Trabalho, Educação e Inteligência Artificial: A Era do Indivíduo Versátil

Autor(es): Rui Fava
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Com a integração das tecnologias digitais, da robotização, da automação e da inteligência artificial no mundo do trabalho e, consequentemente, no universo da educação, como serão as profissões e as escolas nos próximos anos? De que maneira os estudantes serão preparados para seu futuro profissional e pessoal? Rui Fava incentiva professores, pais e alunos a enfrentar e a assumir o protagonismo na inevitável transformação social por meio da reinvenção da escola. Ao propor uma reflexão sobre as novas tecnologias e as habilidades necessárias para o profissional do futuro, o autor destaca que é preciso adaptar-se às invenções impelidas pela inteligência artificial e defende que a escola é o grande pilar na construção do presente e no aperfeiçoamento do futuro.

 

17 capítulos

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Capítulo 1 - Substituição do esforço físico por instrumentos e ferramentas

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Capítulo 1

Substituição do esforço físico por instrumentos e ferramentas

Quando o mundo andava devagar, olhar para o futuro era uma arte mística, envolta em segredos, extraída de entranhas e, quase sempre, produto de incorretas profecias, divinamente inspiradas das Sibilas nos oráculos da Antiguidade.

Rui Fava

2012, p. 7

Os primeiros hominídeos a povoar a Europa eram caçadores com componentes de sofisticação, sistematização e conformação na maneira como se dedicavam a empreitada, farfúncia, labor. Não se tratava exclusivamente do indivíduo caçador, mas do homem trabalhador. Algumas das evidências dos primeiros instrumentos que auxiliavam nossos ancestrais em seus ofícios foram descobertas em sítios de pedreiras na Vila de West Sussex, em Boxgrove, no Reino Unido, há meio milhão de anos. Por exemplo, a destreza na idealização e no fabrico do biface não pode ser menosprezada, afinal o artesão necessitava realizar mais de seis movimentos e golpes cuidadosos, meticulosos e certeiros para moldar a ferramenta.

 

Capítulo 2 - Substituição do trabalho físico por máquinas mecanizadas

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Capítulo 2

Substituição do trabalho físico por máquinas mecanizadas

Todas as revoluções se evaporam e deixam atrás de si apenas o limo de uma nova burocracia.

Franz Kafka

1883-1924

Em toda a história da Revolução Agrícola, o alvo sempre foi melhorar a produtividade na roça. Esse avanço tornou-se mais evidente no momento em que houve a substituição do trabalho físico por máquinas mecanizadas que eliminou a maioria das atividades braçais. As novidades emergiram em decorrência da Revolução Industrial, no século XVIII, que não somente engendrou indústrias em burgos urbanos, mas potencializou tecnologias que foram legitimadas, abraçadas e aplicadas à agricultura. A mecanização na gleba adotou ferramentas que substituíram o trabalho no campo ou simplificaram suas atividades.

A tecnologia aumenta a produção, auxilia o produtor a preparar o solo para a plantação, faz a manutenção da lavoura e revoluciona o plantio e a colheita com operações rápidas, eficientes e mais produtivas.

 

Capítulo 3 - Substituição do trabalho repetitivo por máquinas “inteligentes”

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Capítulo 3

Substituição do trabalho repetitivo por máquinas

“inteligentes”

Aprendizagem, confiança, sutileza não são elementos isolados.

A confiança e a sutileza não somente facilitam e propiciam a aprendizagem como também compatibilizam imperscrutavelmente a ligação entre si.

Rui Fava

2015, p. 56

Todas as revoluções têm um exórdio, alguma fagulha, ideia ou evento que desencadeia uma série de outros fenômenos transformacionais. A história está repleta de guerras, tratados e golpes. Entretanto, uns tantos das ingerências mais duradouras da humanidade, como o nascimento do cristianismo, têm gênese lhana, despretensiosa. Assim foi a Revolução Industrial, cujas origens podem ser atribuídas ao desejo de um homem de conceber uma panela de ferro melhor. A Revolução Pós-industrial foi incoada por sonhadores que construíram uma máquina inteligente que substituiria o trabalho repetitivo e fastidioso do homem.

