Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais

Autor(es): Paulo Dalgalarrondo
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Capítulo 1. Introdução geral à semiologia psiquiátrica

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Introdução geral à semiologia psiquiátrica

Um dia escrevi que tudo é autobiografia, que a vida de cada um de nós a estamos contando em tudo quanto fazemos e dizemos, nos gestos, na maneira como nos sentamos, como andamos e olhamos, como viramos a cabeça ou apanhamos um objeto no chão. Queria eu dizer então que, vivendo rodeados de sinais, nós próprios somos um sistema de sinais.

José Saramago

O QUE É SEMIOLOGIA (EM

GERAL E SEMIOLOGIA MÉDICA

E PSICOPATOLÓGICA)

A semiologia, tomada em um sentido geral, é a ciência dos signos, não se restringindo, obviamente, à medicina, à psiquiatria ou à psicologia. É campo de grande importância para o estudo da linguagem (semiótica linguística), da música (semiologia musical), das artes em geral e de todos os campos de conhecimento e de atividades humanas que incluam a interação e a comunicação entre dois interlocutores por meio de sistemas de signos.

Já a semiologia psicopatológica, por sua vez, é o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais.

 

Capítulo 2. Definição de psicopatologia e ordenação dos seus fenômenos

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Definição de psicopatologia e ordenação dos seus fenômenos

Um fenômeno é sempre biológico em suas raízes e social em sua extensão final. Mas nós não nos devemos esquecer, também, de que, entre esses dois, ele é mental.

Jean Piaget

Campbell (1986) define a psicopatologia como o ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença ou transtorno mental – suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e suas formas de manifestação.

Entretanto, nem todo estudo psicopatológico segue a rigor os ditames de uma “ciência dura”,

“ciência  sensu strictu”. A psicopatologia, em acepção mais ampla, pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano. É um conhecimento que se esforça por ser sistemático, elucidativo e desmistificante.

Como conhecimento que visa ser científico, a psicopatologia não inclui critérios de valor, nem aceita dogmas ou verdades a priori. Ao se estudar e praticar a psicopatologia, não se julga moralmente aquilo que se estuda; busca-se apenas observar, identificar e compreender os diversos elementos do transtorno mental. Além disso, em psicopatologia, deve-se rejeitar qualquer tipo de dogma, qualquer verdade pronta e intocável, seja ela religiosa, seja ela filosófica, psicológica ou biológica; o conhecimento que se busca está permanentemente sujeito a revisões, críticas e reformulações. Ou seja, a psicopatologia como ciência dos transtornos mentais requer um debate científico e público constante de todos os seus postulados, noções e verdades encontradas.

 

Capítulo 3. Os principais campos e tipos de psicopatologia

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Os principais campos e tipos de psicopatologia

Umas das principais características da psicopatologia, como campo de conhecimento, é a multiplicidade de abordagens e referenciais teóricos que tem incorporado nos últimos 200 anos. Tal multiplicidade é vista por alguns como

“debilidade” científica, como prova de sua imaturidade. Os psicopatólogos são criticados por essa diversidade de “explicações” e teorias, por seu aspecto híbrido em termos epistemológicos

(Ionesco, 1994).

Dizem alguns que, quando se conhece realmente algo, tem-se apenas uma teoria que explica cabalmente e organiza a observação dos fatos; quando não se conhece a realidade que se estuda, são construídas centenas de teorias conflitantes.

Discordo de tal visão; querer uma única “explicação”, uma única concepção teórica que resolva todos os problemas e dúvidas de uma área tão complexa e multifacetada como a psicopatologia,

é impor uma solução simplista e artificial, que deformaria o fenômeno psicopatológico.

 

Capítulo 4. A questão da normalidade e da medicalização

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A questão da normalidade e da medicalização

Que é loucura: ser cavaleiro andante ou segui-lo como escudeiro?

De nós dois, quem o louco verdadeiro?

O que, acordado, sonha doidamente?

O que, mesmo vendado, vê o real e segue o sonho de um doido pelas bruxas embruxado?

Carlos Drummond de Andrade

A QUESTÃO DA NORMALIDADE

EM PSICOPATOLOGIA

O conceito de saúde e de normalidade em psicopatologia é questão de grande controvérsia, sendo fundamental o questionamento permanente e aprofundado sobre o que seriam o normal e o patológico (Almeida Filho, 2000).

