo prazo, o desenvolvimento da atividade turística dependerá da conser‑ vação ambiental, da valorização e do fortalecimento das culturais locais, e do desen‑ volvimento socioeconômico das localidades emissoras e receptoras de turistas, es‑ sas condições são pressupostos, e não garantia da sustentabilidade do turismo.

É a partir dessa reflexão que surge a discussão sobre a dimensão mercadológi‑ ca de sustentabilidade do desenvolvimento turístico, ou sobre as condições neces‑ sárias à atração, retenção, fidelização e satisfação das necessidades dos visitantes, assim como à obtenção da melhor relação custo‑benefício do desenvolvimento tu‑ rístico para as comunidades locais, o poder público e a iniciativa privada.

 

15. Dimensão financeira e análise de investimentos

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Dimensão financeira e análise de investimentos

J O S É B E N TO C A R LO S A M A R A L J Ú N I O R

Introdução

À atividade do turismo são atribuídos alguns sofismas que geram percepções gerais, ora como mito, ora como realidade, além de estar contaminada por inúme‑ ras promessas. Essa atividade tem registrado crescimento médio anual de 5% ao longo das últimas décadas, caracterizando‑se como um fenômeno de deslocamen‑ to de massa que envolve um contingente de mais de 800 milhões de turistas inter‑ nacionais, e as tendências apontam para um número de mais de 1,5 bilhão de pes‑ soas em 2020.

Todo esse movimento de pessoas tem despertado a atenção de diversos estu‑ diosos das mais variadas áreas do conhecimento, tais como economia, sociologia, antropologia, geografia, meio ambiente e outras. Uma das grandes preocupações desses estudiosos é com relação aos efeitos ou impactos que o turismo de massa pode provocar nas áreas receptoras.

No entanto, do ponto de vista dos governantes e dos investidores da iniciativa privada, esses números do turismo mundial também têm despertado grandes inte‑ resses e muito se tem dito sobre os benefícios gerados por essa atividade. Frases como “o turismo é o maior gerador de empregos”, “o turismo é o principal motor de desenvolvimento regional”, “o turismo gera divisas e riquezas para o país”, são comuns nos discursos sobre o turismo proferidos por vários de seus admiradores

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16. Políticas públicas e planejamento estratégico em clusters de turismo: dimensão jurídica

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Políticas públicas e planejamento estratégico em clusters de turismo: dimensão jurídica

J OA N D R E A N TO N I O F E R R A Z

Introdução

É intensa a relação comercial entre os diversos fornecedores e consumidores de serviços turísticos, aqueles compostos, genericamente, por produtores e distri‑ buidores, estes segmentados em corporativos e pessoais. Essa relação, globalizada desde a origem, vem crescendo em complexidade, como todas as outras que envol‑ vem atividades e iniciativas econômicas, em razão da notável expansão do merca‑ do, interno e internacional, nos últimos vinte anos, e do comércio eletrônico, nos

últimos cinco.

Diante de tal expansão, fornecedores e consumidores não se conhecem mais pessoalmente, aspecto no mínimo estranho na prestação de serviços sujeitos a enorme multiplicidade de destinos, padrões de qualidade e preços. Daí a crescente importância de um marco regulatório adequado. Importa regular o equilíbrio entre uso e preservação dos atrativos naturais e culturais que compõem o patrimônio turístico, bem como entre fornecedores de grande (transportadoras aéreas, redes hoteleiras) e pequeno porte (agências de viagens, organizadores de eventos).

 

17. Relações públicas comunitárias nos processos de gestão das atividades turísticas

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17

Relações públicas comunitárias nos processos de gestão das atividades turísticas

M A R G A R I DA M . K R O H L I N G KU N S C H

Introdução

Neste artigo, apresentam‑se alguns fundamentos teóricos sobre relações pú‑ blicas e relações públicas comunitárias para, em seguida, indicar possibilidades de aplicação no campo do turismo. Destaca‑se a importância de uma visão estratégi‑ ca para as práticas de relações públicas nas organizações e seu papel na gestão da comunicação e, particularmente, nas atividades turísticas.

Um dos aspectos abordados faz referência à abrangência do turismo, tendo em vis‑ ta que suas atividades e seus produtos dependem de uma integração entre o poder pú‑ blico, a iniciativa privada e o terceiro setor, sobretudo a sociedade civil organizada, que exerce grande poder nas comunidades locais e virtuais e/ou nas redes sociais on‑line.

Propõem‑se uma maior integração e parcerias entre o campo do turismo e o de relações públicas. Acredita‑se que, se ambas as áreas atuassem mais conjunta‑ mente, poderiam otimizar muito mais suas ações, contribuindo para políticas pú‑ blicas do turismo e alcançando resultados mais eficazes nos seus empreendimen‑ tos, bem como nas iniciativas levadas a efeito para um desenvolvimento mais sustentável e integrado com as demandas sociais.

 

18. Os novos clusters abertos de entretenimento

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Os novos clusters abertos de entretenimento

LU I Z G O N Z AG A G O D O I T R I G O

Introdução

As sociedades atuais são marcadas pela fragmentação, contradição e parado‑ xos. É uma complexidade dinâmica assinalada pela permanente evolução tecnoló‑ gica, seja evolutiva ou disruptiva, e pela extrema diversidade cultural, étnica, social ou econômica. Não se considera mais apenas os segmentos, mas os nichos de mer‑ cado; não existem mais patamares de estabilidade, mas forças de mudança que al‑ teram, criam e destroem permanentemente as faces culturais e produtivas das civi‑ lizações; não há mais ciclos previsíveis, mas crises e ondas de oportunidades que assolam os mercados e as sociedades.

Os campos do lazer e do prazer foram igualmente influenciados pelos fluxos de acontecimentos que abalaram as antigas certezas e teorias pretensamente totalizan‑ tes dos metassistemas filosóficos. Se, no século XIX, personagens como Darwin,

Comte, Nietzsche e Marx chocaram o pensamento estabelecido e lançaram novos paradigmas, ao longo do século XX, nomes como Lyotard, Popper, Castells e uma série de analistas econômicos e de tendências, como Philip Kotler, Alvin Toffler,

 

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