As máquinas foram construídas com o propósito de poupar tempo, melhorar a qualidade de vida e substituir o trabalho árduo do homem. Construída na Inglaterra, no século

 

Capítulo 4 - Substituição do trabalho preditivo por automação, robotização e inteligência artificial provocando o fim do vínculo empregatício

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Capítulo 4

Substituição do trabalho preditivo por automação, robotização e inteligência artificial provocando o fim do vínculo empregatício

A fábrica do futuro terá apenas dois empregados, um homem e um cachorro. O homem estará lá para alimentar o cachorro. O cachorro estará lá para impedir que o homem toque nos equipamentos.

Warren Gamaliel Bennis

1925-2014

A proporção das metamorfoses nos últimos tempos tem sido sem precedentes, nos pegando desprevenidos, razão pela qual continuaremos a ser perpétuos novatos quando se trata de tecnologia. Precisamos acreditar mais nas coisas improváveis. Tudo está em fluxo constante de mutação, e, com imaginação, poderemos aprender a discernir o que está à frente com mais clareza e naturalidade.

A Revolução Agrícola está assentada na produção de alimentos; a Revolução

Industrial, alicerçada na manufatura das coisas; e a Revolução Tecnológica, fundamentada na entrega de serviços por máquinas inteligentes munidas de inteligência artificial (IA). A transfiguração

 

Capítulo 5 - Papel e tinta preta versus tela digital

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Capítulo 5

Papel e tinta preta versus tela digital

Livros são os mais silenciosos e constantes amigos; os mais acessíveis e sábios conselheiros; e os mais pacientes professores.

Charles William Eliot

1834-1926

Na história antiga, a cultura girava em torno da palavra falada. A arte de se expressar em público era de suma relevância. A eloquência constituiu um gênero literário muito cultivado, era estudada, desenvolvida e praticada como um meio para alcançar fama, notoriedade e prestígio social e político. As habilidades para recitação memorizada, a retórica, incutiram nas sociedades verbais uma reverência pelo passado ambíguo, subjetivo, ajaezado.

A escrita surge em decorrência da necessidade que o homem tinha de controlar o ambiente em que vivia.

Ela possibilitou que houvesse maior consciência sobre os fatos e permitiu a organização do pensamento. Ao se cambiar a transição da oralidade para a escrita, houve quem não acreditasse, criticasse e não aceitasse. É o caso de Sócrates. Para ele, a escrita traria dois inconvenientes: perda da memória interna e probabilidade de transmissão de um conhecimento estático sem que o autor conseguisse enxergar se o leitor o estaria entendendo corretamente. Trata-se de resistência de uma cultura baseada na oralidade diante de uma nova tecnologia que iria provocar grandes mutações nas práticas culturais em todas

 

Capítulo 6 - Realidade aumentada e realidade virtual

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Capítulo 6

Realidade aumentada e realidade virtual

Gravar pensamentos e sonhos é o próximo passo para realidade virtual e realidade aumentada.

Mark Elliot Zuckerberg

2016

Durante séculos, a tradição cultural ocidental esteve assentada na robusta valorização da palavra e no prestígio da literatura e da filosofia. Entretanto, com o advento das tecnologias de comunicação digital, a imagem adquiriu uma importância sem precedentes na vida cotidiana, com ênfase no processo de ensino e de aprendizagem.

Quando se discute o sequenciamento de aprendizagem, é fato que cada geração traz consigo suas características intrínsecas, mas procura moldá-las, adaptá-las e integrá-las aos novos arquétipos de tecnologia digital e às redes sociais interativas e participativas. Os jovens contemporâneos preferem

FAVA - Inteligencia Artificial.indb 74

29/06/18 16:21

Capítulo 6 | Realidade aumentada e realidade virtual

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aprender imagem em movimento, imagem fixa, som e texto. Quando se pensa em imagem em movimento, realidade aumentada (RA) e realidade virtual

 

Capítulo 7 - Deuses e deusas da tecnologia

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Capítulo 7

Deuses e deusas da tecnologia

O que a lagarta chama de fim, o resto do mundo chama de borboleta.

Lao Tsu

Séc. XIV e IV a.C. - 531 a.C.

Um dos conceitos mais aliciantes da história é a influência dos mitos. É instigante a maneira pela qual os deuses ditavam o modo de vida dos povos antigos.

Para os gregos, as divindades, além de prescreverem os fenômenos naturais, também intervinham nos comportamentos humanos.

