Depressão

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Desde o lançamento da primeira edição de Depressão: teoria e clínica, muitos foram os avanços em termos de compreensão e tratamento desse transtorno. Refletindo esse conhecimento, esta nova edição, totalmente atualizada, reúne destacados autores brasileiros que apresentam tanto os conceitos teóricos como as informações mais recentes e relevantes para a prática clínica. A Artmed é a editora oficial da ABP.

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Capítulo 1. Depressão ao longo da história

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1

Depressão ao longo da história

Acioly Luiz Tavares de Lacerda

José Alberto Del Porto

INTRODUÇÃO

Não surpreende que descrições de depressão como uma experiência universal humana sejam registradas em papiros do Egito Antigo e em passagens bíblicas do Antigo Testamento. A depressão seguramente é um dos transtornos mentais mais bem caracterizados ao longo da história, com descrições marcadamente consistentes ao longo de nada menos do que 2.500 anos. Desde os textos da Grécia Antiga até a Era Moderna, dominada por classificações baseadas em critérios operacionais, a tristeza profunda e suas variantes – desesperança, desencorajamento, sensação de vazio, pesar, desânimo, desalento e desespero – têm sido mencionadas como manifestações centrais da depressão. Sintomas relacionados também têm sido consistentemente descritos, incluindo alterações do apetite e do sono, fadiga, irritabilidade, viés negativo de pensamento, falta de prazer ou de interesse em atividades habituais, isolamento social e ideação suicida.1

 

Capítulo 2. Epidemiologia do transtorno depressivo maior

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Epidemiologia do transtorno depressivo maior

Taiane de Azevedo Cardoso

Lucas Mohr Patusco

Pedro V. S. Magalhães

INTRODUÇÃO

A estimativa de taxas de risco para diagnósticos em determinada população é um dos principais objetivos de estudos epidemiológicos.1 Pesquisas baseadas em amostras populacionais minimizam os vieses de seleção que estão presentes ao se estudar apenas aqueles casos que buscaram tratamento.2 Evidências epidemiológicas devem fornecer uma medida da magnitude da doença, sua distribuição na população e uma composição dos fatores de risco associados. Além das consequências para a saúde pública, tais evidências têm sido cada vez mais utilizadas para associar a ocorrência de doenças com fatores genéticos, psicológicos, sociais e ambientais.

Um desafio ao se descrever a epidemiolo­ gia dos transtornos do humor está ­relacionado

às alterações das classificações e dos sistemas de nomenclatura ao longo dos anos. Isso, por si só, tem resultado em taxas altamente variá­ veis para todos os transtornos do humor.3

 

Capítulo 3. Psicopatologia e diagnóstico da depressão

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Psicopatologia e diagnóstico da depressão

Elie Cheniaux

INTRODUÇÃO

O termo “depressão” está relacionado a três diferentes significados. Ele pode se referir a um sintoma, uma queixa por parte de um indivíduo. Nesse caso, “depressão” equivale a

“tristeza” ou “humor triste”. A tristeza pode estar presente em situações patológicas, mas é, antes de tudo, um sentimento humano normal. Assim, em função de uma perda, decepção ou qualquer evento negativo, uma pessoa pode ficar triste, mas, na maioria das vezes, isso não está relacionado a um transtorno ou doença mental.

“Depressão” pode representar também uma síndrome psiquiátrica. Define-se síndrome como uma associação de sinais e sintomas que evoluem em conjunto, produzida por vários mecanismos e dependente de diversas causas.1 A síndrome depressiva pode ser classificada em primária e em secundária.

A depressão primária – genuína, idiopática ou essencial – caracteriza-se por apresentar causa desconhecida. A secundária, por sua vez, é associada a fatores causais bem-definidos, tais como substâncias exógenas (p. ex., medicamentos anti-hipertensivos), ou uma condição médica geral, como hipotireoidismo.2 Sendo a depressão uma síndrome, seus

 

Capítulo 4. Neurobiologia do transtorno depressivo maior

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Neurobiologia do transtorno depressivo maior

Gislaine Z. Réus

Ritele Hernandez da Silva

João Quevedo

INTRODUÇÃO

Por décadas a hipótese monoaminérgica pare­ cia ser a principal resposta à f­ isiopatologia do transtorno depressivo maior (TDM), indicando a diminuição de oferta de neurotransmissores na fenda sináptica ou demonstrando alteração em receptores monoaminér­ gicos.