Há questões particularmente difíceis na determinação de normalidade/anormalidade em psicopatologia. Historicamente, essas noções receberam grande carga valorativa; assim, definir alguém como normal ou anormal psicopatologicamente tem sido associado àquilo que

é “desejável” ou “indesejável”, ou àquilo que é

“bom” ou “ruim”. Tais valores, mesmo que se busque esclarecer que não devam estar presentes, retornam quase sempre, de forma explícita ou camuflada, quando se caracteriza alguém como “anormal” psicopatologicamente

 

Capítulo 5. Contribuições das neurociências à psicopatologia

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Contribuições das neurociências

à psicopatologia

Upa! Cá estamos. Custou-te, não, leitor amigo? É para que não acredites nas pessoas que vão ao

Corcovado, e dizem que ali a impressão da altura é tal, que o homem fica sendo cousa nenhuma.

Opinião pânica e falsa, falsa como Judas e outros diamantes. Não creias tu nisso, leitor amado.

Nem Corcovados, nem Himalaias valem muita cousa ao pé da tua cabeça, que os mede.

Machado de Assis

VISÃO GERAL DOS

SISTEMAS NEURONAIS

De fato, como Machado de Assis menciona no texto, apesar da riqueza do universo, a cabeça que o estuda e o admira talvez seja uma de suas partes mais ricas. A riqueza do cérebro humano está basicamente relacionada a sua capacidade de receber, armazenar e elaborar informações, bem como fazer planos e promover ações, o que depende intimamente das conexões neuronais via sinapses.

O cérebro humano contém cerca de 100 bilhões de neurônios; cada neurônio (isto é válido, sobretudo, para neurônios do neocórtex), com seus axônios e dendritos, faz aproximadamente 10 mil conexões com outros neurônios, um total que pode alcançar, para todo o cérebro humano, 100 trilhões de conexões (Sporns, 2010).

 

Capítulo 6. Contribuições da filosofia à psicopatologia

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Contribuições da filosofia

à psicopatologia

Muitas são as contribuições da tradição filosófica à psicopatologia. Não se pode pretender, neste reduzido espaço, explorá-las de modo abrangente. Foram selecionados, então, apenas quatro temas que são particularmente relevantes: 1) a relação mente-cérebro; 2) o problema da causalidade em psicopatologia; 3) o problema da verdade em psicopatologia; e 4) a questão dos valores em psicopatologia e na prática clínica.

A RELAÇÃO MENTE-CÉREBRO

As possíveis relações entre a atividade mental, aquilo que a tradição filosófica chama de espírito, alma ou mente, e o órgão do corpo humano responsável por essa atividade, ou seja, o cérebro, têm sido objeto de reflexões e intensas discussões filosóficas desde a Antiguidade. Trata-se da complexa relação mente-cérebro (RMC), ou alma-corpo. No período contemporâneo, a disciplina filosófica que lida com essa questão é a chamada Filosofia da

Mente (ver Costa, 2005; Matthews, 2007; Teixeira, 2012; Kiekhöfel, 2014).

 

Capítulo 7. Princípios gerais do diagnóstico psicopatológico

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Princípios gerais do diagnóstico psicopatológico

Discute-se muito sobre o valor e os limites do diagnóstico em saúde mental. Pode-se identificar, inclusive, duas posições extremas: a primeira afirma que o diagnóstico em saúde mental não tem valor algum, pois cada pessoa é uma realidade única e inclassificável. O diagnóstico apenas serviria para rotular as pessoas diferentes, excêntricas, permitindo e legitimando o poder médico, o controle social sobre o indivíduo desadaptado ou questionador. Essa crítica

é particularmente válida nos regimes políticos totalitários, quando se utilizou o diagnóstico psiquiátrico para punir e excluir pessoas dissidentes ou opositoras ao regime. Já a segunda posição, em defesa do diagnóstico em saúde mental, sustenta que seu valor e seu lugar são absolutamente semelhantes aos do diagnóstico nas outras áreas e especialidades médicas. O diagnóstico, nessa visão, é o elemento principal e mais importante da prática psiquiátrica.

A minha posição é a de que, apesar de ser absolutamente imprescindível considerar os aspectos pessoais, singulares de cada indivíduo, sem um diagnóstico psicopatológico aprofundado não se pode nem compreender adequadamente o paciente e seu sofrimento, nem escolher o tipo de estratégia terapêutica mais apropriado. A favor dessa visão pró-diagnóstico, está a afirmação de Aristóteles (1973, p.