A narrativa mitológica envolve hipotéticos acontecimentos relativos a épocas primigênias. O factual objeto do mito não são os deuses, mas a manifestação de um tautócrono de fenomenais ocorrências com que se procura dar sentido à vida. Um exemplo é o mito da Caixa de Pandora, uma história contada pelo poeta oral grego Hesíodo (750-650 a.C.), que narra a chegada da primeira mulher à terra:

Em tempos muito, muito longínquos, não existiam mulheres no mundo, apenas homens que viviam sem envelhecer, sem sofrimento, sem cansaço. Quando chegava a hora de morrerem, faziam-no em paz, como se simplesmente adormecessem.

 

Capítulo 8 - Novos paradigmas para a educação e para o trabalho

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Capítulo 8

Novos paradigmas para a educação e para o trabalho

Existe uma diferença fundamental entre montar uma estratégia para mercados atuais versus uma estratégia competitiva para a participação nos mercados a serem criados.

Rui Fava

2002

Desde o início do século XX, houve acentuadas elucubrações sobre como seria o modus vivendi no advento do século XXI. Herbert George Wells publicou, em

1895, a primeira versão de seu romance de ficção científica A máquina do tempo, enquanto Eric Arthur Blair, mais conhecido como George Orwell, previa um futuro bem mais distópico em sua célebre obra 1984.

Menos conhecido, no entanto tão inspirado quanto, foi o ilustrador francês

Villemard, que, em 1910, criou uma série de ilustrações representando a vida parisiense no ano 2000. Intitulada Utopie, a série de cartões postais colecionáveis criados por ele faz parte do acervo permanente da Bibliothèque Nationale de France. Villemard previa um mundo cujo cotidiano assemelhava-se ao que vivemos hoje, com monotrilhos, teleconferência, trens elétricos, entre outros.

 

Capítulo 9 - Indivíduo versátil, o Homem Vitruviano

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Capítulo 9

Indivíduo versátil, o Homem Vitruviano

Não podemos falar sobre transformar organizações sem primeiro falar seriamente sobre transmutar as pessoas, que são a razão de ser de uma organização; portanto, é ridículo imaginar que seria possível alterar uma cultura sem que os indivíduos que a compõem se transformassem primeiro.

Rui Fava

2002

Marcus Vitruvius Pollio, arquiteto romano que viveu no século I a.C., escreveu sua principal obra De Architectura Libri Decem, composta de 10 volumes, único tratado do período greco-romano que chegou aos nossos dias, no qual defende padrões de proporções e de princípios conceituais arquitetônicos, como utilitas (utilidade), venustas (beleza) e firmitas (solidez).

Os 10 livros servem de inspiração para os estudos de arquitetura clássica, urbanismo, hidráulica, engenharia e, por que não, para definição de competências e conteúdos a serem ofertados na educação.

Consoante o raciocínio matemático descrito por Vitruvius, as proporções do corpo humano são apontadas como figuratus homo bene latina, um cânone da simetria do corpo humano, apresentando-se como modelo ideal, cujos deli-

 

Capítulo 10 - Inteligências necessárias para o século XXI

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Capítulo 10

Inteligências necessárias para o século XXI

Conhecer não é suficiente, é preciso aplicar. Aplicar não é o bastante,

é necessário empreender.

Rui Fava

2016

A natureza e as origens da inteligência humana são temas muito esgrimidos, debatidos e estudados. Não existe uma definição universalmente aceita de inteligência; talvez pudéssemos dilucidar: capacidade de raciocinar, discernir, interpretar, sintetizar, criar, planejar, escolher, decidir, aplicar, solucionar, resolver, pensar de forma abstrata, compreender ideias, linguagem, aprender a aprender.

A evolução da inteligência dos hominídeos pode ser rastreada ao longo dos

últimos 10 milhões de anos e atribuída a desafios ambientais específicos.

A inteligência como harmonização ao desafio da seleção natural não é melhor ou pior do que qualquer outra adaptação. No entanto, é o único amoldamento que permitiu que uma espécie estabelecesse completa dominação sobre o resto do mundo natural. Se a espécie humana adquiriu inteligência suficiente para gerir essa supremacia, é uma questão de porfia. Todavia, quatro conformações de inteligências se destacam: cognitiva, emocional, volitiva e decernere.

 

Capítulo 11 - O Iluminismo está de volta e provoca o fim da Era da Informação e o advento da Era da Experiência

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Capítulo 11

O Iluminismo está de volta e provoca o fim da Era da

Informação e o advento da Era da Experiência

Na era da experiência, as pessoas não são vistas como um perfil de hábitos consolidados, as pessoas são o que fazem, o que vivem, o que experimentam.