Mesmo com reforços no arsenal medicamentoso, o TDM ainda representa um desafio a clínicos, pacientes e suas famílias. Dessa forma, clínicos e pesquisadores vêm p

­ ercebendo que, além da diminuição da disponibilidade de neurotransmissores, outras alterações parecem ocorrer, como o envolvimento de marcadores inflamatórios, células microgliais, cascatas de sinalização celular e fatores neurotróficos, que estão identificados cada vez mais e constituem tópico de discussão neste capítulo.

INFLAMAÇÃO NA

NEUROBIOLOGIA

DO TRANSTORNO

DEPRESSIVO MAIOR

 

Capítulo 5. Tratamento farmacológico da depressão

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5

Tratamento farmacológico da depressão

Sergio Tamai

INTRODUÇÃO

A prevalência do transtorno depressivo maior

(TDM) no Brasil é de 16,8% ao longo da vida e de 7,1% no último ano.1 O curso do transtorno é crônico e recorrente, e está frequentemente associado a incapacitação funcional e comprometimento da saúde física. Os pacientes deprimidos apresentam limitação em suas atividades e comprometimento do bem-estar, além de utilizarem mais os serviços de saúde.2

O episódio depressivo maior envolve um período de pelo menos duas semanas de humor deprimido ou incapacidade de sentir qualquer prazer (anedonia) associado a alterações das funções neurovegetativas (alteração do apetite ou do peso, alteração do sono), da atividade psicomotora (perda de energia, interesse, agitação ou lentificação), da cognição (atenção, memória, funcionamento executivo) e do pensamento (sentimentos de desvalia, desesperança ou culpa inapropriada), assim como ansiedade e ideação suicida.

 

Capítulo 6. Papel da farmacogenômica no tratamento da depressão

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O papel da farmacogenômica no tratamento da depressão

Rodrigo Bernini de Brito

INTRODUÇÃO

Muitos fatores clínicos, incluindo disfunção cognitiva, transtornos do sono e sintomas somáticos, bem como características dos fármacos (eficácia, tolerabilidade e interações medicamentosas), podem influenciar a escolha de antidepressivos de primeira linha no tratamento do transtorno depressivo maior

(TDM). No entanto, apesar do grande número de antidepressivos disponíveis, dois terços dos pacientes com TDM não alcançam a remissão sintomatológica após o primeiro tratamento farmacológico, e quase um terço não a atinge mesmo após quatro tentativas

­terapêuticas consecutivas.1

Além dos fatores clínicos, deve-se considerar que a variabilidade individual para a resposta antidepressiva é também consequên­cia da interação entre fatores biológicos e ambientais.2 Como exemplo de fator ambiental, pacientes com histórico de trauma na infância e outras adversidades, sobretudo no ­início da vida, são aqueles com menor p

 

Capítulo 7. Psicoterapia cognitivo-comportamental e análise do comportamento na depressão

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Psicoterapia cognitivo-comportamental e análise do comportamento na depressão

Érica Panzani Duran

Fabiana Saffi

Paulo Roberto Abreu

Francisco Lotufo Neto

INTRODUÇÃO

A terapia cognitiva (TC) começou a ser desenvolvida no início de 1960. Sua forma mais conhecida foi criada por Aaron T. Beck, e diversas reformulações foram feitas depois.1

A TC recebeu a contribuição da terapia comportamental e dialoga com as neurociências e outros ramos do conhecimento científico, sendo usada para tratar diversas patologias e problemas humanos.

MODELO COGNITIVO DA

DEPRESSÃO

Na perspectiva de Beck,1 os processos cognitivos influenciam as respostas afetivas, comportamentais e as reações fisiológicas. Nos transtornos mentais, a informação que o indivíduo recebe do meio é processada de forma distorcida, fruto de pensamentos automáticos distorcidos ou disfuncionais. Tais pensamentos não surgem ao acaso. Eles têm relação com a história de vida e aprendizagem de cada pessoa, que forma crenças em uma estrutura chamada esquema cognitivo.