 

Capítulo 8. A avaliação do paciente

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A avaliação do paciente

Todos os homens, por natureza, desejam conhecer.

Aristóteles

AVALIAÇÃO PSICOPATOLÓGICA

A avaliação do paciente, em psicopatologia, é feita principalmente por meio da entrevista.

Aqui, a entrevista não pode, de forma alguma, ser vista como algo banal, um simples perguntar ao paciente sobre alguns aspectos de sua vida. Junto com a observação cuidadosa do indivíduo, ela é, de fato, o principal instrumento de conhecimento da psicopatologia.

Por meio de uma entrevista realizada com arte e técnica, o profissional pode obter informações valiosas para o diagnóstico clínico, para o conhecimento da dinâmica afetiva do paciente e, o que pragmaticamente é mais importante, para a intervenção e o planejamento terapêuticos mais adequados.

Extrair um conhecimento relevante do encontro com o paciente e, nesse encontro, agir de forma útil e criativa, eis um dos eixos básicos da prática profissional em saúde mental. A entrevista psicopatológica permite a realização dos dois principais aspectos da avaliação:

 

Capítulo 9. A entrevista com o paciente

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A entrevista com o paciente

Não sei, não sei. Não devia de estar relembrando isto, contando assim o sombrio das coisas.

Lenga-lenga! Não devia de. O senhor é de fora, meu amigo mas meu estranho. Mas, talvez por isto mesmo. Falar com o estranho assim, que bem ouve e logo longe se vai embora, é um segundo proveito: faz do jeito que eu falasse mais mesmo comigo.

João Guimarães Rosa

O psiquiatra norte-americano Harry Stack

Sullivan (1983) afirmava que o domínio da técnica de realizar entrevistas é o que qualifica especificamente o profissional habilidoso.

Nesse sentido, por exemplo, o autor define o psiquiatra (poderia ser um psicólogo clínico ou enfermeiro em saúde mental) como “um perito do campo das relações interpessoais”, ou seja, um profissional especialmente hábil em realizar entrevistas que sejam de fato úteis, pelas informações que fornecem e pelos efeitos terapêuticos que exercem sobre os pacientes.

Assim, a técnica e a habilidade em realizar entrevistas são atributos fundamentais e insubstituíveis do profissional da saúde em geral e da saúde mental em particular. Tal habilidade é, em parte, aprendida e, em parte, intuitiva, atributo da personalidade do profissional, de sua sensibilidade nas relações pessoais. É a respeito dos aspectos passíveis de serem desenvolvidos, aprendidos, corrigidos e aprofundados que trata este capítulo.

 

Capítulo 10. Aspecto geral do paciente e comunicação não verbal

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Aspecto geral do paciente e comunicação não verbal

Os movimentos expressivos do rosto e do corpo, qualquer que seja sua origem, são por si mesmos muito importantes para o nosso bem-estar. Eles são o primeiro meio de comunicação entre a mãe e seu bebê: sorrindo, ela encoraja seu filho quando está no bom caminho; se não, ela franze o semblante em sinal de desaprovação. Nós facilmente percebemos simpatia nos outros por sua expressão; nossos sofrimentos são assim mitigados, e os prazeres, aumentados, o que reforça um sentimento mútuo positivo. Os movimentos expressivos conferem vivacidade e energia às nossas palavras. Eles revelam os pensamentos e as intenções alheias melhor do que as palavras, que podem ser falsas.

Charles Darwin

Em um trabalho importante sobre o diagnóstico em saúde mental, Sandifer, Hordern e Grenn

(1970) observaram por meio de pesquisas empíricas que, em profissionais com alguma experiência clínica, a entrevista em saúde mental não funciona como uma máquina de somar simples, na qual o passar do tempo vai acrescentando informações, em progressão linear. De fato, esses pesquisadores verificaram que os primeiros três minutos da entrevista são extremamente significativos, sendo muitas vezes úteis tanto para a identificação do perfil predominante de sintomas do paciente como para uma primeira formulação da hipótese diagnóstica.

 

Capítulo 11. Introdução às funções psíquicas elementares

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Introdução às funções psíquicas elementares

ADVERTÊNCIA: LIMITAÇÕES

DE UMA PSICOPATOLOGIA

DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS

Apesar de ser absolutamente necessário o estudo analítico das funções psíquicas isoladas e de suas alterações, nunca é demais ressaltar que a separação da vida e da atividade mental em distintas áreas ou funções psíquicas é um procedimento essencialmente artificial. Trata-se apenas de uma estratégia de abordagem da vida mental que, por um lado, é bastante

útil, mas, por outro, um tanto arriscada, pois pode suscitar enganos e simplificações inadequadas. É útil porque permite o estudo mais detalhado e aprofundado de determinados fatos da vida psíquica normal e patológica; é arriscada porque facilmente se passa a acreditar na autonomia desses fenômenos, como se fossem objetos naturais.