Karina Israel

Certo dia, conversando com meu filho geração Z, que havia acabado de chegar da faculdade, fui surpreendido com a seguinte pergunta: "Pai, por que eu preciso de professor?".

Ficou axiomático com esse questionamento como a tecnologia metamorfoseou o modelo mental dessa nova geração. Na verdade, ele estava declinando os sistemas de ensino e de aprendizagem concebidos, criados e vigentes há centenas de anos.

Hoje, meu filho vivencia um cenário em que tudo que precisa aprender está a um clique de seu mobile equipment. Por outro lado, o modelo educacional presente foi baseado em um processo linear, mecânico, de transmissão, sem possibilidade de questionamento dos dogmas apresentados pelo professor, conteúdos que estimulam a memorização de dados e fatos, sistema que não mais é válido para esse mundo no qual a inteligência artificial está armazenando e disponibilizando todas as informações imperativas no momento em que precisamos.

 

Capítulo 12 - Tecnologia, automoção e educação

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Capítulo 12

Tecnologia, automação e educação

Desde a gênese do quadro negro, da chegada do retroprojetor, da invenção do projetor multimídia, o foco da tecnologia estava na transmissão dos conteúdos. Com a disseminação dos computadores, big data, inteligência artificial, o desafio agora é como acessar, escolher, adotar, aplicar a informação correta.

Rui Fava

2015

A noção intuitiva de que a tecnologia, a automação, a robotização e a inteligência artificial arrebatariam o trabalho dos humanos e de que sobraria tempo para o

ócio, o entretenimento e o lazer não é verdadeira. As pessoas estão trabalhando mais e mais, com maior produtividade. Mesmo que as ocupações físicas, repetitivas e preditivas se tornem automatizadas, aparecerão novos tipos de trabalho.

A automação não é um fenômeno novo. Os escribas medievais foram substituídos pela prensa de Gutenberg; carruagens com tração animal, por carros motorizados; lavadeiras, por máquinas de lavar roupas; dinheiro, por cartão de crédito; etiquetas de preços, por código de barras; matracas, foicinhas e enxadas, por equipamentos mecanizados que, além de tornar a produção mais eficiente, humanizam o trabalho. Contudo, a mecanização força uma maior capacitação dos trabalhadores, que, consequentemente, ganharão mais para operar máquinas, algumas por GPS, em vez de cortar manualmente 15 toneladas de cana em um único dia, por exemplo. A Hennes & Mauritz, uma multinacional sueca de moda, comutou manequins com corpos perfeitos em lugar de modelos humanos.

 

Capítulo 13 - Educação no mundo contemporâneo

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Capítulo 13

Educação no mundo contemporâneo

Importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim, pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê.

Arthur Schopenhauer

1788-1860

Para a maioria dos países desenvolvidos, educação é coisa séria. A chanceler alemã Ângela Merkel salienta: “[...] professores não são pessoas comuns e pessoas comuns não são professores” (JOTTA CLUB, 2017, documento on-line).

Docentes na Alemanha recebem os maiores salários do país. E quando os juízes, médicos e engenheiros reivindicam equiparação salarial à chanceler, que é doutora em física, ela responde: “[...] como eu posso compará-los e equipará-los com quem ensinou vocês?” (JOTTA CLUB, 2017, documento on-line).

Infelizmente, para o governo brasileiro, para grupos educacionais, para muitas escolas, o novo, o criativo, a fantasia, a verdadeira importância da educação está nos slogans, nas frases de efeito, na missão bem elaborada, mas pouco praticada, no marketing institucional e não na transmutação, na reforma, na atualização, no upgrade e na inovação dos processos de ensino e de aprendizagem, das metodologias e dos materiais didáticos. Lamentavelmente, o Brasil está na contramão do incremento da automação, perdendo competitividade, deixando nosso país cada vez mais distante das benesses proporcionadas pela tecnologia nas nações desenvolvidas. A desesperança se amplifica, uma vez que as escolas e os grupos educacionais não estão engenhando coisa alguma para que isso se reverta.

 

Capítulo 14 - Aprendizagem ativa e experimental

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Capítulo 14

Aprendizagem ativa e experimental

Na escola, primeiro te ensinam uma lição e depois aplicam uma prova. Na vida, primeiro te aplicam uma prova e depois você aprende a lição.