 

Capítulo 8. Psicoterapia interpessoal no manejo da depressão

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Psicoterapia interpessoal no manejo da depressão

Lívia Hartmann de Souza

Neusa Sica da Rocha

Marcelo Pio de Almeida Fleck

INTRODUÇÃO

A psicoterapia interpessoal (TIP) é uma forma de psicoterapia breve que busca aliviar o sofrimento do paciente e melhorar seu funcionamento interpessoal. Foca especificamente as relações interpessoais como forma de promover mudança interpessoal e alívio de sintomas.1 Entre os objetivos, está ajudar o paciente a aprender formas mais adaptativas e saudáveis de conseguir o suporte emocional e social de que necessita para melhor manejar suas questões interpessoais.2

Diferentemente de outras psicoterapias, que partiram da experiência clínica ou de teo­rias psicopatológicas, a TIP foi criada em um cenário de pesquisa para ser um dos segmentos de tratamento de um ensaio clínico de transtorno depressivo maior (TDM). Seus criadores, Gerald Klerman e Myrna Weissman, publicaram seu primeiro manual em 1984.3

Sua eficácia foi demonstrada em TDM por meio de vários ensaios clínicos randomizados. Com a terapia cognitivo-comportamental (TCC), a TIP representa uma das duas abordagens com eficácia baseada em evidências indicadas para depressão. Posteriormente, foi adaptada para outros transtornos e populações específicas, como transtorno bipolar,4 depressão em pacientes com vírus da imunodeficiência humana (HIV),5 transtor-

 

Capítulo 9. Psicoeducação e tratamento da depressão

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9

Psicoeducação e tratamento da depressão

Fernando Portela Câmara

Antônio Geraldo da Silva

PSICOEDUCAÇÃO E

PRÁTICA MÉDICA

A medicina atual se alicerça na relação médico-paciente, uma relação interpessoal entre duas ou mais pessoas (no caso de participação de familiares ou responsáveis), em que o valor do indivíduo, o respeito, a confiança e a qualidade de vida são os focos essenciais.

A tarefa do médico não se restringe apenas ao diagnóstico, ao tratamento e à profilaxia; ela deve fundamentar-se na ética social, na cultura e nas características pessoais do paciente. A atitude do profissional, outrora impositiva e autoritária, é hoje colaborativa e educativa, procurando obter a cooperação do paciente e de pessoas próximas a ele, bem como garantir seus direitos humanos.

De nada vale a prática médica se o paciente não confia em seu médico ou não aceita as diretrizes do tratamento. O profissional precisa fazer o indivíduo confiar nos procedimentos, por meio do esclarecimento, comunicando-se na linguagem dele e levando em consideração sua cultura. O médico inicia informando o que o paciente tem, a razão de seus sintomas, o que pode acontecer se ele não realizar o tratamento adequado; em seguida, propõe o manejo e faz as observações necessárias para tornar a terapia eficaz. Com

 

Capítulo 10. Distimia

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10

Distimia

Ana Paula Jesus-Nunes

Flávia Vieira

Lucas de Castro Quarantini

INTRODUÇÃO

O termo distimia originou-se na Grécia Antiga para descrever indivíduos letárgicos, melancólicos e inseguros, sendo também conhecido como “mau humor”.1 Enquanto diagnóstico, a distimia foi incluída na terceira edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-III), na década de 1980, sendo mantida até a quarta edição, texto revisado, da publicação (DSM-IV-TR),2 que descreve o referido transtorno como uma condição depressiva crônica, de baixo grau, marcada por sintomas de longa duração e ausência de episódio depressivo maior durante os dois primeiros anos da perturbação.

Em 2013, na quinta edição do DSM

(DSM-5),3 introduziu-se uma nova categoria diagnóstica, denominada transtorno depressivo persistente (TDP), representando a combinação do transtorno distímico e do transtorno depressivo maior (TDM) crônico. Essa mudança de classificação ocorreu em resposta a dificuldades em diferenciar as várias formas de depressão crônica, além do fato de estarem, com frequência, presentes simultaneamente.4 Ademais, a referida mudança promove a distinção entre condições depressivas crônica e episódica, conceitualizando a primeira como uma categoria única com diferentes níveis de gravidade de sintomas.5,6

 

Capítulo 11. Suicídio

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Suicídio

Caroline Dallalana

André C. Caribé

Ângela Miranda-Scippa

INTRODUÇÃO

O suicídio ainda é um importante problema de saúde pública, sendo responsável por aproximadamente 800.000 mortes por ano no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um indivíduo morre a cada 40 segundos em decorrência do suicídio.