Com o passar do tempo, na prática clínica diária, passa-se inadvertidamente a crer que a memória, a sensopercepção, a consciência do

Eu, a vontade, a afetividade, etc., são áreas autônomas e naturais, separadas umas das outras e com vida própria. Deixa-se de lembrar o que elas realmente são, isto é, construtos aproximativos da psicologia e da psicopatologia que permitem uma comunicação mais fácil e um melhor entendimento dos fatos. Que fique claro: não existem funções psíquicas isoladas e alterações psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela função.  É sempre a pessoa na sua totalidade que adoece.

 

Capítulo 12. A consciência e suas alterações

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A consciência e suas alterações

DEFINIÇÕES BÁSICAS

Este capítulo apresenta como dificuldade inicial a definição de consciência. Os muitos psicopatólogos e filósofos que estudaram a consciência humana utilizam o termo com sentidos diferentes. Há acepções muito extensas, como equiparar consciência ao conjunto de atividades psíquicas conscientes do indivíduo (consciência aqui equivale à mente humana consciente), até acepções restritas, como equiparar consciência ao nível de consciência (que será o uso predominante neste capítulo). Podem-se resumir os usos do termo “consciência” em pelo menos três acepções diferentes, que implicam três definições distintas, apresentadas a seguir.

A definição neuropsicológica emprega o termo “consciência” no sentido de estado vígil

(vigilância), o que, de certa forma, iguala a consciência ao grau de clareza do sensório. Consciência, aqui, é fundamentalmente o estado de estar desperto, acordado, vígil, lúcido. Trata-se especificamente do nível de consciência.

 

Capítulo 13. A atenção e suas alterações

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A atenção e suas alterações

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A atenção pode ser definida como a direção da consciência, o estado de concentração da atividade mental sobre determinado objeto

(Cuvillier, 1937). A fim de explicitar o que os mecanismos de atenção representam para o funcionamento psíquico normal, William

James (1952, p. 260-261) dizia que:

Milhões de itens [...] que são apresentados aos meus sentidos nunca ingressam propriamente em minha experiência. Por quê?

Porque esses itens não são de interesse para minha pessoa. Minha experiência é aquilo que eu consinto em captar... Todos sabem o que é a atenção. É o tomar posse pela mente, de modo claro e vívido, de um entre uma diversidade enorme de objetos ou correntes de pensamentos simultaneamente dados.

Focalização, concentração da consciência são a sua essência. Ela implica abdicar de algumas coisas para lidar eficazmente com outras.

A atenção se refere, portanto, ao conjunto de processos psicológicos que torna o ser humano capaz de selecionar, filtrar e organizar as informações em unidades controláveis e significativas. Os termos “consciência” e “atenção” estão estreitamente relacionados. A determinação do nível de consciência é essencial para a avaliação da atenção (Cohen; Salloway; Zawacki, 2006).

 

Capítulo 14. A orientação e suas alterações

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A orientação e suas alterações

Este capítulo e o próximo (“As vivências do tempo e do espaço e suas alterações”) tratam de temas que se sobrepõem: a orientação temporoespacial e as vivências de tempo e espaço.

Esses capítulos poderiam ter sido agrupados em um só; entretanto, como o capítulo presente

é de maior relevância prática para o estudante, e o seguinte, sobre “vivências do tempo e espaço”, tem um conteúdo e desdobramentos um tanto mais complexos, optou-se por mantê-los separados, sobretudo por questões didáticas.

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente é elemento básico da atividade mental e fundamental para a sobrevivência do indivíduo. A avaliação da orientação é um instrumento valioso para a verificação das perturbações do nível de consciência, da percepção, da atenção, da memória e de toda a cognição.

As alterações da orientação também podem ser decorrentes de déficits cognitivos graves (como nas demências) e de qualquer transtorno mental grave que desorganize de modo marcante o funcionamento mental global (Quadro 14.1).

 

Capítulo 15. As vivências do tempo e do espaço e suas alterações

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As vivências do tempo e do espaço e suas alterações

O segundo, não o tempo, é implacável. Tolera-se o minuto. A hora suporta-se. Admite-se o dia, o mês, o ano, a vida, a possível eternidade.