Mário Quintana

1906-1944

A globalização, a informatização, a tecnologia, a inteligência artificial, a trabalhabilidade e o advento das gerações Y e Z forçaram as instituições de ensino a adotar o uso de novas metodologias mais aderentes ao perfil dos estudantes e

às tecnologias digitais. Tal estratégia auxilia docentes a terem formas eficazes de ajudar os alunos a se envolverem em atividades baseadas em ideias sobre como as pessoas aprendem.

Aprendizagem é um fenômeno assaz complexo, múltiplo, compósito, que envolve variáveis

Cognitivo

Afetivo dificultosas de delinear. Todavia, para intuitos instrutivos, conforme a Figura 14.1, é factível estipular quatro dimensões nas quais a taxonomia de aprendizagem ativa e experimental (TAAE) ocorre: cognitiva, afetiva, volitiva, decerDecernere

 

Capítulo 15 - Currículo por competências

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Capítulo 15

Currículo por competências

A educação não é tão somente um processo de ensino e de aprendizagem, é o desenvolvimento do profissional, do cidadão para a empregabilidade e a trabalhabilidade. Não se trata meramente da preparação para a vida, é a própria vida.

Rui Fava

Para conceber, projetar, desenvolver e operacionalizar um sistema de ensino, bem como as ações de ensino e de aprendizagem voltadas para o desenvolvimento das aptidões necessárias para a empregabilidade e a trabalhabilidade, adotamos e compreendemos competência como o resultado da união potencializadora dos diferentes aspectos do conhecimento, ou seja, saber fazer, ser e conviver, aplicados ao contexto de realização, conforme consta na Figura 15.1. A educação ofertada ao longo da história tem dois sustentáculos:  apprenticeship

Conhecimento e religião. A primeira, denominada aprendizagem por integração, vem da

Conteúdo tradição das corporações de ofícios, conceitual ou seja, as guildas de artífices qualificados que se uniam em associações, a

 

Capítulo 16 - Competências atitudinais na educação 3.0

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Capítulo 16

Competências atitudinais na educação 3.0

As pessoas perfeitas não lutam, não mentem, não cometem erros e não existem.

Aristóteles

384-322 a.C.

A especialização, a profundidade em determinados temas e as competências gerais são essenciais para a aquisição e para a aplicação do conhecimento, bem como para o desempenho das ocupações que sobrarem das automações.

Entretanto, não são suficientes para preparar os estudantes para desafios futuros, carreiras e envolvimento ativo em responsabilidades civis. Assim, as competências atitudinais são imperiosas para a formação do cidadão, dimanam de caráter, atitudes, comportamentos, personalidade, temperamento, valores, crenças, discernimento, habilidades sociais, emocionais, cognitivas e volitivas.

Os avanços da neuropsicologia, uma importante área da psicologia que estuda de modo aprofundado o funcionamento cerebral, os processos cognitivos superiores e as suas relações com o comportamento humano, demonstram que nosso cérebro é altamente flexível e modificável pelo aprendizado.

 

Capítulo 17 - Como será a educação superior na próxima década?

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Capítulo 17

Como será a educação superior na próxima década?

A semente morre para que a flor brote, a crisálida, para que irrompa a borboleta. Na verdade, a transformação não é instantânea, nem a metamorfose um processo agradável e sem sofrimento. A natureza exige esforço e resiliência como preço da evolução.

Rui Fava

Com o advento das modernas tecnologias digitais, os limites da concorrência, da diferenciação, da responsabilidade social e da criação de valor estão celeremente se desmanchando. Em substituição, está emergindo uma teia branca, destituída de regras de engajamento, de preceitos de fidelização, de fronteiras de delimitação entre consumidor e produtor, entre docente e discente, de explícitos vestígios de encorajamento a mostrar se estamos no caminho certo.

A força do trabalho tornou-se móvel, fisicamente desagregada, e a conectividade passou a ser virtual. A geração digital apreendeu que pode prosperar sozinha. Nesse imenso mundo de possibilidades, prefere investir em si própria a se vincular a uma organização, estudar de forma autônoma em vez de ingressar em escolas com modelos acadêmicos ultrapassados. Sem dúvida, haverá uma grande turbulência no sentido ao desconhecido. Estamos adentrando em um mundo em que devemos aprender a subsistir com a colaboração, a confiança e a ética, a coabitar com estranhos e desconhecidos condiscípulos, transmutando papéis e responsabilidades.

 

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