Apesar da complexidade dessa questão e dos diversos fatores envolvidos no suicídio, a presença de doença mental é um aspecto de extrema relevância para tal desfecho. Assim, na prática dos profissionais da saúde, o reconhecimento precoce de indivíduos com risco de cometer suicídio é fundamental para reduzir sua incidência.1-3

CONCEITO

A origem da palavra “suicídio” se encontra na obra Religio Medici, de Thomas Browne, publicada em meados do século XVII. Até então, o ato do ser humano provocar a própria morte era chamado, em latim, idioma universal da época, como felo de se (i.e., “criminoso de si mesmo”). Etimologicamente, a palavra

 

Capítulo 12. Depressão e condições médicas gerais

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Depressão e condições médicas gerais

Leandro Michelon

Homero Vallada

INTRODUÇÃO

A prevalência de depressão (transtorno depressivo maior [TDM]) na prática médica é bastante elevada, com taxas de 5 a 10% em frequentadores de serviços de saúde primários e de 10 a 20% em indivíduos com condições clínicas crônicas, chegando a mais de

30% em pacientes hospitalizados.1

Sabe-se que indivíduos hospitalizados por diferentes patologias médicas e com comorbidade com transtorno mental têm maiores demandas em relação ao uso dos ­recursos diagnósticos e atenção da equipe, bem como tendem a permanecer internados por mais tempo. A despeito da influência negativa da presença de sintomas depressivos na efetividade terapêutica dos pacientes, a detecção e o tratamento de TDM nessa população são ainda inadequados. Mesmo que a maioria dos casos seja administrável por não especialistas, a prevalência elevada contrasta com a escassa presença da psiquiatria em hospitais gerais e com a baixa referência para interconsulta psiquiátrica.

 

Capítulo 13. Depressão e comorbidades psiquiátricas

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Depressão e comorbidades psiquiátricas

Roseane D. Lassen

Michelle N. Levitan

Jose Carlos Appolinario

Antonio Egidio Nardi

INTRODUÇÃO

Comorbidade é a ocorrência de mais de uma patologia ou, no âmbito da p

­ siquiatria, de mais um transtorno mental em um mesmo indivíduo. Esse quadro pode ocorrer de forma paralela (quando as doenças existem ao mesmo tempo) ou de modo sequencial (quando uma doença surge após o término da outra).¹ Uma vez que um transtorno comórbido precede ou segue outra psicopatologia, pode induzir o aparecimento dela, ocasionar a antecipação de uma manifestação sintomatológica ou estar associado a um estágio residual de uma outra doença psicológica.²

A presença de mais de um transtorno mental comumente exerce influência no prognóstico e, por conseguinte, no tratamento do quadro.1,2 Um dos principais obstáculos no tratamento de comorbidades está na identificação do diagnóstico primário, pois nem sempre a sequência de acontecimentos na vida do paciente está tão evidente para ele, o que pode gerar incerteza quanto à conduta mais eficaz no momento.3

 

Capítulo 14. Depressão e dor

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Depressão e dor

Kelen Cancellier Cechinel Recco

Rafael Arceno

Ritele Hernandez da Silva

INTRODUÇÃO

O transtorno depressivo maior (TDM) e a dor estão frequentemente juntos. Pelo menos 5 a

7 em cada 10 pacientes com depressão têm algum sintoma somático, e a maioria deles está relacionada com a dor, que pode ser crônica e incapacitante, influenciando na qualidade de vida dessas pessoas.1 Dependendo do estudo, mais da metade dos pacientes com dor crônica é acometida pelo TDM, configurando essa queixa como um fator de risco para o desenvolvimento da depressão.2,3

Nesses pacientes, o transtorno está associada a maior intensidade de dor, maior número de pontos dolorosos e maior incapacidade relacionada à queixa álgica.4 Além disso, o limiar e a tolerância aos estímulos dolorosos costumam estar reduzidos em pacientes deprimidos.5

Há uma correlação positiva entre a gravidade da dor e o grau da depressão.6 A dor também piora o prognóstico do tratamento do TDM, e sua presença antes do início da farmacoterapia com antidepressivo parece ser um preditor negativo de resposta ao tratamento.7 O contrário também é verdadeiro: pacientes com dor crônica que têm depressão costumam ser mais poliqueixosos, com dores mais intensas e prolongadas.7 Nos transtornos mentais, as queixas álgicas encontra-

 

Capítulo 15. Depressão e estigma

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Depressão e estigma

Antônio Geraldo da Silva

Vanessa Leal

Alexandre Paim Diaz

INTRODUÇÃO

A depressão é uma doença que atinge 1 em cada 10 homens e 1 em cada 5 mulheres ao longo da vida;1 é a principal causa de incapa­ cidade no mundo2 e o principal fator de ris­ co para o suicídio, o qual é a terceira causa de mortalidade em jovens.3 Várias abordagens farmacológicas4 e não ­farmacológicas5 apre­ sentam eficácia comprovada no tratamento dessa doença, e outras intervenções podem auxiliar na redução de sua incidência, contri­ buindo para a prevenção primária.6,7 Entre os fatores que contribuem para a enorme sobre­ carga individual e social associada à depres­ são, o estigma, em seus diferentes níveis – pú­ blico, autoestigma e estrutural – é uma das grandes limitações para que as pessoas sejam beneficiadas com programas de prevenção e tenham acesso aos mais variados tratamentos que podem mudar o curso da doença depres­ siva e, consequentemente, de suas vidas.