Mas o segundo é implacável. Sempre vigiando e correndo e vigiando. De mim não se condói, não para, não perdoa. Avisa talvez que a morte foi adiada ou apressada.

Por quantos segundos?

Carlos Drummond de Andrade

DEFINIÇÕES BÁSICAS

As vivências do tempo e do espaço constituem-se como dimensões fundamentais de todas as experiências humanas. O ser, de modo geral, só

é possível nas dimensões reais e objetivas do espaço e do tempo. Portanto, o tempo e o espaço são, ambos, condicionantes fundamentais do universo humano e estruturantes básicos da nossa experiência.

Em seu “Tratado do tempo” (Física IV, 10-14), Aristóteles busca abordar algumas das principais dificuldades teóricas sobre a natureza do tempo e a temporalidade – se o tempo existe ou não e se ele é constituído por momentos presentes que se sucedem. Assim, movimento e repouso, mudança e permanência, bem como a natureza dos entes que estão submetidos ao tempo, foram temas difíceis e relevantes para o grande filósofo da Antiguidade

 

Capítulo 16. A sensopercepção e suas alterações (incluindo a representação e a imaginação)

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A sensopercepção e suas alterações (incluindo a representação e a imaginação)

DEFINIÇÕES BÁSICAS

Todas as informações do ambiente, necessárias à sobrevivência do indivíduo, chegam até o organismo por meio das sensações. Os diferentes estímulos físicos (luz, som, calor, pressão, etc.) ou químicos (substâncias com sabor ou odor, estímulos sobre as mucosas e a pele) agem sobre os órgãos dos sentidos, estimulando os diversos receptores e, assim, produzindo as sensações. O ambiente fornece constantemente informações sensoriais ao organismo, que, por intermédio delas, se autorregula e organiza suas ações voltadas à sobrevivência ou à interação com o mundo, com as outras pessoas

(Goldstein, 2010).

Define-se sensação como o fenômeno elementar gerado por estímulos físicos, químicos ou biológicos variados, originados fora ou dentro do organismo, que produzem alterações nos órgãos receptores, estimulando-os.

Os estímulos sensoriais fornecem a alimentação sensorial aos sistemas de informação do organismo. As diferentes formas de sensação são geradas por estímulos sensoriais específicos, como visuais, táteis, auditivos, olfativos, gustativos, proprioceptivos e cinestésicos

 

Capítulo 17. A memória e suas alterações

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A memória e suas alterações

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A memória é a capacidade de codificar, armazenar e evocar as experiências, impressões e fatos que ocorrem em nossas vidas. Tudo o que uma pessoa aprende em sua existência depende intimamente da memória. Além disso, como será abordado neste capítulo, todos os processos relacionados com a memória são altamente contextualizados, integrados em uma rede de múltiplas informações e contextos da vida.

A capacidade específica de memorizar relaciona-se com vários fatores, entre eles o nível de consciência e atenção, o estado emocional e o interesse motivacional e, particularmente importante, os contextos, como lugar, momento, com que pessoas, em que tipo de atividade e em que fase da vida a codificação, o armazenamento e a evocação das informações ocorrem (para uma revisão acessível e de qualidade, ver Foster, 2011).

Alguns dos principais pesquisadores atuais em neurociências da memória atribuem à memória um papel central na própria definição e identidade do ser humano. Para Iván Izquierdo

 

Capítulo 18. A afetividade e suas alterações

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A afetividade e suas alterações

Súbita, uma angústia...

Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!

Fernando Pessoa

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A vida afetiva é a dimensão psíquica que dá cor, brilho e calor a todas as vivências humanas.

Sem afetividade, a vida mental torna-se vazia, sem sabor. “Afetividade” é um termo genérico, que compreende várias modalidades de vivências afetivas, como o humor, as emoções e os sentimentos.

Segundo o psicopatólogo hispano-cubano

Emílio Mira y López (1896-1964), quanto mais os estímulos e os fatos ambientais afetam o indivíduo (até a intimidade do ser), mais nele aumenta a alteração e diminui a objetividade.

Quanto menor a distância (real ou virtual) entre quem percebe e o que é percebido, mais o objeto se confunde com quem o percebe (Mira y López,1974).

Assim, vai desaparecendo a possibilidade de configurar ou formar imagens delimitadas, e surge uma nova modalidade de experiência

 

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