 

Capítulo 16. Depressão bipolar

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Depressão bipolar

Cristiane dos Santos Machado

Thyago Antonelli Salgado

Ives Cavalcante Passos

INTRODUÇÃO

EPIDEMIOLOGIA

O transtorno bipolar (TB) foi retirado da categoria dos transtornos depressivos na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5) e alocado entre os capítulos sobre transtornos do espectro da esquizofrenia e transtornos depressivos, em virtude do reconhecimento de seu lugar como uma ponte entre as duas classes diagnósticas em termos de sintomatologia, história familiar e genética.1 Apesar da mudança, a diferenciação entre ele e a depressão unipolar continua um desafio na prática clínica, e, uma vez diagnosticado, apesar de haver um grande arsenal terapêutico, o TB permanece como uma condição de difícil manejo.

A depressão bipolar causa prejuízos t­ anto na qualidade de vida quanto na funcionalidade psicossocial dos pacientes.2,3 Além de prejuízo em vários aspectos da vida dos indivíduos, o TB encontra-se entre as principais causas associadas ao suicídio,1 bem como os sintomas depressivos costumam ter predominância em relação aos sintomas de mania e hipomania.4 Assim, em função da importância da compreensão e do manejo adequados da depressão bipolar, este capítulo visa a fornecer informações sobre o TB, com enfoque nos episódios depressivos.

 

Capítulo 17. Depressão gestacional e pós-parto

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Depressão gestacional e pós-parto

Joel Rennó Júnior

Renan Rocha

DEPRESSÃO GESTACIONAL

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a gestante com depressão apresenta uma gravidez de alto risco. De fato, a depressão durante a gestação é um fator de risco independente para a suicidalidade, que

é uma das causas mais comuns de mortalidade materna. A grávida com depressão apresenta maior risco de pré-eclâmpsia, diabetes melito gestacional, tabagismo, uso de á

­ lcool, depressão pós-parto, abortamento autoinduzido, habilidades de enfrentamento mal-adaptativas (p. ex., redução na busca por cuidados e na capacidade de reavaliação positiva), alterações cerebrais e comportamentais na prole, crescimento intrauterino restrito, prematuridade e bebês com baixo peso ao nascer.1

No Brasil, pesquisas com métodos e participantes heterogêneos constataram prevalências entre 12,9 e 37,9% para a depressão na gestação, e um estudo de melhor desenho apresentou prevalência de 14,2%. Entre os fatores de risco para depressão na gravidez, destaca-se o episódio depressivo prévio, que pode elevar o risco em 10 vezes. Aproximadamente 50% das gestações brasileiras são não planejadas e demonstram forte associação com depressão, essas gestações não

 

Capítulo 18. Depressão na infância e na adolescência

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Depressão na infância e na adolescência

Jader Piccin

Bruna Velasco Velazquez

Pedro H. Manfro

Christian Kieling

INTRODUÇÃO

O reconhecimento acerca do fenômeno da depressão na infância e adolescência mudou significativamente nas últimas décadas, tanto em termos de compreensão quanto de atenção. O transtorno depressivo maior (TDM) é um dos principais diagnósticos que acometem indivíduos entre 10 e 24 anos de idade em termos de carga de doença, sendo responsável por 6,2% dos anos de vida ajustados para incapacidade nessa faixa etária.1

O TDM está presente em 49 a 64% dos adolescentes que tentam suicídio, o desfecho mais desfavorável dessa doença.2 O objetivo deste capítulo é delinear o TDM na infância e na adolescência, bem como destacar as diferenças em relação ao quadro apresentado por adultos, ressaltando os aspectos relacionados a epidemiologia, diagnóstico, tratamento e prevenção.

EPIDEMIOLOGIA

O TDM parece acontecer menos comumente em crianças em idade pré-puberal, com uma prevalência um pouco maior em meninos (1,3%) do que em meninas (0,8%).3 No entanto, no final da adolescência, sua prevalência é semelhante à apresentada em adul-

 

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